  O GUERREIRO - Nicole Jordan


      Ela aceitou casar com o capitalista Drago Negro...
      At poderia apaixonar-se por ele...
      S desejava ser uma boa esposa e filha...
      Mas passaram cinco interminveis anos, sem notcias de seu prometido.
      Por que no viera reclam-la como sua esposa?
      Ento ele voltou para reclamar... No a ela mas sim o castelo de seu pai.
      Digitalizao: KARYNE NOBRE
      Reviso/Formatao: REGINA CELI











       Titulo: Dragon Negro
       Titulo Original: The Warrior
       Autora: Nicole Jordan
       Traduzido Por: Grupo Constanza English
       Gnero: Romance Histrico
       Contexto: A Inglaterra,  poca Medieval, 1150
       Protagonistas: Ranulf Do Vernay E Ariane Do Claredon

      A novela abre com uma cena romntica do compromisso matrimonial entre a tmida adolescente Ariane do Claredon e o legendrio -Drago Negro-, Ranulf do Vernay.
Mas esse compromisso no se concretiza em matrimnio. Passaram cinco anos nos quais Ariane se pergunta porque este poderoso Lorde no a veio reclamar como sua esposa.
      E cinco anos nos quais Ranulf encontrou desculpa atrs de desculpa para no casar-se, e apenas se atreve a reconhecer em si mesmo a verdadeira causa desta
demora. Mas um pedido do rei o obriga a ir ao castelo de sua prometida. Mas as circunstncias mudaram radicalmente. Agora o pai do Ariane foi acusado de traio
ao rei e Ranulf deve tomar o castelo firmemente custodiado por Ariane, na ausncia de seu pai. Por meio de um ardil, Ranulf toma posse do castelo e destitui a Ariane
de sua posio de Lady.
      Suspeita de fazer parte de um compl de traio contra o rei Henry, Ariane passa a ter a posio de -refm poltica-, mas a rebelio que nasce entre a gente
do castelo contra o novo Lorde faz que termine sendo a esposa do Drago Negro. Esposa para todo servio...
      Ariane impe uma srie de objetivos: limpar o nome de seu pai, recuperar a posse do castelo, obrigar - de qualquer modo - que Ranulf honre o compromisso matrimonial
e a reconhea como sua esposa, e guardar  - a qualquer custo - um segredo que defenderia com sua  prpria vida.
      Ranulf, o Drago Negro, tem exatamente os objetivos opostos ao Ariane: provar que ela e seu pai so traidores  ao rei, consolidar sua posio como novo Lorde,
impedir - de qualquer modo - casar-se com uma mulher da nobreza, e descobrir o segredo detrs das escapadas de Ariane. Como sobrevivente de uma infncia cruel, Ranulf
conhece bem da infidelidade das  mulheres da   nobreza  e desconfia da desafiante beleza da que uma vez foi sua  prometida. Seus sentimentos por ela se limitam a
uma obsesso, a obsesso de provar sua traio e a obsesso de faz-la render-se em sua cama.
      Amor? Como poderia sentir amor algum que no tem corao? Uma novela romntica reveladora do  tratamento das mulheres na Idade Mdia. Cheia de paixo e sensualidade,
a novela os desafiar a seguir uma trama onde as mudanas das posies de poder das e as mudanas de sentimentos dos  protagonistas geram o desenvolvimento  de um
argumento atrativo. Para os  amantes da novela histrica, imperdvel.
      Para os  amantes  do romance medieval, comece a l-lo j.
      Uma nota da  autora
      Um reino em caos...
      Quando o rei Henry I da Inglaterra morreu  em 1135, seu sobrinho, Stephen do Blois, usurpou o trono da filha de Henry, Matilda, e a Inglaterra se inundou em
uma guerra civil que durou quase  duas dcadas. Poderosos Lordes e bares escolheram lados e desenvolveram guerras pessoais pela posse de terras e por  poder, at
que os mesmo  partidrios do rei Stephen criticavam e rechaavam a anarquia e a falta de autoridade  de seu rainhado ineficaz. Finalmente  derrotada por foras
superiores, Matilda cruzou o canal que separa a Inglaterra da Frana  e se instalou em Normandia, onde continuou fazendo planos para  recuperar a coroa inglesa para
seu filho maior, Henry Plantagenet do Anjo.  O jovem  Henry  fez vrias tentativas sem xito para reclamar seu direito ao  trono, mas no conseguiu at  que em 1153
Stephen nomeou ao  filho da Matilda como seu herdeiro ao trono, e um acordo da paz foi  alcanado. Entretanto  nem toda a nobreza  da Inglaterra aprovou o  plano.
Embora a maioria prestasse  juramento de fidelidade  ao Henry, agora  duque da Normandia, como seu futuro rei, alguns  bares rebeldes apoiaram ao irmo de Stephen,
enquanto  outros pensavam em elevar ao filho bastardo de Stephen ao trono. Assim, depois da morte do  rei Stephen no  ano seguinte, a Inglaterra novamente entrou
em um estado de caos...


















      Prefcio




      Fortaleza De Claredon, Inglaterra: Junho, 1150

      Seu presente, uma rosa a deslumbrou.  De cor vermelha,  totalmente aberta, a  frgil flor do vero parecia  muito delicada para a mo do  guerreiro desumano,
que podia exercer um efeito mortal com sua espada. O drago negro do Vernay tinha  arrancado a flor para ela enquanto  davam uma volta pelo jardim do castelo e agora
estava oferecendo a ela com seus compridos e sinuosos dedos. Assombrada pelo gesto  suave, Ariane olhou ao poderoso cavalheiro de rosto rude que se erguia diante
dela.  Penetrantes olhos ambarinos como os de um falco  examinando-a  atentamente por debaixo das densas sobrancelhas  negras, traziam uma pergunta em suas profundidades
douradas.
      - Deixei-te  muda milady?
      Ela sentiu o rubor subir em suas bochechas,  mas levantou seu queixo  corajosamente.
      - Eu... eu somente estou  surpreendida. Ela  no  aceitou imediatamente seu presente, ele  sacudiu a cabea.
      - Ah, mas me esqueci dos  espinhos,  ele  murmurou, sua voz profunda, masculina, calma e baixa.
      Ariane observou  com assombro  como  Lorde Ranulf tirava a adaga da bainha e cortava  os espinhos selvagens do caule da flor com concentrao silenciosa. Ela
que apenas se atrevia a respirar, estudou ao homem que logo devia transformar-se em seu marido. Bronzeado pelo sol, suas feies orgulhosas eram atrativas e seu
cabelo grosso, negro e rebelde lhe caa at quase os ombros.  Mas algo sobressaa ante sua presena formidvel. Soberbo em sua condio fsica, incrvel em sua fora,
Drago Negro possua  um poder de liderana que alarmava e intimidava a seus inimigos e despertava respeito e confiana em seus aliados. Em seus quatorze anos, Ariane
nunca conheceu  um homem como ele. As damas e as criadas do Claredon a invejava e  tremiam por ela, embora essa manh a inveja tinha comeado a prevalecer. Ariane
estava inclinada a tremer e a lhe temer. Seria ela quem celebraria seu  compromisso  em somente algumas poucas horas. Era  ela quem tomaria algum dia a esse desconhecido
escuro como seu marido legal. Seria ela quem o receberia  em sua cama e seria seu corpo o que carregaria seus filhos. Quando Ranulf levantou a vista para encontrar
seu olhar  atento,  o corao dela vibrou.
      -Teme-me, moa? Ele perguntou suavemente, como se estivesse lendo seus pensamentos.
      - Temer-te? Ariane se perguntou. At esse momento ela teria respondido que sim. Ranulf era um homem adulto, quase  dez anos mais velho que ela. Sua altura
imponente e seu corpo  poderoso o faziam muito mais alto e maior que os outros mortais, alm disso, suas faanhas em batalha j eram  legendrias.  Mas era sua reputao
de ferocidade. O  que mais a alarmava? - dizia-se, em sussurros que o Drago Negro  do Vernay era o protagonista  de contos temerrios e de rumores  escandalosos
que o tinham  seguido atravs  do canal da Normandia. Ela preferia  no  ter deixado a segurana  do  grande salo  do Claredon ou o grande nmero  de convidados
que se reuniram l para a celebrao do  compromisso matrimonial. Mas quando  o Lorde do Vernay a tinha convidado a caminhar com ele pelo  jardim, ela no  tinha
se atrevido  a recusar. Para seu desnimo, ela, quem frequentemente era desafiada por sua me  por sua lngua afiada e sua  sagacidade irreverente, agora no podia
pensar em uma s palavra para dizer. Ou s estar perguntando? Iria pensar que estaria se casando com uma  idiota se continuasse muda  Ariane desafiou a si mesma
enquanto  o olhava. Para sua completa surpresa, Ranulf levantou a rosa  para  acariciar  sua bochecha, roando as ptalas de veludo ao longo de sua pele  com uma
suavidade  que parecia totalmente inocente para semelhante  homem.
      - To inocente - ele  murmurou  quase  ausente, seu olhar perdido.
      - Queria  saber quanto tempo durar.
      No estava segura  se ele  falava da  rosa  ou dela, mas ento o  poderoso cavalheiro pareceu voltar a si.
      - Acredito  que  no respondeste  minha  pergunta, moa.
      - O que... pergunta  milorde? - Ela murmurou, apanhada pela intensidade silenciosa  de seus  olhos ambarinos.
      - Eu te assusto?
      Sim, ela quis responder. Compreendia  por que os homens  tremiam de medo ante ele. Nunca se esqueceria  da primeira imagem de Lorde Ranulf no dia anterior
enquanto ele se aproximava do Claredon. Montado em um cavalo macio, levando sua armadura completa, era uma figura imponente com seu estandarte e  o escudo que levava
seu emblema to temido, um drago negro desafiante sobre um fundo de cor escarlate. Desde sua chegada, seu trato tinha parecido distante e at desagradvel. At
esse momento ela o tinha considerado frio, endurecido e perigoso. Mas ele no parecia to feroz ou desumano enquanto sustentava uma rosa em vez de uma espada.
      - No, milorde, no me assusta, Ariane replicou  finalmente, e se deu conta, com surpresa, que era verdade.
      - Ento aceitar meu humilde presente,  uma flor?
      Um sorriso dbil se  curvou em seus lbios enquanto fazia uma reverncia.
      - Isso me proteger.
      - Proteger-te?
      - Sim.  O roubo de uma rosa de um nobre  considerado crime em muitas partes, mas se lhe dou isso no tenho por que temer ao castigo.
      Os olhos dela se alargaram com assombro. Ele estava brincando? Entretanto ela sorriu ao  pensar quando um  poderoso  cavalheiro como ele  necessitaria de seu
amparo.
      -Assim est  melhor, - ele disse com satisfao. Ela tomou  a rosa dele e afundou  seu nariz nas ptalas de veludo perfumadas para esconder o rubor de suas
bochechas, agradecida  pelo  esforo do cavalheiro de aliviar seus medos.
      - Agradeo-te,  milorde, - Ariane murmurou.
      - Estas rosas so o  orgulho de minha  me, mas estou  segura  que  no se zangar por uma s flor, j que logo estaremos  prometidos.
      Pareceu-lhe  natural, ento, expressar a  pergunta que tinha estado espreitando sua mente enquanto passeavam pelo  jardim.
      - H alguma razo para  que desejes  minha  companhia, meu  Lorde?
      O  homem pareceu   vacilar antes de lhe lanar um  breve e enigmtico olhar.
      - Moa. Tenho uma pergunta para te fazer.
      -  uma unio  entre ns o que deseja  para seu  futuro?
      - No  estou segura de compreender o que quer dizer.
      - Est completamente de acordo  com o  compromisso matrimonial?
      Ela abriu os olhos  ligeiramente.
      - Sim, milorde. Sei que  meu dever. Estou  preparada para obedecer a meu pai.
      Quando Ranulf franziu o cenho, Ariane se deu conta  que aparentemente  sua resposta no  era a que ele  procurava. Ela  se apurou a adicionar:
      - Eu compreendo que Claredon necessita de um Lorde forte.  E agora  que meu irmo se foi,  meu pai j no tem herdeiro, e ele deseja tomar medidas para quando
j no puder governar... Para deixar  suas terras em mos capazes,  para me dar o amparo de um marido forte.
      - Isso no  o que te perguntei moa. Eu compreendo as razes  de Lorde Walter  para incentivar este matrimnio.
      Ela olhou para Ranulf, no  sabendo o que era que ele desejava ouvir dela.  Havia sido criada para pr o dever e a responsabilidade acima das consideraes
pessoais, e, devido a morte de seu irmo Juscelino esse ano, tinha se convertido na  herdeira do Claredon, com todas as obrigaes que sua posio  social envolvia.
Se seu pai desejava fazer um matrimnio poltico para assegurar o  futuro do Claredon, ento ela o faria. Mas no tinha pensado que Lorde Ranulf  necessitava  de
uma explicao, j que seu matrimnio seria uma aliana poltica para ele tambm.
      Passou outro momento antes que ele  falasse, e ento  sua voz soou extremamente compungida.
      - No  tenho desejo de  forar a uma dama reticente a me aceitar.  J vi mais de um matrimnio onde a mulher no desejava a unio e esses matrimnios terminam
em uma  calamidade.
      Escutando-o, Ariane observou a maneira em que sua mandbula forte endureceu, e ela tinha captado uma nota de amargura em seu  tom de voz, e  quis saber  se
ele falava por experincia  prpria.  Mas talvez ela  tivesse confundido sua inteno. Talvez ele estava tentando renunciar ao  compromisso e estava procurando a
maneira mais amvel de dizer-lhe.
      Impulsivamente ela estendeu sua mo  para tocar a manga do Ranulf, um gesto que pareceu   sobressalt-lo e  o fez  deter-se abruptamente.
      - Desejas  ser liberado do  compromisso,  milorde?
      Seu olhar  ambarino estudou  seu rosto atentamente, e por um momento lhe pareceu ver um  brilho, algo como um  tortura em seus olhos. Mas desapareceu em seguida.
      - Quero estar seguro de que no tem  nenhuma objeo  ao casamento comigo.
      Ia realmente lhe perguntar se ela consentia no matrimnio? Em sua experincia limitada, nenhum Lorde procuraria a aprovao de uma simples  moa, mas sim unicamente
estaria preocupado pelas terras e o poder que   ganharia com o matrimnio. Certamente  na Normandia assim como na Inglaterra, a terra era o que contava   e o consentimento
da mulher contava  muito pouco, apesar dos esforos  da Igreja para  prover um amparo  maior  s noivas que no estavam de acordo com os matrimnios impostos.  Lorde
Ranulf  pretendia casar-se com ela  pelas  vastas terras que ela traria para o matrimnio algum dia, ela sabia. Ariane no  podia ler a pergunta em seus olhos.
Ele estava tenso e em silncio, sua expresso  sria, aguardando a resposta.
      Confiava nesses  olhos, ela deu-se conta  com uma convico repentina. Eram duros, intensos, mas no cruis.
      - No  tenho nenhuma objeo,  milorde. Aceito livremente o  compromisso matrimonial. A expresso tensa desapareceu, suavizando a linha dura de sua boca, e
seu corpo poderoso pareceu  relaxar. S ento  Ariane se deu conta que ela no  tinha respondido  a sua pergunta. Queria  desesperadamente lhe perguntar se esse
matrimnio era o que ele desejava, pois  Ranulf era um cavalheiro proprietrio de terras  e podia dar-se ao luxo de escolher uma noiva. Mas se ele  objetasse a unio,
certamente  nunca teria aceitado a proposio  de seu pai em primeiro  lugar.
      -  isso  o que desejas  saber? -  Ela perguntou  insegura.
      - Moa,  eu s estava  interessado em ouvir sua opinio.
      Pareceu de repente incomodado com o  tema, ou com ela, porque desviou o olhar para o muro  do ptio. Ansiando tranquiliz-lo como ele tinha feito com ela,
Ariane sorriu.
      - Meu pai diria que as filhas no  tm  nenhum direito a opinar, e que eu tenho muitos direitos para meu prprio bem. Atrever-me-ia a dizer que tem razo.
      Ranulf a olhou de esguelha  como se estivesse surpreso.
      - Sempre est de acordo com seu pai, milady? - Ela enrugou  seu nariz.
      - No, raramente, na verdade. Reivindicar minhas opinies  meu  maior defeito.
       Ranulf  riu fracamente, um som spero, que deu ao Ariane a certeza que no era um homem que risse frequentemente.
      - Suspeito que meu pai est muito  ansioso de ver-nos casados, e deve estar agradecido de que  esteja  aqui para me cortejar.
      - Cortejar? O cavalheiro alto fez uma careta ligeira.
      - Sou um soldado, moa, no  um poeta. Sorriu desdenhosamente.
      - Sei  pouco a respeito de cortejar a uma dama.
      Ela estava segura  que ele estava  equivocado. Se esse homem forte, carismtico pusesse esse objetivo em mente, poderia seduzir aos pssaros das rvores, Ariane
suspeitou.
      - Bem, eu mesma sei menos a respeito de cortejar, - ela  respondeu  corajosamente.
      - Assim  no  deve  temer que te  julgue muito duramente.   meu primeiro noivo.
      - Seu primeiro noivo? No posso  acreditar.
      - Todos os  homens  na Inglaterra so cegos?
       Agora ela soube que ele estava  brincando e sendo  amvel.  Ela no podia afirmar que era uma beleza, com sua altura e as sardas que salpicavam sua pele e
cabelo claros. Ela  sabia muito bem   que sua origem nobre e a riqueza  do Claredon eram seus atrativos  principais.
      - Bem, - ela respondeu  com uma risada zombadora,  - minha  aparncia explica tudo.
      - Meu pai  se  negou   idia de procurar candidatos  para mim  at que no  estivesse seguro para onde giravam os ventos polticos.
      Ranulf a estudou  especulativamente.
      - No teme expressar suas opinies, vejo.
      Querendo saber se sua observao era uma crtica, Ariane ruborizou. Sua me  sempre lhe  tinha advertido  que sua lngua afiada a   meteria em problemas algum
dia. Talvez ela tivesse sido muito atrevida com Lorde Ranulf, mas sua intuio lhe disse  que ele  no  queria  uma noiva tmida. Seu queixo  se levantou  ligeiramente.
      - No, no tenho medo de me casar  milorde.
      Ele sorriu  ento. Completamente. Um sorriso  lento, terno, sensual que suavizou  suas feies duras e fez que o  corao  de Ariane de repente se sobressaltasse.
Sem estar preparada  para as quebras de onda de calor que de repente a invadiram, ela piscou  como se olhasse o  sol escondido detrs das nuvens. Era isso  o que
as mulheres da fortaleza tinham  admirado e  invejado, mais cedo?
      Esse atrativo  masculino que tinha o efeito de um  relmpago? Era possvel que um  nico sorriso ganhasse o  corao de uma dama? Ento  Ranulf levantou uma
mo para roar delicadamente  seu lbio inferior com a ponta do dedo.
      Entretanto seu pulso se acelerou  descontroladamente, enquanto  um calor estranho florescia dentro dela, enviando suas  emoes a um estado selvagem de confuso.
      Ariane o olhou  fixamente com  fascinao silenciosa, assombrada pelos sentimentos que ganhavam vida com sua  carcia ligeira e as sensaes  estranhas que
invadiam  seu corpo. Nunca havia se sentido to consciente de ser mulher  que nesse momento. Nunca antes  havia se sentido to  agitada pelo contato de um homem.
      - Estamos de acordo  ento, milady?  O compromisso segue de p?
      - Sim, milorde, - murmurou  ofegando.
      Quando Ranulf estendeu  sua mo para ela, Ariane tremeu no com temor, a no ser com fascinao, com excitao e com antecipao. Queria a esse homem como
marido, ela se deu conta. Queria casar-se com  esse cavalheiro poderoso e  magnfico a quem importava o suficiente  para preocupar-se com seus sentimentos e seus
medos. Um homem que  podia faz-la tremer somente com um  sorriso e  uma carcia.
      Apesar dos terrveis rumores sobre seu  passado, ela desejava   ser parte de seu futuro. Essa esperana   fez estremecer seu  corao  quando  colocou seus
dedos trementes na mo do Ranulf. Teriam um bom matrimnio, Ariane prometeu  silenciosamente, recordando a reticncia  que tinha detectado nele.  Esforar-se-ia
para ser uma boa esposa para Ranulf, esforar-se-ia para  nunca lhe dar motivo  para lamentar esse dia. Com um  sorriso trmulo, Ariane apertou a rosa que lhe tinha
dado e permitiu que o Drago Negro  do Vernay a conduzisse de volta   torre do Claredon  e   celebrao do compromisso que se desenvolvia dentro.

Captulo 1



      Fortaleza Do Vernay, Normandia -  Novembro 1154

      Os lbios mornos que roaram sua pele nua j no tinham o poder de excit-lo, nem o fazia o  cabelo sedoso que se  arrastava provocantemente sobre suas costas
nuas. Ranulf jazia deitado sobre  seu  estmago em cima dos lenis  de linho midos e usados, seu  corpo brilhava com suor pelo exerccio realizado. Satisfazer
as mulheres luxuriosas desgastava a fora e a energia de um homem. Mas  Layla continuou seu assalto impiedoso   com sua  boca e sua  lngua, suas  curvas voluptuosas
se pressionavam eroticamente contra  ele, suas unhas causavam-lhe  calafrios enquanto ela as passava ao longo de sua espinha dorsal, seus  dentes mordiscavam  suas
ndegas  com um cuidado que lhe causava uma pequena  dor.
      - Basta, - ele  murmurou uma ordem para a qual tinha pouco energia  para fazer cumprir.
      Quando ela se dobrou para lhe oferecer  um peito torrente, estimulando seu mamilo escuro contra  sua boca, Ranulf desviou pacientemente sua cabea.
      Quando enterrou  seus dedos em seu cabelo escuro e o tirou  insistentemente, somente tomou seu pulso e se livrou de seu carinho.
      Foi s  quando Layla cravou suas  unhas de maneira  deliberada em suas costas cheia de cicatrizes  que ele finalmente  reagiu, ela sabia muito bem que tocar
suas cicatrizes estava proibido, no tinha podido se livrar desse hbito.
      - Basta, moa.
      Ante seu tom de voz autoritrio, o corpo jovem do outro lado dele se moveu, e  Ranulf teve que lhe murmurar gentilmente e acarici-la para que ela dormisse
novamente.
      Por seu carter, ele preferia  delicada Floresa que  voluptuosa Layla,  cujos cabelos  cor de bano  eram to escuros como os seus. Floresa era uma moa
normanda doce, tranquila sempre ansiosa por satisfazer, enquanto que a estrangeira Layla tinha um carter rebelde e combativo. S  devido a  suas habilidades  deliciosas
ele mantinha   rabe como amante.
      - Simplesmente procuro seu prazer, milorde, - ela  disse  petulantemente com  acento rabe.
      - Sabe que Layla conhece melhor que ningum como te satisfazer.
      Ranulf no  podia discutir essa afirmao.
      Roubado de sua famlia e convertida em escrava em um bordel de ingleses, Layla tinha sido  trainhada nas artes sexuais do oriente, e sabia muito bem como satisfazer
a um homem e levar  seu desejo a um passo da loucura.
      Causava-lhe uma amarga satisfao  o fato de possuir sexualmente a extica amante que seu pai havia trazido da Terra Santa... Mas no tanto para privar do
prazer que lhe brindava, embora isso requeria tolerar a lngua afiada e o cimes ferozes de Layla.
      Poderia ter escolhido duas moas de uma dzia de camponesas ansiosas por esquentar  sua cama, entretanto essa noite havia necessitado da liberao que a luxuriosa
rabe podia lhe dar. Precisava  esquecer.
      T-la e a Floresa ao mesmo tempo  s aumentava as probabilidades de conseguir aplacar aos demnios que o espreitavam.
      -   cruel com  a Layla, milorde, - ela se lamentou, passando sua lngua  sobre seu lbio inferior.
      - Penso que trs vezes  o bastante, - Ranulf replicou, em tom seco, - ainda para uma mulher de seu nvel de paixo. Com essa resposta, ela  capturou sua mo
e a colocou contra a carne  de seu peito generoso.
      - Voc no gosta de   minha  paixo? J no deseja a Layla?
      Ranulf sorriu sem vontade  enquanto dava a seu mamilo um belisco brincalho.
      - Teria que me esquartejar para extinguir meu desejo por voc, moa.
      - Mas j   hora  de que v para sua prpria cama.
      Quando Layla ia protestar, Ranulf levantou seu corpo poderoso apoiando-se  em um cotovelo.
      - Sabe quais so meus desejos.  Eu durmo sozinho.
      Na verdade, no a fazia retirar-se como castigo. Dormir sozinho era uma regra automtica imposta. Embora obtivesse grande  prazer com o corpo feminino, raramente
passava toda a noite com uma mulher.
      Muito indulgncia sensual produzia debilitao em um guerreiro. Quando Layla se  recusou a obedecer, Ranulf lhe deu uma palmada nas ndegas, o qual a fez gritar
em fingido protesto.
      Desafiante, ela permaneceu de barriga para cima sobre uma pilha de travesseiros desordenados, olhando-o com olhos sedutores.
      Provocativamente seus dedos jogavam  com seus peitos volumosos, acariciando os mamilos avermelhados em uma convite ertico, e  suas coxas se abriram para sua
apreciao masculina.
      - Faamos uma vez, mas, milorde, imploro-lhe isso...
      Apesar de sua desobedincia, Ranulf soltou  uma risada spera. Nesse momento ele j estava suficientemente satisfeito sexualmente para ser seduzido por suas
tticas, mas era sbio para saber quando era necessrio ceder algo.
s vezes convinha a um homem deixar que uma  mulher ganhasse pequenas vitrias de modo que ela se  rendesse mais facilmente em assuntos mais importantes.
      - Uma vez mais, ento.
      Seus dedos se apoiaram sobre o pbis entre suas  coxas, completamente raspado ao estilo rabe, separando os lbios j midos, procurando o boto de carne
que era o centro de prazer feminino.
      Layla tomou uma respirao profunda e fechou os olhos, enquanto suas pernas se abriram amplamente, dando a seus dedos acesso completo  a seu centro quente
e lubrificado. Com habilidade, ele acariciou suas dobras, deslizando-se  lentamente dentro do canal. Layla estremeceu  com excitao.
      Em poucos momentos um gemido de xtase  escapou de sua garganta, sua cabea caiu para trs com seu orgasmo e ela arqueou suas costas e seu  voluptuoso corpo
se ondulou  luz das velas .
      Ranulf a observou ofegante e sexualmente satisfeita. Layla merecia ser recompensada pelas delicias e os cuidados que tinha tido com ele.
      Havia lhe dado prazer essa noite  e era justo corresponder esse prazer.
      De fato, pelos ltimos quinze dias, desde que ele tinha voltado para sua casa desde o Vernay para aguardar ordens do Duque Henry, Layla o tinha satisfeito
frequentemente. Deveria sentir mais remorso por ter quebrado  sua estrita disciplina de ascetismo. Entretanto nessas duas semanas tinha satisfeito  sua luxria mas
frequentemente do estava acostumado a fazer e isso era porque o sexo o ajudava a manter afastadas as lembranas.
      Inquieto, Ranulf levantou seu olhar a mulher ofegante deitada em sua cama para olhar de esguelha alm das cortinas da cama abertas. O solar em Vernay, onde
o Lorde dormia e passava seu tempo livre, continuava sendo uma habitao, fria e de aspecto espartana, que carecia de comodidades  exceo de um fogo rugindo na
chamin e de uma tapearia ocasional que pendurava nas paredes de pedra para diminuir o frio. Recusou-se a trocar a decorao do quarto, este estava igual a quando
era ocupado por seu pai, perversamente determinado a preservar a evidncia amarga de seu passado.
      - Lorde agora- Ranulf se recordou. A honra do Vernay pertencia a ele, a propriedade lhe tinha sido dada pelo duque Henry, junto com uma carta de nobreza
que o restabelecia e correspondia por nascimento.
      J no era um marginal  deserdado e sem terras. Mas apesar do  poder e sua riqueza atuais, no podia evitar a inquietao que o assaltava sempre que estava
nessa habitao onde seu pai tinha aoitado a carne de suas costas. Ainda agora, sua pele se cobria de um suor frio de medo cada vez que entrava nesses  aposentos,
porque no podia evitar  recordar o  terror e a dor de sua juventude.
      No  tinha necessidade  fechar  seus olhos para recordar-se de ter estado agachado  contra a parede distante sendo um menino nu e tremente, esperando para
receber o  castigo de um pai vingativo.  Nem sequer o  consolo  atual da carne feminina quente podia apagar completamente os recordaes, embora o recompensassem
em alguma medida pelas incontveis  horas de medo e de tortura que tinha sofrido  ali.
      O som distante do assobio  de um  guardio fez que Ranulf levantasse a cabea  como um lobo que cheira o  vento. Quando ele ficou rgido repentinamente, os
olhos da Layla se abriram .
      - No milorde...  No pode te deter...
      Seu tom de voz era agudo, demandante e ofegante tambm .
      Ele sorriu fracamente  enquanto  suas lembranas  brutais se desvaneciam .
      - Temos tempo, no se preocupe.
      Cada pessoa que chegava  fortaleza  primeiro devia  esperar  que baixasse a  ponte levadia, logo devia cavalgar os dois ptios externo e interno antes de
procurar a entrada   torre do Vernay.
      Tinha tempo de fazer  amor com Layla.
      Mas antes que a mulher ofegante e satisfeita se desmoronasse sobre ele, os  pensamentos do Ranulf se moveram para seus planos.
      Certamente a pessoa que chegava era um  mensageiro do  duque com uma intimao e significava  que o rei  Stephen tinha morrido e que  Henry estava preparando
para reivindicar seu direito ao trono  como  rei  da Inglaterra.
      E como  era certo que   Henry encontraria resistncia, precisaria reunir foras  adequadas para assegurar o  acesso bem-sucedido ao  poder.
      As expectativas do Ranulf cresceram com a perspectiva de uma promessa de conflito.
      No s estava disposto a cumprir com seus deveres de cavalheiro para o Lorde ao qual tinha jurado fidelidade, mas tambm estava impaciente para tomar as armas
em favor do Henry.
      Tinha permanecido  inativo por muito tempo, suas habilidades de batalha se oxidavam se no as usava.
      Nos trs meses passado, a paz tinha rainhado na Normandia. no tinha havido  nenhuma rebelio, nenhuma   escaramua, nem sequer um  torneio prximo onde tivesse
podido  afiar suas  habilidades e descarregar suas frustraes  no campo de trainhamento  ou aumentar sua riqueza capturando  cavalheiros inimigos para pedir resgates.
      Nas ltimas  duas semanas tinha estado preparando-se   para a viagem que viria:  lustrado a armadura, afiado as armas e reunindo provises.
      Seus cavalheiros e  soldados se uniram na prtica diria, trainhando com as espadas, disparando flechas ao alvo, e, entretanto, eles tambm estavam  ansiosos
por comear a campanha. E agora parecia  que o momento estava prximo.
      Enquanto  Ranulf esperava, um longo  intervalo passou antes que um golpe  soasse na porta, um tempo que ele aproveitou para poder  agradar a Floresa em  recompensa
por sua  doura e sua  pacincia.
      Com a ordem de que entrasse, seu  vassalo Payn Fitz Osbern entrou no  solar, meio vestido, com a  tnica  sem atar.
      - O Duque Henry?
      Ranulf perguntou enquanto levantava seu corpo de cima da moa  rabe  para sentar-se  na beira  da cama  macia.
      - Sim, o duque que logo ser rei da Inglaterra. Cavalga por volta da costa e chegar em  dois dias e nos  espera para  acompanh-lo. - Payn continuou falando.
      - O mensageiro quer  falar com voc.
      Mantendo seu sorriso, Ranulf colocou o lenol de linho em cima das duas mulheres nuas em sua  cama.
      - Diga-lhe que entre.
      Obviamente o  mensageiro tinha cavalgado  duramente da corte do  duque porque sua capa estava salpicada com barro e o cansao aprofundava as linhas em seu
rosto.
      Ele confirmou o que Payn j tinha  anunciado, adicionando  mais detalhe sobre os planos  da  partida e a composio das  foras  do Henry, e   o advertiu sobre
a resistncia esperada entre os partidrios do rei Stephen na Inglaterra.
      Satisfeito, Ranulf dispensou o  homem com ordens   de procurar  alimento e  descanso no salo.
      A seguir ele  caminhou nu at a  mesa onde uma comida o esperava. Serviu  vinho  de um jarra em duas taas e entregou uma a Payn  e tomou a  sua prpria.
      - Pela Inglaterra, ento! - ele brindou .
      - Sim, pela Inglaterra!
      -  Para encontremos uma grande quantidade de rebeldes  ingleses a quem derrotar antes que sua impacincia faa seu humor mais  negro  do que esteve ultimamente.
      - Meu humor ? As sobrancelhas negras de Ranulf se levantaram com uma expresso  divertida.
      - Meu carter  doce como o mel.
      Seu vassalo quase lana uma gargalhada .
      - E os trs bonecos de palha do campo de trainhamento  que destruiu  ontem?
      - Se os bonecos fossem infiis muulmanos, teramos liberado a Terra Santa a esta altura!
      - Asseguro que conheci   javalis  selvagens menos perigosos quando passa alguns dias encerrados  aqui no Vernay.
      A nica resposta de Ranulf era um encolhimento de ombros enquanto esvaziava sua taa .
      - Talvez.
      - Mas vejo que estiveste procurando  um par para seu mau humor. - Payn sorriu  maliciosamente enquanto , com um gesto  de sua cabea, assinalava s mulheres
na cama  de seu Lorde.
      - Por Deus! , duas moas ao mesmo tempo Ranulf?
      - No Podia deixar  alguma para  ns ?
      Ranulf estudou a seu  cavalheiro de cabelo  castanho claro  com um sorriso constante .
      -Duvido muito  que a voc  tenha  faltado companhia feminina.
      - No, mas  no compreendo porque as mulheres lhe preferem apesar de seu mal humor.
      - Simplesmente  porque eu tomo um momento para lhes assegurar seu prazer em vez  de s   procurar o meu  prprio.
      Ante a  careta do Payn, foi a vez de Ranulf sorrir.
      - Menos egosmo te faria mais querido, amigo.
      -Sem dvida  tem razo.
      Inclinando sua cabea para trs, Payn tragou  o resto  de seu  vinho e, a seguir,  olhou de esguelha  para Ranulf com astcia.
      -  sabido tambm, que tenha sua boa cota de amantes  agora  quando ainda pode faz-lo.
      - Sua futura esposa no ficar muito contente  de ter que te compartilhar  depois do casamento.
      - Uma dama  de sua linhagem  esperar que concentre todas seus  cuidados nela, ao menos no incio.
      O  bom humor  de Ranulf se desvaneceu com esse comentrio.
      A sua prometida esperava-o  na Inglaterra e essa era a  nica razo pela qual no  se achava esta campanha completamente a seu gosto .
      - Com a oposio  que ns indubitavelmente enfrentaremos, - ele  disse secamente, - poderia passar meses antes que eu possa encontrar um tempo livre para celebrar
a cerimnia de casamento.
      - Provavelmente  no poder   adiar por muito tempo as bodas, - Payn observou, com humor em  seu tom de voz.
      Para esconder seus pensamentos, Ranulf girou abruptamente para voltar a encher  sua taa  de vinho. Seu amigo sabia a muito tempo  de sua reticncia  visitar
a Inglaterra mas  s ultimamente tinha    comeado a suspeitar da  causa : que o Drago Negro  do Vernay carecia de coragem.
      Ranulf sacudiu a cabea aborrecido. Como era possvel? Ele era um guerreiro, um cavalheiro poderoso que ganhou suas esporas como cavalheiro aos dezessete anos.
      Onze anos  aps, tinha provado  seu valor incontveis vezes.
      Suas faanhas  notveis em  combate tinham lhe dado o apelido de -o drago negro,- um nome  temido que fazia tremer a seus inimigos.
      Entretanto  a idia do  casamento com a herdeira  do Claredon o inquietava .
      Temer a uma mera moa . Payn pensaria que isso era para morrer de rir.
      Seria objeto de brincadeiras, se no fosse pelas possveis repercusses, Ranulf admitiu amargamente.
      Se seus homens soubessem desse seu  temor, no  s  sofreria brincadeiras, mas tambm o  respeito para com ele diminuiria, uma consequncia que podia resultar
prejudicial para  sua  liderana .
      Como se detectasse seu desconforto, Payn sorriu e lhe deu uma palmada nas costas .
      - Alegre- se,  milorde.
      - Como disse, poder passar meses antes que deva  enfrentar a sua noiva.
      - Com sorte, os defensores  do Stephen no entregaro a Inglaterra facilmente, e seu tempo ser  passado lutando e submetendo rebeldes.
      - Talvez  possa conseguir atrasar sua visita ao Claredon at a prxima primavera ou possivelmente at o vero, - disse , tomando  um gole longo de vinho .
      O que precisava  era uma boa  luta para tirar  de sua mente as bodas.
      A guerra, a caa e os torneios, esses  eram suas paixes. No as  mulheres. No  sua  prometida. Estava ansioso por entrar em  batalha, por confrontar, para
poder escapar da  aflio  do matrimnio por um tempo mais.
      - Pode  contar comigo para fiscalizar os acertos finais para a viagem, - Payn lhe assegurou.
      - Estaremos preparados para partir com a  primeira luz do dia .
      Ranulf assentiu, mas logo atentou enquanto  seu vassalo  partia.
      Seus pensamentos estavam muito absorvidos no destino que o esperava do outro lado do canal.
      Enquanto, por um lado  antecipava a campanha militar por vir com prazer, por outro lado no estava ansioso para chegar a Inglaterra.
      Mais de quatro anos  tinham acontecido desde que assinou o  contrato de compromisso matrimonial, um  tempo que tinha  lutado e  servido  a seu Lorde.
      As estaes dos anos se deslizaram uma atrs das outras, e ele tinha estado muito ocupado com seus deveres e  obrigaes para ir a Inglaterra procurar a sua
futura esposa.
      Nem sequer  tinha  acompanhado Henry a Inglaterra o  ano passado quando o  duque se encontrou com o rei Stephen para acordar a sucesso ao trono. Distraidamente
Ranulf se moveu  para  parar diante do  fogo na chamin, seu olhar fixo nas chamas.
       Todo tempo seu compromisso com o Ariane do Claredon tinha lhe parecido uma boa manobra poltica apoiada na idia de conseguir terras e herdeiros e  cimentar
uma  aliana com uma famlia poderosa que tivesse poder na Inglaterra.
      Depois de ter passado  muito tempo  de sua vida sem terras e sem um ttulo, tinha aceito com entusiasmo a possibilidade de  aumentar sua riqueza e de estender
suas bases de poder a Inglaterra, onde s possua   pequenas terras.
      Tinha estado ansioso por aceitar o que lhe oferecia, dirigindo sua  determinao feroz a converter-se em um homem  mais capitalista  que seu desprezvel  pai,
a forjar-se para ser mesmo uma dinastia  que rivalizasse com a dos Lordes mais capitalistas da Terra.
      Que  uma esposa de origem  nobre viesse como parte do  transao no lhe tinha parecido   um preo muito grande que pagar... Nesse momento.
      As razes  de Lorde Walter, o  pai da moa  para querer a unio  eram to  mercenrias como as suas e  talvez  mais polticas.
      Lorde Walter apoiava ao rei  Stephen sim mas sabia que Matilda e  seu filho  Henry algum dia podiam  prevalecer no poder da Inglaterra.
      Abaixo dessa especulao, Lorde de Claredon tinha prometido sua filha de quatorze anos de idade  a um lorde normando que apoiava a Henry, com a inteno  de
deix-la bem protegida  por um marido poderoso se a coroa  inglesa trocasse  de mos.
       Para isso ento, Ranulf refletiu, o  escndalo de seu nascimento e  de sua duvidosa  linhagem j no eram  impedimentos porque lhe  tinha sido restituda
sua herana e a propriedade  do Vernay que, somadas s quantias de  lucros que lhe tinham deixado os torneios e as guerras, o fazia um dos cavalheiros mais ricos
da Normandia. Tinha parecido  um bom acordo para ambas as partes.
      Exceto ele desejou ser livre ainda, antes que a tinta secasse no pergaminho onde se assinou o acordo matrimonial .
      Nessas pocas incertas de rebelies, onde um pacto de compromisso  sempre poderia  ser quebrado, quem se ocuparia de fazer cumprir a lei ?
      O cumprimento da justia  na Inglaterra era incerto pois o rei  Stephen virtualmente  tinha perdido o  poder de dispensar justia.
      Entretanto  enquanto os anos passaram, Ranulf no  tinha encontrado nenhuma boa razo para dissolver o  contrato.
      O que podia dizer? O que temia numa unio  to vantajosa?
      Seus inimigos se deleitariam com sua debilidade e o considerariam  um idiota.
      A morte de seu irmo mais velho tinha convertido  a Ariane do Claredon em  uma grande  herdeira, um prmio que todo  nobre lutaria por possuir.
      Distraidamente  Ranulf friccionou  seu peito  nu enquanto  olhava fixamente as chamas, vagamente  consciente do  calor que crescia em  seu virilha  nua.
      Quando  tinha conhecido a sua futura esposa nas celebraes do  compromisso,  Ariane era s uma adolescente, mas ainda a recordava: Um corpo comprido, magro
e gracioso, seu cabelo claro cor acobreada, feies angulosas, uma pele clara salpicada com sardas, enormes olhos cinzas que pareciam ver mais do que revelavam.
      Ranulf considerou sua juventude uma vantagem.
      Ele queria uma esposa mansa, algum jovem e malevel a quem ele pudesse moldar a seu gosto, algum a quem pudesse ensinar obedincia e at lealdade.
      Tomou o trabalho de assegurar-se que ela estava de acordo com o matrimnio pois no desejava repetir a falta de fidelidade de sua me para seu pai.
      Ariane lhe tinha parecido bastante inocente e possua o encanto das virgens, um encanto que lhe tinha surpreendido e gostado.
      O tempo poderia hav-la mudado, Ranulf suspeitou amargamente.
      Assim ela poderia ter aprendido os talentos que eram to tpicos de seu sexo: a crueldade, as mentiras e a traies.
      Sua condio de nascimento nobre j a marcavam como um possvel problema.
       Desde o bero, graves problemas  com mulheres da nobreza  tinham  marcado a  alma do Ranulf, assim como seu pai tinha marcado suas costas com chicotadas.
      Sua prpria me, adltera, tinha lhe condenado a uma vida de tortura, sentenciada-o  ao inferno da raiva de seu pai.
      Devido a  sua infidelidade, ele  tinha sido forado a lutar por seus direitos de nascimento, sua identidade, e at sua prpria existncia.
      Na verdade, dava  pouco valor s  mulheres, mas para o prazer de seu corpo as procurava.
      Era um homem de apetites fortes, mas  preferia  uma camponesa simples a uma dama  de alta linhagem.
      Uma moa  luxuriosa cujas  necessidades  modestas fossem satisfeitas facilmente, que no tivessem pretenses de princpios como  honra,  perseverana ou  fidelidade,
que no o desprezassem  por suas origens duvidosas.
      Ariane do Claredon no encaixava em nada com essa descrio.
      Ranulf exalou um suspiro, recordando a si mesmo  que era muito tarde para  retirar-se do acordo matrimonial.
      Honraria sua palavra em respeito ao  contrato.
      Quando a Inglaterra ganhasse e o governo de Henry estivesse assegurado,  viajaria ao Claredon e se submeteria  bodas que tinha adiado por muito tempo.
      Embora  preferisse lutar contra um exrcito inimigo inteiro antes que enfrentar a  sua prometida.
      Dando-se  conta do absurdo  desse pensamento, Ranulf  riu  brandamente.
      Como tinha se metido nesse dilema?
      Sua coragem era refm de uma simples moa que pesava a metade que ele e que tinha  um dcimo de  sua fora?
      Que podia lhe acontecer, depois de tudo?
      Deliberadamente sacudiu a cabea, forando-se  a liberar sua mente.
      Que necessidade  tinha de preocupar-se com sua prometida ou  com qualquer mulher?
      A nica coisa que ele  sabia e conhecia  era lutar.
      Tudo o  que queria era uma boa batalha ou duas ou  trs... Por ora...
      Entretanto  seu futuro estava em jogo.
      No  momento em que pusesse um p  na Inglaterra, estaria selando seu destino.
      Sua  nica esperana era que houvesse muitas revoltas contra o  novo rei  que precisassem ser sufocadas.
      Ranulf foi tirado  de suas fantasias desagradveis por uns braos sedosos que entrelaaram  sua cintura por atrs,  um corpo feminino e familiar pressionava-se
sugestivamente  contra o seu.. Ranulf sentiu   que seus msculos tensos se relaxavam.
      - Ela no te agradar  como eu, -Layla ronronou, mordendo o  msculo do ombro  com seus dentes.
      - Quem?
      - Sua noiva inglesa.
      Ranulf fez uma careta. No desejava falar de sua  noiva, ou discutir o  tema  de seu matrimnio com  sua amante .
      - Ela  no  inglesa, e sim normanda, como o  so todas as famlias que  governam l.
      - Normanda, Inglesa. . .  Ela no te far gozar como  Layla.
      - Basta.
      Suas mos soltaram os braos de sua  concubina.
      - No desejo  falar dela.
      Movendo-se  sinuosamente  para estar diante dele, Layla disse:
      - Perdoe-me milorde. Layla no desejava te irritar.
      Sua boca se curvou divertida .
      - No? - Voc gosta de me provocar, moa, como bem sabe.
      Ela se inclinou para mais perto e apoiou  seus lbios  contra seu peito, rodeando com sua lngua o mamilo  masculino...
      Logo mais abaixo, atravs  do arbusto de plo ondulado de seu peito...
      E mais abaixo ainda, ao longo de seu membro flcido... excitando-o expertamente enquanto mantinha-se em p no piso de  pedra.
      - S eu sei como te satisfazer, meu  magnfico garanho, - ela sussurrou  roucamente  contra  seu membro   inchado.
      - Sim, - ele  concordou.
      J  podia sentir suas genitlias agitar, seu   rgo endurecendo.
      - Para que nos demorar? Satisfaz-nos agora.
      Pondo a mo sobre seu  ombro, atraiu Layla para seu membro  excitado.
      Sabia  o que queria, o que necessitava  dela.
      Sua boca se curvou  em um sorriso felino quando ela  fechou seus dedos  acariciando a base de seu talo, agora  erguido e  grosso, e tomou em  sua boca quente.
      Com um gesto de prazer Ranulf fechou  seus olhos, suas ndegas se apertaram  rigidamente  enquanto penetrava  lentamente sua boca, estremecendo com a carcia
de sua lngua.
      Era sua ltima noite no Vernay e faria bom uso dela e  das habilidades  deliciosas de sua amante rabe.
      Sua mo apertou sua cabea escura enquanto tentava  perder-se no  prazer sensual que lhe  provia, mas  em vo tentou   esquecer-se  de seu cmico dilema: Um
poderoso Lorde e  um dos vassalos  mais capazes do  duque Henry, temeroso.
      Entretanto  no  era a seus inimigos capitalistas ou a seus exrcitos a quem temia  a no ser a uma jovem nobre. Uma simples moa .
      Absurdo, cheio de razo, apesar de todos os argumentos racionais, temia a sua prpria prometida.
      Uma prometida que no  podia evitar  enfrentar por muito  mas tempo .


      Captulo 2



      Fortaleza Do Claredon, Inglaterra: Abril 1155

      A primeira sensao que Ranulf teve quando viu sua prometida foi uma extrema inquietao, seguida rapidamente por surpresa indesejada.
      A criatura magra e chata que ele  recordava ter conhecido cinco anos  atrs guardava pouca semelhana com a beleza  alta, estilizada e atrativa de agora.
      Por Deus! Os relatos recentes sobre a beleza impressionante de Ariane talvez eram exagerados, mas no muito, Ranulf admitiu ressentidamente.
      O   sol poente dava a seu cabelo claro a cor de  chama plida, enquanto que seu perfil parecia esculpido em alabastro.
      Sua virilha se apertou   instintivamente agitando-o abruptamente. Ele no era invulnervel a uma mulher bela, mas esse no era  momento  para excitar-se com
sua prometida, e muito menos  se ela estava considerando uma traio  contra a coroa.
      Ranulf murmurou  um insulto entredentes   enquanto observava a Ariane nas sombras.
      Tinha passado os meses enfrentando  a resistncia ao novo rei todo o tempo atravs da Inglaterra, mas a  rebelio  deste lugar era completamente  inesperada.
      O rei  Henry tinha contado com Lorde  Walter do Claredon como  um de seus partidrios mais firmes, o qual  fazia  sua traio ainda mais grave.
      Walter se uniu   revolta do Hugh Mortimer no Bridgenorth, e com isso havia ganhado a ira legendria de Henry.
      Ranulf tinha sido enviado a Claredon para tomar as propriedades do traidor e capturar    filha de Walter.
      Nesse momento, ela estava de p, tranquila e  desafiante, sobre o muro que dava aos portes de entrada, dirigindo as preparaes para a defesa do castelo.
      Tudo embaixo era um  caos, os gritos das pessoas e os rebanhos mesclando-se  com os rudos metlicos das armas,  os golpes dos cascos dos animais, os gritos
de quem empurrava seus  animais para que cruzassem a   ponte levadia para entrar no ptio exterior.
      Os granjeiros e os aldeos de Claredon procuravam refgio detrs dos grossos  muros  de pedra  da  fortaleza, fugindo da  ira  do Drago Negro.
      Nenhum deles sabia que o Drago Negro tinha transpassado os portes da fortaleza com a primeira quebra de onda de refugiados horas antes e  agora se achava
 sombra de uma construo  de pedra, a metros da Lady do castelo.
      - Milorde? - seu escudeiro, Burc, sussurrou sobre  seu  ombro.
      - Capturaremos  moa  agora  ou   esperaremos?
      - Esperaremos.
      Permitiria que sua prometida mostrasse suas intenes.
      Seu pai estava em aberta  rebelio  contra o  rei Henry, que tinha  autorizado  seu deteno como prisioneiro poltico, mas tudo seria mais fcil se ela denunciasse
a traio  de  Lorde Walter e entregasse voluntariamente o  castelo.
      Ainda era possvel que ela se rendesse, embora  suas aes atuais  sugerissem o contrrio.
      Julgando pelas aparncias, a herdeira  do Claredon se preparava para a guerra.
       Ranulf preferiria interrog-la de uma vez por todas, mas no queria   arriscar-se a aproximar-se de sua noiva ainda,  no  at que casse o entardecer lhe
provendo sombras para seu disfarce.
      O hbito  de monge escondia  seu rosto e seu  cabelo, mas sua grande altura e seu corpo poderoso eram difceis  de  esconder.
      Movia-se com os ombros cansados e tinha alargado seu ventre  amarrando um almofado sobre seu estomago, pois preferia  evitar ser reconhecido.
      Ter que lutar em meio dessa  multido  no  serviria a seu propsito.
      Os cavalheiros e os arqueiros com armaduras j estavam a postos  ao longo das alamedas e isso o fazia sentir-se vulnervel.
      Tinha entrado na fortaleza sem sua cota de malha e sem sua espada, somente levando o traje de monge e uma adaga como nica arma.
      Seu  melhor escudeiro, um moo escolhido por sua mente rpida, no seria de muita ajuda se as foras do Claredon descobrissem que  um inimigo estava infiltrado
na fortaleza .
      Entretanto o hbito religioso era o que menos despertaria  suspeitas, e Ranulf podia  dar o luxo  de observar de perto a  sua prometida e o punha em uma posio
melhor para atacar se ela desafiasse  a ordem  do rei e fechasse  os portes ao ingresso do exrcito real.
      Um desenvolvimento que parecia  iminente, julgando pelas preparaes frenticas  que se levavam a cabo .
      A mandbula do Ranulf se apertou.
      Se sua noiva o obrigasse estabelecer um ataque ao castelo e  a arriscar as  vistas de seus homens, ela sentiria a vingana  de sua espada.
      Estreitando seus olhos, Ranulf estudou  Ariane com admirao involuntria.
      Seu corpo  alto e  gracioso vestido por uma tnica cor vermelha oxidada a faziam  parecer to magra como um vime, muito delicada para conduzir um grupo de
cavalheiros e  soldados a desafiar ao novo  rei Henry.
      No  seria a primeira a tent-lo e tampouco a ltima.
      Henry tinha enfrentado bares ingleses rebeldes desde seu  primeiro  momento de sua chegada a Normandia quatro meses atrs.
      Depois de ter sido coroado como rei, Henry tinha  se movido rapidamente para restabelecer a ordem  na Inglaterra, demolindo   castelos ilegais construdos
durante o rainhado do Stephen, sufocando revoltas e derrotando alguns dos partidrios de Stephen que se recusavam a jurar  lealdade  a seu novo soberano.
      A rebelio  atual era conduzida pelo Hugh do Mortimer que desejava instalar o filho bastardo do Stephen,  William, no  trono, em vez do Henry.
      Nesse mesmo momento Henry estava sitiando os castelos do Mortimer em        Shropshire.
      E Ranulf tinha sido  enviado a Berkshire para tomar posse da propriedade de Lorde  Walter de Claredon e sua filha.
      Nesse momento ela parecia estar em um estado de  profunda contemplao , uma pose que  s aumentava a irritao e a desconfiana  do Ranulf.
      Em suas experincia, as mulheres  da classe nobre que pensavam muito estavam inclinadas  a tramar para fazer o que no era apropriado.
      Observou  enquanto  Ariane levantava uma mo para sua frente e inclinava   sua cabea. Chorava? Rezava? No importava. Ele  no ia ser manipulado ou comovido
por  lgrimas.
      E nem Deus a salvaria de sua  ira  se ela planejava uma traio.
      Se ela escolhesse apoiar a rebelio  contra o  rei legal da Inglaterra, pagaria muito caro  sua traio. A escolha era dela.
      - Devemos  levantar a  ponte levadia, milady? - Simon Crecy perguntou delicadamente a sua ama.
      - A maioria  dos aldeos j esto aqui.
      -Esperaremos um  momento mais, - Ariane respondeu.
      - Ainda pode  haver outros que desejem   procurar refgio  no Claredon.
      Sentiu que Simon se movia  para  parar ao lado dela.
      Como o vassalo principal de seu pai e  comandante do  guarnio do Claredon, Simon ficou na fortaleza com um grupo de cavalheiros e  soldados enquanto Walter
cavalgava para unir-se ao Hugh Mortimer.
      Ariane estava agradecida por sua companhia, porque a  ajudava a aliviar a grande  carga  de responsabilidade que ela tinha.
      -Simon?
      - Sim , milady ?
      - Fez tudo muito   bem .  Contarei a meu pai   de seus esforos.
      Ela  o viu ruborizar-se com  seu  elogio.
      Eram da mesma altura, mas Simon era doze anos mais velho  que ela   e muito mas experiente   em temas  polticos e militares.
      Ariane confiava nele cegamente.  Ela sempre tinha querido  saber   se ele teria pedido sua mo em matrimnio  se no fosse pelo compromisso combinado.
      Meu compromisso eterno, ela  pensou  amargamente.
      Seus  dedos se apertaram enquanto ela se  forava em deixar esses pensamentos  de lado.  Prometeu a si mesma no pensar em suas esperanas perdidas, em seus
sonhos desvanecidos.
      Levantando seu queixo, Ariane olhou  dos muros os  campos recentemente semeados de Claredon, o curso brilhante do rio sobre o   horizonte, tinto de dourado
pelos raios do sol poente.
      A cena parecia muito pacfica, para ser verdadeira.
      Nunca tinha visto uma paz verdadeira.
      Ela tinha crescido em  um dos perodos mais turbulentos da histria da Inglaterra, embora  seu pai houvesse obtido atravs de combates estratgicas e  manobras
polticas ardilosas, proteo de suas propriedades da  devastao que tinha aoitado a Inglaterra durante o rainhado  do Stephen. Nenhum aspecto de suas vidas tinha
permanecido se alterado.
      Nos ltimos dez anos, Walter tinha gasto  uma fortuna para erigir muros de pedra em torno de Claredon em  lugar das paliadas  de madeira, mas  nenhuma parede
podia isol-los o  suficiente para proteger o  campo circundante de um exrcito invasor.
      Se  o Lorde de Vernay decidisse pr abaixo a fortaleza de Claredon, primeiro destruiria os campos e as cabanas toscas dos aldeos em uma tentativa de fazer
passar fome os habitantes do castelo para obter sua rendio.
      E seu exrcito estava partindo.
      O mensageiro  que havia cavalgado freneticamente  desde  Bridgenorth essa manh com a incrvel noticia sobre a traio  de seu pai lhe  tinha advertido  tambm
da aproximao das foras  do Drago Negro.
      Me de Deus, como temia   a possibilidade de guerra.
      Havia uma maneira de impedi-la que no fosse a  rendio?
      Como podia salvar as vidas de sua gente e ao mesmo tempo   permanecer leal a seu pai?
      Tinha prometido defender a fortaleza de Claredon em sua ausncia, e preferiria banhar-se em azeite quente   que lhe falhar.
      No  destruiria a  pouca f que ele  havia depositado nela.
      - Simon? - Ariane perguntou com voz preocupada.
      - Pensa que estamos fazendo o correto?
      Simon sacudiu sua cabea  escura.
      - No sei, milady.
      - Mas acredito  que isto  o que  milorde  Walter desejaria.
      - Voc conhece seu prometido  melhor  que eu.
      - Duvido.
      - Eu estive com ele s uma vez, por um breve momento, e isso aconteceu quando eu era quase uma menina.
      Sua boca se torceu  em um sorriso  sem alegria  enquanto  recordava sua assombrosa reunio   com o Ranulf de Vernay.
      Ento ele j era um homem completamente adulto, quase  dez anos mais que ela.
      Quando a tinha convidado a caminhar a ss com ele pelo  jardim do castelo, ela no se atreveu a recusar, mas  sua mera  presena a tinha deixado completamente
muda.
      Aqueles olhos de falco cor ambarina a tinham esquadrinhado  atentamente, como se ela  fosse sua  presa, enviando seu corao   sua garganta.
      Entretanto,  surpreendentemente, o Lorde de Vernay  tinha parecido  compreender sua inquietao e tomou um  momento para aliviar seus medos,  certamente para
seduzi-la e para reduzir sua reticncia.
      Para sua perplexidade  total, tinha lhe perguntado se ela estava de acordo com o  compromisso.
      Ento, antes que ela tivesse superado seu assombro, Ranulf lhe iludiu   com uma  ternura que parecia ter derretido a  dureza  de seu  rosto  frio.
      Tinha perdido  mas  que o  medo de Ranulf nesse momento.
      Tinha perdido seu corao.
      Tinha considerado Lorde de Vernay como  um candidato magnfico, e a corporizao  de seus sonhos de menina.
      E ela prometeu a si mesma ser uma esposa boa e fiel.
      Que sonho tinha sido!
      - Pensei que ele era amvel e gentil, - murmurou  a Simon.
      - Pode acreditar quo  pobre era meu julgamento?
      - Ouvi as coisas mas terrveis  sobre ele.
      Ela tinha ouvido  os contos tambm,  sobre a fria e a fora do Drago Negro em combate e de  sua  vingana  impiedosa.
      Seu mero  nome, tirado da figura estampada em  seu  escudo e sua  bandeira, despertava o  medo nos coraes dos homens.
      - Alguns  dizem que Vernay  o melhor  comandante de campo do Henry, - Simon murmurou.
      - E  suas tticas de guerra so brilhantes.  conhecido por ter desafiado e ter derrotado a seu prprio pai em uma batalha.
      - Um filho do  mas antinatural.
      Ariane silenciou. Aqueles contos de Lorde Ranulf  eram os mais chocantes.
      Diziam que  a me tinha tomado  um amante campons  antes do  nascimento  de Ranulf, de modo que ele poderia ser filho de um homem sem linhagem.
      Certamente o  pai nobre de Ranulf tinha duvidado de sua paternidade.
      Yves de Vernay se recusou, ainda depois que seus dois filhos mais velhos morreram, a reconhecer a Ranulf como seu  herdeiro.
      O Drago Negro  tinha reivindicado e recuperado  sua herana a ponta de  espada.
      - Estamos fazendo-o bastante bem, - Simon estava dizendo.
      Nossas foras esto   em posio.
      - Temos as provises  adequadas graas a seus  prprios esforos, minha  lady.
      - Poderemos aguentar um assdio  fortaleza  por algum tempo.
      - Enviou a mensagem a meu pai  no Bridgenorth?.
      - Com dois mensageiros separados, milady, para melhorar as possibilidades  de que a mensagem chegue.
      - Se Lorde Walter  est livre para  vir, f-lo- .
      Se estiver livre ... Ariane sacudiu a cabea . Seu choque ante o giro  recente dos eventos no se tinha desvanecido ainda.  Seu pai tinha sido acusado de traio
e de conspirar  com o Hugh Mortimer contra a  coroa inglesa . Ela simplesmente no podia acreditar e  culp-lo . Conhecia bem seu pai.
      - A ponte levadia, minha  lady?
      Simon a apressou, interrompendo seus pensamentos preocupantes.
      -  perigoso nos demorar mais.
      - Sim.
      Olhando   aproximao ao Claredon, Ariane se deu conta que os ltimos aldeos   tinham entrado no  ptio do castelo.
      - Devemos nos apressar.
      Girando, Simon se dirigiu ao guardio  do  porto.
      Quase ao mesmo tempo o som ensurdecedor das correntes soaram enquanto a enorme   ponte de madeira era levantada lentamente.
      A  ao chegou logo,  porque  distncia se via um redemoinho dourado de p, o tipo  de nuvem empoeirada que levantava  um exrcito  aproximando-se   rapidamente.
      Ariane sentiu os msculos de seu estomago esticar-se com medo.
      O  Drago Negro.
      Seu  Prometido.
      O homem que deveria ser seu marido h muito tempo.
      O guerreiro que nunca veio reclam-la como sua esposa.
      Seus  nervos estavam desfeitos  no momento em que a borda deteve-se a uma distncia em que ela  podia ver uma fora de uns duzentos temveis cavalheiros normandos
vestidos com cascos de ao cnicos e com tnicas  largas de cota de malha, cavalgando em cavalos, com lanas brilhantes e escudos.
      O resto eram arqueiros e soldados a p que se vestiam com armaduras de couro.
      Uma bandeira se agitava com um drago negro feroz sobre um fundo cor escarlate.
      Em instantes um nico cavalheiro rompeu as filas dos cavaleiros e cavalgou lentamente para frente, carregando um estandarte branco, procurando conferenciar.
      Ariane estremeceu  quando uma exploso  curta soou  de um trompetista inimigo, embora  sabia que isso era de esperar.
      Estava agradecida de ter Simon Crecy a seu lado.
      O cavalheiro deteve  seu cavalo a uma  distncia prudente onde no podia ser alcanado pelas pedras ou flechas e se dirigiu para os defensores postados nas
amenas:
      - Em  nome de Henry,  duque da Normandia e legtimo  rei da Inglaterra, ordeno-lhes  abrir os portes!
      Tomando uma respirao  profunda, Ariane respondeu, embora sua voz no  fosse  nem to forte nem to clara como teria gostado.
      Diga-me bom homem, por que  ns deveramos  abrir nossos  portes  quando vocs claramente vm preparados para a guerra?
      Houve uma pausa, como se sua pergunta tivesse surpreendido ao  cavalheiro.
      - Porque recusar-se  traio .
      - O rei  Henry requer a deteno de Walter de Claredon e lhe concedeu suas terras e suas  posses  ao Lorde de Vernay, quem exige sua rendio  imediata.
      - Trago uma proclamao do rei.
      Sua mo  enluvada  levantou um cilindro de pergaminho  para que o  visse.
      Ariane forou afrouxar seus dedos, que tinham estado fechados em punhos.
      - Sou a Lady do Claredon.
      - Posso ter a  honra de conversar com Lorde do Vernay ?
      - Sou vassalo do  Lorde, meu nome  Payn FitzOsbern, milady.
      Lorde Ranulf me encarregou de acertar a sua rendio.
      Ela sentiu que uma pequena parte da  tenso  de seu corpo a abandonava, este era s um emissrio do  Drago Negro.
      Seu Lorde no dispe de um tempo livre para falar comigo? - Ela perguntou.
      - Pensei que a posse de  Claredon fosse um tema  importante para ele e que cavalgaria at aqui imediatamente.
      - Milady . . . Ele  . . . Est atrasado.
      - Sim?
      Seu  tom estava carregado com  ironia.
      - Se cinco anos for um tempo muito curto para esperar uma visita a sua prometida.
      FitzOsbern vacilou, obviamente procurando as palavras adequadas.
      - Milady, poderia abrir os portes?
      - Discutirei esse assunto com  o Ranulf de Vernay e com  nenhum outro.
      - Pode lhe dizer isso. - Uma pausa.
      - Ele no ficar satisfeito com sua resposta.
      Ariane se esforou para lhe devolver um sorriso  frio.
      A negativa  de seu prometido  de vir a Claredon em pessoa  era um insulto calculado, talvez, mas poderia us-lo para sua vantagem.
      - Essa  a resposta que lhe dar.
      Quase podia   sentir a frustrao  do  cavalheiro.
      - Ento recusa a render o castelo, minha  lady?
      - Repito-lhe,  discutirei esse assunto com Lorde Ranulf.
      - Por favor lhe faa  saber sobre o meu pedido.
      - E  tudo, cavalheiro.
      FitzOsbern sujeitou a haste de seu estandarte mais firmemente com seu punho enluvado, claramente reticente a aceitar ser despedido dessa maneira.
      Ariane continuava  observando-o  at que  finalmente ele girou  seu cavalo e cavalgou   para unir-se s  foras  de seu Lorde .
      Lentamente ela exalou a  respirao  estava prendendo.
      Com sorte tinha conseguido ganhar algum tempo.
      Um  dia ou  dois at que o assdio ao castelo comeasse, e esse tempo  podia resultar vital para as possibilidades de seu pai.
      Na medida que Walter continuasse em posse de Claredon, continuaria sendo uma fora que o rei Henry teria que reconhecer.
      Apesar de ser um traidor condenado  poderia usar suas propriedades para negociar por sua vida. Sua resposta no tinha desafiado diretamente uma ordem  do rei,
Ariane se consolou.
      Mas logo estaria em problemas.
      O Drago negro sem dvida estaria furioso quando se inteirasse  de sua negativa a render a fortaleza a seu emissrio, mas na verdade , ela no  tinha escolha.
      Era imperativo que retivesse a posse de Claredon para ajudar a seu pai.
      E no o decepcionaria como o tinha feito tantas vezes antes.
      Embora tivesse que dar at seu ltimo flego, no lhe falharia.
      - Suas aes  sugerem  que esto   levantando um acampamento, milady, - Simon observou.
      Ariane assentiu com amargura.
      Com a escassa luz do entardecer, ela  podia ver os cavalheiros desmontar, seus escudeiros apressarem-se para atender aos cavalos e as  armas, enquanto que
seus arqueiros se posicionavam  em uma linha defensiva oposta ao castelo.
      Logo armariam barracas e acenderiam fogueiras e Payn FitzOsbern provavelmente  enviaria um correio a seu Lorde .
      Ento  Lorde Ranulf  poderia apresentar-se em pessoa .
      Ariane tremeu com a brisa da noite.
      Preferiria tratar com cem  de seus enviados  que com  Lorde do Vernay  em pessoa.
      - Tem frio, minha  lady?
      - Permita-me que envie algum   torre para procurar sua capa.
      - Sim, obrigada,  Simon.
      A primavera   tinha chegado cedo a Inglaterra esse ano, entretanto o ar mido penetrava entre sua tnica de l fina e a camisa de  linho.
      Sem dvida  seu  temor aumentava a sensao de  frio.
      Enquanto Simon a deixava, ela se encontrou lamentando-se  pelas  fragilidades do  corpo feminino.
      Se fosse um homem, poderia ter cavalgado fora para desafiar aos cavalheiros do Ranulf a um  combate...
      Seus  lbios se  apertaram  em um sorriso  amargo.
      Se fosse  um homem,  nunca teria conhecido a Ranulf de Vernay em primeiro lugar.
      Certamente no seria sua  prometida  nem estaria obrigada a uma matrimnio para que seu pai pudesse ganhar um aliado para o Claredon.
      -Me de Deus , por que no poderia ter  nascido varo? Quanto melhor seria ser um filho varo a  quem seu pai poderia contar para herdar o ttulo e para  proteger
as terras que to duramente ele tinha ganho, muito melhor que uma filha mulher que decepcionava a cada passo-.
      -Que liberdade sentiria ao  ser um cavalheiro que podia tomar as armas para  defender-se, muito melhor que ser um peo nos jogos polticos dos homens!-
      -Ou pior ainda , uma noiva esquecida submetida a tolerar os caprichos de um noivo reticente-.
      Involuntariamente , seus dedos se fecharam em punhos.
      Ariane reconheceu para si mesma  uma verdade muito profunda: que a total negligncia de Ranulf alm de hav-la ferido  tambm podia ser fonte de  sua resistncia.
      Feria-a  porque sua conduta demonstrava que ela no era desejada.
      Pelos sussurros que ouvia no castelo, era a noiva esquecida, rechaada.
      -H algo to mau em mim  que nem sequer a promessa de uma grande riqueza   poderia superar seus defeitos?-
      Por anos se fez essa pergunta, avaliando criticamente todos seus defeitos. Por cinco longos anos, havia esperado, se preocupado e se obstinado a uma fina esperana
o que a deixou inundada na  raiva, amargura e desespero.
      At que seu ressentimento  contra  Ranulf supurava  como uma ferida infectada.
      Entretanto essa no  era a  razo bsica para desafi-lo  agora.
      A vida de seu pai  estava em jogo.
      Se rendesse suas terras, tudo pelo que seu pai tinha lutado seria confiscado.
      Pior ainda, ele ficaria em um estado de vulnerabilidade total, rendido   merc  da justia do rei.
      E em sua ausncia, ela era responsvel pelo Claredon e sua gente, suas vidas e seu  bem-estar.
      Sobre seus ombros descansava seus destinos.
      Como em numerosas vezes  durante o  passado, o olhar  de Ariane dirigiu-se para o este, focalizando em um profundo  bosque a  um quarto de milha  dos muros
do castelo.
      Diziam que o bosque era espreitado  por espritos do mal e que era governado por um homem que se alimentava de lobos, mas ela sabia que no era assim.
      S  um punhado de pessoas tinham acesso ao  segredo desses bosques.
      Os habitantes dali estariam seguros do Drago negro?
      Ela se forou   a apartar  seu olhar, focalizando novamente nas foras inimigas.
      Ainda podia ver o feroz  drago negro sobre o fundo  de seda vermelho que se ondulava corajosamente em cima do exrcito invasor.
      O que teria feito  sua me nessas circunstncias to difceis?
      -Por que, Ranulf? Por que nunca veio me buscar?-
      Ela tragou em seco e secou  ferozmente as lgrimas de raiva que ardiam em seus olhos.
      No  podia dar-se ao luxo de chorar ou afundar-se na auto compaixo.
      Seus pesares teriam que ficar para  outro momento.
      Agora, mais que nunca, tinha que ser forte.
      Desafiantemente Ariane levantou seu queixo .
      Ranulf de Vernay  agora viria  ao Claredon.
      Ela estava preparada para defender o castelo e as pessoas  contra seu vingativo  prometido, se fosse necessrio.
      E permaneceria leal a seu pai, ainda que sua rebeldia lhe fizesse culpada de traio.
      Seguro detrs de suas vestimentas  de monge, Ranulf observou  a sua prometida com ira crescente e  decepo  amarga.
      Uma tocha tinha sido colocada em um suporte no parapeito, lanando  um fulgor anglico sobre ela enquanto estava em um estado de reflexo profunda.
      Sem dvida sua  imagem inocente era enganadora, ele pensou, assim como o cenho franzido em sua testa.
      No se tratava de uma  moa  doce, mansa e malevel.
      Seu plano ardiloso  era mais  caracterstico dos compls maliciosos  perpetrados  pelas damas da corte.
      Negou-se a render o castelo a FitzOsbern e ao mesmo tempo tinha declarado   abertamente sua rebelio.
      Inteligente mas equivocada.
      No conseguiria   evitar  a ira  do rei por tais tticas ou evitar o castigo por seu  desafio,  Ranulf se prometeu  silenciosamente.
      Os olhos de Ranulf se estreitaram  quando um cavalheiro chamado Simon lhe colocou solicitamente  uma capa   sobre seus ombros.
      Havia uma intimidade  e um  afeto  evidente entre eles dois.
      Afeto de dois amantes?
      Uma quebra de onda irracional de cimes invadiu a Ranulf.
      Ariane do Claredon pertencia a ele, assim como o  castelo de seu pai agora.
      Era sua prometida, logo passaria a  ser sua refm  poltica.
      Se fosse infiel  a ele  com um vassalo de seu pai, sofreria as consequncias.
      Ela pagaria se escolhesse desafiar sua autoridade.
      Tinha lhe sido dada a tarefa de lutar  com a resistncia e impor a vontade  do rei nessas terras, e no aceitaria ser contrafeito, muito menos  por uma mulher.
      E muitssimo menos  por sua prpria prometida.
      Se ela o forasse a recorrer  violncia, esmag-la-ia sem piedade.
      Quase  como se adivinhasse seus pensamentos, a  cabea dela se levantou lentamente e girou pela metade, seu  olhar preocupado procurando nas sombras onde ele
estaria.
      Ranulf congelou e respirou profundamente ante a imagem da bela Ariane  luz da tocha.
      -No, os relatos no  exageravam-, ele pensou enquanto uma quebra de onda  de desejo percorreu-o com uma  intensidade assombrosa.
      Onde uma vez ela tinha sido  todos ossos e  olhos, agora havia  curvas e olhos rasgados, com tranas de cor cobre brilhante.
      Uma combinao encantadora.
      Ranulf estava extremamente perturbado com a mudana dela.
      Poderia ter perdoado a uma menina com julgamento defeituoso, ou mau aconselhada  por seus conselheiros, mas Ariane do Claredon j no era  uma menina.
      Era uma mulher. Uma dama  nobre completamente capaz de ajudar em uma  rebelio e  de apoiar a traio  de seu pai. E era ele quem teria que  tratar com essa
mulher.
      Ranulf no pde  controlar a resposta intensa de seu corpo ante o pensamento de ter  a semelhante  beleza  desafiante sob  seu poder e seu membro se inchou
a propores incmodas.
       Ranulf apertou   sua mandbula e baixou o capuz de seu hbito em torno de seu rosto.
      Ento  deu um passo ao flanco, para permanecer fora do  crculo de  luz da tocha, mantendo seu olhar fixo em sua noiva e  em seu protetor  armado.
      - Um monge pede audincia, minha  lady, - Simon lhe comunicou.
      Ariane se sobressaltou  quando a voz de seu  vassalo  interrompeu  suas reflexes.
      Com um suspiro, ela girou para saudar o intruso e parou abruptamente.
      Uma forma escura  tinha aparecido fora das  sombras...
      Alto, Poderoso... Detestvel.
      Sua mo foi  garganta.
      Pelo  espao de dois segundos ela permaneceu congelada, quando os sons  da noite do castelo se desvaneceram.
      A presena de seus prprios soldados, as necessidades dos refugiados, a ameaa de um exrcito inimigo, foram esquecidos.
      S estava consciente desse corpo imponente vestido de roupagens escuras.
      Uma ponta de medo percorreu sua  espinha dorsal com essa figura escura que parecia to  ameaadoramente prxima.
      As sombras jogadas pela luz da tocha lhe davam uma sombra  to estranha que ela  quase podia imaginar a silhueta gigante de um drago ameaador.
       somente sua fantasia , ela  se disse  com calma desesperada.
      Um truque produzido pela luz. No querendo demonstrar medo, Ariane deu um passo vacilante para frente e a  imagem temvel felizmente desapareceu.
      A luz iluminava  suas vestimentas, mas Arian respirou  aliviada quando reconheceu  seu hbito.
      Era s  um monge.
      No havia perigo ali.
      Sua paralisia desapareceu, mas  sua inquietao continuou.
      Um homem de semelhante  altura e volume seria poderoso e  forte, esse gigante facilmente poderia ser um guerreiro.
      Ainda atravs da distncia que os separava, ela podia sentir sua inegvel masculinidade.
      Ariane   recordou a si mesma que tinha a seus prprios homens  para  proteg-la.
      -Boa noite, minha  lady, - a sombra disse brandamente.
      Algo dentro dela se agitou com essa voz profunda.
      Teve uma sensao muito estranha de... Intimidade... De Familiaridade... Ela ficou rgida  .
      - Conheo-o, pai?
      - Acredito que  no, milady.
      Ela vacilou, entre o medo e a  curiosidade.
      Era uma figura imponente.
      Suas mos, s parcialmente escondidas pelas mangas largas de seu hbito, eram grandes, fortes, de dedos largos...
      Capazes de grande violncia ou de grande ternura?
      Com esforo Ariane limpou suas fantasias.
      Deu outro passo mais perto, escrutinou a cara encapuzada ainda em sombras, querendo saber por que estava ali e o que queria dela.
      Ranulf imaginando incomodamente  que ela  podia ver alm de  seu disfarce, curvou  sua cabea com respeito fingido e levantando o tom de seu disse.
      - Desejo  expressar minha  gratido por dar refgio a um  pobre monge.
      - Eu me dirigia ao  monastrio no Frotham quando minha  viagem foi interrompida  pelos  aldeos que fugiam.
      - Pensei que seria mais sbio segui-los   segurana  de sua fortaleza.
      -   bem-vindo   hospitalidade  de Claredon, pai.
      Esperou educadamente que ela continuasse, mas lhe devolveu o olhar, ele notou, seus olhos cinzas  claros atentos e alertas.
      - Queria saber, milady, se poderia  ajud-la de algum jeito.
      - Como seu pai est ausente, voc pode  desejar orientao de uma mente sbia.
       Viu sua boca curvar-se no  mais fraco dos sorrisos.
      - As preces  no seriam demasiadas, padre, mas a menos que voc seja versado em estratgias militares,  confiarei no  vassalo  de meu pai a respeito de conselhos.
      - Isso significa que vai declarar sua oposio  a Lorde de Vernay, ento?
      Sua expresso se fez  fria, Ranulf observou, mas  evitou  lhe dar uma resposta direta.
      Em troca ela disse:
      - Lamento que sua viagem tenha sido detida, j que  temo  que  podemos estar em estado de assdio  por um longo tempo.
      - No me atreveria a baixar a  ponte levadia  para que voc  deixe Claredon, mas se o  deseja, poderamos faz-lo descer pelos muros, assim voc  pode escapar
com segurana.
      -Em estado de assdio por um longo tempo?-
      -Ento ela  planejava  lhe recusar a   entrada?-
      - Entendeu-me  mal, milady.
      - Meu interesse  no  por minha  prpria segurana, mas sim  pela das boas  pessoas neste lugar.
      - No seria mais sbio render o  castelo a  Lorde de Vernay de uma vez?-
      -Mais sbio para quem?
      - Para voc. Para seus aldeos.
      Ante sua vacilao, Ranulf adicionou  rapidamente:
      - Pode  me confiar seus medos, milady.
      - Um pensamento reconfortante, - ela  respondeu  com sinceridade questionvel.
      -  desafortunado pai pois eu j confiei meus medos  a Deus.
      Tinha ultrapassado os limites permitidos inclusive para um homem da Igreja, Ranulf deu-se conta.
      Olhou de esguelha a Simon, notando o  punho do  cavalheiro que descansava cautelosamente no punho de sua espada.
      Perdoe-me, milady.
      - No quis ofend-la com minha curiosidade.
      - Simplesmente desejava oferecer minha  ajuda.
      Ranulf sentiu  seu olhar  atento procurar entre as dobras do capuz de  monge novamente, como se quisesse ler sua expresso sombria.
      - Estou agradecida por seu interesse, verdadeiramente.  s  que...
      - Sim, minha  lady? S o que?
      Ariane deu a volta distanciando-se, olhando ao  campo escurecido, iluminado fracamente  pelas  fogueiras  do exrcito inimigo.
      - No estou acostumada a discutir meus problemas com qualquer um e nem sequer com nosso prprio sacerdote, - ela disse finalmente.
      - Passou por grandes problemas ultimamente, conforme parece.
      Era uma observao para faz-la falar ela soube, o sacerdote a estava  sondando com  delicadeza no.
      - No  mais  que a maioria das pessoas.
      - Mas esta crise atual... O exrcito de Lorde Ranulf  em seus portes.
      - Ele  seu prometido, verdade?
      - Sim, ela respondeu, sua voz aguda com amargura.
      - Infelizmente.
      - Infelizmente?
      - No est ansiosa por casar-se com ele?
      Quando ela  permaneceu em  silncio, o monge adicionou especulativamente:
      - Suponho que voc ter aceito o  compromisso. Embora uma noiva seja persuadida pela  fora, a Igreja  requer o  consentimento da dama antes de santificar
a unio.
      - Eu no  tive nenhuma objeo a essa unio na poca, - Ariane disse  .
      Ela tinha estado muito esperanosa ... Desde ento.
      - Lorde Ranulf foi a escolha de meu pai para meu marido, mas, na verdade, eu estava satisfeita de me casar com um cavalheiro com o poder necessrio  para preservar
as terras que  um dia herdarei.
      - Uma mulher necessita de um marido capaz de manter a autoridade e  de proteger as terras.
      - De outra maneira no pode haver segurana.
      - Uma filosofia muito sbia. E seu pai fez  uma escolha correta.
      - Pensei isso uma vez.
      - Lorde de Vernay   um dos bares mais capitalistas da Normandia, coisa que obteve por  seus prprios esforos desumanos.
      - Voc o  considera desumano?
      - Ele foi descorts com voc?
      - No... - Certamente ela recordava seu choque ao ver que um guerreiro feroz como  Lorde Ranulf  podia ser amvel e  delicado com  uma donzela jovem e nervosa.
      - Ento,  por que   lamenta seu compromisso?
      Porque por quase  cinco anos ele no apareceu por aqui, - Ariane refletiu  com angstia  silenciosa. Cinco anos interminveis durante os quais ela  tinha sido
deixada para adoecer na casa de seu pai, sendo compadecida  por seus amigos e conhecidos.
      Tinha quase  vinte anos  agora. A essa idade avanada  outras mulheres j haviam casado e j  tinham vrios filhos.
      Mas ela  permanecia  solteira, uma virgem  ainda,  inocente ao conhecimento da paixo e  da vida.
      - Porque eu descobri a verdade sobre o  pouco nobre  Lorde  do Vernay, - Ariane sussurrou  amargamente.
      - Verdade?
      - No  um verdadeiro cavalheiro, a no ser um tratante, algum cuja origem  duvidosa e que pretende pertencer  nobreza...
      - Um usurpador  sem princpios ou honra, que recuperou a herana  de seu pai a ponta de  espada.
      - Desejaria nunca ter ouvido seu nome.
      Ficando  rgido ante a fria denncia dela, Ranulf no notou a  amargura  em seu tom de voz e s  ouviu desprezo, um desprezo que lhe doeu como cem navalhadas.
      Estava acostumado s damas que o desprezavam pelas circunstncias de seu nascimento, mas lhe doa mais vindo dessa mulher.
      Ranulf sentiu  seus punhos apertarem-se  com  raiva.
      - Planeja lhe negar a entrada? - ele exigiu  sumariamente, esquecendo-se   de seu disfarce e sua atuao.
      Ariane franziu o cenho.
      -Por que um homem do clrigo  se preocuparia com temas to mundanos?-
      -E por que  falava to francamente?-
       Podia dizer-se que era um homem de Deus mas seguia sendo um desconhecido.
      Inquieta pela indiscrio do sacerdote, ela  olhou de esguelha  sobre seu ombro  figura escura do  monge, respondendo cautelosamente:
      - Meu pai me deixou o dever de  defender Claredon em sua ausncia.
      - No posso entregar seu castelo sem  primeiro saber quais so seus desejos.
      - Embora  Claredon j no lhe pertena?
      - As propriedades de um rebele so confiscadas pela  coroa, e  Walter do Claredon est tomando parte na revolta dos bares em um ataque ao rei.
      - Suas costas ficaram perceptivelmente rgidas, - Ranulf notou.
      - As pessoas dizem muitas idiotices, pai.
      - Walter no se uniu   revolta ento?
      - No sei   o que ocorreu . Mas quando cavalgou para o Bridgenorth, no era sua inteno atuar contra o  rei.
      - Talvez no lhe comunicado suas intenes.
      - Simplesmente porque sou mulher?
      Seu queixo se  levantou.
      - Asseguro-lhe que meu  pai me informaria de qualquer plano de semelhante  consequncias.
      - No  um traidor.
      - Mas  Hugh Mortimer levantou  uma rebelio, o que converte a  seu pai, como vassalo do Mortimer e seu  partidrio,  culpado de traio a menos que ele haja
repudiado seu juramento de lealdade para o rei.
      - Posso compreender   bem   a situao  poltica, - Ariane respondeu  secamente.
      - Apesar de pertencer ao gnero do  sexo dbil, minha  mente  funciona perfeitamente.
      Recordando com dificuldade o  papel que tinha que atuar, Ranulf tragou a resposta que saltou a seus lbios.
      Pelo brilho de raiva em seus olhos cinzas, ele  pensou  que sua prometida   se preparava  para lanar  outra  observao, mas ela colocou suas mos dentro
das mangas de seu  vestido, e disse com calma admirvel:
      - Minha fidelidade bsica  para  meu pai.
      - No  renderei seu castelo at que no tenha  prova de sua culpa.
      - Agora se me perdoar meu pai, tenho   muitas coisas  que requerem minha  ateno.
      Estava sendo despedido, Ranulf se deu conta com fria irracional.
      Queria   tomar a sua  noiva desafiante  pelos  ombros e sacudi-la, ou lev-la em seus braos e cometer algum outro ato mais apaixonado,  menos violento em
sua pessoa, mas toc-la traria imediatamente a todos os guardas  do castelo em  sua defesa.
      E atrasar-se nessa conversao s  despertaria  suspeitas.
      Teria que  adiar a revelao de seu disfarce para mais tarde.
      Fez uma reverncia e lhe deu  sua bno, a seguir deu volta abruptamente e  partiu  silenciosamente atravs do muro para desaparecer nas sombras.
      Ariane esteve parada ali por muito tempo  depois que ele se foi, incapaz de ter  uma  sensao luminosa.
      O monge  insistira em temas sensveis para que suas palavras fossem um  consolo, suas perguntas atrevidas s tinham incrementado o caos e a  incerteza em sua
mente.
      -Tinha tomado  o curso de ao equivocado?-
      -Render-se ao Drago Negro seria a escolha mais sbia?-
      Enquanto ela  ponderava suas aes, Ranulf fez gestos a  seu escudeiro para que o  seguisse pelos degraus de pedra para o  jardim aglomerado de gente.
      Uma vaca cruzou em  seu caminho, mas  Ranulf no vacilou  enquanto  caminhava para o porto distante que dava  acesso ao ptio interno.
      Precisava  assegurar-se que lhe  permitiria  estar na torre  essa noite,  dormiria no  grande salo  com os vassalos e os criados da casa.
      A moa o tinha esquecido.
      De seus prprios lbios Ranulf tinha ouvido Ariane declarar suas intenes.
      Ela tinha inteno de desafiar a ele e ao  rei.
      Por Deus! - ele a esmagaria por esse desafio, Ranulf se prometeu, e lhe faria pagar por sua rebelio.
      Conquistaria a sua noiva rebelde e obteria muito prazer em faz-lo.
      Com esse  pensamento, Ranulf amaldioou  silenciosamente, provando o sabor  amargo da  blis em sua lngua.
      Se deteve no  porto para o ptio interno e ficou parado ali  tremendo enquanto  uma nuvem escura de raiva obscurecia sua viso.
      Essa fria lhe era familiar. Havia sentido essa nuvem negra de dio  uma vez antes, quando seu pai  lhe tinha  negado a herana que lhe correspondia.
      A dor ainda estava  crua e  fresca, uma ferida sem sanar que o intoxicava interiormente, ao contrrio  das cicatrizes das chicotadas em suas costas .
      Tinha lutado contra  seu prprio pai e  agora teria que  lutar contra sua prometida.
      Deveria se sentir satisfeito.
      Sua noiva apresentou uma razo suficiente para romper o  compromisso matrimonial, Ranulf se recordou grosseiramente.
      Sua rebelio  era causa suficiente para repudiar o matrimnio.
      Entretanto  em vez  de satisfao, sentia  uma decepo  cida porque Ariane de Claredon tinha escolhido apoiar a  seu pai traioeiro.
      Semelhante lealdade podia ser admirvel, se no fosse imprudente, ela se arriscava  priso e a coisas piores se continuasse por esse caminho.
      Mas era a lealdade sua verdadeira  motivao?
      Talvez ela  meramente estava  protegendo a si mesma ao tentar evitar ser presa.
       Ariane estava muito consciente de que como um prisioneiro poltico era tratado e que no teria nenhuma das liberdades ou privilgios que gozava agora.
      A filha de um traidor possuiria menos direitos  que um servente.
      Mas  seu desafio  parecia idiota, Ranulf refletiu  sobriamente.
      Se fosse verdadeiramente inteligente, esquecer-se-ia de seu pai e daria a bem-vinda a ele  como o  novo Lorde  de Claredon, com a esperana  de ganhar  seu
favor e  de evitar o castigo imposto pelo rei.
      Mas como Lorde Walter era culpado de traio, por lei todas essas propriedades seriam  confiscadas, e sua filha, presa.
      E  o Drago Negro  de Vernay executaria uma justia  rpida.
      Ariane de Claredon era agora  sua inimiga, seu  castelo e suas terras lhe pertenciam agora.
      Estabelecer um assdio   fortaleza  ou destruir Claredon e os campos circundantes ou arriscar as vidas de seus homens  desnecessariamente no eram   partes
de seus planos.
      Podia triunfar usando medidas mais fceis.
      Estava preparado para  tomar o  castelo, mas  em seus prprios termos.
      Claredon tinha muitos  cavalheiros mas  poderiam  ser derrotados facilmente,  mas no  precisaria usar uma fora opressora  se conseguisse trocar as circunstncias
para sua  prpria vantagem.
      E nesse caso, a astcia lhe serviria  muito melhor que a violncia aberta.
      Reprimindo qualquer inclinao  piedade, Ranulf se forou  a mover-se.
      Disfarado de monge, seguido por seu escudeiro, ganhou a entrada ao ptio interno e  subiu as imensas escadas  de pedra da  fortaleza e foi  ao segundo piso
e ao  grande salo, onde havia uma cena de caos enquanto serventes e homens  armados se moviam de um lado ao outro.
      Ranulf sorriu  sobriamente  enquanto se mesclava na  multido.
      A  batalha estava por comear, uma  batalha que  ganharia em curto tempo.




      Captulo 3



      A alta vela de noite brilhou, seu  fulgor alcanava alm dos  cortinados abertos da cama, lanando sombras dbeis que danavam sobre a beleza plida deitada
na cama.
      Ranulf conteve sua respirao  enquanto olhava  mulher dormindo pacificamente.
      Iluminada com essa meia luz dourada, era o mais encantador ser real.
      Seu cabelo cor cobre derramado sobre seus ombros nus, brilhante e glorioso,  acariciando o incio de seu seio que aparecia debaixo da  ponta do cobertor de
l.
      Suas  fossas nasais captaram a aroma  sutil de  mulher em seu corpo, uma fragrncia fascinante que despertava  seus instintos primatas, e acendia um desejo
to intenso como nenhum  que tivesse conhecido.
      Um msculo se endureceu na mandbula de Ranulf com o esforo de manter-se afastado.
      Podia ver o pulso dbil pulsando  em sua garganta branca enquanto ele absorvia a beleza  de Ariane.
      Plida e perfeita.
      Delicada como uma rosa.
      Inocente e  vulnervel como um beb...
      Porm ela no era um beb, nenhuma menina tampouco.
      Era uma mulher bonita, que despertava suas paixes  como nenhuma mulher o tinha feito nunca.
      Quis toc-la.
      Sem pensar estendeu sua mo para sentir a pele suave de sua testa com seu polegar  ento recuou abruptamente, amaldioando-se por sua fraqueza.
      Quando ela despertasse, o desprezo  em seus olhos cinzas o aoitariam sem piedade.
      Entretanto  no  podia resistir a tentao.
      Involuntariamente passou seu polegar sobre a curva plida de sua bochecha, seguindo o osso frgil e a cavidade delicada.
      O suspiro suave dela quando ele continuou seu caminho foi um sussurro de prazer, o pedido  de uma amante.
      Seu corpo ficou rgido  enquanto imagens  quentes passaram diante de seus olhos.
       ...Ariane  estremecendo-se debaixo dele...
      Ariane disposta e  ansiosa, lhe dando as  boas-vindas  sua cama, a seu corpo...
      A boca do Ranulf desenhou um  sorriso amargo.
      Ela nunca estaria ansiosa por seu contato. Ela lamentava  seu compromisso, lamentava ter ouvido  seu nome alguma vez.
      Estaria contente de  livrar-se dele.
      Ele no  um  verdadeiro cavalheiro,  um farsante que  pretende entrar para  a nobreza.
      Deveria   sentir  alvio porque ela  achava to  repugnante o  compromisso.
      Deveria estar satisfeito que as  aes  desafiantes dela o liberassem de toda  obrigao  para com ela.
      Tinha estado preparado para honrar sua palavra, mas agora  no precisava sentir remorso por ter adiado sua chegada por tanto tempo, ou por ter rechaado esse
matrimnio.
      Na verdade era  afortunado por ter  descoberto os verdadeiros sentimentos dela, o que realmente sentia por ele, e o tinha descoberto a tempo, antes de estar
irrevogavelmente unido a ela.
      Entretanto existia uma dor funda inexplicvel, no  centro do peito de Ranulf, junto com outros sentimentos menos precisos no caos de seu corao.
      A raiva  selvagem que tinha   sentido por ela  mais cedo  se desvaneceu, e s ficava  um vazio  familiar.
      Sua fria irracional, Ranulf dava-se  conta  em  um ponto  escuro de sua mente, no  tinha sido  dirigida a Ariane, mas sim a seu prprio pai, a quem  desprezava,
porque o havia feito  lutar pelo que lhe correspondia legalmente.
      A  batalha pelo Claredon seria similar a sua grande luta por obter Vernay, Ranulf reconheceu , entretanto  no  era a vingana o que o motivava esta vez, a
no ser o  dever.
      Sentiu  um pouco de pesar ao ver-se obrigado a tomar como refm Ariane, mas no tinha culpa disso.
      As ordens de Henry eram claras.
      As terras de um traidor eram automaticamente confiscadas, e um castigo rpido contra Walter do Claredon serviria como uma lio para outros que se atrevessem
a desafiar o governo  do Henry, mas fora as  prprias aes  de Ariane que tinham  selado seu destino, Ranulf se recordou.
      Recusar-se   ordem do rei de render o castelo a convertia em  uma traidora   coroa.
      Talvez poderia compreender sua defesa do castelo e sua lealdade para seu pai,  mas no  podia desculp-la, nem podia permitir que seu desafio  continuasse.
      Desejaria nunca ter ouvido  seu nome.
      - Mas ouviu  meu nome, moa, - Ranulf sussurrou obscuramente.
      Com um suspiro, ele se sentou na cama  elevada, ao lado de onde sua prometida dormia.
      Com cuidado levantou as mechas  de seu cabelo apartando-os de sua orelha e  pressionou a linha delicada de sua mandbula, preparado para despert-la brandamente.
      Seu sonho  parecia to real.
      Uma presso   delicada  sobre sua pele...
      O calor sedutor contra  sua bochecha...
      O  prazer sensual de uma  carcia...
      A mo  de um amante? Meu amado, veio por mim finalmente?
      Dentro da inconscincia de seu sonho, Ariane se arqueou  contra esse calor estranho, ansiando  algum tipo de prazer completamente desconhecido.
      Seu corpo parecia  aceso de necessidade.
      Suas plpebras estavam to pesados.
      Entretanto  quase podia v-lo...
      Seu amante ideal... alto e  poderoso, como um deus.
      Sua paixo  era justo como sempre  tinha imaginado  que seria: feroz... Terno... excessivo.
      Cegamente tentou  alcan-lo , mas os braos permaneciam frustrados e   paralisados em seus flancos.
      Quase podia sentir seu peso ao lado dela, sua voz um murmrio baixo, sua mo forte  acariciando lentamente  sua  mandbula para logo roar delicadamente seus
lbios...
      A  presso  sutil se tornou  insistente.  Fascinada, Ariane se  forou a abrir seus olhos e  pestanejou contra o fulgor de luz da vela.
      Era de noite, mas os cortinados de sua  cama tinham sido corridos a um lado para permitir passar a luz da grande vela de noite.
      Sobre ela aparecia uma forma escura, um rosto sombreado, as pontas de seus dedos  pressionaram sobre seus lbios advertindo-a.
      - No  grite,  moa.
      - Compreende?
      Sua sonolncia  fugiu  com a conscincia aguda do  perigo.
      Os olhos aumentaram-se  enquanto  olhava  fixamente ao intruso.
      No era o  amante ideal,  nem era que uma das  criadas  que vinha despert-la.
      Este era um homem de carne e osso, cujos ombros largos e corpo poderoso pareciam-lhe  intimamente   familiares.
      - Compreende? - Ele repetiu  mais urgentemente, seu polegar  movendo-se  sobre seu lbio inferior.
      A  voz profunda e  rouca lhe  era familiar tambm.
      Quis saber se tinha  ouvido esses tons speros recentemente.
      Uma  figura escura lhe veio  mente mas ele no era calvo como os monges.
      Seu cabelo era negro como a noite, com uma tendncia a ondular-se, mas no  podia distinguir suas feies  sombreadas. Seu aroma era uma mescla de aroma de
cavalo, couro e especiarias. No respondendo a sua pergunta, ela se atreveu a baixar seu olhar, tentando  ver mais dele.
      Ele j no usava um hbito com capuz, a no ser uma tnica de cor  escura, com um  adaga sujeita  em sua cintura.
      - Pai? - ela  sussurrou, sua voz quebrada com incerteza.
      - No sou um  monge, milady.
      - Sou  o Drago Negro  de Vernay a seu  servio.
      - No...
      Seu corao, que j pulsava ritmicamente em seu peito , saltou em alarme.
      Estava  nua debaixo dos lenis, vulnervel e indefesa, enquanto seu  vingativo  prometido estava sentado descaradamente a  seu  lado, na  cama.
      Apenas  consciente de suas aes , Ariane correu  freneticamente para o outro lado da cama , desesperada por escapar dele, mas isso foi  impedido pelos lenis
e pelos  reflexos rpidos do Ranulf, que capturou  seu ombro nu e a sujeitou velozmente.
       Quando ela gritou para alertar s mulheres, ele a empurrou  para trs para baixo  entre os travesseiros e lhe cobriu a  boca com sua  palma.
      - Calada.
      - No  atue bobamente, - lhe pediu suavemente.
      - No te danificarei.  No  a menos que resista.
      - Compreende-me?
      Quando ela assentiu com a cabea, ele tirou a  palma de sua boca.
      Tentando acalmar seu pnico, Ariane tomou uma respirao para levar ar a seus pulmes  apertados.
      - Render-te-, moa?...
      - Tenho outra opo?
      As linhas speras de suas feies se suavizaram com a luz e  Ranulf sorriu brevemente.
      - Nenhuma outra.
      Sua hiptese  de superioridade  era mortificante  porque era vlida.
      Podia ultrapass-la em fora  com facilidade, ela  sabia perfeitamente que o Drago Negro a esmagaria.
      Se escolhesse lutar,  s ela sofreria  por essa ao.
      Mas  no  podia simplesmente  render-se mansamente...
      Seu brao direito  tinha ficado  livre no  esforo, Ariane se deu conta.
      Sem dar-se tempo para pensar, procurou  cegamente a adaga em sua cintura e   milagrosamente conseguiu toc-la.
      Seus dedos se fecharam  ao redor do punho, ela atirou para trs seu brao...
      O brilho do metal lustrado piscou a centmetros  de seu rosto, porm ele  era um cavalheiro trainhado na arte da  guerra, com  instintos muito afiados.
      Sua mo voou para capturar seu punho, detendo seu golpe.
      Com facilidade, lhe arrancou a arma de sua mo e a deitou na cama.
      Amaldioando em voz baixa, Ranulf  lanou as mos de Ariane sobre sua cabea e a pressionou  para baixo  com seu corpo, deixando-a indefesa debaixo dele.
      Seu gemido  de choque soou  alto na habitao silenciosa.
      Seu corao  estava pulsando rapidamente, mas  no de fria e  nem de medo,  porque no podia mover um msculo.
      Seu rosto zangada estava to perto que ela podia sentir as ondas suaves de sua respirao  contra seus  lbios, podia detectar a tenso  em sua mandbula se
apertou.
       Ento seu olhar  ardente  se encontrou  com a dela.
      Seus  olhos se encontraram, e uma tenso  estranha ocorreu entre eles.
      Por uns poucos segundos, o  tempo pareceu parar...
      Um momento sensualmente  carregado.
      Um momento cheio de tenso, perigo... e  algo mais.
      Ariane se encontrou perdendo-se no brilho dos olhos do Ranulf.
      Eram inimigos, no  amantes.
      No a beijaria?
      Seu olhar tinha recado em seus lbios e ele  vacilou, como se estivesse considerando suas opes.
      Seus olhos se estreitaram, seu olhar se moveu mais abaixo ainda, percorrendo a  coluna de seu pescoo, as clavculas, seu peito nu...
      Ela congelou, sua respirao  contida porque sua expresso trocou sutilmente.
       Nunca antes se questionou seu  costume de dormir sem roupa, uma prtica compartilhada por nobres e serventes  igualmente, mas ela agora desejou fervorosamente
ao menos ter sua camisa  para cobrir sua nudez.
      Ranulf estava olhando  fixamente  seu seio direito que aparecia debaixo do cobertor de l, o  montculo  plido e nu que brilhava com a luz  da vela.
      A especulao masculina brilhou em seus  olhos, um brilho de admirao  que tinha visto frequentemente nos  rostos dos  homens  de seu pai quando desejavam
uma moa  disposta do  castelo.
      Nervosamente Ariane tentou esconder seu corpo debaixo dos lenis em um esforo infrutfero de tampar sua nudez, mas  Ranulf a impediu, pressionando  para
baixo seu corpo para travar seus movimentos.
      Quando seu olhar se  levantou uma vez mais para encontrar-se com o  dela, sua boca  se curvou fracamente:
      - Esta  a  primeira vez, moa, que admito-o.
      - Nunca antes tive uma mulher debaixo  que queira me cravar uma adaga...
      - Ou a algum que conseguisse  tirar minha prpria adaga.
      - Uma mulher debaixo geralmente est interessada unicamente no  prazer  que lhe  dou.
      O  batimento de seu  corao se acelerou com a promessa sedutora em seu  tom de voz e Ariane tremeu  incontrolavelmente.
      Se Ranulf desejasse t-la, se desejasse possu-la violentamente, ela  poderia fazer pouco para impedi-lo.
      No atrevendo-se a respirar, Ariane olhou seu rosto sombreado, procurando as faces dura no rosto em cima  dela.
      Seu cabelo escuro, brilhava intensamente, caa-lhe para frente roando  suas mas do rosto proeminentes.
      - Render-te-?
      Ele repetiu , sua voz rouca novamente.
      - Sim.
      Seu sussurro era apenas um ofego no  silncio tenso.
      Felizmente, para  sua surpresa e  alvio total, ele liberou seu brao e sentou-se.
      - Por que veio?
      Ela exigiu  temerosamente, subindo  os lenis para proteger seu corpo de seu olhar.
      - O que... Quer de mim?
      O brilho quente em seus olhos  obscureceu , enquanto que  seus lbios  se curvaram  outra vez em um meio sorriso.
      - Sua riqueza moa , simplesmente isso.
      - Devo reclamar as terras de seu pai, que agora so  minhas.
      - Tuas?
      - Sim, minhas.
      - Me foram dadas por um decreto de Henry.
      - Isso  um roubo!
      A impotncia a fez falar imprudentemente.
      - Um roubo.
      - Vieste ao Claredon como um ladro, disfarado como um homem de Deus, nada menos.
      - Isso  uma blasfmia!
      Sua acusao furiosa  foi respondida  com um sorriso  frio.
      - Talvez.
      - Mas eu no tomo pela  fora o que posso tomar com astcia.
      - Ou traio.
      - Se te tivesse rendido a meu vassalo, FitzOsbern,  no me teria visto obrigado a empregar esse truque.
      -   desprezvel.
      Seu rosto  escuro se tornou de repente desumano ao  fulgor da luz da vela, fazendo que Ariane recordasse quo vulnervel era sua posio.
      - Voc pediu isso e me  acusou  de traio, moa, de atos desprezveis, e at quando voc pretende me negar o que  meu  por direito?
      Desesperadamente ela pensou na conversao que tinham tido nos muros  do castelo.
      Que havia lhe disse exatamente?
      Meu pai me encarregou de proteger Claredon?
      E por isso atuou.
      Mas falhou terrivelmente em seu objetivo, verdade?
      - Agora  minha prisioneira.
      A  fria e o desespero lutavam em seus olhos.
      - O que   pretende?
      - Em princpio obter a rendio  da  guarnio  do castelo.
      - Duvido  que seus homens  desejem  arriscar suas vidas.
      - Uma vez que se dem conta que tenho a  sua ama  em  meu poder, eles se rendero rapidamente.
      - E  voc   to covarde que far guerra a uma mulher?
      - Tenha um cuidado, moa. -A voz dura tinha se tornado  suave e  ameaadora.
      -   culpada do delito de traio.
      Eu poderia te pendurar e  ningum poderia me questionar.
      Enquanto ela continuava  silenciosa, ele estirou sua mo outra vez e sua mo se fechou  delicadamente sobre sua garganta, forando seu queixo a elevar-se.
      Esses  dedos longos e speros pelas batalhas podiam tirar a  sua vida, Ariane se deu conta  com medo renovado.
      Podia sentir seu corao  martelar descontroladamente enquanto o olhar dourado de Ranulf se fundia no dela.
      - No me  desafie mina lady porque no ganhar.
      Ariane mordeu o lbio to ferozmente que lhe doeu.
      Sabia  que sua advertncia no  era uma ameaa vazia.
      Ranulf soltou o aperto de sua garganta e se inclinou  para trs, apoiando seu peso em uma mo.
      - Por que? - ela conseguiu perguntar com uma voz tremente.
      - Porque eu o ordeno.
      - E porque voc, sem dvida, no  deseja andar  nua pela  casa para que todos lhe olhem.
      Ranulf elevou uma sobrancelha escura.
      - Semelhante tratamento s d a um traidor, mas te economizarei essa indignidade se aceitar a derrota com a mansido  apropriada.
      - Mansido! - Ariane afogou a resposta que saltou a sua lngua .
      - Por que demora?
      - Dou-te  uma ordem e  espero  obedincia imediata, - seu tom dizia claramente.
      No atrevendo a atrasar-se por  mais  tempo, ela  tentou   tomar o cobertor  de l para cobrir sua nudez, mas a mo do Ranulf deteve a dela.
      Captando o olhar  apreensivo dela, ele tirou  deliberadamente o tecido que ela sustentava.
      - No  h  necessidade de vergonha entre ns.
      Os olhos dela  aumentaram.
      - Pretende  observar? - Ela  perguntou incredulamente.
      - Sim, devo faz-lo.
      - No posso  confiar em voc estando fora de minha  vista.
      Ele deu um sorriso enfurecido novamente.
      - No   que considere um dever desagradvel.
      - Sempre me causa grande prazer observar a uma moa  bonita deixando sua cama, ruborizada pelo sonho ou por uma atividade mais ardorosa.
      Como ela permanecia imvel, ele  adicionou:
      - Devo te vestir eu  mesmo, moa?
      - Te asseguro que voc no desejaria receber meus servios.
      Apertando  seus dentes, Ariane se forou  a correr as mantas, uma tarefa difcil com Ranulf sentado em cima delas.
      Ariane conseguiu deslizar atravs das cortinas da cama.
      Sua esperana de ter privacidade no durou muito, pois quase prazerosamente   Ranulf se recostou para abrir os cortinados para ter uma imagem completa dela.
      Tremendo de ira e medo, Ariane lhe deu as costas enquanto ele permanecia recostado sobre a cama.
      Nunca antes ela havia se sentido to agradecida por ter o cabelo comprido at o quadril, pois este escondia grande parte de sua nudez.
      Ainda assim , ela podia ver o olhar atrevido de Ranulf percorrendo seu corpo enquanto ela procurava apressadamente a roupa que a criada tinha dobrado sobre
o arca.
       Velozmente ela vestiu a camisa antes de arriscar-se a olh-lo por cima de seu ombro.
      O canalha  estava rindo dela, Ariane  se deu conta.
      A observava apreciativamente o que lhe  fez ferver o sangue.
      Virgem Maria!, - como queria lhe arrancar as orelhas!
      - Suas curvas se encheram  da  ltima vez que te vi, - ele  murmurou  maliciosamente.
      - O efeito  completamente atrativo.
      - Altamente excitante para um homem.
      A mandbula dela se apertou   to fortemente que os msculos lhe doeram.
      No s  sua provocao inflamava sua ira mas tambm recordava a Ariane do ressentimento feroz que alimentava contra o Lorde de Vernay por esquecer-se dela
por tantos  anos.
      Ela no se atreveu a lhe dar uma resposta, pois lhe responder da maneira que ela desejava fazer teria posto sua vida em risco.
      Ela calou ou os sapatos e deu a volta desafiantemente para encarar a Ranulf.
      - E agora o que?, - ela perguntou.
      - Ser minha refm, - Ranulf respondeu enquanto embainhava sua adaga.
      - Ser a garantia para que os cavalheiros de seu pai se comportem corretamente.
      Para o completo assombro dela, ele procurou a capa dela pendurada em um gancho e a colocou  ao redor de seus ombros.
      - Vamos, milady?
      - Por que te incomoda em me perguntar?
      Ariane no  pde evitar dizer.
      - J me informaste que  no  tenho outra opo.
      - Que eu sou sua prisioneira.
      - Sim, .
      - Uma pena, - ele disse  brandamente.
      Por um momento Ranulf a olhou com o cenho franzido.
      Ento lentamente, levantou sua mo para  acariciar  sua  ma do rosto com uma suave presso, quase  como se quisesse tranquiliz-la.
      Seu tom foi delicado quando murmurou:
      - Quando tiver tempo para  refletir,  concordar que este  o melhor  curso de ao.
      Essa voz terna e sedutora a fez recordar da  traio  do Ranulf, f-la recordar dos anos da misria e  incerteza que ela tinha tido ao saber que a culpa era
dele sim, como tinha que tolerar sua ternura fingida agora.
      - Melhor para quem? - Ariane replicou  amargamente.
      - Para voc...
      - Para sua gente.
      - Para meus homens.
      - Haver  menos derramamento de sangue  dessa maneira.
      - E posso   servir melhor a  meu rei se no perco  homens  valiosos em batalhas desnecessrias.
      - E o que tem   os  homens  de meu pai?
      - Qual ser seu destino?
      - Discutiremos em  massa  quando eu tomar posse do castelo.
      - Agora, onde dorme o chefe da guarnio?
      - O cavalheiro chamado Simon...
      - Voc... - No lhe causar dano?
      - No  a menos que ele  escolha resistir.
      - Ele  um homem lgico, e acredito que se pode conseguir  uma rendio.
      - Se ele o fizer, os outros o  seguiro.
      - Me levem a ele moa e no faa rudo.
      - No desejo alertar  casa.
      Com  uma mo  lhe agarrando levemente a parte superior do  brao e a outro sobre o punho da adaga, Ranulf a guiou  porta e a abriu lentamente.
      Enquanto passavam pelo dormitrio grande  onde as mulheres dormiam, Ariane fez uma careta de desgosto.
      Nenhuma delas despertou quando Ranulf tinha entrado em seu  dormitrio, com a  inteno  de faz-la  sua prisioneira.
      Os  aposentos dela estavam localizados no quarto piso  da torre  de pedra macia.
      Diretamente debaixo, no  terceiro piso, estava o solar do Lorde e a grande habitao   que serve como quarto de trabalho para as mulheres de Claredon, onde
se costurava e se tecia.
      O segundo piso principal estava quase completamente ocupado  pelo grande salo, o centro da atividade de todo o  castelo, enquanto que a planta baixa estava
ocupada pela  tochas armazenadas.
      As tochas colocadas nos suportes da parede iluminaram o trajeto pelas escadas de pedra.
      Nenhum sentinela veio salv-la, um fato que Ariane considerou  com raiva crescente, at que recordou que os homens  que estavam acordados  estariam custodiando
os muros do castelo em caso que se iniciasse o assdio  por parte do  Drago Negro.
       Sacudiu a cabea com desnimo.
      O plano do Ranulf sem dvida era ardiloso.
      Ele tinha tirado vantagem de cada vulnerabilidade de Claredon, expondo vergonhosamente  sua debilidade.
      Ela se sentiu enjoada, perplexa, pela mudana  repentina  dos eventos.
      Tudo estava em silencio no grande salo, Ariane descobriu com decepo.
      Depois da excitao desse dia, a gente do castelo estavam dormindo em suas mantas acomodadas ao longo das paredes.
      Quando uma sombra apareceu de uma arcada de pedra, ela quase gritou.
      Era um jovem, Ariane se deu conta, mas sustentava uma espada em sua mo.
      - Milorde, - o jovem sussurrou em tom conspiratrio.
      - Encontrei uma arma, como me ordenou.
      - Embainhando sua adaga, Ranulf aceitou a espada e provou seu peso.
      - Perfeito, Burc. Pode me  acompanhar agora.
      - Necessito-te.
      - Sim, milorde.
      - Onde dorme o cavalheiro chamado Simon? - Ranulf perguntou a Ariane.
      - No estou segura, -ela disse , mentindo.
      - Te vou advertir uma s vez, milady: nunca minta pra mim.
      Sua expresso se tornou dura, seus olhos, frios.
      Embora tremendo internamente, Ariane levantou seu queixo  orgulhosamente, olhou ao Ranulf sem pestanejar:
      - Pode  encontr-lo  voc mesmo.
      - Eu no te ajudarei.
      Ranulf devolveu seu olhar com irritao e escasso  respeito.
      Tinha  que  admirar sua coragem, sem  importar quanto o  enfurecia.
      Ela no se aterrorizou quando ele a  surpreendeu em sua cama, quando muitas outras moas se haveriam posto histricas de medo.
      Tampouco ela tinha  recorrido  aos rogos, ou havia tentado persuadi-lo   com a estratgia das lgrimas.
      - Milorde, - Burc disse - esse homem  chamado Simon no  entrou no salo.
      - Mas o arsenal est abaixo no ptio, ao lado dos barracos dos soldados.
      - Talvez ele  esteja dormindo l com seus homens.
      Ranulf assentiu.
      Vendo o desafio  de Ariane como resposta, pediu a Burc que procurasse uma tocha. Ela exalou  lentamente um alvio. Quando ele a guiou  sala   que conduzia
 porta  de entrada principal, ela tentou soltar-se, mas Ranulf   apertou   seu  brao, obrigando-a  a manter o  ritmo de seus passos compridos. A  brisa fria da
noite golpeou  seu rosto enquanto descia a escada exterior da torre para o jardim, mas era o medo o que a fazia tremer incontrolavelmente.
       Muito em breve cruzariam o grande ptio  interno e uma srie de edifcios de madeira que albergavam os estbulos e a  guarnio para os soldados.
      Ariane se aproximou dos barracos com temor crescente, rezando para que Simon estivesse patrulhando as alamedas.
      Quando Ranulf golpeou a porta de madeira com o punho de sua espada, ela respirou  profundamente para preparar-se.
      Quando a porta se abriu, ela deu um grito de advertncia:
      - Simon, foge!  uma armadilha!
      Ela ouviu  o insulto obsceno do Ranulf, que foi respondido imediatamente pelo rangido de armas e o som de botas.
      Rapidamente, o pequeno grupo foi rodeado pelos  homens armados.
      Uma dzia de arqueiros tinham levantado seus arcos, apontando para as costas de Ranulf, pior, ele  tinha colocado a lmina de sua espada na garganta de Ariane.
      - Baixem as armas se apreciam a vida de sua ama, - ele pediu.
      O principal cavalheiro de seu pai que no levava casco mas vestia cota de malha, veio lentamente atravs da  porta, sua espada pendurada a um flanco.
      Seu olhar foi  de Ariane a Ranulf.
      Evidentemente  compreendeu a inteno  mortal do captor, ento Simon exigiu:
      - Quais  so os termos da negociao?
      - Permitirei que ela viva em troca da rendio  completa do castelo.
      - Temos  um exrcito instalado nos  portes.
      - Por que deveria lhe entregar o castelo?
      - Porque esse exrcito  meu.
      - Eu sou o Lorde de Vernay.
      Um murmrio circulou entre a  multido.
      Eram sussurros e palavras de assombro:
      -   o Drago Negro.
      Simon o olhou  fixamente enquanto compreendia a situao.
      - O monge.
      - Uma deduo sagaz. Mas desgraadamente  para seu Claredon a percepo chega muito tarde.
      Ariane apertou   seus dentes.
      Soube  que a  expresso  de Simon de impotncia e frustrao estava refletida em suas prprias feies.
      E o viu vacilar.
      - Pedir a seus cavalheiros que se renda, - Ranulf repetiu  mas determinadamente.
      - Permitir que vivam? - Simon perguntou.
       - Conceder-lhe-eis  trminos  honorveis.
      - Aqueles que obedecerem podero obter sua liberdade, fazendo o pagamento  de seus resgates.
      - Aqueles  que se recusarem...  Deixou a  ameaa sem completar.
      - E milady? - o cavalheiro  pressionou.
      - O que acontecer  a ela?
      - Se ela se submeter completamente a minha autoridade e me reconhecer como o Lorde, ento ela no sofrer nenhum dano.
      Ariane mordeu o lbio.
      No  podia simplesmente  trocar sua lealdade como Ranulf exigia, sua lealdade era para seu pai.
      - Simon, no oua o que ele diz, - ela pediu com desespero.
      - Eles so s dois. Podem ser derrotados.
      O cavalheiro sacudiu a cabea.
      - Me desculpe, milady.
      - No posso permitir que te danifique.
      Enquanto ele dizia essas palavras, o escudeiro de Ranulf deu um grito de advertncia:
      - Milorde, cuidado, atrs dele!
      Instintivamente, Ranulf deu meia volta levantando sua espada do pescoo de Ariane e levantando a lmina para desviar o golpe destinado a sua cabea.
      Ranulf conseguiu fazer retroceder a seu atacante, um cavalheiro que tinha entrado na guarnio superficialmente.
      Defender a si mesmo desse ataque surpresa era  menos difcil  que manter presa a  Ariane e proteg-la do  perigo.
      E entretanto  suas habilidades lhe responderam perfeitamente.
      Uma investida oportuna, um golpe cortante, e conseguiu  recuperar a ofensiva.
      Outro golpe e a lmina penetrou a cota de malha  do  cavalheiro.
      Dando um grito de dor, o homem deixou  cair sua espada e apertou  seu brao sangrando.
      Ranulf retomou  seu abrao  letal em Lady de Claredon e dirigiu  um olhar  feroz a Simon.
      - Pela ltima vez, rende-se?
      Simon, com um olhar de desculpas para Ariane, assentiu.
      Enquanto Simon ordenava a  seus homens baixar suas armas, Ariane inclinou a cabea com angstia , incapaz de tolerar a vergonha  da derrota.
      Quase como se estivesse fora da realidade, ela  escutou as ordens   do Ranulf em relao  disposio das tropas da guarnio.
      Em um tempo muito curto, seu  colaborador, Burc, reuniu-se a todos os homens  de Claredon e os tinha conduzido a um quarto de armazenagem  vazio, travando
a  porta para evitar fugas.
      - Agora  a ponte levadia, - Ranulf pressionou Simon.
      - Ordene que a  baixem  para meu exrcito.
      Sem opor nenhum  argumento, Simon se abriu caminho pelo ptio interno iluminado pelo luz de uma tocha, com Ariane e Ranulf seguindo-o, o escudeiro  Burc vinha
mas atrs.
      O guardio   no porto resistiu  inicialmente, mas capitulou  depois de umas breves palavras de Simon a respeito da  ameaa   vida de sua ama.
      Passando atravs do porto, o pequeno grupo cruzou o ptio exterior, agora cheio de gente, enquanto os serventes e os animais  se separavam do caminho do Drago.
      O medo estava instalado no  ar e os rumores sobre o que viria corriam por toda a fortaleza.
      O som dos cascos dos cavalos ressoou sobre a ponte levadia, seguido pelos golpes  dos ps partindo enquanto o  exrcito se aproximava do  castelo.
      Quando o ltimo homem entrou, Ranulf sentiu que a tenso rgida desaparecia na mulher em seus braos e sentiu como se a  vida sasse dela enquanto inclinava
a cabea  derrotada.
      S ento Ranulf soltou a sua refm.
      Lady de Claredon tinha servido ao  seu propsito.
      Ela estava consciente das lgrimas escorrendo silenciosamente por seu rosto.
      Ele as ignorou  e assim a  necessidade de consol-la.
      No se podia permitir ceder s lgrimas de uma mulher.
      - O que pretende? - lhe perguntou em voz baixa.
      - Assegurar o controle do castelo.
      - E depois?
      - Manter sua promessa de permitir viver nossos soldados?
      Ranulf olhou a Simon, que observava tudo com uma expresso sombria.
      - Tenho palavra de honra.
      - Jurar-me- obedincia, minha  lady?
      Ariane permaneceu em  silncio.
      Ela nunca tinha  prometido fazer tal juramento a Ranulf e no o faria.
      Entretanto no pareceu o melhor momento para comunicar-lhe.
      O  lorde de Vernay a observava atentamente, com um olhar frio.
      - Sou o  lorde agora, - lhe recordou.
      - Claredon  meu.
      - Vem, - Ranulf adicionou, impacientemente.
      - Meus  homens esto cansados.
      - Partiram por mais de vinte milhas hoje e  merecem um descanso.
      A ponta de espada , ele ordenou a Ariane e a  Simon a baixar os degraus do ptio e ordenou a um de seus homens que os vigiasse.
      Seus cavalheiros j tinham comeado a assumir o controle da fortaleza, mas  Ranulf chamou Payn FitzOsbern para falar dos prisioneiros e como custodiar aos
criados vares pelo resto da noite.
      - Payn, no os trate com rudeza , - Ranulf lhe advertiu  em voz suficientemente alta  como  para que Ariane o ouvisse.
      - No quero  nenhum problema com esta gente.
      Ela no se sentiu muito animada pela preocupao do Ranulf.
      Sua prpria culpa lhe pesava muito para  pensar em algo mais.
      -Se no houvesse acreditado nesse monge maldito.-
      -Se houvesse uma maneira de reparar os danos que ela tinha causado, ou uma maneira de desafiar a seu prometido traioeiro. -
      - Mas embora as houvesse... Ela nunca poderia reparar a queda de Claredon, mas talvez  poderia oferecer alguma forma de resistncia, muito melhor que simplesmente
aceitar a derrota.
      Ainda havia  uma possibilidade de conservar a  honra de seu lar...
      Foi raciocinando lentamente.
      Um homem tinha sido designado para vigi-la,  entretanto prestava mais ateno  atividade no ptio que a seus prisioneiros.
      Mantendo um olho atento em seu guardio protetor e Ranulf, ela se aproximou de Simon.
      Inclinando sua cabea como se chorasse, fingiu procurar seu consolo, mas ela  sussurrou  urgentemente:
      - Simon?
      - Sim minha  lady? - Ele respondeu.
      - Deveria tentar  escapar de algum modo...
      - Ir para o norte para alertar a meu pai, procurar sua ajuda.
      Sua resposta foi de preocupao:
      - No...
      - No posso  te abandonar aqui...
      - No com Lorde do Vernay.
      - Mas deve ir e rapidamente.
      - No  temos muito tempo.
      - J ouviu Lorde Ranulf.
      - Seremos  seus prisioneiros e estaremos sob esta vigilncia.
      -  nossa nica chance.
      - V contar a meu pai o que ocorreu.
      - Talvez  eventualmente possa reunir  uma fora  e voltar para  nos salvar.
      - Mas... milady?
      - Por favor, Simon!
      - H cinquenta cavalos selados.
      - Possa tomar um e cruzar a  ponte levadia neste momento, antes que os homens  do Ranulf tenham a oportunidade de reagir.
      Quando ele vacilou, ela levantou sua cabea e lhe deu um olhar com um rogo.
      - Por favor, Simon, lhe imploro.
      -  essa nossa nica  oportunidade.
      - Muito bem, milady... mas me preocupa te deixar...
      - Vai agora! - Repetiu ela impacientemente, lutando por manter sua voz baixa.
      - Eu farei o que possa  para criar um distrao.
      Simon desperdiou uns outros poucos momentos preciosos quando Ariane conteve  sua respirao, mas  ento comeou  a retroceder lentamente, para os portes
do castelo.
      Com o  corao pulsando pesadamente, Ariane o seguiu, ao mesmo tempo procurando um broche com um alfinete com o que ela habitualmente prendia as bordas  de
sua capa.
      Viu com alvio que Ranulf estava compenetrado em uma conversao  com seu  vassalo.
      Ao redor dele o tumulto rainhava enquanto seus homens tomavam posse da fortaleza.
      De longe viu Simon fazer uma pausa ante um par de cavalos, seguros por um pajem  aborrecido.
      Ela se moveu com cuidado para mais perto enquanto  Simon tomava brandamente as crinas do cavalo que  se preparava  para montar.
      Com seu  assentimento, ela  disse uma prece fervorosa e cravou a anca do cavalo  mais prximo a ela com a ponta afiada do broche.
      Em resposta a sua prece, o caos se instalou.
      Com um chiado o  animal cravado reagiu contra  seus companheiros,  levantou suas patas no ar, enquanto seu assombrado cavaleiro gritou  em alarme.
      No mesmo momento Simon saltou na cadeira de montar.
      Girando o cavalo, ele  cravou  seus tales ferozmente e carregou para frente.
      Ariane conseguiu evitar os cascos do animal aterrorizado, mas   olhou sobre seu ombro a tempo de  ver um arqueiro levantar seu arco e disparar uma flecha.
      Com um  grito de desespero, jogou-se no trajeto de seu alvo, levantando seus braos para converter-se no alvo, seu  nico pensamento era proteger ao  vassalo
de seu pai e  aumentar suas possibilidades de escapar.
      Ela ouviu  o insulto  violento do Ranulf em cima do tumulto e vislumbrou  sua reao  enquanto se lanava  para frente e golpeou o arco do  arqueiro.
      Liberando  seu brao, a flecha voou em um trajeto desviado, cravando-se  na terra, a uma jarda a sua direita.
      Com o corao  na garganta, Ariane estada tremendo enquanto o  Lorde de Vernay caminhava furiosamente para ela.
      Gritou ordens a uma meia dzia  de seus homens  para que cavalgassem  atrs do prisioneiro que escapara e apanh-lo.
      Enquanto eles  saltavam sobre seus cavalos para  cumprir seu pedido, Ranulf se deteve abruptamente diante dela.
      Ariane o  olhou  fixamente  enquanto se esforava por ouvir o som dos cascos do cavalo de Simon desvanecendo-se, rezando para que ele conseguisse escapar.
      - Por Cristo! Poderia  ter sido morta!
      A expresso de Ranulf era to  feroz que  pensou  que ele a golpearia.
      Ela fechou os olhos, sabendo que um golpe de seu punho  seria o fim para ela, entretanto ele permaneceu de p sem toc-la .
      Podia sentir suas unhas  dolorosamente cravando-se  em  suas palmas enquanto  esperava seu julgamento, entretanto  seu medo no  era s por si mesma
      Encheu-se de temor enquanto ouvia os perseguidores do Simon cruzar a ponte.
      - Payn! - Ranulf gritou repentinamente, fazendo-a sobressaltar.
      - Sim, milorde?
      - Prenda-a firmemente.
      Ariane sentiu um novo  terror crescer em sua garganta quando o  vassalo obedientemente  parou ao lado dela e a agarrou pelos braos.
      Deus santo, Ranulf planejava aoit-la at a morte em castigo ?
      Ela apertou seus punhos, como se  a  fora de sua  vontade,  ele pudesse reprimir sua violncia.
      - Levar  esta moa   torre e a  confinar em  sua habitao.
      - Sua habitao, Ranulf? No no calabouo?
      A mandbula do Ranulf se apertou.
      Seria o castigo  apropriado encerr-la no calabouo  do castelo por sua  traio.
       Ela tinha ajudado  a um de seus prisioneiros mais valiosos a fugir rapidamente em um plano bvio de envi-lo a procurar  ajuda.
      Esse nico ato  podia ter consequncias mortais, podia por em perigo as vistas de seus homens e o xito de sua misso, permitindo que seu inimigo convocasse
reforos e organizasse um ataque.
      Entretanto  Ranulf no  se permitiria ir to longe  a respeito de encarcerar  Ariane.
      No tomaria nenhuma deciso  precipitada a respeito do seu destino ainda.
      Sua traio  tinha reacendido sua fria, mas at que estivesse o suficientemente  calmo para tratar com ela, seria melhor  permitir que seus cavalheiros se
ocupassem do  assunto.
      -  uma mulher, - ele disse sobriamente, como se isso explicasse sua motivao.
      - Prefiro no  inflamar necessariamente a sua  gente.
      - Ponha um guardio em sua porta e se assegure que  ela no  possa  escapar.
      - No  deve  confiar nela nem  por um instante.
      Payn levantou uma sobrancelha, mas assentiu ante a sua ordem.
      Fazendo um sinal  a dois de seus homens a segui-lo, levou Ariane para frente  com um empurro delicado, forando-a a caminhar diante dele.
      Ela tentou no tremer enquanto passavam ao lado de Lorde de Vernay.
      Ela levantou seu queixo  orgulhosamente, mesmo ele  sabendo que no seria enganado por sua fachada de valentia.
      Quando ela viu seu meio irmo, Gilbert, e ao  sacerdote do Claredon,  John, parados impotentemente  entre a multido  de espectadores, lhe deu  um sorriso
dbil para tranquiliz-los.
      Entretanto ela  estava tremendo visivelmente no momento em que  alcanaram o quarto piso da fortaleza, onde estavam as mulheres atemorizadas.
      Ela conseguiu lhes dizer algumas palavras tranquilizadoras, lhes pedindo que permanecessem em  calma e que obedecessem aos invasores, mas a  tenso e o  medo
da ltima  hora a tinha deixado esgotada.
      Quase estava agradecida de ser confinada em seu prprio dormitrio, mesmo que o  cavalheiro chamado  Payn quisesse deitar se  em sua cama e atava suas mos
e os ps aos postes da cama.
      Ele a estudava  pensativamente  luz da vela  enquanto  trabalhava, ela deu-se conta  depois de um momento.
      - Confesso-me absolutamente perplexo pela piedade  do Ranulf, moa, - Payn lhe  disse em um tom enigmtico que no expressava  desprezo...
      - Piedade?
      - Sim.
      - Deveria te considerar  afortunada.
      - Se  fosse um homem,  seria afortunada de sobreviver a sua violncia.
      - Ranulf teria  aoitado por  muito menos.
      - Se eu fosse um homem, - Ariane replicou  amargamente, Claredon no haveria cado to facilmente.
      - Talvez te queira em sua cama.
      - Certamente voc  no seria a primeira mulher que ele  doma com sua  paixo.
      O choque indesejado ante a observao do cavalheiro deixou Ariane sem flego.
      -Ranulf a  queria? -
      -Em sua cama?-
      -Era por isso que se havia refreado em golpe-la?-
      -Era para destin-la a uma violao?-
      -Nunca!- Jurou-se  silenciosamente, apertando suas mos.
      Lutaria contra ele at a ltima gota de suas foras.
      Payn a amarrou e  provou a tenso das cordas e logo ficou de p.
      Depois de lhe advertir que no  causasse mais problemas, deixou a habitao.
      Detrs dele, a chave girou na fechadura.
      Sozinha, Ariane fechou os olhos com  desnimo, uma preocupao nova ocupava seus pensamentos atormentados.
      Seus sonhos de um amante terno tinham sido apagados pela vingana de um homem.
      Alm de  perder a riqueza  de seu pai, tinha que  temer pela segurana de sua gente, mas era prisioneira do Ranulf, e provavelmente teria que resistir a seu
ataque fsico.













      Captulo 4



      No foi at a noite seguinte que Ariane foi chamada pelo novo Lorde de Claredon.
      Passou todo o dia  encerrada  em seus aposentos, com uma mulher que a atendia e lhe trazia as refeies.
      Atravs  de sua  janela podia ouvir a atividade que se desenvolvia no ptio.
      Os som usuais tinham sido substitudos pelos sons das tropas partindo e os cavalos soprando enquanto o Drago Negro tomava posse completa da fortaleza e dos
campos circundantes.
      O esprito do Ariane se afundava  com cada hora que passava.
      Seu  fracasso lhe  pesava como uma pedra sobre seu corao, assim  como o medo  pela gente de Claredon.
      S podia   rezar para que Lorde Ranulf no os  tratasse duramente  devido a  sua prpria conduta desafiante.
      Quando a intimao veio finalmente, seu  desespero  tinha crescido  a tal ponto que ela quase no tremia.
      Na verdade, quase estaria grata de comear com a odissia j.
      Ainda o castigo mais severo seria melhor que essa agonia de incerteza.
      Enquanto era guiada por um guardio, Ariane se deu conta que Ranulf se tinha apropriado do  solar de seu pai.
      O fato que ele tivesse tomado o lugar de seu pai como o Lorde de Claredon lhe doa como uma ferida aberta e a enchia com uma fria renovada, mas no se atreveu
a lhe demonstrar seus sentimentos.
      Ela permaneceu parada em silncio perto da fria  parede de pedra, esperando sua palavra, mas, a sua vez, desejando poder fazer-se  invisvel.
      A habitao estava cheia de gente.
      Vrios dos vassalos de Ranulf  ainda estavam ao seu redor vestindo  suas cotas de malha, comendo pata de cordeiro e tomando vinho, enquanto uma meia dzia
de serventes do Claredon enchiam  uma enorme tina de madeira para preparar seu  banho.
       Seu escudeiro, um homem jovem chamado Burc, estava  ocupado lhe tirando a pesada cota de malha.
      Evidentemente  Ranulf tinha realizado algum tipo de exerccio fsico, porque seu cabelo escuro  estava umedecido com suor.
      No prestou nenhuma ateno, o qual causou alvio a Ariane.
      Enjoada   pela  fadiga e a  tenso, levantou suas mos atadas para tocar a tmpora que lhe pulsava, tentando  aliviar a dor de cabea.
      S tinha sua inteligncia como recurso e  necessitaria cada grama da energia e  da fora que possua para resistiria ao Drago Negro de Vernay.
      Foi at que  seus cavalheiros comearam a retirar-se que o nervosismo de Ariane    cresceu novamente .
      - E Payn, - Ranulf adicionou  quando seu vassalo  girava para ir-se, - no abuse das moas  do castelo.
      Tm  outros deveres a  cumprir  mas a de  te emprestar seus servios.
      -  No  tema, milorde.
      - Somente lhes  mostrarei a dureza de minha arma, no seu fio.
      - Uma  risada  masculina  seguiu  brincadeira obscena.
      Os olhares dos homens que passaram ao lado dela foram solenes e talvez  um pouco  luxuriosas.
      A diverso de Payn FitzOsbern se desvaneceu  abruptamente quando a viu, sua expresso se fez sombria.
      Deixou   a porta aberta  detrs de si  para os serventes que entravam e saam carregando a gua quente para o banho.
      O olhar de Ariane voltou  para Drago Negro que estava sentado em um banco de madeira, permitindo que seu escudeiro o  atendesse.
      Ranulf no tinha reconhecido sua presena ainda,  felizmente.
      Sua tnica de l  tinha sido tirada, e suas botas enlameadas tambm, suas calas  de l sem atar,  e sua roupa interior de linho cobriam  sua  virilha.
      Ariane respirou ofegantemente ante a  vista do corpo poderoso do Ranulf.
      A nudez era uma ocorrncia comum na vida do castelo, e ela  frequentemente tinha visto  homens sem roupa antes.
      Seus  deveres como lady  do castelo requeria muitas vezes que ela fosse testemunha desse tipo de exposio , para ajudar a vestir Lordes, ajudar a banhar a
visitantes de alta fila, ou para usar seu conhecimento de ervas medicinais para tratar as feridas dos soldados e os serventes.
      Entretanto  nenhum homem a tinha  afetado  to fortemente como o fazia este  agora.
      Seus ombros eram amplos, seu peito macio e coberto por plo escuro, marcado com cicatrizes de combate.
      Seu estomago era plano, seus quadris estreitos, enquanto que suas panturrilhas e coxas mostravam um bom desenvolvimento muscular.
      Mas era a fora e a energia  que ele irradiava o que chamou sua ateno.
      De algum modo Ranulf de Vernay dominava toda a habitao com a presena de seu corpo.
      Ainda tinha o  poder deslumbr-la, Ariane reconheceu com pesar, entretanto ele  era um adversrio muito mais temvel agora que nunca.
      Parecia supremamente  perigoso nesse momento, com sua mandbula obscurecida pelo crescimento de uma barba de dois dias e seus olhos  frios e impiedosos  .
 .
      J no era simplesmente  seu prometido indiferente que a tinha deixado abandonada por tantos anos.
      Era seu inimigo.
      O ltimo dos criados terminou suas tarefas e se retirou, lhe dando um olhar cauteloso enquanto  passava ao lado dela, para  desculpar-se por deixar sozinha
a  sua ama com o Drago Negro.
      Ariane lhe devolveu um sorriso dbil para tranquiliz-lo, tentando  fingir que sua coragem no lhe falhava.
      Quando o  criado se retirou, ela permaneceu quieta perto da parede, no se atrevia a chamar a ateno sobre si mesma.
      Momentos mais tarde Ranulf despachou a seu escudeiro.
      Quando a porta fechou-se  brandamente atrs do  jovem, o corao de Ariane subiu  a sua garganta.
      Teria  preferido estar a ss com Ranulf quando  infligisse seu castigo, mas agora que isso acontecia, encontrou-se  esperando desesperada e bobamente que ele
se esquecesse dela.
      Brincando  com a  adaga em sua mo enquanto permanecia sentado no  banco, acariciando a lmina de  ao afiada  distraidamente.
      Ariane teve um pressentimento  detestvel de que  seu silncio era deliberado, uma tentativa calculada de lhe destroar ainda mais os nervos.
      Ento, de repente, ele a olhou e  foi perfurada pelos  olhos ambarinos.
      O impacto lhe cortou a respirao.
      Suas feies afiadas como as de um falco lanavam  um olhar de raiva ardente.
      Evidentemente Ranulf no se esqueceu de suas aes da ltima noite nem as tinha perdoado.
      Reunindo toda a coragem que possua, Ariane levantou seu queixo   e lhe  devolveu o olhar.
      No se atemorizaria diante dele.
      A lady de Claredon tinha mais orgulho...
      - Vem aqui.
      Ariane estava cravada ao piso.
      - No repetirei, moa, - ele disse em advertncia.
      Endurecendo suas costas, ela  forou  seus ps  a mover-se.
      Tinha dado alguns passos quando a porta se abriu  uma vez mais.
      Uma criada entrou   habitao trazendo uma pilha de toalhas de linho e uma caixa de madeira esculpida que Ariane sabia que  continha os sabes caros.
      Embora agradecida por essa pausa, Ariane se encontrou  apertando  seus dedos em  desaprovao.
      S o  administrador do castelo tinha as chaves da guarda de armazenagem, onde estavam os sabes, as  especiarias e as ervas medicinais.
      Que um servente tivesse invadido as provises do Claredon, agora que  autoridade no existia  para exercer o controle do castelo, despertou  sua ira.
      E seus  nervos a fizeram  falar mais agudamente  que o  usual.
      -O que significa isto, Dena?
      - Foi ensinado a  nunca entrar em  uma habitao cujo acesso te est  proibido.
      Ante a provocao, a moa baixou seus olhos marrons.
      - Imploro-lhe  perdo, milady.
      - Pensei que para  banhar ao  novo Lorde ...
      - Bom, bata  porta antes de entrar a prxima vez.
      - O que   lhe disse? - Ranulf exigiu, interrompendo.
      Ariane se sobressaltou e o  olhou de esguelha.
      - Tinha falado   moa em Ingls, a lngua  dos serventes do Claredon, em vez  de falar em francs normando, lngua da  classe governante da Inglaterra.
      Era possvel  Ranulf no  pudesse compreender essa lngua ?
      Se isso era assim,  podia resultar-se uma vantagem...
      Ou simplesmente ele podia estar pondo-a a prova...
      - Recomendei-lhe, - Ariane respondeu com a verdade, que recordasse sua educao e que batesse antes de entrar em um quarto com a porta fechada.
      O olhar de Ranulf a fulminou.
      - Faria bem em recordar sua prpria posio  precria.
      - J no  mais a ama e no tem direito a dar ordens aos criados.
      - Sua autoridade aqui no   maior que a de qualquer servente.-
      Ela se ruborizou ante  a  repreenso e silenciou.
      O olhar da Dena para o Ranulf implicava que ela  ao menos compreendia a importncia de suas palavras speras e que desfrutava da humilhao  de sua ama.
      - Diga-lhe que deixe as coisas e se v.
      Quando Ariane cumpriu a ordem reticentemente, Dena fez uma reverncia e apressou-se a obedecer,  ao mesmo tempo que deixava que seu olhar  vagasse sobre o
corpo quase nu de Ranulf.
      Como se dobrou para deixar as toalhas e o sabo  ao lado da tina, a ponta  de sua tnica se deslizou parcialmente fora de  um ombro, descobrindo uma grande
poro de um peito generoso.
      E quando se retirava dedicou a Ranulf um balano  sedutor de seus quadris, anunciando explicitamente sua disponibilidade ao novo Lorde e seu  desejo de compartilhar
sua cama.
      Ele pareceu  no prestar ateno.
      Mantinha  seu olhar fixo  em Ariane at que a porta se fechou  uma vez mais, deixando-os sozinhos.
      - Essa moa parece muito mais  amigvel  que minha prpria prometida, - ele disse  secamente.
      - Talvez  no te conhea tanto como eu , - Ariane replicou.
      - Ou talvez no objeta deitar-se com um traidor.
      Seu comentrio acertou a Ranulf cruamente.
      - Como ela se atrevia a  falar de traio  depois de sua prpria traio?
      Um msculo se esticou em sua mandbula, quando seu olhar encontrou a dela.
      - Tem uma lngua  afiada, moa.
      - Te recomendo control-la .
      Ela se calou, mas um brilho  de desprezo lhe  cruzou o rosto.
      A mandbula do Ranulf se apertou.
      Ela deveria mostrar-se tmida e assustada, atemorizada  ante  sua irritao e implorando piedade, no trat-lo com esse desdm.
      - Disse-te que viesse aqui. Venha! Agora.
      Sua voz profunda e  impaciente a cada palavra .
      Reunindo coragem, Ariane se forou  a obedecer.
      Quando se deteve diante de Ranulf, olhando-o inquietamente, lhe ordenou que estendesse suas mos atadas, o que ela fez  com vacilao .
      Ela sentiu  um instante de alarme  quando Ranulf levantou sua adaga, que se converteu em choque quando ele  cortou as  ataduras, liberando suas mos.
      Ariane ficou  olhando-o enquanto ele distraidamente  friccionava suas bochechas e ela procurou sinais em  seu rosto  querendo saber qual era  seu  jogo.
      - Por que. . .  Faz  isso?
      - Fao  o que?
      - Me liberando.
      - Mas eu  no te  liberei, moa.
      Sua boca se torceu  em um sorriso sombrio.
      - Pelo contrrio.
      - Ainda  minha refm.
      - Mas no vejo  nenhuma necessidade de t-la  atada.
      - Se tentasse escapar,  no chegaria muito longe
      Ariane mordeu o lbio ante essa verdade intolervel.
      Estava completamente a merc de Ranulf.
      Estava  vagamente consciente do aroma de suor masculino  que emanava dele.
      No  era desagradvel, era extremamente perturbador e excitante.
      Reunindo sua coragem vacilante, ela se animou a fazer a pergunta cuja resposta temia.
      - Ento... O que planeja fazer comigo?
      Seu olhar penetrante estudou  seu rosto.
      - No sei ainda.
      O alvio de sua resposta foi somente momentneo.
      - Poderia  haver perdoado que  defendesse  o castelo, mas  ajudar a  um prisioneiro a escapar?
      - Ele escapou?
      Ela no  podia esconder a esperana em sua voz.
      - No  foi encontrado, - Ranulf respondeu sucintamente.
      O guardio que falhou em sua responsabilidade est preso agora no calabouo de Claredon.
      Ante o  dbil olhar  de culpa dela, sua sobrancelha negra levantou-se.
      - O que   planejava com sua traio, querida?
      - Que seu cavalheiro procurasse ajuda?
      - Que  chame reforos para te salvar?
      - Para criar uma rebelio?
       Ela no respondeu, seus olhos se estreitaram .
      - Tem-me feito perder o dinheiro  do resgate desse homem e sua fuga sem dvida causar muitos problemas no  futuro.
      - Terei que  considerar  com muito   cuidado o castigo  merece.
      Levantando uma mo, Ranulf arranhou a mandbula pensativamente.
      - Se voc estivesse em minha  posio, o que faria?
      Questionada de surpresa Ariane o olhou  cautelosamente, querendo saber qual era  sua inteno.
      - Suponho... que a teria como prisioneira... at que se rendesse.
      E voc renderia se moa ?
      - No. - ela  respondeu  duramente.
      - Ento o confinamento no serviria...
      - E se te encerrasse em uma habitao, te privando de comida at que te renda?
      - No. Suspeito que no  teria nenhum resultado exceto te reduzir a pele e ossos.
      Seu olhar  atrevido percorreu  lentamente seu corpo magro.
      - No tem tanta reserva para perder mais carne.
      - E logo  no teria  nenhum uso para mim.
      No lhe importou a ameaa  implicada em suas  palavras ou o  sorriso mudo que se desenhou em sua ampla  boca.
      Seu olhar era pensativo mas alerta, como se estivesse brincando com ela, do mesmo modo que um  gato abandona a seu  camundongo prisioneiro.
      Talvez esse seria seu castigo, ser atormentada pela  incerteza .
      - No. - Ranulf disse lentamente.
      - Terei que  pensar melhor em uma penitncia mais adequada.
      Embora  consciente de que ele tentava intimid-la, Ariane no  pde evitar olhar de esguelha a cama.
      -A conjetura de seu  vassalo tinha sido correta?-
      -Ranulf planejava  viol-la?-
      -Ou conquist-la com paixo?-
      Tomou respirao para afirmar-se.
      - O que fez com os outros homens de meu pai?
      - Os machucou?
      - So  meus prisioneiros, e no so de seu interesse.
      - Mas... O homem que feriu ontem  noite?
      - Posso  ao menos   ver  suas feridas?
      - No. - Sua resposta abrupta no dava lugar a nenhum argumento, entretanto  no podia aceitar a derrota to  facilmente.
      O tentou uma vez mais, lutando por manter controlada sua  raiva no tom de sua voz.
      - Lorde Ranulf... - Por favor, poderia reconsiderara deciso?
      - Como ama da fortaleza,  meu dever atender aos doentes e aos feridos.
      Devolveu  seu olhar  ferozmente, encontrando   seus olhos dourados.
      - Se  esquece?
      - J no  a ama  aqui.
      -Mas ningum mais  no Claredon tem conhecimento de ervas medicinais.
      - Meu prprio mdico vir.
      - Seu homem receber o cuidado adequado.
      Teria que estar satisfeita com isso, Ariane sabia  .
      Ranulf ficou de p de repente, fazendo-a sobressaltar.
      Mas no a agarrou como ela esperava.
      Em troca  comeou  a tirar sua  roupa interior.
      - O que faz? - ela exclamou, inquieta.
      Sua boca se curvou  em um sorriso  inocente enquanto expunha seu corpo.
      Vou me banhar, o que  pensou?
      - Tirar esta imundcie que  to desagradvel para milady.
      Deu a volta e  caminhou energicamente para a tina, e para  seu desnimo, ela no pde separar  seu olhar da imagem  de seu corpo  poderoso e musculoso.
      Suas ndegas  eram magras e firmes.
      De repente Ariane tomou uma respirao profunda enquanto seu  olhar se fixou nas largas costas de Ranulf.
      Estava  marcada com linhas de cor branca plida que ressaltavam em sua pele escura.
      Nenhuma espada  tinha causado  essas cicatrizes horrveis.
      Tinha visto cicatrizes de aoites antes, e tinha atendido as feridas causadas por chicotadas, mas  nunca tinha visto umas to severas.
      Como tinha obtido Ranulf essas cicatrizes terrveis?
      Parecia  indiferente a seu olhar.
      Deixando sua adaga no  piso, ao alcance da mo, entrou na tina e se afundou  lentamente na gua, enfrentando-a parcialmente.
      Depois de molhar sua cabea, tomou   uma barra de sabo perfumado e  comeou  a esfregar vigorosamente os braos e o peito .
      Ariane ficou de p vacilante, querendo saber o que ele  pretendia  com  ela.
      - Ajude-o.
      - Pedir-lhe-ia que  lavasse as costas e ela teria que tocar essas cicatrizes terrveis?
      O  silncio se estirou  por muito tempo   e ela  pensou com   otimismo  que Ranulf poderia haver-se esquecido dela.
      Mas quando se lavou e enxaguou o cabelo negro, olhou de esguelha para ela.
      - Passei todo o dia assegurando o  castelo e o  campo circundante.
      - Amanh me ocuparei de ver a propriedade do Wyclif.
      - Thatis.  esse o  nome da propriedade de seu pai no norte, verdade?
      - Sim.
      - Quero que ache uma transio para poder ficar tranquila.
      - E quero a sua completa cooperao.
      Os olhos dela aumentaram.
      - Esperas que eu te  ajude a usurpar a  riqueza de meu pai?
      - Usurpar?
      Sua seleo de palavras voltou a abrir  uma ferida do Ranulf.
      Quantas vezes tinha ouvido o argumento  que ele no merecia as riquezas ganhas com sua prpria espada?
      - Esquea moa.
      - Isto j no  mas propriedade de seu pai.
      - O rei  me deu suas terras.
      - A  honra do Claredon me pertence.
      - Porque voc roubou isso  enganando .
      - Roubou?
      A acusao dela fez que  Ranulf estalasse.
      - Por Deus!
      Ele agarrou a beirada da tina, e tentou levantar-se.
      - No  houve nenhum roubo aqui!
      - As terras e o  castelo de seu pai foram  confiscados devido a sua traio para o rei, esse  o castigo  para os traidores.
      - Meu pai  no   um traidor!
      - Estou disposta a apostar minha  vida por ele!
      Ranulf apertou os dentes, lutando por conter-se.
      - Seria uma aposta estpida, moa.
      - Pretende negar que seu pai est nesse momento com  o Mortimer no castelo do Bridgenorth, que est sendo assediado  pelo rei Henry?
      A defesa acalorada de Ariane vacilou ante seu olhar feroz.
      - No, isso  no o posso  negar.
      - Mas meu pai  foi chamado para ir l um ms atrs  para prover  servio como cavalheiro.
      - No  podia recusar-se a um chamado  de seu  Lorde.
      - Entretanto, somente tinha levado  um punhado de seus homens, apenas vinte cavalheiros.
      - Se tivesse querido participar de uma traio , porque contribuiria com to poucos homens?
      - Se fosse leal a Henry, por que no se retirou quando Mortimer declarou sua rebelio?
      - No sei! - Ariane gritou com angstia.
      - S sei que nunca tentara desafiar ao novo rei!
      - No quando a Inglaterra tem  uma possibilidade de obter a paz!
      Por ouvir sua aflio genuna e ao ver o olhar  de dor em seus olhos cinzas, Ranulf se afundou lentamente na gua.
      Sua  convico realmente soava sincera.
      Talvez  verdadeiramente ela acreditasse na  inocncia de seu pai.
      Quase lhe invejava semelhante f.
      No  podia recordar um momento em sua vida em que  tinha acreditado em algum ou em algo.
      A vingana tinha sido o nico sentimento em sua vida.
      Mas ele estava  determinado a reprimir sua fria agora.
      Se recusava a permitir que Ariane o fizesse perder o  controle.
      Ela merecia um castigo  por seu  estado, sabia, mas  sua conscincia j lhe pesava  com culpa.
      Ver suas bochechas machucadas como resultado de sua ordem de impedir sua fuga, tinha-o  perturbado agudamente.
      Certamente, tudo a respeito dessa mulher o perturbava.
      Quando ela tinha entrado na habitao  um curto tempo atrs, ele imediatamente se tornou consciente de sua presena, tudo nele estava  alerta ao corpo dela,
seus nervos tensos, como um garanho  que capta o aroma de uma gua  disposta.
      Ranulf fez tudo o  que pde por controlar seus impulsos  nesse momento.
      Mas a estava ela, com seus olhos cinzas direcionados a  seus peitos agitados por sua defesa apaixonada de seu pai, seu queixo to orgulhoso como o de uma
rainha.
        Uma luxria, quente e  doce percorreu suas veias at chegar a sua entreperna, e ao mesmo tempo uma fria, feroz e fervente,  borbulhava ainda em seu pensamentos
pela perfdia dela ao ajudar a escapar o  vassalo.
      Ela o enfurecia tanto como excitava sua luxria.
      No podia mostrar-se suave com ela, Ranulf se recordou.
      Ela era sua inimiga, algum em quem  no devia confiar. E sua rebelio  merecia que ficasse de castigo.
      Ela tinha que  aprender que no  podia  desafi-lo  sem um castigo.
      Precisava  esmagar imediatamente sua rebeldia , antes que crescesse.
      - Tanta nobreza e fidelidade... , - Ranulf disse, pondo uma nota de brincadeira em sua voz.
      -  uma pena que eu no  creia em suas motivaes, moa.
      - Naturalmente voc afirmaria a inocncia de seu pai at o final para impedir seu prprio confinamento.
      - Eu  poderia ter acreditado em voc se tivesse aceito a ordem  do rei e no te tivesse negado  a render Claredon.
      - No tive  nenhuma opo, - Ariane respondeu  em  voz baixa.
      - Tinha todas as opes, - ele replicou.
      - Ainda tem opes.
      - Certamente, seu  destino depende bastante do caminho que escolha tomar  agora.
      - O que. . .  o que quer dizer?
      - Sua submisso, moa.
      - Eu gostaria de ter seu juramento de obedincia e fidelidade como seu lorde.
      - Eu... - ela mordeu seu lbio.
      - No posso  d-lo.
      - Minha lealdade pertence a meu pai.
      Ranulf grunhiu com exasperao.
      - No pode desejar carregar as consequncias de estar aliada a um  traidor.
      - Mas  meu pai.
      - Semelhante capricho  exigir um preo elevado.
      - Sei. - Sua resposta foi um mero sussurro .
      A mandbula de Ranulf se esticou quando viu seu olhar sombrio.
      Tinha lhe  dado a oportunidade de salvar-se, mas ela  pareceu determinada a resistir.
      Por Deus! Teria que  usar  medidas mais duras para forar sua obedincia.
      Mas, o que?
      Suspeitava que lhe requereria  mais fora da  que estava disposto a exercer  para dobr-la.
      - Aprender que o  desafio  intil, moa, - ele disse brandamente.
      Aferrando-se   amurada da tina, ele tomou a adaga que tinha apoiado no piso e teve a satisfao de ver um  brilho de alarme que brotou nos olhos de sua noiva.
      Ranulf passou o  bordo afiado da lmina por sua  bochecha, barbeando o plo duro.
      Ele sentiu  pouco remorso por suas tticas.
      Ela devia  tem-lo  depois pelo que tinha feito.
      E essa  beleza  merecia  um castigo  muito maior, Ranulf sabia, do que ele se atrevia a exercer .
      Perturbado por sua falta de resoluo, Ranulf deixou que sua cabea casse para trs, moveu-se para afrouxar a tenso em  seu pescoo.
      Uma depresso estranha tinha descendido pesadamente sobre ele nas ltimas horas.
      Tinha ganho Claredon com facilidade, sem derramamento de sangue, entretanto a vitria lhe tinha deixado um gosto amargo na boca, lhe recordando   de suas batalhas
com seu desprezvel pai.
      Seu pai tinha lutado contra ele com uma determinao nascida do dio.
      E isso tinha forjado  um destino para si mesmo, dirigindo-o para a  vingana, e ele  tinha triunfado finalmente.
      O tinha pensado e esperado que a aquisio  do Claredon lhe daria a possibilidade de comear de novo, para prov-lo  merecia a posse  de uma propriedade  to
vasta como seus prprios mritos, apesar de suas origens escuras e  dos escndalos que tinham rodeado sua vida...
      Ranulf saiu dessa reflexo desconcertante.
      Ele no era dado a esse tipo de reflexes profundas sobre seu passado, nem tinha  tempo para elas no presente.
      Reticentemente voltou  sua ateno a Ariane.
      Nesse momento simplesmente queria tirar-se de cima a essa moa que o enfurecia, e procurar alvio para seu cansao .  Mas  teria que  tratar com ela.
      - Terei sua submisso, moa, de um modo ou de outro.
      - Sugiro  que considere sua resposta com cuidado.
      - Sua posio  como prisioneira poltica  muito dbil . A filha de um traidor tem os mesmos direitos que um servo.
      Ariane o olhou com desdm.
      - No sou a  filha de um  traidor, milorde, nem um servente.
      - Sou sua prometida , ou talvez o tenha  esquecido?
      - Sinto muito lhe ferir moa, - Ranulf respondeu  com calma  forada, ignorando o sarcasmo em seu  tom de voz.
      - J no tem a  posio de minha prometida.
      - Nosso compromisso j no est vigente.
      - No  serei confinado a um matrimonio com uma traidora.
      Pelo  assombro no olhar de seu rosto encantador, ele soube  que a havia tomado der surpresa.
      - A lei est de meu lado, acredito.
      - Nenhuma corte eclesistica me  foraria a honrar agora o  contrato de matrimnio.
      - Quanto aos benefcios que me d o matrimnio, j no  preciso  me casar para possuir as terras que  voc herdaria de seu pai.  Elas j me pertencem.
      Observou as  complexas  emoes que emergiram  em seus olhos expressivos, nenhuma que ele esperava.
      Se tivesse que adivinhar quase  juraria que ela parecia machucada .
      Sua resposta demorou muito em chegar.
      - Depois  todos estes anos, pretende me descartar como uma capa usada?
      - No podia  compreender sua reao , a menos que ela tentasse ganhar sua  simpatia.
      Ela tinha expresso claramente que  lamentava seu compromisso .
      - Eu no te descartei, moa.
      - Suas prprias aes esto em falta.
      - Se voc tivesse rendido  Claredon a mim , eu  honraria o acordo de matrimnio.
      Ariane desviou o olhar, incapaz de tolerar esse comentrio desafiante.
      A feria que ele  pudesse tratar to levianamente todos esses anos de angstia e de incerteza  que lhe tinha feito passar.
      - Se voc tivesse vindo - ela disse brandamente,  - em algum momento dos ltimos  cinco passados anos...
      A boca do Ranulf se apertou.
      Ela estava comportando-se  como se fosse ele o que se equivocou.
      Talvez ele tivesse falhado em no hav-la  reclamado como sua esposa antes, mas o rechao e o  desprezo que ela  sentia   por ele era razo suficiente para
desejar  terminar com o  compromisso.
      E  era ela quem tinha desafiado  uma ordem  real e logo tinha cometido um crime ajudando ao vassalo  de seu pai  a  escapar.
      Ela mesma tinha declarado  sua inimizade, e  no  deveria   esperar nenhuma piedade.
      E entretanto, irracionalmente, Ranulf se encontrava  querendo lhe oferecer explicaes por que no tinha obrigao  de desculpar-se por  repudiar o compromisso
matrimonial .
      - Lamento  nunca ter vindo por voc, - ele disse duramente.
      - Mas no podia desfazer o passado  ou me opor aos desejos do Henry.
      - Minhas ordens so tomar como  refm.
      Como ela  ainda permanecia em  silncio, olhando-o  com um olhar ferida de acusao, Ranulf sentiu que uma raiva defensiva crescia nele.
      - No  deveria ter nenhuma queixa sobre a dissoluo  do  nosso compromisso, querida .
      - A nossa  era uma unio  arrumada.
      - De fato , expressou  claramente seu pesar ontem.
      -  um traidor que pretende acessar   nobreza, disse.
      - E assegurou lamentar ter conhecido meu nome.
      A lembrana de que ela tinha sido  enganada para  fazer  semelhante declarao   encheu Ariane de fria e  desespero  impotente.
      Queria golpe-lo, destroar o bonito rosto de Ranulf com suas unhas, queria gritar, machuc-lo como ele o tinha feito.
      E entretanto no se atrevia a desafi-lo abertamente, no quando ele tinha em suas mos o poder de matar ou deixar viver a sua gente e a ela mesma .
      - No protestarei sua  deciso, milorde.
      Seu queixo se levantou orgulhosamente, enquanto que sua voz adotou um tom de desdm.
      - Com prazer lhe libero do compromisso.
      - De fato eu no poderia ser persuadida de aceit-lo.
      - Depois de sua traio, me recusaria a casar abaixo essas circunstncias.
      O alvio que Ranulf sentiu por essa aceitao to fcil foi contraposto pelo desprezo em seu tom orgulhoso.
      Com esforo reprimiu a  ira que sua declarao  despertou nele.
      No  seria manipulado por essa mulher.
      Mas  existia o  dilema de como castig-la sem tornar-se  cruel.
      No se atrevia a dar um  sinal  de debilidade, entretanto no queria a responsabilidade de tratar com  Ariane.
      No  s  achava danificar fisicamente a algum to delicado e encantador   como um ato supremamente  desagradvel, mas sim alm jurou  nunca  submeter a uma
mulher ao abuso que seu desprezvel pai tinha dado a sua me   tortura que  ele mesmo tinha sofrido.
      Recusava-se a afundar-se em tais profundidades de depravao, ou descarregar sua ira em pessoas mais frgeis ou  mais fracos   que ele .
      Seu olhar  percorreu   o  solar, procurando uma resposta.
      Tendo estado ocupado em assegurar o  castelo,   no tinha tido  tempo para inspecionar antes  seus aposentos.
      A imagem  era agradvel.
      A sociedade normanda era muito mais sofisticada  que a  da Inglaterra, mas as comodidades  nessa habitao podiam comparar-se favoravelmente com os fortalezas
mais ricas da Normandia.
      Era muito mais acolhedor  que seu prprio solar no Vernay, e sem  nenhuma lembrana  perturbadora, provia luxo sem ostentao, provia comodidade adequada para
um homem acostumado a viver em acampamentos.
      Uma enorme cama com postes e cortinados dominava a habitao, enquanto que os bas de madeira e os bancos com almofades estavam nos rinces e diante da tina
havia uma chamin de bronze  onde um fogo ardia.
      Havia tambm vrios biombos  para prover  privacidade , tapetes finamente tecidos no piso  de madeira, tapearias penduradas para decorar as paredes brancas,
e at um mural com flores brilhantemente pintadas sobre a cabeceira da cama.
      Lentamente o olhar  do Ranulf voltou  para a cama com seu cobertor de brocado e mantas de pele de marta.
      V-la  recordou as circunstncias atuais e  seu dilema.
      Estava sozinho com uma mulher bonita que era  sua prisioneira, com nenhuma idia do que fazer com ela .
      Sabia   o que gostaria de fazer. Queria v-la deitada e  disposta na  cama, suas pernas   enlaadas  ao redor de seus quadris enquanto ele satisfazia sua fome
 .
      Ranulf murmurou  um insulto  entredentes.
      A imagem de Ariane  ficando debaixo dele,  com seu  corpo magro e sedoso aberto para seu  prazer, fez que sua entreperna se apertasse dolorosamente e fez que
seu corpo se esticasse.
      Mas ela no  era uma qualquer para tomada como amante.
      E a existncia do contrato matrimonial restringia-o ainda mais,  no  podia tocar Ariane, no  podia consumar a relao  ao menos enquanto os documentos  legais
existissem, ou de outro modo  seria o mesmo que estar  casado com ela.
      No, teria que  encontrar outra  maneira de castig-la, muito a seu pesar.
      Mas, que? No desejava mant-la confinada, mas no se atrevia a deix-la livre na fortaleza , porque ela muito facilmente podia ajudar aos homens de seu pai
a ganhar sua  liberdade.
      Ainda que desse sua palavra solene, no  podia confiar nela para manter essa palavra.
      As mulheres  nobres, em sua experincia, tinham um instinto inato  para a  traio.
      Sua prpria me...
      A esposa do cavalheiro que o tinha trainhado...
      As damas da corte normanda...
      Todas tinham   demonstrado sua  duplicidade.
      E  Ariane do Claredon lhe tinha provado o  perigo de  confiar nela.
      Ela teria que estar  constantemente sob vigilncia.
      Seu olhar se estreitou e Ranulf olhou a cama especulativamente.
      Era uma pena que  tivesse que  manter  suas mos fora dela.
      Uma noite em sua cama e  ele poderia obter sua submisso  sem recorrer a nenhum  recurso da  violncia.
      Sua habilidade como amante nenhuma vez  tinha sido  questionada.
      Sabia  bem como dar  prazer a   uma moa e faz-la responder a suas  persuases fsicas.
      Se essa dama fosse como as outras mulheres que ele conhecia, logo poderia  t-la tremendo com uma  mera carcia.
      Mas Ariane, ele estava comeando a suspeitar,  talvez fosse uma mulher de um estilo  diferente.
      Seu ar orgulhoso, seu aberto  desdm, eram to ultrajantes porque ela era jovem e inexperiente .
      Lhe causava intriga ver se poderia faz-la  render-se, se poderia derreter essa atitude altiva e converter seu desprezo em submisso.
      Provando a textura lisa de sua mandbula recm raspada com sua palma, Ranulf voltou sua ateno a ela, considerando-a com um olhar especulativo.
      - Est ficando  tarde.
      -  hora de recolher-se.
      Ela o olhou  fixamente por um longo momento, antes de voltar-se silenciosamente para a porta .
      - Aonde vai, milady? - Ranulf perguntou.
      - Eu no te dei  permisso  para te retirar.
      - Mas disse... Queria me recolher.
      -  certo.
      - Sugiro  que te prepare para ir   cama.
      - O que?
      - Pode  comear a te despir.
      - Desejas que me dispa?
      Um sorriso curvou  seus lbios.
      - Uma observao  inteligente, minha  querida.
      - Pode  usar a gua da tina se o desejar.
      - Eu terminarei em um momento.
      Ariane ficou congelada, olhando-o fixamente  como se tivesse perdido todos  seus sentidos.
      - Permanecer aqui esta noite, - Ranulf lhe explicou  vagamente.
      - Decidi te manter perto, j que no posso  confiar em voc quando est fora  de minha  vista.
      - Sem dvida encontrar isto  prefervel a ser encerrada no  calabouo.
      - Preferiria o calabouo, - ela disse com mais calor do que era prudente.
      - No te estou dando opo.
      - Permanecer aqui onde eu possa vigiar.
      - Dormir nesta habitao, nessa cama, queira  ou no...
      Seus  olhares  lutaram, mas Ranulf se  negou a ceder.
      Ele queria que ela se preocupasse com suas intenes.
      Sem dvida  que ela preferiria ser encerrada castamente  em seus prprios aposentos em vez de ser obrigada a tolerar sua companhia.
      Devia ser uma experincia humilhante, ser forada a compartilhar   uma   cama  com ele, um  cavalheiro que ela desprezava por querer acessar  nobreza .
      Ela no se moveu ainda,  Ranulf notou enquanto se forava a  apartar as imagens erticas.
      - Ser mas fcil para voc  se submeter para mim de maneira voluntria, -  ele advertiu , com seu tom informal.
      - No serei desonrada - Ariane respondeu  finalmente e havia  agitao em sua  voz.
      - Desonrada ? E  o que seria isso, moa?
      Se voc me tomasse sem a  bno da Igreja.
      - Presume que  ainda tem uma  honra que  perder.
      Deixando cair a  adaga no  piso  com um  rangido, Ranulf ficou de p   abruptamente e saiu  da tina .
      Com seu corpo nu brilhando, caminhou determinadamente para ela.
      Ariane tentou   retroceder, mas ele  estendeu sua mo  para capturar sua larga trana e lentamente a enroscou ao redor de sua mo.
      Apanhada como estava, ela  se moveu para mais perto dele.
      E estando assim , to perto, Ariane podia sentir o calor de sua pele, podia sentir seu aroma masculino.
      -Ainda  virgem, querida?
      - Ou me enganaste nesse assunto tambm?
      - Naturalmente que sou virgem ... - ela replicou ofegando .
      - O vassalo de seu pai, esse que ajudou  a escapar.
      - Afirma que nenhuma vez foram amantes?-
      - Amantes? Simon?   obvio que  nunca fomos amantes.
      - Esperas que eu creia que nenhuma vez teve intimidade com um  homem?
      Sim ...  obvio.
      -  muito mais velha que a maioria das criadas, quase uma solteirona.
      Doda pela injustia de sua acusao, Ariane sentiu uma nova quebra de onda de raiva crescer dentro dela.
      - Isso  sua culpa,  milorde.
      - Voc abandonou isso, deixou que passassem os anos e eu fiquei solteira.
      Sua sobrancelha se levantou  enquanto estudava seu rosto.
      - Ter que  perdoar meu cepticismo  se duvidar de sua virtude.
      - Minhas experincias passadas com mulheres da nobreza  no  me levam a  pr toda minha f nas afirmaes de  inocncia e virgindade.
      Ela quis saber o que lhe tinha ocorrido  para incitar semelhante amargura  em seu  tom de voz, enquanto  se encontrava  com o olhar  cheio de desprezo de Ranulf.
      - No me importa se no me cr.
      - Ainda sou virgem.
      - H uma maneira segura de descobrir se est   dizendo a verdade.
      Sua respirao se transformou num ofego  enquanto a  mo dele  se levantou para rodear delicadamente  seu pescoo.
      Ela levantou as mos para fre-lo mas ela  descobriu que isso era um engano quando sua palmas se  encontraram contra a parede de granito de seu peito  nu.
      Foi um choque  sentir a carne morna e mida  produto  de seu banho.
      Desesperadamente, Ariane tentou afastar-se.
      - Voc no... No tomar sem a bno da  unio.
      - Tenho direito, - Ranulf disse com tranquilidade, determinado a  faz-la compreender o  poder que tinha   sobre ela, e que ela apreciasse a piedade que lhe
ia mostrar.
      - Eu  poderia mant-la presa a minha  cama, te forando a me prestar seus  servios.
      - Poderia tom-la como um trofu de guerra, e ningum poderia me contradizer.
      - At  o rei  mesmo aceitaria.
      - Eu poderia tom-la agora mesmo e ningum me deteria.
      Ariane sentiu  seu corao pulsar pesadamente em sua garganta enquanto o  olhava fixamente.
      Seu rosto duro, bronzeado pelo sol  estava to perto que ela  podia sentir sua respirao  suave  em seus lbios.
      - Voc... violaria uma dama?
      Um sorriso  brilhou  atravs em sua boca quando pensou  seriamente em sua pergunta.
      - Duvido muito que seria uma violao.
      - Nunca antes foi necessrio recorrer a tais tticas.
       - As moas s que necessitei domar eventualmente no  ofereceram nenhuma resistncia.
      - Vieram  dispostas a minha cama, at ansiosamente te diria.-
      Os olhos dela aumentaram com  incredulidade.
      - Atreve-te a te vangloriar de suas conquistas?
      - No me vanglorio, querida, so simplesmente os fatos.
      - As mulheres acham prazer em meus braos como certamente voc far isso, querida.
      Suas palavras arrogantes deixaram Ariane  muda pelo  ultraje.
      A idia de que ela  realmente pudesse gozar sua violao a  ofendeu .
      - Jamais compartilharei sua cama sem a bno  do matrimnio.
      - Nunca iria a voc voluntariamente!
      - J veremos.
      Sua declarao   continha  uma ameaa, mas foi o olhar  perigoso de Ranulf o que  mas a perturbou.
      Seu rosto duro se suavizou, para ser substitudo por um brilho quente  e intenso em seus olhos dourados. Ela nunca tinha estado mais consciente de um homem,
de seu corpo, de sua nudez. Quando Ranulf se inclinou, pressionando-se  contra  ela, pde sentir seu desejo acelerar-se e seu membro  endurecendo  contra  seu ventre.
      Com um gemido  de alarme, ela tentou  uma vez  livrar-se  de seu afeto, mas  seus dedos em seu pescoo  eram como tentculos de veludo.
      - Quanto mais cedo  me aceite como seu Lorde e a autoridade neste castelo, mais facilmente ser a vida  para voc.
      Ariane conteve a respirao, forando-se   a permanecer quieta,  tentando  no  demonstrar pnico, entretanto sabia  que Ranulf podia sentir seu pulso pulsando
descontroladamente debaixo de sua  palma.
      Por um momento interminvel, ele a  olhou   fixamente...
      Mas logo sua mo caiu  abruptamente  enquanto  sorria  provocativamente.
      -   afortunada porque estou muito cansado para te atender corretamente esta noite, moa.
      -  uma regra minha nunca tomar a uma  moa a menos que tenha a  energia suficiente para lhe prover e  agradar.
      - Mas depois que descanse,  espero que o exerccio fsico na cama inclusive  incremente minha energia.
      Dando um passo  para trs, deixou Ariane tremendo  enquanto dava volta  para tomar uma toalha e comeou a  secar-se.
      Para seu choque, sua ereo se mostrava to erguida e torcida que roava seu ventre.
      Depois que um  olhar nervoso, ela no se atreveu a seguir olhando-o.
      Quando ele viu  como ela desviava  seu olhar, Ranulf  riu divertido .
      Satisfazia-lhe ver a  essa dama  altiva to  desconcertada.
      - Deveria te sentir honrada, querida, - ele a provocou.
      - Geralmente no  permito  que as mulheres permaneam  comigo toda a noite.
      - Honrada!
      A audcia  de sua afirmao lhe cortou a respirao.
      - No   uma  honra!
      - Eu no sou sua mulher!
      - Claro que , moa.
      -   minha para que eu  faa com voc o que tenha vontade.
      O impulso de esbofetear seu rosto arrogante fez que a  palma da mo de Ariane ardesse, mas vendo a fasca de humor em seus olhos brilhantes, fez que ela pensasse
melhor em suas aes.
      -  um canalha, - ela murmurou  entre dentes, palavras que infelizmente Ranulf ouviu .
      - Tanto orgulho ferido. Tanta indignao.
      Ela levantou seu  queixo.
      - No te atreva a debochar de mim.-
      - Sim, f-lo-ei, - ele  respondeu  com um sorriso.
      - Anseio ver- te irritada.
      -  cruel.
      - Cruel?
      Uma sobrancelha negra se levantou, ao mesmo tempo que  seu sorriso se desvanecia.
      - Pensa  que   merece bondade depois de seu desafio de  ontem?
      - Quando suas aes  s podem qualificar-se de  traio?
      - Deveria te considerar  afortunada, moa.
      - Qualquer outro lorde te teria aoitado at te matar, ou tivesse aberto suas pernas e tivesse usado seu corpo sem considerao  a sua condio ou  sua  inocncia.
      - Eu no fiz nada para te danificar a propsito, verdade?
      - E no o far a menos que  me d outra causa mais.
      Ariane se calou, seu olhar era uma mescla de frustrao,  desespero e fria impotente.
      A reao dela perturbou a conscincia  de Ranulf mais do que uma discusso acalorada  poderia hav-lo feito.
      Decidindo que j era  hora de terminar com sua tentativa deliberada de provoc-la, devolveu  seu olhar firmemente, tentando  dar a aparncia de indiferena.
      - Pode ficar tranquila, querida.
      - Tanto como  apreciaria gozar de seu corpo, decidi  me negar esse prazer.
      - Possuir-te daria lugar at reclamao de nosso contrato matrimonial   e validaria nossa unio.
      - Deus no o permita.
      - Pois necessitaria de um decreto papal para anular esse matrimnio, e eu no gostaria de me colocar em semelhante problema.
      - Os olhos dela aumentaram com incredulidade, e Ranulf pde sentir seu olhar  seguindo-o  enquanto ele  se movia   pelo  quarto, soprando as velas .
      - Havia dito a verdade.  Estava  muito cansado para lhe fazer justia  a sua companheira de  cama  ou a sua natureza  carnal, apesar do sangue que se acumulou
em sua entreperna.
      Obteria que ela  compartilhasse sua cama, mas nada ocorreria entre eles  essa noite.
      Entretanto a evidente   averso dela    idia de aceitar seus cuidados sexuais feria  seu orgulho masculino.
      Nunca antes lhe tinha sido  negado ter uma mulher que ele  quisesse.
      Na verdade,  muitos  de seus problemas provinham do fato  que as moas   se sentiam muito atradas para ele.
      As  aldes reclamavam frequentemente seus favores, desejosas de lhe prover  filhos que as elevaria em seu prprio status social e talvez lhes provesse uma
vida melhor.
      Elas conheciam seus sentimentos sobre os filhos.
      Amava aos trs filhos que tinha concebido.
      Esses meninos eram sua debilidade, e estava resolvido a lhes prover  uma vida melhor que a que ele  tinha tido, uma vida sem vergonha, sem a  dor ou a solido
que ele tinha tido que sofrer.
      Ranulf deixou acesa uma nica vela grande  para que durasse toda a noite e se meteu debaixo das mantas antes de olhar de esguelha  sobre seu ombro a Ariane.
      - Por que te demora?
      Sua irritao  havia tornado assim como tambm o  desafio  orgulhoso que despertava a raiva dele e sua  admirao involuntria.
      - J te disse, no  me deitarei  com voc, - ela respondeu  com valentia fingida  .
      Ela nunca tinha visto ningum  reagir to rapidamente.
      Em dois passos  Ranulf tinha fechado a distncia  entre eles e a tinha elevado  em seus braos.
      Em trs passos, tinha-a  carregado at a cama e a tinha  deixado cair no  colcho  suave  de plumas, logo se deitando travando-a com o peso  de seu corpo.
      Sem piedade, ele capturou os braos dela  sobre sua cabea. Atnita e  ofegante, Ariane s podia olh-lo  fixamente.
      - Deitar-te-  comigo,  minha  lady, - ele disse com uma suavidade  letal.
      - E  esquentar  minha  cama  eu o ordeno.
      - Limpar minhas  botas  se eu pedir.
      - E por Deus, que aprender a controlar sua lngua  desafiante  em minha presena, entendeu?
      Ariane apertou seus dentes, olhando Ranulf com temor e fria.
      Sim, compreendo.
      - Sim, o que?
      - Sim, milorde.
      Seus  olhos brilhantes se estreitaram enquanto se encontravam  com os dela.
      De repente sentindo a suavidade  de seu corpo debaixo dele,  Ranulf amaldioou entre dentes...
      Por Deus!, necessitava de uma mulher.
      Tinha passado vrias semanas de celibato.
      E ter uma cativa to formosa  to perto sem poder toc-la  provaria ser uma prova dura para sua vontade.
      Mas o mmicos tinha criado esse dilema.
      Deus Santo! Essa proximidade se supunha que ia servir de castigo para ela, no para ele mesmo.
      Fechando seus olhos, Ranulf se forou a respirar lentamente.
      Jesus, estava cansado. Muito  cansado; seu  corpo tenso pelo cansao e a  necessidade sexual.
      Abruptamente tirou seu peso de cima dela e estendeu sua mo para subir os lenis e o  cobertor de pele para cobrir a ambos.
      Rodando sobre um lado para enfrentar a parede, fechou seus olhos e forou  seu corpo a relaxar.
      Ariane no se atrevia a  mover-se; olhou  fixamente a nuca de Ranulf e uma sensao de alvio a invadiu.
      Parecia que Ranulf sustentaria o que havia dito sobre no viol-la... Ao menos  no  essa noite.
      Sua confrontao no  tinha sado  como ela esperava . Ranulf no a havia ferido fisicamente.
      Mas a tinha atormentado  com  ameaas.
      Sim, tinha despertado medos com suas provocaes.
      E entretanto, de algum jeito, ela ainda estava livre.
      No estava confinada no  calabouo, e  por isso estava agradecida.
      Sendo forada a dormir na habitao de Ranulf, inclusive  em sua cama, era um  castigo muito menor que ser encerrada, pois desse modo ela no poderia ser de
nenhuma ajuda para os habitantes do Claredon, na tarefa de defend-los do Drago Negro.
      No tinha obtido muito essa noite.
      Mas, ao menos,  no  se tinha rendido a Ranulf completamente...
      E ele  no a havia violado.
      Agitada pela raiva e alvio, escutou com ressentimento crescente como a respirao  do Ranulf adotava um ritmo estvel.
      Obviamente no tinha medo de lhe dar as costas.
      No tinha se incomodado em esconder suas armas, evidentemente  acreditando que ela nunca teria a  coragem de us-las contra  ele.
      A coragem tinha pouco a ver com o assunto.
      No seria to estpida para tentar atentar contra  sua vida.
      Ainda se conseguisse matar ao Lorde do Vernay, seus vassalos muito certamente  vingariam sua morte, no s com ela mas tambm com as pessoas indefesas do Claredon.
      No, no momento teria que  aceitar suas regras.
      Seu olhar se focalizou  em seu  cabelo, deu-se conta que suas mechas midas brilhavam brandamente com reflexos azuis.
      Por um instante, Ariane se encontrou perguntando-se se  seu cabelo seria to  sedoso como parecia, mas suprimiu o impulso de estender a mo para prov-lo.
      Seu olhar  recaiu  mais abaixo.
      Debaixo da  borda  do  cobertor, podia ver o comeo  de suas costas largas e as cicatrizes terrveis que cruzavam sua pele.
      Rapidamente reprimiu a quebra de onda involuntria  de empatia  que despertou  dentro dela.
      O Lorde do Vernay  era um diabo de corao negro, que no  necessitava  da compaixo ou piedade de ningum, e  muito menos de uma  prisioneira indefesa.
      Girando sua cabea, Ariane olhou  cegamente em cima do  dossel sobre sua cabea e uma dor aguda lhe apertou o peito.
      No, esse encontro com Ranulf no tinha sido nada como ela tinha esperado.
      Essa deveria ter sido sua noite de bodas.
      Tinha sonhado com sua  primeira vez com Ranulf.
      Numerosas vezes tinha imaginado deitar-se com ele, entregar-se a seu marido com amor e em honra, abrindo seu corpo para ele, respondendo a suas carcias...
      Seus sonhos no tinham nenhuma semelhana com essa... essa brincadeira de um matrimnio srio.
      Compartilhava sua cama, sim,  mas no com  amor e honra.
      Agora eram inimigos.
      Lorde do Vernay tinha  repudiado seu compromisso e tinha recusado toc-la, quando ela resistiu a ele por medo e dio...




      Captulo 5



      Sonhou  novamente com  seu amante.  Uma fantasia  ertica que se desvaneceu  como anis de fumaa quando a luz do  amanhecer se filtrou pelas janelas protegidas
com portinhas.
      Ariane despertou sobressaltada de  um sonho profundo, estava embargada por um sentimento de grande tristeza .
      Muito lentamente  se tornou  consciente de outras sensaes: um brao que tomava possessivamente sobre sua cintura...
      O calor fervente de um corpo duro e  masculino grudado ao  ela...
      Um desejo feroz dentro dela que crescia  quente e  poderosa. Ranulf. Virgem Maria...
      Ela congelou, consciente de seu abrao envolvente, de seu membro  duro  pressionando contra suas ndegas, ainda que atravs das diversas capas de roupas.
      Por uns segundos, Ariane permaneceu ali rgida, no se atrevia a mover-se.
      Podia ouvir a respirao do Ranulf, suave e rtmica, e podia sentir a posio de seu corpo.
      Deus Santo... Ele dormia ainda.
      Contendo sua respirao, Ariane escorregou por debaixo de seu brao e saiu  da cama.
      Silenciosamente, fugiu  ao refgio do assento da  janela onde se assentou.
      Depois do  calor da cama de Ranulf, esse lugar oferecia pouco amparo para o frio da manh.
      E nada podia proteg-la de seus pensamentos vergonhosos e traidores.
      Ainda podia sentir o corpo dele pressionando sua virilidade nela, ainda podia sentir o desejo  quente que a tinha invadido por seu  abrao.
      Me Maria!, O que lhe estava acontecendo?
      Sua nica desculpa era que suas defesas estavam muito debilitadas.
      Por uma  segunda noite seguida, tinha dormido  mal, e seus nervos estavam tensos pelo medo e  pelo cansao.
      Ouvindo  um rudo ligeiro, Ariane olhou de esguelha  para  Ranulf.
      Tinha trocado de posio  para cruzar-se  atravs  da enorme cama, uma figura bronzeada contra o branco dos lenis.
      Sua ateno se fixou ali e  ela  estudou  seu corpo  dormindo, perguntando-se   como podia parecer to feroz e autoritrio ainda no  sonho.
      Seu rosto estava  desenhado em ngulos retos, duros, as feies  sensualmente  desumanas.
      Suas densas sobrancelhas  eram negras como a noite, seu nariz  forte e aquilino , o quadrado do queixo com uma covinha pequena.
      Grandes olhos rodeados por pestanas de cor bano.
      Quanto a seu corpo... Ariane mordeu o lbio com desnimo.
      Encontrar Ranulf atrativo  fisicamente a  mortificava tanto como a  enfurecia.
      J no era uma adolescente tmida e nervosa  mas  no  podia negar sua fascinao por  ele.
      Tinha sonhado com  esse homem como seu amante, alimentando  suas  fantasias de adolescente...
      Repentinamente ela sacudiu a cabea.  Reprimiria sua atrao por ele embora isso levasse cada grama da fora que possua .
      Ranulf era um diabo frio, desumano, um  homem que a tinha como sua refm.
      Tinha desperdiado cinco dos melhores anos de sua vida  esperando-o e agora ele  tinha quebrado cruelmente todos esses sonhos sem o menor remorso, repudiando
o  contrato matrimonial  to facilmente  como algum descartaria  uma capa velha.
      Maldio, Ranulf do Vernay.
      No lhe importava nada dela.
      Pior ainda, considerava-a uma traidora por no lhe entregar o castelo e por ter ajudado a escapar o  vassalo  de seu pai.
      O homem que deveria  ter sido  seu Lorde e seu marido agora era   seu inimigo.
      A nica sorte que tinha tido era  que no tinha  que  temer sua violao.
      Como Ranulf seria famoso, se ele consumasse a unio, eles estariam casados aos olhos da Igreja .
      E essa idia era repugnante a ele .
      Ariane fechou os olhos , tentando  tragar a amargura  que a embargava, tentando bloquear as lgrimas que ameaavam cair.
      Lamentar seus sonhos perdidos no  serviria a nenhuma finalidade til.
      Devia focalizar seus esforos no  futuro, em  proteger s pessoas e o lar  que amava.
      Eles dependiam dela para proteg-los, para lutar por eles.
      Se o  tentasse, talvez  poderia reparar a sua incapacidade para defender Claredon, e de algum modo aliviar a  culpa que sentia por haver falhando a seu pai.
      Walter os tinha guiado com segurana atravs de anos de guerra civil e tumulto , s para que sua riqueza terminasse em mos de um lorde  que deveria  ter sido
seu  aliado.
      E  para ser acusado de traio  por ter tomado  parte em uma revolta contra o novo rei...
      Ariane no poderia  acreditar que  seu pai era culpado de semelhante estupidez, especialmente porque ele  queria a paz para a Inglaterra.
      Com  segurana ele no planejava uma  traio umas  semanas atrs quando   tinha deixado Claredon  para ir  fortaleza do Mortimer no Bridgenorth.
      Mas  agora a vida de seu pai no valia nada.
      Tinha perdido sua riqueza, a nica coisa que poderia ter  ajudado a defender sua causa e  lhe teria permitido  negociar sua vida.
      Ainda se por um milagre de Deus sua vida fosse perdoada, o  castigo  por uma traio  era muito severo.
      A idia de seu pai cego,  sem mos ou castrado   fez  que as lgrimas  quentes  se derramassem.
      Ariane pressionou uma mo contra sua boca para afogar  o soluo ,  mas  no  pde impedir que as lgrimas rolassem por sua bochecha.
      Virgem Maria!, estava totalmente indefesa para ajud-lo.
      Nesse mesmo momento no podia encontrar  fora para lutar contra a  desolao que a invadiu...
      Enterrando seu rosto em suas mos, rendeu-se ao  desespero e soluou  brandamente.
      - No  recordo te haver  concedido  permisso para deixar minha  cama, moa .
      O  som rouco   da voz do Ranulf a sobressaltou .
      Afogando o soluo, Ariane girou  para encontrar os olhos dourados em cima de  um nariz aquilino que a examinava atentamente .
      Secou apressadamente os olhos.
      Sua humilhao pela derrota j era suficientemente  grande para  lhe adicionar a vergonha  de chorar diante dele.
      - Vem aqui, ele  ordenou.
      Por um momento ela vacilou, mas  o olhar  implacvel em seus olhos no deixava lugar a  nenhum tipo de desafio e ela  fechou a distncia que a separava da
cama.
      Para seu choque e desnimo, Ranulf estendeu uma mo  para agarrar seu vestido, e com um puxo  delicado, empurrou-a  para baixo  para que se  sentasse  ao
lado dele na cama.
      Ranulf a estudou  por um longo momento, tentando  discernir se a emoo  que brilhava em seus olhos era genuna ou fingida , se o  som suave de seu pranto
era desespero ou uma estratgia  calculada para ganhar sua simpatia.
      Ele no  queria ver a tristeza plasmada em seu rosto encantadora, mas tampouco  podia confiar completamente nela.
      Na verdade, no  confiava em nenhuma mulher e  em muito  poucos homens.
      E a  beleza   fascinante dessa dama em  particular, com suas pestanas midas e sua  boca tremente, o fazia pr duplamente em guarda.
      O  impulso de toc-la  era forte e  desconcertante.
      Compreendia a necessidade que emanava de sua  entreperna.
      A ereo  habitual da manh o havia posto duro.
      Mas o fato de ter uma moa to   mo no fazia nada para ajud-lo a esfriar  seu sangue.
      Entretanto foram os sentimentos de ternura que cresciam dentro de si  o que o assombraram.
      O impulso de  tomar  Ariane em seus braos, abra-la e confort-la para fazer desaparecer sua tristeza, era uma experincia assombrosa  para ele.
      Nunca tinha abraado a  uma mulher somente para lhe oferecer consolo, sem que houvesse luxria nesse gesto.
      Determinadamente  Ranulf se defendeu  contra a  necessidade  de consol-la.
      No queria que ela descobrisse  quanto a desejava, ou que se desse conta de  como suas lgrimas o  afetavam.
      No lhe  daria  armas para que ela  usasse contra ele, e no lhe  permitiria que pensasse que podia  empregar estratgias femininas  para melhorar sua posio.
      No momento em que ela  se sentou rigidamente  ao lado dele,  seu  queixo  delicado se levantou em um ngulo desafiante.
      - Por que chorava?
      - Eu no chorava, - ela respondeu, mas o tremor  em sua voz traa suas palavras.
      - No? - Ele levantou uma mo para roar uma lgrima de sua bochecha com seu dedo maior.
      - O que  esta umidade  em seu rosto, ento?
      Quando ela permaneceu em silncio, Ranulf estreitou seu olhar.
      - No posso  ser manipulado por lgrimas ou truques femininos, moa.
      O ultraje invadiu Ariane ante sua anlise sobre os motivos de seu pranto.
      Ela tinha  muito orgulho  para usar semelhantes truques, e  alm disso lhe faltava  talento para faz-lo.
      Nunca tinha sido  cortejada e  tinha pouca experincia nos truques para persuadir a um homem cumprir seus desejos.
      Alm disso,  sua me lhe  tinha ensinado a usar a honestidade como  princpio para  tratar com os outros.
      - Duvido  que um homem como voc  compreendesse por que  uma mulher pode sucumbir ao  desespero em um momento de debilidade, - ela murmurou.
      Ranulf amaldioou internamente o  desprezo  no tom de sua voz.
      -Um homem como voc.-
      Ariane evidentemente sabia do escndalo que tinha rodeado seu nascimento.
      Sabia que ele tinha sido forado a recuperar sua posio nobre a ponta de espada.
      Uma dama da nobreza como ela no o consideraria suficientemente bom para  aspirar a pedir sua mo.
      S  sua posse da propriedade Vernay faria isso possvel.
      Ranulf a olhou agudamente, recusando-se  a lhe deixar ver como ela o tinha ferido com suas palavras.
      - Fiz-te  uma pergunta, milady, e espero uma resposta honesta.
      - Por que chorava?
      Ariane desviou  seu olhar.
      - Meu pai est   condenado por ser um traidor...
      - Eu carrego com a vergonha de ter  perdido sua propriedade...
      - Sou sua  prisioneira...
      - Voc repudiou  nosso compromisso...
      - Acredito  que tenho   muitas  causas para chorar.
      - No tem  nada de que te envergonhar em relao    queda desta fortaleza.
      - Sua derrota era inevitvel.-
      - No  assim!
      - Voc nunca teria  tomado  Claredon se no tivesse  recorrido ao engano.
      Ranulf ignorou sua acusao, reprimindo  seu ressentimento em favor da lgica.
      - O  fato que eu tenha evitado um derramamento de sangue com meu engano  no alivia seu conscincia?
      Ariane sacudiu a cabea.
      - Meu pai  dependia   de mim .
      - E meu rei dependia  de mim, - Ranulf respondeu  razoavelmente.
      - Eu s cumpri com as ordens de Henry.
      - Certamente  pode  compreender isso.
      - Nunca me convencer de que assegurar seus prprios interesses no era seu objetivo principal .
      - Certamente o  era.
      - Mas  considera  minha  posio.
      - Eu  no podia  permitir que  desafiasse minha  autoridade.
      - Eu teria ficado como um idiota se no tivesse podido controlar  a minha  prpria prometida.
      Soava como um argumento razovel, mas  antes que ela  pudesse pensar em um resposta  apropriada, ele a interrogou a respeito de  outro tema.
      - Voc disse  que estaria contente de dissolver  nosso compromisso.
      - Dizia a verdade?
      O queixo dela se levantou com altivez.
      - Eu no  minto,  milorde.
      - Ento  por que chorava por isso?
      - O fato de que j no  deseje me casar com voc no   significa que no  deseje   me casar.
      Ranulf a olhou pensativamente, perguntando-se o que era que a inquietava.
      Ela ainda era suficientemente jovem e muito  bonita e certamente  atrairia  facilmente a outro candidato.
      - No entendo qual  a razo pela qual no poderia se casar.
      - Uma donzela como voc... - seu olhar se voltou mais frio - mesmo com a idade avanada ainda poderia atrair um marido.
      - Depois de seu rechao?
      - Sem um centmetro de terras para meu marido?
      - Duvido que o matrimnio seja impossvel para mim.
      - Ele tinha pouco a ver com a perda de sua herana, na verdade, tudo era culpa da traio do pai dela.
      - No  impossvel.
      - Possivelmente seja injusto que o castelo de seu pai  me tenha sido concedido...
      - Mas a falta de dote no  um impedimento para um matrimnio.
      - No  uma moa feia.
      - Sempre h um cavalheiro que possa estar procurando  uma dama nobre que ainda  virgem.
      - Possivelmente at alguns de seus prprios  vassalos podem estar  interessados.
      - Algum desejaria tomar seus restos?
      - Meus restos?
      - Quem acreditaria que ainda sou virgem quando me forou a dormir em sua cama?
      Ranulf riu confundindo-a  completamente.
      - Quem  acreditaria  que eu permiti que uma moa  passasse  toda a noite comigo?
      - Especial uma de sua classe.
      - Ningum que me conhea bem me acusar de te desflorar.
      - Minha averso para as  mulheres da nobreza  bem conhecida  assim como tambm minha habilidade para encontrar moas desejosas de compartilhar minha  cama.
      - No  tenho nenhuma necessidade de recorrer   violao, asseguro-lhe isso.
      - No, considerar-lhe-o  minha refm, nada mais.
      - No  preocupe muito por isso.
      Ela o olhou ctica.
      - Que  fcil  para voc brincar de minha dor.
      Seu olhar se suavizou.
      - Eu  no brinco, milady.
      Fez uma pausa , procurando  seu rosto.
      - O matrimnio   muito importante para voc, ento?
      -  para todas as mulheres.
      - Um homem pode lutar e  competir em  torneios e viajar. Uma mulher s tem   seu lar e sua  famlia como todo interesse.
      Mordendo o lbio, ela desviou o olhar.
      - E nem sequer j tenho isso.
      Ranulf se moveu  incmodo.
      No  estava acostumado a  sentimento de  culpa, mas agora o sentia.
      Nunca tinha considerado seu ponto de vista.
      Pensava que uma moa jovem preferia permanecer no  castelo de seu pai, antes de ser arrastada por toda Normandia como a  noiva do Drago Negro.
      Mas talvez ele mesmo se persuadisse disso para  justificar sua reticncia e sua demora em vir busc-la.
      Deveria ter vindo por ela antes, certamente.
      Mas Ariane assegurava desprez-lo.
      Ela tinha  menos desejos que ele de seguir adiante com o matrimnio .
      - Poderia  entrar em um convento, - ele sugeriu enquanto ela continuava  silenciosa.
      Ariane sacudiu a cabea.
      - No sou apropriada  para a Igreja.
      - Minha  me   sempre me disse... - Ela vacilou, dando-se  conta de que  tinha entrado em terreno  perigoso.
      - Sim? O que te dizia sua me?
      - Que minha  lngua  era muito afiada  para a paz de um convento.
      A boca dura do Ranulf se curvou em um sorriso  forado.
      - Uma mulher muito sbia, sua me.
      - Eu j experimentei essa  lngua afiada.
      Ele notou uma fasca  de fogo nos olhos de Ariane com satisfao, realmente preferia  essa mostra do esprito rebelde dela  a seu desespero.
      - Lady  Constance...  Conheci-a na  cerimnia de compromisso, era muito corts. Ela morreu   anos  depois?
      Ariane ficou rgida com a  lembrana.
      - Perdemo-la faz quatro primaveras atrs, - ela  disse com cuidado, reticente a discutir a morte  de sua amada  me.
      - O que o  mundo sabia no  era a verdade, mas  teria que  bastar.
      - Sofreu muito  sua perda?
      - Sim... muito.
      Isso era verdade.
      Ranulf ouviu  a tristeza  em sua voz, e viu a dor  em seus olhos.
      Involuntariamente Ranulf levantou sua mo para acariciar sua  ma do rosto, mas ela retrocedeu ante seu contato e se apartou.
      Ranulf se moveu, colocou os travesseiros detrs de suas costas e se sentou, atraindo o olhar de Ariane para  seu poderoso  torso nu e ao plo ondulando que
cobria seu peito.
      Vendo-o, ela recordou a sensao  desse peito a noite anterior quando tinha tentado afastar Ranulf, e havia sentido uma acelerao totalmente inesperada em
seu  corpo.
      - Eu no gostaria de estar condenada    virgindade  pelo resto de minha vida, ela murmurou  em um intento  de retornar a conversao  a um  assunto mais corriqueiro.
      - Condenada?
      -  uma  palavra muito  forte para definir o celibato.
      Seu escrutnio revelou um brilho de picardia.
      - No me faa pensar que lamenta que no te tenha tomado.
      Um rubor se elevou nas bochechas de Ariane.
      - Est distorcendo minhas palavras, milorde.
      - Quero filhos.
      - Se tivesse que  sofrer aos cuidados  fsicos de um marido para obt-los, ento   estou  disposta a cumprir com meu dever.
      - Sofrer? Dever?
      Uma luz divertida brilhou em seus olhos.
      - Sua  idia da cama matrimonial  muito fria.
      - Sem dvida fala de sua inocncia.
      - Se tivesse  mais experincia, saberia  que muito prazer  pode ser encontrado ainda nas obrigaes de um matrimnio.
      - E se voc tivesse menos  experincia na cama, milorde, - Ariane disse secamente, poderia valorizar corretamente o  compromisso solene da carne.
      - Ah , mas eu a valorizo, ele  respondeu.
      - Valorizo muito para me arriscar a uma unio irrevogvel.
      - Desejaria  provar seus encantos, mas no  tenho nenhuma inteno  de consolidar  nosso contrato matrimonial.
      - Nunca provar meus encantos! - Ela replicou  duramente.
      - No farei o papel de prostituta para voc!
      Um sorriso  provocador se curvou em sua boca.
      - Eu no lhe pediria isso, moa.
      - Eu gosto das moas  com mais  mel e menos vinagre.
      - Prefiro ter uma moa totalmente  em minha  cama.
      Sua provocao  fez mais que aviv-la, feriu-a.
      Ariane recorreu ao sarcasmo.
      - Como me encontra to pouco atrativa, pergunto-me por que aceitou o contrato de matrimnio.
      Ranulf se encolheu de ombros.
      - Aceitei pelas razes usuais.
      - Considerei que uma aliana com o Claredon era politicamente vantajoso.
      - E seu pai adoou o acordo com uma concesso  de terras no  sul.
      Intelectualmente, Ariane compreendia essas razes.
      Ranulf tinha sido subornado para casar-se .
      - Eu nunca desejei uma esposa, s suas terras, - ele adicionou  com honestidade brutal.
      Ariane apertou  seus dedos  para evitar que tremessem.
      No  deveria feri-la ouvir uma verdade  de uma maneira to brutal.
      Ela olhou suas mos.
      - Foi por isso  que  ainda no tinha vindo a mim?
      - Porque meu pai estava  vivo ainda,  e eu  no tinha herdado sua riqueza?
      A culpa castigou a conscincia de Ranulf.
      No  podia lhe admitir a verdadeira razo de sua  reticncia : que temia ser trado por qualquer mulher, que  temia arriscar-se a repetir a  infidelidade de
sua  me e a  retribuio violenta de seu  pai.
      - Sim, -ele mentiu.
      - Eu no  podia ganhar o  controle da  herana do Claredon at que  seu pai morresse, o que me  parecia que ia  acontecer em um  futuro muito longnquo.
      - E no achei  nenhuma razo  para me apressar a vir.
      - Ambas as partes do contrato gozaram das vantagens da aliana, sem sofrer as desvantagens.
      - E Walter no viu nenhuma urgncia em levar a cabo o contrato.
      - Mas agora tem a posse do Claredon, e j no necessita de mim.
      Ranulf apertou sua mandbula, perguntando-se   como ela conseguia distorcer a  verdade para faz-lo ficar como o vilo,  quando ela mesma tinha causado  este
desenlace, desafiando o rei, liberando a um prisioneiro da coroa, e apoiando a rebelio  de seu pai.
      - No tenho  obrigao de  honrar um pacto com  um traidor do rei, - ele respondeu em sua prpria defesa.
      Ela levantou seu olhar.
      - Eu gostaria de conhecer suas intenes, meu senhor.
      - O que acontecer comigo?
      Ranulf franziu o cenho.
      - Se seu pai for culpado, voc ser tutelada pela coroa.
      - Seu matrimnio ser decidido pelo rei.
      - Mas por agora, eu devo te manter  como uma prisioneira poltica.
      Fez uma pausa.
      - No pode ignorar seu  valor para Henry como refm, ou o fato que sua deteno   talvez far que a rebelio termine logo...
      A explicao de Ranulf ficou sem completar,  medida que ele recordava qual a  situao.
      Por que estava permitindo que lhe fizesse sentir culpa por executar seu dever ou piedade por sua situao?
      Deveria  saber pelas recentes  aes de traio  que no  podia  permitir-se suavizar-se com  ela.
      No  podia baixar a guarda.
      -   minha  prisioneira, para fazer com voc o que queira,  moa.
      Ante a dureza  repentina de seu  tom, Ariane cravou suas unhas  nas palmas de suas mos.
      Como podia ser em um momento delicado e razovel, e  frio e desumano ao seguinte?
      Mas ela no significava nada para Ranulf alm de uma inimiga.
      E quando ele tivesse terminado de satisfazer-se  com ela, cas-la-ia com algum vassalo agradecido ou a despacharia a um convento.
      Virgem Maria!, - como tinha podido ter sonhos romnticos a respeito dele?
      - Se planeja  me castigar,  desejaria  que o fizesse de uma vez.
      A observava   atentamente, sua expresso era enigmtica.
      - No momento considero que deve pagar por sua rebeldia, - ele  disse finalmente, - esse pagamento vir quando eu o ditar.
      - Como te  informei ontem  noite, no pode  influenciar seu destino.
      - O que... quer dizer?
      Quo sincero devia mostrar-se ? Ranulf quis saber. Apesar da desconfiana justificvel contra  ela, apesar de que era sabido ser precavido, a  cooperao dela
seria til em uma transio  bem-sucedida de poder.
      Com o apoio  da antiga ama, a gente do castelo o aceitaria como o Lorde mais rapidamente, talvez at mais pacificamente.
      Entretanto  no desejava dar a Ariane a impresso de que ela podia explorar sua vulnerabilidade para sua vantagem.
      - Eu  desejo sua cooperao  em relao s pessoas do Claredon.
      - Eu gostaria de contar com a boa vontade deles.
      - Dos cavalheiros de seu pai espero que se rejam por um cdigo de honra, mas no espero o mesmo dos aldeos e os homens livres.
      - No quero que fiquem contra mim, no quero uma  rebelio interna .
      - Uma  guerra interna em uma fortaleza  nunca  benfica, e  no  tenho inteno  de desgastar a meus homens em lutas  desnecessrias.
      - Claredon  no  sua propriedade ainda.
      - Meu pai  no foi condenado, nem sequer teve um julgamento.
      - No  o Lorde  aqui, ainda.
      Recorrendo controle que ele mesmo se ensinou to  impiedosamente, Ranulf forou-se  a moderar sua resposta.
      - Sou o Lorde  aqui, por ordem  de Henry.
      - Eu controlo este lugar, moa.
      - E o que  meu , eu o conservo.
      - Ento  pode conserv-lo sem minha ajuda.
      A  raiva obscureceu  seu rosto. Ela no  se dobraria facilmente, Ranulf se deu conta.
      Sem advertncia, empurrou os lenis.
      Sobressaltada, Ariane saltou  a seus ps, olhando-o  alarmada.
      - Se desejas conservar sua virtude virginal, - ele  disse ironicamente, - sugiro que te d volta.
      - Me vou vestir.
      Abruptamente, ela  fugiu  a um rinco  distante do  quarto.
      Sorrindo, Ranulf saiu  da cama e  caminhou nu para a  porta.
      Abrindo-a, gritou a seu escudeiro.
      Logo  cruzou o quarto at o banco onde tinha sido  despido a noite anterior, ele ficou  com  roupa interior e a  amarrou   cintura.
      - Tem dois dias para decidir sua postura, - disse a Ariane com calma forada.
      - Montarei ao Wyclif esta manh e devo permanecer l ao menos uma noite.
      - Em minha  ausncia  deixarei a meu vassalo  Ivo do Ridefort, ao comando da fortaleza.
      - Voc permanecer confinada aqui at o momento em que  tenha seu juramento solene de que me aceita como seu Lorde.
      - No lhe darei isso.
      Com esforo , Ranulf conseguiu entender que a moa necessitava com urgncia  de uma mo forte que aplacasse  seu desafio, e ele teria que ser essa mo.
      Estava  determinado a conquistar sua vontade e o faria,  uma vez que encontrasse  um mtodo eficaz para tratar sem recorrer   violncia fsica.
      At agora nada parecia ter funcionado.
      Mas  dois dias lhe fariam ganhar tempo para  decidir o mtodo.
      - Enquanto isso, - ele  continuou  como se no  tivesse ouvido   sua interrupo, pode gozar da  liberdade  dessa habitao.
      - No ordenarei que lhe amarrem, e sua criada poder  te atender.
      - Sua generosidade me assombra, milorde.
      - Tome cuidado, moa. Minha  pacincia est gastando.
      - Sim? Suponha  que  deveria estar tremendo de medo? - ela  respondeu .
      Ranulf lhe lanou  um olhar escuro.
      - Deveria ser mais  sbia. Posso te infligir muita dor.
      - No  tenho a  menor dvida.
      - No  esperaria outra coisa  de um bruto.
      - Bruto?
      Ele levantou suas sobrancelhas negras ante a  acusao  injusta.
      Tinha tido grande cuidado em trat-la gentilmente, de fato com muito mias cortesia do  que merecia.
      Entretanto  era idiota ao deixar-se provocar, Ranulf se deu conta.
      Deixar que  suas provocaes o fizessem perder o controle  s lhe daria a vantagem na batalha.
      Sacudindo a cabea, Ranulf lanou  uma risada spera e  forou a relaxar seus msculos rgidos.
      - Feri-te, minha  lady? - Conseguiu  responder neutramente .
      - No . . .  Mas tampouco me mostraste o mnimo respeito.
      - Perdeu esse  direito com seu desafio.
      - Sua posio  agora  no   mais alta  que a de  um servente.
      Ariane lhe devolveu um olhar fulminante, mas teve que usar toda sua fora de vontade para no retroceder quando ele avanou para ela.
      Ele a olhou com seus olhos de  falco muito inquietante  com sua intensidade .
      -Submeter-te- para mim, moa, - ele  prometeu.
      - Chamar-me-  de meu amo e milorde.
      Reunindo cada grama de coragem que possua, Ariane levantou seu queixo  desafiantemente.
      - Pode ser o Lorde aqui, Lorde Drago, mas  nunca, nunca ser meu amo.
      Um sorriso lento de repente se desenhou em  seus lbio , um perigoso sorriso de lobo que deu um mau pressgio a  ela.
      - Tome cuidado , moa. Tenho muitas vontades de aceitar o desafio de te domar.
      - Penso que  poderia encontrar  prazer nessa tarefa.
      Ariane o observou com um olhar letal, que Ranulf decidiu  ignorar enquanto dava volta  para lavar-se com a gua da fonte.
      Quando seu escudeiro  entrou carregando uma bandeja, ele  tomou caf da manh que consistiu em um pedao de po e carne de veado fria e uma taa  de vinho.
      Logo seu escudeiro  o ajudou a colocar sua armadura.
      Finalmente Ranulf olhou de esguelha a  Ariane.
      - Quando voltar, concluiremos nossa discusso.
      - Sugiro  que  considere com cuidado sua resposta.
      Sem  outra  palavra, colocou o elmo  cnico que cobria grande parte de seu rosto.
      Logo girou e abandonou a habitao, seu  escudeiro detrs dele.
      A  porta de  madeira  se fechou detrs deles com uma  golpe forte, e  Ariane pde ouvir o som de uma barra de ferro travando a porta.
      Sozinha, olhou fixamente a porta.
      Tinha-a encerrado.
      Logo que  podia conter sua frustrao.
      Podia ver rasgos de seu pai no Ranulf.
      Podia aceitar a ira  legendria do  Drago Negro mas no  que a tratasse como a uma servente.
      Murmurando insultos entredentes, Ariane foi a uma das janelas e abriu o portinha.
      As janelas desse solar tinham vidros, e  de sua posio ela podia ver as terras do  castelo mais abaixo.
      Uma tropa de cavalheiros e  de arqueiros usando cota de malha e escudos  de couro esperavam ao Lorde do Vernay no ptio  interno, enquanto seu estandarte
de seda cor escarlate com um drago rampante flutuava como  a brisa.
      Momentos mais tarde, viu Ranulf cruzando o ptio e dirigindo-se a seu grande  cavalo negro.
      Depois que ele estava montado e tinha aceito as armas que lhe passou seu escudeiro, ele tinha uma aparncia letal.
      Ranulf esporeou seu cavalo, e  sob a bandeira do drago, conduziu o grupo de homens  atravs  dos portes  internos.
      Atravessaram o ptio  exterior em um galope tranquilo e logo cruzaram a  ponte levadia  do  castelo.
      Ariane os observou  at que se perderam de vista.
      Finalmente os sons  da vida diria  do castelo tinham  retornado  normalidade.
      Os grunhidos dos animais  em seus currais, o tangido do martelo do ferreiro, os gritos dos falces em suas jaulas, nada era  diferente do castelo sendo regido
por  seu pai, antes da chegada do  Drago Negro.
      A vida seguia sendo como a de antes, apesar  da  mudana de lorde.
      Para todos exceto para ela, pensou Ariane  com desespero.
      Agora era refm de Ranulf, confinada a esses aposentos  como qualquer criminoso nobre.
      Eles eram inimigos jurados, apanhados em uma batalha de vontades que no tinha que perder.
      Havia muitas coisas em jogo.
       Muitas vidas dependiam  dela.
      Girando sua cabea para o este, viu o sol saindo.
      Ariane olhou os campos semeados e os prados verdes agora, seus olhos se perderam no  bosque mas distante.
      -Me, desejaria que estivesse aqui para me guiar.-
      Mas  sua  me  no  estava ali, Ariane se recordou  .
      Nem seu pai.
      Devia resolver esse terrvel dilema com seus  prprios recursos . De algum modo, de algum jeito, tinha que vencer ao  Drago Negro e  recuperar Claredon.
      Sendo uma mulher tinha que lutar com as poucas armas que tinha   mo, mas derrotaria ao Ranulf do Vernay embora lhe custasse seu  ltimo flego de vida .


















      Captulo 6



      No meio da tarde do seguinte dia, Ranulf cavalgou com seus cavalheiros e seus soldados para  o Claredon, muito  satisfeito com seus lucros  recentes.
      Os portes de madeira do Wyclif lhe tinham sido abertos sem uma batalha, e tinha tomado  controle da propriedade do Walter com facilidade. Muitos dos vassalos
tinham jurado fidelidade a seu Novo Lorde, e aqueles  que se recusaram, agora deveriam ser resgatados  por suas famlias atravs do pagamento.
      A submisso  do Claredon estava desenvolvendo-se como tinha  planejado.
      Exceto por um detalhe pequeno, Ranulf?
      Amargamente lady de Claredon.
      Sua ex-prometida.
      Como lutar com Ariane era seu dilema maior.
      Ainda sentia ressentimento pelo  desafio dela, mas por outro lado  involuntariamente tendia a suavizar-se com ela.
      Uma loucura total, Ranulf pensou com exasperao.
      Ariane no tinha mostrado arrependimento ou a mais ligeira  submisso.
      Embora  sua negativa a acovardar despertava  sua admirao, no  podia permitir que ela no fosse castigada, no se pretendia  manter a disciplina entre a
gente do castelo.
      Mas, como castig-la?
      Escolher um castigo  proporcional a seus crimes no era o  problema, mas encontrar um castigo que no lhe pesasse na conscincia, sim o era.
      Mas at, ele no desejava seguir brigando com ela.
      Queria uma transio de autoridade pacfica, e para isso necessitava de Lady Ariane.
      Embora odiasse admiti-lo, ela esquentava seu sangue como nenhuma mulher o tinha feito em anos.
       um idiota por  deix-la   jogar com suas emoes.
      Agora mesmo ela devia estar tramando para obter sua queda.
      Mas Ranulf sentiu que seu pulso se acelerava com antecipao enquanto via   os muros cinzas do Claredon  distncia.
      Teve que controlar sua ansiedade mas seu cavalo detectou  sua excitao.
      A boca de Ranulf se curvou com desdm para si mesmo.
      Estava  muito ansioso por retornar a seu castelo e por enfrentar a jovem e desafiante beleza que o esperava.
      De fato ela tinha ocupado muito seus  pensamentos esses dias.
      Quando  ouviu  uma garganta sendo esclarecida ao lado dele, Ranulf girou  para achar Payn, um sorriso divertido se curvava em  sua boca debaixo de  seu elmo
metlico.
      - Deveria ter provado as moas de l .
      - Havia uma ruiva mida  que poderia ter tentado ao seu paladar delicioso.
      Ranulf deixou acontecer a observao.
      Payn sabia que ele mesclava  prazer devendo.
      - Deitou-te com a  lady?
      A cabea de Ranulf girou abruptamente.
      - Quem?
      - No me ocorre outra  mulher que possa ter sua  mente ocupada dessa maneira e fazer se esquecer de seus companheiros de armas.
      - No falou nenhuma palavra na ltima hora.
      - Refiro a sua prometida, naturalmente.
      - No a  toquei, - Ranulf disse sombriamente.
      -  o que pensei. Est de mau-humor.
      - Poucas pessoas  podiam provocar ao Drago Negro sem temer sua retaliao.
      Mas  Ranulf e  Payn se criaram juntos desde meninos no mesmo castelo na Normandia.
      Payn conhecia  seus segredos mais profundos e compreendia os demnios que dirigiam sua conduta .
      - No  somente meu pnis o que me causa dor, - Ranulf replicou  secamente.
      -  a conduta dela . A moa continua me desafiando.
      - Se quiser, posso me encarregar dela.
      - Voc no seria o primeiro  cavalheiro em reclamar a uma refm  nobre como um trofu  de guerra.
      A boca de Ranulf se curvou.
      - Obviamente no conhece bem as  leis da Igreja, de outro modo  saberia  que se a tomo  como voc aconselha isso, ela  se converteria em  minha  esposa de
verdade .
      - E te asseguro que ter uma esposa  traidora   meu desejo mais remoto.
      - Ela   bonita, deve admiti-lo.
      Ranulf grunhiu.
      - H flores  de  uma beleza enganosa, pois pertencem a uma planta cujo  veneno  mortal.
      Fez uma careta.
      - Pensei que estava comprometido com uma moa doce e malevel, entretanto esta moa tem  uma lngua como uma faca e  to obcecada como uma mula.
      - No se render.
      - Alm disso   perigosa, no se pode confiar nela.
      - Encerra-a no calabouo e te esquea do problema.
      -  uma dama, - Ranulf respondeu com frustrao .
      Rindo por dentro, Payn sacudiu a cabea.
      - Que mau  drago .
      - Vi-te tratar sem piedade aos   inimigos, mas  com uma  moa  no  tem   mais fora de vontade que um  gato mulherengo.
      - Te aconselho endurecer seu corao,  milorde, para que lady Ariane  no confunda sua compaixo com debilidade.
      - Sim, - Ranulf concordou.
      - Devo lhe mostrar quem  o amo e  quem  a refm.
      - Tambm  poderia mandar trazer sua amante rabe  da Normandia  para te satisfazer e  para manter  a lady Ariane fora de sua mente.
      Ranulf riu ante essa sugesto to provocadora, seu bom humor tinha sido restaurado por Payn.
      Embora  no era sua nica amante, Layla era a  melhor de todas.
      Mas tinha que tomar cuidado de no lhe demonstrar o muito que gozava de seus servios, porque no queria que ela tomasse vantagem de sua debilidade.
      Por essa razo, no  trazia Layla durante suas campanhas militares.
      - No poderia me dar o luxo de mandar cham-la, - Ranulf respondeu  secamente.
      - Como tratar a sua ex-prometida, ento? - Payn perguntou.
      - No sei.
      Ranulf se calou, contemplando seu dilema.
      A menos que encontrasse uma soluo  eficaz, Ariane podia terminar sendo   um espinho em seu flanco.
      Possessivamente Ranulf observou a fortaleza de pedra que se erguia   distncia.
       Talvez  tivesse se equivocado em no vir a Inglaterra antes... embora tivesse tido que casar-se com Ariane, embora era certo que ele  no teria podido reclamar
Claredon como dele, enquanto Lorde Walter estivesse vivo.
      O castelo era seu  agora, por decreto do rei.
      A posse  de Claredon significava muito  mais do que ele queria admitir.
      Pela primeira vez em sua vida, seu  futuro continha uma promessa de paz.
      Tinha a possibilidade de comear de novo  aqui.
      Este lugar  no  era Vernay, com seu legado de dio e de tortura.
      Claredon era uma propriedade prdiga, digna de um grande lorde e ele  queria ser digno dessa propriedade.
      Ranulf sentiu que a esperana crescia dentro dele enquanto contemplava os ricos  campos.
      Nunca se permitiu ansiar semelhante  providncia, exceto talvez nos rinces  secretos de sua alma.
      Ainda agora sua boa sorte podia provar ser efmera.
      O rei  Henry o favorecia  agora  porque tinha  lutado incansavelmente para apoiar seu governo, mas em qualquer momento Henry  podia lhe tirar as honras e
retorn-lo  ao status de bastardo .
      At  ento  ele planejava tomar posse da  residncia em Claredon.
      Apropriar-se-ia do  prmio que lhe  tinha sido  concedido.
      Queria  ser um lorde  justo, Ranulf pensou  com um anseio estranho nele .
      Lady Ariane podia ter muita  influncia em  sua capacidade para  governar essa fortaleza.
      Sem sua cooperao, podia ver-se forado a tratar duramente s pessoas  do Claredon.
      Sua ex-prometida podia lhe causar inumerveis  problemas.
      -Terei que  ceder em   algo,- Ranulf murmurou  quase para si mesmo.
      - No perderei este lugar.-
      - Talvez   deveria considerar uma estratgia diferente, - Payn comentou.
       - Como disse, sua refm   uma dama e membro do  sexo dbil e portanto  suscetvel de ser  persuadida.
      - Por que no usa seus talentos legendrios?
      - Talentos?
      - Se algum  pode seduzir a uma mulher para que se  renda, esse seria voc, Ranulf.
      - De fato, no precisa  consumar o  compromisso .
      - E sem dvida encontraria o desafio de dom-la altamente  prazenteiro.
      - Seduo? De Ariane?
      Ranulf se calou   ante a  sugesto.
      Na verdade, j tinha considerado esse plano, embora  no  seriamente.
      Mas talvez ele deveria  trocar sua estratgia para  ganhar sua cooperao.
      Sabia como persuadir a uma mulher para que obedecesse a seus pedidos...
      Lady do Claredon podia provar ser um desafio muito  maior do que ele podia dirigir.
      Ariane lhe tinha respondido com fria indiferena ou com  desprezo.
      Na verdade, se  seu desprezo  no lhe doesse at  poderia  encontr-lo gracioso.
      No Vernay as moas brigavam por ocupar um lugar em  sua cama, mas essa no era a atitude de Ariane.
      Ranulf riu internamente.
      Se ele  tivesse alguma  vaidade  sobre seu xito com as  mulheres, Ariane a faria desaparecer em segundo.
      Mas Ariane era sua refm, estava sob seu controle, o que lhe dava  uma vantagem sobre ela.
      E sem planej-lo, ele tinha  criado o cenrio ideal para um jogo de  seduo.
      For-la a compartilhar sua cama no  tinha  que ser um castigo , a no ser um  meio para  ganhar sua rendio .
      Verdadeiramente ela poderia  resistir  seduo  se ele se propunha  ganhar  dama?
      Sua boca se curvou  em um sorriso. Como gostaria de derrubar essa fachada Gelada e desdenhosa  dela.
      Como gostaria de  provar que podia derreter seu  desprezo altivo.
      E se tinha, os benefcios seriam imensos.
      - Claro que  posso pr minhas habilidades a prova, - Ranulf respondeu  pensativamente.
      Logo que havia dito essas  palavras quando  sua vista captou um  movimento na vegetao.
      Tinham  cavalgado ao longo de um caminho  flanqueado por rvores, mas  Ranulf  tinha prestado pouca ateno aos arredores.
      De repente uma flecha assobiou passando ao lado de sua cabea, seguida por um guincho enquanto um de seus  arqueiros era acertado em seu peito.
      - Por Cristo! uma emboscada! - Ranulf rugiu.
      Ranulf extraiu sua espada.
      Com os reflexos aguados pelos anos de batalhas, deu volta seu  cavalo e entrou no  bosque onde os atacantes estavam escondidos, com o Payn  galopando detrs
dele.
      Uma chuva  de flechas saram  disparadas das  rvores  com inteno mortal, mas  os homens do Ranulf entraram  diretamente em  batalha, contra  uma horda de
arqueiros e de camponeses liderados por cavalheiros que vestiam cotas de malha.
      O  bosque se encheu de sons de flechas assobiando e rangidos de espadas intercambiando golpes .
      Ranulf despachou a um arqueiro, enquanto  Payn baixava a um rebelde de uma rvore com sua lana.
      Captando a imagem de um cavalheiro a cavalo  que gritava  ordens  aos rebeldes, Ranulf identificou ao inimigo que obviamente era o  lder.
      Suas espadas se entrecruzaram, e  Ranulf mostrou seus dentes com um  sorriso de lobo, a sede de  sangue rugia  em suas veias.
      Estava encurralando o lder quando ouviu  um grito  rouco  a sua direita.
      - Milorde, atrs de voc!
      Ele girou a cabea, mas no  a tempo, um campons o atacou ferozmente, usando um tridente a modo de lana.
      Ranulf sentiu as pontas do tridente atravessar a cota de malha  e enterrar-se entre suas costelas.
      Dando um grito de guerra se contorceu sobre os arreios, lanou sua espada para frente, quase partindo o homem em dois.
      Respirando com dificuldade, Ranulf se inclinou sobre o pescoo de seu cavalo.
       Quando olhou a seu redor, percebeu que a luta quase tinha cessado.
      Seus homens  controlavam a situao, Ranulf notou com satisfao .
      Os rebeldes tinham sido vencidos, e um bom nmero deles jaziam no cho , mortos  ou morrendo, mas o lder tinha escapado, levando  o resto da fora rebelde
com ele.
      Payn deu a ordem de perseguir o inimigo que  fugia, e  quando alguns dos homens  do Ranulf galoparam para obedecer a ordem , ele  incitou a seu cavalo  a aproximar-se
de seu lorde.
      O bosque estava harmoniosamente  quieto, exceto pelas respiraes ofegantes  dos  cavalos e seus cavaleiros.
      - Est sangrando, - Payn observou.
      Ranulf sacudiu a cabea, suas feies se obscureceram com fria.
      - Viverei.
      - E isso  mais do que posso  dizer deste pobre companheiro.
      Um dos arqueiros jazia no  cho do bosque, uma flecha tinha  encontrado  seu alvo mortal no  centro de seu peito.
      Mas logo viu outro corpo.
      - Burc...
      Ranulf desmontou rapidamente e  se ajoelhou  ao lado  do moo, inspecionando com cuidado a flecha  que sobressaa de  seu  ombro sangrando.
      Seu escudeiro gemeu outra vez, olhando-o  com os  olhos cheios de dor.
      - Imploro-lhe seu perdo, milorde.
      - Foi estpido de minha parte...
      - Silncio, moo.
      - No  tente falar.
      - No deve se culpar.
      Ranulf amaldioou outra vez, esta vez para si mesmo.
      S devia culpar-se por sua prpria  negligncia, por permitir que seus  pensamentos se distrassem  por uma moa de cabelo acobreado.
      Tinha conduzido  a suas tropas diretamente a uma emboscada .
      Atormentando-se, embainhou sua espada.
      Ignorando suas prprias feridas menores, dobrou-se e  levantou com cuidado a seu escudeiro em seus braos e deu  a um vassalo  cavalo a ordem   de ir ao Claredon
imediatamente e  procurar a  seu cirurgio .
      Felizmente  o moo desmaiou e  sentiria pouco o traslado .
      Ranulf s podia esperar que o moo permanecesse  inconsciente quando a flecha fosse removida e  que a cabea de ao envenenada pudesse ser extrada completamente.
      Tinha visto  mais homens  do que desejava  contar morrer por  feridas de flechas  envenenadas.
      Sentiu  um grande  cansao  descer sobre ele enquanto  observava a seu escudeiro sendo carregado.
      Uma fria mortal o invadiu.
      Por Deus! Seu grupo tinha sido  atacado por camponeses armados com  tridentes e liderados por cavalheiros rebeldes.
      A imagem da cara do Simon veio a sua mente, seguida rapidamente por sua cmplice: Ariane do Claredon.
      - Matamos cinco e tomamos dois prisioneiros, ambos esto feridos, - Payn lhe informou.
      - O lder parece ser um cavalheiro.
      - Quantos escaparam?
      - Uma dzia, acredito.
      - Leva os prisioneiros ao Claredon, Ranulf requereu  sombriamente, e prenda-os no  calabouo.
      - E te ocupe de  seus camaradas mortos tambm.
      - Sabe o que deve fazer.
      - Sim,  milorde.
      - Os corpos dos rebeldes mortos  seriam exibidos nos muros do castelo, para servir como  exemplo a outros.
      Seus inimigos aprenderiam a futilidade  de desafiar ao  novo Lorde do Claredon.
      - Payn, quero patrulhas regulares vigiando o exterior do castelo.
      - Como queira.
      - No temas, milorde.
      - Apanharemos aos rebeldes.
      - O desafio no servir para  ganhar nada.
      - Sim, descobriro o que uma rebelio traz, - Ranulf disse obscuramente enquanto ia para seu cavalo.
      O sino da capela logo que tinha  anunciado a hora das preces matutinas  quando a porta de madeira do solar foi aberta com um golpe.
      Ariane se sobressaltou com o  rudo , embora tinha sido alertada antes da  chegada do Ranulf pelo assobio do guardio do porto  que assinalava a aproximao
dos cavalheiros.
      Tinha observado com temor os corpos de vrios homens sendo puxados  dos cavalos e sendo empilhados no cho.
      Um de seus piores medos aparentemente estava ocorrendo: as pessoas  do Claredon estavam  sofrendo a  ira impiedosa do  Drago Negro.
      Seu corao subiu a  sua garganta enquanto observava a figura poderosa e  ameaadora na entrada.
      O elmo cnico escondia a maior parte do rosto de Ranulf, entretanto o brilho feroz de seus olhos se cravou nela, enquanto sua boca dura apertava-se com fria.
      - Espero que esteja   satisfeita  com a rebelio que agitou, - ele disse  firmemente enquanto fechava a  porta detrs dele.
      - O que ... O que quer dizer?
      - Fomos apanhados em uma  emboscada  no caminho de volta  do Wyclif.
      - Um de meus homens foi morto e meu melhor escudeiro foi ferido  gravemente.
      - Tirou seu elmo que tinha um  grande amassado no lado esquerdo, como se fora produto de uma pancada de espada.
      Um golpe to capitalista poderia hav-lo matado, pensou Ariane com horror.
      E havia restos de sangue na cota de malote.
      Evidentemente Ranulf tinha sido  ferido na luta.
      Lanou o elmo sobre uma arca sem tirar seu olhar desumano   dela.
      - Aconselho-te que no esteja  muito  satisfeita com seu trabalho, moa.
      - Dois dos vassalos de seu pai esto  no  calabouo do Claredon, um deles tem a fila de cavalheiro.
      - E cinco de seus serventes jazem   mortos no ptio.
      - Suas mortes pesam  em sua  conscincia.
      - Cinco? Me  de Deus...
      Seu corao se apertou com horror.
      - Sim, cinco.
      - V  agora  o que sua traio causou?
      - Minha... Minha...?
      - Ajudou ao  cavalheiro Simon a escapar, e ele  atacou minhas tropas, o que resultou em uma massacre.
       Ariane levou uma mo a sua  tmpora.
      Mais cedo tinha conseguido dormir depois de muitas noites em claro, e sentia sua  cabea enjoada pela fadiga, logo que  podia  pensar.
      - Est seguro que era Simon?
      - O que importa quem conduzia o  ataque? - Ranulf replicou.
      - Seu desafio  incitou a seus seguidores a levantar-se  contra  mim.
      - Sinto-o...
      - Nunca quis que  algum  sasse ferido.
      Sua desculpa  caiu em  ouvidos  surdos. As feies rgidas de Ranulf no  mostraram  nenhum sinal de perdo  enquanto tirava a malha metlica de sua cabea,
expondo seu cabelo escuro e mido de  suor.
      - Sua tristeza  no devolver a vida de  meu arqueiro, nem  ajudar  a meu  escudeiro  a recuperar-se de suas feridas.
      Ariane tragou em seco.
      - Eu sei  algo sobre a arte de curar.
      - Seu escudeiro... Permitir-me atend-lo?
      - Para  reparar de algum jeito... ? - Ranulf sacudiu a cabea.
      - J tem feito bastante dano, minha  lady.
      Ela mordeu o lbio, perguntando-se como podia esperar encontrar  piedade nesse homem duro e  desumano, particularmente quando estava  ultrajado  pelo  massacre.
       Paralisada com temor, ela  se moveu  para parar diante dele.
      Reunindo sua coragem, colocou uma mo sobre sua cota de malha, embora ele se apartasse como se seu contato lhe queimasse.
      - Os homens  que morreram... Poderiam  lhes permitir um enterro apropriado?
      - No  recebero essa honra.
      - Seus corpos permanecero    vista como um exemplo para aqueles que se atrevam a levantar-se contra mim.
      - No, isso  brbaro.
      - No pode...
      - No posso?
      Os  olhos do Ranulf se estreitaram  ferozmente.
      - No  ponha a prova  minha pacincia, mulher.
      - Eu  poderia esmagar seu pescoo  em um instante.
      Ela sabia que dizia a verdade.
      Podia lhe tirar a  vida  com facilidade.
      Mas no podia ceder sem tentar persuadi-lo a ter clemncia.
      - E os prisioneiros? - ela ofegou.
      - O que acontecer a eles?
      - Por sua traio, pagaro com suas vidas.
      Ela o olhou com angstia.
      - No... por favor... lorde Ranulf
      - No tem nada de compaixo?
      - No pode mostrar um pouco de piedade?
      - No  tenho nenhuma piedade  para os traidores.
      - Rogo-lhe isso ...
      - Basta de pedidos, mulher! - ele  rugiu.
      - No  serei manipulado!
      Apartando-se de sua fria violenta, Ariane inclinou  sua cabea.
      - Imploro-te humildemente seu perdo, milorde.
      Um msculo na mandbula de Ranulf se esticou com  sua clara  tentativa  de manipul-lo e  isso estimulou sua raiva.
      Por Deus, ela  parecia  determinada a empurr-lo ao limite.
      Ainda agora se recusava a render-se.
      - No  pode  permitir-me pedir por  suas vidas ao menos?
      Tinha estado  a ponto de lhe responder violentamente, mas notou algo.
      Este era seu primeiro sinal  de debilidade.
      Seria um idiota se no aproveitasse a oportunidade, Ranulf se deu conta.
      Necessitava de sua  cooperao para conseguir seus objetivos.
      At esse momento Ariane tinha respondido com desafio e  desprezo a todas seus   pedidos de ajuda para assumir o controle da fortaleza, julgando-o como  um
usurpador.
      Se podia ganhar seu apoio, embora fosse de modo reticente, as pessoas do Claredon o aceitariam mas rapidamente como o lorde e ganharia  sua lealdade mais cedo.
      - O que me  oferece em troca?
      - Eu... No tenho nada para te dar, - Ariane respondeu.
      - Voc se apropriou das coisas que eram minhas quando tomou Claredon.
      - Seu juramento de fidelidade.
      - Ela o olhou  com confuso.
       -Jurar lealdade a Henry? - Ranulf exigiu, - e me aceitar como seu Lorde?
       - Sabe  que no posso.
      - Minha fidelidade  para  meu pai.
      Ranulf amaldioou entredentes  por sua obsceo.
      - Sob as circunstncias atuais, no tem nenhuma razo para te considerar comprometida com seu pai.
      - Talvez... mas no o abandonarei.
      - Perderia as  vidas de seus vassalos?
      Uma dor se instalou em  sua garganta, e ela podia forar as palavras de negao pelo n de angstia.
      - No...,  o que quer de mim?
      - Quero seu juramento solene, moa.
      - Jurar  manter sua fidelidade para mim, e te submeter a minha autoridade sem questionamentos.
      - No machucar aos  prisioneiros se me submeter?
      Ranulf olhou  fixamente seu rosto bonito,  seus olhos luminosos cheios de  lgrimas, e  algo dentro dele se abrandou , como a cera se derrete com   uma chama.
      Tinha  que admirar sua coragem.
      Ela no suplicava por si mesma nem agora nem em nenhum momento desde que a tinha tomado como refm, s  pelos  homens  de seu  pai.
      - No  permitirei que saiam disto sem serem castigados, moa.
      - No  s se atreveram a  desafiar  minha  autoridade, mas tambm me  custou a vida de  um homem bom, e talvez a de outro.
      - Mas aceitarei perdoar as vidas seus homens.
      Ariane estudou as feies  duras do Ranulf, e se deu  conta que no ganharia nenhuma outra concesso; ele estava muito  zangado pelo massacre sem sentido.
      No seria prudente pression-lo mais.
      Ela sabia o que sua me lhe  aconselharia nesse caso: uma rvore que se dobrava com o vento sobrevivia  tempestade, enquanto que uma rvore forte e rgida
se quebrava.
      Por hora teria que dobrar-se, teria que ganhar tempo.
      No  havia nenhuma vergonha em aceitar tal trato com o fim de impedir mais mortes.
      - Muito bem, - Ariane disse com tranquilidade.
      - Eu te dou meu juramento  solene de  me submeter a seus desejos.
      Ranulf sacudiu a cabea.
      Ela parecia to inocente, seus olhos grandes e cheios de arrependimento.
      Entretanto  no  podia permitir que ela sasse  totalmente impune.
      No lhe tinha  dado outra coisa que  traio.
      E tinha causado a morte, embora fosse indiretamente, de meia  dzia de homens e quase  tinha matado a seu escudeiro, um moo  valente que s tinha demonstrado
lealdade e devoo .
      - No to  rpido, moa.
      - No  permitirei que te escape do castigo  to  facilmente.
      - H outras circunstncias que considerar.
      - Outras circunstncias, milorde?
      - Dirigir aos aldeos seus  vassalos, me proclamando como o Lorde  do Claredon.
      - Oferecer-me- seu reconhecimento em pblico, aceitando claramente como seu Lorde.
      - Mas... As mulheres no  podem fazer esse reconhecimento em pblico.
      - Ser um gesto simblico, somente isso.
      - Reunirei a sua gente para que sejam testemunhas de sua submisso, e voc vir  mais que  disposta.
      - Farei o que  desejas.
      - Isso   no  tudo. Estar a meu servio  daqui em diante.
      - Meu escudeiro foi ferido como consequncia de suas aes, ento voc   assumir seus deveres.
      Atender-me- como meu criado pessoal, executar todas as tarefas que so  requeridas a  ele,  at que ele esteja em condies de sade para  retomar  suas
responsabilidades.
      Ariane assentiu  lentamente.
      Sem dvida  era inteno de Ranulf que ela demonstrasse sua submisso forando-a  a jogar o papel de criada em pblico, mas  no  era um preo muito caro para
pagar, no  se com isso  salvasse as vidas de sua gente.
      - Ainda h  mais.
      - Exijo-te  obedincia sem o menor questionamento.
      - Voc saltar para cumprir cada um de meus  desejos, obedecer todas  minhas ordens.
      Ariane sentiu  seus dedos fechar-se involuntariamente,  mas no  se atreveu a mostrar o mais ligeiro  sinal  de rebelio.
      Ela assentiu.
      - Terei seu juramento, moa.
      Sabendo que no tinha escolha, ela inclinou a  cabea.
      - Ter, milorde, - ela  respondeu  solenemente.
      - Juro solenemente  te obedecer  em todas as coisas, te servir  como seu criado, e procurar persuadir s pessoas do Claredon para que lhe aceitem como o legtimo
Lorde.
      Ranulf olhou para Ariane, reticente a  confiar nela, e ainda  mais reticente a  confiar em seus prprios sentidos.
      Sua voz tremeu, rouca pelo alvio ou pelas lgrimas no derramadas, ele  no  estava seguro.
      Era impossvel ignorar a  compaixo que se agitou dentro dele  ou negar o  efeito despertado a cerca dela.
      Podia cheirar seu aroma, uma fragrncia sutil e doce, mistura de leo de rosas e de aroma de mulher.
      Estava muito consciente do calor de seu corpo, da tenso  constante de atrao  que flua  entre eles, dos impulsos primatas  que despertavam nele.
      Ranulf sentiu que seu membro se esticava,   tornando-se  duro e cheio e amaldioou entredentes .
      Deliberadamente deu um passo para trs para pr uma distncia  mais segura entre eles.
      Entretanto, ele franziu o cenho.
      Tinha ganho a promessa de submisso do Ariane, seu  juramento de  obedincia.
       Ento,  por que se sentia  como se ela  fosse a vencedora e ele, o  vencido?






      Captulo 7



      O  grande salo cheio de gente estava mortalmente silencioso, to silencioso que  podia ouvir o sussurro de um camundongo deslizando pela palha do piso.
      S o chiado  do  fogo na chamin de pedra a um lado do  salo  quebrava  o  silncio.
      Todos os olhos estavam focalizados nos de Lady do Claredon enquanto ela fazia seu juramento de fidelidade ao Drago Negro do Vernay.
      Ariane se ajoelhou diante de Ranulf, com sua cabea inclinada,  suas mos  colocadas sobre as dele e  jurou  lhe servir fielmente.
      Quando se levantou e  se encontrou  com seu olhar frio, o queixo dela se erguia orgulhoso.
      - Milorde, ela  disse e sentiu  como a pior das  traidoras.
      Tinha sido  sua responsabilidade defender a propriedade de seu pai, e  seu fracasso a  afligia terrivelmente.
      Com sua viso  imprecisa, ela  girou para olhar   multido, enfrentando a sua gente.
      Era a  primeira  vez que os via  depois da queda do Claredon, trs dias atrs.
      Viu compreenso e tristeza nos rostos daqueles que a tinham servido durante  toda sua vida: o Sacerdote do Claredon, o padre John, seu meio irmos, Gilbert;
as damas e as costureiras; as criadas da cozinha e as outras criadas, incluindo a  insolente Dena; os pajens e os servos.
      No viu o administrador do castelo ou outros altos  oficiais.  Sem dvida,   Ranulf os tinha encarcerado por recusar-se a aceit-lo  como o Lorde.
      - O novo Lorde  do Claredon lhes pede que deponham suas armas e que voltem para  seus deveres, - ela lhes disse  em ingls, com  uma voz que conseguiu manter
firme.
      - Ele diz que  no  haver mais derramamento de sangue se ns no causarmos mais problemas e lhe servirmos bem.
      Repetiu a  mensagem em francs para os normandos.
      Vacilando  ento, olhou de esguelha  para Ranulf, desejando que o vu  azul  de seda que cobria sua cabeleira fosse suficientemente  grande para proteg-la
de seu olhar penetrante.
      Seu rosto duro tinha permanecido  frio e  inexpressivo durante a  cerimnia  e  agora a observava  com um  intensidade  que a fazia  estremecer.
      Nesse momento pde  compreender como ele ganhou o nome e a reputao do Drago Negro.
      -  suficiente,  milorde ?
      - Por hora sim.
      - Amanh te dirigir os granjeiros e camponeses e lhe ordenar que retornem  a trabalhar a terra.
      - Quero que minhas novas propriedades sejam  prsperas.
      - Como desejar, milorde, - Ariane respondeu  brandamente, fazendo um grande esforo por manter-se obediente, recusando-se  a lhe dar alguma razo para repudiar
o pacto que  tinham feito.
      Ranulf pediu   multido que se  dispersasse para comear a refeio.
      Seus  vassalos encontraram seus lugares nas grandes mesas com cavaletes que  armaram  para as  comidas, aqueles mais influentes compartilhavam a mesa do Lorde
sobre o soalho de madeira.
      Sem que lhe dissesse nada, Ariane seguiu Ranulf a seu assento e  esperou enquanto ele se acomodava em uma cadeira de madeira esculpida.
      Levantando uma garrafa, ela serviu o  vinho em uma taa  para ele, e logo permaneceu de p  obedientemente detrs de sua cadeira, pronta  para atend-lo.
      As tarefas que lhe tinha atribudo  no  eram to difceis, ela refletiu.
      Como sua criada pessoal, devia ocupar-se de sua roupa, ajud-lo a  vestir-se, servi-lo na mesa, o qual  inclua cortar a carne e manter a  taa cheia de vinho,
e  executar as tarefas que geralmente um escudeiro desempenhava.
      Sabia  precisamente o que esperava dela.
      Atravs dos anos  tinha observado a seu pai fiscalizar o  trainhamento  dos pajens e os escudeiros, a maioria  deles filhos de nobres que eram educados em
seu castelo.
      Sua me  tinha  dirigido o pessoal  do castelo com  mo firme, e quando Ariane tinha assumido  esses  deveres quatro anos atrs, conhecia perfeitamente  cada
aspecto do  servio em um castelo.
      Era tambm   dever de um escudeiro ocupar-se da  armadura e das armas de seu amo, mas Ranulf havia dito que no confiava nela para o manejo correto desses
elementos.
      E ela era claramente inadequada para  servi-lo em aspectos  militares .
      Um sorriso  dbil se curvou nos lbios de Ariane enquanto  recordava a irritao de Ranulf um curto tempo atrs  quando lhe tinha  ordenado tirar sua armadura.
      A  careta que ela fez quando desprendeu o cinturo onde se embainhava a espada lhe tinha  ganho uma provocao, e ela tinha   mostrado ter  pouca pacincia
para esse tipo de tarefas.
      Ranulf era to alto que ela tinha necessitado subir a um banquinho  para lhe tirar a  cota de malha pela  cabea, e logo ela tinha cambaleado  sob o  peso
da mesma e  Ranulf tinha tido que sustent-la para que ela no casse.
      Ela tinha tomado uma respirao profunda quando se deu conta  que sua tnica de l  estava  empapada com sangue.
      - No te alegre muito, moa, - Ranulf comentou  secamente.
      -  um simples  arranho.
      Quando seu torso foi descoberto, Ariane pde ver que ele subestimava a seriedade de suas feridas.
      Sem dvida esses cortes no eram mais que simples arranhes comparados com as  feridas que tinha sofrido  em batalhas precedentes, mas  podiam ser perigosas
se  infectassem.
      Ela se ofereceu a atender suas feridas e aplicar uma compressa de ervas, mas  Ranulf tinha declinado a oferta, dizendo que no  confiava em qualquer remdio
que ela  provavelmente envenenasse; seu tom de voz irritado sugeria  que ele j  lamentava ter insistido em  que lhe  servisse em lugar de  seu  escudeiro ferido.
      - Encontra um pouco divertido, milady ? -
      Imediatamente Ariane se deu conta que Ranulf a tinha olhado de esguelha sobre seu ombro e a reprovava com um olhar.
      Com cuidado colocou em seu rosto um olhar inexpressivo.
      - No,  milorde.
      - No tenho  nenhuma razo  para estar  divertida.
      - nha taa est vazia; me sirva mais.
      Ela se apressou a obedecer apertando  seus dentes ante  seu  tom autoritrio, embora de maneira reticente  reconheceu a eficcia de seu estranho mtodo  de
justia.
      O papel que  Ranulf a tinha  forado a jogar  no somente com o propsito de substituir a seu  escudeiro ferido mas tambm mostrar  sua submisso.
      Servindo-o publicamente, seu povo entenderia  claramente seu poder, e  talvez compreendessem a futilidade  de desafi-lo.
      E embora  detestasse  admiti-lo, a forma de castigo que ele tinha  escolhido era, sem dvida, piedosa, Ariane sabia.
      Depois que sua tropa  tinha sido  atacada, seus homens  mortos ou  feridos, o novo Lorde do Claredon teria direito a exigir um revanche  devastadora.
      Outros lordes em circunstncias similares teriam incendiado vilas inteiras, torturando e matando mulheres e meninos em seu  desejo de vingana.
      Podia ser humilhante para algum de sua alta linhagem no ser melhor tratada  que um servente, na verdade era mortificante, mas  Ariane estava agradecida
pela  sentena de Ranulf.
      Agradecida tambm  porque lhe tinha dado a oportunidade de deixar sua priso.
      Mantendo sua cabea erguida e  seu ressentimento  escondido, Ariane esteve de p detrs do Ranulf durante toda a comida, determinada a  antecipar  cada uma
de suas  necessidades, e a no  lhe dar  nenhuma causa para que a admoestasse.
      Os serventes trouxeram bandejas  para servir como fontes e  pratos.
      Cada bandeja geralmente era compartilhada por duas pessoas, frequentemente uma dama e  um cavalheiro, mas  Ranulf comia sozinho em  sua prpria bandeja, pois
a cadeira  prxima   sua  permanecia vazia.
      Conversava tranquilamente  com seus cavalheiros enquanto comia, primeiro uma sopa densa, a seguir  carne assada, e finalmente queijos e  vinho  doce.
      Ariane suspeitava  que os pratos no  estavam sendo  preparados com o  cuidado que seriam feitos  sob seu controle,   mas o  alimento cheirava  delicioso.
      Sua prpria fome a tomou  por  surpresa, porque tinha tido  pouco apetite durante os ltimos quatro dias.
      Sentiu-se aliviada  quando Ranulf finalmente  lhe lanou  um olhar.
      - Tem permisso para comer, moa.
      Fingindo indiferena, Ariane se retirou  antes que ele  pudesse trocar de idia, e procurou  um lugar no extremo oposto do  salo, to longe da mesa do Lorde
como pde.
      Podia sentir o olhar de Ranulf cravado nela enquanto ela saudava ansiosamente ao  padre John e ao Gilbert, e  ambos ficaram de p para servi-la.
      Um moo de uns dezesseis anos, Gilbert realmente era filho de seu pai e uma camponesa.
      Por lei um bastardo, filho  de um  servente  no  podia herdar terras do patrimnio de um nobre, mas  Gilbert nunca se mostrou ressentido pelas limitaes
das condies de seu nascimento.
      Alto e magro, era obviamente inadequado para converter-se em  cavalheiro,  mas sua inteligncia rpida tinha chamado a ateno de seu pai e da esposa do Lorde,
me de Ariane.
      Realmente tinha sido Lady Constance quem  tinha tirado Gilbert da escurido e dos trabalhos brutais de  um servente, e  o tinha feito ser educado pela  Igreja,
que lhe tinha ensinado tudo o  que sabia.
      Embora  no  fosse estranho que uma dama criasse os filhos bastardos de seu marido, Constance tinha sido  excepcionalmente generosa no caso do Gilbert, pois
ela  tinha sido incapaz de dar  a seu marido mais filhos.
      Claredon,  assim como  Gilbert, haviam ganhado.
      A contabilidade  era uma ocupao  honorvel e em alta  demanda.
      Muitos nobres s podiam escrever um pouco, mas  confiavam  em seus contadores para manter a administrao.
      - Milady! - Gilbert exclamou  em um tom de voz  feroz que sobressaltou a Ariane enquanto se sentava  ao lado dela no  banco.
      Normalmente ele era um moo doce e de boas maneiras, mas  seu rosto agora estava avermelhado pela  emoo.
      - Ofende-me ver a vergonha a que esse diabo  negro te submete.
      Ela tambm se sentia ofendida, mas  pensou que era  mais sbio no  inflamar mais a irritao de seu meio irmo.
      - No  muito intolervel, - Ariane respondeu de maneira calma.
      - Ele te maltrata?
      - No  me danificou, Gilbert.
      O padre John desafiou ao jovem  para silenci-lo.
      Enquanto ela comia, o ancio  sacerdote lhe relatou os eventos dos ltimos trs dias de seu encarceramento.
      Parecia que o novo Lorde  estava em plena posse do Claredon.
      - Mas  no devemos nos desesperar.
      - Sua coragem  admirada por todos minha  lady.
      - Minha coragem?
      - Sim, por enfrentar ao Drago Negro e por ajudar ao Sir Simon a escapar. 3
      - Voc d a ns esperana.
      - Esperanas falsas, temo.
      Ela lanou um olhar ao extremo distante do  salo, onde Ranulf estava sentado  com seus homens.
      - Tudo o  que fiz foi trazer sua vingana sobre nossas  cabeas.
      - Dizem que  um demnio, -padre John murmurou.
      - Ele no faz concesses, - Ariane concordou.
      - Nosso pai saberia como dirigi-lo, - Gilbert murmurou  ao lado dela.
      Um ponto de remorso invadiu Ariane com a lembrana de seu fracasso.
      - Mas nosso pai no  est aqui, assim que devo  atuar como me parece mas adequado.
      - Seu irmo grunhiu.
      - Que mtodos perversos  empregou  para forar sua  rendio?
      - Se pulverizou o rumor de que   ameaou matando aos  prisioneiros feridos, e que voc negociou suas vidas em troca de te converter em uma servente total,
milady.
      - Ele estava muito zangado pelo ataque a  seus homens, - ela murmurou.
      - Mas abusar de voc ...  Diabo maldito! Deveria  ser aoitado por abusar de voc.
      - Ele no abusou de mim.
      - S negou meu status de lady do castelo.
      - No te converteu em sua amante?
      Ariane sentiu  um rubor  esquentar  suas bochechas, sabendo que a dvida  de Gilbert era a mesma das demais  pessoas  do  castelo.
      - No, no o fez.
      - No  deseja validar o  contrato de matrimnio.
      - Ele quer repudiar o contrato e a  mim.
      Suas palavras no acalmaram a  fria do jovem.
      -  igual, ele te desonrou com esta humilhao  pblica.
      - Se eu soubesse usar  uma espada!
      - Juro-te que o mataria neste mesmo momento!
      - Gilbert! - Ela respondeu  agudamente.
      - No deve considerar nenhum ato to impulsivo.
      - Desafiar ao  novo Lorde equivaleria a  perder sua vida.
      - No me importa!
      - No posso  permitir que te  trate  com tanta falta de respeito.
      - Ajudar-lhe-emos para que escape   abadia do Frothom, - o  sacerdote sugeriu.
      - A Igreja te amparar.
      - Simplesmente me diga que isso  o que desejas.
      Sim, - Gilbert o apoiou.
      - H  muitos aqui que arriscariam  suas vidas por voc.
      - No quero que ningum  mais arrisque  sua vida! -  Ela disse enfaticamente.
      - Mas deveria  procurar refgio, milady.
      Ariane sacudiu a cabea.
      - No posso abandonar Claredon.
      - Tenho uma responsabilidade para com as pessoas  aqui.
      - Como poderia viver se fugisse   segurana  de uma  abadia enquanto todos os que ficam aqui sofrem.
      Padre John assentiu  solenemente.
      A nobreza gozava de  uma vida de poder e de privilgio, mas  muitos nobres, como Walter e sua filha, acreditavam  que essa posio  suporta obrigaes .
      - Quanto ao  futuro,  no  oferecero   resistncia alguma.
      - Lorde Ranulf matou e feriu a muitas pessoas j, e  no quero mais mortes sem sentido.
      - Teremos  que ganhar  tempo at que  meu pai  retorne...
      Ariane vacilou, mas se  forou  a continuar.
      No  desejava despertar falsas  esperanas, entretanto  era seu dever confortar a  sua gente assim como  proteg-los.
      - No devem  perder a  f.
      - Lorde Walter  ainda pode  ser declarado  inocente.
      - Deve  enviar alguma mensagem, padre John.
      - No  devem ser feitas mais emboscada aos  homens  de Lorde Ranulf.
      - Ele  o Lorde agora, e deve ser reconhecido como tal.
      - Sim, minha  lady. Embora  v  contra o sentimento da gente  aceitar a um Lorde to  cruel.
      - Ele no foi  cruel, - Ariane respondeu  ressentidamente.
      - Seu castigo  pela emboscada  de hoje no foi  excessivo. Pode ser barbaresco exibir os corpos de seus inimigos mortos, mas ele  tem   direito a isso.
      - Mas, milady, duvido  que planeje fazer isso.
      - Lorde Ranulf  me deu ordem de preparar um  enterro.
      Ariane o olhou com  alvio.
      Ranulf devia ter considerado seu pedido de dar a um cristo enterro digno.
      - V, Gilbert? - ela  se dirigiu  a seu irmo.
      - Pode-se dialogar racionalmente com o Drago Negro.
      O jovem  apertou seus punhos.
      - Pode ser, mas me ofende  ver como te  trata, milady.
      - Sei. Mas  no  to terrvel, verdadeiramente.
      - Sob as circunstncias, ele atuou  com certa moralidade.
      - Certamente, a maioria  dos  homens em sua posio nunca se incomodariam em  ganhar o juramento de  fidelidade de uma mulher, mas isso foi  tudo o  que ele
me  pediu.
      No podia acreditar que estivesse defendendo ao Drago Negro, mas   no  podia permitir que Gilbert empreendesse uma estpida campanha de desafio  a um lorde
poderoso.
      Ranulf o mataria sem piedade.
      No momento, s podia esperar que o  novo Lorde  do Claredon mantivesse  sua palavra no acordo feito com ela.
      Lanando  outro olhar a Ranulf, ela o  encontrou olhando-a  fixamente.
      Sua expresso era claramente desaprovadora.
      Ariane se silenciou e voltou sua ateno   comida.
      Ela se sentiria ainda mais preocupada se tivesse escutado a conversa no extremo oposto do  salo, onde Ranulf escutava  uma reprimenda de seu vassalo  principal,
Payn FitzOsbern.
      - Deveria ter pendurado os culpados, - Payn comentou  sombriamente, atrevendo-se a  criticar a  seu Lorde.
      - Seu castigo foi muito suave,  milorde .
      - Assim posso  ganhar a  obedincia  das pessoas daqui, - Ranulf respondeu  brandamente.
      - Minha clemncia ter servido a um propsito til.
      Payn esvaziou sua taa de vinho.
      - Possivelmente, mas temo  que voc est pensando com seu pnis e no   com sua cabea.
      A cabea do Ranulf girou, seu olhar se fixou  em seu vassalo.
      - O que quer dizer com isso?
      - Somente que parece enfeitiado  por sua prometida.
      Ranulf ficou rgido.
      - J no   minha  prometida, e  no  vejo a lgica em sua acusao.
      - Voltou para o Claredon determinado a ter  vingana, mas ela te persuadiu a mostrar clemncia.
      - Isso no  assim.
      - Quer dizer que ela no acorda sua luxria?
      - No move  nada em mim exceto minha fria, - Ranulf replicou .
      - No  tenho  interesse em uma vadia de lngua  afiada, e muito menos se for uma dama de alta linhagem.
      As sobrancelhas  do Payn se arquearam, do  outro lado, Ivo do Ridefort grunhiu.
      - Esse nvel de desafio e rebeldia ter que saira golpes.
      A mandbula do Ranulf se esticou.
      Nunca se degradaria  ao mesmo nvel  animal de seu pai brutal.
      - Dirigir-lhe-ei como me parece apropriado.
      O primo do Ivo, Bertran, olhou de esguelha ao rinco do  salo onde Ariane estava  sentada comendo.
      - Invejo-te se a vais domar.
      - A verdade     que   uma beleza.
      - No me incomodaria de me ocupar dela.
      - D-me-a por uma semana e a lhe devolverei ronronando mimosamente ante cada uma de suas ordens.
      - Outro dos  vassalos do Ranulf interveio.
      - Voc, Bertran? Ronronando?
      -  melhor que controles sua luxria, Bertran, - outro cavalheiro disse ao ver o rosto srio  do Ranulf, - antes de nosso Lorde lhe faa-o por voc.
      Forando-se a relaxar as faces faciais, Ranulf permitiu  que sua boca se  curvasse em um sorriso forado.
      No gostava de ouvir seus homens falarem de Ariane como se ela fosse uma moa qualquer do castelo, mas defende-la s  adicionaria argumento    acusao  do
Payn.
      Era Ariane uma bruxa que o tinha enfeitiado?
      Reticentemente, Ranulf encontrou  seu olhar sendo atrado novamente para  ela.
       Ela se comportava com a  graa real de uma rainha, apesar da odissia humilhante a que tinha sido submetida pelo bem-estar de sua gente .
      Ranulf no poderia dizer  por que queria proteg-la, especialmente quando ainda sentia desconfiana e ressentimento.
      Talvez houvesse um feitio que explicasse sua conduta.
      Seu apoio incondicional a seu  pai traioeiro o   irritava, embora admirava a coragem e o esprito dela.
      E o calor que percorria em suas veias no se devia  desobedincia da moa, Ranulf reconhecia.
      No, ele estava ferozmente atrado por ela, apesar de sua rebeldia e apesar de sua origem nobre.
      Ela era afortunada de que sua conexo com a emboscada no podia ser provada.
      De acordo com as confisses dos homens que tinham  capturado, o cavalheiro que ela tinha ajudado a escapar, Simon Crecy, no tinha liderado o ataque dessa
tarde.
      Os responsveis tinham sido outros cavalheiros leais e serventes que tinham inteno de recuperar a  posse do Claredon.
      Mas Ariane tinha a carga de certa  responsabilidade, Ranulf recordou a si mesmo, por negar-se a render o castelo em primeiro lugar, desafiando a ordem real.
      Agora sua  fria  tinha tido a oportunidade de esfriar-se, e ele estava disposto a   admitiro que ele tinha  gerado quando a  tinha forado a servi-lo como
seu escudeiro.
      Tinha estado muito zangado pelas mortes inteis de seu arqueiro, os camponeses rebeldes do Claredon, e tambm pela ferida do Burc.
      A  servibilidade de Ariane podia servir a um propsito  til, entretanto.
      Ela trocaria sua atitude  bastante  rpido aps passar por essa prova de humildade, ela  logo estaria lhe rogando  piedade.
      No tinha  desejo de maltrat-la, mas estava  determinado a faz-la render-se  a sua autoridade.
      Momentos atrs o  tinha surpreendido com a  sinceridade de seu juramento diante de sua gente.
      Ningum suporia que seu juramento tinha sido  forado.
      Um comediante que comeava  a tocar um alade pediu permisso a Lorde para entreter  multido com uma  balada.
      Ranulf assentiu  mas s o escutou com um ouvido pois  esperava  impacientemente   o retorno do Ariane.
      No prestou ateno aos olhares insinuantes que a jovem loira voluptuosa sentada ao lado de Ariane lhe lanava insistentemente
      Na opinio  de Ranulf passou muito tempo antes que ela terminasse  sua comida e retornasse a cumprir seus deveres.
      A  boca dele se torceu em uma careta  quando ela chegou.
      - O que   discutia com tanta energia? Planejavam minha morte?
      Ariane se ruborizou.
      - No, milorde, no estvamos tramando, - ela mentiu.
      - S  discutamos o enterro dos mortos.
      - Te agradeo a compaixo.
      Ranulf  a  olhou friamente, como se no  confiasse em sua gratido.
      - Tambm  discutimos o destino  das famlias dos  mortos, - ela adicionou.
      - Um assunto do  qual voc  deve se ocupar  tambm, porque o  Lorde do Claredon   agora  responsvel pelo  bem-estar dessas famlias.
      - Eu estou muito consciente de minhas responsabilidades, moa.
      - Ento te ocupar de prov-los?
      - Estou  segura que  voc no permitiria que eles passassem fome.
      - Voc concordou em  tratar s pessoas do Claredon com clemncia ou devo te recordar  nosso pacto?
      Ranulf sorriu, um sorriso escuro, perigoso que fez que seu pulso  de repente pulsasse  mas rapidamente.
      - Talvez deveria ter memria, milady.
      - Se esta for uma amostra de sua obedincia sem questionamentos para mim,  ento j  violaste seu juramento.
      Querendo que os batimentos do corao de seu corao se normalizassem , Ariane tragou a resposta que desejava dar e suspirou internamente, preparando-se
para resistir uma noite longa.
      Eventualmente se serviu o  ltimo prato e as mesas foram limpas.
      O grupo de gente parecia pronta para comear um comprido  interldio de vinho e bate-papo, porque a msica j  tinha  comeado a tocar.
      - D-me permisso  para me retirar a meus aposentos, milorde?
      Ariane perguntou depois um momento.
      Ranulf sacudiu a cabea.
      - Seus  deveres no terminaram.
      V pedir que preparem  um banho  para mim, e volta aqui.
      Ela fez  o que foi pedido, encontrando-se  com  vrios dos criados mais confiveis  do Claredon e requereu que preparassem um banho no solar para o novo Lorde.
      Quando voltou para salo, teve o choque de uma surpresa  desagradvel.
      Vrias das moas do castelo estavam sobre a mesa principal, claramente procurando chamar a  ateno  do Lorde, e Ranulf lhes oferecia  um sorriso aberto.
      Era um homem muito bonito  quando sorria, Ariane pensou com raiva.
      Suas feies  duras se suavizaram, enquanto que seu atrativo  masculino de por si  potente se multiplicou.
      Ele era seu amante ideal em  carne e osso, ela pensou  se desesperando, reconhecendo o encanto e a ternura  que lhe tinham feito  ganhar sua adorao quando
era s  uma adolescente.
      Como se tivesse  detectado  seu olhar, Ranulf girou sua cabea e  seus olhos se encontraram  com os dela.
      Abruptamente seu sorriso a desafiou, recordando  claramente  a Ariane o  conflito entre eles.
      Logo que havia retornado a seu lugar ao lado de Ranulf uma comoo  soou na entrada ao salo.
      Olhando de esguelha, Ariane viu um cavalheiro com armadura aproximar-se do  salo, seguido por dois soldados  que arrastavam a um homem.
      Ela reconheceu o prisioneiro como um dos jovens  do mercado do Claredon.
      Quando foi solto, seus joelhos cederam  sob seu peso e ele caiu  de barriga para baixo sobre a palha do piso.
      Sua tnica estava  rasgada  altura da cintura, expondo  uma srie de chicotadas  ensanguentadas em seus ombros e em suas costas nuas.
      Claramente tinha sido aoitado.
      Imediatamente o salo  se silenciou.
      Ivo do Ridefort, o cavalheiro que tinha sido  deixado a cargo do castelo durante a ausncia do Lorde, levantou-se  de seu assento na mesa principal  para dirigir-se
ao Ranulf.
      - Milorde, este  o assunto do que te falei e requer seu julgamento.
      Este homem  foi apanhado  roubando  armas do depsito.
      O olhar de Ranulf se estreitou ante o homem prostrado.
      - Quem  ele?
      - O  aprendiz de  ferreiro, milorde.
      - Edric  seu  nome.
      - Tomou uma dzia de espadas e adagas, incluindo uma com punho com incrustaes de pedras preciosas.
       O que  tem a dizer, Edric?
      Ranulf exigiu em um  Ingls com acento marcado,  danificando as esperanas de Ariane de que ele no pudesse  compreender a lngua.
      Dbil e ferido,  Edric se forou a ajoelhar-se, olhando a seus captores com um  brilho feroz, antes de inclinar sua cabea.
      - Fiz-te  uma pergunta, - Ranulf disse rudemente.
      - Me responda.
      - Eu... necessitava das armas, milorde, - Edric ofegou  finalmente.
      - Para que?
      - Quer que lhe arranque uma  confisso, meu  Lorde? - um guarda  perguntou quando o prisioneiro permaneceu em silncio.
      Observando a ao, Ariane no pde tolerar ficar imvel.
      - Milorde,  posso falar? - Ranulf lanou-lhe um olhar penetrante.
      - Deve haver um engano.
      - Edric no  desonesto.
      - Nunca roubaria, estou segura disso.
      - Ento, como se explica o roubo de armas?
      - Edric... - falou com o ferreiro em ingls.
      - Por que tomou as espadas?
      - Tinha que trabalh-las na forja?
      - No, minha  lady.
      - No mentirei.
       Ele olhou a Ranulf.
      - Eu... Era s que... no queria que ningum a danificasse, minha  lady.
      - Algum tinha que  defend-la.
      - Queria defender a propriedade?
      - Sim, e a voc e a Lorde Walter.
      Ariane mordeu o  lbio, enquanto uma raiva renovada crescia em Ranulf, uma ira  dirigida a Ariane.
      Este novo incidente somado ao da emboscada  era prova suficiente  do  problema que ela tinha causado.
      Ela tinha posto  em perigo a  seus homens e a toda a gente do castelo, com seu desafio.
      - Este  o resultado de ser clemente, Ranulf, - Payn murmurou bastante alto para que Ariane o ouvisse.
      - Um simples  ferreiro pensa em   desafiar ao Lorde ...
      - J recebeu vinte aoites,  milorde, - Ivo adicionou, -mas voc tem que decidir  se ele  merece um castigo  adicional.
      - Deveria  perder uma mo por roubar, - outro cavalheiro interveio .
      Ariane tomou uma respirao profunda.
      Cortar uma mo era o castigo usual para o roubo, mas  este no  era um  roubo comum.
      - Milorde, - ela  exclamou, dirigindo-se a Ranulf.
      - Imploro-te  mostrar  piedade.
      - Este homem roubou para  defender o  castelo.
      - Se deve castigar a algum,  ento castigue a mim.
      A  boca do Ranulf se apertou.
      Ariane estava rogando outra vez por sua  merc?
      Deliberadamente endureceu seu corao, amaldioando seu impulso absurdo de ceder ao pedido em seus olhos.
      Se ele se suavizava  cada vez que ela o olhava,  podia desistir de ter alguma autoridade nesse castelo .
      Por outro lado esta era a primeira prova real de seu governo.
      - A clemncia servir-lhe-ia melhor que adotar uma  poltica desumana.
      - Procurava  defender o castelo?
      Ranulf repetiu em  voz baixa cheia de  desprezo.
      - Do que o defendia?
      - De meu governo?
      - Alguns  considerariam seu crime mais que um simples roubo.
      -   traio tramar para derrotar a um lorde.
      No houve nenhuma resposta.
      Seu olhar  duro foi para ela.
      - V  o que sua desobedincia causou, moa?
      - Se tivesse rendido o castelo em vez  de resistir se tivesse  obedecido a ordem  do rei, eu agora  no teria  que estar me defendendo de mltiplos atos de
desafios.
       - Sim, milorde, - ela sussurrou, seu olhar era de angstia.
      Sua amostra de remorso  moderou a raiva do Ranulf.
      Olhava-a fixamente em  silncio.
      Payn reagiu como se intuisse a resoluo vacilante de seu Lorde.
      - O  culpado deve ser castigado severamente por seu crime, embora no  perca uma mo.
      - Aoit-lo at a morte, - outra  pessoa interveio.
      Ranulf vacilou.
      Odiava o  chicote, decompunha-o esse tipo de castigo, embora  ocasionalmente  se forasse a us-lo.
      No podia no sentenciar a  um criminoso simplesmente  porque desaprovava os aoites.
      E depois de tudo, o  chicote era o  castigo mais suave, j que um  ferreiro sem uma mo logo se converteria em um mendigo.
      Ainda mais, estabelecer semelhante exemplo para os rebeldes podia impedir mais mortes entre seus prprios homens no futuro.
      Mas os belos  olhos cinzas de Ariane estavam fixos nele, lhe implorando  piedade.
      Enquanto demorava  sua deciso, uma  discusso acalorada se desenvolveu  entre seus cavalheiros, debatendo os mritos de diversos castigos.
      A discusso continuou at que  Ranulf finalmente levantou uma mo.
      - Vinte aoites  um  castigo suficiente  nesse caso.
      Estava consciente do olhar agudo de Payn, mas o ignorou e fez gestos a um de seus sargentos.
      - Encerra o ladro no calabouo onde possa refletir sobre sua maldade e que considere as consequncias de seu ato impulsivo.
      Com seu pronunciamento  Ariane suspirou com  alvio e  gratido.
      Compreendia a dificuldade da deciso de Ranulf.
      Um crime to srio contra um Lorde  no  podia ser ignorado ou a  anarquia  rainharia.
      Sua autoridade seria desafiada constantemente.
      Conhecia o custo elevado de uma governo dbil.
      O rei  Stephen tinha sido  um exemplo, e  por vinte anos o reino esteve submerso em revoltas sangrentas.
      Desde cedo lorde devia estabelecer sua autoridade.
      Aqueles muito bons caminhavam sobre uma linha fina entre a debilidade e a piedade, entre compaixo e justia.
      Nesse caso ao menos, Ranulf tinha mostrado compaixo e justia .
      Ela no podia absolver a si mesma da culpa, qualquer que fosse, pelo  papel que tinha jogado incitar aos seguidores leais  de seu pai para desafiar a Ranulf.
      Seu prprio desafio para ele,  ao menos  indiretamente, havia  trazido um castigo sobre Edric.
      Ariane mordeu o lbio duramente, sua culpa crescia  enquanto  observava  ao  ferreiro  sendo arrastado por suas pernas.
      - Agradeo-te,  milorde, por sua piedade, - ela disse com calma.
      - Permitir tambm que atenda as feridas de Edric?
      Ela ficou  surpreendida quando Ranulf assentiu  bruscamente, dando sua permisso.
      Ela no esperava que ele fosse to condescendente.
      Mas por outro lado ele no confiava nela, porque pediu ao Payn para  acompanh-la quando atendesse ao  homem ferido.
      Ariane sentiu que Ranulf a observava enquanto ela pedia aos guardas que levassem a prisioneiro abaixo, s cozinhas.
      Edric era meio carregado, meio arrastado atravs do salo aglomerado de gente  e logo pelas escadas de pedra da torre.
      Ariane os dirigiu  a uma habitao pequena perto  das  cozinhas.
      Ento, sob a  vigilncia de Payn, foi  horta de ervas a procurar provises.
      Depois de compilar as ervas medicinais, entrou na  habitao  antes que Payn, e pediu aos guardas que esperassem fora.
      O  ferreiro ferido estava deitado sobre seu  estomago em uma manta, sua  tnica tinha sido tirada.
      As feridas sangrando eram srias,  mas uma mo cortada seria pior,  Ariane refletiu  enquanto se ajoelhava ao lado da manta.
      Embora Edric parecesse estar muito dolorido, tolerou o  contato delicado de suas mos estoicamente quando ela comeou a lavar suas feridas com um  azeite aromtico.
Surpreendendo a ambos, Ranulf apareceu de repente na entrada.
      Payn esticou  sua mandbula mas deu um passo ao flanco  para permitir a entrada do Lorde.
      - Precisa de algo, milorde? - Ariane perguntou perplexa  .
      - No. Pode  prosseguir.
      Quando ela retomou a suas tarefas, Ranulf se moveu  para mais perto, para observ-la.
      Embora  no tivesse nenhuma explicao, desejava   ver como Ariane curava ao ferido.
      Se ela fosse bastante hbil, seus servios podiam ser teis para seus prprios homens feridos, incluindo a seu escudeiro  gravemente  ferido.
      Mas no  queria dar a Ariane a vantagem de saber que ela podia ser til a ele.
      Silenciosamente, olhou ao homem sobre a manta.
      As costas do ferreiro eram uma massa sangrenta em carne crua, entretanto Ranulf se negou a evitar a  imagem, embora lhe trouxesse lembranas  atormentadoras
de sua prpria juventude.
      Quantas vezes se encontrou  como esse homem, com suas costas em carne crua, sofrendo a agonia da dor?
      Mas o ferreiro tinha sido aoitado com um  chicote de couro, enquanto que seu pai usava um aoite com correntes.
      Uma quebra de onda fria de nusea invadiu a Ranulf com a lembrana.
      Quase podia ver-se  ajoelhado nu no  piso  de pedra fria no Vernay,  petrificado, lutando desesperadamente por reprimir o   grito de dor enquanto os aoites
caam sobre suas costas,  seu  corao jovem cheio de dio de seu  pai  brutal e para sua me  adltera que tinha causado sua tortura com sua traio ao  Lorde .
      Semente do  diabo!  Filho do Inferno! Ainda agora os gritos de seu pai faziam ecos em seus ouvidos .
      Ranulf apertou seus dentes, esforando-se por respirar.
      Sua pele estava com  um suor frio.
      Edric  tinha desacordado  quando Ariane comeou  a aplicar um unguento nas feridas de suas costas.
      Ariane levantou o olhar e foi surpreendida  pela imagem que encontrou.
      Ranulf estava de p, imvel, como se esperasse receber  um golpe.
      Instantaneamente recordou a um  cachorrinho faminto que ela  tinha salvado uma vez da crueldade de alguns  jovens  da vila.
      O pobre animal  tinha sido golpeado at quase morrer, e retrocedia ante qualquer tento de acarici-lo.
       O cachorrinho quase lhe tinha quebrado o corao assim como o  fazia  o olhar na cara do Ranulf agora.
      Ele permaneceu rgido, quieto, por incontveis segundos.
      Logo  lentamente girou sua cabea e  se encontrou  com o olhar preocupada dela.
      Seus  olhos...  Havia um pouco de tortura no fundo de seus  olhos ambarinos.
      Podia ver sua dor crua.
      Estava em um momento profundamente vulnervel, - Ariane soube, sentindo que  podia ver a  alma de Ranulf.
      Este homem orgulhoso, forte, vital que  carregava alguma ferida profunda, muito  profunda...
      Ele a olhou  fixamente por  muito  tempo, a tortura aparecia  em seus olhos,  um testemunho mudo de seu sofrimento.
      No sabia  o que  lhe dizer.
      Instintivamente, sabia  que ele  no  queria seu consolo, nunca desejaria que ela notasse  sua vulnerabilidade.
      Sua hiptese resultou ser verdadeira.
      Abruptamente os ombros do Ranulf se enquadraram, e  seu olhar atormentado se desvaneceu, para ser substitudo por uma mscara escura e  inexpressiva.
      - A responsabilidade do crime dele pesa sobre seus ombros, moa, - ele disse.
      Incapaz de refutar a verdade dessa acusao, no lhe  respondeu .
      De repente, Ranulf deu a volta e deixou  a habitao .
      Quando se foi, seu  vassalo  principal deu um passo para frente.
      - Espero que esteja   satisfeita, milady, - Payn disse obscuramente.
      - Tem exposto a debilidade de Ranulf publicamente.
      - No, - ela  murmurou.
      - Na verdade,  nunca desejei que Edric desafiasse a Ranulf ou que sofresse este castigo duro por ir em  minha  defesa-
      - Duro?
      - Isso  a metade do que um ladro  merece.
      - Mas Ranulf nunca pediria que  um homem fosse aoitado at a morte.
      - Essa idia causaria a ele mais  dor que ao culpado  .-
      - O que... quer dizer?
      - Ranulf conhece a dor do  chicote. Seu pai lhe  ensinou  bem.
      - Seu pai?
      - Sim, Yves, Lorde do Vernay.
      O tom de Payn era de desdm e olhou  diretamente a  ela.
      - Viu as costas  de Ranulf, verdade?
      - Essas cicatrizes terrveis, - Ariane sussurrou, sua voz dbil pelo horror.
      - Sim, essas cicatrizes.
      Fechando  seus punhos, Payn anunciou de repente que a esperaria no  corredor, ento abandonou a habitao como se no confiasse em  permanecer perto dela sem
estalar.
      Com os  dedos tremendo, Ariane terminou de aplicar o  unguento, mas seus pensamentos estavam centrados em Ranulf.
      Quando eventualmente  Edric recuperou  a  consciencia, ela o fez beber um ch de ervas, que tinha pedido que preparassem na cozinha.
      Expressou ento seu grande remorso por seu sofrimento mas  lhe fez  compreender que devia aceitar a Ranulf como o Lorde do Claredon, como ela o tinha feito.
      No  estava sendo  completamente  honesta, Ariane refletiu mas  no  podia permitir que algum  mais sofresse por sua causa.
      No futuro, todo  desafio para o Ranulf viria somente dela.
      Quando suas tarefas foram terminadas, Edric foi levado ao calabouo  pelos guardas, enquanto Payn acompanhava Ariane ao grande salo.
      Em sua ausncia, o entretenimento tinha recomeado, e ressoava no lugar uma cano e risadas joviais.
      Parecia como se a interrupo nunca tivesse ocorrido.
      Ela no podia esquecer o incidente to  facilmente, ainda pensava na dor que tinha visto nos olhos de Ranulf, embora  no houvesse nenhum resto dessa dor quando
alcanou a mesa principal.
      A expresso de suas feies duras era fria e  remota.
      Entretanto ele  no estava emocionalmente isolado, ela podia jur-lo.
      Ariane no  soube se se sentia aliviada ou ofendida quando Ranulf ignorou completamente sua presena, mas  seu corao comeou a pulsar rapidamente quando
uns  momentos depois, ele se levantou, e  com um  gesto corts, requereu-lhe que o acompanha-se.
      Sem protestar, ela o seguiu para fora do grande salo, consciente  dos  incontveis pares de olhos que os  observavam, consciente de  que alguns  suspeitavam
que ela j  compartilhava a cama do Drago Negro .
      Para sua surpresa, Ranulf no  foi diretamente ao solar no piso superior, mas sim foram a uma  pequena habitao  prxima ao solar.
      O quarto  estava fracamente iluminado por uma vela e brasas acesas em um braseiro de cobre.
      Um jovem jazia sobre uma manta, abafado com cobertores de l.
      Reconhecendo como o escudeiro de Ranulf, Burc, Ariane pde ver que o  jovem  ferido estava avermelhado e febril mas acordado.
      Ranulf se agachou ao lado de sua manta e tocou o ombro so  do Burc.
      - Como est, moo?
      Ariane nunca o  tinha ouvido falar em um tom to suave.
      Esse jovem lhe importava profundamente, ela  estava segura.
      O jovem  tragou e  respondeu com uma voz dbil:
      - Bastante bem, milorde.
      - Disseram-me  que a flecha foi atirada limpa.
      - Sim, milorde... fui afortunado.
      A mandbula de Ranulf se apertou, mas refreou a  resposta enquanto levantou a cabea de Burc e aproximou  uma taa  a seus lbios.
      - Dorme  agora, - lhe pediu.
      - Ver-teei amanh.
      No disse  outra palavra, mas  suas feies tinham adotado uma expresso escura que ela tanto temia.
      Ariane notou enquanto seguia a Ranulf com o passar do corredor para  o solar.
      Para seu maior desnimo, encontraram  criada, Dena, esperando-os ali, um brilho  em seus olhos, um sorriso sedutor em seus lbios enquanto se ajoelhava ao
lado da tina, obviamente  preparada para atender ao Lorde em seu banho  se ele o  desejasse.
      Ariane ficou perplexa com os cimes ferozes que a invadiram.
      No  deveria lhe importar a quem Ranulf dirigia seus cuidados.
      Podia deitar-se  com uma  dzia de moas pelo que lhe importava.
      Entretanto sentiu  uma satisfao  inexplicvel quando ele despachou   moa.
      Um momento mais tarde,  decepcionada Dena havia se retirado.
      Ariane se deu conta que seu triunfo era prematuro.
      Com seu escudeiro incapacitado e sem  criados presentes, correspondia a ela  ajudar a Ranulf com  seu  banho.
      - Estou  esperando, moa, - ele comentou  em um tom suave que fez acelerar o  seu pulso.

















      Captulo 8



      Compreendendo que ele pretendia que ela o despisse, Ariane apoiou a bolsa com ervas medicinais que havia trazido com ela.
      Lentamente se  aproximou Ranulf, consciente do batimento errtico de seu corao.
      Silenciosamente, ele desatou  sua tnica e a tiro , a seguir  fez o mesmo com sua camisa.
      Os cortes no flanco do trax tinham  cessado de sangrar, ela notou, e tinham formado uma crosta de sangue seco.
      Tentando em vo  ignorar seu torso nu, totalmente musculoso, ela ajoelhou-se  para desataras tiras de couro que sustentavam  suas calas e  sua  roupa interior.
      Ariane sentiu  uma quebra de onda de pudor e de calor em  seu corpo.
      - Toda a roupa, moa, - Ranulf disse quando vacilou.
      - No me posso banhar ainda vestido.
      Ela desatou a fita e baixou as calas  curtas para baixo, com mais fora do que era  necessrio.
      - Devo  te carregar at a tina  tambm? - ela  murmurou .
      Na boca de Ranulf se curvou um sorriso.
      - Eu no gostaria de ver-te tent-lo.
      - Seu corpo  magro no podia carregar meu peso.
      - Se voc estivesse deitada debaixo talvez pudesse.
      - Se  estivesse debaixo  de mim  na cama, aposto  que acharia meu peso sobre seu corpo bastante estimulante.
      Sua provocao era deliberada, ela sabia.
      Ele estava  determinado a lhe demonstrar o poder que tinha sobre ela, lhe demonstrar que podia conseguir sua submisso  completa.
      E estava conseguindo, seu pulso se acelerou.
      Para sua tristeza, sua mente se encheu com  imagens de Ranulf com uma mulher na cama.
      Instintivamente ela  soube que ele seria um amante magnfico.
      Ariane reprimiu um insulto, determinada a no lhe oferecer nenhuma resposta.
      Quando ele se virou para entrar na tina, ela ficou horrorizada novamente  por essas cicatrizes terrveis em suas costas.
      Um torvelinho de emoes indesejveis cresceu dentro dela: compaixo, ternura e tristeza.
      O pai de Ranulf tinha causado essas cicatrizes selvagens  em suas costas?
      Devia ser devastador para  ele ter que carregar com essas  marcas causadas por seu prprio pai.
      Seu pai frequentemente a tinha ignorado, nenhuma vez lhe tinha demonstrado  seu afeto.
      Mas nunca lhe tinha levantado uma mo com violncia.
      Observou como  Ranulf se sentava  na gua  quente, perguntando-se como ele tinha resistido semelhante  sofrimento, perguntando-se  se suas cicatrizes fsicas
teriam um correlato emocional.
      A luz do fogo da chamin  criava sombras em seu rosto, moldando os ngulos duros que demonstravam uma resoluo frrea.
      Entretanto ela pde detectar seu cansao na maneira em que ele deixou cair sua cabea para trs.
      Para seu desnimo, despertou nela um necessidade aguda de toc-lo, de lhe oferecer consolo.
      Se moveu para ele silenciosamente, reprimindo seus impulsos.
      Ranulf abriu os olhos abruptamente quando ouviu  seus passos suaves ao lado da tina.
      Ariane estava ali, olhando-o, com  uma expresso de tristeza que suavizava  suas belas faces.
      Ranulf resistiu   compaixo que viu em seus olhos.
      No queria sua piedade, recusava-se a  aceit-la.
      S precisava  usar a  moa para esquecer-se  das horas passadas entre a  morte e a dor, para esquecer-se das lembranas atormentadoras .
      - Por que te demora, minha  lady? - ele  perguntou  brandamente, seu  tom era provocador.
      Ariane se endureceu.
      Toda a dor de seus olhos tinha desaparecido, para ser substitudo por um brilho dourado de desafio.
      Reticentemente ela  se ajoelhou  ao lado da tina, extremamente  consciente  da  nudez  de Ranulf.
      Com mos trementes ela pegou uma barra de sabo para lav-lo.
      Primeiro se ocupou de seu cabelo, massageou seu  couro cabeludo com seus dedos e logo o enxaguou  com gua  de uma jarra.
      Logo veio seu magnfico corpo, comeando com seus braos musculosos e seus ombros poderosos.
      No  importava quanto ela  tentasse  fingir que  Ranulf era simplesmente um estranho mas que recebia a  honra de ser banhado  pela lady  do castelo, ela  no
podia acredit-lo.
      Enquanto movia sua mo reticentemente por seu peito largo e musculoso, ela mordeu  seu lbio inferior.
      Seu desconforto era  ainda  pior  por saber que ele a observava   atentamente.
      Quando ele levantou seus braos sobre sua cabea para lhe dar  acesso a suas costelas, ela  recordou os cortes, produto da  emboscada, e se sentiu   agradecida
por ter uma desculpa para desviar sua ateno .
      - Deveria me permitir que cure  estas feridas, - Ariane disse com interesse, delicadamente tocando com um dedo a carne  inflamada coberta por uma crosta de
sangue sec.
      - Trouxe os remdios.
      Ranulf se tornou  para trs.
      - Est desfrutando muito com sua  inspeo.
      Talvez estava desfrutando de muito, mas no eram suas feridas o que a fascinavam tanto.
      Era a sensao dele sob o contato de seus dedos msculos duros, o roce suave do plo e o calor de sua pele.
      Apenas se atrevia a respirar, e passou o  sabo  ao longo de suas  costelas.
      Ranulf se esticou rigidamente, cauteloso pela maneira em que ela se ocupava de suas feridas.
      Foi  muito delicada ao  lavar o  sangue seco e a carne, e ela tinha um olhar de aflio, quase como se no quisesse machuc-lo.
      Ele quase estava  seguro de que  seu interesse era fingido, no podia confiar nela para pensar de outra maneira.
      Muito possivelmente ela estava fingindo interesse para debilitar suas defesas.
       Logo ela se moveu para suas costas e comeou a tocar as cicatrizes.
      Ela se sobressaltou quando sentiu os dedos dele aferrando-a  como grilhes de ferro, enquanto  seu cenho franzido  se aprofundou.
      - No me toque ali.
      Seus olhos aumentaram.
      - Como posso lavar suas costas  se no   me  permite  te tocar?
      As sobrancelhas  densas do Ranulf se franziram.
      - Pode  lav-la, mas no te demorar nessa zona.
      - Como deseja, milorde, - ela respondeu com humildade forada.
      Ante  sua resposta total, ele  pde  sentir suas defesas elevar-se.
      No se atrevia aceitar o  consolo  silencioso que lhe  oferecia.
      Se o aceitasse, ficaria  muito vulnervel a ela.
      J  podia sentir-se debilitado com seu ternura.
      Sua  cercania era sedativo.
      A  curva delicada de sua  bochecha...
      Ranulf fechou o punho enquanto  lutava contra o impulso de toc-la.
      - Estou esperando, minha  lady, - ele a apressou .
      Rapidamente ela terminou com suas costas, mas quando ele apoiou um p sobre o borda da tina para que ela pudesse lavar sua perna, Ariane se moveu mais lentamente.
      E quando chegou ao ponto de unio de suas coxas, Ariane diretamente vacilou em prosseguir.
      Ranulf sorriu.
      - Deu-me seu juramento de obedincia, lhe recordou.
      - Vais faltar a sua palavra logo agora?
      - No. Minha palavra  minha  honra.
      - Honra? - Ranulf sorriu ironicamente.
      - Conheo muito poucas mulheres da nobreza que possam sustentar esse valor.
      - No crr que uma mulher possa permanecer fiel a seu Lorde?
      - Fui testemunha de mais traies das mulheres da nobreza que de lealdades.
      Ariane estudou seu rosto, perguntando-se o que lhe  tinha acontecido para  faz-lo julgar to  amargamente assim mulheres de sua classe.
      -  muito duro ao nos condenar a  todas, - ela disse com tranquilidade.
      Ele fez  um som como um grunhido.
      - Tenho amplas razes.
      Ento Ranulf lhe recordou seu dever.
      - Minha virilha, moa. Sua tarefa no terminou.
      Ela tinha esperado  que ele  se esquecesse dessa zona.
      Mordendo o lbio, Ariane se forou  a atender a essa parte masculina com neutralidade.
      Ranulf ficou rgido quando ela passou o  sabo  sobre sua virilha, e  de repente reconheceu o perigo de sua ttica.
      Essa mulher no s despertava  lembranas  dolorosas de seu  passado, alm disso seus cuidados inocentes despertava uma excitao  fsica que  provavelmente
permanecesse sem ser satisfeita.
      Estava ferozmente consciente de sua cercania...
      Do rubor de sua  pele, de seus dentes  brancos cravando-se  em  seu lbio inferior, de  seu  aroma doce.
      Quase podia sentir o  corpo suave de uma mulher suave debaixo dele...
      Enfeitiado, isso era o que Ariane lhe tinha feito.
      Se fosse mais sbio, tentaria seriamente a seduo que  Payn lhe  tinha aconselhado.
      Tentar seduzi-la  para obter sua rendio.
       O olhar de Ranulf se fixou na  boca bonita do Ariane.
      Se aplicasse seus poderes de persuaso, ele apostaria todos os lucros de um   torneio, a que ela no responderia com fria indiferena ou com  o  desprezo que
tanto o ultrajava.
      Derrubaria essas barreiras de altivez e a teria ofegando e rogando  por seu contato.
      Ela estaria muito ansiosa de receber seus favores  ento...
      Ariane tinha terminado sua tarefa com incrvel rapidez, ele se deu conta, sentindo o sangue acumular-se em sua virilha.
      Exigindo-se  pacincia, ele tomou o sabo  de seus dedos trementes e  comeou  a fazer espuma em suas prprias mos.
      - Me d minha faca, - ele disse, suavizando  seu tom que j era  um murmrio rouco.
      Quando os olhos dela aumentaram  com temor, Ranulf adicionou com um sorriso lento para tranquiliz-la:
      - Somente quero me barbear. Eu no gostaria de irritar sua pele suave.
      Com satisfao ele viu que Ariane franzia o cenho.
      Ela estava preocupada com o significado de suas palavras.
      Quando ela  procurava sua  faca, ela ficou olhando-o  insegura.
      Ranulf manteve seu olhar fixo nela, enquanto  ensaboava sua mandbula.
      - Solte o cabelo, - lhe pediu.
      - Por que?
      - Porque me satisfaz que faa isso.
      Ariane sentiu  seu desejo de oposio crescer, mas  no  podia negar-se.
      Seu cabelo estava sujeito  em um cocuruto de tranas, e lhe levou  alguns  momentos tirar as fivelas e soltar as tranas.
      Finalmente  uma nuvem de cabelo acobreado claro caiu ao redor de seus ombros e  peitos.
      Ranulf tomou uma respirao profunda  ante a imagem.
      A idia de  ter esse cabelo sedoso estendido  sobre o travesseiro enquanto ele   afundava  sua arma masculina dentro dela fez que o  sangue inchasse seu membro.
      - E agora a roupa, moa.
      - Quer que me dispa? - Sua voz era um sussurro ofegante.
      - Sim.  hora de deitar-se.
      Quando ela  vacilou, ele  adicionou:
      - Moa, no  evitar seu juramento de obedincia to facilmente. Seu vestido... ou me  obrigar a que lhe tire?
      Com um insulto silencioso de frustrao, Ariane girou para despir-se  at que s ficou com sua camisa. O tecido fino de linho oferecia pouco amparo, tinha
mangas largas e lhe chegava at os joelhos, mas o tecido fino revelava seus mamilos e o tringulo de plo de seu pbis e fazia pouco para proteg-la do escrutnio
do Ranulf quando lhe   ordenou dar-se volta.
      Seu olhar percorreu o corpo feminino, como se avaliasse o tamanho de seus seios e a maneira em que caberiam dentro de suas mos.
      Ruborizada e furiosa, Ariane cruzou seus braos sobre seu peito.
      - Deve me olhar como se eu fosse uma ovelha premiada no  mercado?
      -  mais bonita que qualquer ovelha.
      - Confesso  que  de meu  gosto.
      Muito a meu gosto, Ranulf corrigiu a si mesmo.
      Era uma beleza que despertava seus sentidos e seus instintos primitivos.
      Seu corpo jovem, magro e proporcionado, seus ossos leves e  frgeis, suas feies  encantadoras.
      Alm disso, peitos cheios, e  uma cintura que podia medir com sua mo....
      No  desejava nada mais que lan-la sobre a cama e enterrar-se profundamente  dentro dela...
      Por Deus! - ela era um tentao  que ameaava seu sentido comum.
      Estava louco por submeter-se a isto.
      Tinha querido forar  sua submisso,  seduzi-la at que se rendesse, mas tinha  esquecido de que desses jogos ele sairia insatisfeito e sexualmente frustrado.
      Se colocou em uma armadilha que ele mesmo tinha criado.
      No  podia tocar a Ariane sem pagar pelas consequncias, ainda se ele superasse a  resistncia dela .
      Mas... por que devia  negar o  prazer  de sua carne simplesmente  porque ele no  podia tom-la de uma forma aceitvel?
      A idia de ter seu corpo  quente  e ofegante  debaixo dele, fez que  seu membro   se endurecesse em sua resoluo.
      Terminando a  tarefa de barbear-se, Ranulf enxaguou  seu rosto e levantou-se.
      Quando tinha sado ensopado  da tina, ficou de p  esperando com suas pernas separadas e  seus braos estendidos para fora.
      - A toalha, milady, - ele disse, lanando um sorriso  muito  masculino.
      - Estou tendo frio.
      A mandbula de Ariane se fechou com fora ante essa bvia mentira.
      Ela havia despertado ao lado dele essa manh, e honestamente   podia dizer que nunca tinha conhecido um homem com a pele to quente como a de Ranulf.
      Seria necessrio a tormenta de um inverno cru para esfriar seu sangue quente e baixar sua ereo.
      Seu corpo nu estava claramente excitado, ela viu ruborizando-se ferozmente.
      - Eu no vejo que tenha frio, - ela replicou.
      - E se o tem talvez esfrie sua luxria.
      Seu sorriso aumentou  provocativamente,  podia dizer pelo brilho em seus olhos  ambarinos que ele no cederia.
      Teria que sec-lo.
      Tomando  uma toalha de linho, Ariane se aproximou cautelosamente, tentando manter sua compostura.
      Ranulf media mas  seis ps e era  todo  msculo, parecia supremamente  perigoso com seu cabelo escuro molhado, seu olhar dourado focalizado unicamente nela.
      A fascinao  por esse homem s aumentava seu ultraje, e ela usou  mais fora da   necessria para secar seu corpo.
      - Tome cuidado, moa. No me arranque a  pele.
      Com esforo Ariane lentificou seus movimentos.
      Ento viu sanguefresco emanando dos cortes em seu flanco e suspirou com  desnimo.
      Ela tinha aberto as feridas de Ranulf com sua rudeza.
      Imediatamente se sentiu culpada e o olhou.
      - Est  sangrando novamente.
      - No  nada.
      Ariane sacudiu a cabea, compungida pela  culpa.
      Devia a Ranulf ao menos um mnimo de gratido por lhe haver perdoado as vidas seus atacantes e por lhe haver permitido  enterrar aos mortos.
      - Devo curar estas feridas.
      - Digo-te que  no  nada, moa.
      Seu queixo se levantou ternamente.
      - Eu estou  atuando em substituio de seu escudeiro por tua ordem.
      - E me permitir  que eu cumpra com meu juramento te servindo adequadamente.
      Ela falou com autoridade de uma lady acostumada a dirigir um grande grupo de criados em sua  casa.
      Ranulf  a olhou  fixamente por um momento comprido.
      O  olhar dela era cauteloso, como se temesse que ele  pudesse lhe infligir um dano corporal.
      - Muito bem, - ele  disse finalmente.
      Ariane compreendia sua desconfiana.
      Tinha  lhe dado pouca razo para confiar nela,  recordou-se   a si mesma  enquanto ia procurar os remdios.
      Ranulf permitiu reticentemente que ela  aplicasse um unguento e que enfaixasse suas costelas  com tiras de tecido de  linho.
      Ele se disse  que Ariane no  podia  lhe fazer nenhum dano, mas seus cuidados pareciam muito ntimos  para a tarefa simples que ela executava.
      Ou talvez ele simplesmente se  sentia muito vulnervel.
      Sua ex-prometida  via muito com esses  luminosos olhos cinzas, lhe dando a sensao de que sua alma estava nua  vista dela .
      Quando Ariane fez uma pausa para  olhar seu rosto, uma emoo mais terna, mais delicada despertou nele superficialmente.
      Ranulf amaldioou em silncio.
      Essa moa o estava enfeitiando.
      Apesarde seus melhores esforos, ele sentiu que seu sangue comeava a esquentar incontrolavelmente .
      Contra sua vontade, levantou uma mo para tocar  sua  bochecha.
      Quando Ariane tomou uma respirao profunda  e  tentou  em vo  apartar-se, Ranulf a acalmou.
      No queria que ela fugisse dele.
      Pondo um dedo debaixo de seu queixo, forou-a a encontrar seu olhar.
      - No deve me temer.
      - No sou um amor brutal.
      - Sou delicado com os  cavalos, os  falces... e as  mulheres.
      - No temo, - Ariane mentiu, sentindo que seu pulso se acelerava.
      - Mas no vou escutar te vangloriar de suas conquistas.
      Ele sorriu.
      - Eu no seria to tolo, - ele respondeu  inocentemente.
      Sua calma a inquietou.
      Quando ela tentou tornar-se para trs, ele capturou seu pulso.
      - Penso que poderia ganhar, se o tentasse.-
      Sua audcia no tinha limite.
      Ela tirou sua bochecha do carinho dele mas  no  pde escapar.
      Velozmente  seu brao se envolveu  ao redor de sua cintura e a atraiu contra seu corpo, ela sentiu a fora quente de seu membro.
      Seu corpo  imediatamente cobrou vida tremendo de excitao.
      Ariane pressionou as palmas de suas mos  contra  seu peito  largo, apoiando-se   para lutar, mas  era como tentar mover uma parede de pedra.
      - Me solte! - Ela exclamou sem xito.
      - Por que deveria faz-lo? - Seu tom era  sensual.
      - Antes estava disposta a trocar seu corpo pelas vidas de seus homens.
      - No  meu corpo, - Ariane respondeu. S meus servios.
      - Quero seus servios ento.
      O olhar quente e faminto  em seus olhos dourados a  alarmou .
      - Voc foi..., - ela disse ofegando, quem  se recusou a  consumar nosso contrato de matrimnio.
      Sua voz foi ento um murmrio sedutor.
      - H diferentes  maneiras de gozar do prazer carnal que no envolver perder sua virgindade, querida.
      Os olhos dela se aumentaram.
      Quando ele lentamente levantou sua mo, logo roando mal o montculo  cheio  de seu peito com a palma de sua mo, ela ofegou.
      Notando a resposta involuntria  de seu corpo, ele sorriu  brandamente  .
      - Deseja-me, moa,  bvio.
      - Seus mamilos se ergueram...
      - Seu corao est pulsando  rapidamente... sua respirao se acelerou ... sua pele est  ruborizada...
      - No te desejo!
      - Seu corpo me deseja . Est claro que  uma virgem ansiando  um homem.
      Ariane fechou os olhos, rezando para ser salva.
      Nunca deveria lhe haver permitido saber que ela  ressentia  sua condio de virgem.
      - No desejo a ningum, e muito menos a  voc!
      - Quer dizer que nunca imaginou como seria  ter um homem entre suas coxas ?-
      - No... Sim... Eu nunca...
      - Me permita demonstrar isso - ele murmurou, sua voz at  mais suave, mais profunda, acariciando seus sentidos como um veludo escuro.
      - Vejamos,  podemos  fazer que seu encantador  corpo traia suas palavras...
      Apertou-a contra  ele com uma  suavidade  que contrariava a determinao perigosa em seus olhos.
      Ento, para  seu  assombro e horror, ele  se inclinou e a beijou, seus lbios quentes eram incrivelmente suaves.
      O choque lhe causou uma quebra de onda  de calor que invadiu Ariane, um choque to real que a paralisou.
      No podia  fazer nada para defender-se da carcia suave de sua boca enquanto a  persuadia a abri-la e a receber sua lngua.
      Lentamente ele a explorou.
      Na verdade, em vez de resistir, ela s queria agarrar-se a Ranulf.
      Parecia-lhe que tinha esperado quase a metade de sua vida por isso, por conhecer o sabor de seu beijo.
      Tinha sonhado com ele, com esse homem como seu  amante, como seu  marido.
      Logo que podia acreditar que um  guerreiro to  capitalista  pudesse ser to  incrivelmente  delicado.
      Involuntariamente os braos dela se levantaram para entrelaar-se  ao redor de seu pescoo.
      Com um  som de triunfo saindo profundamente de  sua garganta, ele apertou  seu corpo, envolvendo-a no  calor e no aroma  de seu corpo enquanto sua boca a assaltava
brandamente.
      Era um fogo escuro que inflamava lentamente seus sentidos.
      Um momento mais tarde Ranulf se tornou  para trs, mas s  para sussurrar   contra  seus lbios:
      - Me deixe  te mostrar o  prazer, Ariane.
      - Me deixe te agradar como voc agradar isso...
      - Por um louco momento, ela quase  sucumbiu as suas palavras doces.
      Ranulf sabia de mulheres, de  paixo, e desejava desesperadamente lhe dar o que lhe tinha sido  negado por tantos  anos.
      Tantos anos...
      A lembrana a fez voltar para a realidade.
      Ela queria conhecer a paixo, mas este desgraado no seria quem a ensinaria!
       Com um  grito repentino, ela empurrou duramente contra  seu peito.
      Tomado por surpresa, ele a soltou de uma vez.
      Livre, ela fugi , suas mos fortes pressionadas contra suas bochechas ardentes, seu corpo ainda tremendo.
      Houve  um silncio tenso.
      Quando ele no  fez nenhum movimento para aproximar-se dela, finalmente Ariane arriscou um olhar a Ranulf.
      Ele  continuava  onde ela o  tinha deixado, a luz do fogo se refletia em  seu corpo nu.
      Ranulf a observava com  uma expresso  enigmtica em suas feies  duras.
      Mas seu tom,  quando falou,  era calmo.
      -  teimosa, mas eu tambm o sou.
       Ela se assombrou pelo sorriso preguioso que encheu seus olhos.
      Havia ali uma promessa nessas profundidades douradas, lhe advertindo que a batalha no tinha terminado.
      -  hora de deitar-se, - Ranulf disse informalmente.
      Ariane tragou em seco, dando-se conta de que lhe tinha ordenado ir  cama, ela se perguntava se ele planejava  continuar o  conflito l.
      Considerou a possibilidade de desobedecer, mas recordou como Ranulf a tinha carregado at a cama a ltima vez.
      Isso tinha acontecido somente duas noites atrs.
      Movendo-se para a  cama, ela se meteu debaixo dos lenis.
      Ento girou sobre um flanco, lhe dando as costas e  esperou tensamente que Ranulf lhe unisse.
      Ficou rgida quando sentiu  seu peso afundar o  colcho.
      Por um  momento interminvel se inclinou  sobre ela, e Ariane conteve a  respirao.
      Podia sentir seu olhar  ambarino  acariciando-a, estudando-a, como se calibrasse a fora de sua resistncia.
      Entretanto  -boa noite, moa,- foi  tudo o que  disse, antes de rodar a um flanco.
      Ariane queria que  seu corao se aquietasse.
      Uma vez mais ela tinha escapado  violao, mas estava ficando  difcil manter  suas defesas em alto.
      O  sonho voltou, esta vez muito mais ertico  que a  realidade.
      Podia sentir o calor intenso de Ranulf contra suas costas, a  dureza de seu membro pressionando debaixo dos lenis, suas pernas  nuas entrelaadas com suas
coxas musculosas entre seus joelhos.
      Atravs de uma neblina de sonho ela o  sentiu  acariciar lentamente seu ventre, deslizando para cima para cobrir seu peito.
      Ariane gemeu  brandamente em seu sonho e se  arqueou para trs contra a  presso sensual de seu membro e a  palma de sua mo  acariciando-a sobre a fina  barreira
do tecido de linho.
      Seu mamilo apertou contra  sua mo,  e ela se estremeceu de  prazer.
      Seu contato era como a seda.
      As  ndegas dela se aninharam contra os quadris masculino, criando uma tenso  prazerosa em suas  coxas.
      Ela  murmurou algo em  protesto quando seus dedos abandonaram a carcia ertica.
      Mas  sua mo se moveu debaixo das mantas, para meter-se por debaixo da borda  de sua camisa, subindo-a.
      Ela sentiu que  seu corpo se acelerava  quando a palma de sua mo a acariciava  ao longo de sua  coxa e de seu quadril.
      Quando seus dedos se deslizaram intimamente entre suas coxas, a milmetros do calor de seu sexo, excitou-a intolerantemente.
      Deveria despertar, Ariane disse a si mesma.
      Deveria abrir os olhos e terminar com esse sonho ertico, mas ento ela nunca conheceria como se podiam completar suas fantasias...
      E essa umidade lhe cobrava viva nesse lugar secreto entre suas coxas, as sensaes deliciosas que irradiavam atravs de seu corpo, no deveriam lhe ser negados.
      Seu corpo de  mulher ansiava  seu contato e sua  virilidade.
      Suas coxas se abriram  lhe permitindo o  acesso.
      Seus  dedos se abriram passo a passo entre as dobras que guardavam o centro de  sua feminilidade.
      Ariane tomou uma respiraoofegante, seu  corpo  se endureceu.
      - Tranquila, querida.
      - No tem  nada que temer.
      O sussurro rouco dele a acalmou, persuadindo a suas pernas a relaxar.
      Por Deus! seu  sonho era to real, to pecador.
      Quase era como se Ranulf verdadeiramente estivesse  aqui, deitado com ela, acariciando-a das maneiras mais proibidas.
      Deveria apart-lo, entretanto seu  sangue demandante lhe  impedia abandonar  sua iluso deliciosa.
      Seu corpo estava aceso, ardendo  sob  seu contato, seus  mamilos tensos empurrando o tecido da camisa.
      Seus quadris se arquearam em uma splica  instintiva enquanto ele  encontrava o caminho para o centro do prazer.
      - Sim, fala  comigo, querida... me deixe  entrar... me deixe  saborear seus tesouros...
      Deus Santo, queria isso, essas carcias incrveis e mgicas.
      Os dedos eram mais atrevidos agora, explorando  as dobras quentes,  deslizando-se dentro dela, provando .
      - Jesus, est to   quente... mida para mim... suas palavras erticas lhe eram sussurradas em seu ouvido como um convite ao paraso.
      Ariane gemeu.
      Deus, era possvel morrer de tanto prazer?
      J no tinha vontade  prpria.
      Os dedos dele lhe acariciava.
      Esses dedos descobriam os segredos midos dela, cada delicioso ponto de prazer, lhe causando  pequenas reaes convulsivas que percorriam-lhe o corpo.
      Sim,  me mostre sua paixo, minha  beleza.
      Deixe ir...
      A respirao dela  se agitou.
      Sua mente tinha fugido a um lugar escuro e quente cheio de sensaes,  mas  seu corpo permanecia centrado nas carcias cativantes de sua mo.
      - Deixe ir, querida.
      - D-me seu xtase. Sente-o...
      De repente ela estava ofegando com frentica  necessidade, lutando por alcanar um frenesi ardente.
      Ela apertou suas coxas enquanto o mundo parecia estalar.
      Com um  grito de xtase , ela se viu envolta  em uma massa de  chamas.
      O brao dele a rodeou sustentando seu corpo tremente pelas convulses posteriores ao orgasmo.
      Por um momento infinito, enquanto o fogo retrocedia e  seu corpo se esfriava, Ariane jazeu languidamente, no  querendo acreditar que  tinha participado de
um ato to libertino, retorcendo-se e gemendo sem que nada lhe importasse.
      Podia sentir a Ranulf contra ela, detrs dela, seu  corpo duro  contra o dela,  pulsando com sua prpria necessidade masculina.
      Suas plpebras pesadas se abriram tornando-se  gradualmente consciente da  luz da vela, o fraco cinza do amanhecer se filtrava atravs  dos portinhas.
      Ela piscou  confundida, enquanto suas bochechas ardiam.
      Isto era real, no um sonho, seus sentidos lhe gritavam .
      Ranulf a tinha  despertado de seu  sonho e  a tinha  acariciado at lev-la ao xtase, sem seu conhecimento ou permisso.
      Tinha tomado o controle de seu  corpo, lhe mostrando  seu poder sobre ela.
      Ariane sentiu uma onda de desespero invadi-la.
      Ranulf tinha prometido for-la   submisso, e esta era a  prova.
      Talvez, por estratgia, ele tinha deixado de for-la por um  breve tempo, mas finalmente a  tinha seduzido, lhe dando mais prazer do que jamais tinha sonhado
fora possvel.
      -Jesus!, o que podia fazer? -
      Podia sentir a fome masculina em seu corpo poderoso, podia sentir o  calorpulsando de seu membro inchado pressionado contra  suas ndegas.
      Com um puxo  delicado em seu  ombro, Ranulf a recostou para atrs.
      Viu que ela  mantinha seus olhos fechados, recusando-se  olh-lo, e  um sorriso de satisfao se curvou na  boca dele.
      O  corpo dela  havia se rendido, ele tinha obtido uma vitria.
      Invadido pela necessidade primria de montar  mulher excitada que jazia em seus braos,  Ranulf lentamente levantou as mantas, expondo o belo corpo dela a
sua vista.
      Sua camisa se enroscou ao redor de seu quadril e o tringulo de plo acobreado entre suas coxas se via umedecido.
      Ele se inclinou sobre esse doce portal, captando a essncia da excitao feminina.
      No queria outra coisa que colocar-se sobre ela e afundar-se nela, e conquistar o tesouro de mel que estava escondido nesse portal, mas teria que encontrar
seu prazer de um modo menos convencional.
      - Bela... ele murmurou roucamente.
      - Te abra para mim novamente, querida.
      - Me deixe te saborear...
      - Me d o sabor de seu xtase.
      - Me deixe te encher...
      Baixando sua cabea, ele beijou brandamente o oco mido entre as coxas femininas, sua lngua querendo descobrir o boto de prazer ali escondido.
      Ariane tinha jazido tensa e rgida debaixo do ardente escrutnio dele, mas ante sua conduta escandalosa, ela se sobressaltou e atirou de seu cabelo.
      Quando ele  levantou sua cabea, seus olhos se encontraram com os dela.
      - No... no pode...
      - Sim pode, moa.
      - No...por favor... Imploro-lhe isso...
      Ele sorriu  indulgentemente  enquanto dizia:
       - Pode  implorar tudo o que queira.
      - No! Ranulf!
      Dando-se  conta de que seu choque era genuno, Ranulf abandonou sua tentativa de lhe mostrar a Ariane outros modos de alcanar o  prazer.
      Repentinamente lhe agarrou a bochecha.
      - Ento  voc tocar isso.
      - Sente como estou duro, como me excitaste.
      Deliberadamente ele levou a mo dela  contra  seu ventre plano, pressionando seus dedos contra seu membro que pulsava.
      Podia senti-lo em sua mo, quente e  enorme.
      Ranulf adotou uma expresso de prazer em seu rosto, enquanto os olhos de Ariane aumentavam  alarmados.
      - No!
      Outra vez ela tentou em vo escapar  de seu carinho.
      - Isso  pecado! - ela exclamou, procurando uma desculpa que pudesse salv-la.
      Sua expresso ficou sria.
      - Negar-me-ia meu prazer depois de que eu te agradei?
      - Sim!
      OH, Deus o que o faria ceder em sua demanda?
      -  um pecado, est contra a  lei  da Igreja .
      Quando ela conseguiu soltar sua mo, a mandbula de Ranulf ficou rgida pela  frustrao sexual.
      Queria  Ariane doce e disposta, no assustada e  tremendo como um coelho.
      Tampouco  podia se auto satisfazer  sem despertar a  averso nela.
      Mas a negao do prazer s o  deixava faminto sexualmente e de mau humor.
      Tinha ganho uma vitria essa noite, ele se recordou.
      Ariane havia alcanado o  xtase com suas carcias.
      E embora sentisse  uma enorme  gratificao por isso,  no  descansaria  at que ela  se rendesse  completamente.
      - Duvido   que temas  te opor a Igreja  tanto como teme o  prazer que eu te posso fazer  sentir, - Ranulf murmurou   com uma  obscenidade  que no sentia.
      Ariane desviou  seu rosto, dando-se  conta da verdade de sua acusao.
      Ela haviaresultado ser uma conquista fcil.
      Ranulf no havia fanfarroneado o mnimo  quando lhe tinha  advertido   que as mulheres encontravam   prazer  em seus braos, mas a  seduo dele   tinha sido
muito fcil.
      Ela estava mortificada por sua resposta a suas carcias libidinosas, sua rendio   tinha sido rpida,  no  tinha posto muita resistncia.
      Ela tinha desejado que ele a  tocasse, que lhe fizesse o amor.
      Queria-o  como  amante, como seu  marido e seu Lorde.
      Seu corao sofria com esse reconhecimento.
      Ela no teria  protestado a  suas carcias luxuriosas se tivessem  sido feitas com  amor mas Ranulf no se importava o mnimo  com ela.
      Ele a  considerava  sua inimiga, e este era seu mtodo de castigo, demonstrar  seu poder sobre ela.
      Mas l em sua capitulao, seu prprio desejo descontrolado lhe causava desespero.
      Ranulf podia no ter tomado sua virgindade mas a tinha  arruinado para qualquer outro homem e ela tinha gozado com sua prpria runa.
      Ariane fechou os olhos, desejando poder desaparecer.
      Ranulf tinha enredado seus dedos em seu  cabelo e o tocava ausentemente, como se  estivesse provando sua textura de seda.
      Quando ele  levou uma mecha de cabelo para sua boca Ariane ofegou e se afastou.
      - Tenho sua  permisso para me vestir? - ela perguntou,  recusando-se  a  olh-lo.
      - Sim deve faz-lo...
      - Eu passaria alguma horas  te ensinando o que  uma verdadeira  submisso.
      Seu tom era suave e seguro.
      Ante essas palavra Ariane lhe lanou um olhar que lamentou imediatamente.
      Ele parecia  um rufio com cabelo escuro e revolto.
      Mas  sua masculinidade  flagrante era to bvia enquanto ele ficava apoiado sobre  um cotovelo.
      Assim depravado  ele  parecia to  poderoso, to  masculino...
      Mas foi sua expresso o que fez martelar  seu corao.
      Seus  olhos ambarinos brilhavam  sensualmente  enquanto brincava com o  cabelo dela,  envolvendo-o  lentamente em seu dedo.
      - Cr que pode resistir por muito tempo mais, moa? - ele perguntou em um murmrio baixo.
      No.  E esse era justamente o  problema.
      No  podia resistir a esse homem  devastador, no quando ele a olhava assim, com esses olhos quentes que comunicavam um  desejo e uma promessa.
      Reunindo cada grama de sua fora de vontade, Ariane levantou seu queixo  e lanou-lhe um olhar de desprezo.
      - Sentiu- se muito importante,  milorde, sentiu  que alguma vez me submeterei a voc voluntariamente.
      Os lbios  do Ranulf se curvaram em um sorriso  provocador e indulgente ao mesmo tempo.
      Embora no seja voluntariamente , na verdade, no  importa, moa.
      Verdadeiramente, desfrutarei de poder domar seu desafio...
      E estou planejando uma penitncia que  ambos possamos gozar.
      Ariane se estremeceu e fez um esforo por manter suas defesas em alto.
      - Sempre te  desprezarei, - ela declarou  febrilmente, sua  voz, tremente.
      O sorriso dele no desapareceu  enquanto se inclinava sobre ela para lhe beijar  um seio, fazendo que uma quebra de onda de  calor surgisse em  seu  mamilo
sensvel.
      - No tome decises apressadas, moa , ou  poder  ser obrigada s trocar.
      Desprendendo sua mo de seu cabelo, ele levantou os lenis e ficou de p nu.
      Sem  olhar a Ariane, ele procurou  sua roupa interior e comeou  a vestir-se .




















      Captulo 9



      - Passou uma boa  noite,  milorde? - Payn perguntou quando Ranulf se uniu a ele no grande salo  para tomar o caf da manh.
      Respondendo somente com uma careta, Ranulf aceitou uma taa de madeira cheia com   mel que  um jovem  pajem lhe entregou.
      - Tomarei isso  como uma negao, - seu vassalo  disse comprensivamente.
      - Lady Ariane no foi muito amvel?
      - Se desejas conservar sua vida, te refreie  de mencionar o nome dessa moa diante de mim.
      Irritado,  Ranulf olhou de esguelha o  salo.
      As ltimas  mantas estavam sendo enroladas para dar lugar para armar as mesas de cavaletes.
      A mesa principal estava nua.
      - Onde est  minha  comida?
      - Um homem deve ser servido imediatamente em seu prprio salo.
      Reprimindo um sorriso , Payn enviou um  pajem s cozinhas, antes de dizer a Ranulf em voz baixa:
      - Pensei que planejava dar a essa mulher uma lio de obedincia, mas parece que ela segue sendo desafiante como sempre.
      - A batalha s comeou, asseguro-lhe isso, - Ranulf prometeu obscuramente.
      Quando Payn riu, Ranulf sentiu que  seu ultraje comeava a dissipar-se. Contra  sua vontade, sorriu  maliciosamente.
      - No tem nada  melhor que fazer que falar sobre meus fracassos?-
      - Claro, milorde, - Payn murmurou  amigavelmente.
      - Sei  muito bem que no  sbio estar com voc quando est nesse humor  to negro.
      - Deixarte-ei em paz para que avalie sua estratgia para domar   dama.
      Aplaudindo as costas de Ranulf enquanto se levantava, ele abandonou a mesa para ir falar com dois cavalheiros que tinham  entrado em  salo .
      Aliviado por  estar a ss, Ranulf olhou  fixamente a taa de ch e considerou a experincia que tinha tido horas antes.
      No estava acostumado ser negado por qualquer moa que ele quisesse, e no estava acostumado a sofrer os efeitos da privao.
      Nunca tinha havido uma mulher que deixasse sua cama sem ser completamente  satisfeita e nunca antes tinha  permitido que uma mulher o deixasse sem ficar satisfeito.
      Entretanto  isso era precisamente o que tinha ocorrido  com Ariane.
      A dor e a tenso ainda no tinham desaparecido de seus genitais.
      A seduo que tinha  planejado  tinha sado mal, e ele tinha cado em  sua prpria armadilha.
      Tinha despertado uma mulher  sensualidade; mais tarde ele se  encontrou queimando-se com o fogo.
      Quase havia valido a pena.
      Por alguns  momentos deliciosos, tinha conseguido forar a desafiante moa esconder suas  garras.
      Sua altivez no era to poderosa quando ela estava ofegando e gemendo de prazer em seus braos.
      Mas a imagem de sua pele branca ruborizada pela paixo, seu cabelo glorioso caindo sobre seus peitos, seu  corpo morno  pressionando-se contra ele, tinha disparado
seu prprio  desejo a um nvel sem precedentes.
      E logo a moa se recusou a satisfaz-lo, e pior ainda com horror e averso!
      Sacudindo a cabea, Ranulf desafiou a si mesmo a omportar-se  como um jovem adolescente, permitindo ser dirigido por suas necessidades carnais.
      Sabia que isso no era prudente. Tinha visto  homens to obcecados por uma mulher que se esqueceram de cuidar suas prprias costas.
      E agora sabia qual era o  perigo de subestimar a  sua ex-prometida. Era uma inimizade digna de cuidado.
      Mas ele   estava   mais determinado do  que nunca em obter a rendio de Ariane.
      Se usasse suas habilidades  sabiamente, podia finalmente obter  sua cooperao, e possivelmente  sua lealdade.
      Usando a paixo  como  arma, fazendo que ela encontrasse o  xtase  em seus braos, podia conquistar a vontade de...
      Um sorriso perigoso curvou os lbios de Ranulf quando pensou nas batalhas por vir.
      Veriam quem seria o vencedor. Com esse  pensamento, esvaziou a taa e pediu   mais mesmo momento que Ariane subia o  soalho aonde estava a mesa do Lorde.
      - Chega tarde a seu trabalho, - Ranulf observou, ultrajado pela  maneira que seu corpo respondia somente   vista dela.
      Seu membro se inflamou quase  tanto como as costelas que tinham sido feridas na emboscada do dia anterior.
      - No dei permisso para que tenha preguia na cama todo o dia.
      - No estava com preguia, milorde.
      - Precisava me lavar,  -Ariane replicou com altivez estudada.
      Na  verdade, esfregou a pele at que lhe ardeu, entretanto  no  tinha conseguido apagar a lembrana de sua resposta desavergonhada e  libidinosa s carcias
de Ranulf, ou a sensao  deliciosa de seu contato .
      Sentiu  seu escrutnio. E levantou seu queixo  quando seus olhos se estreitaram ante sua aparncia. Vestia uma camisa rosa, com uma tnica azul.
      Um quadrado de seda cobria seu cabelo, sujeito por um crculo de prata fino ao redor de sua testa,  e um cinturo  de prata rodeava  seus quadris magros.
      - Est vestida muito elegantemente para um escudeiro, - ele refletiu, seu tom deliberadamente provocador.
      - Disse-me  que   queria que dirigisse aos servos esta amanh e que repetisse meu juramento.
      - Pensei que esta era a  vestimenta  apropriada.
      Se no  fosse  completamente verdadeiro, Ariane se sentiu  justificada em sua mentira.
      Ps um de seus melhores vestidos,  no para   impressionar aos servos do Claredon, mas sim para levantar suas defesas e para ajudar a manter algo da imagem
de sua antiga posio no castelo.
      O Drago Negro  do Vernay podia mortific-la com suas  carcias perversas, mas ela era ainda a lady dessa fortaleza  tinha ainda  uma medida de orgulho.
      Se ele esperava que ela se  rendesse mansamente, estava completamente   equivocado.
      Ela se recusava a cair de joelhos   enquanto que  Ranulf parecia  pensar que esse era seu dever.
      Levantando a  jarra, Ariane voltou a encher sua taa, satisfeita de  que pudesse fazer isso  sem tremer muito.
      Enquanto  se inclinava sobre a mesa, sentiu  uma mo roando fugazmente  suas ndegas.
      Com um gemido, Ariane saltou e deu a volta, seu  brao se levantou  instintivamente.
      Sorrindo , Ranulf capturou sua  mo antes que   sua palma entrasse em  contato com  sua bochecha.
      - No te atreva!
      Olhou-a  com desafio sensual, seus olhos cor  mbar sorrindo.
      - Acredito que desfrutou  de meu contato s uns momentos atrs.
      - Penso que superestima seu poder como  amante, - Ariane replicou.
      - Na verdade, encontrei-te bastante deficiente.
      Por uns  segundos, a diverso lutou  com o  orgulho do Ranulf... e ganhou.
      Embora amaldioando internamente por esse ataque a sua masculinidade, no  pde evitar admirar a  coragem da  dama.
      Ela se atrevia a provocar ao Drago Negro, aparentemente sem temer por sua vida, enquanto seus olhos cinzas disparavam fascas de fogo.
      Riu  lentamente,  enquanto observava Ariane especulativamente.
      Nunca a havia visto to zangada, ou to acalorada .
      Gratificado  pelo rubor intenso  em suas bochechas, Ranulf  perguntou  se seria capaz de provoc-la para  perder o controle completamente.
      Embora  podia  ser um desejo infantil, dar-lhe-ia uma medida pequena de satisfao que o compensaria minimamente pela frustrao sexual que sentia.
      Sem dar tempo de pensar, Ranulf arrastou para trs  sua cadeira e a sentou sobre suas coxas.
      Tomando  uma respirao  agitada, Ariane apoiou suas palmas contra seus ombros largos, sentindo os elos  de sua  cota de malha , a qual ela o  tinha ajudado
a colocar sobre sua tnica um tempo atrs.
      Ela usou toda sua fora para resistir, mas ele se recusou a solt-la.
      - No tem suficiente experincia para julgar corretamente minhas habilidades como amante, moa, - Ranulf disse.
      - Minha  habilidade no  foi provada  completamente.
      - Cr que devemos retornar ao solar e  retomar a experimentao?
      - Duvido  que no   possa   te ter  gemendo de paixo em uns minutos,  como o fiz antes.
      Suas  bochechas alagaram de um rubor  escarlate.
      O desgraado estava gozando a  sua custa.
      -  um arrogante, me solte! Posso ser sua refm, mas  no sou nenhuma mulher fcil a que possa insultar a seu desejo.
      - Seu olhar encontrou  seus olhos que brilhavam  com uma sensualidade perigosa.
      - No, no o  milady.
      -  algo menos que uma moa fcil que eu possa levar a cama quando desejar muito.
      Quando Ranulf levantou sua mo para beijar a pele suave no  interior de sua  bochecha, Ariane fechou os olhos com  mortificao pelo torvelinho  que ele causava
a seus  sentidos.
      Ele podia excit-la  somente com uma carcia.
      - No  fcil, - Ranulf disse.
      - E    meu escudeiro   tambm.
      - Ou  te esqueceste disso?
      Suas palavras eram  ligeiramente provocadoras , mas ela   reprimiu    sua resposta.
      - No,  no  me esqueci.
      - No, o que?
      - No, milorde.
      Quando um pajem  trouxe uma fonte com  papa de aveia, Ariane a arrebatou das mos do jovem e a colocou diante do Ranulf com  fora contida, controlando o impulso
de derrubar-lhe sobre a cabea.
      Ranulf a olhou  desafiante, como se adivinhasse  seus pensamentos.
      - Eu no faria , ou me  foraria a  tomar represlias mais duras.
      -  Voc no gostaria de  ser encadeada no calabouo, acredito.
      - Isso  no  ser necessrio,  milorde,- ela respondeu  duramente.
      - Tem-me  encadeada com meu juramento.
      - Sim, moa ? - ele soprou duvidando.
      - Ento  te sugiro que  mostre uma docilidade  apropriada.
      - V comer, e logo busca sua capa.
      - O ar da manh estar fresco, e  no  desejaria que  minha refm tome  um resfriado.
      Ariane  deu a volta apartando-se.
      Ainda sentindo o calor de seus olhos cinzas ardendo, Ranulf decidiu  alimentar-se, mas seus pensamentos se centraram em sua inimizade acalorada e  em sua
prpria impotncia para lutar com  ela.
      Cada encontro com essa  beleza  se transformava em   uma batalha de vontades, uma batalha que era difcil de  ganhar.
      Verdadeiramente  suas rplicas  temerrias  eram uma provocao que exigiam  uma resposta.
      Suas amostras pblicas de desafio o impactavam.
      Uma comoo  repentina ao lado dele  seguida por um  pequeno grito de dor interrompeu  seus pensamentos.
      Ranulf olhou a seu  redor, como o fez  Ariane.
      Ela no tinha visto  o que aconteceu, mas simplesmente o sups.
      O jovem  pajem, um menino ao redor de  sete anos, tinha tropeado e cado  ao lado da cadeira de Ranulf, deixando cair uma jarra com vinho.
      O vinho que levava se esparramou salpicando as botas de seu Lorde.
      Rapidamente Ariane se inclinou para ajudar  criatura  a levantar.
      Parecia que ele nem notava sua ajuda.
      Tremendo, o menino olhou Ranulf com terror, encolhendo-se para trs porqueseu temvel amo poderia golpe-lo com seu punho poderoso.
      Instintivamente Ariane parou diante  do  menino, protegendo-o detrs de suas  saias.
      - Milorde... foi um acidente.
      Ranulf observou a  expresso plida  da  criatura.
      - Vem aqui, moo,  - ele disse brandamente.
      Mas o menino estava paralisado no piso, ento Ranulf adicionou ainda mais brandamente:
      - No te machucarei.  No  golpeio aos  meninos pequenos.
      Lentamente o  jovem pajem  avanou, saiu de detrs de Ariane e se aproximou de Ranulf.
      - Imploro-lhe meu perdo, milorde, - ele balbuciou com voz assustada, enquanto as lgrimas enchiam  seus  olhos.
      - Como te chama, moo?
      - W-W-William.
      - Sua queda foi um acidente, verdade, William?
      - No me salpicou de propsito.
      - Sim, milorde. Quero dizer, no... no.
      - Ento no vejo nenhuma razo para te castigar.
      - Mas fui torpe, milorde.
      - Se te esforar em  me servir  bem  no futuro , esquecerei  este incidente.
      - Sim, meu  lorde.
      A  suavidade de Ranulf no surpreendeu Ariane, como alguma vez poderia hav-lo feito, embora sua bondade estivesse absolutamente oposta  conhecida fama do
temido Drago Negro.
      -  o  filho do Lorde  Aubert, um amigo de meu pai, -  ela ofereceu como explicao.
      - William est aqui trainhando como pajem.
      Ranulf sorriu, com esse estranho  sorriso brilhante que cortava a  respirao de Ariane.
      - Ento desejas  ser um cavalheiro?
      A  pequena cara de William se iluminou e  perdeu a rigidez .
      - OH, sim, milorde! milorde  Walter prometeu  me trainhar...
      O  menino se deteve bruscamente , como se recordasse que  seu antigo  Lorde j no estava mais no  poder.
      - No vejo  nenhuma razo para que seu trainhamento  no possa continuar, - Ranulf disse com tranquilidade.
      - Se for rpido em aprender seus deveres como  pajem  ento promoverei  a  escudeiro   e te ensinarei como dirigir uma espada.
      - Ensinar-me-?
      - OH,  milorde...
      A excitao   do  menino era reverencial, como se ser trainhado pelo Drago Negro fosse o ponto mais alto de sua ambio.
      Ariane podia ver que Ranulf  ganhou  um devoto a mais.
      E reconheceu o sentimento do menino.
      Ela mesma tinha visto uma vez Ranulf com essa mesma adorao, quando ela era uma adolescente terna e tmida.
      - Tenho um filho de sua idade.
      - Ela ficou surpreendida por ouvir as palavras do Ranulf, e mais  surpreendida  por seu olhar.
      Seu rosto se suavizou completamente, seus olhos que se encheram  com   um pouco de ternura.
      - No  sabia  que tinha um filho.
      Ele olhou de esguelha Ariane.
      - Tenho dois,  uma  filha tambm.
      Ela sentiu outra sacudida de surpresa com sua admisso.
      Muitos Lordes no conheciam o nmero de filhos que tinham procriado, geralmente ignoravam a seus filhos por ser uma consequncia lamentvel de sua luxria.
      Mas  Ranulf no s os reconhecia como falava com orgulho deles.
      - So bastardos.
      Seu tom era afiado, quase desafiante.
      - imaginei, - Ariane replicou francamente, - como no tem esposa.
      Ela o viu refrear-se.
       Mas  havia um sorriso de  pouco humor em seus olhos.
      Ela estava intrigada pela expresso do Ranulf.
      Ele a contemplou minuciosamente, quase como se esperasse que ela respondesse com desprezo.
      - No esperaria que uma lady nobre como voc, - ele disse, - fosse indulgente em relao aos  bastardos nascidos de serventes.
      - Reconheceste-os?
      - Sim. E me ocupo de seu bem-estar.
      - Ento no h nenhuma vergonha relacionada com a circunstncia de seu nascimento.
      - E se falarmos de indulgncia, tenho um  exemplo em minha  lady me.
      - Ela no s aceitou ao bastardo de meu pai, mas tambm o trouxe para viver aqui no castelo e o fez estudar administrao.
      - Oxal todos os nobres fossem to generosos.
      Sua amargura a confundiu, perturbou-a, mas antes que ela pudesse interrog-lo, Ranulf ficou rgido, como se recordasse repentinamente a quem lhe estava falando.
      - Pode te retirar, ele disse.
      Ela deu a volta apartando-se com  brutalidade.
      A ss, Ranulf comeu seu alimento sem sabore-lo, seus pensamentos centrados uma vez mais em como lutar com Ariane.
      No acreditava  completamente em sua opinio  razovel em relao aos  meninos  bastardos.
      Tinha muitas experincias dolorosas de desprezo da classe  nobre.
      Podia ter acontecido minutos ou  horas antes que Ranulf ouvisse  uma garganta sendo esclarecida  nervosamente.
      Olhou a seu   redor para encontrar ao  sacerdote envelhecido, do Claredon que estava  ao lado de sua cadeira, olhando-o   com temor .
      - Posso falar uma palavra com voc?
      Ranulf assentiu  cortesmente.
      - Padre John, verdade?
      - Sim, milorde.
      - No deveria estar dando missa, padre?
      - No havia ningum na  capela. - Seus olhos marrons com uma dbil  acusao.
      - Voc encarcerou a vrios homens de fila, e os aldeos esto temerosos de  arriscar-se a  sua ira, milorde.
      Ranulf franziu o cenho.
      - Pode  reunir seu rebanho sem  medo a um castigo, padre.
      - Eu no negaria s pessoas o refgio  espiritual do Claredon.
      - Agradeo-lhe, milorde.
      - Isso  tudo?
      - No, milorde.
      O  sacerdote permaneceu de p  por um momento, apertando  suas mos nervosamente.
      - Temo que  devo  falar.
      - No posso   permanecer  por muito mais tempo em  silncio.
      - Devo  lhe fazer  ver o  engano  que voc est cometendo.
      As sobrancelhas  do Ranulf se levantaram.
      - Sim?
      -  a respeito de  lady Ariane,  ...  E seu... n ... seu tratamento respeito dela.
      - O que acontece com meu tratamento?
      O ancio  vacilou  responder
      - Voc a  desonrou...
      Com esforo, Ranulf manteve  seu tom suave.
      - Como o sabe,  sacerdote?
      - Eu s lhe requeri que me sirva na mesa e que atue como meu escudeiro, nada mais.
      - Voc a teve como sua prisioneira em sua habitao nas trs ltimas noites.
      - Somente para vigi-la.
      - No posso  confiar nela para que circule  livremente,   ela pode fazer que  outros dos  vassalos de seu pai escapem.
      - Mas... voc... A impetuosidade que voc mostrou  apenas uns momentos atrs...  no deveria   acariciar  sua pele  no salo, como se ela fosse uma faxineira.
      - A dama lhe pediu  que falasse em seu  interesse?
      - No, milorde!  Nunca!
      - Mas eu tenho olhos para ver e  ouvidos para escutar.
      - Ouvi... que  quer repudiar o compromisso matrimonial.
      - J no estamos prometidos, retifico-lhe, - Ranulf respondeu defensivamente.
      - Ela  minha refm.
      - No  permitir que ela procure refgio em um convento?
      - A dama afirma que  no  deseja entrar em um convento.
      - No...  E  seu futuro?
      - Se no for entregue   Igreja, ento  deveria ter um marido.
      - Isso est alm de seu alcance, sacerdote, - Ranulf observou.
      - O rei  Henry ocuparse- de seu futuro no  tempo devido, dependendo do   resultado da  traio de seu pai.
      - Mas eu  tenho   um dever...
      Abruptamente Ranulf levantou uma mo, fazendo   que o  homem se calasse.
      - Seu dever  guiar a seu rebanho,  no  questionar minhas aes.
      - Lady Ariane  minha  prisioneira, para trat-la como eu considere apropriado.
      - Agora , esta entrevista concluiu.
      - Estou  seguro que   tem  assuntos que  atender.
      - Sim, milorde...
      Com uma reverncia  obsequiosa, o  sacerdote se apartou.
      O pedido do  sacerdote era vlido, Ranulf sabia.
      A gente do castelo como uma sociedade feudal, guiava-se por uma ordem.
      Por Deus. E ele havia alterado essa ordem fazendo que  Ariane tomasse o  lugar de seu  escudeiro.
      Tinha planejado for-la  a reconhecer publicamente sua autoridade e  tambm para forar sua submisso, e a de seus  seguidores leais.
      Mas nunca  devia ter  acariciado-a em pblico.
      Estava disposto admitir que tinha chegado  muito longe nesse aspecto.
      E em sua prpria defesa, tinha atuado por  raiva e  frustrao sexual.
      No  havia considerado que ela se sentiria envergonhada  por essa exibio pblica.
      Poucas mulheres da nobreza de seu conhecimento possuam   o mnimo    sentido  de pudor, e muito  menos de honra.
      Enganavam a  seus maridos, abandonavam a  seus filhos, tramavam e  conspiravam para aumentar suas prprias fortunas...
      Mas a posio anterior de lady Ariane como a  lady do castelo merecia  ao menos  uma medida de respeito.
      Ranulf olhou  fixamente a  fonte de papa de aveia.
      Ainda antes das palavras do sacerdote, tinha comeado ter dvidas em relao   sabedoria  de seu plano para ganhar  sua cooperao atravs da  seduo.
      Claramente, se queria  ganhar o  respeito da gente  do Claredon, no podia tratar a sua ama como uma moa comum do castelo.
      Muito bem, Ranulf concluiu   apertando os  dentes.
      Se ela o obedecia, liberaria  Ariane de seu juramento de servi-lo.
      Se ela estivesse disposta admitir sua derrota, ele estaria disposto a demonstrar sua clemncia, embora  no  fosse totalmente castigada.
      No  piso superior do   solar, Ariane experimentava sua prpria frustrao enquanto procurava  sua capa por ordem  de Ranulf.
      Enquanto a colocava nos  ombros, no  podia desviar o olhar   da cama  onde Ranulf a tinha levado   ao prazer.
      Um rubor cobriu suas bochechas enquanto  recordava o  calor, o  desejo, que ele tinha despertado nela com to pouco esforo.
      Me de Deus!, tinha  encontrado essa experincia de paixo  to   incrivelmente  agradvel, embora   no   estava disposta a admitir-lhe a Ranulf.
      Por um momento seus olhos se nublaram com tristeza.
      Por que ele no podia honrar o  contrato?
      Ela seria uma esposa boa, mesmo nessas circunstncias.
      Se esforaria  por assegurar  sua felicidade.
      Poderiam ter compartilhado  um propsito em comum, governar as terras e  servir ao rei.
      Talvez at poderiam haver encontrado o  amor, embora  no  podia ver como com um  lorde duro e insensvel  como o Drago Negro  do Vernay.
      No podia haver espao  em seu  corao  para sentir  uma emoo  como o  amor.
      Era um demnio. Nunca encontrariam um propsito em comum agora, no  com a  animosidade e a desconfiana  que rainhava  entre eles.
      Ranulf nunca a  honraria. Ela no era nada mais que  uma posse para  ele, um peo em seu jogo, um refm.
      Ele exigia sua submisso e no  estaria satisfeito com  nada menos que isso.
      Apartando seu olhar  da cama, Ariane girou para a porta.
      Ranulf no a tinha vencido  ainda,  entretanto se estava tornando mais difcil aferrar-se    esperana de que poderia ganhar uma vitria sobre ele.
      Quando deixou o  solar, surpreendeu-se de  encontrar a  seu meio irmo Gilbert espreitando nas sombras.
      Evidentemente a estava  esperando , e pela  cor subida em  seu rosto  justo, estava por estalar de fria.
      - Milady! Foi muito longe!
      - Isto est alm do que   possvel!
      - Deve me permitir que vingue sua honra!
      Ariane suspirou cansadamente.
      Tanto como gostaria de ver o Drago Negro derrotado, Gilbert no  era quem devia   faz-lo.
      O jovem seria esmagado pelo   hbil e  poderoso  guerreiro que era Ranulf.
      Como o  filho de uma criada, Gilbert tinha proibido determinados direitos, tais como desafiar a um nobre a um combate.
      De acordo com as regras  de conduta dos cavalheiros, s os pares podiam enfrentar-se em uma luta.
      E  o jovem   Gilbert tinha outra   contra.
      No permitia aos jovens usar as armas de um cavalheiro.
      Inclusive os  escudeiros s podiam usar  lanas e espadas de madeira na prtica.
      - No posso tolerar ver Lady do Claredon assim degradada! - o moo gritou.
      Tratada ainda   pior  que uma faxineira!
      - Manuseada  como se fosse  sua amante.
      Ruborizou-se  ela mesma.
      - No sou sua amante.
      - V! Tenho que vingar sua honra! - Gilbert repetiu  ferozmente.
      - Desafiarei a Lorde Ranulf no  campo de honra!
      Ariane sacudiu a cabea. Teria que  persuadir ao jovem que seu plano  no era  somente estpido, a no ser  suicida.
      - Gilbert, - ela disse  delicadamente, - No est trainhado como  guerreiro, no  hbil com os braos.
      - Lorde Ranulf venceu at o  mais capitalista de seus inimigos .
      - Matar-te-ia em segundos.
      - No me importa.
      - No posso  estar perto e  no  fazer nada!
      - Tenho direito, milady.
      - Em  ausncia de nosso pai,  sou seu parente masculino mais prximo.
      - Cabe-me te proteger.
      Ariane deu um outro suspiro.
      - Gilbert, agradeo-te  com todo meu corao  por me defender, mas  no  poderia viver se voc sasse ferido.
      - Com meu pai  sob suspeita de traio, minha  me morta, perdi a  todos os que quero.
      - No  poderia suportar lhe perder.
      - Te necessito, Gilbert.
      Ele apertou seus punhos, mas a fria pareceu abandonar seus olhos azuis .
      - Se no  me permite  lutar, ento   devemos  procurar amparo nas cortes de justia.
      - As cortes?
      - Sim.
      - Sei um pouco de leis, milady.
      - Tem a lei de seu  lado.
      - Poderamos levar a Lorde do Vernay a uma  corte civil por romper o  compromisso.
      Ariane o olhou  fixamente  por um momento comprido.
      Caso  tivssemos um caso, poderamos  persuadir s cortes do novo rei e ouvi-lo,  o que  ganharamos fazendo isso?
      - A fortuna e as terras, milady.
      - Lorde Ranulf tomou posse de todas as propriedades de nosso pai e o  reduziu   pobreza.
      - Se as cortes lhe derem razo, j no teria que depender  da  generosidade do  novo Lorde, nem te   veria forada a servi-lo.
      - E seria um modo de faz-lo  pagar pelo mal que ele te  fez.
      Ela assentiu  lentamente.
      - Mas o  caso poderia ser difcil de ganhar, especialmente   pelo   complicada  situao  de nosso pai.
      - Eu sou  considerada uma  refm  poltica do rei Henry.
      - Mas devemos tent-lo.
      - Eu gostaria de ter um tempo para considerar sua proposta, Gilbert.
      - Mas, minha  lady...
      - Pensarei, prometo.
      Suas palavras evidentemente  no tranquilizaram a  frustrao do jovem.
      - Se no levar Lorde Ranulf s cortes, ento   devemos tomar   algum outro curso de ao.
      - No mnimo , ele  deve ser obrigado a honrar o  contrato matrimonial.
      - S isso reparar o  desonra  que ele te causou .
      Na verdade, j est casada com ele ante os olhos da Igreja, salvo pelo fato que os votos no foram pronunciados e no houve consumao final.
      - Se tivesse prova de que ele te  violou, ento   nem o malvado  Drago Negro poderia repudiar o matrimnio.
      Ariane franziu o cenho  pensativamente.
      Solucionaria   muitos de seus problemas se  Ranulf fosse obrigado de algum modo a honrar o  compromisso.
      Por que alguma vez antes no tinha considerado essa  perspectiva?
      Porque tinha  passado esses dias, obscura   pela  incerteza e pela irritao.
      No tinha  pensado claramente ou objetivamente.
      E  em seu  desespero pela vitria fcil de Ranulf, em sua  fria sobre os mtodos que ele tinha usado para ganhar a posse   do Claredon, e  em sua  humilhao
pelo   repdio, ela  havia sentido aliviada de ver que o compromisso era cancelado, e tinha  mimado seus desejos sem  lutar.
      Mas  Gilbert tinha razo  em um ponto.
      Ranulf deveria ser obrigado a recompens-la pelos anos  perdidos de sua juventude, e  por arruinar suas  possibilidades  de obter   um casamento honorvel.
      Se Gilbert soubesse que  Ranulf a tinha  violado efetivamente, essa manh lhe tinha tirado  sua inocncia, tinha-a  introduzido ao mundo da  paixo, a uma
intimidade a  que s  um marido tinha  direito.
      Mas suas razes  para  querer afianar uma unio  agora foram muito mais alm da vingana.
      Como  esposa do Lorde  ela estaria em uma melhor posio   para proteger ao Claredon e a  sua gente, assim para proteger o  segredo tinha pedido tempo, um
segredo que guardaria por toda vida.
      Seus prprias direitos legais como uma esposa seriam maiores  que aqueles  de uma mera refm  isso era verdade, mas importante, se sua posio  de lady do
castelo fosse restitudo, poderia atuar em nome de seu pai, e poderia refutar a acusao  de traio.
      Ele no  era culpado, sabia  em seu  corao, mas precisava estar  em uma posio  de poder para comear a provar sua inocncia.
      Como  refm  de Ranulf, no podia fazer  nada, mas como sua esposa...
      Pela primeira  vez desde que Ranulf tinha tomado  posse   do Claredon quatro dias atrs, Ariane sentiu  uma quebra de onda de esperana.
      Seu corao se acelerou  de repente, ela  pressionou uma mo tremendo contra  sua boca. Me de Deus ... tinha to  pouco que  perder e tanto   que ganhar...
      - O que acontece , milady? - seu irmo perguntou  ansiosamente.
      - Sim, me deixe  pensar!
      Embora preferiria ser fervida em  azeite antes que  tomar Ranulf de Vernay como seu marido depois de tudo o que lhe  tinha feito, tinha que tent-lo.  3
      Mas tentar o que?
      O  contrato compromisso no  estava em vigncia enquanto que a unio permanecesse sem   consumar-se.
      E tinha  que  haver uma prova da consumao para que a Igreja benzesse a unio.
      Ento... Havia uma maneira de assegurar a consumao? Como?
      Ranulf tinha jurado que nunca a  tocaria ao  menos no lhe tiraria seu...,
      Ela se corrigiu, recordando seus avanos libidinosos dessa manh e  que sua virgindade estava segura com  ele.
      Poderia tentar ganhar sua ateno e  fingir um afeto  por ele,  mas  se ela se  mostrasse mais carinhosa para ele, Ranulf descobriria a estratgia  imediatamente.
      Ela  no  sabia  nada das artes de seduo, da paquera e do cortejo.
      Seria uma pssima  sedutora  .
      Mas  tinha  que fazer algo. Gilbert tinha razo . Simplesmente rogando ou discutindo seus direitos no ganharia nada.
      De algum modo tinha  que  persuadir Ranulf para reconsiderar o matrimnio.
      Ao  menos tinha que  fazer o  impossvel para que ele violasse o  contrato de  compromisso.
      Se pudesse obt-lo,  poderia  ganhar direitos como sua esposa, e ento  poderia usar seu poder para  ajudar s pessoas  que dependiam  dela.
      - Milady? - Gilbert perguntou   com preocupao.
      Reunindo  sua resoluo, Ariane levantou o  queixo e endireitou os  ombros.
      Tinha sido muito mansa e submissa.
      Tinha obedecido as demandas de Ranulf, tinha  tolerado  suas humilhaes sem protestar.
      J era tempo de atuar.
      - Te acalme, Gilbert.
      - Tudo sair  bem, juro-lhe isso, - ela  disse com confiana crescente .
      - Mas  o que far?
      - Ainda no estou segura.
      Ela forou um sorriso  enquanto  olhava a seu ansioso meio irmo.
      - Mas te asseguro  que eu seguirei seu  conselho.
      - De algum modo  Lorde Ranulf  deve ser castigado pela  injustia de repudiar nosso compromisso.
      - E logo...   Deve ser persuadido de  que me necessita como sua  esposa.








      Captulo 10



      Era uma Ariane calada e pensativa a  que acompanhava Ranulf em sua viagem aos campos.
      Mais de uma vez lhe lanou  um olhar preocupado  enquanto ela cavalgava  docilmente ao lado dele, at que  finalmente ela se forou  a lhe responder com sua
altivez  usual para desviar suas suspeitas.
      Quando ela foi obrigada uma e outra vez a  dirigir-se  aos serventes  que encontravam trabalhando a terra, ela o fez com entusiasmo, lhes dizendo em um tom
de voz  delicado e  sincero que se submetessem  autoridade do novo Lorde e que ele seria um amo piedoso.
      Ariane rezava para que suas palavras  fossem  verdadeiras.
      No  queria que os  serventes  do Claredon sofressem  sob o governo  do  Drago Negro.
      Entretanto de algum modo duvidava que isso passasse.
      Ranulf podia amea-la e atuar como um  ogro com ela, e at assust-la para obter sua  submisso.
      E exibir essa  submisso   era uma estratgia inteligente  para desmoralizar qualquer intento de  resistncia.
      Mas  claramente  Ranulf no  era o   bruto que sua terrvel reputao sugeria.
      Na verdade,  tinha mostrado  a seus  inimigos rebeldes  mais piedade  do que se podia  esperar.
      Talvez  havia sentimentos debaixo desse exterior duro, depois de tudo.
      Sentimentos  que  mantinha  escondidos do  mundo.
      -Podia possivelmente usar isso a sua vantagem?- - Ariane se perguntou.
      Poderia, de algum modo, persuadi-lo a casar-se como o  tinha prometido  anos antes?
      Era imperativo tent-lo.
      Nesse mesmo momento, o contingente de cavalheiros e os soldados  passavam pelo lado leste do  bosque oriental com suas densas rvores, os ramos a roavam muito
perto.
      Tinha que ter cuidado de manter seu olhar  desviado, para no demonstrar nenhum  interesse especial nessa zona em  particular do bosque.
      Somente tinham acontecido quatro dias desde que Ranulf tinha tomado Claredon e que a  tinha tomado como  refm, e uma nica preocupao ocupava  sua mente.
      Como poderia  escapar do escrutnio do  Drago Negro para escapar do castelo e para fazer uma visita  breve a esses bosques?
      Era uma misso que no  podia confiar a ningum, esse segredo nunca poderia ser compartilhado, mas se a situao se fazia desesperadora, ela teria  que consider-lo.
      Furtivamente, Ariane lanou um olhar a Ranulf enquanto ele cavalgava para o lado dela.
      Como reagiria  ele se descobrisse  seu segredo?
      Como se sentiria ele respeito a ajudar s almas sofridas que  Deus tinha abandonado?
      O via extremamente poderoso e completamente desumano nesse momento, com sua armadura completa, cavalgando em seu  garanho  negro.
      O  protetor nasal  de seu elmo   de ao escondia grande parte de sua rosto, entretanto  sua mandbula forte sugeria uma determinao inflexvel, e  olhou tudo
o que o rodeava, como se fosse o dono de tudo o que examinava.
      Ela ficou surpreendida, quando ele falou  brandamente, quase  reverentemente.
      - Esta terra tem  corao .
      Ele estava olhando o campo que os rodeava, os pastos  verdes e os bosques, Ariane notou.
      Seu tom de voz sussurrado transmitia   uma possesividade  que a fez  endurecer.
      Esta riqueza ainda pertencia a seu pai.
      - Meu pai  sempre  pensou  assim, - no  pde refrear-se de responder.
      Quando Ranulf lhe deu  um olhar agudo, Ariane mordeu a lngua e  recordou  seu juramento de aceit-lo  como o Lorde. E
      ntretanto umas horas mais tarde, quando se preparavam para voltar  para o castelo, a ordem do Ranulf a  ultrajou  novamente.
      - Espero ter uma comida  esperando a meu retorno, moa, - ele disse usando um  tom que empregava   especificamente para  provoc-la.
      Enquanto cavalgava  de volta ao castelo , Ariane recordou seu plano  para assegurar-se que Ranulf se casaria com ela.
      Era crtico obter a  bno  d Igreja  se queria  estabelecer uma base  legal  para um matrimnio.
      E primeiro  teria que  oferecer  uma  prova para respaldar  sua reclamao, o qual  no  deveria  ser muito difcil.
      Podia  contar com que padre John estava de  seu  lado, pensou Ariane, embora  no  estava segura de que o ancio pudesse  suportar a  tormenta que   estava
a ponto de criar.
      Ranulf se sentiria ultrajado quando descobrisse seu plano, e  talvez at reagiria  violentamente, mas tinha pouca escolha, ela  recordou a si mesma.
      E s podia   rogar para que o fim  justificasse os meios.
      Quando chegaram    fortaleza, Ariane se sentiu  aliviada de ver que no teria necessidade de chamar o Gilbert, porque encontrou a seu meio irmo no grande
salo.
      - Posso te confiar um segredo, Gilbert? - ela  perguntou em um tom de voz baixo para que no a ouvissem os vassalos do Ranulf, que tinham  retornado com ela.
      - Sim, milady! Sabe  que pode.
      - Ento  te peo sua ajuda.
      - V s cozinhas e  busca-me um pedao  de carne crua, no me importa o corte, o importante  que seja carne sangrenta.
      Gilbert assentiu  ansiosamente, sua lealdade fez que ele  no  questionasse esse estranho pedido.
      - Bem, traga-me isso ao  solar e logo busca ao  padre John e  me envia isso.
      - Sim, milady.- O menino disse com um brilho nos seus olhos vidos.
      No poder abrir a boca seria uma tortura  para esse demnio.
       - Gilbert, nenhuma palavra dita a ningum, especialmente Lorde Ranulf.
      - Confio em sua discrio.
      - Sim, milady, - o moo disse com um  brilho ansioso em seus  olhos.
      - Nem a tortura   poderia me fazer abrir a boca ante  esse demnio.
      Ariane desejou  que as coisas no chegassem ao ponto da  tortura.
      Estava esperando no salo  com a comida do meio-dia  de Ranulf, precisamente quando ele a chamou.
      Ele tirou o elmo , e  seu cabelo estava mido e ondulado.
      Estava tendo com seus homens  alguma brincadeira,  foi s depois que alcanou   a mesa   que ele  notou um silncio estranho no salo.
      Quase no mesmo  momento, deu-se conta que  Ariane estava  sentada na  cadeira esculpida   que pertencia a  lady do castelo.
      Seu bom humor  se desvaneceu, Ranulf franziu o cenho.
      - Se esquece  de sua posio, moa.
      - Acredito que no,  milorde, - ela respondeu  neutralmente, ela no  se atrevia a encontrar  seus olhos.
      - Acredito  que tenho   o  direito de  ocupar este assento, porque sou  sua esposa, meu  lugar est a seu  lado.
      - Minha esposa? - suas sobrancelhas se arquearam.
      - No    minha  esposa.
      - Claro que sim,  milorde.
      - Mas... Talvez  preferiria  uma audincia  para  discuti-lo.
      Com um  gesto de impacincia, Ranulf despachou a  seus homens, que se dispersaram pelo amplo  salo.
      Seus vassalos,  exceo  do Payn e  Ivo, retiraram-se  a uma  distncia prudente.
      - Agora,  o que  este absurdo sobre ser minha  esposa? - Ranulf exigiu.
      - Acredito  que esta  toda a prova que  necessito. - Ariane assinalou    a mesa.
      Diante dela havia  um lenol de linho cuja a superfcie limpa estava   salpicada com manchas escuras.
      - Os lenis   de nossa cama matrimonial   est sendo exibida s pessoas do castelo tal como ocorreria  em um cerimnia  oficial de casamento, como se  nos
tivssemos casado  formalmente.
      - J que nosso contrato matrimonial no foi anulado legalmente, e como  esta  a  prova da unio consumada, sob a lei civil e a  lei  da Igreja,  agora sou
sua esposa.
      Ranulf olhou  fixamente o lenol  por uns segundos, antes de que seu olhar voltasse para Ariane.
      - Que canalhice  esta? - ele perguntou.
      - Nenhuma  canalhice,  milorde.
      - O padre John inspecionou o  lenol   como  costume e verificou que as manchas de sangue de minha  virgindade  estavam ali.
      - Certamente conhece como  o costume.
      - As manchas de sangue so testemunho da  pureza de uma donzela e  confirmam sua virgindade.
      Uma fria escura ardeu nos olhos  do Ranulf enquanto  tomava o lenol  em seu punho.
      - Esperas que essa gente acredite em  suas mentiras? - Ariane assentiu.
      Ela no estava mentindo descaradamente.
      Tinha chegado pura  cama de Ranulf.
      Talvez tinha disfarado a verdade manchando os lenis com o  sangue da carne de carneiro e tinha permitido  que padre John tirasse  suas prprias concluses,
mas, por outro lado  tinha reivindicado   a  dvida legal e  moral que Ranulf tinha com ela.
      - No minto, milorde.
      - Somente me asseguro de que voc  cumpra com suas obrigaes e com a  promessa de marcar a data de te casar comigo.
      Ranulf lanou o lenol a um lado, seu olhar ardia.
      - Chama a isto uma prova ? Isto no    prova de nada!
      - No?
      - Nega  que eu tenha compartilhado de sua cama ontem  noite, e a  noite antes de ontem  noite ?
      Um msculo se esticou  em sua mandbula.
      Se j no  for virgem, no  minha responsabilidade.
      - No? Incomodarte-ia  para lhe descrever ao padre como me  violou  esta manh?
      - Te violar? Eu no...  - Ranulf se interrompeu, olhando de esguelha  a seu redor, a maioria  das pessoas  estavam fingindo estar ocupadas com seus deveres.
      Certamente nenhum deles  acreditaria  que ele no  havia  possuido  moa como ela alegava,  no  depois de hav-la acariciado em pblico  no salo  essa mesma
manh.
      Na verdade, ele   tinha estado  perto de possuir Ariane mais cedo, ele  tinha chegado a um ponto limite com suas carcias, tinha-a levado a clmax de uma maneira
que a  Igreja  considerava pecaminoso e depravado.  Mas  no a tinha desflorado.
      Por Deus! , ele estaria  verdadeiramente apanhado pela mentira dela a menos que  pudesse provar a  falsidade  de sua  acusao.
      Abruptamente ele convocou  a um de seus homens.
      - Busca-me  uma parteira imediatamente!
      Lanou um olhar  feroz a Ariane.
      - Suponho que no te incomodar ser examinada para determinar sua  nova condio.
      Ariane levantou seu queixo, olhando-o   firmemente, embora suas mos tremessem com sua ameaa.
      - Como deseja,  milorde...
      - Mas  se ela encontra  meu hmen quebrado, simplesmente  provarei  meu caso.
      Por um momento   comprido, ela o olhou  fixamente, seu rosto estava selvagem pela  fria.
      Ariane conteve a respirao   enquanto  esperava sua resposta, rezando   para que seu plano funcionasse.
      - Assim  como mantm seu juramento? - ele disse finalmente.
      - Com armadilhas e mentiras?
      Ela tragou em seco.
      - No estou faltando com meu juramento, milorde.
      - Jurei te servir e continuarei fazendo isso como sua esposa, ocupar-me-ei dos quiseres do castelo e de sua   comodidade e ...
      - Por Cristo!- Ranulf exclamou enfurecido Ariane se encolheu.
      Seu rosto era quase aterrador.
      O lorde do Vernay parecia um javali ferido que estava encurralado e sem  escapamento.
      Mas um javali encurralado frequentemente atacava...
      Ranulf deu um passo em sua direo, sua mo aferrando o punho de sua espada.
      Foi Payn, quem rapidamente se adiantou para pr uma mo sobre seu brao.
      - Tome cuidado,  milorde.  No  desejaria matar   dama.
      - No? - Ranulf replicou, seus olhos, quase negros da raiva, sua  boca apertada com fria.
      - Pode chegar a lament-lo  mais tarde, - Payn advertiu.
      - Talvez fosse mais sbio  que permitisse que eu trate com ela.
      As palavras acalmadas penetraram  em sua fria cega.
      Seu vassalo  tinha razo, Ranulf sabia.
      Estava muito zangado  para pensar claramente.
      E tinha jurado  nunca  atuar como seu pai,  para evitar  afundar-se nesse nvel de brutalidade.
      - Ela pe a prova minha pacincia, - Ranulf disse apertando os dentes .
      - Sim, mas voc   muito ardiloso para reagir  com  raiva cega, milorde.
      Sentia-se ultrajado  mas  se forou a tomar   uma respirao profunda.
      Sua raiva era certamente  cega.
      As mentiras da moa  s  tinham  justificado sua desconfiana por ela, mas extremamente era o fato que ela assegurasse que j no era virgem  o que mas o
enfurecia.
      Algum outro homem tinha desfrutado  desse belo corpo?
      Algum outro amante lhe tinha  ensinado a responder com paixo?
      Era  virgem ainda?
      No deveria lhe importar se ela se deitava com outros homens, mas o afetava.
      As mos do Ranulf tremiam  com o impulso   repentino de querer lhe arrancar a verdade, uma verdade   que  agora deveria  descobrir em privado  se queria  evitar
arriscar-se  a   uma confirmao pblica de seu plano.
      Por Deus! Tinha  comeado a pensar  que ela era   diferente das outras mentirosas e  manipuladoras da  classe nobre, mas estava equivocado.
      Nunca deveria ter acreditado em Ariane, nunca deveria ter se mostrado  vulnervel.
      A moa tinha exposto  sua  verdadeira natureza, suas ambies, sua falta de honra e seus planos de  traio.
      Tinha deixado cair suas defesas por um nico momento, e  este era o resultado.
       Uma punhalada pelas costas.
      Uma manobra enganosa que tinha a inteno de apanh-lo em um matrimnio.
      - Que esperas  ganhar com isto? -  Ele exigiu  a resposta de Ariane.
      Encontrando-se  com seu olhar  furioso , ela  apertou  seus dedos  para evitar que  tremessem.
      Tinha muito  por ganhar naturalmente.
      Estava lutando por seu  lar, que ela  amava, a  vida de seu pai.
      Como a esposa de Ranulf, poderia  proteger melhor o castelo e os criados, e o mais importante, seus direitos seriam restaurados, podia solicitar ao rei pelo
caso de seu  pai.
      Era uma ironia   adicional que Ranulf teria que   suport-la como sua esposa.
      Mas    pensou que ao Drago Negro   do Vernay lhe interessaria  ouvir justo nesse momento seu raciocnio .
      - Justia,  milorde, - disse ela  tranquilamente.
      - No  permitirei que repudie nosso compromisso  com impunidade.
      Ranulf a olhou  fixamente,  rgido, suas fossas nasais aumentaram.
      Compreendia  bastante bem o  que ela  estava tentando: salvar-se  da ira  do rei.
      Como sua esposa, no seria considerada responsvel pelos atos de traio de seu pai.
      Mas que temer ao rei, ela  deveria estar mais preocupada  com a ira dele.
      Dizer que ele estava  lvido e perplexo por  sua  traio era uma   descrio  muito superficial.
      Mas ela  no conseguiria  for-lo a levantar sua  mo com violncia.
      - Seu plano no funcionar, - ele declarou, apertando os dentes.
      - O matrimnio no existir.
      - Lamento no concordar,  milorde.
      - Como voc disse isso  uma vez, nada pode dissolver nossa unio  agora.
      - Ento   enviarei um mensageiro a Roma imediatamente  para solicitar ao Papa uma anulao.
      A cabea de Ranulf girou procurando a algum entre a gente no salo.
      - Padre John!
      - Sim, milorde?
      O ancio  sacerdote  deu um passo para frente reticentemente.
      - Quais so as bases  para a dissoluo de um matrimnio?
      - A consanguinidade  a justificao  usual, milorde, mas  suas linhas de sangue   no  esto relacionados com as de lady Ariane.
      - Seu pai, Lorde Walter, verificou isso  particularmente antes de arrumar o  compromisso.
      - O que outras apie?
      - Por... deformidade ou enfermidade.
      - Muito bem, reclamarei pelas trs.
      - Pelas trs?
      - Consanguinidade, deformidade  e enfermidade.
      - Acabo de descobrir  que Lady Ariane  minha prima em segundo grau.
      - Mas... No  verdade, padre John  disse.
      - No  mais falso de que a acusao dela de  violao.
      - Quanto   deformidade, a  moa tem  membros disformes, coisa   que no foi revelada no momento em que concordei com o compromisso.
      - Mas, milorde! Pode  ver que  lady Ariane  est  perfeitamente formada!
      - Roma no pode saber isso, - Ranulf replicou  com escura satisfao  .
      Na verdade, tais afirmaes podiam facilmente ser denegadas usando recursos e influncias  polticas, mas  Ariane no tinha a possibilidade de embarcar-se
em  uma custosa batalha na corte eclesistica.
      E talvez o matrimnio seria dissolvido.
      Estava o suficientemente  frustrado para tentar algo, incluindo inventar  evidncia contra  ela.
      Entretanto a terceira justificao  para a  anulao  seria a mais fcil de estabelecer e a mais difcil de refutar.
      - Determinou-se que ela est doente, - Ranulf adicionou  com determinao inflexvel.
      O  corao  do Ariane se afundou  como uma pedra.
      Tinha acreditado que fazia o impossvel para que Ranulf no repudiasse o matrimnio, mas  parecia que ele  lutaria com unhas e dentes.
      - E que classe de  enfermidade   se supe que   contra,  milorde? - ela exigiu  secamente.
      - Varola... Lepra... Uma enfermidade   mental, no me importa.
      - Naturalmente voc ser confinada a seus aposentos assim no poder   contagiar aos outros.
      Ele sorriu  sombriamente.
      - Suspeito que no lhe importaria tolerar esse  castigo.
      - Enquanto isso  no gozar de nenhum  dos privilgios  de ser a  esposa de um Lorde , s de uma escrava.
      Seu olhar duro procurou a multido, e  se enfocou em uma criada, Dena.
      - Voc moa, qual  seu nome? - ele exigiu   em  ingls.
      A jovem  criada de peito proeminente  deu um passo para frente com vacilao .
      - Dena, milorde.
      - Quais  so seus deveres usuais?
      - Eu  sirvo nas cozinhas, milorde.
      - J no. Daqui em diante est a cargo do salo.
      E assumir o  lugar de milady  nas comidas.
      Subindo ao  soalho, ele deu a volta  ao redor da grande mesa para ir  ao lado do Ariane.
      Agarrando-a do brao, tirou-a  da cadeira de madeira esculpida, apontando  ento  um dedo ao assento vazio.
      Um ofego  coletivo percorreu a multido.
      Era um insulto grave elevar o status social de um criado, particularmente o de  uma cabea-de-vento como Dena  e tambm era ilegal.
      Se Ranulf tivesse estado  pensando racionalmente, admitiria que, por lei, no  podia arbitrariamente converter  uma criada em uma  nobre, ou elevar a uma faxineira
  posio  de uma dama, mas  seus pensamentos no eram de maneira nenhuma racionais.
      Ignorando a reao  da multido , Ranulf girou para dirigir-se a eles.
      - No chamaro milady a esta moa. Ela  minha escrava, nada mais que isso .
      - At que  o matrimnio seja anulado, servir-me- como qualquer criada.
      - E vocs  cessaro de honr-la.
      Ariane fechou os olhos com desnimo.
      Ranulf  no  s a tinha deixado a um lado , mas tambm  estava determinado a envergonh-la.
      Mantendo o  aperto de seu brao.
      - Vem, esposa, ele pediu com uma voz de ferro.
      - Vamos a seus aposentos.
      - No vejo nenhuma razo para continuar  nossa disputa em pblico.
      Ariane apertou os dentes. Preferiria enfrentar Ranulf aqui, onde  haveria mais testemunhas de sua violncia.
      - Mas,  milorde,   pensei que voc gostasse das exibies pblicas, - ela replicou  com inocncia fingida.
      - Insistiu para que toda a gente do Claredon ouvisse minhas declaraes de fidelidade, e me manuseou   em frente de todos  nesse mesmo  salo   esta manh.
      - Moa...  - Ele  advertiu , sua voz soando  como um trovo, - est-me  pressionando  muito.
      Ranulf a arrastou para a  escada e  a forou   a partir diante dele.
      Payn os seguiu,  at que    alcanaram o  primeiro degrau.
      - Milorde... Pensa com cuidado o que vais fazer. No a machuque muito.
      - Alguma vez levantei a mo a uma mulher? - Ranulf exigiu, grunhindo.
      - No, mas nunca te vi to zangado...
      - Acalme seus medos, Payn.
      - Deter-me-ei antes de cometer um assassinato. Ranulf prometeu  enquanto  incitava  Ariane a caminhar diante dele, pois ele no ia tolerar o  desafio dela
por muito mais tempo.
      Provaria sua autoridade sobre ela embora isso lhe  levasse o tempo a partir de agora  at o fim da cristandade.
      Forando  Ariane a subir escadas, partiram at dentro do  dormitrio que ele alguma vez havia possudo.
      Ranulf golpeou a porta detrs deles,   e logo girou  para enfrentar a sua nova esposa... sua inimizade.
      Ariane esfregava o  brao, observando-o com desconfiana.
      - No  permitirei que voc  repudie nosso compromisso, - ela repetiu, seu queixo  levantado ternamente.
      - Permitir? - as sobrancelhas dele se arquearam.
      - Quantas vezes devo te recordar  que j no tem  autoridade nem  direitos aqui? Ariane se calou  ante  seu  escrutnio  feroz.
      - Seu plano esteve esboado mal, - ele disse finalmente, seu tom era glacial.
      - Foi estpida ao pensar que poderia me forar a casar contra minha  vontade , ou   poderia conservar sua pele  com  uma mentira.
      - Que mentira  milorde?
      - Nossa unio  nunca foi  consumada e sabe.
      - Nunca tomei sua virgindade.
      - O que me fez esta manh foi  bastante prximo, no h nenhuma diferena.
      Ranulf lanou uma risada rouca.
      - Est muito confundida.
      - O que eu te fiz foi s  uma amostra do que pretendia  te fazer no futuro.
      O alarme brilhou  em seus olhos quando ele  comeou  lentamente a desabotoar o cinturo de sua  espada.
      - O que  pretende fazer?
      - Somente provar sua veracidade.
      No  necessitava de  uma parteira para  examin-la e  determinar se ela ainda era   virgem.
      Colocou a espada sobre  uma arca  e se moveu  determinado para ela, dando passadas compridas.
      - Faz s  dois dias atrs afirmou que ainda era uma donzela e  que nunca tinha estado com um homem.
      - Ou te deitou com um homem aps, ou est mentindo.
      - Pretendo descobrir qual  a verdade.
      Um secura repentina tomou sua garganta enquanto  Ranulf vinha para ela. Se ele a  desflorava agora, to zangado como estava, rasgaria-a cruelmente.
      - Seria uma violao.
      - Se o considerar assim.
      Seus olhos estavam  ferozes de fria, de paixo, ele estendeu sua mo e a empurrou inexoravelmente  em seus braos.
      - No! Ela exclamou um instante antes de que sua boca se esmagasse sobre a dela, afogando suas palavras de protesto.
      Ela lutou sem nenhum  proveito.
      Sua lngua entrou em sua boca , calando-a, lhe tirando a respirao .
      Ela gemeu, mas  Ranulf no prestou  ateno a seus protestos.
      Seus braos se fecharam  firmemente ao redor de seu corpo lhe impedindo de   mover-se , suas coxas se apertaram  contra os dela.
      No a golpearia, no a machucaria   nem a  torturaria, ele jurou.
      Somente a atemorizaria para que ela  admitisse a verdade, foraria-a  a deixar seu plano.
      Somente a abraaria e a  deixaria imaginar  pior...
      A maldita verdade era que  no desejava  amea-la  com  violncia fsica.
      Queria castig-la com prazer.
      A queria ofegando agradada debaixo dele.
      Queria saciar  esse desejo feroz que   tinha  por ela, satisfazer  sua necessidade primria de afundar-se em seu  interior quente, e  talvez  finalmente apagar
esse  ardor que ela despertava  nele.
      Por Deus!, como a desejava!
      A raiva e a excitao lhe faziam ferver o  sangue.
      Incapaz de escapar, Ariane se abriu indefesa   invaso masculina.
      Tratou de recordar as inumerveis idias pelas quais devia   resistir, tratou de recordar as imagens de sua vergonhosa rendio dessa manh, e entretanto a
razo pareceu desaparecer.
      Um calor estranho comeou  a crescer nas profundidades de seu corpo, acelerando  pulso, deixando-a dbil e enjoada.
      Ariane se encontrou obstinada a Ranulf,  rendendo-se a seus beijos ardentes, embora o horror espreitava no borda  de sua consciencia.
      Teria que lutar contra si mesma  tanto como contra  ele.
      Sentiu  como se estivesse afogando em sua posse...
      Ouviu  que Ranulf dar um grunhido, cru e  primitivo, e ela quase  gritou quando ele interrompeu  seu beijo quente.
      Seus  joelhos teriam cedido se as grandes mos dele no estivessem apertando suas  ndegas, mas ela se manteve de p   enquanto  sua boca se movia  quente
sobre sua garganta.
      Impotentemente  Ariane gemeu, aferrando-se  a seus ombros poderosos.
      - Ranulf...
      Ranulf congelou com seu pedido  rouco.
      Ele apertou seus  olhos com fora,  desesperadamente lutando   por manter  o controle, para recuperar sua sanidade mental.
      Como tinha chegado to longe  quando no tinha inteno de toc-la?
      Seu membro  estava duro e pulsavam debaixo de sua tnica, seu  corpo reclamando uma necessidade proibida.
      Esqueceu-se que essa moa mentirosa era sua inimiga.
      Este era precisamente o  que ela necessitava dele, que  consumasse o  matrimnio.
      -   No,  pelos  Santos!  Que  Deus seja minha  testemunha, voc no ganhar...
      No  permitiria que ela usasse  seus encantos vis para ganhar sua rendio.
      Ficou olhando-a  fixamente,  respirando ardentemente enquanto  lutava contra o impulso de tom-la novamente em  seus braos.
      Nessa batalha de vontades, ele  tinha perdido e essa ameaa de violncia fsica no  tinha sido suficiente para assust-la.
      - Pagar   por sua traio, moa.
      - Farei que sua vida seja miservel. Juro!
      - Daqui em diante  todas as tarefas mais pesadas do  castelo sero tuas.
      - Se pensava que me servir como  meu escudeiro era  humilhante,  encontrar seus novos  deveres trs vezes mais degradantes.
      J sem  acreditar em sua prpria disciplina e controle, Ranulf a soltou e se forou   a dar um passo  atrs.
      Seus olhos a percorreram.
      - Deixar-te-ei sem tocar tal como te  encontrei.
      - Se valorizar sua vida, manter-te-a fora de minha  vista at que a anulao seja concedida e eu me  libere  de voc  para sempre.
      Ranulf se deu volta e saiu da habitao, a porta foi fechada com um golpe.
      Ariane levou uma mo a seus lbios inchados, seus pensamentos era uma massa de confuso.
      Ela no queria que ele se fosse.  Queria que ficasse  com ela. Havia desejado seu contato, sua posse, queria que a tivesse tomado.
      Como era possvel? Ranulf era seu inimigo, o  homem ao que tinha jurado   odiar.
      Entretanto tinha se derretido imediatamente com seu contato e os beijos ferozes lhetinham convertido o sangue em  fogo.
      O que mais a  assustava era como ele podia dirigir seu corpo a vontade.











      Captulo 11



      Ranulf tinha uma revolta frente a si.
      Comeou   to  sutilmente  que a princpio no a notou, mas quando os acidentes frequentes e inexplicveis e os incidentes de subverso ocorriam em diferentes
lugares da  fortaleza, ele se deu conta  que a gente do castelo  do Claredon estava empreendendo uma batalha silenciosa    contra  ele, em defesa de lady Ariane.
      O  primeiro incidente aconteceu  dois dias depois de que designou Ariane as tarefas duras do castelo.
      Os pratos da comida do meio-dia estavam excessivamente salgadas e portanto estavam indigestas, o  vinho estava azedo, at podia estar envenenado.
      Ranulf o cuspiu e  gritou  para que trouxessem  o  cozinheiro do castelo.
      O  homem gordo veio das cozinhas, fez uma cara de humildade e  expressou  suas falsas  desculpas ao Lorde.
      Sem lhe acreditar, Ranulf sugeriu diretamente que a  antiga lady  de Claredon podia ter estado envolvida em um intento de envenen-lo  a acusao  foi negada
veementemente.
      Incapaz de provar o contrrio, Ranulf reprimiu  o impulso   de golpear ao idiota, mas  como   castigo, forou-o  a beber a garrafa de vinho, obtendo uma escura
satisfao   quando o  homem saiu correndo  latrina para   esvaziar os contedos de seu estomago.
      Sua satisfao  se desvaneceu  essa tarde quando  descobriu que as fitas de couro de uma  dzia de cadeiras de montar  tinham  sido cortadas,  no completamente,
mas o suficiente  para evitar ser detectado a simples vista e para causar que algum se machucasse se a usava.
      Rugindo sua contrariedade, Ranulf fez trazer todos os moos dos estbulos diante dele  para question-los, mas   nenhum  admitiu ter cometido a ao.
      Os incidentes  continuaram durante a seguinte semana, nenhum deles fatais, mas todos  altamente irritantes e expor um desafio direto a sua autoridade.
      Primeiro tinha sido o  sabo que cheirava mal e  que encontrou  suas vtimas nos barracos da guarnio, o mal cheiro perdurou no  salo  por dois dias. Em
seguida lhe seguiu  uma epidemia de urticria entre seus homens, causados pela presena de piolhos nas mantas de dormir.
      A tnica favorita de Ranulf foi rasgada ao ser lavada e no podia ser emendada.
        E quando o Lorde se ausentou de noite porque visitou outra das propriedades longnqua  do Claredon, algum se infiltrou nos currais e  liberou os falces
de suas jaulas.
      A pequena  rebelio  incitou a fria de Ranulf, inflamando a ferida aberta que existia  dentro dele depois de ter vivido  uma vida de repudiado.
      Para sua frustrao, no podia  descobrir os culpados.
      Os criados do  castelo trabalhavam do modo usual, e  tinham desculpas preparadas para -acidentes-, mas seus olhares  hostis diziam-lhe   claramente que estavam
contra  ele.
      Ranulf culpava diretamente Ariane.
      No tinha  nenhuma prova, entretanto  sentia   que ela  incentivava a  sua gente   insurreio e os  incitava a esses atos de malcia.
      Ranulf quase  diariamente  encontrava   um novo  problema que despertava sua irritao.
      E se alguma vez lamentava o  mtodo de castigar Ariane, ou sentia a mais ligeira compaixo  por sua situao, ele a reprimia  impiedosamente.
      No  permitiria que ela o  fizesse ficar como   um idiota.
      Na verdade Ariane no  era completamente  inocente das acusaes, embora ao princpio  ela estava muito cansada pelas tarefas pesadas impostas pelo Ranulf
para  contribuir   rebelio: trabalhando no horta, limpando as cinzas da grande  chamin das cozinhas, cozinhando os pes nos fornos ou revolvendo a roupa que se
fervia nas caldeiras...
      As tarefas. Menos agradveis de um castelo.
      E Ranulf tinha designado  dois guardas para controlar cada um de seus movimentos e para impedir que sua gente  viesse em sua ajuda e  executar essas tarefas
pesadas por ela como inicialmente tinham tentado fazer.
      Quando ela se inteirou dos primeiros dois episdios  de desafio, Ariane queria rir e chorar ao mesmo tempo.
      No  pde evitar sentir-se agradada porque os criados do Claredon permaneciam  leais  a ela, entretanto se sentiu horrorizada ao contemplar a vingana  de
Ranulf para os esforos dos criados por ajud-la.
      No desejava   ver ningum mais sendo castigado  por sua causa.
      Entretanto  no  temia  verdadeiramente que Ranulf se vingaria com sua gente  de seu intento  desesperado de estabelecer-se como sua esposa.
      Tinha visto  sua clemncia, tinha-o  visto atuar com moderao  para com  sua gente, assim  a menos que fossem apanhados cometendo uma sabotagem, no os castigaria
injustamente.
      Ento ela  comeou  brandamente  a incentivar  seus pequenos atos de subverso, recordando a si mesma  que Ranulf no  lhe tinha  dado nenhuma outra opo
que  desafi-lo veladamente.
      E na verdade, uma parte dela se sentia gratificada ao  observar   a  frustrao e   impotncia do Drago Negro, que realmente  eram menores comparado com as
suas prprias.
      Ele tinha mantido  sua promessa de fazer  sua vida miservel.
      Cada noite quando Ariane finalmente subia as escadas para ir a  sua habitao, arrastava-se  cansadamente a sua cama, seus msculos gemendo de dor porque
no estavam acostumados a tanto trabalho.
      A precariedade de sua posio no castelo era mais difcil  de aguentar  que seu cansao  fsico.
      Os guardas a vigiavam em todo momento, como se ela fosse uma criminosa.
      Sem dvida, Ariane suspeitava, porque Ranulf tinha ameaado  se falhavam em seu  deveres.
      No lhe era  permitido falar com sua gente e andava  vestida como uma escrava.
      Ranulf  tinha confiscado todos seus vestidos mais finos, obrigando-a a vestir as tnicas de l mais toscas que lhe irritavam sua pele delicada.
      Uma de suas  melhores tnicas tinha sido dada  a Dena, que sentia grande prazer em ver-se to  favorecida pelo novo Lorde e  sua nova  posio.
      Que Dena compartilhava a cama do Ranulf era um pouco assumido embora ningum tinha visto que ela  passasse uma noite em seu  solar.
      Nas  comidas, ela  se sentava  ao lado dele na mesa principal, ocupando o  lugar de honra: a cadeira que correspondia a lady do castelo.
      Ainda vestida com tnicas finas, Dena parecia  uma prostituta, e doa a Ariane ver que s vezes   Ranulf oferecia   moa  um de seus lindos e radiantes sorrisos,
embora nem abaixo de tortura ela tivesse  admitido isso.
      Estava  determinada a tolerar sua posio  servil  com dignidade.
      Ranulf no a derrotaria, Ariane prometeu.
      No a   quebraria.
      Ela se dobraria como um junco mas  permaneceria de p  depois que a tormenta  passasse.
      Pensando que era o mais sbio, ela se esforou por permanecer fora de seu caminho.
      Quando ela tinha a desgraa de  atrair sua ateno, sua  mscara de frieza gelada lhe dizia  claramente que sua fria por ela no tinha diminudo.
      Os piores momentos  ocorriam  quando lhe era permitido retirar-se ao  aposento cada noite, porque tinha  que  cruzar o  salo acompanhada por seus guardas
para alcanar a  escada que estava   detrs do  soalho.
      Ranulf lhe lanava um olhar fixo e penetrante,  seu rosto era uma mscara rgida, entretanto ela  podia sentir os olhos dourados  de um falco seguindo   cada
passo  de sua caminhada, podia sentir seu corao acelerar-se sob  seu  escrutnio.
      Sempre era um alvio alcanar sua habitao, seu  nico lugar de refgio, embora  frequentemente o eco da risada de Dena a seguia at l.
      Em uma noite em particular, quando o  som da risada da criada pareceu   especialmente  grosseiro e provocador, Ariane se sentiu  gratificada ao   saber que
Ranulf compartilhava sua opinio.
      Abaixo no salo, Dena molhava os lbios e  lanava  sua cabea para trs  sedutoramente.
      - Ela sempre se acreditou mais do que era, - a criada  disse, referindo-se a Ariane.
      Ranulf lanou   moa  um olhar reprovador.
      - Se esquece, moa, que  no  sua posio criticar a sua antiga ama.
      Ela o olhou  assombrada pela resposta.
      - Milorde, me perdoe, - Dena murmurou.
      - No quis causar ofensa.
      Inclinando-se  perto dele para roar seu brao, pressionou seus peitos abundantes com uma sugesto ertica.
      - Diz-se  que a antiga lady de Claredon evitava as tarefas que voc atribuiu em cada oportunidade.
      Seu cenho franzido se  aprofundou   enquanto rodeava com um abrao possessivo a Dena.
      - No desejo   escutar as intrigas  do castelo.-
      Aparentemente no muito convencida disso, Dena lanou  outra risada estridente.
      - No so intrigas, milorde.
      - Eu  poderia te contar coisas que vi...
      - Lady  Ariane  no  to pura como aparenta.
      - No  passado  ela frequentemente deixava o castelo sem companhia e ia aos bosques a encontrar-se  com seu amante...
      As palavras maliciosas da criada golpearam Ranulf  como se tivesse recebido um  golpe em seus genitais, despertando lembranas de traio   e enviando seus
pensamentos ao passado.
      Em sua mente, no  viu Ariane, a no ser a uma  nobre que tinha sido sua  me e a  quem nunca tinha conhecido, escapando   do castelo para encontrar-se   com
seu amante campons, para manter uma relao  adltera.
      Com vvida intensidade recordou a dor que sua traio  tinha  causado a sua vida por muito  tempo,  como tinha destrudo sua   possibilidade ter esperanas
ou sonhos...
       Reagindo  cegamente, Ranulf golpeou  seu punho na mesa.
      - Basta!
      A ordem  silenciou a risada  grosseira da Dena.
      Logo que  vendo-a, Ranulf lanou um olhar  escuro  criada.
      - Pode te retirar.
      - J no  preciso de sua presena esta noite.
      - E no futuro , sugiro-te  te refrear  de discutir os temas  que no  so de seu interesse.
      Alarmada pelo brilho  em seus olhos, Dena se levantou  apressadamente  da mesa e fez   uma reverncia  tremente.
      Quando ela se retirou, Ranulf se  sentou e brincou com sua adaga, cravando-a nos restos de um pudim de carne.
      A seu  lado, Payn o observou com um cenho franzido logo escondido.
      Eles dois estavam sentados  sozinhos, pois a maioria  dos  homens  do Ranulf estavam jogando dados perto da   grande chamin, enquanto os serventes limpavam
as mesas.
      - A moa sem dvida conhece intimidades, - Payn comentou cautelosamente, mas mente quando sugere que sua antiga ama  falta a seus deveres.
      Ranulf grunhiu seu acordo.
      Os relatos que tinha obtido em relao s tarefas  de Ariane sugeriam  que tinha obedecido cada uma de suas ordens  sem queixar-se.
      E para  seu conhecimento, no  tinha repetido  sua afirmao ultrajante  de ser sua esposa.
      No tinha  nenhum motivo para desafi-la-o qual   s tinha servido para  aumentar sua fria.
      A suspeita que  Dena tinha despertado  em sua mente no fez    nada para acalm-lo. A criada havia dito a verdade?
      Lady Ariane escapava frequentemente do castelo sem companhia para encontrar-se com um  amante no bosque?
      - Dena se est pondo muito atrevida, parece-me  - Payn murmurou,  -desde que voc concedeu-lhe a possibilidade de abandonar seus deveres.
      - Ela se considera sua favorita, mas me pergunto por que voc permite  tal  presuno?  Suas tetas no so to espetaculares.
      Ranulf assentiu  ausentemente.
      Desde o comeo tinha  lamentado seu  impulso precipitado que o tinha  conduzido a elevar a Dena ao  lugar da Lady, mas recusava-se  a revogar suas ordens.
      Tinha atuado  irracionalmente, movido pela  raiva causada pela mentira  de Ariane com os lenis, mas no  podia retroceder  agora, se tinha a  esperana de
ganhar o  respeito das pessoas  do Claredon.
      Nesse caso  particularmente, era imperativo que ele provasse  que estava determinado a manter o que havia dito, e  que sua ira  no devia ser tomada com leveza.
      Dentro de um curto prazo de tempo  teria que  considerar como fazer uma retirada  ttica de sua ordem.
      O rei  Henry  sem dvida poria   objees  ao feito que  uma de seus nobres, ainda a filha de  um traidor, fosse forada a servir como uma escrava.
      Enquanto isso, Dena se estava voltando muito atrevida, Ranulf admitiu.
      Em verdade,  Payn estava assombrado de inteirar-se que ele  no se aproveitou do  desejo bvio  de Dena de compartilhar de sua cama.
      Mas essa  moa grosseira, no despertava sua luxria.
      Se cansou de sua companhia em um s dia.
      Muito frequentemente se encontrava   recordando a essa nobre  enfurecedora e desafiante que alguma vez  tinha sido  sua prometida.
      Nenhuma camponesa, sem importar sua aparncia fsica, podia comparar-se favoravelmente com  Ariane.
      Sua elegncia, sua  graa, seu aroma, e at  sua lngua afiada, fascinavam-no.
      Era absurdo.
      E por Deus  que o tinha tentado.
      Mas  no  podia tir-la de sua mente...
      Ou de seu corpo.
      Cada vez que a via, sentia que sua luxria se agitava.
      Somente olh-la despertava sua fome por ela.
      E seus instintos viris o faziam plenamente consciente que outros de seus homens  sentiam o mesmo desejo que ele.
      Ela possua  uma sensualidade fresca que todo homem de sangue quente encontraria desafiante .
      Os  homens dela  sem dvida tambm  se sentiam  assim.
      Especialmente esse moo de cabelo claro chamado Gilbert que a seguia como um co faminto.
      Ainda agora Gilbert lhe estava cravando o olhar do outro extremo do salo.
      Era ele um dos amantes que Dena tinha mencionado?
      O amante com quem Ariane se encontrava no  bosque?
      Ao lado  do jovem estava  sentado o  ancio sacerdote e o administrador do Claredon, o que recordou Ranulf de outro incidente que o havia zangado .
      - Sabia, - ele contou,  -que o maldito  administrador  tentou me atribuir uma dzia de seus prprios enganos de clculo  esta manh?
      - Sem dvida  pensou  que voc  no o revisaria, - Payn disse comprensivamente.
      - Deveria designar seu prprio administrador, milorde.
      Ranulf assentiu e bebeu seu  vinho, que por sorte no estava azedo.
      Ele podia calcular e ler suficientemente bem para dar-se conta quando algum o queria enganar.
      - Todas as pessoas daqui pensam que sou um estpido?
      No respondendo imediatamente, Payn tomou um alade e comeou a tocar umas notas.
      O cavalheiro era um msico decente, e  possua  uma voz  melodiosa.
      - Eles pensam que est maltratando a sua  lady, ele disse finalmente.
      - Maltratar?
      A expresso de Ranulf se obscureceu quando  murmurou:
      - No a maltratei nem a metade  do que  deveria ter feito.
      - E ela   afortunada de que no a tenha encadeado  por sua  traio.
      - Todos sofremos a traio de uma mulher cedo ou tarde.
      - A menos  que  lady Ariane  sentisse  que tinha alguma base para afirmar que era sua esposa.
      Ranulf estreitou seu olhar  perigosamente.
      - Est defendendo-a?
      - No,  milorde, - Payn afirmou.
      - Mas  temo que  no est ganhando a batalha.
      - Talvez  seria mas sbio trocar sua estratgia.
      - No me fale em favor dela - Ranulf replicou.
      - No o digo pelo  interesse dela  milorde, a no ser no teu prprio.
      - Sabe  que eu s  sirvo a seus interesses.
      - Lady Ariane acorda um  apoio incomum entre sua gente, e ali est sua fora.
      - Lady?
      - Disse-te que  no a chame assim.
      Payn se encolheu de ombros.
      - Temo que o  ttulo  do Lady   no  algo que o possa tirar  somente por  decreto.
      Morosamente Ranulf olhou   seu  vinho, consciente de que  seu vassalo tinha razo.
      A mulher  que ele tinha degradado ilegalmente  condio de escrava era dama nobre.
      Apesar dos farrapos que ela vestia   agora seu sangue e sua linhagem eram evidentes.
      Ariane se movia   como uma rainha...
      Orgulhosa, indomvel, bela.
      Com todas as ameaas e exibies de poder, no  tinha sido incapaz de atemorz-la.
      Sem dvida tinha  ferido mais a ele por ver-se forado a usar esses  mtodos com uma mulher, indo contra seus cdigos de cavalheiro.
      Mas ela   merecia um  castigo  por seus crimes.
      Se ele sentia remorsos  por ver Ariane  trabalhar  como uma escrava, tentava-os  reprimir.
      Sempre tinha mantido um controle feroz sobre si mesmo,  que no permitia  nenhuma emoo, nada de brandura.
      Era um homem de disciplina, com a habilidade de exercer uma restrio sobre  suas paixes.
      O  problema era que Ariane provava  seus prprios  limites.
      Mais de uma vez tinha tido  que refrear-se de ceder a seus impulsos protetores e cancelar a  execuo  estrita de sua sentena.
      Duas vezes nos quatro dias desde sua declarao  pblica,  viu-se assaltado por sentimentos de ternura.
      O esforo por reprimir sua atrao  por ela era at  menos bem-sucedido, Ranulf admitiu.
      Frequentemente se encontrava   escutando os   passos suaves do Ariane, ou o aroma no arde seu  perfume, ou  procurando-a   entre a multido  no salo durante
as comidas.
      Desgostava-o e o  enfurecia, seu  desejo estpido de estar com ela.
      Incrivelmente, tinha desfrutado  tendo-a a  seu lado  durante as  poucas noites nas que a tinha forado  a compartilhar sua cama.
      Talvez tinha se equivocado ao tir-la de sua prpria habitao, mas sabia  que no  podia estar perto de Ariane e  manter  sua luxria sob  controle.
      - O que me  recomenda, ento? - ele  perguntou  seu vassalo.
      - A dama deve aprender que est sujeita a minha  vontade.
      - No  tenho nenhuma prova,  mas  sei  que ela esteve incitado a seus serventes  rebelio.
      - Eu no estou to seguro de que ela seja a culpada  embora seja  inegvel  que ela  a causa da rebelio.
      - Suspeito que a rebelio se apia na  injustia que se comete contra  ela.
      - Sem dvida eles  consideram que ela  foi privada ilegalmente de seus  direitos, que lhe foram  negados sua posio   no  castelo e seu lugar como a esposa
do Lorde.
      - Talvez seu castigo  muito visvel, Ranulf.
      - No Poderia idealizar um castigo  mais privado?
      - Um  que no a exiba como  uma mrtir?
      Justo nesse momento, a enorme  porta do salo  se abriu  para admitir dois sentinelas.
      Se aproximaram prontamente pelos corredores entre as mesas.
      - Milorde, - um homem disse urgentemente.
      - Temo que tenho ms notcias.
      - Ocorreu  outro feito de destruio  intencional.
      Ranulf lanou a Payn um olhar escuro  antes de perguntar:
      - O que  esta vez?
      - A casa de armas ...
      - Mas talvez voc deva v-la pessoalmente.
      Com uma fria  silenciosa, o  novo Lorde  do Claredon e seu vassalo acompanharam aos sentinelas fora e foram a   casa de armas, cuja  porta agora estava
aberta.
      Era no recinto que se armazenavam armas e  armaduras usadoa pelo exrcito.
       Com a luz de uma tocha, podia ver uma substncia  grossa e brilhante cobrindo  quase toda a  superfcie.
      Com um  dedo, Ranulf tocou a substncia pegajosa.
      - Mel! Por Deus!...
      Algum  tinha derramado mel sobre as cotas de malha,  os cascos metlicos, as espadas, lanas e escudos.
      Necessitaria que cada escudeiro e cada pajem da  guarnio  trabalhasse por largas horas, limpando e esfregando o  metal com areia e  vinagre para tirar a
substncia pegajosa.
      - Voc falou de injustia? - Ranulf perguntou a Payn em um tom perigoso, antes de dar a volta e abandonar o recinto.
      Foi diretamente ao piso superior  da torre,   habitao  de Ariane.
      Os guardas estavam diante de sua porta e observaram com ateno  quando viram seu Lorde tirando uma chave.
      Abrindo a porta de um golpe, Ranulf entrou e a golpeou detrs dele.
      Tinha surpreendido Ariane no ato de preparar-se  para ir  cama.
      Ranulf lanou um olhar s ndegas e s magras   pernas e ela lanou  um gemido e  agarrou  a  primeira coisa que tinha  mo, uma  tnica de l .
      Ariane deu a volta para  enfrentar, apertando o objeto contra seus peitos  em um intento  de cobrir sua nudez.
      - Milorde...  O que  quer? - ela  exigiu  ofegando.
      Seus  olhos ambarinos resplandeceram  com fria e logo se  obscureceram com alguma outra emoo  enquanto a olhavam  fixamente.
      - Desejava  falar com voc.
      - Estive lavando imundcie todo o dia.
      - Pode me permitir um momento de privacidade?
      - Eu gostaria de poder me vestir.
      - No...
      Os olhos dela aumentaram.
      - No?
      - Um escravo no  tem  necessidade de privacidade.
      Sua provocao fez  com que   Ariane endurecesse  suas costas.
      Eu no sou uma escrava, milorde, como tenho dito  antes.
      - Sou sua esposa.
      O ultraje apareceu  abruptamente nos olhos ambarinos do Ranulf.
      -   minha  posse, nada mais.
      Eu  nunca  reconheceria como esposa a uma mercenria mentirosa.
      - Nunca   lucrar  com minha  riqueza e minha  posio.
      - No me importa sua riqueza ou sua  posio, - ela replicou, seu prprio desafio brilhava em seus olhos.
      Ranulf a olhou  fixamente, a  fria e a admirao  lutando dentro de si. A fria ganhou.
      - Mais mentiras?
      Quando ela parou olhando-o com  altivez  real, ele apertou seus dentes.
      - No importa. O matrimnio logo ser anulado.
      - J enviei uma petio a Roma com um suborno volumoso, para encontrar uma soluo rpida.
      - Mas eu no  devia discutir esse ponto.
      - Quero discutir os acidentes e os atos destruio que estiveram flagelando  fortaleza.
      - Quero que os faa deter de  uma vez.
      - Por que vieste a mim,  milorde? Eu no tenho nada que ver  com isso.
      - Eu fiz precisamente o que voc exigiu.
      - Eu considero que voc seja a responsvel por estes episdios de sabotagem.
      As sobrancelhas do Ariane se levantaram.
      - Como? Eu j no dirijo esta casa.
      - E no posso ser responsabilizada se as coisas saem mal.
      - Voc  o Lorde  agora, como me repetiste isso numerosas vezes.
      - E voc desperta a compaixo de sua gente para que fiquem contra mim,  no o  negue!
      - No tentarei te convencer do contrrio,  milorde.
      - Voc no  me acreditaria.
      - No,   no o faria. Seu olhar frio se deteve nela.
      - Ser sua tarefa  limpar as armaduras e as armas  que voc e seus cmplices procuravam arruinar.
      - E falar com sua gente  uma vez mais para exigir que cessem com  sua sabotagem.
      - Ou o que acontecer,  milorde?
      - Sua calma era enfurecedora.
      Ranulf apertou seus punhos para reprimir o impulso de sacudi-la.
      - Advirto-lhe isso, moa, est chegando ao  final de minha  pacincia.
      - Um incidente mais de subverso e  castigarei a todos eles, sem considerar se for justo ou no!
      - Os oficiais  do castelo sero jogados no calabouo.
      - Aos homens livres, exilar-los-ei para que morram de fome.
      - Os serventes  sero enviados aos campos, onde sero usados para empurrar os arados em  lugar dos bois.
      - Os culpados sofrero junto com os inocentes.
      Ariane tremeu  internamente ante  sua ameaa, mas encontrou  seu olhar furioso  com um olhar de fingida serenidade.
      - Falar-lhes-ei,  milorde.
      - Mas  no posso  prometer xito nisto.
      - As pessoas  do Claredon no  so ovelhas que  ofeream cegamente sua lealdade a um novo Lorde.
      - A lealdade deve ser ganha.
      Ela sorriu.
      - E empreender uma  guerra contra mim   no  a maneira de obt-la.
      - Sem dvida   lhe aceitariam mais rapidamente  se  voc permitisse que eu dirija o castelo novamente.
      Suas sobrancelhas se arquearam.
      - Por Deus! Pensa que sou to estpido para te confiar semelhante autoridade?
      - Penso que  seria um idiota se no confiasse em mim.
      Ranulf lhe lanou  um olhar furioso.
      Seus olhos se encontraram  em uma batalha silenciosa de vontades.
      Lentamente, sem  falar, ele se moveu  para  ela, fechando a distncia  entre eles, at que  esteve diretamente  frente a ela.
      Ariane levantou seu queixo, encontrando  desafiantemente  seu olhar ardente.
      Se  negava a atemorizar-se  diante dele, embora  seu corao  comeasse a martirizar pesadamente.
      A ordem que lhe seguiu a  assombrou  completamente .
      - Quero  ver-te sem sua roupa.
      - Tire isso.
      - Est surda, querida?
      - Te digo que  desejo que tire suas roupas.
      - O que? - Ariane o olhou com  incredulidade , sua  compostura se derrubava repentinamente .
      -   surda, querida?  Te disse o que  desejo  ver.
      - Tire a roupa.
      Como ela permanecia  congelada, Ranulf sorriu  provocativamente.
      - Um escravo no tem necessidade de modstia.
      O olhar dele a percorreu  atrevidamente.
      Duvido muito  que possua  encantos que eu no tenha  visto antes.
      Vi um grande nmero de mulheres  nuas... incluindo a  voc.
      - Ento  por que quer ver-me outra vez? - Ariane exigiu  ofegando.
      - Porque  meu desejo.
      Ranulf queria provar seu poder sobre ela, Ariane se deu conta  apertando os  dentes.
      E havia pouco que ela  pudesse fazer para  impedir-lhe.
      Com teimosia   e determinao, ela levantou seu queixo, fingindo indiferena.
        No o deixaria ver sua mortificao.
      Orgulhosamente, Ariane fez  o que foi pedido e  deixou cair a tnica.
      Para seu horror, sentiu  o olhar  quente  de Ranulf avaliando  seu corpo, medindo, tocando-a   intimamente.
      Movendo-se  lentamente sobre cada centmetro dela, estudava-a a  como  um escravo.
      Era extremamente e  inexplicavelmente excitante.
      Era igualmente   excitante para Ranulf.
      Conteve a respirao  ante a imagem  de Ariane nua e  vulnervel diante dele, deixando que  seu olhar   acariciasse os montes elevados de seus peitos... a
cintura estreita e as quadris... atrasando-se no pbis acobreado  entre suas coxas... suas pernas  largas, magras...
      Sabia   que devia sair imediatamente, antes que seu controle de ferro se perdesse   irrevogavelmente, mas   no  podia dar o  primeiro passo.
      Olhou  mulher diante dele, absorvendo cada curva e cada  detalhe de seu corpo  delicioso.
      Era uma mulher feita para um homem, seus peitos coroados por mamilos  delicados cor rosa e   seus quadris  deliciosamente arredondados.
      Seu prprio corpo se esticou  com fome.
      Queria tocar  sua pele  de mrmore , sugar esses mamilos para provar seu aroma de  mulher.
      Ansiava  t-la nua debaixo dele, sentir o calor de sua vagem envolvendo-o   enquanto ele a montava, suas pernas sujeitas ao redor de sua cintura enquanto ofegava
sua paixo...
      Dando-se  conta de onde seus impulsos  o estavam  conduzindo, Ranulf amaldioou silenciosamente.
      Zangado   porque essa moa mentirosa   podia faz-lo desej-la to  poderosamente.
      Ariane tremeu  enquanto o  silncio tenso se prolongava.
      O olhar doeRanulf era ardente e  agora parecia  queim-la.
      - Milorde ? - ela  disse ofegando, envergonhada pela  debilidade  em seu voz.
      A voz do Ranulf, quando respondeu, foi  baixa,  rouca   e intensa.
      - Seu corpo  agradvel para olhar.
      - Me pergunto por que voc  no o usa para ganhar meu favor.
      Ela ficou rgida ante a implicao insultante de suas palavras, e abruptamente se cobriu com a  tnica de l.
      - No sou uma prostituta, s  sou sua esposa.
      - No? - Ela se preparou para um ataque, Ranulf estendeu sua mo e a deslizou   por debaixo da  tnica enrugada que a sustentava.
      A palma de sua mo  tocou  deliberadamente seu mamilo ereto.
      Seus peitos se incharam  dolorosamente com esse contato.
      Ela ofegou e deu um passo   para trs , embora no tinha a onde correr.
      Suas ndegas se chocaram  contra a  mesa  de madeira  que continha a fonte com gua.
      Ranulf sorriu maliciosamente.
      Com o polegar e o dedo indicador, capturou seu mamilo esquerdo.
      O choque resultante fez que Ariane sentisse que seus joelhos se debilitassem,   mas  apertou os dentes, recusando-se render-se.
      - Recorda o  prazer  que te  dava quando acariciei seus mamilos? - Ranulf perguntou, com um   murmrio rouco.
      - No... por favor...  no...
      Seu rogo  foi completamente  ignorado. Estava sobre ela, encurralando-a com seu corpo poderoso, e arrancou a tnica de seu tremente abrao.
      - Recorda  como lambi a pele mida entre suas coxas?
      Sustentando seu olhar, ele deslizou  um dedo entre seus seios, para baixo, para sua cintura estreita.
      - Poderia te mostrar esse prazer  outra vez, querida ...
      Incapaz de suportar o  brilho provocador  em seus olhos, a sensualidade em sua expresso, Ariane desviou o rosto.
      Mas  no  podia mover-se.
      Ela permaneceu de p impotentemente  enquanto ele colocava  seus dedos atravs  do plo  denso que custodiava sua feminilidade.
      Seu corpo ficou rgido sob  suas hbeis carcias, suas bochechas se ruborizaram intensamente.
      Mas no podia  resistir a ele como tampouco podia venc-lo.
      Insinuando sua mo entre as coxas dela, ele acariciou seu sexo, seu dedo jogando provocativamente.
      - Resulta-te excitante?
      O ofego dela se converteu em um gemido e um espasmo de desejo lhe percorreu o corpo.
      Seus quadris se  arquearam instintivamente, suas coxas trementes se abriram para ele.
      - Acredito que se quisesse... - Ranulf riu  brandamente - ganharia uma batalha decisiva , ele disse neutralmente.
      - Se tomasse aqui mesmo e te fizesse me rogar....
      - Faria-o... milorde? - Tremendo, ela levantou seu olhar para ele.
      Ranulf vacilou. Agora viu o  triunfo nos olhos cinzas de Ariane e se congelou.
      Ela se aproveitaria   de sua debilidade se ele... Sua risada se fez spera . -Ah, no, escrava.
      - No ganhar to facilmente  pois nosso matrimnio  nunca ser consumado.
      - Antes que te desfrutar eu  mesmo, lhe daria  a um de meus vassalos.
      Era uma ameaa vazia, na verdade.
      Romperia seu cdigo de cavalheiro e a encerraria no calabouo antes de deixar que  outro homem a possusse.
      Ariane nunca permitiria que  outro homem a tocasse .
      Sua mo se apartou, sua boca se apertou enquanto dava um passo  atrs, precisando pr distncia.
      Seus  olhos se encontraram silenciosamente .
      - Eu ganharei, - ele repetiu  com uma suavidade  dominante, antes de dar a volta abruptamente e  deixar a habitao.
      Querendo gritar seu ultraje, Ariane  cravou as unhas na  tnica que ainda apertava contra  seu peito.
      Seu corao pulsando ferozmente, sua respirao muito acelerada.
      Agitada e enjoada, ela  fechou os olhos e tomou uma respirao  estremecendo-se.
      S  agora  depois que ele se foi, estava  consciente de quanto tinha querido  que  Ranulf ficasse.
      S  agora ela podia  pensar claramente e pr em  palavras a idia vaga que lhe tinha ocorrido enquanto recebia  suas   carcias sensuais: de algum modo tinha
que usar a luxria dele para sua vantagem.
      Ela no  era  uma sedutora, mas  de algum modo tinha  que  aprender a domar ao drago.
      Pois se Ranulf pudesse ser persuadido de deitar-se com ela, isso fortaleceria  a afirmao de ser sua esposa.
      Recordando o  calor intenso que tinha  visto em seus olhos dourados momentos antes, Ariane desafiou a si mesmo  por ser uma idiota.
      Tinha estado to perto da  vitria sem dar-se conta e como uma estpida lhe  tinha recordado   seu conflito ao  desafi-lo abertamente.
      Se s tivesse refreado  sua lngua , Ranulf agora poderia  estar tomando sua virgindade e poderia  estar derramando sua semente dentro dela.
      Desafi-lo  no  era a maneira de ganhar sua  considerao  ou  consumar o matrimnio.
      Deveria ter fingido docilidade embora  no tivesse  podido  mostrar a graa e a equanimidade que sua me sempre lhe tinha aconselhado.
      Arrojando a tnica de l ao  piso , Ariane observou a porta de madeira  com suas pesadas  barras  de ferro.
      - Eu no cantaria  vitria ainda,   milorde, - ela murmurou.
      - No  to  desumano como a  lenda sugere, nem to invencvel como te cr.




      Captulo 12



      Como se domava a um drago? Especialmente um to desumano   e duro como o Drago Negro  do Vernay?
      Ariane sups   que aparentando  obedincia e  cumprindo  com as demandas do Ranulf:  tinha pedido  uma e  outra vez aos  serventes  do Claredon, aos  homens
livres  e aos  oficiais  do castelo  para que  desistissem de sua sabotagem   e para que  servissem a seu novo Lorde obedientemente.
      Causava muito  orgulho o apoio  leal de sua gente para ela, mas  no  desejava  v-los esmagados pelo  punho do Drago Negro.
      Nem  desejava  ver lorde Ranulf cumprir sua ameaa de castigar tanto a inocentes como a culpados.
      At esse momento ele tinha tratado aos transgressores com justia, Ariane devia admitir.
      Ele era o conquistador e poderia abusar de sua posio.
      Tampouco a tinha machucado.
      A briga entre eles era pessoal. Ariane admitiu, e  no seria solucionada rapidamente.
      A rebelio do castelo em nada a  ajudaria.
      Mas bem lhe jogava contra.
      Se eles queriam apoi-la, ento deveriam   obedecer a  seu novo lorde e  aceitar sua autoridade.
      Desse modo Ranulf faria um bom governo no Claredon.
      Esta ltima afirmao de Ariane surpreendeu a Ranulf e despertou suas suspeitas.
      Que a antiga ama  do Claredon elogiasse seu governo f-lo   perguntar-se se ela agora estava executando algum novo plano.
      Uma vez que os incidentes  de subverso cessaram, o caminho estava livre  para que  ele assumisse os deveres de um  Lorde.
      Ranulf comeou  a julgar casos no  grande salo  cada manh, e a conceder entrevistas.
      A Ariane lhe tinha atribudo um novo trabalho no  salo  de modo que ele pudesse vigi-la de mais perto enquanto   ela se ocupava de limpar as armaduras.
      Ela foi tomada de surpresa  por essa nova  ttica  de Ranulf.
      No  podia imaginar um Lorde to  capitalista sentindo um interesse pelos  casos dos camponeses.  Inclusive  seu pai tinha deixado tais assuntos em mos de
seu administrador e seu  conselheiro.
      Mas o Drago Negro escutava atentamente os casos dos serventes e de homens livres  do Claredon, e embora  Ariane era reticente a admiti-lo,  frequentemente
ficava impressionada  com seus veredictos.
      Quando um campons tinha matado intencionalmente o boi de outro homem e  no o recompensou, Ranulf o sentenciou  a atirar do  arado ele mesmo.
      A mesma gente que era julgada saa satisfeita com os veredictos do novo Lorde.
      - Daqui em diante ser conhecido como o Lorde da justia, Ranulf, - Payn declarou, rindo.
      Desde  sua posio  no salo, Ariane viu o bom  humor que brilhou nos olhos  do Ranulf ante esse comentrio.
      Lhe chamava a ateno que Ranulf tolerasse as brincadeiras de seu vassalos e  era claro que sentia um afeto especial pelo Payn.
      E era bvio que desfrutava  de seu papel de juiz e fazia um esforo por ser um Lorde justo.
      O julgamento que mais surpreendeu  Ariane foi aquele no que  Ranulf ajudou  a dois jovens amantes a ganhar os  desejos de seu corao.
      Eles procuravam a  permisso do Lorde para casar-se por cima das objees  de seus  pai, que tinham arrumado matrimnios  para seus filhos com  pessoas proprietrias
de terras, um prmio de muito alto valor.
      Quando os jovens confessaram seu amor mtuo e declararam sua vontade de  viver na pobreza, Ranulf permitiu  no  s que se casassem , mas tambm lhes deu uma
cabana e uma vaca para comear  sua vida juntos.
      A alegria era to  evidente em seus rostos radiantes e  sua gratido to bvia na maneira em que caram de joelhos e beijaram a mo do Lorde.
      Payn pareceu  no  ver nada estranho no veredicto, mas  Ariane olhou a Ranulf com incredulidade  assombrada  por essa  ao to atpica.
      Por um momento fugaz, captou  seu olhar  atravs  do salo, e o modo em  que sua expresso  se obscureceu  ante a imagem  dela, fez-lhe compreender que ele
recordava seu prprio compromisso  quebrado.
      Ento, para seu desnimo, a boca do Ranulf se curvou  em um sorriso  lento e ardente.
      Era  um desafio silencioso, Ariane soube, um  reconhecimento privado  da batalha que se desenvolvia entre eles   e de  sua determinao para ganh-la.
      Ariane reprimiu  o impulso de sacudir a cabea em uma amostra temerria de desafio.
      Pensando que no era prudente atrair mais a ateno de Ranulf, ela conseguiu  controlar-se.
      Mas na seguinte oportunidade, quando lhe serviu a  comida  do  meio-dia , abandonou sua pretenso de submisso e o interrogou  sobre sua deciso.
      - Confesso que me surpreendeu,  milorde, - ela disse em  voz  baixa para no ser escutada  por seus vassalos:
      - Que apie uma  causa de amor verdadeiro.
      Ranulf lhe deu  um olhar cauteloso, como desconfiando da  inteno  de seu comentrio.
      - No  vi nenhuma razo para  for-los a um matrimnio s para  satisfazer  aos desejos  mercenrios de seus pais.
      - Sua compaixo  notvel. - Ariane no  pde resistir adicionar mordazmente.
      - Todo mundo acredita  que seu corao   de ferro.
      Por um momento Ranulf se sentiu apanhado entre a raiva e a diverso por seu comentrio, e s  respondeu com um sorriso  zombador.
      - Est  confundida, moa.
      - Eu no  tenho  corao.
      Talvez fosse assim,  Ariane refletiu  pensativamente enquanto o contemplava.
      Entretanto ela tinha visto brotos espontneos e breves de sua  bondade , aes  que sugeriam que Ranulf  era mais vulnervel do que ele queria reconhecer.
      Ranulf de repente se sentiu  incmodo com ela e  desviou  seu olhar, mas cometeu o engano de olhar de esguelha a sua mos.
      Sua condio o espantou pois estavam em carne crua.
      Uma quebra de onda  de remorso  o invadiu to rapidamente que no pde ignor-la.
      Esquecendo-se da resposta que  tinha estado a ponto de dar, Ranulf estendeu sua mo e  tomou delicadamente a mo de Ariane.
      Viu-as cheias de bolhas.
      - Por Deus! , como te fez isto? - ele  perguntou , embora  temia saber a resposta.
      - Limpando  armaduras,  milorde.
      - Esfregar cotas de malha com areia e  vinagre  no tem um  efeito muito saudvel.
      - Por que  no  disse  nada? - Ranulf exigiu, seu tom brusco pela  por  sua prpria negligncia.
      - No  pensei  que te importaria  ouvir minha  opinio, milorde, - ela respondeu  secamente, incapaz de refrear-se.
      Ignorando seu sarcasmo, Ranulf franziu o cenho  enquanto  seus polegares roavam a carne empolada, cuidando de no  tocar as reas mas sensveis.
      Contra sua vontade, sentiu  respeito e  admirao   por sua  fortaleza de esprito.
        Ariane no tinha se queixado de nenhuma das tarefas brutais que lhe  tinha atribudo.
      - Vi  feridas de batalhas to severas quanto estas.
      - Mas  pensei  que desejasse  me fazer sofrer, - Ariane lhe  recordou.
      - No desejava ver-te ferida, ele  respondeu  vagamente consciente das inconsistncias em sua lgica.
      - No tem  uma poo que  possa  aplicar em suas mos?
      - Sim. - A palavra saiu ofegante.
      Ranulf acariciava  sua palma quase  ausentemente, despertando uma resposta sensual dentro dela.
      - Ento f-lo.
      Ele soltou sua mo,  mas  suas feies  permaneceram  perturbadas enquanto a estudava.
      Se Ariane no fosse to desconfiada  realmente teria  pensado que ele estava  preocupado por seu  bem-estar.
      - E pode deixar a tarefa das armaduras a meus escudeiros. - Ranulf vacilou.
      - Seu trabalho deixa muito a desejar, de todos os modos.
      Apesar de dar-se conta  que Ranulf a estava provocando deliberadamente, Ariane lhe deu  um olhar  indignado  por essa mentira.
      Tinha feito um  trabalho to bom  como o de qualquer  escudeiro, porque se recusava a dar a Ranulf algum motivo  para critic-la.
      Entretanto se sentia agradecida de ser relevada a tarefa de limpar as armaduras.
      A limpeza era uma tarefa fisicamente mais fcil  que as outras tarefas que Ranulf lhe tinha atribudo, mas   danificava  insuportavelmente as  mos.
      Ranulf a assombrou  levantando-se  repentinamente  de sua cadeira. O roce delicado de seu dedo em sua bochecha a assombrou ainda  mais. Ela no desviou o olhar.
      Ele estava tentando uma seduo aberta aqui no salo?
      Esteve segura  disso  quando a boca do Ranulf se curvou  em um fascinante sorriso,  que acelerou os batimentos do  de seu  corao.
      Ele estava muito seguro de seu poder sobre o  sexo feminino, Ariane sabia.
      - Vai agora, e atende suas feridas.
      - Mas.  E  meus deveres? - Ela balbuciou nervosa por  sua proximidade e por  suavidade  repentina em  seu tom de voz.
      - Amanh   pode  retornar a suas tarefas nas cozinhas e servindo as mesas, sempre e quando   te mantiver  vista para poder te vigiar.
      Pesando nas vantagens, Ariane assentiu  lentamente.
      Se permanecia perto dele,  seria vulnervel a suas tticas de seduo, mas  teria melhores oportunidades para executar seu prprio plano de domar ao  drago.
      E poderia vigiar Ranulf tambm , e estar pronta para intervir se ele  tratava duramente a algum  de sus gente.
      Ela o observou   atentamente depois desse episdio.
      Ranulf  no  s fazia  progresso na frwnte  domstica, mas sim   tambm   obtinha xitos  fora dos  muros  do castelo.
      Militarmente ele incrementou a defesa e amparo da fortaleza.
      Suas  patrulhas faziam contnuos rastros no campo procurando rebeldes, e  Ranulf em pessoa tomou posse de outras propriedades a um dia de viagem do  castelo.
       Para o fim de sua segunda semana de governo no Claredon, seus homens  comearam   a ter   uma rotina alternando entre patrulhar as reas rurais e  praticar
com as armas  diariamente no  campo de prtica.
      Era uma imagem familiar para Ariane, ver cavalheiros peritos trainhando-se  em combates simulados exceto se estes eram cavalheiros equivocados.
      Seu pai Walter, deveria  ser o Lorde ali.
      Vendo Ranulf consolidar-se em seu papel com semelhante  facilidade a desanimou completamente, e um n de dor se instalava   em sua garganta sempre que recordava
o destino incerto de seu pai.
      S podia   rezar para que seu vassalo, Simon, j o tivesse localizado, e  que, por algum milagre, Walter seria  liberado da acusao  de traio.
      E talvez   at descobririam um modo de liberar o Claredon do  Drago Negro.
      Rezava  tambm   para os habitantes do  bosque.
      Estando to vigiada, no tinha  encontrado  nenhuma oportunidade de escapar   do castelo para visit-los, e  o  tempo se estava acabando.
      Seu prprio destino seguia   incerto, embora  suas  circunstncias tinham  melhorado minimamente depois que  Ranulf tinha descoberto as consequncias de seu
castigo
      Tivesse  diminudo um pouco a quantidade de trabalho, lhe permitindo executar  tarefas  menos exigentes  fisicamente, e suas mos estavam sarando.
      Mas ele  no a tinha perdoado por sua acusao de  violao.
      Uma tormenta se estava gerando  entre eles, ela podia senti-lo.
      E suspeitava que  um dia muito  em breve a tempestade estalaria.
      Quando o prximo  problema se apresentou vindo de uma direo que Ariane no tinha previsto um dos vassalos de fila elevada de Ranulf.
      Logo que tinha subido as escadas das cozinhas com um  prato de madeira contendo  po, doces de mel  para a sobremesa do jantar quando encontrou  seu caminho
obstrudo por um cavalheiro alto, de cabelo escuro, a quem reconheceu  como Bertrand do Ridefort,  primo do Ivo e um dos cavalheiros que  se sentava regularmente
 mesa   do Lorde.
      Lhe lanou  um olhar interrogativo, que ele respondeu  com um sorriso amigvel.
      - Feliz de  encontr-la,  minha bela lady.
      Suas palavras saram arrastadas, e ele se balanou  em seus ps, obviamente estava embriagado.
      Ariane baixou  seu olhar  para esconder  seu desprezo.
      - Por favor, cavalheiro. Me permita  passar.
      - E se no o fao. bruxa?
      - Lorde Ranulf  no estaria agradado se eu me demorasse.
      Bertrand lhe lanou   um sorriso  encantador  que no  era para nada desagradvel, ele era bastante atrativo quando sorria, apesar de sua estado de embriaguez.
      - Penso que a Lorde Ranulf no importar se te demora comigo.
      Ariane ficou incmoda sob seu escrutnio libidinoso, seus dedos se apertaram involuntariamente no prato.
      No temia por sua  virtude.
      Havia  outros homens perto, que sem dvida viria a resgat-la se era necessrio.
      Mas no queria converter  primo do Ivo em um inimigo.
      Sepois do Payn FitzOsbern, Ivo do Ridefort era o  vassalo   mas confivel  do Ranulf, era o cavalheiro que ficava encarregado  do Claredon quando o Lorde se
ausentava.
      Seu primo Bertran, embora no tinha uma fila to  elevada, estava frequentemente em companhia do Ranulf e era altamente apreciado  por seus conselhos.
      Seria melhor se ela  pudesse dirigir a esse cavalheiro sozinha , sem parecer horrorizada por seus  avanos amorosos.
      Certamente, o    melhor mtodo seria reivindicar o  amparo  de Ranulf, ela  decidiu.
      Ariane se forou  a sorrir.
      - Temo que lhe  importaria.
      Ante os olhos de Deus,  sou a esposa de Lorde Ranulf  e permanecerei fiel a ele.
      Bertran franziu o cenho , como se tivesse  dificuldade para  seguir seu raciocnio.
      -  No  sua esposa...  Ranulf se deita  com... essa puta, Dena.
      - No sente saudades, querida.
      - Se cansou de seus encantos...
      - Mas  te prometo que eu no.
      Ariane ficou rgida ante a  meno da palavra puta , uma feroz quebra de onda de dor e  cimes a invadiu.
      Dando um sorriso  alegre, Bertran se inclinou  mas perto dela , sua respirao cheirava a vinho.
      - Posso  aliviar  seu trabalho, querida.
      Uma beleza como voc no  deve fazer o trabalho de uma camponesa.
      - Tenho   uma ocupao mais agradvel e mais divertida.
      Para seu assombro, ele  estendeu sua mo e lhe deu um puxo ao cordo do decote.
      Ariane ofegou alarmada. Tentou tornar-se  para trs, mas a  mo dele,  seus dedos fortes se cravavam em sua carne quase  dolorosamente, como se ela no fora
consciente de sua fora.
      Ela se estremeceu de medo. Um cavalheiro podia tomar a uma moa camponesa  sem  pens-lo duas vezes, e embora  um homem honorvel no  abusaria de uma  criada
de seu Lorde  dentro de sua prpria fortaleza, em sua  estado de embriaguez  Bertran podia facilmente haver-se  esquecido de sua fila e domin-la  facilmente, se
assim o desejasse.
      Com um puxo desesperado de seu brao, Ariane conseguiu liberar seu pulso  do  abrao de Bertran.
      Aferrando o prato, ela quis passar pelo  lado dele, pretendendo escapar mas Ariane chocou  diretamente com um peito slido imposibilitada.
      O choque  golpeou o  prato dos po doces de seu abrao , que caiu ao  piso.
      Reconheceu  esse peito familiar, esse corpo duro e  poderoso.
      Horrorizada, Ariane levantou o olhar aos olhos cor ambarina.
      - Meu... Milorde... - ela balbuciou.
      - Perdo ...
      O olhar de Ranulf foi dela a de seu vassalo.
      - Parece que perdeu seu caminho, Bertran.  Procurava a latrina para aliviar suas necessidades, acredito.
      Bertran sacudiu a cabea  escura.
      - Preferiria me aliviar com esta moa, Ranulf.
      Ranulf lhe lanou  um olhar glido.
      Para choque de Ariane, Ranulf deslizou   seu brao ao redor de sua cintura e a atraiu contra ele.
      - No, ela  minha.  E eu cuido bem do que  meu.
      Ela ofegou enquanto  sentia   a mo de Ranulf roar seu peito  ousadamente.
      Queria golpear e apartar  sua mo,  mas  considerou que era mais prudente no  protestar pois essa  posesividade lhe oferecia  amparo.
      A expresso do Bertran se fez sria.
      - Sim , milorde.
      - No sabia como eram as coisas  entre vocs.
      - Encontrarei outra moa...
      Com um sorriso rpido, Bertran girou e se foi em  busca de  companhia  feminina  mais disposta.
      Para alvio de Ariane, Ranulf a soltou  imediatamente.
      - Machucou-te? - Ele perguntou  agudamente.
      - No. - respondeu ela , friccionando a  bochecha dolorida.
      Seu alvio desvaneceu-se  quando o olhar  quente  de Ranulf se fixou nela, com inteno acusadora.
      - No  tolerarei que seduza a meus homens  para ganhar sua simpatia, - ele disse com uma voz firme pela raiva.
      - Seduzir?  - Ariane replicou.
      - No  verdade.  Eu no  fiz  nada para incentivar seu interesse.
      A boca de Ranulf se curvou e  seu olhar  recaiu em  seus seios, onde a camisa debaixo do  vestido de l estava aberta, expondo as redondezas superiores de
seus seios.
      - Segura?
      - Permitiu somente que ele olhasse seus encantos e o provocou com a promessa de seu corpo? - te cubra, Ranulf exigiu enquanto ela abria a  boca para negar
a acusao.
      Ariane apertou os dentes com indignao, mas atou obedientemente sua camisa.
      Ranulf no  acreditaria em  suas reclamaes de inocncia.
      Ele estava determinado a  pensar o  pior dela.
      Um soluo a seus ps   distraiu momentaneamente sua ateno.
      Os ces  do castelo se reuniram a seus redor para mordiscar a palha.
      Com um gesto de desgosto, Ariane se agachou para recolher o prato que tinha deixado  cair.
      A maioria  dos po doces tinham  cado ao cho, e ela os deixou ali para que os ces os comessem.
      Quando ela se endireitou, Ranulf ainda a olhava  severamente.
      - Est advertida, moa.
      - Pensa em  aliviar seu castigo  ganhando meus  vassalos, mas eu estou muito  familiarizado  com esse tipo de mutretas.
      - No aceitarei esse tipo de manejos em minha fortaleza, compreende?
      - No  terei a  meus homens   mordiscando  seu mel do modo em  que  estes ces vo detrs dos  doces.
      Ante a injustia  da  acusao, Ariane se sentiu  muito zangada como para falar.
      Quase muito zangada.
      Compreendia  por que Ranulf tomava  partido por  seu cavalheiro e contra ela, mas no aceitava que ele a responsabilizasse pela indignidade  que ela acabava
de sofrer.
      A degradao de sua posio no castelo lhe tinha feito  ganhar a falta de respeito dos vassalos do Ranulf, e o  prprio trato depreciativo  dele por volta
dela nas duas semanas passadas havia incentivado aos  outros a tratar a de maneira similar.
      - Ento  sugiro, milorde, ela replicou, - fascas de raiva saindo de seus olhos, - que encerre a seus homens em um lugar onde possam estar protegidos de minha
influncia maligna!
      Sem lhe dar a possibilidade de lhe responder ou desafi-la   por sua insolncia, ela girou e partiu para a  escada  que conduzia s cozinhas, sentindo o olhar
de Ranulf  lhe perfurar as costas.
      Ele parecia  observ-la   mais atentamente depois  desse episdio.
      Cada vez que Ranulf via  Ariane com  outro homem, fosse  seu prprio homem  ou algum do Claredon, ela sentia o  impacto de seu  escrutnio  ardente.
      Se no o conhecesse melhor, ela  pensaria que ele estava com cimes.
      Pior,  estava segura que a Ranulf no lhe importava nada dela.
      S a observava  para ver se ela fazia um movimento em falso.
      Essa observao contnua a  irritou, at que  recordou o  desprezo que Ranulf tinha admitido pelas damas da nobreza.
      Por alguma razo , Ranulf no  confiava na mulheres da nobreza e  depois da  tentativa dela  de embarc-lo em um matrimnio confiava menos.
      Entretanto,  sua  vigilncia no se devia unicamente  desconfiana, Ariane suspeitava, talvez fosse um desejo de vingana, ou  a posessividade  de um Lorde
para sua propriedade.
      O calor selvagem em seus olhos no  era mera suspeita, ou hostilidade, ou uma clara  determinao de conquistar.
      O desejo tambm  estava ali.
      Cada vez que se aproximava de Ranulf, o  ar se enchia  com uma tenso   sexual das duas partes.
      Ranulf estava ressentido com  ela  por despertar seu luxria, Ariane estava segura disso.
      Quase podia   sentir o  conflito dentro dele, um homem forte que lutava  por controlar  seus prprios instintos.
      Uma exploso  entre eles   parecia  iminente.
      Entretanto  Ariane se encontrava antecipando-a com uma  mescla estranha de  temor   e excitao.
      A exploso   quase   ocorreu um  dia depois do incidente com o Bertran, quando Gilbert cruzou com ela em seu caminho  missa.
      Ranulf tinha suavizado o  castigo  suficiente para permitir que ela  procurasse   consolo   para sua alma.
      Enquanto  se preparava  para entrar na  capela  no ptio interno, Gilbert se aproximou com o  pretexto de lhe oferecer gua fresca do  poo.
      A princpio ela o  escutou sem lhe emprestar muita ateno, seu pensamento  debatia a sabedoria  de pedir a Gilbert que a acompanhasse a fazer uma visita aos
bosques.
      Ranulf retornava  de exercitar a seu  cavalo pelo ptio  exterior, e sentiu que seu corao se oprimia quando viu os  dois parados   to perto.
      A imagem do casal inflamou o cimes do Ranulf.
      Tinha  pouca confiana na fidelidade  das mulheres, e das nobres  sobretudo.
      E desde que tinha ouvido os rumores sobre as escapadas libidinosas de Ariane da boca da Dena, tinha estado  assediado por imagens  de sua antiga prometida
escapando  s escondidas do castelo para encontrar-se  com seu amante, e visualizava a esse moo em particular.
      Seu primeiro instinto foi esmagar ao jovem, mas o reprimiu.
      Mas que estar em uma entrevista amorosa, eles pareciam  conspirar muito provavelmente contra ele.
      O jovem  parecia  discutir com Ariane, mas Ranulf no  podia  ouvir as palavras a essa distncia.
      O moo a olhava  atentamente enquanto Ariane sacudia a cabea.
      Incitando seu cavalo a aproximar-se, Ranulf captou  um fragmento da  conversao:
      - ... esse Lorde  diablico.
      Ranulf concluiu que ele era o tema da   discusso, mas ouviu a resposta de Ariane:
      - Se continuas lutando contra ele,  s voc sofrer por isso.
      - Se pudesse desafi-lo...
      - No, no pode. Seria morto...
      Ela deve ter escutado os cascos de seu cavalo, porque se deteve de repente e  girou  imediatamente.
      Havia algo secreto em seus olhos, ele notou  com uma tenso  que apertava  seu peito.
      Os segredos s faziam aumentar suas  suspeitas de que  eles estavam tramando contra ele.
      - Onde esto seus guardas? - Ranulf exigiu  quando conseguiu deter o cavalo.
      Ariane o olhou atemorizada.
      - Na...  capela,  milorde, - ela balbuciou em resposta.
      Pior,  Ranulf j no a escutava.
      Sua ateno estava  completamente centrada  no Gilbert, sua expresso  dura e muito severa.
      Mantinha  seu tom de voz controlado   em um intento  de esconder a  ferocidade do  cimes que sentia.
      - Conheo-te, moo?
      - Meu nome  Gilbert, milorde, o jovem  respondeu  secamente.
      - Sirvo como oficial do Baldwin, o  administrador  do castelo.
      - Ah, administrador  que comete enganos ao somar.
      Gilbert se ruborizou, estava  incmodo, mas permaneceu em  silncio.
      - No tem   deveres que atender?
      - Meu dever  servir a milady.
      Ariane ofegou ante a resposta insolente de seu irmo,   enquanto Ranulf aferrava o punho de sua espada.
      Desejava   esmagar a esse moo insolente contra o muro.
      J tinha suportado suficiente desprezo e  desafios  contnuos a  sua autoridade.
      Alarmada, Ariane  parou entre eles, no caminho do poderoso cavalo.
      - Milorde, ele no   queria...!
      - No? Obviamente se esquece que a  posio dela  trocou.
      - Sim, estou  segura que ele  se esqueceu.
      Ela olhou Ranulf com preocupao, enquanto mantinha suas mos levantadas para atalhar um golpe.
      Ranulf apertou seus dentes, furioso porque Ariane defendia ao moo e porque a ele isso importava tanto.
      Nunca antes o  cime o tinham atacado de maneira to irracional.
      Ranulf apertou sua mandbula para  controlar as  suspeitas irracionais que cresciam dentro dele.
      Sua ira no s estava dirigida aos dois conspiradores que o olhavam boquiabertos; tambm sentiu uma quebra de onda de irritao por si mesmo por no poder
dominar a   violncia interna.
      - Rogo-lhe isso, milorde...  No o escute.
      -  s um moo. Um moo tolo, - Ariane adicionou com um olhar severo a  Gilbert.
      Os olhos do Ranulf percorreram  friamente ao moo, que estremeceu   com justa razo.
      - Parece-me muito grande para te esconder detrs das saias de uma mulher.
      - Eu na sua idade quase tinha ganho o ttulo de cavalheiro.
      Gilbert ficou rgido e deu um passo adiante, endireitando seus ombros.
      - Eu no me  escondo detrs de ningum.
      - Se quer pode provar minha coragem.
      Ranulf piscou, desenhando um sorriso  duvidoso.
      - V-te muito terno, moo.
      - Penso que   necessitaria um pouco de  trainhamento  antes de desafiar a combate a  um cavalheiro.
      - Gilbert no   um soldado,  milorde, - Ariane interveio apressadamente.
      -  um estudante.
      - Ento  sugiro  que vs ocupar-te com seus deveres de estudante, - Ranulf recomendou, sua voz perigosamente suave.
      Com um olhar frustrado para Ariane, Gilbert se curvou ante o Lorde simulando respeito, embora ele  preferiria tomar veneno a reverenciar a esse homem.
      Quando o moo os deixou   para entrar na capela, Ranulf olhou fixamente Ariane.
      Parecia extremamente poderoso, montado em seu  cavalo enorme, apesar de sua falta de armadura ou elmo.
      Seu cabelo  escuro  brilhava com reflexos azuis ao sol, enquanto seus olhos resplandeciam como  ouro frio.
      - Peo-te  perdo  por sua rabugice,  milorde, - ela  disse rapidamente, sabendo que Gilbert tinha ido  muito longe.
      Nenhum Lorde  toleraria tanta  insolncia por parte de um servente, ou  um desafio to flagrante a sua autoridade.
      - Aoitei a homens  por ofensas menores.
      - Por favor... deixa-o em paz.
      - S queria me proteger.
      - Tem muitos protetores, parece-me, - Ranulf murmurou em resposta.
      - Por favor... - ela  repetiu.
      - Pede clemncia outra vez?
      - Sim,  peo-lhe isso.
      - E o que fica para  negociar?
      Ariane baixou  seu olhar ante o  desafio em seus olhos ambarinos, recordando seu plano de  ganhar Ranulf atravs da cooperao.
      - No  tenho nada para te oferecer.
      - To tmida. To humilde. - Seu tom era ctico.
      - Asseguro-te que sua humildade  soa  to falsa como sua acusao de violao.
      Ariane  mordeu a  lngua. Sua humildade era falsa, mas  no se permitiria  responder  provocao do Ranulf, nem lhe deixar  saber quanto a feria.
      - O que? No h  resposta, moa? De repente te voltou muda?
      Ele pigarreou:
      - Seria mais sbio se trocasse suas tticas. A docilidade no assenta bem em voc.
      Ele observou  como ela levantava  sua cabea e  sentiu  satisfao.
      Ela no se acovardou mas sim estava tentado esconder sua fria.
      Ranulf sorriu  triunfalmente.
      Tinha querido provocar  Ariane, na verdade, mas queria v-la defender-se   com o mesmo esprito que tinha mostrado  em suas confrontaes anteriores.
      Ela o olhou e sua raiva era maior que  seu temor  ou sua humildade.
      Agora  seus olhos bonitos lanavam fascas e replicou entre dentes:
      - Entendi que havia dito  que desejava  a docilidade  em seus refns, milorde.
      Seu sorriso aumentou  ironicamente.
      - Eu no  sabia  que voc  estava to  ansiosa por  cumprir meus desejos.
      Antes que ela pudesse responder a essa provocao, ele foi ao ataque novamente.
      Pensei   que  tinha dado   bastante para te manter  ocupada e para que no metesse-te em problemas.
      - Mas  parece  encontrar tempo livre para tramar e paquerar com os rebeldes.
      - Paquerar? - o olhar  do Ariane se  estreitou.
      - Do que   me acusa  esta vez,   milorde?
      - Julgando pela  discusso  que  interrompi, vocs  dois planejavam me derrotar.
      - Ou vais negar que estava conspirando  contra  mim com seu amante?
      Seus  olhos cinzas aumentaram com essa ltima palavra.
      - Amante? Est brincando?
      - Vais negar? Ranulf insistiu .
      - Naturalmente que o  nego! - Ariane se defendeu ardentemente.
      - Gilbert  meu irmo!
      Ranulf a olhou fixamente.
      - Irmo?
      - Meio irmo, realmente.
      -  o  filho bastardo  de meu pai e seu amante.
      - Eu lhe dizia...
      - OH, voc... voc...
      Cheia de  ultraje por sua insinuao ela gritou:
      - O incesto  um pecado  mortal!
      Ranulf olhou seus olhos chapeados com alvio.
      O moo era seu irmo. Um familiar prximo. O qual explicava semelhana fsica entre eles assim como o afeioado bvio entre eles.
      Tambm explicava a hostilidade. Gilbert tinha uma boa razo para ressentir ao Lorde que tinha tomado prisioneira a sua irm, que tinha tirado  sua herana
e que tinha  repudiado o compromisso matrimonial.
      Ranulf arrojou para trs a cabea e riu ante  seu  engano.
      Ariane lhe deu um olhar de assombro, como se perguntasse  se ele se tornou louco, mas  Ranulf somente sacudiu sua cabea.
      Ainda estava irritado pelo desafio estpido do moo, mas ao menos  agora    compreendia tudo.
      At podia  sentir uma certa  simpatia pelo moo, um bastardo que sem dvida  tinha sido feito  pagar durante toda sua vida pelas circunstncias de seu nascimento.
      No ia tolerar irrespetuosidade  flagrante do moo, ou lhe permitir que a conspirao  continuasse, mas  na verdade, quase podia admirar ao moo por mostrar
semelhante  lealdade a sua irm.
      Ranulf valorizava a  lealdade  em um homem tanto como  o esprito em uma mulher.
      Preferia   muito mais   dama de lngua afiada e olhar quente que agora  estava parada  diante dele   que deitar-se com a moa dcil que Ariane tinha pretendido
ser durante a ltima semana.
      Sua defesa feroz de seu irmo fez que Ranulf se desse conta quanto a docilidade recente de Ariane o chateava.
      Preferiria que lhe gritasse honestamente   que fingir ser um camundongo atemorizado.
      Na verdade, preferia ver honestidade abaixo dessas  circunstncias que fingimento.
      A estudou  com  neutralidade, tentando medir a sinceridade  de sua conduta.
      Talvez  houvesse uma mentira detrs desses olhos brilhantes com seu olhar  de virtude ferida, mas encontrou-se  querendo acreditar em sua inocncia.
      Seria um idiota se a  absolvesse completamente.
      Ariane era culpada.
      Com seus prprios ouvidos tinha escutado a discusso e que o chamavam demnio.
      Sem dvida  ela e  seu irmo ainda planejavam derrot-lo, junto com todo o resto dos rebeldes.
      No  podia dar o luxo de acreditar que os motivos do Ariane eram puros, confiar nela seria como buscar uma punhalada nas costas.
      - Gilbert  muito inteligente, - Ariane replicou, - e um bom oficial, coisa que j deveria saber, se te tivesse incomodado em conhecer s pessoas que agora
te serve.
      Um lorde deve familiarizar-se com as pessoas sobre as quais governa se quiser ser um governante justo.
      - Um discurso muito bonito, - Ranulf disse secamente, sentindo o  insulto dela ao questionar seu desempenho como  lorde, mas  determinado a  no revel-lo.
      - Mas meu governo no  um tema de seu interesse.
      - Claredon   um tema de meu interesse, bem como sua gente.
      -J no, querida. - Seu sorriso era zombador.
      - No tem direitos salvo aqueles que eu te  permito.
      - Sugiro que v a  Missa antes que te tire esse privilgio.
      Ariane observou  impotente como  Ranulf dava volta seu cavalo e cavalgava para os  estbulos, uma raiva  ardente percorreu suas veias.
      Jurou s lhe demonstrar  cooperao e  doura para  domar ao drago selvagem, mas isso era tudo o que podia fazer para controlar seu carter .
      Como  desejaria ser um homem que pudesse defender sua honra usando as armas!
      Mas s podia combater Ranulf com palavras, que eram  armas lastimosas contra  um guerreiro desumano e sem corao .




      Captulo 13



      A tormenta estalou na noite  seguinte. Era tarde, mas o  grande salo  do Claredon soava  com as  risadas  dos homens e a msica de um comediante.
      Ranulf tinha ficado para jogar dados  com seus homens, e  tinha terminado cantando as canes e observando-os danar  com as moas  do castelo.
      Agora  a maioria  de seus cavalheiros estavam  embriagados.
      Por algum tempo eles haviam passado  um odre com vinho e as prostitutas os entretinham, com o Bertran do Ridefort liderando o espetculo.
      A festa tinha comeado a fazer-se mais intensa,  mas  Ranulf era reticente a terminar com essa diverso   incua .
      Seus homens  necessitavam liberar energia  depois dos meses de servio que  tinham emprestado.
      Inexplicavelmente, toda essa diverso o deprimia mais que alegrava.
      Mas  era difcil ignorar o  clamor da festa.
      Quando uma moa  de cabelo  marrom,  com enorme peitos  nus levantou as saias  para expor seu sexo e  desafiou Bertran a mostrar sua virilidade, o  cavalheiro
arrojou para trs sua cabea e rugiu  com muito bom humor causado pelo lcool.
      Entre gritos e risadas, ele deitou    mulher sobre uma das largas mesas, levantou a tnica at a cintura, afrouxou  sua  roupa interior  e afundou  seu membro
entre as coxas  brancas da mulher grunhindo com prazer  enquanto a penetrava.
      Cada uma de suas grandes  mos sujeitou os peitos dela enquanto seus quadris se moviam ritmicamente, sua  luxria foi incitada pelas  brincadeiras obscenas
e os gritos de flego dos espectadores.
      Sentando na mesa  do Lorde, sobre o  soalho, Ranulf olhou o  fogo que crepitava  na  chamin.
      Ocasionalmente, no passado, ele compartilhava  com seus homens s prostitutas, mas essa noite no  estava de humor para desfrutar dessa atividade, ou para
gozar as cuidados da criada, Dena.
      Quando ela  caminhou  at ele e baixou a camisa para pressionar seus peitos  nus contra  seu rosto, ele se tornou para atrs sem interesse.
      No desejava deitar-se com ela.
      Dena tinha sido usada sem dvida  pela  metade da  guarnio de soldados   da ocupao do Claredon, e emanava   um aroma que era mescla de suor, sexo e cerveja,
um aroma totalmente oposto ao aroma limpo e floral  de sua antiga  ama, que  sem dvida estaria  dormindo  no piso superior  em sua  cama.
      - Posso te dar o prazer  to doce como o  vinho que  bebe, milorde, - Dena ronronou  em seu ouvido.
      Distrado com seus pensamentos, Ranulf olhou de esguelha  para os casais que se acoplavam sobre  a mesa,  despertando  os gritos da multido.
      - No  esta noite, querida.
      - Temo que   no te faria justia  esta noite.
      - Sem dvida  Bertran pode te dar mais diverso.
      Dena enrugou seus lbios.
      - Esse Bertran  um caipira, no tem nem  idia de como satisfazer a uma mulher.
      Ao lado dela, Payn riu e  estendeu sua mo  para lhe manusear as ndegas grosseiramente.
      - Tome cuidado, que Bertran no oua que  despreza suas habilidades, moa, ou seu orgulho se ofender.
      Com um sorriso ao  vassalo  principal do Ranulf, Dena voltou sua ateno de novo a seu amo.
      Aferrando a mo de Ranulf, ela a levou para baixo de  suas saias, pressionando seus dedos contra  seu sexo que estava molhado e quente.
      A excitao que lhe causou o gesto fez que  Ranulf apertasse seus dentes.
      Depois da festa, a exibio de Bertran, ele estava ereto e ansioso por estar com   uma mulher.
      E o sexo estava   mo.
      S precisava afrouxar a roupa, liberar seu membro ereto e fazer agachar   moa e aliviar sua necessidade.
      Quase lamentou quando Payn ficou de p e tomou a Dena pelo brao e a afastou  dele.
      Ela se recusava ir-se .
      Para a  surpresa de ambos os  homens, ela se sentou sobre  a mesa  entre eles e ousadamente se atirou para trs.
      Levantou   suas saias  para lhes mostrar o pbis escuro entre suas coxas  nuas, separou  suas pernas longamente, com uma mo acariciou seu sexo em um convite
carnal.
      A imagem dessa  carne rosada e quente  tentou Ranulf, na verdade.
      Seu membro j estava inchado e grosso, elevava-se dentro de sua cala.
      Realmente estava pensando em montar em cima dela quando o  salo   de repente tornou mortalmente silencioso,  exceo  das respiraes ofegantes  do Bertran.
      Quando Ranulf se deu conta da mudana,  todo  seus homens  estavam olhando a algo ou a algum detrs dele,  ele olhou por cima de  sobre seu ombro.
      Seus olhos aumentaram ao ver  Ariane de p na  escada  de pedra, parecendo completamente perplexa pela cena.
      Por uns segundos, permaneceu rgida pelo  choque ao  encontrar Ranulf e a  seus cavalheiros  fornicando sobre as mesas do salo de seu pai, mas a raiva estalou
se  nela rapidamente.
      - Me de Deus! No tm vergonha?
      Nenhum homem respondeu, nem sequer os dois guardas   que a tinham  escoltado das cozinhas a sua habitao logo depois de um extenuante dia de trabalho .
      - No salo  de meu pai... -  sua voz tremia com raiva e desprezo.
      - E sobre as mesas. Vocs  desonram Claredon desta maneira!
      Antes que algum  pudesse responder, ela partiu determinada   mesa do Lorde, onde tomou  a  primeira arma  mo, um adaga.
      Ranulf e  Payn ficaram rgidos, seus instintos lhes falava de um  perigo iminente, mas  Ariane os  ignorou  enquanto  brandia a adaga perto da cara da Dena.
      -Te levante! V continuar sua fornicao nos estbulos com as bestas e no te atreva a aparecer por aqui outra vez.
      - Dena choramingou de medo e se deslizou lentamente de mesa.
      Com a ajuda do Payn, ela ficou de p.
      Passando cautelosamente ao lado  de Ariane, fugiu  quase tropeando em seu apuro at alcanar a grande  porta.
      Quando a aterrorizada  Dena se   foi, Ariane dirigiu seu ultraje  multido.
      Em um estado no que poderia ter  envenenado a  todos eles, ela gritou  cegamente, apontando a porta com a adaga.
      - Fora! Vocs, fora, agora! Retirem-se.
      Assombrados os  cavalheiros olharam Ranulf, cujo rostose obscureceu para formar uma mscara enigmtica.
      Quando o Lorde  no  fez  nenhum  movimento para revogar a ordem, alguns  comearam a ir para a  entrada, apartando-se da  fria da louca blindando a adaga.
      - Fora, repetia!
      Vrios soldados permaneceram quietos  at que  Ranulf fez um assentimento quase  imperceptvel com a cabea, respaldando a ordem dela .
      Ento at Bertran se apressou a obedecer, subindo com  um puxo a  roupa interior e arrastando  moa que estava com ele.
      - Me de Deus!,- Payn disse com um sorriso de admirao.
      - Nem sequer extraram suas espadas.
      - Minhas felicitaes, moa.
      - Nunca os tinha visto  mover  to rapidamente seus copos preguiosos.
      - Elas  uma verdadeira guerreira, Ranulf, uma Valquria.
      - Certamente ela se assemelhava s legendrias donzelas guerreiras nrdicas, com a adaga em seu punho e o cabelo claro rodeando seu rosto como uma nuvem, Ranulf
pensou.
      Luzia  magnfica, uma mulher guerreira reclamando a posse de seu trono.
      Exceto se supunha que ela era sua esposa. Tinha ficado  fascinado ao  v-la dominar e jogar a seus valentes  cavalheiros do salo.
      Ele tinha violado seu prprio cdigo de conduta  permitindo semelhante fornicao  no   salo.
      Em sua prpria defesa podia assegurar que nunca tinha esperado que  Ariane visse essa cena.
      E enquanto seu ultraje podia ser completamente  justificado, no correspondia a ela dar ordens a seus homens.
      Ariane deu-se conta da extenso  de sua transgresso, porque ficou rgida  de repente, e  olhou Ranulf que se sentou na cadeira do Lorde.
      Os olhos cinzas  se chocaram  com os de cor  mbar. Ela ainda estava tremendo de raiva, mas quando ele se levantou e capturou  seu pulso e  delicadamente tomou
a adaga  entre seus  dedos, ela no protestou.
      - No  podia tolerar esta exibio to desgostosa, - ela  disse  defensivamente, justificando sua conduta precipitada.
      - Foi de mau gosto, - Ranulf concordou  brandamente.
      Nunca tinha  esperado respaldar Ariane contra seus  homens.
      -Esses atos  obscenos devem ser realizados em privado, - Ariane insistiu  tercamente.
      Ela se assombrou com o sorriso do Ranulf.
      - No futuro verei que seja assim.
      Ainda sujeitando seu pulso, sentiu-se fascinado pela exploso dela, mas  no  podia permitir que  seu estalo no fosse castigado.
      - Boa noite, Payn, - Ranulf disse  sobre seu ombro enquanto levava Ariane para a escada.
      Payn riu.
      - Desejo-te o mesmo,  milorde, mas no acredito que tenha em mente dormir  esta noite.
      O  corao de Ariane comeou  a martelar ante o comentrio  do  cavalheiro.
      As feies de Ranulf era uma mscara rgida e enigmtica  impossvel de interpretar.
      Seus olhos cor  mbar brilhavam mas no  com raiva, ela  pensou com certa esperana.
      O brilho por uma  batalha iminente  estava em seus olhos, mas o  calor  parecia  dever-se mais   determinao  que   fria.
      Para seu desnimo, Ranulf despachou aos guardas e a conduzia  diretamente a seu prprio solar.
      Quando a fez entrar, ele fechou a porta  com cuidado estudado.
      Ariane observou-o cautelosamente enquanto ele  girava para  enfrent-la.
      Um  fogo ardia na chamin, e sobre a mesa ao lado da cama havia uma vela acesa que  iluminava a habitao.
      Sob a luz dourada, seus olhos brilhavam  perigosamente.
      Ranulf se recostou  contra a  porta e  cruzou os braos sobre seu peito  poderoso.
      - O que... pretende, milorde?
      Seu sorriso lento fez  os batimentos do corao de seu  corao se acelerassem.
      - Est de acordo que ganhou um   castigo  por sua conduta?
      Ariane ficou rgida.
      - No . No  podia permanecer sem fazer nada enquanto voc tinha semelhante  comportamento licencioso com sua amante.
      - Sua indignao est desconjurada,  uma escrava.
      Ela podia sentir sua ira crescer novamente, embora tentasse controlar-se.
      - Me de Deus!, estava  te preparando para  fornicar sobre  a mesa  do Lorde  com essa... essa prostituta!
      Os olhos do Ranulf se estreitaram  pensativamente.
      - Poderia  ser que estivesse  com cimes, querida?
      - Cimes? Te superestima,  milorde.
      Simplesmente  me importa que o  salo do Claredon no seja desonrado com semelhante... orgia.
      -Vem aqui, - ele  disse.
      - Vais golpear-me?
      - Eu no golpeio mulheres.
      - Alm disso,  eu gosto de sua pele tal como .
      - Por que quereria  danific-la?
      - Vem  aqui.
      Sabendo que ele foraria sua  vontade se recusasse a  obedecer, Ariane moveu-se lentamente para  parar diante dele.
      O brilho dourado em seus  olhos pareceu  suavizar-se.
      - Nunca tomei a essa moa.
      - Ariane olhou Ranulf assepticamente,  reticente a acreditar em sua afirmao.
      -Tivesse-a tomado no fora  por minha  interveno.
      - Mas voc  interveio. Ento.... - ele  sorriu - ... corresponde a  voc  reparar essa situao.
      Quando ela o  olhou perplexa, as sobrancelhas de Ranulf se levantaram.
      - Eu queria ter  uma moa  esta noite, mas  voc assustou isso e a fez fugir.
      Ento servir como substituio da Dena.
      - Servir, milorde?
      Sua respirao  pareceu agitar-se.
      - Se no  desejar que as moas  do castelo me agradem e me entretenham, ento voc  deveria  prover esse servio para minhas necessidades.
      Ariane deu um passo para trs, suas unhas  se cravaram em suas palmas.
      - No tem  direito a me pedir que te  sirva dessa maneira.
      Um sorriso  frio se desenhou em seus lbios.
      - Se esquece que   meu  direito como o Lorde  tomar a qualquer servo de meu castelo.
      Seus  olhares se encontraram. Ariane sentiu  sua ira crescer, junto com seu ressentimento.
      Pelo  choque ela se esqueceu momentaneamente de seu  objetivo de consumar o matrimnio.
      Agora  que Ranulf  parecia estar  disposto ela j no  estava to  ansiosa por consumar a unio.
      Tinha sonhado que esse homem a fizesse dela, tinha  ansiado isso, mas no com  raiva, nem por  vingana  ou  como um  castigo.
      Queria que Ranulf  a tomasse com  amor.
      No havia nenhum sinal  de amor ou  de ternura  em sua  expresso, agora.
      S uma perigosa arrogncia masculina e ele  claramente havia dito que  planejava cumprir sua vontade, sem importar quais fossem os  desejos dela.
      Ariane levantou o  queixo.
      - Eu no esqueci de nada,  milorde.
      - Certamente recordo sua promessa de me desposar.
      - Lembro tambm   que a Igreja  me considera sua esposa.
      Ranulf no mordeu o anzol.
      - O matrimnio  logo ser anulado.
      -Talvez sim. Ou talvez no.
      - Existe a possibilidade de que a Igreja  tome partido por mim.
      Ranulf sorriu, quase  prazerosamente.
      - A deciso est em  mos do papa agora.
      - Assim parece.
      - Enquanto isso... - Estendeu sua mo e seu  dedo se enredou em um cacho de cabelo  de seu cabelo sedoso.
      - Como voc declarou falsamente ser minha  esposa, no vejo nenhuma razo para que eu  no possa gozar os privilgios  de um marido.
      - Ningum poderia me dizer nada.
      - O que... Quer dizer?
      -  parte de  minha  posse. Por que no tirar proveito de seu  corpo encantador?
      Sua voz tinha sado em um tom sensual, fazendo que o  insulto soasse  como uma promessa de prazer.
      Ariane se sentiu ficar rgida enquanto  tentava  reprimir a emoo  que a percorreu.
      - Converter-me-ia em uma prostituta?
      Imperturbvel, Ranulf sacudiu a cabea.
      - Contradiz-te, moa. No pode  ser  esposa e prostituta da mesma pessoa.
      - Isso  possvel, se voc recusar a  me reconhecer  como sua esposa.
      - Nunca te  reconhecerei como tal, - ele respondeu.
      - No serei uma puta para voc!
      - Mas e para outros homens.
      - O que diz?
      - Mentiu dizendo que te violei,  no  irracional supor que lembre  sobre outras questes.
      Por tudo o que sei, pode ter compartilhado seus  encantos com a metade dos  homens  da  guarnio  de seu pai.
      Ela o golpeou  ento, levou seu brao para trs e lhe esbofeteou a cara com a palma aberta.
      Ariane olhou com horror a marca avermelhada de sua mo em sua  bochecha.
      Para sua perplexidade, a boca de Ranulf se curvou em um  sorriso   lento enquanto  friccionava a pele avermelhada.
      - Eu gosto mais quando briga. O esprito ardente de uma  moa   mais estimulante que um esprito dcil.
      - Estimulante!
      Os  olhos dela piscaram com fria.
      - OH, ... ... um idiota arrogante! Quer estimulo, deveria voltar com sua amante!
      O brao dele saiu  disparado para  envolver-se ao redor a cintura de Ariane.
      Com insistncia inexorvel, Ranulf a atraiu, fazendo-a sentir o  desejo inegvel que se avultava debaixo de sua tnica.
      - No quero  nenhuma outra moa, - ele murmurou.
      - Quero voc.
      Ela comeou a lutar, mas seu abrao era de ferro.
      - Pretende me violar? - ela exigiu  ofegando.
      -Violao ou seduo... pode escolher.
      A luz em seus  olhos dizia claramente que sabia o  que ela  escolheria finalmente.
      Com firme determinao, Ranulf capturou sua boca sensualmente.
      Tinha esperado o suficiente para a rendio dela.
      Por muito tempo ele tinha tolerado  seu desafio, tinha mantido  um controle rgido sobre seus impulsos, quando no tinha nenhuma necessidade de faz-lo.
      Ela deveria compartilhar  sua cama em vez  de enlouquec-lo.
      Com  matrimnio  anulado ou no,  satisfaria   sua fome feroz por ela, no  podia conter sua necessidade por mais tempo.
      Tinha sido  um idiota  por haver-se  negado todo isso at  agora.
      Por que no podia desfrutar do que era seu  at que a anulao fosse concedida?
      Havia resistido o  momento da rendio  por medo a expor sua debilidade, sua vulnerabilidade ante ela, no tinha querido revelar que ela conseguia controlar
sua mente e seu corpo.
      Mas j no resistiria nem lutaria mais.
      Ante o  som suave  de protesto, Ranulf afrouxou a presso de sua boca, mas se recusou a  liber-la.
      Podia sentir sua virilha  apertar-se com uma dor  impetuosa de antecipao.
      Em poucos minutos a teria debaixo dele, montaria e a  penetraria.
      Se ela no  fosse  virgem, se tivesse tido outros amantes, no haveria nenhuma dvida a respeito a quem ela  pertencia agora.
      Ento, se  Deus quisesse, seu  desejo ardente  por ela terminaria.
      Uma vez que tomasse, finalmente se  entregaria ao desejo  insano que o havia atormentado  por dias.
      Poderia ver-se livre de sua  obsesso  selvagem por ela.
      O tumulto de seus sentimentos se mostrou em sua  paixo.
      Beijou-a  posessivamente, sua lngua   sondando as profundidades da boca doce.
       Ela resistiu a invaso de sua boca a princpio, pressionando sua palmas contra seu peito, mas ele a acalmou capturando seus pulsos e entrelaando seus braos
ao redor de seu pescoo.
      Antes que ela pudesse escapar, uma de suas mos foi tom-la pelas ndegas, e a outra  apertou  sua cintura.
      Momentos mais tarde, sentiu um estremecimento percorrendo o corpo de Ariane, ouviu o gemido sair do  profundo  de sua  garganta, um som encantador  de rendio.
      Sua prpria paixo se viu incrementada por essa rendio, Ranulf aprofundou  seu beijo, fazendo-o mais exigente e possessivo... quando os braos dela se fecharam
ao redor dele por prpria vontade.
      Quando finalmente ele liberou sua boca e  levantou a  cabea, Ariane olhou  fixamente seus olhos selvagens e  triunfantes.
      Podia ler a verdade neles: o  momento de esperar tinha acabado.
      Ela fechou  seus prprios olhos e se apertou  contra  ele, sentindo a protuberncia dura de seu  sexo pulsar  contra  sua virilha.
      O tinha ganho.
      Ela no  lutaria com  Ranulf, embora ele somente desejasse para saciar seus apetites luxuriosos.
      Ranulf se recusava a reconhec-la como sua esposa, ainda  pretendia anular o  matrimnio, mas ela no se conformaria com uma relao  carnal sem a sano dos
votos matrimoniais.
      Ela queria consumar seu matrimnio, e no simplesmente para consolidar  sua posio  legal como sua esposa.
      Queria Ranulf, queria seus  beijos, suas  carcias, ser possuda por ele.
      E  queria tentar conquistar sua simpatia.
      Talvez  se ela  se rendesse completamente, poderia persuadi-lo de trocar sua opinio sobre ela, podia faz-lo  ver que ela no  era a mulher  traioeira que
ele   pensava.
      S podia rezar para no sair muito ferida da unio carnal.
      No  tinha conhecido intimamente a nenhum homem.
      Ranulf era to  poderoso, to forte,  que podia   esmag-la  com uma s  mo, ou rasgar o interior de seu ventre  se  a tomasse grosseiramente.
      Algum instinto  lhe assegurou  que ele  no a danificaria.
      - Ranulf, - ela sussurrou, seus olhos  implorando que fosse delicado.
      - No vou resistir.
      - Mostre  o que  quer de mim... Como te agradar.
      Os olhos do Ranulf se obscureceram com sua rendio.
      Tomou uma respirao  profunda, tentando  retardar a acelerao  de seu  sangue, agradecido porque ela estivesse disposta a render-se.
      Nunca tinha forado a uma mulher na cama.
      A idia de violao no o estimulava, especialmente no com esta mulher cuja beleza extraordinria e cujo esprito desafiante o tinham enfeitiado desde o
comeo.
      Se ela  soubesse o  poder que tinha sobre ele...
      OH... Deus o ajudasse...
      Sua verdadeira necessidade era conquist-la com prazer, no se conformaria com nada menos.
      Sua experincia lhe dizia que no devia preocupar-se.
      Suas habilidades sensuais que eram apreciadas pelas moas de seu castelo agora lhe seriam de utilidade.
      E entretanto Ariane era como nenhuma mulher que ele tivesse conhecido.
      Sentiu-se perplexo ao notar que suas prprias mos tremiam.
      - Ser seduo, ento - ele disse com voz rouca, e a beijou para selar o pacto.
      Quase reverentemente ele desatou a fita de sua camisa, baixou o tecido, despindo seus belos seios que estavam ansiosos pela  carcia de um homem .
      Seus mamilos rosados  j estavam erguidos pela excitao, Ranulf notou  com satisfao  primitiva.
      Inclinando sua cabea, capturou um com sua boca.
      Em choque, Ariane tomou uma respirao profunda  enquanto  sentia o mamilo endurecer.
      Uma  incrvel quebra de onda de  calor a invadiu sob o delicado mas  intenso estmulo  de sua  lngua.
      O que lhe estava fazendo ele ?
      Era  indecente que o sugasse  como um beb.
      Mas no  podia encontrar a fora para apart-lo .
      Seus  dedos cravados em seus ombros enquanto seus joelhos se tornavam dbeis.
      Ranulf  sujeitou o outro mamilo com a  mesma paixo, estimulando-o  deliciosamente com sua lngua.
      Para seu desnimo, ele deteve as carcias e  comeou  a despi-la.
      Em pouco tempo  Ranulf lhe tinha tirado a  roupa e ela  estava nua diante dele, sua pele  ruborizada pela  vergonha e o desejo.
      Mas depois  um lento escrutnio  de seu corpo, ele j no  pareceu fascinado por sua nudez.
      Ele estava olhando  fixamente a pele irritada em seus ombros e seu pescoo produzido  por tecido spero  de  sua tnica.
      - A roupa te fez   isto? - Ele  perguntou, estendendo sua mo para tocar a erupo  com as pontas de seus dedos.
      Ariane  assentiu causticamente.
      Precisava toc-la  para acalmar sua dor, aproximou-se e  se inclinou  para colocar um beijo terno na linha de seus ombros.
      O contato delicado era incrivelmente leve, entretanto   ela o sentiu  intensamente, como se seus lbios fossem  carves ardentes.
      Ariane o olhou  confundida.
      No  podia compreender por que Ranulf estava sendo to delicado com ela.
      Quando ia comear o  castigo?  No atuava  como se queria   tomar  vingana, seu beijo destilava  ternura e  logo se tornou para trs para despir-se.
      De repente ofegando, Ariane o observou, incapaz de desviar o olhar.
      Afrouxando os laos que sujeitavam sua tnica a tirou pela cabea e a  lanou a um  lado.
      Seguiu-lhe sua camisa  expondo os msculos marcados de seus braos, seus ombros e seu peito poderoso.
      Os olhos dela se obscureceram ao ver as feridas no flanco do Ranulf, as cicatrizes que lhe recordavam que tinha sido  atacado por seus  inimigos...
      Sua prpria gente .
      As botas e as calas  vieram a seguir, descobrindo suas coxas e panturrilhas slidas.
      O olhar do Ranulf se encontrou com o dela enquanto suas mos foram ao cordo  da cintura que sustentava sua roupa interior.
      Quando ele baixou o objeto at seus quadris a respirao de Ariane ficou travada em sua garganta.
      Sua ereo  levantando-se   orgulhosamente sobre o plo escuro de sua virilha.
       Ela tremeu ante o  enorme tamanho de seu membro,  entretanto um estremecimento  de excitao lhe percorreu a espinha dorsal  ante a imagem  do  homem descaradamente
exibido ante  ela.
      Havia uma beleza nessa masculinidade nua o  poder incrvel de seu corpo esculpido   perfeio.
      Era o  eptome das fantasias  feminina.
      E ela  o desejava.
      Ranulf a observava, seus olhos nublados pelo vu.
      Seu olhar ardente excitou Ariane, apesar de sua inocncia.
      - Teme-me? - Ele perguntou, sua voz era um sussurro spero.
      Ariane tragou em seco e se  forou para sacudir a cabea em negao.
      No queria pensar em  como Ranulf poderia machuc-la  com seu  tamanho e sua  fora.
      S pensaria no prazer incrvel que suas  carcias a tinham  feito sentir uma vez.
      - Bem. - Seu sorriso lento emitiu o  brilho  de uma estranha jia, quando seus olhos faiscaram  com sensualidade masculina.
      - Eu no gostaria que me  temesse.
      Como ela poderia temer quando ele a olhava  como se ela forsse a mulher mais bonita de toda a cristandade?
      Logo ele se uniu a ela na cama.
      Ainda mantendo seu olhar, Ranulf se sentou a seu  lado e passou sua mo lentamente sobre seu corpo.
      Ela se esticou, tremendo ante essa carcia suave como uma pluma.
      Quando sua mo alcanou seu estomago  liso, ela  tomou uma respirao  aguda.
      E quando abriu seus dedos largos no  monte feminino, sua respirao   foi contida  completamente.
      Ranulf sorriu com satisfao ante sua resposta.
      Sua ereo se esticou quase dolorosamente.
      Mas  no  podia saciar  sua fome ainda.
      Primeiro devia cumprir a deliciosa tarefa de lhe agradar.
      Ela se sobressaltou  quando ele estirou um brao em cima de  sua cabea para tomar  um travesseiro e o colocou com cuidado debaixo de seus quadris.
      Suas bochechas se ruborizaram intensamente.
      - Me...Milorde Ranulf... o que faz?
      Sem responder, ele trocou de posio e  se moveu  sobre ela, para ajoelhar-se entre suas pernas.
      Ela sentiu o ar morno de sua respirao quando ele se dobrou para lhe beijar o estomago.
      - Fica quieta, - ordenou-lhe  quando seus quadris se moveram  nervosamente.
      Seus  olhos quentes  vagaram pela extenso de seu corpo, passou  suas mos lentamente sobre a parte interna de suas coxas, fazendo que ela se abrisse  para
ele.
      Ariane tremeu pela  mortificao e pela antecipao.
      Ranulf pareceu  estudar o  tringulo de plo acobreado  entre suas coxas.
      Com determinao sensual, suas mos deslizaram por debaixo de seu corpo para tomar as esferas plidas de suas ndegas.
      Ariane mordeu o  lbio inferior  para evitar  de protestar enquanto ele  lentamente apertava e massageava suas ndegas, enquanto  seus dedos acariciavam o
caminho que dividia seu sexo.
      - Ranulf... - ela  murmurou protestando.
      - No deve...  pecado...
      - Sh, - ele pediu  em um tom profundo.
      Abrindo as dobras  lustrosas de seu sexo  com seus polegares, ele colocou a gema do dedo indicador sobre o pequeno boto de prazer massageando-o lentamente.
      Ariane gemeu.
      Para seu choque, Ranulf se inclinou e ousadamente  pressionou sua boca de contra seu sexo.
      Ariane se viu invadida por  uma  intolervel quebra de onda  de prazer.
      - No! - ela  ofegou , tentando  apart-lo.
      Ranulf riu brandamente ante sua reao, ao tempo que   capturava seus pulsos impedindo que se ela se movesse.
      Se inclinou sobre ela outra vez, lambeu  sua essncia feminina  com sua boca.
       Lambeu a carne quente, fazendo-a sentir o suave bater  de sua lngua.
      Seus lbios mornos colocaram um beijo.
      Ariane tremeu  abaixo desse assalto ertico.
      Os cuidados  escandalosas desse homem deixaram-na atnita.
      Que loucura era essa?
      Entretanto  no  podia recorrer a sua  vontade para  protestar enquanto  sua lngua trabalhava nela, percorrendo as dobras  inchadas, estimulando sua carne.
      Seu beijo nessa zona to ntima lhe tirou a respirao.
      Sua pele ficou mais quente enquanto Ranulf a atacava sentindo seu gosto, mordiscando essa fruta suculenta, at faz-la gemer.
      Ento  deliberadamente, com um  cuidado delicioso, empurrou sua lngua dentro dela, um ato de posse primitiva.
       A quente  invaso lhe causou um  estremecimento.
      Ariane se  arqueou e  gritou sua negao, seus quadris se elevaram  at  reunir-se   com a  boca masculina.
      - Ranulf... Deus...
      Uma quebra de onda de luxria invadiu Ranulf.
      Ela estava  quente e  excitada. Seu grito rouco o excitou.
      O abrao em suas ndegas se apertou  enquanto ela se retorcia  contra a cara dele, ofegando.
      Ranulf manteve sua boca pressionada  contra  ela enquanto Ariane se agitava  com convulses de prazer.
      Quando o ltimo espasmo tinha passado, sua boca se moveu rapidamente para seu corpo.
      Sem  lhe dar tempo  de recuperar-se,  Ranulf se colocou  em cima de Ariane e acomodou  seus quadris entre suas coxa .
      No podia esperar  por mais  tempo.
      Nunca tinha estado to duro, to perto de estalar.
      Com a ponta quente  de seu membro roou  o centro  dela, mas  vacilou.
      Ela  havia tido  com  outro homem dessa maneira?
      Ou ela era verdadeiramente  inocente como parecia?
      Tentando deixar de lado  seu cimes irracionais, concentrou-se na bela  mulher debaixo dele.
      Necessitava  isso, a  necessitava, ansiava  essa  liberao feroz que s ela podia lhe dar...
      - Ranulf... por favor, - ela ofegou, sua voz trazia um pedido.
      -Sh,... querida , - murmurou  roucamente  em resposta .
      -Te abra para mim.
      Todos seus instintos naturais gritaram para que Ranulf tomasse rapidamente, para aliviar o anseio  feroz, quase  desesperador  em seu ventre, mas ele  se afundou
lentamente nela,  com extremo cuidado.
      Apesar  do cuidado dele, suas coxas se  apertaram  ao redor dos quadris dele em um esforo ftil para repelir essa intruso.
      Quando sentiu que uma barreira frgil lhe negava a entrada, Ranulf  quase se tornou atrs, temeroso de no  poder controlar-se, temeroso de lhe causar dor,
mas  no  podia deter-se agora...
      No podia deter-se... No  podia...
      Ariane se estremeceu de dor quando sua carne  virgem era rasgada, e  gritou  quando ele entrou completamente  dentro dela.
      A presso  era quase impossvel de tolerar.
      Seu membro rgido era uma lana enorme que empurrava dentro dela, uma arma poderosa que a rasgava.
      Ela  escutou a si mesma soluar, sentiu  o doce delicado de sua boca enquanto a   beijava  em um esforo por apaziguar a dor.
      Incapaz de   fazer outra coisa, Ranulf se manteve  completamente quieto  enquanto ela estremecia-se debaixo dele,  querendo   amaldioar e  ao mesmo tempo
gritar seu triunfo.
      Uma virgem! Uma moa inocente e casta, nunca tocada por  outro homem.
      No lhe tinha mentido! Ele era seu primeiro amante. Lhe pertencia agora.
      - Ariane, me olhe - Os olhos dela estavam cheios de lgrimas.
      Os  olhos dele brilharam com fogo.
      - Sente-se melhor?
      - SIM... sim - ela  respondeu  honestamente , embora  sua resposta ofegante transmitia  pouca confiana.
      - Posso tomar mais profundamente, querida?
      Ela franziu o cenho  pensativamente, olhando  fixamente e perguntou  com cepticismo.
      - H mais?
      Ranulf  sorriu, lenta e sensualmente.
      -Temo que sim.
      - Mas  posso  desistir de entrar com todo  meu membro.
      - No... por favor... O... Quero... Tudo.
      -  Ainda enquanto falava, seus quadris se moveram  tentativamente, inclinando-se  um pouco para lhe dar melhor acesso.
      Ranulf tomou uma respirao profunda.
      O mnimo  movimento dela estimulava-o  para ir mais profundamente, mas com um esforo feroz, obrigou-se a controlar  sua  impacincia.
      Lentamente moveu seu peso em cima  dela, roando seus seios com o plo de seu peito.
      Ariane ficou rgida, contendo sua respirao... Era estranho, mas a dor desvaneceu-se, deixando uma sensao que no era  completamente  dolorosa.
      Ento  os lbios   do Ranulf  se apoiaram  sobre os dela, e a beijou sensualmente.
      Ariane estremeceu  enquanto  sua lngua entrava em sua boca com surpreendente  suavidade; por sua prpria vontade os quadris dela se balanaram contra as dele.
      Ela quase gemeu em protesto  quando sentiu que ele se retirava de seu corpo .
      Mas  Ranulf  no tinha  inteno de retirar-se completamente.
      Em troca, a mo dele se deslizou entre os corpos deles, seus dedos encontraram o boto quente e mido que era o centro do desejo dela.
      Assombrada pelo espasmo de prazer que percorreu seu corpo, Ariane ofegou e enlaou seus braos ao redor do pescoo do Ranulf.
      Cegamente ela murmurou seu nome em um pedido de piedade, mas ele continuou acariciando seu sexo, suas costas arqueadas e seus olhos semi-fechados.
      Indevidamente, Ariane alcanou o climax.
      O mundo desapareceu para ela.
      As mos dela se apertaram nos ombros do homem em cima dela, seus quadris arqueando-se incontrolavelmente.
      - Sim, querida, - Ranulf aprovou seus movimentos com voz rouca, respirando esse selvagem  abandono.
      Reduzida a essa necessidade pag, ela se pegou a ele, gozando a  liberao  da tenso  de seu  corpo.
      Em poucos  momentos se arqueou em um climax que a fez  gritar levando Ranulf ao ncleo de seu ventre.
      - OH Deus! - Ranulf ficou rgido  por um instante, seus olhos  se fecharam com  dor sensual.
      Ento j no pde conter-se mais, comeou  a mover seus quadris, entrando e saindo a  um ritmo  urgente, tentando faz-lo  delicadamente, mas Ariane o urgia
a acelerar o ritmo.
      A exploso  crua e  primitiva do orgasmo do Ranulf foi to violenta que ele  apertou os  dentes  e ento j no houve mais controle.
      Gritou  sua prpria liberao  selvagem enquanto   se derramava  nela.
      Por um comprido momento permaneceram  fundidos e unidos, s se ouvindo o som ofegante de suas respiraes.
      Ranulf tentou levar ar a seus pulmes  enquanto  tentava  focalizar seus  pensamentos.
      Sua pele estava banhada em  suor, seu  corpo quente   mas satisfeito.
      Seu corpo  sentia  lnguido  mas  ele ainda  estava parcialmente ereto.
      No  queria deixar esse paraso  quente  entre suas coxas, mas  sabia que devia faz-lo.
      Lentamente, com esforo, Ranulf retirou  seu corpo rodando a um lado.
      Tinha sido  muito brutal  com ela  quando teria querido ser delicado e considerado por  sua falta de  experincia.
      - Me perdoe... - ele murmurou incorporando-se  e  olhando  seu rosto maravilhosamente ruborizada e emoldurada  por seu cabelo selvagem.
      Seu olhar percorreu   seu corpo magro, mas fez uma pausa quando alcanou   suas pernas.
      O sorriso do Ranulf se desvaneceu.
      Sangue misturava-se  com o fluido de sua  semente em suas coxas e no lenol.
      Seus  olhos se obscureceram com uma sensao de  triunfo.
      Ter tomado  sua virgindade era  uma vitria para ele.
      Tinha sido o  primeiro  homem a possu-la.
      O nico.
      -   minha, - ele declarou em um sussurro baixo, enquanto acomodava um cacho sobre seu rosto.
      Estendeu o brao  e cobriu   a ambos com as mantas.
      Logo, com uma  ternura  que era  quase  estranha nele, Ranulf envolveu  Ariane em seus braos, pressionando sua cabea contra seu  ombro, e  fechou os olhos.
      Despertando  pela metade de seu sonho, ela  suspirou e apertou  seu rosto mais profundamente em sua pele clida.
      Ela tinha temido  que Ranulf a tomasse com raiva, mas em vez  de  for-la, ele a  tinha  seduzido...
      Um amante sensual e  considerado.
      A mudana nele a assombrava...
      De repente acordada, Ariane sentiu a presso  das lgrimas em seus olhos.
      A ternura  do Ranulf de momentos atrs, quando tinha tomado   seu corpo e lhe tinha  ensinado a maravilha de ser uma mulher, deu-lhe vontade de chorar.
      Se os eventos no se  opusessem, esse homem fascinante  seriaq seu marido.
      Essa seria sua cama matrimonial, e essa tinha sido sua noite de bodas.
      Ranulf tinha tomado seu corpo como o tivesse feito com qualquer outra, somente para provar sua autoridade.
      Lhe tinha  tratado como a uma posse, um objeto  para satisfazer sua luxria.
      Lhe tinha  dado um  prazer  devastador, era verdade, mas  s como um meio para  forar sua rendio.
      A unio dos corpos tinha  significado muito mais.
      A consumao tinha sido   muito  mais que um ato de   paixo.
      Em seu  corao,  eles se tinham unido verdadeiramente.
      Ranulf tinha recusado veementemente a reconhec-la como sua esposa, mas ela se  sentia unida agora.
      Pertencia somente  a ele.
      Tragando o n em sua garganta, Ariane fechou os olhos, respirando seu aroma limpo e masculino.
      E como  queria dormir, ela se aferrou  esperana de que algum dia  Ranulf chegaria a  sentir mais por ela  que simplesmente o   desejo  carnal.
























      Captulo 14



      - Bom dia, doce.
      Ariane se moveu debaixo dos lenis quando uma voz masculina murmurou em seu ouvido.
      Quando sentiu  os lbios   mornos roar  seu pescoo, forou-se  a abrir  os olhos e  piscou  para encontrar ao Ranulf  inclinando-se sobre ela, seu peso apoiado
sobre  um cotovelo.
      Estava sorrindo, a transformao em  seu  rosto escuro era assombrosa.
      Na  luz do  amanhecer, parecia mais jovem e  incrivelmente  sedutor.
      - No tem nenhuma  saudao apropriada para seu  amante?
      Atordoada ainda pelo sonho, ela tirou seu olhardele e tentou focalizar-se em seus  pensamentos.
      Os raios de luz que se filtravam  atravs  das portinhas a faziam dar-se conta que era bastante tarde.
      - Por que  no  despertamos  mais cedo?
      - Estava muito  cansado pelos exerccios de ontem  noite.
      Ariane se ruborizou  com a  lembrana   desses exerccios: a imagem ertica  desse homem  entre suas coxas, seu  corpo estremecendo-se enquanto se movia dentro
dela,  seu imenso  poder entretanto contido.
      Ranulf lhe tinha mostrado um xtase que ela no tinha sonhado que fosse possvel.
      Sem conhecer o tumulto de emoes que  amotinavam dentro dela, Ranulf inclinou-se  para cobrir sua boca com um  beijo fugaz.
      - Satisfez-me bem ontem  noite .
      - Seu bom humor afetou a  sensibilidade do Ariane.
      No  s a chocava ser acordada  por um homem nu e receber seus cuidados, mas sim lhe recordava  vividamente sua rendio e  sua conduta libidinosa.
      - Devo me sentir  honrada por seu elogio,  milorde? - Ela respondeu  amargamente  em uma voz ainda rouca pelo  sono.
      Para sua surpresa, Ranulf  riu calidamente.
      - Claro que sim.
      - No  brindo semelhante  elogio to levianamente.
      Olhou-a nos olhos.
      - Pergunto-me se o prazer ser   to  grande  agora   que a novidade  de sua condio virginal j passou.
      Com um  dedo, ele seguiu o contorno de  lbio.
      - Imagino  quanto  ser seu  prazer.
      - Devo admitir que me  tenta a responder essa pergunta, mas seu corpo deve estar sensvel  depois de ter sido usado to duramente.
      Os olhos aumentaram ante  sua sugesto de repetir o  acoplamento pecaminoso   luz do  dia, mas a  considerao  do Ranulf a  relaxou.
      Ariane moveu  seus quadris despreocupadamente   mas  sentiu dor  entre suas coxas.
      - Causei-te dor?
      Ressentidamente ela  sacudiu a cabea.
      Os sintomas  fsicos  lhe causavam muito menos dor que sua prpria consciencia.
      - No  muito.
      - Bem. - Ranulf sorriu  indulgentemente.
      - Pode  dormir pelo resto da manh, mas  melhor que eu me levante.
      - H assuntos que necessitam minha ateno.
      Ariane fechou os olhos com mortificao. depois da cena que  ela havia feito a noite anterior no salo  seus homens  saberiam precisamente o que se tinha passado
entre eles  durante a noite.
      Deitou-se com Ranulf, embora no com muito entusiasmo, mas tampouco sem protestar muito.
      - No desejo que me vejam aqui em sua habitao,- ela murmurou.
      - Muito  menos em sua cama.
      - Nem pretendo ter folga todo o dia.
      - Faa o que te agrade.
      - Mas eu  pretendo trocar seu castigo.
      - No vai seguir fazendo os mesmos  trabalhos.
      - Sua generosidade  emocionante.
      Ignorando sua resposta sarcstica, Ranulf procurou um objeto que tinha escondido entre os travesseiros e o levantou  para que ela o visse.
      -Talvez   encontrar isto mais a seu gosto.
      Ele sustentava uma espcie de colar de ouro, Ariane notou com  surpresa.
      Um colar com figuras nrdicas de drages ornamentadas com pedras preciosas nos olhos.
      Deslizando sua mo debaixo de seu pescoo, Ranulf o colocou  com cuidado ao redor de sua garganta, enquanto  Ariane os olhava  em choque.
      - ... para mim,   milorde?
      -Tinha planejado que seria meu presente de bodas, - ele murmurou, - mas agora que no  haver casamento,  no  vejo  nenhuma razo para que   no possa  o
ter.
      Considera-o um pagamento  pelo que  me deu a noite.
      - Minha virgindade, pensou Ariane  com um ponto de desnimo, sentindo o frio do  metal pressionando  contra sua  pele.
      Poderia ter  amado  Ranulf, mas no,  ela no   significava para ele nada mais que uma  prostituta  de seu  castelo, ele tinha descarregado sua luxria nela
e tinha pago o prazer com um  belo colar, e o considerava um intercmbio justo.
      - Me perdoe se no conseguir  expressar adequadamente  minha gratido, milorde, - ela declarou com  aspereza.
      A resposta seca dela tomou  Ranulf por surpresa,  igual  dor em seus olhos.
      Nunca tinha dado um presente to caro a uma mulher e pensou que ela estaria agradada com esse  gesto.
      As mulheres da corte   ansiavam por presentes caros, mas os olhos  de Ariane se iluminaram primeiro com suspeita mais que com cobia, e  agora  o estavam olhando
com desdm e altivez, como se tivesse cometido uma ofensa grave.
      - Eu tinha pensado  que podia servir para adoar seu carter, - ele  disse tentativamente.
      - No h nada mau em meu  carter, exceto talvez  um rechao a seus cuidados  lascivos.
      Sem  compreend-la, Ranulf escolheu  lutar contra sua raiva incompreensvel com persuaso.
      Prazerosamente retirou para baixo os lenis  para expor um seio com seu mamilo rosado, e logo estirou sua mo at tomar os redondos  plidos.
      Apesar  do estremecimento dela , ele se inclinou e  pressionou seus lbios  contra  seu pescoo.
      - Pode voltar a usar suas prprias roupas, querida.
      - No quero que esses  vestidos toscos de camponesa lhe  danifiquem a  pele.
      Tentando  reprimir a  quebra de onda de tenso e excitao  que seu mero contato despertava nela,  Ariane levantou uma sobrancelha com desprezo.
      - Detecto um pouco   de culpa,  milorde , por seu  trato desprezvel por mim?
      Ranulf sorriu.
      - Culpa  no  o que sinto  por voc, moa. Assim que a trato...
      Algo de sua diverso   se desvaneceu.
      - Depois de seu engano, merece algo muito   pior  que um  simples prurido.
      - Eu  no   chamaria engano   ao feito de  reivindicar o que  meu legalmente.
      Ranulf sacudiu a cabea, recusando-se  a  ser envolto em uma discusso.
      - No  debaterei esse ponto com voc  outra vez, minha  doce.
      Sua mo lenta e  deliberadamente percorreu  seu corpo por debaixo dos lenis.
      Ariane tomou uma respirao profunda  quando seus dedos se enterraram no pbis  entre suas coxas.
      - No... no!  indecente!
      - ?
      - Sabe  que sim, - ela  ofegou enquanto  tentava  evadir de seus dedos exploradores, embora  sabia  que deveria  usar  qualquer desculpa para evitar a repetir
a rendio  libidinosa da noite anterior.
      - A  Igreja probe esse tipo de atos. - Ranulf grunhiu, mas  removeu  sua mo de entre suas  coxas e a deixou descansar posesivamente sobre seu  estomago.
      -  No acredito   que um pecado  mais possa obscurecer ainda minha  alma negra.
      - Gente de muita  autoridade me ho dito que estou possudo por demnios.
      Ariane estava  muito  atnita  por sua blasfmia para sondar na amargura  que apareceu em  seu tom de voz.
      - Sua alma pode estar mais a redeno, mas o que tem que a   ver comigo ?
      - O olhar dele  procurou   no rosto dela  atentamente.
      -  to  pura e inocente ento , moa?
      Como ela no tinha  nenhuma resposta para isso, Ranulf se encolheu de ombros.
      - A corrupo da  Igreja  bem sabida.  A metade do clero quebra suas prprias leis regularmente, participando de orgias que fazem a nossa festa no salo
que  parea a celebrao de Natal.
      - Ainda assim...  No   desejo... .que me toque dessa maneira...
      - Quer   fingir que no te excito? - perguntou ele com um sorriso divertido.
      Ultrajava-a que ele descobrisse to abertamente a origem real de seu desconforto: a habilidade dele de despert-la sem esforo em  suas paixes e convert-la
em uma mulher  libidinosa.
      -No  me excita nem a metade do que sua vaidade  te leva a  acreditar,- ela replicou .
      - Vaidade? - ele perguntou.
      - Nenhuma moa se queixou  de minha habilidade.
      Ariane levantou  os olhos para o teto, rezando  para ter pacincia.
      Ranulf do Vernay era um macho arrogante e vaidoso, muito seguro de sua habilidade com as mulheres que ela desejava lhe arrancar as  orelhas.
      -Talvez   nunca ouviu  uma queixa porque voc  nunca quis escut-la.
      Sua boca desenhou um  sorriso  forado  que era  ntimo, sensual  totalmente enfurecedoro para o  insulto bem  calculado que ela tinha feito.
      Em uma  resposta lenta, a mo  dele percorreu perezosamente seu corpo at tomar  seu seio  outra vez.
      Com o polegar  e o dedo indicador, apertou  delicadamente o mamilo sensvel, fazendo-o erguer-se imediatamente, e fazendo que Ariane  tomasse outra respirao
aguda.
      -Talvez   proteste porque  teme o que te fao  sentir.
      - No te temo, - Ariane grunhiu, desejando poder apagar esse sorriso  superior  de seu rosto.
      - Simplesmente no desejo escutar te vangloriar de suas  conquistas.
      Antes que pudesse  dizer algo mais,  Ranulf suspendeu  de repente  sua carcia  e se levantou.
      Despreocupado por sua nudez, ele caminhou atravs da habitao  e se inclinou  para procurar roupa de uma arca, deixando    vista dela   suas ndegas  e suas
pernas musculosas.
      Ariane se encontrou  olhando-o com  admirao.
      Havia  fora  e poder em cada linha dura de seu corpo, uma beleza masculina que despertava  toda a feminilidade dentro dela.
      Uma beleza  que fazia  com qua as cicatrizes espantosas em suas costas  fossem mais incongruentes.
      Recordou haver sentido essas marcas nas pontas de seus dedos  a  noite  anterior enquanto  se unia a ele nos estremecimentos   da paixo.
      Desanimada pela lembrana quente que despertou nela,  Ariane desviou  seu olhar  enquanto Ranulf se lavava. Surpreendeu-lhe  que no  lhe  requeresse  atuar
como seu escudeiro  quando comeou  a vestir-se, mas quando se ofereceu, ressentidamente, sua  ajuda , Ranulf  a rechaou.
      - Disse-te  que suas tarefas de serva  tinham  terminado.
      - Por que suspendeu essas tarefas? - Ariane perguntou cautelosamente.
      - Porque  o castigo era muito duro, admito-o.
      - Tenho   um papel   muito mais agradvel para voc em mente, o de amante.
      - Dormir aqui em minha  habitao todas as noites e  permanecer aqui durante o dia.
      Ariane se sentou  abruptamente na cama, apertando os lenis contra  seu seio.
      - Quer que  todos pensem que sou sua amante?
      - No, no   minha amante.
      -   somente minha refm  poltica uma vez mais.
      - Mas  esperas  que eu compartilhe  sua cama?
      Ranulf levantou uma sobrancelha.
      -Acreditei que isso te agradaria.
      - Deixar de fazer os trabalhos brutais de uma escrava.
      - Enquanto voc recusar a me reconhecer como sua esposa  e lady deste castelo, meu  lugar no  est em sua cama.
      - Est, Ariane, - respondeu  Ranulf  sucintamente.
      - Ns somos amantes agora. No  pode neg-lo.
      Quando Ranulf observou o desnimo em seus olhos, sua expresso suavizou-se.
      - No  encontrar o  papel de amante  to terrvel.
      - Me atrevo a dizer  que chegar a desfrut-lo.
      - Preferia limpar os chiqueiros.
      Ranulf sorriu, esse sorriso to masculino como incomum.
      -Talvez, mas seria um desperdcio de sua beleza  e seus outros talentos.
      As mos de Ariane se fecharam em punhos.
      - Por que? - ela exigiu.
      - Por que deve tomar como sua amante quando sem dvida  h  outras mulheres que estariam contentes de poder compartilhar sua cama?
      Surpreso por sua raiva, Ranulf a observou  com  curiosidade.
      No  podia compreender sua resistncia a compartilhar sua cama.
      Na verdade, tinha esperado  que Ariane se sentisse  honrada com seu favor.
      Poderia nomear uma dzia de  moas que tomariam seu  lugar com muita alegria.
      Talvez  ela no  se desse  conta  do  prazer  que ele  planejava  lhe oferecer.
      Ou talvez simplesmente seguia estando ressentida porque  j no  tinha sua posio  como   lady  do Claredon.
      Mas se  ela tentava lhe fazer sentir culpado por no   casar-se com  ela,  isso no aconteceria.
      Nem ela se  inteiraria da verdadeira  razo para tom-la como amante.
      Nunca  admitiria que  ter  Ariane  em sua cama era a nica maneira que lhe ocorria  para acabar com  sua obsesso por  ela.
      -   uma mulher desejvel, e  eu te  desejo. No  necessito nenhuma outra razo.
      Com sua mandbula apertada, Ranulf se deu volta apartando-se  para  procurar  sua camisa, sentindo extremamente ultrajado por sua resposta.
      Ariane tinha ganho  uma vitria sobre ele,  e ele  sabia.
      Havia perdido uma  batalha a  noite anterior, finalmente  se tinha rendido a seu desejo obsessivo por ela.
      At tinha  trocado sua  poltica com respeito a  ela.
      Raramente no passado  tinha permitido  que uma mulher dormisse com ele.
      Entretanto  estava disposto a  fazer excees  com  Ariane.
      Na verdade,  gostava de  pensar nela despertando  em sua cama cada manh,  completamente  nua, suas bochechas ruborizadas, e o aroma de  sua pele  sedosa.
      Desfrutaria  tendo-a  perto . Certamente desfrutaria beijando-a  e tocando-a.
      Poucas vezes beijava a uma mulher nos lbios, mas ela tinha uma boca que o tinha enfeitiado.
      No queria outra coisa mais que voltar nesse momento a essa cama e saborear seu corpo, a enterrar-se profundamente dentro dela e a explorar as profundidades
de sua paixo.
      Queria passar o  dia inteiro com ela, lhe ensinando como gozar com  seu corpo e lhe mostrando  como satisfaz-lo.
      Mas  recordou a condio  virginal de Ariane e desprezou a idia.
      Um sentimento de ternura  o invadiu  quando recordou a dor dela, a noite anterior.
      Quo frgil e delicada a  tinha sentido em seus braos.
      Quo inocente.
      Quo quente  e selvagem ela  se tornou, gemendo seu  xtase  debaixo dele.
      Dar-lhe-ia  tempo  para recuperar-se de seus cuidados  sexuais, mas essa noite... A idia de fazer o amor  fez  Ranulf endurecer-se  repentinamente.
      Deveria estar furioso  consigo mesmo  por haver-se rendido dessa maneira, Ranulf  sabia.
      Com  suas prprias aes  tinha consumado seu contrato de compromisso.
      Mas no isso no importava.
      No  retiraria sua petio apresentada em  Roma.
      A anulao seguiria  adiante  como  estava planejado.
      Dominaria de algum modo sua culpa, tambm.
      Ariane sabia que somente ela era a  responsvel pelas consequncias de seu  engano embora ela se recusasse  a admiti-lo.
      Enquanto isso, ele  gozaria.
      Ao menos satisfaria  seu desejo  feroz por ela.
      At que  ela se rendesse completamente.
      Planejava mant-la desejosa e complacente  para o ato sexual.
      Ariane era obcecada  e determinada, mas  que um desafio para  um  guerreiro.
      Necessitaria cada vantagem de seu lado para  obter sua rendio.
      Tentando  ignorar a  raiva silenciosa dela, Ranulf terminou de  vestir-se  com  uma tnica de veludo verde.
      Logo  lanou  sua capa sobre  seus  ombros e  girou  para lhe falar.
      -Aceita meus desejos, querida.
      - Daqui em diante  compartilhar minha  cama.
      - E quero  ver-te  me esperando  em minha  habitao  quando eu  retorne.
      Com isso, Ranulf saiu do quarto, terminando a discusso  abruptamente, da mesma maneira que o fazia.
      Um insulto  baixou  lngua de Ariane enquanto ela olhava a porta.
      Sentiu-se  zangada por sua prpria impotncia ante as  ordens  imperiosas do Ranulf.
      Ele tinha conquistado seu corpo to facilmente como tinha tomado o castelo de seu pai,  e ele  agora  planejava  continuar sua relao pecaminosa  fazendo-a
compartilhar sua cama sem  a  bno  da Igreja.
      No trmino  de  semanas, ela  tinha passado   de ser uma  noiva   comprometida, a ser  uma refm  poltica, um escudeiro  e logo uma escrava, e agora  uma
amante.
      Inquestionavelmente, voltar para papel de refm  seria uma melhoria em relao   semana passada, entretanto no desejava   aceitar o papel de amante do Ranulf.
      Apesar da  mortificao que lhe causava  de ser considerada sua amante , ela teria muito  tempo livre durante o  dia, esperando a seu Lorde.
      Estava acostumada a manter-se  ocupada com os deveres de uma  lady.
      Por quatro anos ela  tinha comandado  a  vasta equipe da servido  do  castelo do Claredon,  assim como  tinha fiscalizado o trabalho dos  servos de vrios
manses e fortalezas menores de seu pai.
      As tarefas domsticas   que  tinha sido  forada a fazer a semana passada  ao menos  tinham tido o benefcio de deix-la  muito esgotada para pensar quando
caa  rendida na cama  cada noite.
      Agora  teria  tempo livre,  nada com que  distrair-se, o  aborrecimento levaria  ao desespero.
      Certamente , ela  merecia algum castigo por  tentar for-lo a honrar o  compromisso e por seu  estalo no salo a noite anterior, mas o novo papel que lhe
tinha atribudo  era altamente desagradvel.
      Ranulf era um tirano insensvel e  desumano.
      No,  esse era o  problema.  Ranulf  no era um tirano.
      Ranulf nunca a  tinha  prejudicado fisicamente ou lhe  tinha levantado  uma  mo, embora tinha jogado sem piedade  com seu  corao.
      Por toda sua reputao selvagem e feroz, o Drago Negro do Vernay era um homem contido em relao s mulheres, inclusive ela, embora  lhe tinha  dado ampla
causa para enfurec-la.
      Ainda seu castigo  tinha sido  medido.
      E a maneira de fazer o amor... Ariane fechou os olhos  enquanto  recordava  o  suave e  terno assalto  do Ranulf na  noite anterior.
      Desejou  que ele  a tivesse maltratado, porque assim poderia dar rdea solta a sua  raiva.
      Como poderia  resistir  quando ele  estava sendo terno  e  considerado?
      Escutou-se  suspirar.
      Tinha  mentido a Ranulf mais cedo.
      Lhe Temia... Temia  ao  lorde  frio e impiedoso  conhecido como o Drago Negro, entretanto  temia ainda mais ao amante  sedutor no que ele se converteu a noite
anterior.
      Desanimou-a  dar-se conta to vulnervel   era   sua masculinidade.
      Potente, a sua paixo  surpreendente.
      O perigo que  Ranulf apresentava era muito real.
      A noite anterior ele  tinha conquistado   alguma parte secreta dela...
      E logo  tinha convertido o ato sexual  em algo que no era mais que  um capricho prazeroso que podia  ser pago com a mesma moeda.
      Desencorajada, ela  tocou  o  colar de ouro em sua garganta, cujos pingentes em forma de drages a marcavam como a posse do Ranulf.
      Queria arrancar-lhe entretanto desprendeu com cuidado a jia de de sua garganta.
      No  poderia tolerar desprender-se dela.
      Ranulf alguma vez a  tinha tido  em mente para lhe trazer um presente  custoso.
      O guardaria, mas no o teria  vista, determinada a nunca us-lo at que Ranulf aceitasse-a como sua esposa.
      Um evento improvvel, ela  admitiu.
      Desejou  poder  odi-lo,  mas se deu conta que era muito tarde.
      Depois que todos os anos  de esquecimento  a que a  tinha submetido e  apesar de sua inflexibilidade atual, Ranulf ainda era o  guerreiro fascinante  que tinha
capturado seu corao a tanto tempo.
      Ranulf no queria  seu corao, Ariane  sabia.
      A considerava  uma refm. Uma traidora, nada mais, enquanto que ela estava mais indefesa que nunca.
      O  pensamento a fez  estremecer.
      Me de Deus, como poderia proteger-se  da sensualidade dele se transformava em  seu amante em tempo completo?
      S  estaria segura  enquanto pudesse  manter-se  a distncia.
      Entretanto agora seria requerido compartilhar a cama  do Ranulf, para experimentar sua magnfica  paixo, para submeter-se  a seus deliciosos cuidados carnais.
      E que  Deus a  ajudasse, ela  no  podia com toda honestidade  negar que isso era o que queria.













      Captulo 15



      Ranulf  tinha se  retirado  do salo  no momento em que  Ariane baixou para acalmar sua fome.
      Para sua surpresa, os sentinelas  que geralmente  a vigiavam  no estavam   vista.
      Ento se deu conta de algo que a encheu  de esperana.
      Ser a amante do Lorde  podia oferecer uma vantagem  inesperada  que no tinha considerado: Ranulf poderia eventualmente baixar a vigilncia  em torno dela.
      Se no era vigiada de perto, talvez  pudesse escapar  da fortaleza  e  levar a  cabo  uma tarefa que a tinha desesperada.
      Para sua  maior surpresa, encontrou ao Payn FitzOsbern sentado s na mesa  do Lorde.
      Para  sua perplexidade  completa, ele a saudou imediatamente, como se  tivesse estado esperando-a.
      - Senta-se  na mesa  para tomar o caf da manh, moa?
      Ariane  o olhou  cautelosamente, perguntando-se  se ele planejava castig-la  pela exploso da  noite anterior .
      O cavalheiro sorriu, uma saudao amigvel e persuasiva.
      -Sentir-me-ia honrado, milady,  se te unisse a mim na mesa.
      - Vem,  no   te morderei, - ele  adicionou  em um tom de voz baixo, enquanto parava para retirar a cadeira  ao lado  da cadeira  do Lorde.
      - E sou to atrevido  que me animo a lhe pedir isso e estou seguro que voc no me morder.
      Ariane no  pde evitar  responder a  suas palavras  com um  sorriso tentativo.
      - Desejo oferecer uma desculpa  para nosso comportamento inadequado e grosseiro  de ontem  noite, - ele  disse enquanto que ela se   sentava.
      -Tem toda a razo.
      - Foi  uma  indesculpvel desonra  usar o  salo  do Claredon dessa  maneira.
      Antes que ela  pudesse  responder, Payn levantou uma mo e chamou um servente.
      - Traga para  milady  um pouco de  alimento imediatamente.
      - Minha lady? - Ariane perguntou quando ficaram sozinhos.
      - Se esquece que Lorde Ranulf decretou que j no h uma lady neste castelo.
      - No,  no  me esqueo.
      - Mas esta manh Ranulf me informou  que voc j no deveria ser considerada uma escrava.
      - Devo  confessar meu alvio.
      - E te expressar minha  gratido,  tambm.
      - Gratido?
      - Sim, estou agradecido porque suavizaste seu  mau carter.
      - Como seu primeiro homem em  comando, sou eu quem  mais suporta seu  pssimo  humor.
      - Seu trato foi  muito mais  suave esta manh do que  foi  em  meses.
      Ariane ficou rgida , mas  Payn continuou alegremente enquanto lhe servia uma taa  de vinho.
      O  criado voltou  com um  prato de carne de carneiro e de po que colocou  diante do Ariane.
      Despachando ao homem, Payn  a olhou pensativamente.
      - O que sabe  sobre Ranulf, moa?
      Ela tirou sua faca para cortar  a carne de carneiro em  resposta.
      - Sei que  um cavalheiro  desumano e frio que no  honra de suas promessas.
      Payn piscou e sorriu.
      - No, quis dizer, o que sabe  de seu passado?
      Ariane franziu o cenho.
      - Somente o que meu pai  me disse.
      - E  naturalmente,  eu  ouvi rumores.
      - Se diz que o Drago Negro   invencvel nas batalhas e impiedoso   com seus inimigos.
      - E dizem...  Que lutou e derrotou a seu prprio pai,  e que recuperou sua herana  a ponta de   espada.
      - Os rumores  no exageram.
      - Ranulf foi forado a recuperar as terras do Vernay  que tinha perdido   quando seu pai duvidou de sua paternidade  e o deserdou.
      - Ento   verdade? o de sua me... - ela vacilou, insegura de como fazer essa delicada  pergunta.
      - A respeito de seu adultrio?
      - Sim,  verdade.
      - Antes de seu nascimento, sua me teve uma relao ilcita com um  caador do castelo, um homem que no era da nobreza.
      At este dia,  no  se sabe de quem  filho, embora  eu  tenho minha  opinio.
       Ranulf se assemelha a Vernay muito  na aparncia e em  carter  para ser filho de algum mais.
      - Parece  conhecer bem Ranulf.
      - Melhor do que a maioria.
      - Nos criamos juntos no castelo  do  mesmo Lorde normando.
      Ariane assentiu  ausentemente.
      Era comum  que o filho de um Nobre  fosse servir a outro Lorde  como aprendiz de cavalheiro.
      - Desde o comeo, - Payn observou,  - Ranulf se destacou no  trainhamento rigoroso que nos  davam.
      - Derrotava aos outros escudeiros, inclusive a mim.
      - Tinha um corpo  grande para sua idade, e era muito alto , entretanto  seu xito se  devia a algo  mais que a vantagem fsica.
      - Ele estava determinado a  provar que era o  melhor.
      - Mas no atuava desprezando ou ameaando aos outros, moa. - Payn sorriu  pensativamente, como se  recordasse.
      - Ranulf era o  primeiro em  defender aos  menos poderosos entre ns.
      - Mas  nenhum    de ns o  conhecia realmente bem.
      - Tinha poucos amigos, porque ele mesmo se isolava.
      - Passaram anos antes que me contasse a histria de seus pais, e somente aconteceu  porque me considerava seu amigo e porque o excesso  de vinho lhe   tinha
afrouxado a lngua.
      - No  era um conto bonito.
      Com  expresso  pensativa, Payn sorveu  seu vinho, enquanto Ariane esperava impacientemente  para que  continuasse.
      - Yves do Vernay era... Devemos admiti-lo... Um homem amargo, esfaqueou  o amante de sua esposa  e quase  a esfaqueou.
      - Por sua  transgresso, ele se confinou em uma  torre  pelo resto  de sua vida.
      A Igreja, como deve  saber, considera  o  adultrio como   causa suficiente para terminar um matrimnio.
      - Quanto  ao beb,  Lorde  Yves  nunca pde   olhar ao menino  sem odi-lo,  o que sem dvida  foi uma bno  para Ranulf.
      - Passou desapercebido   at que  foi  um menino de quatro anos, quando teve a desgraa  de chamar a ateno  do Lorde Yves...
      - Resolveu  castigar a seu  filho   pelos pecados de sua  me.
      - Seu mtodo de castigo era aoitar o  corpo para desencardir sua alma.- Payn olhou  diretamente  Ariane.
      - As costas do Ranulf  a prova do dio de seu pai.
      - Me de Deus, essas cicatrizes terrveis...,- Ariane sussurrou, sua voz dbil  pelo  horror.
      - Que classe de homem faria isso a uma criatura?
      - Um monstro, o que mais?
      Seu pai  procurava  tirar o  diabo dele, exorcizar os  demnios de sua alma.
      -Demnios? Mas  era s  um menino! Um beb! Completamente  inocente das transgresses de sua me.
      - Sim, um menino com uma sede de vingana de um homem adulto.
      Por dois anos Ranulf suportou o  tortura, at que  foi enviado pra longe para ser trainhado como cavalheiro.
      - Liberado  da crueldade de seu pai nunca mas pde  esquecer-se dele.
      - Suas cicatrizes so muito mais profundas que as que se vem  em suas costas.
      Ariane o olhou  com  desespero e  tambm  com fascinao.
      - Sir Payn... Diz a verdade?
      -  uma histria  terrvel. Mas... por que me contas?
      - Desejo que saiba que classe  de homem  Ranulf, os fatores que o forjaram no  homem que  agora.
      A resposta do Payn explicava muito menos quando ele adicionou.
      - Desejo  que voc compreenda por que Ranulf tem boas razes para desconfiar das mulheres da nobreza.
      Franzindo o cenho  com perplexidade, ela  assentiu.
      - Estou  escutando.
      - Em minha  opinio... A reticncia  do Ranulf  para casar-se  sucede  de sua profunda desconfiana para as damas de sua classe.
      - Nunca me disse isso com palavras claras, mas  pressenti  que ele te  temia.
      -Temia-me...?
      - Por que me  temeria?
      - Estou chegando a isso, milady. - Payn sorriu fracamente.
      - Ranulf aprendeu  faz tempo  que no poderia confiar nas mulheres.
      - Considera que a  maioria  delas  no tm honra.
      - Primeiro o  adultrio  de sua me, que converteu  sua vida  em um inferno.
      - Ento  suas prprias experincias como adulto...
      - Bem, suponho  que eu devo  lhe esclarecer o tema.
      - Viu  o  encanto do Ranulf.
      - Ele  pode... - Lamento no concordar com isso, - Ariane o interrompeu.
      - Vi pouca  evidncia do encanto  de Lorde Ranulf.
      - Bem,  talvez ele  no  tentou  te seduzir, moa, sob as atuais circunstncias...
      - No,  ele  tentaria seduzir a qualquer mulher  menos ela, Ariane  pensou  com um  ponto de cimes, recordando como Ranulf sempre  tinha um sorriso  pronto
para as moas  do castelo.
      -Tem um encanto para as  mulheres.
      - Elas  parecem pegar-se o como moscas ao mel, apesar de seu rosto  duro.
      - Nunca compreendi completamente seu encanto, admito-o, - Payn adicionou  com um sorriso.
      - Ranulf no  tem o que as   damas considerariam beleza  masculina.
      - No a  beleza masculina do estilo tradicional, Ariane pensou.
      Mas possua  uma  masculinidade  crua e magntica que o fazia bonito.  Uma personalidade viril, dinmica, carismtica; era uma fora  potente, que era  impossvel
ignorar.
      Qualquer  mulher que quisesse domestic-lo, quem  apaziguasse a besta dentro dele  e quem lhe  oferecesse   alivio.
      Ela havia se sentido ansiosa  por seu medo e  sua  fria.
      -Peo-te que continue, - Ariane murmurou  indiferentemente.
      - Muito bem . Como te disse, Ranulf se destacou no  trainhamento  militar.
      - Foi nomeado Cavalheiro  aos  17 anos  por sua  coragem em  batalha,  e permaneceu no castelo  para servir ao  Lorde  que o tinha trainhado.
      - Ranulf era um terceiro filho, com nenhuma expectativa de  poder herdar   as propriedades vastas do Vernay.
      - E como sabe, um cavalheiro sem terra e  sem dinheiro  tem poucas opes.
      - Mas  ento... Um escndalo ocorreu.
      - A esposa de seu Lorde   tentou  seduzi-lo.
      -A  esposa  do  lorde? - Ariane o  olhou  em choque.
      - A ama  do castelo?
      - Sim. Estive seguro que  Ranulf era completamente  inocente das acusaes.
      - Depois de seu prprio  passado, estou seguro que ele se recusou enganar a um  homem, especialmente  seu prprio Lorde.
      - Seu lorde o desafiou a briga, mas Ranulf se recusou.
      - Deixou  o servio ao Lorde  com  desonra.
      - Eu deixei minha prpria   posio no castelo   para segui-lo.
      - Deve  ter um alto conceito para  Ranulf.
      - No  h nenhum outro Lorde ao qual  serviria, - Payn disse simplesmente.
      - Como resultaram as coisas, a deciso  foi  boa para  ambos.
      - Passamos dois anos  nos circuitos dos torneios na Normandia  e na Frana, nos enriquecendo com os prmios  que ganhvamos,  e logo vieram  dois anos  lutando
como mercenrios para o Geoffrey de Anjo.
      - Ns ajudamos Geoffrey a liberar Normandia da Frana, e o ajudamos a converter a  seu  filho Henry em duque.
      Ariane tinha ouvido  muito a respeito do Geoffrey Plantagenet, um governante  sbio  e poderoso que tinha conquistado  Normandia  e  lhe tinha outorgado  um
poder que todos reconheciam.
      - Finalmente tinha deixado o ducado a seu jovem filho Henry, que agora era   o  novo  rei  da Inglaterra.
      - As excelentes  habilidades do Ranulf chamaram a  ateno  do  jovem  Henry, e quando o seguinte  escndalo estalou, Ranulf se incorporou  ao  servio de
Henry.
      - O seguinte  escndalo?
      O sorriso do Payn no  tinha nada  de diverso.
      - As mulheres  nobres  da corte do Geoffrey no provaram ser mais honorveis   que as outras damas  que  Ranulf tinha  conhecido.
      - Quando  estava l, uma lady casada  o perseguiu descaradamente.
      - Quando  ele no  correspondeu a  seu ardor,  ela afirmou falsamente  que Ranulf  a tinha violado.
      Ariane se sentiu  desmoronar-se  debaixodo olhar do Payn.
      Ela mesma  havia denunciado uma   falsa  violao   mos  do Ranulf.
      Mas  as circunstncias  no eram as mesmas, ela  pensou defendendo-se.
      Ranulf tinha prometido casar-se com ela e a tinha repudiado depois de cinco anos.
      - Assim , - Payn disse delicadamente.
      - A opinio do Ranulf sobre a infidelidade  das mulheres da nobreza tem sua   justificao.
      - J entendo  por que desconfia das mulheres..., - Ariane respondeu  calmamente.
      - Mas   seu conto me inspira  uma pergunta.
      - Se despreza tanto s mulheres nobres, por que aceitou  nosso compromisso?
      - Pelas razes  usuais. Herdeiros  e  terras.
      - Em  minha  opinio, isto  ltimo era o mais importante para ele.
      - Mas   Ranulf  j possua  vastas  terras, verdade?
      - Sim, lhe tinham  concedido vrios  feudos  ricos por  seus servios a Geoffrey, e  por sua lealdade ao Henry.
      - Primeiro ajudou ao Henry a consolidar seu governo  na Normandia  e mais tarde, ajudou-o   a obter o trono ingls.
      - E  por isso Ranulf  recuperou  a propriedade do Vernay.
      - Mas  deve recordar o  dio que sente por   seu pai.
      - Esse dio  influenciou   cada uma de suas  aes, sombreou cada um de seus  pensamentos  ao longo de  sua vida por muito tempo.
      - Imagino que queria  vingar-se   de seu pai?
      - Depois de ter visto suas costas, pode culp-lo?
      Ariane sacudiu a cabea  com tristeza.
      Podia compreender por que um homem estava  determinado a procurar  vingana   por  essas cicatrizes terrveis, ainda se no  pudesse compreender  como algum
podia ferir um menino to grosseiramente como  Lorde  Yves tinha machucado ao menino  que  muito  provavelmente  era  seu  prprio filho.
      - Pouco  depois que Ranulf se converteu no vassalo de Henry,  os dois irmos maiores do Ranulf morreram  em um perodo de dois meses  por umas  feridas de
batalha que se infectaram.
      - Ainda depois suas mortes,  Lorde  Yves  se recusou  a  reconhecer Ranulf como seu filho ou nome-lo como seu herdeiro.
      - E  foi quando a  resistncia do Ranulf se quebrou.
      - Em nome do Henry,  desafiou  a seu pai a um combate mortal.
      - O que aconteceu? - perguntou Ariane seriamente.
      - Ranulf ganhou, naturalmente,  mas  se deteve antes de matar a  seu atormentador, embora  essa morte estivesse  justificada.
      - Seu pai fugiu  pra Frana, procurando  refgio com o  Rei Luis, onde vive atualmente.
      - Isso me contaram, Yves  dedicou sua vida a  Deus,  embora  um homem assim   no pode esperar  salvar sua alma negra.
      - Em  penitncia, partiu  em peregrinao a Terra Santa, e voltou  como um homem trocado.
      - Mas Ranulf se recusou a  perdo-lo.
      Ariane compreendia os   sentimentos do Ranulf.
      - Em  gratido por ter  ganho  terras  to vastas, o  duque Henry nomeou ao Ranulf como o Lorde  do Vernay e  assinou  uma carta onde lhe retorna seu ttulo
de nobreza, dando a Ranulf o  direito de  chamar-se  filho de seu pai.
      - Finalmente foi concedida toda a  riqueza  do Vernay.
      - No  satisfeito com isso, Ranulf continuou lutando at  transformar-se em  um dos bares mais capitalistas da Normandia. - Payn fez uma pausa  para olh-la
diretamente.
      - Ranulf sabia   que voc, como   herdeira, podia ajud-lo a alcanar esse objetivo.
      - Por isso  aceitou  casar-se comigo.
      - Sim,  mas  lamentou a ao do compromisso  quase  imediatamente, lhe posso assegurar isso.
      - Quando serves a um homem  portanto tempo  como eu servi ao Ranulf, aprende a  detectar at seus sentimentos mais profundos.
      Ariane baixou  o olhar  para esconder a dor  em seus olhos.
      - Eu tambm tenho sentimentos,  sir Payn.
      - E uma vez prometi a meu Ranulf lealdade,  honr-lo e  servi-lo como sua  esposa.
      - Eu  lhe teria dado   meu corao, mas ele me   repudiou.
      -Eu no  justifico  suas aes, milady, - Payn disse com tranquilamente.
      - Eu s procuro faz-la compreender.
      - Ranulf  um homem difcil mas um bom Lorde  tambm, um  que provou ser cuidadoso na administrao das propriedades.
      - Ranulf governa seus feudos com   justia   e  compaixo.
      Ariane assentiu  lentamente. Tinha visto  por si mesmo os  esforos do Ranulf para governar Claredon com justia.
      Ele tinha comutado as sentenas dos rebeldes e tinha mostrado um grau  de clemncia  que era uma qualidade muito estranha  em um lorde, especialmente  um que
tinha  razes  para ser  vingativo.
      No  era o  ogro   que  ela tinha  temido.
      O Drago Negro, ela  tinha comeado  a dar-se conta , no  era  to   terrvel como   seu nome  o  implicava.
      - Esse era o   pensamento de meu  pai, -  ela disse com tranquilidade.
      - Foi por isso  que ele  escolheu Ranulf como meu futuro  marido.
      - Era  uma eleio sbia. Ranulf  no  um homem  sem  corao moa.
      -  s  que o escondeu  detrs de um escudo.
      - Ranulf  um soldado.
      - A matana  a tarefa que foi   encarregado.
      - No sabe   nada de amor ou  de ternura, s  de luta.
      - A violncia e o  combate foram toda sua  vida.
      - Bem,  e as moas, tambm,  mas  que cavalheiro  no teve uma  etapa  selvagem  em sua vida?
      Ela curvou sua boca  sarcasticamente.
      - Seguro - Payn esclareceu  sua garganta.
      - A mulher correta poderia troc-lo.
      - Pensa que...  Eu  poderia ser essa mulher? - ela perguntou em  voz baixa.
      - Espero  que sim.
      - Mas no  ter uma situao fcil.
      - Ranulf nunca se esquece  algo mau, e voc j fez vrias: recusando-te a render Claredon, ajudando a escapar ao vassalo de seu pai, conduzir uma rebelio
interna, declarar falsamente  que o matrimnio tinha sido   consumado.
      - Est consumado agora, - Ariane declarou, ainda enquanto se ruborizava ao  admiti-lo.
      - Talvez seja  assim,  mas o modo em que comeou este matrimnio  uma m  base para uma  boa relao.
      - E tambm est  a traio  de seu pai contra a coroa.
      - Por associao,  suspeita de ser uma traidora.
      Seu queixo  se elevou  abruptamente, seu  corpo inteiro  se endureceu.
      - Meu pai   no   um  traidor,  milorde, nem eu.
      - Quando o rei  Stephen morreu, meu  pai imediatamente declarou sua lealdade  ao Henry  e nada ocorreu  no nterim para que ele troque  de idia.
      - Quando partiu  para o Bridgenorth,  ele era homem do Henry.
      - Sua inocncia tem que  ser provada,  e  ser.
      Payn a olhou  por   um momento comprido.
      - Penso que   poderia  acreditar moa,  mas minha  opinio   no   importante.
      -  Ranulf quem deve ser convencido.
      - O que... Sugere-me?
      - Te dirija  com cuidado a  ele, moa. De algum modo deve ganhar sua confiana.
      - Sem  confiana, Ranulf nunca superar seus medos  to profundamente enraizados.
      Ela olhou  para  suas mos.
      - Estou honrada por sua f em mim, sir Payn.
      - S espero que possa provar  ser digna dela.
      - Como disse, no  ser fcil.
      Payn lhe lanou um   sorriso de respeito  e de simpatia.
      - Penso que  se alguma  dama pode faz-lo, essa  voc.
      Levantando-se  da mesa,  Payn  fez uma reverncia profunda.
      - Espero com ansiedade  ver o dia no qual voc retome o  lugar que te corresponde  como Lady do Claredon, moa.
      Logo se deu volta   e saiu do salo.
      Ariane o observou   ir-se  em  silncio, sentindo-se mais esperanada do que  tinha estado  dentro de semanas.
      No Payn FitzOsbern, tinha  descoberto  um aliado completamente inesperado.
      Tinha-o  escutado, primeiro porque estava  ansiosa por conhecer   mais sobre o Ranulf,  mas  tambm   porque sabia  que no causaria dano  cultivar  uma boa
relao  com um de seus principais vassalos.
      Ficou surpreendida ao descobrir a um  cavalheiro considerado.
      Tinha sido  um amigo leal e crdulo do Ranulf, e ela  estaria verdadeiramente  honrada de tambm poder cham-lo de  amigo.
      Seu prato quase no tinha sido mexido; Ariane estava  sentada  ali, pensando em tudo o que Payn lhe havia  dito  sobre o  passado terrvel do Ranulf, seu
corao  dodo por tudo  o que ele  tinha tido que suportar.
      Logo que podia   comear a imaginar a magnitude de  seu sofrimento.
      Seu pai tinha procurado  exorcizar os demnios dele.
      Ento isso era o que Ranulf tinha querido  dizer quando ela tinha afirmado  que sua alma estava possuda por demnios.
      Ranulf tinha sido  castigado pelos  pecados de sua me,  e lhe tinha negado  sua herana  por uma  paternidade  questionada.
      Ariane sacudiu a cabea, lutando contra  uma quebra de onda  de ternura  feroz por ele.
      Embora  agora  compreendesse melhor as razes  pelas  quais  no Ranulf confiava nela,  isso ainda lhe doa.
      Entretanto ela nunca tinha considerado o compromisso entre eles  da  perspectiva dele.
      Ranulf realmente temia  a dor  que lhe poderia causar.
      Estava equivocado sobre isso, assim como era muito  severo ao  julg-la como  uma traidora.
      Seria difcil provar ser  digna de sua confiana.
      Ranulf j a considerava  uma  mulher muito ardilosa.
      Manchar os lenis tinha sido  um engano crtico, ela  se dava conta  agora.
      Tentar forar Ranulf a reconhecer o  matrimnio s tinha endurecido mais seu corao  contra ela.
      Pior ainda , ela nunca poderia   trat-lo com completa honestidade.
      Ela guardava  um segredo que  no se atreveria a  revelar-lhe a ningum, e muito menos ao novo Lorde  do Claredon.
      Um segredo  que poderia determinar a  vida e a morte daqueles que ela amava.
      No  havia mentido a Ranulf a respeito, ao menos, por agora.
      E no o faria a menos que fosse necessrio.
      Desalentada  por esse pensamento, Ariane deu um suspiro  cansado.
      O desafio era temerrio.
      Fazia muito tempo e  ela j no queria simplesmente  ganhar  seus direitos como   esposa do Ranulf.
      Tambm queria ganhar seu corao.
      E essa tarefa seria mas difcil que qualquer outra coisa  que ela jamais tivesse  empreendido.














      Captulo 16



      Ranulf voltou  torre para a comida  do  meio-dia   mas cedo que o planejado.
      Tinha passado a manh  inspecionando  as terras com o Baldwin, administrador   do castelo, e se sentia satisfeito com o progresso que tinha visto.
      No  tinha havido   mais sabotagens ou atos de subverso.
      Entretanto ele tinha estado  equivocado,  acreditava estar  livre de Ariane.
      Ranulf tinha pensado  que depois de haver-se deitado com ela  poderia  pr sua mente a disposio dos deveres administrativos como Lorde.
      Entretanto  enquanto  Ranulf  visitava  os estbulos, os postos do  ferreiro e os guardies e os currais, seus pensamentos vagaram continuamente.
      Podia recordar o  delicioso  prazer  que  Ariane lhe  tinha causado    a noite anterior, e podia sentir o desejo feroz  de possu-la  novamente.
      O fogo ardia em sua  virilha.
      Ainda  tinha fome dela,  sua  obsesso estava mais forte que  antes.
      Entretanto seu orgulho lhe  exigia  que controlasse sua  luxria.
      Havia requerido que   Ariane  o  esperasse  no  solar ao final do dia,  e cumpriria com o plano que tinha em mente  embora o  matasse.
      Alm  disso, tinha prometido  a seus homens uma tarde a toa caando.
      E desejava   ver em pessoa  que tipo de presas podiam encontrar-se nos bosques.
      Disse-se a si mesmo que estaria   satisfeito s em v-la, mas Ranulf sentiu  uma grande  decepo quando Ariane no   apareceu  no salo  para a comida  do
meio-dia.
      A comida  lhe pareceu  interminvel e Ranulf se pressionou  para manter  um semblante de bom humor,   para manter  seu olhar fixo em vez   de ficar vagando
pelo  salo  em  busca dela.
      Payn, extremamente, estava mais jovial que o costume.
      O cavalheiro concordou rapidamente quando Ranulf insistiu  reunir aos caadores no ptio  e   esper-lo l.
      Payn se refreou de comentar sobre a incomum desculpa do  Lorde  quando Ranulf disse que desejava   procurar suas  luvas no  solar,  pois  qualquer dos  numerosos
pajens  ou  escudeiros  poderiam realizar  essa tarefa.
      Ela no estava no solar, Ranulf descobriu com  irritao crescente, antes que sua busca  o conduzisse  ao quarto de tecer  adjacente.
      Para  sua surpresa, encontrou  Ariane, rodeada de outras mulheres, bordando tapearias, estendendo tecidos, enrolando  l e tecendo.
      As mulheres detiveram suas tarefas abruptamente quando sua presena foi detectada.
      Ante o  silncio repentino, Ariane olhou  e para seu  assombro  encontrou Ranulf   na soleira.
      Seu corpo  poderoso  parecia estar fora do lugar em uma habitao   unicamente  ocupada por mulheres.
      Sentiu-se  desanimada quando  Ranulf lhe ordenou que sasse.
      Ruborizando-se, Ariane deixou  de lado  seu bordado  e ficou de p, logo   o seguiu.
      - Milorde? Como posso  te servir?
      - Sua escolha de  palavras foi  desgraada, porque seus olhos ambarinos obscureceram-se.
      As mos dele se fecharam  sobre os braos dela, como se quisesse  aproxim-la   dele  mas  ento  Ranulf se deteve.
      Levou  toda sua fora de vontade  para deter-se.
      Seu  libido se esquentou  e seu membro  se inchou ante a imagem  dela,  mas ele se recusou a ser  distrado pela fascinao que lhe causava essa mulher.
      - O que  faz  aqui? -  ele exigiu, seu  tom mais duro do que planejava.
      Ariane o olhou  causticamente.
      - Estava fiscalizando...
      - As malhas e os bordados tinham sido descuidados  desde que voc...
      - Desde que tomou   Claredon.
      - No acredito te haver  concedida permisso para passar seu tempo em tais tarefas.
      - Disse-me  que   j no deveria  trabalhar  nas cozinhas.
      - J no precisa   trabalhar em nada.
      - Te disse que me esperasse em minha  habitao.
       Um rubor  quente  subiu  a seu rosto, mas ela  conseguiu   dizer naturalmente:
      -No estou acostumada a  no fazer nada,  milorde.
       - No  estar sem fazer nada, - Ranulf respondeu, sua voz se fez mais rouca.
      - Descida  te manter ocupada em tarefas agradveis.
      Ariane apertou sua mandbula, querendo discutir com ele.
      Ainda se ele a mantinha  ocupada todas  noites e em parte do  dia,  ela ainda teria muitas horas livres que encher,   assim como tambm haviam  tarefas que
exigiam a ateno de uma mulher.
      No  desejava  ver seu lar decair pela falta de uma lady.
      Certamente sua me se sentiria ofendida ao ver a condio  deplorvel em que a  fortaleza tinha  ficado depois de ser ocupada pelas  foras  do Ranulf.
      Recordando-se  seu juramento recente  de procurar a forma  de conquistar o  corao  do Ranulf, ela  baixou  o  olhar  e murmurou:
      - Como o deseje,  milorde.
      Sua resposta dcil despertou a  irritao  do Ranulf  mas no podia  encontrar nada em sua resposta ou em sua  atitude  algo que lhe permitisse descarregar
sua ira.
       -No futuro  estar presente  nas  comidas, - ele disse friamente.
      - Comeando esta noite  mesmo.
      - Espero uma grande  comida  esta noite.
      - Desperta  muito apetite sair a  caa.
      - Vai caar? - foi sua  desanimada  pergunta.
      - Sim.  Acha isso surpreendente?
      Seu olhar  se moveu  inquieto.
      Ela  no  tinha notado  anteriormente os sons  que  entravam atravs  das janelas dos homens  e os  ces que  se reuniam  no ptio em  preparao  para sair
de  caa...
      - No,  no  me  surpreende, - Ariane mentiu.
      - Aonde vo  caar,  milorde?
      - O que importa? - O lado sul do bosque est cheio de animais.
      - Sim? Acho muito  curioso que queira   me aconselhar  sobre caa.
      - Vendo o  interesse nos olhos penetrantes do Ranulf, Ariane se forou  para no  mostrar nenhuma expresso em seu rosto.
      - Eu somente  desejo que a caa seja bem-sucedida.
      - Todos ns desfrutaremos do produto da caa esta noite e desejo que tenha essa grande comida..., - ela disse.
      Sua boca se curvou em um sorriso,   mas  seu rosto    s  transmitia uma dbil  diverso.
      - Nunca  te vi to ansiosa  por satisfazer meus desejos antes, moa.
      - Poderia haver outra  causa para seu repentino   interesse? -  ele disse lentamente, procurando  seu rosto.
      - Quais rebeldes deseja  ajudar, por exemplo?
      - Talvez seus seguidores se escondem  na parte norte  do bosque   por isso quer que v ao sul.
      Ela tentou permanecer calma quando respondeu  iradamente:
      - Se houvesse rebeldes  nas terras do Claredon,  eu no saberia  nada deles.
      - No  bosque oriental, ento? - Ranulf insistiu, observando-a de perto.
      Ele viu o  brilho  de alarme em seus olhos, mas no pde  determinar a  causa.
      Ela  procurava esconder a presena de foras  rebeldes?
      Um calafrio percorreu  o corpo de Ariane ante a meno dessa seo  do bosque.
       Apressadamente  baixou as plpebras, no queria que ele lesse  seus olhos.
      No deveria ter mencionado nada respeito do  bosque,  mas agora   ela o tinha feito  e teria que enfrentar  as consequncias.
      - Comenta-se  que o setor leste do bosque  est   povoado  por espritos do mal, meu Lorde.
      Os serventes  e os aldeos  o  evitam , e os ces no caaro ali.
      - Espritos do mal? - A voz dura se fez brandamente  ameaadora.
      -  uma sorte afortunada que eu no creia em tais supersties.
      Detectando a suspeita crescente do Ranulf, Ariane deixou de lado explicao  obviamente falsa.
      - Naturalmente eu tampouco  acredito nesses contos de  velhas, - ela assegurou,  mantendo   seus  olhos baixos.
       - Mas  verdade  que os lobos  vagam por esse  lugar do   bosque.
      - A melhor  razo para   caar l.  Penso que te agradar que eu livre o  bosque de lobos.
      - Sim... Mas... - Ariane vacilou, sabendo que se estava afundando mais e mais.
      -Talvez ,- Ranulf disse perigosamente, -buscas  proteger a alguma outra  pessoa.
       ali, onde  vais em contrar-te com seu amante?
      Ela levantou a vista com assombro.
      - Sabe bem  que eu  nunca tive um amante at....
      - Os rumores que circulam pelo  castelo dizem  outra coisa.
      Ela ficou  rgida.
      -Voc... voc mesmo viu a  prova de minha inocncia, milorde.
      - H diferentes  maneiras de gozar a paixo  sem  perder a virgindade, eu lhe o
      demonstrei.
      - Eu  nunca tive um amante, - Ariane repetiu com indignao.
      O olhar do Ranulf se obscureceu.
      - E o  vassalo de seu pai? O prisioneiro que voc  liberou, Simon?
      Ariane devolveu  seu olhar com  feroz firmeza.
      - Nem  Simon, nem nenhum outro homem.
      - E permanecer dessa maneira, - Ranulf disse, sua  voz era tensa.
      - Daqui em diante,  eu  serei seu nico  amante.
      - Matarei a qualquer homem que se atreva a  te tocar.
      - Entendeu ? - Ariane o observou   cautelosamente.
      - No  podia compreender sua fria ou seu  cimes  at que recordou as experincias que Ranulf havia passado na mos de outras mulheres da nobreza.
      Ranulf pensava que ela era to  adltera como qualquer  mulher da nobreza  que tinham  enchido sua vida com  dor e escndalo.
      - Eu no  tenho nenhum amante,- ela  disse com tranquilidade, - em  nenhum setor  bosque ou  em outra parte.
      - S  queria te aconselhar.
      No podia lhe acreditar completamente. Tinha visto culpa em seus olhos cinzas.
      Ela no  dizia toda a  verdade.
      Que ela tentasse  engan-lo o enchia  de   amargura,  mas   isso  no  faria nenhuma diferena  ao final.
      Ele estava acostumado a lutar contra insurgentes e contra aqueles que formavam a rebelio.
      Se ela estava  protegendo Simon Crecy ou a  qualquer  outro traidor,  ele os descobriria rapidamente.
      Ranulf apartou seu olhar de Ariane.
      No  queria ouvir mais mentiras desses lbios  doces.
      - Pe-te em uma posio muito perigosa - ele replicou  duramente, antes de ir para as  escadas.
      -  melhor que  reze  para que no  encontre nenhum rastro de seus cmplices  traidores.
      Ariane pressionou uma mo contra  sua boca. Por Deus!, o que havia feito?
      Despertar  as suspeitas do Ranulf tinha sido  uma coisa incrivelmente  estpida.
      Ranulf no  era  um  idiota e sim  um cavalheiro perito em lutar com a resistncia do  inimigo.
      Procuraria os rebeldes no setor leste  do bosque e talvez   tropeasse com o  segredo  pelo qual  ela  daria sua  vida por manter  escondido.
      O temor lhe atou  o estomago quando ela pensou  no  que Ranulf poderia encontrar.
      Apesar de sua  clemncia  no  passado, nesse caso em particular  ele no estaria disposto  a  mostrar merc  e  compaixo,  disso estava segura. -No ,- Ariane
sussurrou  , tentando  acalmar sua agitao, assim para reunir  sua coragem.  No Tudo estava  perdido. Talvez   at era uma bno  que as suspeitas do Ranulf se
centrassem em quo rebeldes s existiam em sua fantasia .  Enquanto ele  estivesse procurando  rebeldes, talvez poderia no chegar a ver o  problema  que ela levava
quatro anos tratando de esconder. forou-se  para  liberar a respirao  que tinha estado  contendo. No  perderia as esperanas . Muito  em breve teria   que  encontrar
um modo de prover  aos habitantes do  bosque , antes que sua situao se fizesse  desesperador ,  mas  tinha  tempo suficiente para planejar como escapar da vigilncia
do Ranulf. Ela rezaria , como   ele tinha sugerido, mas  rezaria para que o  segredo do
      bosque do Claredon estivesse seguro  por muito tempo. Ranulf no  encontrou rastros de  lobos ou  de rebeldes , ou  alguma outro sinal  de rebelio na extenso
do  bosque   que confinava  com o lado leste dos  muros  do castelo, embora ,  mas para irritao  de seus guardies, os ces parecia  lhe temer  a essa  rea.
Lamentavam-se  e ladravam quando entraram nas  sombras, at que finalmente eles escolheram  um caminho que conduzia ao setor  norte. A caa  foi bem-sucedida  e
o grupo  matou dois javalis e cinco veados mas  Ranulf se sentiu  aliviado ao  encontrar  que suas suspeitas sobre a presena de rebeldes eram , aparentemente ,
infundadas .  Se tivesse encontrado Simon Crecy escondido no bosque,  o teria   matado com sua espada sem a menor duvida.
      Sentia um cimes completamente irracionais, Ranulf sabia,  mas no podia  domin-los.
      Ele se tornava irracional quando  pensava em  Ariane com um  outro homem.
      Na verdade , seu  sentimento selvagem de posesividade  para  ela  era profundamente  perturbador.
      Nenhuma moa tinha conseguido despertar tanto cimes.
      Foi essa  fascinao  e obsesso   que o fez cavalgar apressadamente de volta ao castelo, entregar as rdeas de seu  cavalo a um pajem  e  correr as escadas
da torre.
      Seu pulso se acelerou  quando viu o Ariane no salo, fiscalizando os serventes que acendiam as tochas colocadas ao longo das paredes  e arrumavam as mesas
de cavaletes no  centro.
      A luz de  um comprido vu de seda, um grande aro dourado que sujeitava o vu  brilhou  luz das tochas,  enquanto  seu  cabelo acobreado  solto captava os
reflexos dourados.
      Ela no tinha posto  seu presente, notou  Ranulf com  grande decepo, e entretanto  estava preciosa sem  ele.
      A imagem   cortou  a respirao  de Ranulf.
      Reprimiu o impulso   de tom-la em seus braos nesse mesmo momento, e somente  fez um assentimento com a movimento de cabea.
      Mas  como um jovem  adolescente  ansioso  para impressionar a  uma  moa, Ranulf  se apressou a   ir ao piso superior  para  lavar-se afastado e tirar a sujeira
e o sangue da caa, e logo se apressou  a voltar abaixo  novamente.
      Ariane estava de p  ao lado  do asoalho, esperando sua chegada.
      Payn, que tinha estado rindo-se jovialmente com alguns  dos homens, caminhava para a mesa justo nesse momento, e  chegou   primeiro.
      O cavalheiro se curvou sobre a  mo  dela e  lhe deu  um sorriso  de aprovao  masculina que fez  Ranulf apertar os dentes.
      - Nos honras  com sua presena, milady, - Payn disse admirativamente quando correu  a cadeira  de  lady.
      - Verdade , Ranulf?
      Ranulf, irritado porque o  cavalheirismo  de seu  vassalo lhe   tinha impedido de demonstrar a  sua  prpria, grunhiu seu acordo.
      - Esse vestido  te assenta bem, -  ele adicionou   em uma voz muito suave.
      Ariane baixou  os olhos  modestamente.
      - Obrigado,  milorde.
      - Foi generoso de sua parte devolver minha  roupa.
      - Seu comentrio delicado irritou e ultrajou Ranulf ainda mais.
      Ao menos a comida, embora   no   era um banquete, era  muito melhor que comidas  que lhe  tinham servido  desde que tinha tomado posse de Claredon.
      Os animais que tinham  sido  caados  esse dia seriam preparados at a manh seguinte, mas  havia porco, faiso assado e  truta defumada, preparados com especiarias
e molhos deliciosos.
      Durante o primeiro  prato, Ranulf descobriu atravs  das perguntas do Payn que Ariane em pessoa se ocupou das preparaes.
      No  estava seguro  se gostava que ela assumisse essas tarefas, entretanto no podia questionar  o  excelente resultado.
      Os elogios efusivos do Payn comearam a irritar Ranulf logo que provou o segundo e terceiro prato.
      A conversao  flua a seu  redor  enquanto que  ele  permanecia  silencioso, agudamente consciente da mulher bela sentada ao lado dele,  e de  sua prpria
nsia  por  possu-la.
      Queria que essa  comida  interminvel acabasse de uma vez de modo de poder t-la  para ele  sozinho, em seus braos.
      Seu plano de fazer com que Ariane compartilhasse sua cama era estpido, talvez.
      Precisava  resistir a  tentao  de seu corpo, embora s para  provar que no  estava reduzido  submisso e a obsesso, para provar que no  lhe importava
nada dela.
       Mas no  podia negar-se a essa mulher a  noite  porque sua prpria  vida  estava em jogo .
      O  entretenimento   planejado para essa   noite era um grupo de comediantes,  mas  Ranulf no tinha  nenhuma inteno  de lhes prestar ateno.
      E quando ele  cruzou seu olhar, Ariane soube tambm.
      Sentiu  que  seu pulso se acelerava com a  luz escura em seus olhos.
      Ranulf logo que  tinha provado  os pratos, sua mente estava na noite  por diante.
      Sua pele  estava quente,  e ela sentiu um estremecimento  da antecipao dentro dela, uma excitao  sensual  que lhe causou o conhecimento do que aconteceria
ente eles.
      -V e me prepare um banho, - Ranulf murmurou  a seu ouvido no  momento em que a  msica comeou.
      Quando Ariane assentiu  e se levantou, ele a acautelou  colocando  uma mo em seu  brao.
      - Permanecer l  para me atender, - ele adicionou em voz baixa, deixando clara sua  inteno.
      Lhe proveria um servio que ia  muito mais do que somente lhe lavar as costas.
      Os serventes se apressaram a   cumprir o  pedido do Ariane, e em pouco tempo, ela estava de p  ao lado de um  banho perfumado  no solar, esperando ao Lorde.
      O  ltimo dos criados apenas tinha se retirado quando ele chegou.
      Com seus olhos brilhantes, Ranulf  tomou Ariane entre os seus braos no  momento em que a  porta se  fechou.
      Sua boca cobriu a  dela em uma feroz  posse, demonstrando a extenso de sua necessidade.
      Ela podia senti-lo engrossando-se,  inchando-se  contra ela, e  quando finalmente  levantou sua cabea,  ela estava tremendo.
      Ranulf esboou  um  sorriso picante enquanto  sua mo ousadamente explorava debaixo de suas saias.
      - Desejei  fazer isto desde esta manh.
      Para  sua surpresa e  sua vergonha,  Ranulf a  despiu primeiro, mostrando  tanto  cuidado como uma  criada.
      Mas ele usou sua boca e suas mos  para acariciar a pele que despia... explorando  seu corpo... tocando seu cabelo sedoso.
      No momento em que ela  estave nua de p diante dele, ela  se estremecia de desejo.
      - Tenta-me  impiedosamente, bruxa, - ele murmurou  com uma voz aguda enquanto se inclinava  para provar seu mamilo.
      - Sua frieza faz que  um homem morra de desejo por voc.
      Frieza? Como poderia ser fria com o  calor  que queimava dentro dela?
      Afogando um gemido, Ariane quase se derreteu  contra  ele.
      A desanimou comprovar  a  pouca resistncia  que podia lhe opor.
      Se seguisse  respondendo    paixo  do Ranulf  como  todas as vezes anteriores, renderia-se facilmente, e no teria  nenhuma esperana  de manter  suas defesas
em alto.
      Fazendo um ltimo esforo desesperado por endurecer sua resoluo, ela  empurrou seus  ombros largos, tentando  faz-lo levantar sua cabea de seu peito.
      -  Milorde... no...
      - Sim, - Ranulf insistiu  enquanto sua mo se deslizava entre suas pernas nuas.
        Roou seu dedo contra o boto quente protegido pelos lbios vaginais.
      - Deseja-me. V, seus fluxos de mel so  por mim.
      Que Deus a  ajudasse.
      Ranulf possua  o  poder de faz-la esquecer-se  de tudo exceto seu contato sensual. seus dedos que abriam caminho  lentamente, procurando e encontrando.
      A respirao  de Ariane travou  em sua garganta e ela estremeceu  enquanto  seu dedo penetrava  lentamente dentro dela.
      Os olhos do Ranulf flamejaram com  triunfo enquanto  sentia  sua rendio.
      Capturou a   mo dela e a  levou debaixo de sua tnica, fazendo-a tocar no  seu sexo.
      -V como te desejo?
      - Dispa-me, - ordenou roucamente.
      Com agitao em suas mos, obedeceu.
      Ranulf a ajudou, ele estava muito impaciente para esperar.
      No tempo que ela levou para lhe tirar e  dobrar  sua tnica,   ele tinha tirado   suas botas, calas e a roupa interior.
      Quando ela  virou, Ranulf  estava diante dela, seu magnfico  corpo nu.
      Ariane no  podia lhe tirar  os olhos, ou  manter seu olhar baixo... percorreu o plo  que lhe cobria o  peito, o plo que se estreitava sobre seu abdmen.
      Seu membro enorme se sobressaindo do arbusto de  plo negro entre suas coxas, avermelhado e inchado pela  luxria j no a assustava, pois agora ela sabia
que tipo de prazer ele podia lhe proporcionar.
      Ranulf a observava, Ariane   notou.
      Seus  olhos  olhavam com fome seus seios plidos.
      Sem uma palavra, Ranulf se aproximou dela e os tomou em suas mos, estimulando seus  mamilos  com as pontas de seus polegares.
      Ela respirou agudamente enquanto  uma quebra de onda de desejo invadia seu corpo.
      Ranulf sorriu com um sorriso  lento, carnal e  masculino.
      - Vem, me atenda.
      Tomando sua mo, conduziu-a   banheira. Entrou na tina  e se inundou na gua quente  at seus joelhos.
      Ariane deveria haver-se ajoelhado ao lado dele,  mas Ranulf a deteve  estendendo seu brao para agarrar seus quadris nus... Inclinando-se para frente, Ranulf
depositou um beijo sobre o monte entre suas coxas.
      Ariane ofegou  pelo  choque, estendeu as mos para agarrar-se pelos ombros masculinos  para manter o equilbrio.
      - No... Ranulf... no  correto...
      Ignorando seu pedido, Ranulf a empurrou  contra sua boca para saborear sua essncia doce de mulher que enchia suas fossas nasais.
      -Desejo prov-lo, - ele murmurou  roucamente enquanto sua lngua entrava na  carne feminina.
      Ela se tornou para trs com um puxo  mas  no  pde escapar completamente.
      Ranulf a apanhou  e a fez ajoelhar-se a lado da tina.
      - Mostre como pode me agradar,- ele ordenou, pressionando a  palma da mo dela  contra seu peito para que Ariane pudesse sentir seu corao pulsar descompasadamente.
      Obrigou-a a lav-lo. Ensaboou a palma de sua mo e a  guiou a percorrer todo seu corpo, at a primitiva necessidade de tocar o domnio de   Ariane.
      Seus dedos  trementes  se deslizaram sobre o plo do peito indo debaixo da gua quente para tocar seu estomago.
      Quando ela vacilou sobre seu estomago plano, Ranulf  se inclinou para diante para roar o rosto ruborizado dela.
      -Tudo. Estou ereto e ansioso. Tome em sua mo.
      Ariane obedeceu, encontrando seu membro endurecido e mais quente que a temperatura da gua.
      - Mais forte, aperte-o... No me  machuca.
      Ela apertou com suavidade, e a paixo que brilhou nos olhos dele a estremeceu intensamente.
      - Ah... sim... Me agrada...
      Com um gemido baixo, Ranulf fechou seus olhos e gozou.
      Seus quadris  se moveram, empurrando  seu membro dentro de sua mo, uma vez, duas vezes... e ento  de repente  ele se tornou para trs, recusando-se  a encontrar
seu xtase  sozinho.
      Levantando-se  parcialmente fora da gua, Ranulf deslizou   seus braos poderosos ao redor dela e a  levantou para p-la na tina, f-la sentar-se  cavalgando-o,
seus joelhos a cada  lado dos quadris dele, suas coxas abertas.
      Ariane ofegou  protestando mas os braos do Ranulf se fecharam  ao redor dela sujeitando-a.
      - Sh...,- ele disse, - nunca montou em um homem.
      - No  algo natural . . . -
      -OH... mas o , querida, - seus olhos  brilharam.
      -  a  coisa mais natural do mundo.
      Suas mos se fecharam sobre  suas ndegas e a  levantou ligeiramente, para baix-la sobre seu membro.
      Sentada sobre ele,  Ariane se arqueou    para trs   e se balanou sobre  ele, seus seios  molhados  pressionados contra  a  dureza de seu peito.
      Sua resposta foi um som gutural e uma presso  mais profunda.
      Logo que Pode tolerar a tenso deliciosa que essa penetrao  lhe causou, Ranulf estremeceu  convulsivamente, apertando os dentes para conter-se, um  som primal
rugiu em seu peito.
      A ondulao lenta e instintiva dos quadris dela o enlouqueceu.
      Sua garganta se esticou com a fora da negao, Ranulf  entrou ainda mais profundamente, enterrando seu membro no ventre feminino.
      Deu um grito incoerente de prazer, enquanto ela  afundava seus dentes em seu  ombro.
      Ranulf riu, era uma risada masculina de triunfo, e apertou  suas ndegas com  mais fora, fazendo-a ascender e descender ao ritmo de suas investidas, at que
o  corpo do Ariane se ardeu como  fogo, ardendo fora de controle.
      Sua respirao  ofegante  soou  ruidosamente em seus ouvidos enquanto  ela sacudia  seus quadris descontroladamente e  lanava gua  fora  da borda da tina.
      Com a cabea arrojada para trs, ela cravou suas unhas  em sua carne.
      S ento Ranulf abandonou seu prprio controle rgido  e se derramou profundamente dentro  dela.
      - Deus!... - Atravs da neblina que cobria  sua consciencia,  Ariane sentiu o corpo poderoso estremecer-se,  e ouviu  um gemido ininteligvel e  rouco.
      Finalmente recuperando os  seus sentidos, Ariane se deu conta  que se encontrava jazendo  nos braos do Ranulf, seu rosto enterrado na curva mida de seu
ombro.
      Ele lhe acariciava  as costas  nuas e o  cabelo.
      Com um suspiro suave de satisfao, ela se curvou contra  ele, no querendo mover-se novamente.
      Assombro-se quando sentiu Ranulf inchar-se e  ficar rgido  dentro dela.
      Seus olhos adormecidos  se  abriram  amplamente enquanto  ele a levantava em seus braos  e ficava de p na gua.
      - O  banho pode esperar, - ele murmurou. - Eu no posso.
      Saindo da tina, ele a  carregou  para a cama e  a colocou sobre o colcho  em um nico  movimento, sem  nunca romper  a unio de seus sexos.
      Afundando-se mais profundamente entre suas pernas, cobriu-a  com seu corpo molhado...
      Sua necessidade urgente de possu-la  era como uma febre indomvel,  embora s uns momentos atrs tinha experimentado o  prazer  mais delicioso de sua vida.
      Apertou seus dentes enquanto entrava em sua  passagem  quente.
      Ela estremeceu  e se  arqueou   para trs   em  resposta sensual.
      - No,  abre os olhos, querida, - Ranulf ordenou.
      - Me olhe enquanto te tomo.
      Ariane abriu os olhos  para olh-lo fixamente.
      - Olhe como estamos unidos. - Retirando seu membro, ele se incorporou sustentando-se com  suas mos, deixando um espao entre seus  corpos.
      - Ariane... - ele  disse persuasivamente.
      Forando-se a  olhar  para baixo , ela  fez  o que foi pedido , observando a unio de seus sexos. Seu  rgo era enorme e  vermelho, esperando  na entrada
de seu centro feminino.
      A imagem  era ertica e incrivelmente  excitante mas no  tanto como a sensao impetuosa que lhe causou quando  entrou lentamente dentro dela, penetrando-a
profundamente.
      Ela gemeu e se aferrou a seus ombros, ignorando sua ordem de  manter os olhos abertos  enquanto ofegava seu nome.
      Pulsando  dentro dela, exigindo sua resposta sensual.
      Ela o escutou  gemer e soube que estava ondulando  seus quadris desengonsadamente.
      - Assim  como quero que seja, - Ranulf murmurou  com voz rouca.
      - Quente  e selvagem debaixo de  mim.
      Assim  era como  ela o queria, Ariane  se deu conta,  enquanto o   sentia estremecer.
      Perdendo o controle, tremendo de desejo. Teve uma imagem imprecisa  de seu rosto, enquanto se  afundava poderosamente dentro dela.
      Ranulf  j no era um  inimigo amargo.
      Eles somente eram  dois corpos que se uniam  para transformar-se em  um.
      E dois coraes  que coincidiam na paixo .
      Ela tomou  todo seu peso, seu  desejo  escalou ao  bordo de  outro climax, e quando a exploso  chegou finalmente, nenhum deles  soube quem era o  conquistador
e  quem era o  vencido.






















      Captulo 17




      Por dois dias completos Ranulf permaneceu encerrado  em sua habitao  com Ariane.
      Passou  esse tempo agradando-a e lhe ensinando como agrad-lo.
      Os serventes  entregavam as comidas  diretamente no solar, junto com gua para a tina  e lenha   para alimentar o  fogo da chamin.
      Ningum mais se atreveu a desafiar as ordens do Lorde  de respeitar sua  privacidade.
      Payn foi o nico que foi  permitido uma audincia com Ranulf meia hora cada manh e cada tarde, e logo se  esperava que ele  lutasse com  problemas dos vassalos
e  dos oficiais  da fortaleza que exigiam a ateno  do Lorde.
      Todos os outros no eram admitidos no solar do Drago Negro. Ranulf no se cansava de Ariane, do  prazer incrvel que lhe dava.
      No  podia recordar uma experincia to satisfatria com outra mulher.
      Ariane era uma aluna rpida e cada vez que ele tomava  em seus braos,  ela se derretia depois dos primeiros  beijos ardentes.
      Ranulf gozava vendo-a  derreter-se em seus braos.
      Saboreava  observando  cada detalhe  de sua expresso  quando  ela alcanava    o clmax debaixo dele.
      Gozava  vendo  seus olhos lnguidos depois de fazer amor.
      Como agora.
      Eles acabaram de fazer amor, quando uma chuva inesperada  da primavera  salpicava  os painis das janelas  e ela jazia satisfeita e  ofegante  no crculo de
seus braos na grande  cama.
      Seu cabelo era uma  massa selvagem espalhada atravs  de seus seios.
      Seus membros magros  entrelaados com os dele.
      As mos grandes do Ranulf acariciavam suas costas  nuas enquanto  procurava normalizar sua prpria respirao.
      A tormenta  de paixo  que tinham atravessado alguns minutos atrs na cama  tinha sido  to feroz como a tormenta  que rugia  fora da torre.
      Ranulf estava  assombrado.
      No estava acostumado a atrasar-se na cama  com  uma amante em seus braos, entretanto no sentia desejo de abandonar Ariane.
      Nunca permitiria que ela soubesse quo profundamente a afetava.
      - Como pode  ver, a amante, - ele  disse roucamente  quando pde falar, retomando seu papel de  tutor carnal.
      - Sua capacidade  de resistncia  maior do que  imaginava.
      Sentindo falta de energia  para abrir  os olhos, Ariane murmurou  algo que era  um acordo reticente.
      - O que disse, querida?
      - E claro que... suas tticas  no  so justas.
      Ranulf riu brandamente.
      - Est  zangada porque  j no  tem  controle sobre seu corpo traidor.
      Ariane no  podia disput-lo as  carcias deliciosas do Ranulf levavam-na mas pra l de  toda  razo, fazendo-a responder com uma  urgncia libidinosa que
a deixava perplexa.
      - Talvez. Mas  malvado  o que voc  faz. E delicioso.
      - Delicioso.
      - Aprendi  estas habilidades de uma cortes  rabe, que, a sua vez, aprendeu-as em um bordel em  Terra Santa. As artes sexuais do Oriente so muito  recomendveis,
no gosta?
      - Depravadas diria eu,- ela  insistiu .
      - Mas  eficazes , admite-o.
      Me de Deus!, claro que eram eficazes, Ariane pensou adormecida, recordando as coisas escandalosas  que tinham feito.
      - Eu no  admito  nada, exceto  que seus caprichos no tm limite.
      - Fere-me mortalmente, moa, - Ranulf respondeu divertido.
      Ariane despertou de sua  letargia  o suficiente para levantar a cabea de seu  ombro  para observ-lo, a luz danando em seus olhos tomados por surpresa.
      Essa no era  a primeira vez que o  drago a tinha provocado, entretanto nunca tinha-o  visto de to bom humor.
      - No parece  ferido,  milorde. Parece... satisfeito.
      -Tenho  razo  para estar ou no?  Eu  predisse que te submeteria para  mim de prpria vontade, e  aqui est.
      Irritada, ela o beliscou. Capturando sua mo, Ranulf sorriu  e  levou seus dedos a seus lbios.
      - Voc gosta de   jogar rudemente, moa?
      - No... sabe  que eu prefiro  a suavidade.
      Seus  olhos se obscureceram.
      - Eu tambm.  Eu aprendi faz  muito tempo  que a   suavidade  pode fazer ganhar em moa de um modo que a fora no  pode.
      Estremecendo-se por sua  arrogncia impossvel, ela  tirou sua mo de seu abrao.
      - Pensa  que as mulheres so  dbeis, simplesmente  porque nossos corpos so mais frgeis que os dos homens.
      Ranulf grunhiu, seu bom humor se  desvaneceu.
      -Tenho   uma boa  causa para conhecer a malcia  e a  fora que uma mulher pode exercer.
      - O sexo feminino  tem armas que nenhum  homem pensaria  em usar.
      Ariane vacilou  para  ouvir o   spero desprezo  em sua voz, recordando os contos do Payn sobre os  escndalos que tinham acontecido na  vida do Ranulf.
      - Alguma mulher usou armas contra  voc? -  ela perguntou  brandamente.
      Um relmpago de  dor  se mostrou em seus  olhos que  morreu  to  rapidamente como apareceu.
      Franzindo o cenho, Ranulf jogou ausentemente  com um cacho de seu cabelo.
      - No desejo falar disso.
      Alguns  dias atrs, Ariane poderia ter replicado  uma resposta  mas isso  tinha sido  antes que ela  se  inteirasse de sua  tortura.
      Agora , ela pressionou sua boca contra  uma  velha  cicatriz  de batalha em seu peito, sentindo os batimentos de seu  corao  debaixo de seus lbios.
      InexplicavelmenteAriane sentiu  uma quebra de onda  feroz de ternura  assalt-la, um impulso quase  desesperado de ter a  esse homem forte em seus  braos,
sustent-lo e  protege-lo de qualquer dano.
      Ela se incorporou  sobre um cotovelo, procurando  seu rosto duro, tentando  ler  algo  em suas faces.
      Ela reconheceu  essa expresso  escura, a expresso de  seus apetites luxuriosos, entretanto desta vez havia algo mais.
      Havia cautela nas profundidades de seus olhos ambarinos, como se Ranulf tivesse recordado de repente quem era ela, uma mulher da nobreza  em   quem  no se
podia confiar.
      Ela quis desesperadamente apagar essa dvida  de seus olhos.
      No mesmo momento em que tinha esse pensamento, a mo  do Ranulf se levantou  para capturar sua nuca, seus dedos se enterraram  em seu cabelo para atra-la
para  sua boca .
      A debilidade  e o  calor alagaram  Ariane ante a  presso  suave  de seus lbios.
      - Milorde...   no tiveste suficiente?
      - Suficiente? No. Nunca terei suficiente  de voc.
      Quando ela ainda vacilou, ele levantou uma sobrancelha.
      - Nega que me deseja, querida? - Ranulf exigiu  brandamente,  j conhecendo sua resposta .
      No podia  negar nada. Sua  necessidade por ele durante os dois ltimos dias  tinha crescido  at converter-se em um  clamor urgente que s podia ser satisfeito
quando faziam amor.
      Ainda agora, depois do  excesso de paixo, seu  corpo se estremecia, a caverna mida entre suas coxas  desejavam a ele , ao  xtase  que  s  Ranulf podia
lhe dar.
      Ranulf a tinha  marcado nesses  poucos dias, tinha-a  marcado   para sempre.
      Todas suas fantasias trenas da adolescncia  a respeito  do Ranulf, converteram-se em realidade.
      O Drago Negro   tinha seduzido muito mais que seu corpo.
      Entretanto ela  no  podia permitir que Ranulf soubesse quo  profundamente a afetava.
      Seria sua escrava  literalmente, se isso acontecesse.
      Ousadamente, Ariane estendeu  sua mo  para baixo  para tomar  seu membro.
      Ranulf  sorriu  enquanto  ela  tomava seu  membro  inchado em sua mo, seus dedos magros se fechando  ao redor  dele.
      - Nega que me deseja,  drago arrogante?
      Seus  olhos flamejaram com fogo. Para  seu assombro, Ranulf rodou  sobre ela, aprisionando-a  com seu peso.
      Ajoelhando-se entre suas pernas, ele deslizou seus braos abaixo de suas coxas, as levantando at  quase  seus  ombros; ela estava completamente  aberta  a
sua vista. S
      eus olhos dourados brilharam  enquanto  estudava sua suculenta carne rosa, ainda mida com sua semente.
      - Ranulf... no precisa  me provar suas habilidades. - Ela agitou sua cabea como negando  sua prpria  necessidade, mas  sua prpria voz a traiu  e  palavras
se converteram em um gemido quando ele baixou  sua cabea para lamb-la.
      Ariane  no se atrevia   a  olhar   para baixo ,  onde a coroa escura de sua cabea  estava se movendo entre suas coxas.
      Pecaminosa, Ariane pensou enquanto se estremecia  com as  carcias  sensuais de sua boca.
      Completamente pecaminoso.
      E ali ela deixou de lado qualquer pensamento  e seu  orgulho,  e rendeu-se  ao assalto pecaminoso  do Lorde Drago.
      Quando Ranulf finalmente e  reticentemente, abandonou o  solar a manh  seguinte,  deixou Ariane dormindo.
      Ranulf  retomou a  seus deveres como  Lorde.
      Para compensar sua ausncia  dos dias anteriores, passou  tempo com  seus homens  em uma prtica rdua no campo de trainhamento.
      - Eu  esperava   que tivesse satisfeito sua febre com a dama, - Payn ofegou enquanto se dobrava sobre sua espada, -Mas  posso ver que sua luxria est to
quente  como sempre.
      - Sua virilha ainda governa sua cabea.
      Ranulf sorriu, recusando-se a  ser provocado, e limpou  sua espada com sua luva de couro.
      - Minha  luxria no  desculpa para que estes bastardos fiquem gordos e  preguiosos.
      - O rei  Henry pode mandar cham-los em qualquer momento.
      -Estaremos preparados, a menos que voc  mate a  todos  primeiro, - Bertran grunhiu.
      - Talvez  ns devemos implorar   dama  que se ocupe de voc assim   mostra um pouco  de  piedade, -  outra  pessoa adicionou e seu   comentrio causou  risadas
 .
      - Sim, um passatempo muito mais  prazeroso te aguarda  em  seu solar, milorde.
      - ... Onde  poder  dar a  sua espada  um melhor uso.
      Ranulf aceitou as brincadeiras de seu vassalo  com equanimidade  at que mais tarde, quando ele e  Payn saciavam sua sede  com  cerveja na  mesa principal
 .
      - Ento... - Payn perguntou quase descuidadamente, - Honrar o compromisso?
      - Honrar?
      - Casar-te- com  lady Ariane  agora?
      Ranulf franziu o cenho.
      - No...
      - No...? -
      A boca do Payn se curvou  em sorriso provocador.
      - No cabe  duvidar  que o matrimnio se  consumou.
      - Todo o castelo  foi  testemunha de que esteve  encerrado com ela  estes dois ltimos  dias.
      -  improvvel que  Roma  te conceda uma anulao  depois que  provaste os encantos de lady Ariane.
      - Roma no  tem que  saber nada disso.
      O sorriso se desvaneceu  das feies  do  cavalheiro.
      -Tenho sua  permisso para  falar livremente, meu  Lorde?
      Ranulf  o olhou   cautelosamente.
      -Sabe que sim.
      - Bem ento...  No est sendo muito duro com a dama?
      - Duro?
      Ranulf respondeu  defensivamente.
      - Uma e  outra vez tive que atar as mos para mostrar clemncia para  seus partidrios rebeldes e agora me acusa de ser duro?
      - Eu falo do  contrato de matrimnio.
      - Um contrato que foi  dissolvido.
      Payn se calou, quando Ranulf grunhiu.
      - Enquanto eu estiver vivo, ela  no  saciar sua ambio com minha fortuna.
      - Est seguro  que ela  ambiciosa, Ranulf? - o  cavalheiro perguntou brandamente .
      No,  j no estava seguro. Havia momentos em que  se perguntava se podia  haver-se equivocado ao  julgar ao Ariane,  e que  os motivos de sua conduta  fossem
to inocentes como  ela afirmava.
      - Voc foi testemunha presencial de sua traio.
      - Ela inventou a evidncia de nosso acoplamento, me acusando de   hav-la violado   quando eu me  tinha forado por   manter  minhas mos fora dessa moa.
      -Talvez ela   pensou que tinha direito a  requerer  que se  honrasse o  contrato.
      - Ela me  disse que...
      - O que te disse? - Ranulf exigiu  quando Payn vacilou.
      - Que ela te teria  dado  seu corao.
      - Eu acredito que ela  queira um matrimnio verdadeiro.
      Ranulf  o olhou  fixamente por  um momento,  logo   sacudiu a cabea.
      No podia acreditar que  o truque do Ariane com os lenis tivesse algo a ver com o   desejo de um matrimnio  verdadeiro.
      Ela no  podia haver se  esquecido to  facilmente do  desprezo  que sentia por ele.
      - Ela est defendendo  seus prprios interesses  mercenrios, - Ranulf respondeu, mantendo seu tom curto para que  Payn nunca suspeitasse das dvidas que ele
abrigava, ou descobrisse o poder que  Ariane tinha comeado  a ter sobre ele.
      - Como minha  esposa, estando  sob meu  amparo,  ela poderia escapar s consequncias da  traio  de seu pai.
      - Eu  seria o  responsvel por seus atos ento.
      - Ela assegura que  seu pai  inocente.
      As sobrancelhas do Ranulf se arquearam.
      - Ela est tentando salvar sua prpria vida.
      -Talvez, mas ela poderia renegar a fidelidade  seu pai muito  facilmente.
      - Muito facilmente, na verdade.
      - A lealdade que demonstra por ele  admirvel, deve  admiti-lo.
      Ranulf sacudiu a cabea  ternamente.
      - Sua amostra de lealdade para  seu pai poderia ser to falsa e  oportunista  como as  mentiras que inventou para reclamar nosso matrimnio; o apoio que demonstra
ao Walter e a  sua rebelio   somente o  desejo  de manter  o controle  do Claredon  e para  evitar ser confinada como uma refm poltica.
      - Se ela for igual s outras  damas da nobreza que conheci, Ariane venderia sua alma ao mais alto posto.
      - E no vacilaria em  trair  seu pai para encontrar   seu prprio benefcio.
      - Sim, mas se ela fosse  diferente?
      Os olhos do Ranulf se estreitaram  com  reprovao.
      No  se permitiria considerar  essa possibilidade, ou terminaria  acreditando na inocncia de Ariane.
      Entretanto   no  estava  surpreso de ouvir Payn defender  sua causa.
      Ela enfeitiava a todos  a  seu redor, por que no tambm a seu leal vassalo?
      -Ela no  diferente das outras.
      - Faz trs semanas que a conheo.
      - E se eu desejasse uma esposa, coisa que no desejo, jamais escolheria a uma mulher com a lngua afiada como ela, uma moa provocadora que pensa que pode
me derrotar a cada segundo.
      - Voc concordou  em casar com ela  uma vez.
      - Sim, quando pensei que ela era uma  grande  herdeira, uma moa tmida, criada  para  submeter-se a um marido,  que se entregaria para mim  sem   uma batalha
no meio. - Payn riu.
      -Vamos, Ranulf.  Conheo-te  muito bem.
      -  Como se voc tivesse  aborrecido  at as lgrimas   com uma moa  tmida.
      - A voc gosta do desafio de dom-la, admite-o.
      - Isso era verdade. Gostava do  desafio que  Ariane apresentava, muito.
      Em sua companhia ele nunca se aborrecia e  frequentemente encontrou-se  divertindo-se  com as fascas que voavam entre eles, e ansiosamente a  desejava  mais.
      Com ela, precisava estar sempre alerta,  e os reflexos afiados.
      Era to tempestuosa e imprevisvel como uma batalha, e isso  a fazia ainda mais  agradvel.
      -Nunca tive tanta  dificuldade para domar a uma moa, - Ranulf murmurou.
      - Ou tanto  prazer.
      - Muito bem! Ou tanto  prazer.
      Seus  lbios  se apertaram, Payn voltou a encher os  jarros com cerveja.
      - Existem   vantagens  sucedidas de um  casamento com ela, embora  voc  j  possua castelo e terras...
      - Que vantagens?
      -Poderia te dar filhos.
      - Poderia me dar  filhos agora, - Ranulf pensou  com uma quebra de onda  estranha de prazer.
      - Mas  seriam bastardos. E se os dias passados servem de prova, no encontrar aborrecimento na cama matrimonial.
      Seu membro se agitou com as lembranas  desses dias passados,  mas Ranulf no  respondeu.
      - No  te machucaria pensar nisso,  Ranulf.
      - Ganhou  o direito de te estabelecer  depois  todos estes anos  de luta.
      - Poderia te estabelecer  em algumas de suas  propriedades, ter  herdeiros , gozar dos frutos de seu trabalho  por uma vez.
      - Me estabelecer?
      - Sim. Ainda deveria o  servio militar ao Henry, mas quarenta dias ao ano  no   muito.
      - OH  Deus, diz que devo deixar os campos de batalha?
      Payn sorriu. -  o que digo, administra suas propriedades.
      A  boca de seu Lorde   se curvou  com  averso.
      - Quer dizer que nunca considerou ter outro  tipo de vida em todos estes anos?
      - Nunca at pouco tempo.
      - Estranha vez. - Ranulf franziu o cenho  em resposta.
      - E voc?
      - Sim. s vezes... Confesso  que h  momentos  em que  me  encontro   cansado de lutar em  guerras  e das moas.
      - Das Moas? - Ranulf replicou com incredulidade.
      - O dia  que voc canse  das moas, meu  amigo, ser quando seu corpo esteja na hora de te enterrar.
      - Verdade, - Payn disse pensativamente.
      - Mas andar com moas   no  o mesmo que ter uma esposa.
      - Ultimamente tenho descoberto  que desejo algo mais, uma mulher terna  despertando a meu lado a  cada  manh.
      - Terna.
      - Uma mulher a seu lado cada manh.
      Involuntariamente  Ranulf visualizou   Ariane.
      A  ternura conduzia    debilidade,  a debilidade    derrota.
      Seus dias estavam cheios de lutas e batalhas, tal como gostava.
      Se s vezes  ele ansiava uma vida  mais estvel,  algo mais que o conflito  e as lutas  para encher as longas  horas de cada dia,  para aliviar  a solido
das noite longas,  ele as reprimia sem piedade  e desejo.
      No necessitava  da ternura  de nenhuma mulher.
      No cessitava  de nenhuma mulher.
      - Sei o que te est passando, - ele observou cinicamente.
      - Est te abrandando.
      - Ou  talvez  o trainhamento desta manh te afetou a mente.
      Payn lanou um olhar  penetrante a seu Lorde.
      - Nunca h sentido necessidade de que uma mulher especial para compartilhar seus sonhos,  seus momentos de solido e  tristeza?
      Incapaz de reprimir uma quebra de onda  repentina de amargura, Ranulf desviou a vista. Tinha muito poucos sonhos para  oferecer a uma mulher, e muito tristeza.
      A voz do Payn continuou inflexvel.
      - Alguma vez  havia sentido uma profunda solido em sua alma?
      Ranulf grunhiu em sua cerveja.
      Havia sentido a dor da  solido  toda sua vida, embora nunca se permitiu   reconhecer  a escurido  que tinha invadido sua alma e tinha  deixado vazio, oco,
frio como o  gelo por dentro.
      Nenhuma mulher poderia enfraquec-lo, ou  apagar a negrume  de sua alma.
      E muito menos   uma  mulher de sangue nobre.
      Ranulf deu uma risada  curta.
      - Falas como um comediante que canta baladas.
      -Sim? - Payn repetiu insistentemente.
      - Faz  muito tempo aprendi  no  sonhar  em nada mais que a  vingana.
      - A vingana   uma  companheira de cama  fria, meu  bom  amigo.
      - E uma vez que a consiga,  o que te deixar?
      -O que? - ele se perguntou.
      Talvez  estivesse comeando a ficar velho.
      Ultimamente, muito frequentemente, havia sentido um  cansao profundo  em sua alma, seu  esprito drenado pelo esforo constante de provar-se.
      Muito frequentemente se encontrava questionando o fato que as batalhas tinham perdido  todo seu significado.
      Havia  pocas  que invejava aos   camponeses,  cuja a nica ambio  era possuir um porco ou uma vaca.
      Pareciam gente  satisfeita com suas vidas.
      De algum modo tinham encontrado   a felicidade em seus estgio simples...
      Dando-se conta de  to morosos seus pensamentos se fazia, Ranulf fez  som de frustrao.
      - Por Deus,  se eu queria  descobrir minha  alma, iria ter com um sacerdote!
      Payn exalou um suspiro  suave.
      - Bem,  ento... Se recusa a te casar com lady Ariane, o  mas honorvel  lhe dar a liberdade  e permitir que   case  com  outro.
      - No, - Ranulf pensou  com uma quebra de onda  feroz de cimes.
      Ariane o pertencia. Ele a  tinha  feito dele,  e assim se manteria.
      - Ela  sua  refm e  uma beleza.
      Ela poderia te reportar  uma soma importante, embora esteja  ligeiramente  usada.
      Ranulf franziu o cenho, no  gostava de  considerar o que seu uso tinha feito ao  futuro de Ariane.
      Mas  sua falta de virgindade  no  diminuiria seu valor.
      Ela ainda possua  seu  orgulho,  uma  graa  e uma beleza que fariam o prazer de qualquer Lorde,  e um poder de  fascinao  que faria que  qualquer homem
ardesse de desejo por t-la.
      Um  homem com um pouco de sentido comum tomaria como esposa, ainda  sem riqueza ou  terras.
      Ariane apareceu   justo nesse momento   no salo, e  Ranulf conteve sua respirao  ante sua  imagem.
      Sua tnica de seda azul moldava seu corpo esbelto, definindo cada curva  e  enfatizando seus seios firmes.
      Seu cabelo  estava trancado  e acomodado  como uma  coroa ao redor de sua cabea, e isso   o  fazia desejar  soltar o cabelo  e  enterrar suas mos  nessa
massa sedosa.
      Ento  ela  girou sua cabea, e  seus olhos se encontraram  em um momento silencioso.
      Fascas de desejo  saltaram   entre eles e  isso  fez  que todo o  corpo  do Ranulf se esticasse.
      Ultrajava-o   que  ela pudesse  faz-lo  desej-la to  poderosamente,  que ela  pudesse   seduzi-lo  com sua mera presena.
      Ele  tinha pensado que uma vez que tivesse satisfeito  sua luxria, no teria  nenhum problema em tirar Ariane de sua  mente, entretanto  seu  maldito desejo
por ela se  triplicou.
      Ele tinha tomado  seu corpo como um privilgio ao que tinha direito, sem  considerao  por seu  orgulho ou seus  sentimentos, simplesmente  para provar a
ela e a si mesmo   que  ela  no   significava  nada.
      Mas  seu plano  estava falhando.
      Ranulf amaldioou  entredentes, desprezando-se  por sua  debilidade .
      Era loucura  sentir-se to  faminto  e obcecado  como ele se sentia. No  podia permitir sentir-se assim.
      Render-se  ao  poder  dela podia resultar to perigo como dar as  costas  a um inimigo em um campo de batalha.
      Forando-se a desviar  seu olhar, Ranulf  tomou um gole comprido de cerveja, observando a seu vassalo.
      - Ela   minha refm, nada mais.
      E nada mais, Ranulf jurou a si mesmo.
      Podia gozar seu corpo delicioso, mas no  se  casaria com ela.
      Podia desej-la, mas no  se permitiria cair mais profundamente em  seu feitio.
      No se atrevia a enfrentar o  risco  das consequncias.
      Nunca daria a uma  mulher o  poder de  destrui-lo, do  modo  que seu desprezvel pai  o tinha  destrudo.
      Sua conduta fascinava Ariane.
      De noite Ranulf jogava  a ser  um   amante sensual e  apaixonado, de dia, era um estranho.
      Ela o observava continuamente tentado descobrir os segredos de sua alma.
      Com seus homens Ranulf era bem humorado e equilibrado e frequentemente mostrava o encanto do qual Payn lhe tinha falado.
      Ela podia entender claramente por que sua  liderana despertava obedincia e estima, e  por que seu magnetismo atraa a ateno  de tantas  mulheres casadas
ou solteiras.
      Era um guerreiro  carismtico, com a capacidade de inspirar admirao.
      Seu modo de governar  justo   e sua  administrao  hbil tinha comeado  a despertar o respeito  at de  seus caluniadores mais acerrados.
      William, o  jovem pajem a quem   Ranulf tinha prometido  trainhar,  francamente  o adorava, mas  um a um seguiam seu caminho.
      Seu meio irmo  Gilbert continuava  criticando Ranulf por seu vergonhoso  papel que ele  forava a cumprir, e ainda falava de lev-lo a uma  corte civil, mas
os  aldeos  do Claredon tinham aceito a autoridade do  novo Lorde, enquanto que  os vassalos de seu pai tinham   vindo  oferecer a Ranulf uma espcie de respeito
e at deferncia.
      Com respeito a  ela, Ranulf permanecia  frio  e  distante, exceto quando compartilhava  sua cama.
      Ainda no  confiava nela, isso era claro.
      Ranulf se entregava  fisicamente, mas  parecia  determinado a no entregar-se  a outro tipo  de intimidade .
      Sua  frieza  parecia um modo calculado de manter  uma distncia  emocional entre eles.
      Era com um intento  de manter  seu corao  protegido dela?
      Para defender-se de mais dor?
      Ela pensava  que a hiptese do Payn podia ser exata: Ranulf  tinha protegido  seu corao  com armadura inexpugnvel para manter-se invulnervel.
      E ela ainda no  tinha  descoberto  nenhum modo de perfurar essa armadura.
      Observando-o trainhar com seus homens  ou descansando  no grande salo, Ariane se encontrou  invejando a  camaradagem que eles compartilhavam.
      Quando Ranulf  ria  em voz alta, os tons profundos e ricos ressonavam com alegria e lhe causavam dor porque   ela se dava conta  do enorme abismo que  existia
entre eles.
      Ainda eram inimigos, apesar da proximidade fsica.
      Ela entesourava esses  momentos de intimidade, de ternura  reticente, quando estavam a ss.
      No era que  ela objetasse  o aspecto fsico de sua relao. Longe disso.
      Ultimamente parecia  que em tudo o que ela  podia pensar era em ter Ranulf entre suas coxas.
      E ele sabia,  diabo  arrogante... A
       primeira vez que o tinha apanhado  espiando, Ariane ruborizou-se intensamente.
       Quando seu olhar  atrevido se encontrou  com a dela, uma lembrana ardente  a assaltou imediatamente:  Ranulf possuindo-a  na noite anterior,  seus quadris
empurrando ritmicamente.
      Pelo olhar quente que deu, ela pde saber que Ranulf recordava esse mesmo momento.
      Os pensamentos dele frequentemente estavam ocupados com essas imagens, ela estava  segura.
      Quando Ariane tentava lev-lo a uma conversao, Ranulf evitava lhe dar respostas diretas e obtinha de algum modo trocaro tema, distraindo-a  com seu desejo
carnal.
      Sua Frieza e distncia se quebrava ento, para sua mtua satisfao.
      E logo havia vezes em que ele tentava  deliberadamente  provoc-la para que perdesse  seu controle.
      Ela suspeitava  que  Ranulf gozava  ao por a prova o limite de seu controle, assim depois ele podia usar seu formidvel  poder  de persuaso para acalm-la.
      Somente tinha que  tocar  seu corpo para que ela se acendesse.
      Suas  carcias a deixavam gemendo  e rogando para que a tomasse.
      Assustava  Ariane descobrir quo vulnervel ela se tornou.
      Ranulf a tinha reduzido a ser uma criatura indefesa, libidinosa, faminta  pelo  contato de seu Lorde.
      A  fome  que tinha a  assustava.
      Esta necessidade  de estar com ele  era uma dor  estranha e  constante dentro dela.
      Sua prpria vulnerabilidade  a perturbava  quase  tanto quanto  como a frieza determinada do Ranulf.
      Ela tinha jurado  que o ia ter de joelhos, e cada vez estava mais longe desse objetivo.
      Com a intuio como nica guia, ela sabia que no devia negar ao Ranulf nada.
      O que ele desejava era t-la  em sua cama, disposta e ansiosa.
      A nica vez  que lhe deu um descanso  foi durante seu fluxo mensal, que veio a  seguinte semana.
      Sua luxria era insacivel, e seu poder de resistncia, incrvel.
      Ariane encontrava impossvel distra-lo com outros passatempos.
      Desesperada, essa noite Ariane tirou o jogo de xadrez de seu pai.
      - Sabe jogar? - perguntou  Ranulf.
      -Tenho certa habilidade. Jogo bastante com meu pai.
      E assim comearam um novo passatempo  todas as noites depois do jantar.
      Ranulf ganhava quatro de cinco partidas, mas  Ariane conseguia derrot-lo de vez em quando, o que para entreter o jogo.
      Na verdade, essas batalhas mentais lhe adicionavam pimenta aos encontros sexuais.
      E ela o desejava tanto.
      No era s desejo fsico o que sentia por ele...
      Absurdamente ela desejava  agradar ao Ranulf, converter-se em um instrumento de sua felicidade.
      Ansiava seu respeito e sua confiana mas que qualquer outra coisa . Desesperadamente queria que ele a olhasse com os olhos do amor . Queria confort-lo, queria
lhe provar  que podia  ser uma boa  esposa . Havia
      sido trainhada da  infncia para dirigir um grande castelo e sabia como  fazer que  sua vida  fosse mas confortvel, se s ele  o  permitisse. Entretanto
Ranulf  resistia a todas as tentativas  servi-lo e  de
      Ocupar-se de suas necessidades.
      Ela tinha  que  esforar-se  para  ganhar cada vez, tambm tinha tido que lutar para ganhar considerao  de seu pai.
      Mas  Ranulf era  ainda  pior   que  Lorde Walter.
       Ranulf via suas motivaes com desconfiana quando simplesmente lhe pediu permisso  para  fazer limpar o grande salo.
      - Por que? - ele exigiu.
      - Por que ? - Ariane repetiu  com assombro.
      Percorreu com seu olhar  o salo  sujo, recordando como tinha sido brilhante  o lugar quando sua me dirigia a casa.
      Lady Constance  nunca teria  tolerado semelhante   sujeira   nem  por um  instante.
      - Porque precisa ser limpo. A  palha   no  foi trocada desde antes de sua chegada.  E a chuva a  umedeceu e cheira mal.
      -Alguma outra   pessoa pode ocupar-se disso.
      - Ningum ser  to exigente  como eu.
      - Os serventes frequentemente  realizam seus deveres de uma forma torpe, e  no limpam  toda a sujeira.
      - Ah , um crime certamente,- Ranulf comentou, seus olhos cor mbar  esquentando-se enquanto a empurrava contra ele.
      Ariane sentiu  seu  membro   erguer-se  de modo evidente.
      A  ultrajava  que ele sempre estava tentando  evitar  reconhecer sua competncia, como seu pai  sempre tinha feito.
      As mos  dela se pressionaram contra o peito do Ranulf  e lhe apresentou um intimato.
      - Se desejas que compartilhe sua  cama,  milorde, permitir  que eu ponha o  salo  em  ordem.
      - No  tolerarei esta sujeira.
      O brilho em seus  olhos lhe disse claramente que ele  via sua ameaa como um desafio, e seus lbios  reivindicaram essa vitria.
      Entretanto  mais tarde Ranulf se rendeu  a seu pedido.
      Com sua permisso, Ariane organizou  os serventes  do castelo para  retirar a palha   suja ao ptio  para  ser queimada e  para que colocassem palha  limpa.
      O   piso  de madeira foi varrido e esfregado com vinagre, logo  polvilhado com uma erva especial para erradicar as pulgas e com camomila e lavanda para perfumar
o ambiente.
      Quando terminou a  limpeza do  cho, ela  arriscou a  sugerir algo mas ambicioso: branquear as paredes do  grande salo  para eliminar  as manchas de  fuligem
do inverno passado.
      - Eu no vejo a necessidade, - Ranulf respondeu , observando as paredes obscurecidas.
      - Os homens  no   notam essas coisas, - Ariane replicou.
      - Mas quando  o salo  estiver mais iluminado, apreciar os resultados, prometo-lhe isso.
      - Se eu tivesse tido um pouco de f em suas promessas, - Ranulf murmurou  cinicamente, - no teria necessitado permanecer no Claredon para me assegurar de
sua  submisso  e obedincia.
      - Minhas promessas?  Quem  faltou  palavra de nosso comprido compromisso?
      - Essas so as palavras de quem se voltou  uma  traidora e  fechou  os portes  desafiando   as ordens   do rei, e de quem se recusou  a me jurar sua fidelidade.
      Ariane se irritou  ao ser considerada como a  nica em  falta quando  Ranulf era quem  tinha a maior culpa.
      - O que  tem feito para ganhar minha fidelidade,  milorde, mais que te apropriar da  riqueza  de meu pai  e  para  me converter  em  sua prostituta?
      Ranulf franziu o cenho ante o  trmino.
      - No  minha prostituta.




      - Sua amante, ento, que  a mesma coisa.
      - Interromperam a discusso, ambos  zangados, e com  Ranulf afastando-se  e  recusando-se a  considerar seu pedido de pintar  as paredes.
      Quando ao dia seguinte Ariane sugeriu  que lhe permitisse dirigir os aspectos domsticos do castelo, sua disputa se converteu  em uma grande discusso.
      -Seria mais  prtico se eu tivesse as chaves do castelo, - ela afirmou essa manh em que  Ranulf grunhiu  que ela  estava muito preocupada com  os temas do
castelo.
      - Eu  poderia pr este  lugar em ordem  sem  ter que te pedir  permisso  para cada pequena  tarefa.
      As sobrancelhas do Ranulf se levantaram com  incredulidade.
      - Pensa por um momento   que daria as chaves a  uma  refm?
      -Talvez pretenda ter o papel de uma  lady aqui,  milorde?
      Ariane respondeu  secamente.
      - No posso  imaginar nesse papel.
      Seus  lbios  se apertaram,  mas Ranulf   lutou por  manter  sua expresso fria.
      - No necessito que  nenhuma mulher  dirija meu  castelo.
      - Para isso  tenho um administrador.
      - Que  precisa ser  fiscalizado.
      - Necessita a  superviso de uma mulher.
       Ranulf franziu o cenho  com desconfiana.
      - Por acaso  estar  tentando ganhar minha confiana?
      - Esta  uma tentativa para  me persuadir  a que  case com voc?
       Ranulf tinha estado muito perto da  verdade,  mas  Ariane conseguiu encolher de ombros com indiferena.
      - Claredon foi meu   lar  toda minha  vida,  milorde.
      - No  queria v-la cair na  runa.
      - Alm disso,   preciso trabalhar.
      - Estou  muito aborrecida   durante as horas em que est  ausente da  fortaleza.
      Sua boca se curvou  lenta e sugestivamente.
      - Ento  terei que diminuir as horas que estou longe  e te manter mais ocupada.
      - Isso  no   o que quis dizer, e sabe!
      Quando Ranulf  se inclinou para beijar sua boca, Ariane se apartou rapidamente.
      A expresso  do Ranulf  se esticou.
      - Me rechaar  uma m maneira  de me persuadir, moa.
      - Talvez  esteja de melhor humor quando voltar.
      Ariane tentou  pentear  seu cabelo selvagem depois de uma sesso particularmente apaixonada como Ranulf, e os dentes do pente de  marfim enredaram-se na massa
de cabelo com tal fora que trouxe  lgrimas a seus olhos.
      Tinha muitas vontades de arrojar  o pente    cabea do Ranulf, mas se refreou, obrigando-se a ter pacincia.
      Sabia  que Ranulf no  cedia facilmente.
      Entretanto  essa mesma tarde lhe enviou  um comerciante de tecidos  para que ela pudesse escolher fios de seda para os bordados  das  mulheres.
      Ela se sentiu  comovida por esse gesto, e pensou que  talvez finalmente ela  poderia  ter xito em derrubar  suas formidveis defesas, se  s  o seguia tentando
sem desmoralizar-se.
      Ainda  no tinha chegado a  uma  resoluo a  respeito de seu dilema mais crucial: as  visitas  de duas vezes  ao ms ao  bosque.
      Estado demorando a viagem e  agora  tinha vrias semanas de atraso.
      Sabia que a essa altura a situao dos habitantes do  setor do bosque estava fazendo-se  sombria, e que  estariam desesperados por comida.
      No havia ningum a  quem pudesse lhe confiar essa misso, ningum, exceto  talvez  Gilbert, mas no  podia estar segura disso.
      S  ela e outras duas  pessoas estavam inteiradas do  segredo do bosque encantado: seu pai e seu vassalo,  Simon Crecy, e  ambos os  homens  se foram .
      Correspondia  a ela  assumir essa tarefa   e j no podia esperar mais  tempo.
      A soluo  lhe ocorreu uma tarde,  por volta do final do primeiro  ms da chegada do Ranulf ao Claredon, quando ela  visitou  seu escudeiro  ferido para  assegurar-se
que a ferida do  ombro do Burc estava sarando.
      O moo ainda estava dbil e febril e ainda  tinha dor.
      A ferida mostrava sinais  de putrefao, a carne estava  avermelhada  e um  pus amarelo  drenava por entre os pontos.
      Ariane passou  a tarde  preparando poes e pomadas feitas com ervas.
      Preparou uma poo para reduzir a febre e mesclou um unguento para extrair  o veneno da ferida.
      Mas logo   teve que procurar a  permisso  do Ranulf para administrar-lhe.
      Apertando sua mandbula, Ariane falou timidamente.
      - Milorde!
      Ranulf franziu o  cenho  quando descobriu que  ela tinha visitado seu escudeiro, e seu tom se voltou intimidador.
      - Est desafiando minhas ordens ?
      - Somente desejava ver como estava a ferida do Burc.
      - Me sinto um tanto responsvel por sua ferida...
      - Assim deve ser.
      -  a  responsvel por essa ferida.
      Apertando sua mandbula, Ariane baixou seu olhar timidamente.
      - Meu nico desejo era ajud-lo.
      - Meu doutor  pode se ocupar do moo.
      - Seu doutor  j teve oportunidade de faz-lo, - Ariane replicou com   desprezo.
      - Burc necessita desesperadamente de  uma cura eficaz.
      - Seu brao est apodrecendo, vai perde-lo se  no morrer primeiro!
      Ela colocou as mos  nos quadris.
      - E eu  no  tenho nenhuma inteno  de deix-lo  morrer e  de te dar um motivo   a mais para que me culpe de tudo.
      Vendo Ranulf visivelmente perturbado, ela  suavizou  seu tom.
      - No  pode confiar em mim   por  uma vez, Ranulf?
      - O moo est sofrendo desnecessariamente.
      - No   pretendo lhe causar  nenhum dano, juro-lhe isso.
      - Muito bem, - Ranulf murmurou.
      Mas ele fiscalizou  seu trabalho, observando-a de perto  enquanto ela limpava  a ferida e aplicava  o  unguento, e enfaixava  o  ombro do moo.
      -Muito bem. Deve dormir agora, - Ariane disse com tranquilidade quando terminou.
      Levantou a vista para achar Ranulf  observando-a  com uma expresso  estranha  em seus olhos.
      -Tem um manejo muito delicado com as mos, - ele  murmurou.
      Entretanto seu humor trocou quando saram  da habitao  e entraram no solar.
      - Eu gostaria de sentir  o contato de suas mos.
      Ranulf levou a  mo  dela para  a protuberncia em sua  tnica.
      - Baixa minha  febre, Ariane... - Ento a beijou e como sempre ela conseguiu esquecer-se  dos  pensamentos que  tinham preocupado sua mente...
      Entretanto  quando o momento da  paixo passou,  a  misso vital voltou para sua mente para perturb-la.
      Tinha  que  encontrar uma maneira visitar o bosque.
      As provises de ervas medicinais estavam diminuindo.
      A maioria das plantas que necessitava  no  brotariam at o vero, mas havia um nmero de arbustos  e flores selvagens  que podiam ser recolhidos agora.
      Pediria   permisso a  Ranulf para liderar  a coleta  de erva da primavera,  o que lhe  daria uma desculpa legitima  para sair  dos muros do castelo.
      At ofereceria  levar seus guardas.
      Certamente  poderia escapar de sua vigilncia  para cumprir com sua misso.
      Essa noite, quando se sentou do outro lado do tabuleiro de xadrez, ela  fez uma respirao profunda,  e se arriscou.
      - Se  ganhar esta noite, milorde, posso te fazer um pedido?
      - Pode  pedir agora mesmo, - ele respondeu, estudando as peas de marfim.
      -No,   esperarei.
      - Levou toda  sua  concentrao  e sua  habilidade,  mas ela  ganhou  a partida.
      To informalmente  como foi  possvel, lhe pediu  permisso  compilar ervas  no  bosque.
      - Desejas  abandonar os muros do castelo? - foi a  primeira pergunta de Ranulf.
      - No  tentarei escapar, dou-te  minha  palavra.
      Sua expresso  se transformou  numa mscara enigmtica, como se uma portinha se tivesse fechado de repente.
      - Quer ir ao setor do  bosque que os serventes  do Claredon acreditam  que est  enfeitiado  com  espritos e onde habitam  lobos?
      Abruptamente Ariane baixou  seu olhar, no  desejando que ele visse a mentira em seus olhos.
      - Sim,  milorde.
      Ranulf se refreou em  responder imediatamente,  emoes  contraditrias  que lutavam  dentro dele enquanto  estudava   o sereno  rosto  dela.
      Tinha sido  muito  duro com Ariane?
      Era o momento  de lhe dar a possibilidade de provar-se?
      Podia confiar nela  o suficiente  para que  abandonasse os muros  do castelo para cumprir uma tarefa to incua? Ou ela tinha  alguma outra finalidade mais
secreta?
      - Eu  estarei ausente do castelo pela  manh, -  ele disse finalmente.
      - Se no  chover, pode  ir.
      - Levar   uma escolta armada para sua  segurana.
      Ela estava  surpreendida porque Ranulf tinha cedido  com tanta facilidade, e que  no  tivesse feito nenhuma  meno dos rebeldes  ou dos amantes.
      Pelo resto  da noite,  ele pareceu mais silencioso que  o usual,  e ocasionalmente o apanhou olhando-a de relance.
      Ariane  disse  que era pura  imaginao dela.
      A  seguinte manh  ela observou,  com alvio, como cavalgava em companhia de seus cavalheiros.
      Estava agradecida por sua  ausncia, embora agora teria que escapar de suas escoltas.
      Ela colocou um de seus vestidos e a  capa de l e fez selar seu cavalo,  assim como duas mulas para duas de suas criadas e a parteira  do castelo.
      Enquanto as mulheres carregavam os lombos dos animais   com  cestas e sacos de gros, Ariane preparou duas cestas com po e  queijo, carne assada,   vegetais
e  frutas secas.
      Vrios odres  de vinho  complementaram as provises, e ela  incluiu  outro odre para sua  escolta.
      O grupo se deteve a bordo  deste bosque. or grande parte da  manh, Ariane fingiu  participar da  coleta  de ervas,  mas  enquanto a outras mulheres  trabalhavam,
ela se foi afastando, arriscando-se a entrar no bosque.
      O  corao  do Ariane estava martelando para o momento em que  pde afastar do  grupo.
      Ningum  a  seguiu, estava segura, mas no obstante apressou-se, seus passos eram  quase silenciosos enquanto  pisava em um tapete de musgo  e hmus.
      Quando chegou a uma  cabana de madeira de pinheiro escondida entre uma massa de arbustos, deteve-se e sua viso  ficou  imprecisa com lgrimas. Os raios solares
iluminavam um claro do bosque com um fulgor dourado, lhe dando um aura quase  celestial , entretanto ela   conhecia a grande  tristeza dos habitantes afligidos
por  uma maldio  de Satans.
      Secando as lgrimas de seus olhos, Ariane se forou a avanar, sabendo que no  podia dar o luxo  de dar rdea solta a sua prpria angstia.
      Executou sua misso.
      Ela  emergiu  do bosque um quarto de hora mais tarde e seu  corao  lhe pesava como sempre que fazia essas visitas,  entretanto mais aliviada  desde que Ranulf
tinha capturado  Claredon.
      O  silncio repentino que a saudou quando alcanou o  prado a perturbou. No  havia nenhum sinal de suas mulheres, ou da escolta que havia trazido.
      Todos se  tinham ido.
      Em seu  lugar, no extremo mas  distante do  prado,  havia um cavalheiro  com sua armadura  completa  silenciosamente sentado  sobre seu  cavalo.
      Ariane se deteve  abruptamente, olhando-o   com  horror.
      O Drago Negro a esperava, seu olhar penetrante fixo  nela.
      Seu elmo cobria grande parte  de seu rosto, escondendo sua expresso, entretanto , ainda a essa distncia , ela  podia detectar sua fria.












      Captulo 18



      -Me de Deus!, - Ariane ofegou, empalidecendo.
      Ranulf  estava sentado  imvel  sobre  seu  garanho  negro, sua mo direita  descansando  no punho de sua espada.
      A imagem  lhe deu a idia de um homem vingativo e desumano.
      O grito de um falco  selvagem sobrevoou  o  prado, mas  Ariane apenas o notou.
       Ela permaneceu congelada   enquanto  Ranulf esporeava seu  cavalo e cavalgava lentamente para ela.
      Um sentimento opressivo  de terror lhe fechou o peito  enquanto  ele se  detinha diante dela e levantava o  elmo  .
      - O que faz aqui, moa? - ele exigiu, a ameaa em seu  tom lhe causou um calafrio.
       Ela forou  uma resposta atravs de   sua garganta seca.
      - Re... Recolhendo ervas,  milorde.
      - Estiveste  ausente por um  comprido momento.
      - Deve  ter compilado uma grande quantidade de ervas.
      - Mostre  as cestas.
      Muito paralisada para mover-se,  ela simplesmente o olhou fixamente.
      - Faz  o que te digo! - Com mos trementes,  ela correu os tecidos  que cobriam as duas cestas que carregava.
      Salvo por algumas flores e folhas, estavam vazias.
      A  expresso  do Ranulf se endureceu ainda mais, se isso  era  possvel.
      - Meus  homens  dizem que suas cestas estavam cheias com  mantimentos.
      - Talvez  os  entregastes  a meus inimigos?
      - No... claro que no...
      -No me minta, moa!
      - Ariane retrocedeu com  medo.
      Seu rosto se obscureceu enquanto que  seus olhos  pareciam feitos  de gelo.
      Tinha sido  muito idiota  pensar que ele  acreditaria  em uma desculpa  to ruim, criticou-se por no ter pensado nisso.
      No   tinha preparado  um  libi apropriado.
      Ao menos  deveria ter enchido as cestas com  plantas  depois de ter deixado o  alimento na cabana.
      - Conhece o   castigo  por ajudar a uma rebelio?
      - Eu no ajudei...
      - Ento  que  fazia to longe do prado?  No planejava uma  traio ?
      - No te encontrou com outros  traidores?
      - Se  eu cavalgasse dentro do bosque, encontraria Simon Crecy?
      Ela olhou  fixamente Ranulf, procurando  desesperadamente  em sua mente uma resposta.
      - Juro por minha  vida, que no  tenho   nada que ver  com a rebelio.
      - Um encontro amoroso , ento? A criada Dena  disse-me  que vai frequentemente ao  bosque  a   te encontrar  com seu  amante.
      Sua voz era amargamente  rouca .
      Ariane conteve   sua respirao  ante essa calnia.
      -  uma mentira!  Eu no tenho  nenhum amante!
      Sua expresso permaneceu fria.
      - Eu  te dava minha  confiana   e veja como  me paga.
      - Com engano  e traio.
      Ela sacudiu a cabea  freneticamente.
      Suas acusaes eram errneas, entretanto estava aterrada de que Ranulf descobrisse a verdade.
      Que descobrisse  o  segredo que  ela tinha jurado manter com  sua vida.
      Estpida! Sabia quo  pouco Ranulf confiava nela,  e entretanto  havia cado  em sua armadilha como uma idiota.
      - No, Ranulf...  no  o que voc  pensa...
      - No? - repetiu  em uma risada  spera.
      No  queria ouvir as mentiras dela.
      No  queria pensar na  imensa amargura  que enchia  seu corao  com a dor de  sua  traio.
      Tinha estado  disposto a confiar nela,  a lhe dar a possibilidade  de provar suas   boas intenes,  mas ela tinha planejado  engan-lo desde o comeo  para
levar a cabo sua  misso furtiva.
      Deveria ter acreditado em sua primeira intuio.
      - Juro que no h nenhuma rebelio e  nenhum amante.
      Ranulf se recusou a acreditar em  suas negaes.
      Seu medo era muito real, sua reao muito  forada.
      E  sua prpria  fria  muito forte.
      Lutou  desesperadamente, esforando-se  por  superar os golpes sufocantes de seu corao.
      Ela protegia algo ou a algum? Simon Crecy, o  mais provvel.
      Por Deus  que   descobriria seu segredo embora tivesse  que percorrer cada centmetro desse bosque .
      - Vem aqui. - A voz de  ao no  transmitia   nenhum   desafio, entretanto Ariane s pde   olh-lo  fixamente.
      Quando  ela vacilou, os olhos  do Ranulf se estreitaram  como lanas.
      -Agora, moa.
      - No  me obrigue a te perseguir.
      Ela Deu um passo   vacilante  para trs, sua garganta se fechou  com medo.
      Com sua fria estalando, Ranulf desmontou  e  baixou a  terra.
      Com  dois passos, tinha-a  alcanado e a tinha  apanhado , fazendo-a   atirar  as cestas.
      Suas luvas de couro se apertaram nos braos dela,   desejando  sacudi-la para extrair a  verdade dela.
       - No  me desafie,  moa!  Estou a ponto  de te golpear.
      Ariane o  olhou  fixamente.
      -O que... pretende  fazer?
      - Decidi   revistar  este  bosque, cada centmetro dele, at que encontre a seus cmplices.
      Por Deus!,  ela  pensou  enquanto  o  pnico a invadia.
       Tinha  que fazer algo  para det-lo!
      Resistiu   com toda sua fora enquanto  Ranulf  a aferrava por seus braos.
      De repente uma idia.
      Enquanto  Ranulf a colocava sobre o lombo do cavalo  uma idia  desesperada lhe  ocorreu.
      Sem  pensar  duas vezes, sem  tempo para considerar as consequncias, Ariane reagiu.  Capturou as rdeas e fez  girar ao  garanho  em direo ao castelo e
ela  cravou seus tales nos flancos do cavalo  ferozmente.
      -Demnios!
      Ela ouviu  o  insulto  violento do Ranulf, mas no se deteve, nem se atreveu  a olhar por cima  de seu  ombro para ver se ele  a  seguia. Ariane sabia   que
no  poderia esperar escapar ao castigo  do Ranulf por muito tempo,  mas  essa louca ao  serviria  para distra-lo  e talvez  lhe fizesse  ganhar um pouco  de
tempo.
      Tendo  ficado a p  ele no  poderia  revistar o bosque  to facilmente.
      De algum modo ela procuraria o modo  de advertir aos habitantes do bosque para que  fugissem.
      Galopou de volta ao Claredon como se mil diabos a perseguissem.
      Quando finalmente  se deteve  no ptio  interno, uma dzia de homens a rodearam imediatamente, todos lhe exigindo  respostas ao mesmo tempo .
      -Foi  atacada?
      -E o  Lorde?  O que passou com ele?
      -Quantos assaltantes eram ?
      -Ainda est onde deixamos  voc , milady?
      Ariane  no  se atreveu a  admitir  que tinha roubado o  cavalo de Ranulf.
      Isso o converteria no bobo do castelo. Mas tinha   que  dar alguma explicao  para sua chegada frentica  e  sua  aparncia desgrenhada.
      -No,  No... Nada disso, - ela murmurou  ofegando.
      - Somente houve um acidente. Ca e enganchei minha tnica em um ramo...
      - Lorde Ranulf me  enviou  de volta ao castelo   para  me trocar.
      - Ele vir logo.
      Ela viu a  descrena em seus rostos, no  se atreveram a questionar sua histria, mas se  perguntaram se o  Lorde  estava a p.
      - Sim, - ela  respondeu  reticentemente.
      - Algum  deve lhe levar  seu cavalo.
      Vrios dos  homens  se adiantaram   imediatamente.
      Ariane no  esperou nenhuma outra pergunta,  e aceitou ajuda  para  desmontar do enorme cavalo.
      Com um tremor lhe apertando o   estomago, ela foi para dentro procurar Gilbert.
      Esperava  desesperadamente que seu meio irmo  pudesse ser crdulo para  cumprir seu pedido e levar sua  advertncia ao bosque.
      Ele iria jurar silncio como ela  tinha jurado.
      Para  seu desnimo, no pde encontrar Gilbert.
      Buscou-o  em toda a  fortaleza, mas   no pde  encontrar nenhum sinal dele.
      Disseram-lhe  que podia estar com o administrador, ela correu  novamente  ao ptio para   procurar nos  armazns, a  capela , os estbulos, na casinha do
ferreiro, em qualquer  lugar onde  podia  encontrar-se.
      Tinha perdido as  esperanas e estava a ponto de voltar para a  torre e implorar a alguma das mulheres mais confiveis  a tarefa de levar a  advertncia,
quando viu o Payn FitzOsbern  caminhado atravs  do jardim, para ela.
      Ariane se deteve  abruptamente, seu  corao  se afundou  com desespero   a expresso severa em suas feies.
      O  cavalheiro se deteve  diante dela, estudando   seu rosto atentamente.
      - O que  isso que  ouvi  de um  acidente?
      Ela odiava mentir a  esse homem.
      - No  foi um acidente, exatamente.
      - Ranulf...  Eu tomei seu cavalo, - Ariane disse.
      - Um grave engano, milady.
      -Sei, mas  tinha que... - A expresso  nos olhos  do Payn era sria  e de uma vez   confundida.
      - Eu conheo  Ranulf.  Nunca te teria prejudicado sem uma sria  provocao. Deve haver mais  coisas nesta histria.
      Esperou pacientemente  por  uma explicao.  Ariane no tinha tempo para lhe dar.
      Ela retorceu  suas mos com  agitao. Necessitava desesperadamente encontrar a algum para levar sua mensagem de advertncia.
      O trompetista do  guardio do porto  anunciou a aproximao de algum nesse momento, fazendo  que  o  corao  do Ariane se apertasse.
      Ranulf havia tornado  to  logo?
      - Devo  ir... - ela  exclamou  e comeou  a apartar-se, mas a mo do Payn se estendeu  para impedir-lhe.
      Momentos depois  Dragon Negro cruzou os portes do  ptio interno ante a uma silenciosa multido que se havia reunido.
      - Acredito que no, milady. - Ariane empalideceu.
      - Sir Payn, imploro-lhe isso, eu...
      - Meu juramento  para o Ranulf. No  tomarei  partido em seu favor  e contra ele.
      - De qualquer modo, pode esper-lo  aqui.
      - No  escapar dele, sabe.
      Incapaz  de escapar do abrao do Payn  em seu brao, Ariane ficou de p, tremendo,  ao lado dele.
      Momentos depois o  Drago Negro cruzou os portes do ptio interno ante uma silenciosa multido que se reuniu.
      Detendo-se  ao lado  de  Ariane, Ranulf desmontou lentamente, mantendo o olhar fixo nela.
      Sua  expresso era  fria e impiedosa, enquanto parava  diante dela.
      Ariane tremeu, sabendo que estava em  perigo  iminente de morte.
      Seus olhos eram selvagens e muito escuros.
      - Perguntarei isto s uma vez mais, - Ranulf disse com suavidade letal.
      - Com quem pensava te encontrar no bosque?
      - No te posso dizer,- Ariane replicou em uma  voz tremente  pela  angstia.
      Uma vida estava em jogo, a vida de algum  a quem ela queria mas que a si mesma.
       No podia confiar na piedade do Ranulfo suficiente para arriscar-se a divulgar esse segredo.
      - Fiz um juramento formal ao respeito.
      - Pode me golpear, me encerrar, me ameaar matar, mas no posso te dizer.
      Ante as  alternativas que apresentava,  uma pequena fasca de dor cruzou os olhos do Ranulf por um  breve instante,  mas desapareceu quando  a  marca da  frieza
cobriu seu rosto.
      Seu dever como Lorde, repentinamente, era espantoso, mas j no podia  permitir que semelhante desafio a sua autoridade seguisse sem ser castigado.
      - Sua desobedincia, sua teima, deve ser castigada ento.
      - Payn, escoltar a esta refm at o calabouo, onde permanecer encerrada  at que faa  confisso verdadeira   e entregue  a que rebeldes pretende proteger.
      - No! No pode! -  O grito veio  de um jovem que abriu caminho entre a multido.
      Gilbert, Ariane descobriu  com  desespero.
      Se o tivesse  podido achar uns momentos  antes.
      O jovem estava determinado  a sair em  defesa de sua irm.
      - No pode encarcerar a  milady.
      - O desafio, milorde!
      O desafio  a um nico combate!
      - Brigar comigo?
      A boca do Ranulf se curvou  com incredulidade  enquanto  olhava ao moo magro.
      - Serei obrigado a matar a um moo que ainda no tem barba.
      - Covarde! Miservel covarde!
      Ranulf paralisou,  enquanto um ofego coletivo saiu da multido.
      Ranulf fez gestos a um de seus  sargentos.
      - Busca   minha  espada.  E um elmo  e um escudo.
      - Se estiver to ansioso por uma briga, dar-lhe-ei uma.
      - Por Deus, no!
      O rogo do Ariane no foi escutado enquanto Ranulf observava que sua ordem  fosse cumprida.
      Ela tentou outra vez, esta  vez  com  mais  desespero.
      - Milorde... Lhe rogo isso. A briga  comigo , no com  o Gilbert.
      - Por que te demora? - Ranulf perguntou ao Payn friamente.
      - Leva-a   ao calabouo.
      - Sim, meu  lorde, - o  vassalo respondeu.
      O abrao em seu brao se apertou, Payn levou Ariane  para a torre enquanto  seu desafiante irmo  recebia uma pesada tnica de cota de malha.
      Ela foi forada a subir os degraus externos da fortaleza,  porque tentava  olhar por cima de seu ombro  enquanto Gilbert colocava o elmo  e aceitava a espada
 .
      Quando  Payn a guiou dentro do salo, Ariane ps uma mo sobre sua boca  para afogar um soluo.
      - Ranulf o matar...
      - No, s lhe ensinar uma lio.
      Ela sacudiu a cabea.
      - Era sua culpa  que a vida do Gilbert estivesse em risco.
      - Sim, - Ariane sussurrou roncamente.
      - Mas    mim a quem  Ranulf deve castigar.
      - E espero que ele o faa, - Payn admitiu  em um tom incomodo.
      - Nenhuma vez  vi Ranulf de  um humor to perigoso.
      - Quando est irritado  grita e amaldioa.
      - Mas  quando est furioso tem uma  calma mortal.
      Ela no necessitava  que  Payn lhe dissesse  que sua situao  era extrema.
      Ele deteve  ao p  da  escada, olhando-a  sombriamente.
      - No posso  te ajudar, milady.
      - O melhor   dizer a Ranulf toda a verdade.
      - Ele despreza a  falta de honestidade, sobretudo nas mulheres.
      - Eu no lhe menti, -  ela disse fracamente.
      - No, milady? - Payn respondeu  em  tom frio.
       Tomou  uma tocha acesa  da parede  e a usou  para  iluminar a  descida.
      O calabouo  do Claredon era pouco mais que um poo escuro debaixo das cozinhas, frio, mido e cheio de insetos.
      Ariane estremeceu  enquanto  Payn dava  um passo ao flanco  para lhe permitir  entrar  na cela  minscula.
      Ela teve que  inclinar-se  para evitar que  sua  cabea de roasse o  teto.
      Ela ficou de   joelhos  e fechou as pontas  de sua capa para proteger-se, observando  agradecida como ele acendia uma tocha para ela.
      Ao menos  no   estaria encerrada na escurido.
       - Sinto verdadeiramente que tenhamos chegado a este ponto.
      - Eu tinha muita f em voc.
      Ela ouviu  a decepo  no tom do Payn, e uma  censura silenciosa, quando  girou  para ir.
      Ariane deixou cair sua cabea com  desespero, no podia lhe responder.
      Pesada, a porta  fechou  lentamente, deixando-a  como  uma  prisioneira, s com o  eco dos batimentos de seu prprio  corao  e de suas  preces  por  seu
irmo estupidamente leal.
      Na  parte externa no ptio, Ranulf se forou  para ldar um  castigo oo jovem.
      Gilbert  se recusou  a  retirar seu desafio, ainda quando lhe  tinha  devotado uma oportunidade de reconsiderar sua pressa.
      Ranulf tinha  que dar crdito  ao moo  por  sua  coragem.
      Gilbert lutava como um possudo, embora  sua falta de habilidade era lamentvel.
      Sustentando a  espada estranha com  as duas mos, o jovem se  balanava descontroladamente, a maioria  dos golpes foram ao ar  em vez  de encontrar a espada
do Lorde.
      Desacostumado peso da cota de malha ele  logo parecia  incapaz de manter seu prprio equilbrio.
       Ranulf no teve  nenhuma dificuldade em  defender-se, facilmente evitava os golpes torpes de seu oponente.
      Respondia-lhe os golpes, sem  cort-lo, s lhe tocando as coxas e o  torso e obrigando-o a ir  para trs rapidamente.
      O corpo do  jovem estaria com machucados  dolorosos ao dia seguinte, mas  viveria para  cont-lo.
      Esse  jovem  merecia   que  lhe dessem  uma lio  em relao   obedincia para seu lorde.
      A  confrontao no  durou   muito  mais  tempo.
      A  superioridade do Ranulf s  parecia aumentar a  fria do  jovem , mas ele s se permitiu uma concesso  para expressar a dor quando a espada do Ranulf
o golpeou nas costelas.
      Logo entretanto Gilbert estava cambaleando pelo cansao.
      Finalmente caiu  de joelhos, permitindo que Ranulf atuasse.
      Em um instante, Gilbert encontrou  a ponta da espada pressionando debaixo de seu queixo.
      Sem desanimar pela lmina afiada apoiada  em sua garganta, o jovem o olhou com  os olhos cheios de dio  enquanto  estava  ajoelhado no barro, logo fazendo
recordar ao Ranulf seu prprio desprezo para seu  pai.
      - Se a danificar, - Gilbert  jurou roucamente, - matar-te-ei!
      - Juro que te  farei pagar!
      -  um imbecil - Ranulf respondeu  em um tom gelado.
      Ou talvez   simplesmente deseja sua prpria  morte.
      - Desejo a morte, sim. Desejo v-lo  morto!
      - Um dos vassalos do Ranulf deu um passo para frente com os  punhos fechados, para golpear ao  jovem.
      - Controla  sua lngua  idiota  insolente!
      Ranulf pressionou a  ponta da espada  mais duramente contra a  carne do moo.
      Gilbert fez uma careta  de dor, mas  manteve  seus olhos focalizados no Ranulf, sua  angstia  e sua  fria eram evidentes.
      - Que classe  de cavalheiro  o que briga com mulheres? Um covarde! Tenho   direito a  defender a minha  irm!
      - Voc forou isso   e a desonrou   e agora  a encerrou no  calabouo , e tudo para  nada!
      O jovem  virtualmente cuspiu  as palavras, ignorando a quietude perigosa do Lorde.
      Apertando  o punho de sua  espada, Ranulf tomou  uma respirao  profunda, sabendo que tinha que silenciar ao moo  ou entreg-lo para receber  uma castigo
mais severo   para poder  manter   sua autoridade, se  no  terminava   matando-o primeiro.
      Antes que pudesse   decidir como atuar,   Gilbert continuou com  seu discurso.
      -Ela  inocente!  Ela no  protege aos  rebeldes! - Ranulf ficou  rgido, seu olhar se centrou na cara do Gilbert.
      Perguntando-se  o que   sabia o moo, olhou de esguelha  s pessoas ao redor disso.
      - Nos deixe. -   Ranulf despachou     multido de observadores.
      Baixando a ponta de sua  espada da garganta do Gilbert, agarrou um punhado do  cabelo loiro do jovem e o forou a levantar  a cabea.
      - Sabe o que acontece no  bosque?
      - Sim  . . . mas  nunca  o direi!
      As ameaas fsicas no  quebrariam ao  moo,  Ranulf sabia.
      - Talvez  sua lngua  se afrouxar se aoitar  a sua irm  diante de seus olhos.
       Suas ameaas de causar machucados a  Ariane eram falsas,  mas  se o jovem as acreditava,  divulgaria mais rapidamente  o  segredo dela.
      Gilbert tragou em seco, seus olhos  mostraram   medo pela  primeira vez.
      Depois de uma larga vacilao, ele perguntou:
      - Se eu falasse... a salvaria dos aoites?
      - A tiraria do calabouo?
      - No  pense  em  negociar comigo! Diga  o que sabe   j   veremos.
      - Posso   tomar a palavra, - Gilbert murmurou, baixando seu olhar.
      - Com quem  se encontra? Com os  Rebeldes  ou com seu  amante?.
      - Ela no  sabe  nada  dos rebeldes  e voc    seu nico  amante.
      - Por Deus,  como pode fazer tal afirmao?
      - Fui  eu quem levou  o  fgado  para manchar os lenis com "sangue de virgem."
      Ranulf o olhou  fixamente  por  um momento longo, sabendo instintivamente que o jovem   dizia a verdade.
      - Com quem   se encontra, ento?
      Ranulf repetiu  sucintamente.
      - No sei, mas com os  rebeldes no.
      - Por vrios anos tem feito essas  visitas.
      - Como sabe isso?
      - Eu...  a  segui um dia.
      - Espiou  a sua lady?
      - Eu estava... preocupado por sua  segurana. Fui sozinho... esse dia.
      Geralmente  nosso pai, Lorde Walter, acompanhava-a.
      - Estou  esperando..., - Ranulf advertiu ao jovem  que se silenciou .
      - Eu mantive seu segredo todos  estes  anos.
      Gilbert deixou cair seu cabea.
      -Ela nunca  me perdoar se  o digo.
      - Eu nunca  perdoarei a  voc se no o fizer, - Ranulf  lhe respondeu  sombriamente .
      Uma pausa larga seguiu.
      - Ela Vai... h  uma cabana no  bosque... para encontrar-se  com algum, - Ranulf completou . Gilbert assentiu  lentamente.
      - So  mulheres... Duas delas, acredito.
      - S pude v-las brevemente.
      - Suas caras estavam tampadas, suas mos, enfaixadas.
      - Milorde, temo que... - sua  voz se baixou  com horror.
      -Temo que  so leprosas.





























      Captulo 19



      As passados fora da porta da cela despertaram  Ariane de seu  estupor.
      Sua cabea se elevou  agudamente enquanto  a barra pesada foi levantada.
      Parecia-lhe que tinha passado uma eternidade desde que Payn a tinha deixado  nessa fria priso,  mas provavelmente que tinha passado  uma hora.
      Com  suas costas pressionada  rigidamente  contra  a  parede fria, ela se envolveu com seus braos ao redor de seus joelhos, e  olhou  com  temor  enquanto
a porta se abria   lentamente.
      O  jovem  que apareceu  na  entrada era um escudeiro  de Ranulf, Ariane notou com alvio.
      - Lorde Ranulf  me pediu  que a levasse a ele.
      - O que... - Ela  comeou a dizer  com uma voz  rouca.
      Deteve-se, tragou  em seco  e tentou  novamente.
      - O que quer comigo?
      - No sei, minha  lady.
      - S sei o que me  ordenou que fizesse.
      - Vir comigo?
      - Por favor... Poderia  me dizer algo de meu irmo Gilbert.
      - Sabe algo de seu destino?
      - No acredito  que esteja machucado,  mas  milorde  o tem confinado.
      Muito aliviada, Ariane  ficou de p  e seguiu ao  homem  jovem.
      Precedendo-a nas  escadas  de pedra estreitas, o  escudeiro no a conduziu ao solar, como Ariane esperava, a no ser  atravs do salo   parte externa do
ptio.
      Ranulf a esperava ao p dos degraus  da torre,  montado em seu cavalo.
      Ela piscou  ante a imagem  dele     luz  do sol  da  tarde, mas se forou a descer os degraus.
      Parecia preparado para uma  batalha.
      Ainda vestia  sua armadura de  cota de malha, a  espada pendurada de sua cintura e o escudo apoiado sobre a   cadeira.
      Debaixo de seu  elmo, suas feies  permaneciam  inexpressivas,  enigmticas, quando Ranulf se inclinou silenciosamente para baixo.
      Ofereceu sua mo, evidentemente   esperando que ela  montasse diante dele.
      Ariane tremeu, e apesar  do  calor de sua capa e  de que era  uma tarde clida da primavera, mas  obedeceu.
      Ela no se atreveu  a  falar.
      Ranulf no lhe ofereceu nenhuma explicao  enquanto cavalgaram atravs  dos portes  nem enquanto cruzaram a  ponte levadia, mas quando  ele girou o cavalo
para o este, seu  temor  se converteu  em  terror.
      O  bosque!  Lev-la-ia, ela soube.
      A  foraria a trair seu segredo mais prezado.
      - Deus,  no... - Milorde... Por favor... Imploro-lhe isso, voltemos para a fortaleza.
      No houve  nenhuma resposta.
      - Por favor, Ranulf... Rogo-lhe isso.
      -Implora-me ? -  Ele repetiu  brandamente, sua voz fria  com o  gelo.
      - Por que deveria  escutar seus rogos depois de toda a  traio  que  mostrou?
      - No houve traio, juro!
      - Farei  algo que me   pea, algo se  no obrigar a isto
      - O que fica para negociar, moa? Sua riqueza  j   minha, voc j  minha.
      Sua resposta spera no  permitiu  nenhum argumento.
      Seus dedos se apertaram s crinas  do  cavalo, Ariane caiu em um silncio impotente, sabendo que qualquer palavra adicional seria intil.
      Podia sentir o frio do metal  de sua  cota de malha  em suas costas, to frio e  rgido como o  homem  mesmo.
      As lgrimas   de angstia  se deslizaram livremente de  seu rosto,  lgrimas s que Ranulf no  lhe prestou nenhuma ateno.
      Odiava  o olhar  agonizante dela  e  se forou  a ignor-la.
      A bruxa o tinha  trado  e enganado e provavelmente  poderia estar procurando destrui-lo.
      No  se deixaria abrandar  ou  ela exploraria sua debilidade  por  ela.
      No necessitava  que  ela o guiasse, Ranulf  parecia  saber precisamente aonde se dirigiam.
       Cruzaram o  prado onde Ranulf a tinha  descoberto  essa amanh,  e por onde ela  tinha  entrado no bosque.
      O  terror do Ariane cresceu com cada passo que avanavam, um terror  a ela comunicava-lhe ao  cavalo.
      O cavalo resistiu, requerendo que Ranulf recorresse a  disciplina para obter obedincia. A folhagem se  fez mais densa   medida que entravam no bosque, at
que  finalmente a vegetao  pareceu  fechar-se  ao redor deles.
      Quando a  cabana  apareceu ante sua viso, ele deteve  o  cavalo.
      A choa era velha e tinha sido  construda grosseiramente, o teto de palha  precisava  ser reparado.
      - O que  este lugar? - Ranulf exigiu.
      Ariane no  podia falar.
      Sua respirao estava contida em seus pulmes  por uma terrvel contrio.
      Ariane estava soluando silenciosamente agora, entretanto  Ranulf endureceu seu corao contra essas lgrimas.
      Ranulf extraiu sua espada .
      - Quem est dentro da choa! Dem a cara os ordena o lorde de Claredon!
      Sua demanda foi respondida com  silencio  ao princpio.
      Momentos depois, entretanto, a porta rangeu e se abriu.
      A mo de Ranulf pressionou o punho de sua espada  enquanto uma figura escura caminhou para a luz .
      Era alta para ser mulher  e seu corpo magro se movia com certa graa.
      Seu rosto estava coberta por um vu, suas mos envoltas em vendagens escuras.
      - Meu  lorde Ranulf, - ela disse em voz suave e doce, fazendo uma breve cortesia.
      - Como posso servi-lo? - Ariane  afogou um soluo e inclinou sua cabea.
      - Deus, me perdoe, - ela sussurrou.
      - No te culpe, filha . Era s uma questo de  tempo para que fssemos descobertas.
      A mulher levantou  seu vu   para expor  seu rosto.
      As feies   envelhecidas  deviam ter sido  bonitas alguma vez, em sua juventude.
       Entretanto  a pele mostrava  os sinais  inequvocos  de lepra.
      Ranulf retrocedeu ante a imagem, sentindo como se um punho o tivesse golpeado  no   estomago.
      Com toda a experincia em batalhas  que tinha, no  podia ser imune a essa enfermidade que he atemorizava.
      Entretanto  no  era a enfermidade  o que o comoveu profundamente, a no ser a identidade da mulher.
      Ela tinha estado presente cinco anos  atrs na celebrao do compromisso, sentada em um lugar de honra sobre o  soalho.
      A tinha  conhecido como  a Lady do Claredon, ento.
      A esposa de Lorde Walter, a  me  de sua prometida.
      - Lady  Constance? - ele respondeu   quando pde encontrar sua voz.
      A me de Ariane sorriu fracamente.
      - Como v,  milorde. Lamento  no  poder saud-lo  devido  as  circunstncias mais felizes.
      -  Disseram-me... Que  estava morta.
      - Estou, para o  mundo.  Vivo escondida aqui no  bosque, com minha criada.
      - Mas... por que? - foi  tudo o que  Ranulf pde  pensar   para dizer.
      Estava em choque, no  s  por  essa  verdade assombrosa, mas tambm  por suas  implicaes. Esse era o  segredo do Ariane?
      Outro sorriso se desenhou nos lbios de Lady Constance.
      - Porque eu  no seria  bem-vinda  em outra parte.
      - Voc conhece, aqui estou segura. O tratamento que os leprosos recebem  de mos de quem no est doente.
      - Sim, sabia que a  enfermidade  era  to  temida,  que as desgraadas vtimas frequentemente eram jogadas  de seus  lares  e  eram obrigadas a viver  fora
da civilizao, algumas, inclusive  eram  apedrejadas  at a  morte.
      Ela assinalou  a  cabana detrs dela.
      -Convid-lo-ia a minha casa humilde  para  compartilhar  uma taa  de vinho,  milorde, mas   um contato  to  prximo no  seria recomendvel.
      - Na verdade, eu  geralmente  no  permito que Ariane  se aproxime tanto, por medo  ao contgio.
      Ranulf sacudiu a cabea  silenciosamente  em um esforo de  esclarecer sua mente. Tudo  o que podia pensar era em  Ariane e  o que sua conduta significava.
      Olhou-a  com a cabea  inclinada.
      - Este  seu segredo? - Tragando  um soluo, ela  assentiu, tentando conter o pranto.
      Sim, esse era seu terrvel secredo: que sua me  no  tinha morrido  anos atrs como o  mundo acreditava,  ela  sofria  uma enfermidade   que despertava o
horror dos  aldeos  e dos  nobres igualmente.
      - Eu tinha que vir. Necessitavam  de  comida ... Tinha passado  tanto tempo.
      - Sua  necessidade era extrema.
      Uma constrio enorme se apertou no peito do Ranulf.
      Pensando quo diferente sua vida podia ter sido se  sua  prpria me  infiel  se parecesse a Lady Constance.
      - Como se contagiou? -ele perguntou.
      - Atendendo  a  meu filho,  milorde.
      - Jocelin havia tornado  da Terra Santa  com a enfermidade, mas eu  no  podia abandon-lo.
      - O amor de uma me  no  tem nenhuma sabedoria, temo.
      -  Amor de uma me? Ele nunca tinha conhecido uma coisa assim.
      - Alguns  dizem que a  lepra   o  castigo  de  Deus para um pecado  mortal.
      Ariane fez  um som de protesto.
      - Ento Deus  cego e cruel! - ela replicou  apaixonadamente,  sem se importar  se suas  palavras eram uma blasfmia.
      - Minha  me s  culpada  de amar muito.
      - E meu irmo. . .  tinha ido em uma peregrinao a Terra Santa como um bom cristo.
      -  esse  um pecado?
      -Ariane, - Lady Constance  disse delicadamente.
      - Jocelin morreu dessa enfermidade? - Ranulf perguntou.
      - Entendi que tinha morrido  em batalha.
      A  dor brilhou  nos olhos  cinzas  de Lady Constance , assim como  nos de sua filha.
      - Sim,  na batalha. Era um soldado,  como bom  filho de seu pai, ele  escolheu  terminar sua vida de maneira  honorvel, em um  combate antes de resistir
a degradao de seu corpo.
      Eu teria feito o mesmo se tivesse tido opo.
      - No,  Me! - Os lbios de Constance  se curvaram   em um sorriso  triste.
      - Bendita , filha, voc foste  minha  fora.
      - Se no tivesse sido por voc,  eu  no  teria podido  toler-lo.-  ela disse com voz  doce, sem  amargura.
      - Na verdade,  mais duro perder um filho que  ter que  enfrentar a  prpria morte de um.
      - Tive  uma  boa  vida. Estou  preparada para o reino de Deus. - A voz de Ariane se afogou em um soluo.
      - Faz  quanto   que vivem aqui? - Ranulf perguntou.
      - Minha  criada, Hertha,  ela  uma criada leal.
      - Outra bno em minha vida.
      - Se no fosse  por ela, minha  vida seria muito mais dura certamente.
      - Hertha? - uma anci, de cabelo  cinza   emergiu da choa apoiando-se em  um  cajado, e fez  um reverencia  profunda ante o  novo Lorde  do Claredon.
      No  parecia  sofrer de lepra, Ranulf notou.
      Constance explicou.
      - Meu marido, Walter odiava  me condenar   a  vida de um leproso.
      - Ento permitiu  que  eu tomasse  refgio aqui, e disse a  todos  que  eu tinha sido assassinada  por foragidos  durante uma viagem.
      - E comearam a fazer contos  sobre o bosque encantado  para me proteger dos aldeos.
      - Eles tivessem jogado a qualquer  suspeita de ser uma leprosa, ainda se tratava de sua lady.
      Ranulf recordou que o conto que  Ariane lhe  tinha relatado sobre o bosque espreitado por  maus espritos, uma  histria  que ele tinha considerado  falsa.
      Entretanto  a ameaa desses espritos era altamente eficaz  para  manter longe aos  serventes  supersticiosos.
      - E   assim... -  Lady Constance  murmurou, - agora  que sabe do nosso segredo,  milorde,  jogar-nos- de sua propriedade?
      Lentamente, Ranulf embainhou  sua espada, enquanto Ariane o olhava com  olhos  suplicantes.
      - Ranulf, por favor... Imploro-lhe tenha   piedade.
      - Ela morrer se a joga daqui!  Farei  qualquer coisa que voc pea se lhe permite ficar.
      Sua boca  se apertou  momentaneamente.
      Como ela  podia acreditar que ele  condenaria a essa pobre alma a um destino to cruel?
      A vida em uma vila para leprosos seria muito mais  cruel  que a existncia miservel  que  agora  levava.
      Seu marido   e sua   filha tinham  feito grandes  esforos para proteg-la, e no seria ele  quem destrura esses esforos.
      - No lhe  desejo nenhum  mal, milady, - Ranulf  respondeu.
      - No vejo nenhuma razo  para que o  segredo seja revelado.
      - Ou  uma razo  pelo qual no possam continuar  vivendo  como antes.
      Com  sua resposta, ele  sentiu  que o corpo tenso  do Ariane se afrouxava contra  o seu,  com  alvio, logo ela  enterrou seu rosto em suas mos.
      Tentando ignorar seu estalo   emocional, Ranulf  olhou   me  sobriamente.
      - Sua filha pode lhe trazer alimento, sempre e quando vier com  uma escolta apropriada at a  borda do  bosque.
      - Eu no gosto da idia de  que ela vagueie livremente, porque poderia sofrer algum dano.
      - Ns  estaramos agradecidas,  milorde. Nossas  provises diminuram  desde... desde sua chegada, - Lady Constance  concluiu com   tato.
      - Desde que ele tinha tomado  ao Claredon, ela  tinha querido  dizer Ranulf.
      - Lamento  que possa  fazer  to pouco por vocs, - ele comentou honestamente.
      Gostaria de poder  ajudar a essa  mulher  em seu valente esforo.
      Era uma mulher valente que enfrenta um destino terrvel, no s contra o  mundo, com a ajuda de uma criada leal e uma  filha devota.
      - Ser suficiente que permita que minha  filha nos visite ocasionalmente.
      - Nas  outras vezes  temos companhia.
      A  expresso  de agradecimento de Ariane  era mais  que  fervente.
      - Ranulf... - Ela murmurou, - Milorde,  agradeo-lhe isso.
      Sua voz rouca se agitou com alvio,  mas  foi  seu gesto o que  mais o assombrou: ela  tomou  sua mo enluvada e a levou a seus lbios.
      Ranulf liberou sua mo. Essa gratido extrema  o perturbava.
      Se sentiu  agradecido  quando   Lady Constance  falou.
      - Ariane  me  disse que voc   tem o  controle de Claredon, - ela disse brandamente.
      - Pode  me dizer,  milorde... Houve alguma novidade de meu marido? - Ranulf no  queria revelar a dura  verdade, entretanto  no  tinha nenhum sentido  lhe
criar falsas esperanas.
      - Lamento-o, minha  lady, Lorde Walter  foi acusado de traio  e de  conspirar  com o Hugh Mortimer e neste  momento  est no castelo do Bridgenorth  e  est
sendo assediado  pelo rei Henry.
      Ela  mordeu o  lbio.
      -Sei  pouco da poltica, temo, mas no acredito meu marido seja um traidor.
      Ariane havia dito  precisamente a mesma coisa sobre o  homem, Ranulf refletiu, sentindo um ponto de inveja.
      Duas  mulheres to leais eram  uma novidade em sua experincia.
      - Henry  um rei  justo. No atuar sem prova razovel de sua culpa.
      Lady Constance  assentiu  e o surpreendeu   com suas palavras seguintes.
      - Lamento que as circunstncias requeiram o cancelamento  de seu compromisso  com  minha  filha.
      - Eu estaria honrada de cham-lo  genro.
      Ela Parecia  sincera, Ranulf notou
      Ela o Via de maneira to favorvel se  soubesse como  ele  tinha tratado a sua filha  Ariane forando-a  a servi-lo  como sua esposa e sua  amante.
      - Devemos voltar, -  ele disse, mais secamente do que planejava.
      Lady Constance  sorriu.
      - Como  digo,  milorde, aceite por favor minha  gratido sincera.
      - Adeus,  filha.
      Ranulf deu  volta o cavalo   para retornar   fortaleza do Claredon.
      Ele estava muito consciente  de que Ariane olhava  para trs, por    sobre seu ombro at que  passaram atravs  da folhagem densa   e tivesse perdido de  vista
a sua me.
      Ento , com um  suspiro, ela  secou  os olhos midos em sua  luva  e  se sentou olhando  para frente.
      Montaram em   silencio por um momento, os cascos do  cavalo  golpeando brandamente  no  cho   do  bosque,  enquanto os pensamentos de Ranulf giravam.
      Estava consciente  de um  grande erro dentro dele.
      No havia nenhum  grupo  de rebeldes  planejando  sua queda.
      Ariane no tinha nenhum amante secreto.
      Seu pecado  era uma  devoo  a lealdade, no a   traio.
      Compreendia  agora  porque tinha permanecido calada, recusando-se a  revelar seu segredo ainda abaixo  da ameaa de ser encarcerada.
      No  tinha sido  honesta, entretanto  tampouco tinha mentido.
      Havia dito  que no  podia quebrar um juramento sagrado.
      A  boca do Ranulf torceu  amargamente. Se Ariane considerava os juramentos sagrados  inviolveis, seria a primeira   mulher nobre  a  ser assim.
      Em sua experincia, a maioria  no pensaria duas vezes antes de sacrificar seus   parentes maos queridos  para obter um ganho poltica ou pessoal.
      Passou bastante tempo  antes que ouvisse  sua  voz suave:
      - Milorde , quer dizer que ela  verdadeiramente ficar?
      - No a jogar?
      Ariane girou  na  cadeira para  olh-lo.
      Ranulf tinha concordado manter  esse terrvel  segredo,  mas ela   precisava  ouvir sua garantia uma vez mais, assim  todos   seus temores  a deixariam.
      Assim  poderia estar livre do  medo contnuo e corrosivo das semanas passadas.
      Ela poderia tolerar algo s se tivesse a certeza  que sua me  estava segura.
      Ranulf deteve o cavalo.
      Tinham  alcanado a  borda   do bosque.
      Mais adiante,  um  prado verde forrado com flores selvagens.
      Seus  olhos dourados  se suavizaram quando a olhou.
      - Por que me ocultou a verdade? Por que no  confiou?
      - Eu te mostrei  clemncia no  passado, quando me pediu isso.
      - No me atrevi a correr o  risco. No  podia estar segura... Poderia ter desejado v-la  morta.
      A boca do Ranulf se curvou fracamente.
      - Ouviste os contos sobre o terrvel Drago Negro?
      Ariane baixou sua cabea.
      - No  podia correr o  risco  milorde. Eu tinha prestado  um juramento...
      - No  podia confiar em mim?
      -No, milorde. - As palavras eram um mero sussurro.
      Ranulf  reprimiu    uma resposta.
      Pareceu-lhe um castigo  irnico pela falta de confiana que ele mesmo  tinha mostrado.
      Seus  dedos se apertaram  em  sua tnica de l .
       - Deus  cruel. Minha  me  no merecia  um destino to terrvel.  Ela  uma mulher amvel, afetuosa...
      A voz do Ariane se quebrou em um soluo. Girando seu rosto contra seu peito  macio,  ela pressionou sua testa contra a tnica cota de malha.
      Ranulf no  podia responder. Por muito tempo tinha  aprendido a  no  lutar contra o  capricho desumano do destino.
      Ariane chorava outra vez, brandamente.
      Seus braos rodearam seu corpo  tentativamente.
      Se sentiu  invadido pela  ternura, a  piedade  e o desespero.
      Sua dor lhe  tocou  o  corao  como nada em muitos anos.
      No compreendeu  o que  o levava a  tentativa de confort-la.
      Tinha acreditado que qualquer rasgo  de  ternura nele tinha sido   exorcizado  pelos anos de raiva  e de amargura.
      Mas talvez  estivesse equivocado.
      O estalo de emoo em seu interior era to forte que lhe  cortou  a respirao.
       Por um momento longo, simplesmente a abraou, at que os soluos dela se acalmaram, at que seu corpo se aquietou.
      Lentamente ento tirou a luva  esquerda.
      Sua mo se levantou  para sua bochecha,  acariciando-a   delicadamente, seu polegar  roando  seu lbio inferior  tremente.
      Inspirando profundamente, Ariane levantou seu olhar  para a dele.
      Seus  olhos brilhantes   estavam cheios de lgrimas, cheios de dvida. E de  dor.  Logo queria  aliviar  essa dor,  apaziguar essas dvidas, para confort-la.
      Ranulf nunca acalentou uma mulher somente para lhe oferecer consolo, sem  luxria.
      No  sabia  faz-lo.
      Mas  gostaria de tentar.
      Apesar da limitao de seu  elmo, ele  inclinou sua cabea. Seus  lbios  eram como  ptalas  suaves, trementes e quentes.
      - Ranulf... - ela ofegou.
      Ariane fechou os olhos. Estava to  agradecida.
      Precisava  lhe demonstrar essa gratido.
      Necessitava que ele a abraasse, para afastar esse vazio  da dor.
      Necessitava.
      Estendendo sua mo, ela  capturou  a  mo dele e a levou a seu peito.
      Ranulf inspirou profundamente com sua ao.
      Ariane tinha tomado a  iniciativa no sexo.
      Ele sempre se  viu forado a usar sua sensualidade para forar a rendio dela.
      Entretanto  agora ela  no  necessitaria  nada de  persuaso.
      Podia sentir seus mamilos  debaixo do tecido de l de sua tnica,  podia  ver o  calor da necessidade em seus olhos  brilhantes, podia  detectar a  urgncia
repentina que  percorria seu corpo enquanto ela levantava  seu  elmo.
      Com mos ansiosas tentou tirar de sua  cabea, mas s obteve golpe-lo na tmpora.
      Sua estupidez comoveu  Ranulf inesperadamente,  e  sorriu.
      - Me permita, querida. - Ranulf disse.
      Tirando ele mesmo o elmo.
      Imediatamente, Ariane levantou sua boca para a dele, ansiosa por  seu  beijo.
       Uma assombrosa  quebra de onda de  ternura  o assaltou, um blsamo  doce depois da  raiva,  da fria amarga e da dvida  agonizante.
      No negaria sua necessidade ou a dele.
      A queria mais do que tinha querido a qualquer outra  mulher.
      Queria senti-la em seus braos  e queria faz-la lhe responder com paixo.
      Ansiava toc-la.
      Entretanto desejava prolongar esse momento.
      Ariane  se oferecia completamente a ele, e Ranulf  queria  saborear sua vitria.
      -Ranulf... - ela  murmurou de modo mais urgente.
      Sua mo roou sua bochecha enquanto ele inclinava sua cabea novamente..
      Seu corpo rendendo-se em seus  braos, cheia de  desejo.
      Ariane deu um gemido  dbil de  frustrao, impaciente com suas tticas lentas de seduo.
      Ela se pressionou contra  ele, abrindo  sua boca procurando, procurando  cegamente.
      Foi  s  quando ela colocou sua mo debaixo de sua tnica que  Ranulf interrompeu o  abrao.
      - Ranulf... por favor... tome... aqui... agora...
      - Sim, querida... j.
      Incitando  a seu cavalo para frente , ele  encontrou  uma rea do  prado rodeado parcialmente por um  grupo de matos, que  os protegeriam  dos olhos curiosos.
      Pareceu um lugar idlico  para o encontro de  dois amantes.
      Sobre eles, o cu azul, as nuvens  viajando lentamente e  a doce  melodia de um pssaro.
      Desmontando, Ranulf colocou seu elmo na terra.
      Logo deu volta para ajudar Ariane.
      Ela veio disposta e  ansiosa  a seus braos, sua boca encontrando a dele enquanto  seus braos rodeavam  seu pescoo.
      Ranulf  sussurrou  contra  seus lbios, - vamos  lentamente, querida...
      - Temos   tempo... Todo o tempo que necessitamos.
      Ariane tomou uma respirao  profunda.
      No  pensava  que podia esperar encontrar  um modo de ir lentamente com esse desejo  feroz dentro dela,  mas   tentaria.
      Controlar sua necessidade e  suas emoes  turbulentas, com esforo supremo, forou-se  a concentrar-se na tarefa difcil de despir  Ranulf, ajudando-o  tirar
a   armadura pesada, e logo   sua roupa.
      Entretanto quando sua tnica de l tinha sido arrojado a um  lado, no  pde negar  o prazer  de pressionar seus lbios  contra  seu peito, deleitando-se
na extenso  poderosa de sua  carne nua.
      Com  dedos trementes ela  afrouxou  sua  roupa interior  e a desceu  para seus  quadris estreitos  e suas  coxas  fortes. Finalmente, ele estava nu diante
dela.
      Bonito e poderoso.  Sua ereo  torcida. Ariane tomou uma respirao profunda  ante sua imagem.
      Ranulf estendeu  suas mos  para ela ento.
      -  meu  turno agora , -  ele murmurou  roucamente  .
      Entretanto, para sua  frustrao  e desnimo, Ranulf  parecia  satisfeito com prolongar o processo.
      Primeiro lhe tirou   a  capa e a colocou   sobre o  pasto como manta.
      Logo,   lentamente, sensualmente , ocupou-se de sua roupa,  para s deix-la vestida   com sua  camisa fina.
      Ranulf voltou sua ateno   a seu cabelo,  desarmando as tranas.
      Seus  dedos lentamente pentearam  a massa de cabelo  cor cobre plido que  caia  alm de seus ombros em uma  desordem encantadora e  libidinosa.
      Como podia um homem  to duro,  to   desumano,  ser  to  gentil?
      Ariane se perguntou  subestimada.
      Por um momento Ranulf simplesmente  se dedicou a cheirar   a fragrncia de seu cabelo, seus dedos  continuavam   acariciando.
      Finalmente,  ele se inclinou  para tomar a ponta inferior de sua camisa  e lhe tirou   o objeto, deixando-a  completamente nua.
      Ranulf comeou  a toc-la   por toda parte,  acariciando sua pele...
      As curvas e as cavidades  de seu rosto... As linhas delicadas de seu corpo...
      Os membros  trementes... levantando em suas mos    seus seios.
      Quase  reverentemente  Ranulf  tomou os seios em  suas palmas.
      Perfeitos, feitos para caber na mo de um homem.
      Seus polegares  esfregando em  crculos sobre seus mamilos.
      Ariane perdeu o ritmo de sua respirao.
      Cegamente suas mos capturaram o cabelo do Ranulf, empurrando sua cabea para ela.
      - Me beije. - Por favor, por favor...
      Ranulf obedeceu... Mas  s por um instante.
      Sua boca roou a dela fugazmente e ele  se tornou  para trs... enquanto   sua palma percorria seu ventre   liso.
      Sua mo alcanou o pbis sedoso, seus dedos  descobriram   calor ali abaixo.
      Ariane gemeu.
      Logo que seu sexo estava meio dolorido, logo que tinha roado  sua carne mida, entretanto  o  efeito  foi  como a sacudida de um relmpago.
      Ariane acomodou seus  quadris  contra  sua mo, procurando a liberao das sensaes  impetuosas que dominavam seu corpo.
      Desta vez Ranulf lhe  permitiu  um beijo  urgente.
      Entretanto ele  se  negou   a ceder  a suas demandas.
      Mantinha  o  controle, definindo a presso  e o  ritmo de seus dedos.
      Seu controle  era tortura  pura.
      Os  dedos do Ariane apertaram os  cabelos de Ranulf at que  finalmente  ele aprofundou  seu beijo.
      - Desejo-te...
      Quando ele  disse   as palavras contra  seus lbios,  lhe respondeu  urgentemente.
      - Sim... sim...
      Com uma  graa  sem pressa , Ranulf a conduziu   cama que tinha feito  com sua capa, ele se deitou ali,  e logo   estendeu sua mo para  ela.
      Agitada pelo prazer  que prometiam seus olhos dourados, Ariane se afundou ao lado dele.
      Fechando  seus olhos, Ranulf deixou cair sua cabea para trs.
      Em toda sua vida nunca tinha feito amor dessa maneira. Fazia possuindo a moas  nos campos, um acoplamento frentico e  rpido, o acoplamento dos animais.
      Mas nunca havia conhecido  uma coisa semelhante...
      Essa doura,  essa suave necessidade quase dolorosa.
      Essa unio de desejo entre  duas pessoas.
      A ternura era to grande  que sentia dor em seu peito.
      O cabelo dela para frente, sobre ele.
      Ariane sentiu  sua rendio, sentiu  a  martelada de seu corao  debaixo de seus  lbios  enquanto os   pressionava contra  uma  das cicatrizes de  batalha.
      O aroma de sua  pele era intoxicante, seu  calor, um vcio.
      Ariane tocou sua virilha, seus dedos se  fecharam ousadamente  ao redor de seu membro rgido.
      Ela apenas se atrevia a  respirar, inclinou-se  mais perto  e  tocou  a  coluna grossa delicadamente com seus lbios.
      Sua lngua  brandamente desenhou crculos  sobre sua  carne .
      A respirao dele se  acelerou.
      Ela se transformou  na  agressora,  a atormentadora, usando seus lbios e lngua.
       Ranulf apertou   seus punhos  e  arqueou  suas costas, seus quadris se moviam  impotentemente  contra  o  tortura de sua boca.
      Precisava  unir-se a ela.
      - Me monte, - ele sussurrou  roucamente aferrando-se a  seu  cabelo.
      Urgentemente, com paixo  logo que controlada,  colocou-a em cima dele,  seus peitos excitados  descansavam sobre o peito.
      Ariane  montou, baixando  sobre  seu  membro inchado.
      Com ele dentro dela, Ariane o cavalgou  impetuosamente.
      Ela se arqueou para trs, montou-o como lhe  tinha ensinado.
      Com seus  dentes  vista, Ranulf perdeu seu legendrio controle.
      Cegamente, suas mos foram de seus peitos  para sujeitar  suas ndegas, para mov-la para cima e para baixo  no ritmo com suas investidas, sua  virilidade
entrando  profundamente em sua  vagem  quente.
      - Ranullllf... - O nome saiu numa srie de ofegos quebrados quando ele se enterrou at o fundo, empalando-a.
      S  em momentos  as convulses  comearam quando  o  xtase  selou a  unio   entre eles.
      Quando a tormenta  finalmente  passou,  ela caiu  fracamente  em seus braos.
      Sua mo  foi para  sua garganta,  tentando acalmar o pulso acelerado, enquanto tentava  procurar   sentido s emoes  estranhas que se amotinava em seu interior.
Sentia  uma tranquilidade , um sentido de paz total, que era completamente alheio a ele.
      Nunca  tinha conhecido a paz. Entretanto,  ali , em um  dia morno da primavera, com essa mulher em seus braos, quase podia esquecer-se de seu passado cruel,
quase podia acreditar que seu futuro seria menos duro.
      Delicadamente, reverentemente, Ranulf tirou os cabelos midos aderidos    curva de sua mandbula, seus lbios  se pressionaram  contra  sua tmpora.
      Ouviu seu suspiro suave em resposta, Ranulf acariciou suas costas, sua pele sedosa, lentamente para cima e  para baixo.
      O que tinha essa   mulher?
      Despertava  essa   estranha nsia dentro dele; despertava uma esperana para  um  futuro... Ranulf exalou  brandamente, em um suspiro  profundo.
      Talvez  sonhasse com coisas impossveis, mas por agora   queria acreditar que a paz desse momento podia durar.













      Captulo  20



      A paz perdurou  enquanto o  dia se acabava. Seu corpo acurrucado contra o dele, os corpos de Ariane e de Ranulf entrelaados, ambos odiavam perturbar esse
momento encantador.
      - Poderamos permanecer aqui para sempre, - ela murmurou  com um suspiro, tirando Ranulf de seus prprios pensamentos.
      Ela no queria que nada danificasse  essa frouxido que a  tinha invadido,  que nada a tirasse dessa cpsula de calor envolvente.
      Acurrucada em seus braos, ela quase podia   fingir   que  no  eram inimigos.
       Que  Ranulf no  era seu lorde vingativo  e que  ela   no era sua refm  sem poder.
      Que estranho  era pensar que  ela alguma vez tinha temido essas mos de guerreiro forte,  essas mos que eram capazes de lhe dar tanto prazer.
      Ela no podia  compreender a ternura do Ranulf nesse momento, embora, tampouco  podia descobrir exatamente qual era o humor do Ranulf nesse momento.
      Mantinha-a abraada  como se a amasse, como se seu nico pensamento  fosse lhe oferecer consolo.
      Ariane aceitou seu consolo  agradecida.
      Nunca tinha  sonhado  que podia ser to maravilhoso  apoiar-se  na fora de outra  pessoa.
      Sua gratido para o Ranulf por sua  clemncia  era  muito profunda, Ariane suspirou outra vez, sabendo ele estava pensando na enfermidade de sua me.
      - Tentamos  com ervas  e inumerveis poes ao longo destes anos. Minha  me   muito  hbil na  arte de sarar, e me  ensinou algo  do que sabe,  mas  esta
enfermidade   est muito mais alm de  nossas habilidades.
      Mas temo que   impossvel cur-la.
      Cansadamente ela  fechou os olhos.
      No  havia nenhuma remdio conhecido para a lepra.
s vezes  a enfermidade  melhorava  por prpria evoluo ou pela  graa de Deus.
      Mas  frequentemente, a carne da vtima terminava apodrecendo e caindo, e eventualmente terminava com sua morte.
      - Ns tnhamos esperado... Rezado... Para que aqui no  bosque, protegida das presses da vida diria , ela pudesse se recuperar, mas   no houve  nenhuma melhoria.
      O nico sinal  prometedor  que sua condio  no  piorou. Mas meu pai...
      - O que tem seu pai?
      - Perdeu a f faz muito tempo. Tornando-se... Muito   amargo depois de ter perdido  a seu filho e a sua  esposa.
      - E  medida que foram  passando os anos, pareceu que no lhe importava mais...
      Ariane vacilou, mordendo o  lbio.
      - Como   desejaria  ter nascido varo  em vez de ser uma filha decepcionante.
      - Decepcionante?
      Ela assentiu  silenciosamente, roou sua  bochecha  contra o  brao do Ranulf.
      Ela nunca tinha significado muito  para seu pai,  nem sequer  uma dcima parte do que  seu nico  filho  tinha  significado.
      Duvidava que Walter estivesse consciente de que a fazia sentir inferior por ter  nascido mulher, entretanto  isso tinha afetado   cada esforo de  sua vida
por muito tempo.
      Tinha tentado   desesperadamente ser uma  boa filha  em todas as coisas, incluindo seu compromisso  com o Ranulf.
      - Falhei a meu pai, -  ela disse em  voz baixa.
      - Como eu  no  era um filho varo, no  podia pensar em assumir o controle de suas propriedades, no  sem um marido a meu lado. - Ariane deu uma risada  seca.
      - No pude conservar seu castelo em sua ausncia.
      - Nem sequer pude preservar o  compromisso  de matrimnio  que  ele  tinha arrumado.
      Ranulf sentiu  um breve ponto  de culpa em seus lamentos,  mas no desejava   falar  de sua posse  do Claredon de seu repudio  ao  compromisso.
      - Parece-me  que  o fez muito bem em sua ausncia, os confinamentos  de seu gnero.
      - Sim, suponho que sim.
      - Me esforcei por  fazer o  melhor.
      - Mas  este  um  mundo de  homens, governado por homens.
      - E desejaria ter sido homem.
      Ouviu a dor e  o pesar em sua voz.
      E tinha podido  ouvir  o que  ela no  havia dito: que ela tinha tentado ser a filha perfeita para que seu pai notasse sua presena.
      Se incorporou apoiando sobre um cotovelo.
      - Me alegra que no tenha sido varo.
      O sol estava descendendo e Ariane teve um calafrio.
      Amavelmente Ranulf ps uma ponta da manta sobre seu corpo.
      - Alguma vez desejei no ser quem sou - Ranulf disse com voz montona.
      - Ser qualquer menos o  filho de uma adltera, infiel...
      Sua voz era baixa, desprovida de emoo e ainda assim  Ariane podia sentir a dor das coisas que no tivera sorte.
      Detectou  nele  uma solido ainda maior que a sua  prpria, um desespero imenso residindo  dentro em  sua alma.
      Ela ficou calada,  perguntando-se  se ele  diria mais.
      O  silncio se estirou.
      Quando Ranulf  no  falou, ela  disse suave.
      - Me conte.
      Saindo de seu abrao, Ranulf se apartou, rodando sobre  suas costas.
      - Eu no era filho de nenhum  homem - ele  disse finalmente.
      A angstia   em sua voz  a fez desejar  enterrar seus dedos em seu cabelo  e apertar  sua cabea contra seu peito protetor.
      Entretanto ela estava segura que ele   no aceitaria o  consolo  dela.
      Tentativamente   ela estirou    seus dedos para acariciar seu rosto, seguindo seus ngulos  duros.
      O Sentiu  tenso por um instante, mas Ranulf  no rechaou seu contato.
      - Nasceu  no Vernay? - ela perguntou delicadamente.
      - Sim. Nunca conheci minha  me. Esteve  morta para mim.
      - Fui separado  dela  e fui dado para ser  cuidado  por  uma criada depois de  meu nascimento.
      - Foi ento que seu pai a confinou?
      Os  ngulos de sua boca se torceram.
      - Quem te disse isso?
      - Sir Payn.  Ele disse...  Que seu pai  abusou  terrivelmente de voc  quando  foi   um  menino, em  retribuio pelos  pecados de sua me.
      - Eu... Eu  vi as cicatrizes...
      - Ah, sim,  as cicatrizes. O sinal  de minha purificao.
      Seu peito  se moveu  com  risada  quieta e amarga.
      Podia recordar-se imobilizado pelo  terror enquanto  estava   ajoelhado  tremendo diante de seu pai,  enquanto   lutava  por reprimir   os  gritos de dor.
      - Minhas lembranas  mais antigas  so  dos  golpes de meu pai.
      Eram para  castigar  a minha  me  por seu  adultrio, para exorcizar o  diabo dentro mim,  seu prprio   filho.
      Os aoites, Ariane pensou com angstia  silenciosa, que tinham deixado cicatrizes cruis  na  alma do Ranulf   assim como  em  seu corpo.
      - Pensei   que era correto que  ele  queria tirar o diabo de mim.
      - No! - Ariane gritou.
      - No  foi   mais  que uma criatura , um inocente indefeso  merc  de um monstro  cruel!
      - Sim, eu estava indefeso. Meu pai   era um ser  amargo   e cheio de dio, enlouquecido de Raiva.
      Ele olhou  fixamente a luz desvanecendo-se  em cima de  sua cabea.
      - Fui enviado a  me formar como cavalheiro  com um  outro Lorde quando tinha seis anos.
      - Por Deus!,  que contente devia estar por poder  escapar de meu pai! O odiava.
      - No posso  contar a quantidade de vezes que   desejei  v-lo  morto.
      - Mas... Voc no  o matou quando teve a  possibilidade.
      A  mandbula do Ranulf ficou rgida  enquanto  recordava  os anos em que  tinha vivido e vivido respirado  s para cumprir sua  vingana.
      - No,  embora  o desejasse.
      - Se recusou a   me dar  o que me correspondia, me jogando de seu castelo.
      - Ento  jurei o uso de  minha  espada ao Henry e ganhei o direito de recuperar  o que tinha sido tirado de  mim. Lutei por meus direitos, e derrotei a meu
prprio pai em  combate.
      Ranulf  riu  suavemente, sem humor.
      - Fingi no  sentir nenhuma culpa por  minha  vingana,  mas  no  pude escapar  culpa . No  podia mat-lo . Detive minha  mo.
      - Depois de tudo o que me tinha feito, no  pude  lhe dar o  golpe final.
      A  garganta de Ariane  se apertou  com uma  dor  feroz.
      - Meu pai sempre disse...  que s um homem valente  mostrava  piedade  por  seus inimigos.
      - Valente?  valente  desejar  ver  morto   a seu  pai?
      - Tinha uma boa  causa!- Ariane observou Ranulf com  tristeza  e  desespero  impotente, s podia   imaginar o que ele tinha passado, a culpa que  tinha sido
obrigado a sentir pelos  pecados de sua me, a solido  desesperadora  de sua vida como um  bastardo odiado.
      Mas ele  no tinha necessidade  de lhe contar; a impotncia e a dor que havia dentro dele,  ela podia senti-los.
      Ela se sentiu invadida por uma grande ternura  e enterrou seu rosto  em seu pescoo, seus braos apertando-se firmemente porque pensava  que poderia  chorar.
      Era um homem cheio de dor e ela  s   queria ajud-lo a sarar.
      - No  deveria te culpar  pelos  pecados de sua me ,- ela sussurrou  roucamente,
      - Ou pela  loucura de seu pai. - Separando do abrao dela, Ranulf se sentou  abruptamente, dando  as costas  a ela.
      Seu peito  estava oprimido  pelo excesso  de emoo.
      Por que lhe tinha  confessado sua angstia  mais privada?
      Porque talves ela  compreendesse, uma voz zombadora que   lhe  sussurrou  em sua mente.
      Queria que ela  conhecesse os demnios que deram forma ao homem que   agora, duro, desumano, desprovido  de  ternura.
      Sentiu  seus braos magros  rode-lo  brandamente, sentiu  o contato da bochecha  contra suas cicatrizes  nas costas.
      Odiava que doesse ali.
      Queria sair de seu  abrao, mas no  conseguia  recusar-se a  seu calor,  a sua ternura, ou ao consolo  que lhe  oferecia.
      Seu corpo rgido conteve a respirao.
      - No deve te culpar! - Ariane repetiu  ferozmente, sua voz afogada em um soluo.
      Ranulf sentiu  o roar  suave  de seus lbios  contra  suas costas nuas, sentiu  a umidade de seus olhos.
      Lgrimas. Seu peito  se apertou   intoleravelmente. Ela chorava... chorava por ele.
      Girou-a em seus braos.
      - Ariane... - ele  sussurrou, revelando por um momento o anseio mais secreto de sua alma.
      - Te necessito.
      Em  resposta, os lbios  dela se elevaram   para encontrar-se  com os dele, lhe oferecendo consolo, ternura e paixo. Ranulf gemeu, um som de paixo e de
rendio, um reconhecimento de sua prpria solido.
      Sentiu  uma necessidade desesperada de aceitar seu consolo, de afundar-se  nessa mulher e esquecer-se de tudo exceto  dela.
      Urgentemente a colocou  sobre a manta , cobrindo  com seu corpo nu o dela.
      Com um gemido  suave, Ariane  se abriu  a ele, enlaando  suas pernas  ao redor de suas coxas,  atraindo-o a seu corpo.
      Ranulf sujeitou  suas ndegas  ferozmente, em sua violenta necessidade, entretanto lhe   deu a bem vinda  a sua selvageria.
      Ela o conteve projetivamente e aceitou seus arremessos ferozes e primitivos, deixando-o   usar seu corpo como um recipiente para sua liberao, enquanto ele
se convulsionava  dentro dela.
      Ranulf enterrou sua boca em seu cabelo, reticente  a enfrentar o que tinha feito.
      Sentia-se  muito vulnervel, muito em carne  crua para falar.
      Inexplicavelmente tinha posto  sua alma ao descoberto diante dessa mulher que devia ser sua inimiga.
      Perturbava-o a debilidade  que tinha demonstrado.
      S tinha pretendido   consolar a  ela  e  no  amaldioar por seu  prprio destino, no que ela indagasse em  seu passado  e na  escurido que tinham ganho
sua alma.
      No tinha  planejado  lhe dar tantas vantagens sobre ele.
      Entretanto, ela   acariciava  seu cabelo agora,  acariciando  sua nuca delicadamente, como se  ele fosse  um  beb.
      Como se ela soubesse da devastao que existia dentro dele,  como se compreendesse o que dirigia em sua conduta.
      Mas sua prpria  debilidade o  desanimava,  assim como esse descontrole.
      Ariane no havia sentido nenhum  prazer nesse   acoplamento feroz, ele sabia.
      Tinha-a usado, como se ela  no  fosse mais  que sua  posse.
      -   melhor que voltemos, - ele murmurou  sucintamente, sua  voz entretanto estava  rouca  pelo  climax.
      Ante sua mudana abrupta  de humor, a  mo de Ariane se paralisou sobre  seu cabelo.
      Ranulf levantou a  cabea, olhando  a seu  redor,  olhando  a  qualquer  lugar menos a seus olhos.
      - Acompanhar-te-ei  at aqui  amanh  com  pretexto  de  um encontro de amantes . Assim  poder  visitar sua me.
      - Ningum   questionar essa deciso.
      Ariane suspirou internamente.
      Ranulf era uma vez mais o desconhecido frio e distante, um  guerreiro endurecido  que no se permitia um momento de ternura.
      Ele lamentava sua confisso, lamentava haver-se  aberto  a ela, Ariane sabia.
      Entretanto  ela sentiu uma nova esperana, embora fraca.
      Ele tinha comeado  a abrir-se a  ela.
      Era  excessivamente precavido em  dar seu amor ou  sua confiana a qualquer  mulher, especialmente  a ela,   mas   tinha dado  um primeiro passo...
      Ariane friccionou  sua  pele  enquanto Ranulf ficava de p.
      Estava equivocada, ela  refletiu.
      Ranulf possua  um corao , enterrado em algum lugar debaixo de uma carga terrvel de raiva e de dio.
      O  Drago Negro  do Vernay podia ser um guerreiro poderoso,  mas  no fundo  s  era um homem  e era vulnervel tambm...
      Um homem que a necessitava, embora ele no  sabia  ainda.



















      Captulo 21


      O  interldio no  prado  tinha afetado Ranulf mais do que  ele  queria admitir pois foi  ento  que as dvidas comearam a  espreit-lo: Comeava  a questionar-se
seriamente sua opinio  de que  Ariane era ou no melhor  que as mulheres  nobres infiis  que ele tinha  conhecido.
       Lutava por  manter sua  guarda em alto.
      Seu alvio porque Ariane no   o tinha  trado  era profundo, mas no  podia baixar suas defesas.
      Entretanto, se tinha tratado injustamente a Ariane uma vez, existia a  possibilidade de que pudesse confundir outra vez  suas aes  inocentes por uma  traio.
      Seu  julgamento  em relao s damas de sua classe estava  claramente em contra.
      Ento   Ranulf a observou   de perto,  notando pequenas  coisas que se tinha recusado  a reconhecer antes.
      Ariane era exigente  mas era querida  por sua gente, ele admitiu  reticentemente enquanto a   observava  atuar.
      Ela  ganhou sua   lealdade  com o tratamento  bem-sucedido de suas feridas  e enfermidades.
      E tambm ganhou o  respeito  e admirao  de alguns  de seus prprios vassalos,   mas especificamente os de Payn FitzOsbern, Ranulf observou  com inquietao.
      Ela tinha   coragem, sem dvida.
      Tinha tolerado as indignidades com um  graa real, sem pedir clemncia.
      Uma vez, quando Ranulf a apanhou  olhando  pela  janela  do solar viu seu olhar  cheio de saudade, como se ela desejasse voltar  para pocas mais felizes,
logo ela encolheu de ombros como recusando-se a desfrutar da  tristeza.
      Na verdade, Ranulf no  podia encontrar  muitos enguio em  sua conduta.
      Sua natureza  prtica e perceptiva era   muito  feminina e agradvel, embora  o desafio  de sua lngua  afiada  o enfurecia s vezes.
      Sua resposta fsica para ele era muito  agradvel, tambm.
      Incrivelmente  agradvel.
      Nunca tinha tido  uma mulher que satisfizesse  to completamente suas necessidades  carnais.
      Em sua cama, a dama se convertia em uma  moa luxuriosa, saciando ainda  suas  mais exigentes  paixes, ao ponto que Ranulf  no  desejava   ter outra amante.
      Entretanto ele no  podia explicar sua fome por ela nos simples  termos  de luxria.
      Sentia  uma  posessividade  feroz para Ariane,  era verdade, mas  ele no  podia negar que havia  algo mais.
      Sua presena enchia  seus sentidos,  ela era  seu primeiro pensamento ao despertar.
      "Estou completamente enfeitiado" Ranulf concluiu  com desnimo.
      Nos momentos  mais inoportunos, encontrava-se   pensando  nela, recordando a doura  de seu  sabor, a  suavidade  sedosa de seu corpo: durante as aborrecidas
discusses sobre os impostos dos vassalos, quando atuava como rbitro nas disputas dos aldeos, ainda em  meio das prticas quando enfrentava um perigoso oponente
armado.
       No  podia explicar o  sentimento  terno  que  o invadia  nos  momentos  mas inesperados.
      No tinha  nenhuma defesa contra  ela...
      Uma emoo  nova e estranha que se recusava a analisar.
      Um sentimento que o ameaava e que  sabia  que precisava  combater  com todo seu poder.
      No  podia permitir que Ariane cruzasse as barreiras que o protegiam.
      No podia  permitir eliminar completamente suas suspeitas.
      Por tudo o que ele sabia, ela  estava determinada  a apanh-lo, usando suas armas de  mulher contra   um  frio clculo.
      Em relao    me  de Ariane, Ranulf manteve  sua palavra, escoltando a sua filha  at a  cabana ao dia seguinte  com abundantes provises  para a mulher
doente.
      Lamentava no poder  fazer algo   mais para ajudar a Lady Constance.
      Em um impulso de compaixo, Ranulf despachou um  de seus mas confiveis cavalheiros ao Vernay na Normandia , com a intimao urgente de que  trouxesse sua
concubina rabe, Layla, que possua conhecimento nas artes orientais  de cura.
      No disse nada de seu plano  a Ariane,  por medo de que  ela se esperanasse desnecesariamente.
      Tambm  tinha tirado  a  criada   Dena  do Claredon, enviando-a a  outra de suas  casas.
      No gostava do dio e mentira que  Dena tinha  mostrado, e no  toleraria  que uma faxineira  tivesse  to pouca lealdade por sua  antiga ama.
      O meio irmo  de Ariane, Gilbert,  tinha sido liberado, aps severa advertncia de controlar seu desafio  temerrio.
      Quando Gilbert tinha implorado perdo a Ariane  por   divulgar  seu segredo, Ariane o tinha perdoado .
      Foram dois dias depois  do  descobrimento  de Lady Constance  que ele  recebeu uma  missiva com o selo do rei  Henry.
      - Uma intimao? - Payn perguntou, enquanto  Ranulf desenrolava  o   pergaminho  e lia os contedos.
      - No, uma misso, -  ele respondeu  quase  sombriamente, entregando o pergaminho  a seu vassalo para que o  lesse.
      - Lady  Eleanor requer uma escolta para chegar  ao acampamento  do rei no Bridgenorth.
      -E solicita a seu cavalheiro favorito como escolta, - Payn resumiu  divertido.
      Ranulf fez uma careta.
      - Exageras o  caso.
      - Longe de me favorecer, a rainha  sem dvida  me despreza.
      - Nunca me  perdoou  por  rechaar a  uma de suas damas na corte dois invernos atrs, e ela  sabe  que  eu  preferiria estar em uma  batalha no fim do mundo
antes que assistir a uma de suas gapes.
      - Mas a gente no  questiona a ordem  do rei.
      - Diga aos homens  que  cavalgaremos para Londres em trs dias.
      - Essa noite Ranulf ficou  acordado por muito tempo    lamentando a tarefa desagradvel que tinha  ante   ele,  recordando  quanto   odiava   maioria  das
mulheres da nobreza .
      A rainha Eleanor era uma especialista  em manipular homens, levando-os   a cumprir  seus desejos  e forando-os  a  cumprir seus pedidos,  mas lhe devia
lealdade.
      Ela tinha obtido  uma anulao  de seu matrimnio com  o Louis da Frana depois de lhe haver dado  dois filhos, e logo se casou   com o jovem  Henry  da Normandia
em sua busca de  poder.
      Eleanor tinha a metade dou mundo civilizado  a seus ps, atraindo a  poetas e comediantes estpidos como moscas ao mel com sua  beleza  e sagacidade, que eram
extraordinrios.
      Sua corte era um ninho  de intrigas e compls, e a rainha encantada  no s os incentivava mas tambm os liderava.
      Podia pensar  em  misses que preferiria ante que essa, Ranulf refletiu.
      E para sua surpresa, calculava e lamentava o  tempo  que passaria longe do Claredon.
      Seria sua primeira  ausncia  prolongada  desde sua chegada  por volta de quase  cinco semanas atrs, sua primeira vez longe de Ariane.
      No queria deix-la.  O  pensamento  o  assombrou.
      Ela murmurou  um protesto suave quando ele despertou de um sonho profundo, mas ele  o ignorou, apertando-a contra  ele, aninhando seu membro  contra as ndegas
dela.
      Sua respirao se acelerou  quando seu brao se envolveu ao redor de seus quadris,  e seus dedos procuraram  o centro de prazer  entre as pernas  dela.
      E  quando ele explorou  dentro dela, persuadindo  a seu corpo para receb-lo, logo ela  estava  ofegando  de prazer.
      Ranulf se levantou  cedo a  seguinte manh, antes que Ariane despertasse, e se apressou  a  ir ao campo de trainhamento, onde treinou  at o  ponto do cansao
fsico em um esforo deliberado de apagar a maldita  obsesso  por essa moa.
      Depois de cavalgar  em uma patrulha na propriedade   por incontveis horas, Ranulf voltou  tarde essa noite para encontrar   a Ariane esperando-o no solar
enquanto trabalhou  em  uma costura, com vinho e comida para aliviar  sua fome e um fogo ardendo  na chamin.
      Ante sua entrada, ela  deixou  de lado a costura imediatamente e lhe deu um sorriso  terno  de boas vindas.
      Ranulf ficou rgido  ante a imagem  dela.
      Seu cabelo plido brilhava como cobre derretido    luz do fogo,  sua pele cor  marfim  irradiava uma beleza sobrenatural.
      Se lembrou de um mural  que tinha visto uma vez: a Virgem Maria antes do nascimento  de seu  filho.
      Uma imagem perigosa tomou forma em sua mente, um retrato de Ariane arredondada  com seu filho.
      O encheu de tanto desejo...
      Teve que  dar volta  afastado para evitar  revelar sua  debilidade.
      Com  tudo o que ele   jurou para  proteger seu corao, sentiu as formidveis  defesas de gelo e de ao sendo  ameaadas.
      Ariane no  podia  carregar seu filho...?
      Ela cuidaria meigamente de um  beb dele, alimentando-o com o  afeto  que  tanto tinha ansiado em sua vida mais que alguma vez tinha conhecido?
      Tinha ouvido  muitos  contos sobre o  amor entre  uma me  nobre  e seus filhos,  mas ele os tinha menosprezado  como  uma mera fantasia  romntica, acreditando
que  s as   camponesas eram capazes demonstrar tal afeto a seus filhos.
      Entretanto  a me  do Ariane tinha  demonstrado  um  exemplo de amor generoso  que existia entre mulheres nobres.
      Lady Constance  tinha  arriscado sua  prpria vida s  para cuidar de  seu filho.
      E ela tambm tinha aceito   ao  bastardo de seu Lorde , Gilbert, para lhe dar uma vida melhor.
      Ariane estaria disposta  a fazer o  mesmo com os  bastardos dele?
      Ranulf perguntou-se.
      Criaria a seus filhos  no Claredon se ele o  pedisse?
      No era que ele o  pediria.
      No  separaria seus filhos de suas mes e no os traria para um pas estrangeiro, expondo-os  solido  e ao desprezo,  simplesmente para gratificar  sua prpria
necessidade de sua  companhia.
      Seus filhos tinham  seus futuros assegurados. Eles estariam melhor  onde eles estavam vivendo.
      - Como foi seu  dia, milorde? - Ariane perguntou, interrompendo seus pensamentos enquanto  se levantava para ajud-lo a tir-la armadura.
      Estranha a seus filhos, recordou-lhe da necessidade de resistir o  calor em seus  olhos  cinzas,  Ranulf respondeu  sucintamente, seu  tom foi  quase  spero.
      - Bastante  bem.
      Quando viu o olhar  ansioso do Ariane, ele  renovou seu voto de fechar seu  corao  e sua  mente  ao  afeto dela.
      Ariane se mostrou considerada  com respeito a seu mau humor.
      Desde que tinha sido liberada  do  medo  pelo destino  de sua me, ela havia se sentido muito agradecida para  ofender-se com suas ocasionais maneiras bruscoa
ou  o  usual isolamento afetivo  do Ranulf.
      E com a falta de  medo vinha a esperana.
      A esperana que  Ranulf cessasse de   consider-la como uma adversria amarga  e que ela passasse a ser considerada como algum significativo   e importante
para sua felicidade.
      Aquele  dia no  prado, ela  tinha vislumbrado o que existia alm da  barreira  inexpugnvel que Ranulf  tinha ereto entre ele e  todos outros.
      Ela havia  ido meio de um ncleo vulnervel nele,  o centro  terno  que sempre  mantinha   guardado e isolado.
      Lhe tinha  mostrado o aspecto  mais vulnervel de  sua natureza, descobrindo seu corao   sem as defesas de ao  por um fugaz momento, e ela no  descansaria
at que  derrubasse todas essas defesas.
      Ela  queria  liber-lo dessas defesas inexpugnveis  e queria aliviar  essa dor  constante em seu  corao.
      Foi a  seguinte manh, quando Ariane se deu conta  de quo  longe  estava de poder ganhar a  confiana do Ranulf.
      O  dia comeou  mal, porque  teve que  ouvir da boca do Payn que Ranulf que iam partir  em uma misso para o rei, e  que nada menos que  um personagem como
a  rainha  da Inglaterra, Eleanor, poderia fazer uma visita ao Claredon.
      Desgostada pela  falta de considerao  do Ranulf, Ariane  se apressou inspecionar  a fortaleza, tanto a torre como  as terras circundantes do castelo, fazendo
listas mentais das incontveis  tarefas  que eram necessrias.
      Tinha milhares de detalhes de que ocupar-se, embora   Ranulf lhe  tinha  proibido  meter-se no manejo do castelo.
      Sob nenhuma  circunstncia, ela permitiria que a rainha da Inglaterra visse o Claredon nesse estado.
      Quando Ranulf chegou para a comida  do  meio-dia, a  fortaleza era  um centro de atividade enquanto a gente do castelo  preparava sua partida e a possvel
chegada da Lady  Eleanor.
      Ranulf franziu o cenho  ante  toda essa atividade e subiu os degraus para o  solar, lamentando-se por quo incmodo era ter que  preparar-se  para a visita
da realeza,  assim como  preocupado pelo gasto de dinheiro que isso implicava.
      As visitas reais  tinham  empobrecido a muitos Lordes anfitries....
      Quando entrou na  hall do  solar, deteve-se  abruptamente, sentindo como se tivesse recebido um golpe.
      Ariane e  Payn estavam  com suas cabeas juntas  na porta do solar, ambos riam .
      A  imagem de Ariane  divertindo-se com  seu vassalo, causou uma quebra de onda  de cimes.
      Seus olhos cinzas  brilhavam divertidos e havia mais:   havia admirao  para o cavalheiro .
      - O que  to gracioso? - Ranulf exigiu, fazendo sobressaltar a  ambos  com sua dureza.
      Ficando srios, Payn e Ariane se olharam   momentaneamente.
      - Nada, Ranulf, - Payn disse naturalmente.
      - Lady Ariane  estava me dizendo que  o rei Stephen faz tempo que  fez uma visita ao Claredon.
      - No pode  no  encontrar uma atividade mais  til que estar perdendo o tempo  aqui  escutando contos?
      Ficando rgido, Payn pareceu  a ponto de refutar sua  observao,  mas somente fez uma  breve reverncia.
      - Como deseja,  milorde.
      Quando ele se  foi, Ranulf voltou sua ateno   a Ariane, um msculo em sua mandbula  se esticou.
      - No  procure ganhar Payn com seus truques.
      - No ter xito.
      Os olhos  dela aumentaram ante  seu  tom sombrio e  sua implicao.
      Ranulf aparentemente tinha  confundido sua amizade  crescente com o Payn FitzOsbern  com  um flerte  e  tinha reagido  com  cimes irracionais.
      - Somente tnhamos   uma conversao  incua, milorde, s  isso.
      O olhar fixo  do Ranulf nunca vacilou. Seu corao   martelava  contra  suas costelas, seu peito  invadido por emoes  devastadoras.
      - Pertence-me, Ariane, - ele disse  bruscamente.
      - Faria bem  em  aceit-lo.
      - Eu o  aceito, Ranulf, - ela  respondeu  com convico, necessitando acalmar suas dvidas e  suas suspeitas.
      - Eu  no quero  a  nenhum outro homem... amante ou marido.
      Ranulf a olhou  cautelosamente por um momento longo, antes de   apartar-se.
      Pelo resto  do  dia e  da tarde, a raiva irracional pareceu hav-lo abandonado,  mas a  frieza  permaneceu   em suas feies.
      Logo no final da noite passaram  momentos estranhos e ao amanhecer do dia seguinte, com o silncio reinando entre Ariane e Ranulf.
      Ele lhe  fez  amor uma vez  mais antes de chamar a seu escudeiro  para que o  ajudasse a  vestir-se, e logo s  falou para lhe dar  ordens.
      Respondeu  com  um sentimento breve  aos  desejos dela de que tivesse  uma  viagem segura, desconfiando  de que ela realmente desejasse isso.
      Entretanto, finalmente, ele cedeu,  incapaz de partir  sem  sentir  seu sabor doce  uma vez que mais, sem  ter um beijo final para sustent-lo  durante  a
viagem.
      Ariane viu o  desejo nos olhos  ambarinos do Ranulf enquanto  ele a tomava entre seus braos, sentiu  a necessidade ardente  em seu  corpo poderoso, em seus
lbios  febris.
      Mas  sua mscara de frieza tinha descido outra vez quando ele a soltou.
      E Ranulf no teve  nenhuma palavra amvel de despedida   para ela.
      Assim foi   com o   corao  oprimido Ariane o viu partir.
      Observou-o da  janela do  solar enquanto  Ranulf, com sua armadura completa, cavalgava seu poderoso cavalo  e cruzava a  ponte levadia   cabea de seu grupo,
e detrs dele flutuava um estandarte  de seda  cor escarlate com o  temido drago Negro.
      Quando estiveram fora de  vista, Ariane deixou  escapar um suspiro.
      J sentia saudades ao Ranulf.
      Logicamente, preocupava-se com ele.
      Havia incontveis  perigos em seu caminho  mas  era absurdo preocupar-se.
      Ranulf era um guerreiro perito que tinha sobrevivido a  quase duas dcadas de guerras  sem sua  ajuda.
      Ariane suspirou novamente.
      Sabia   que contaria os dias at que  Ranulf voltasse seguro.
      Apesar da   indiferena  fria que ele  continuava demonstrando, ela   ainda tinha esperanas  de que algum dia  o domesticaria.







      Captulo 22




      O som distante do corno  do  guarda fez  que Ariane ficasse tensa enquanto  estava  sentada bordando  com suas damas.
      Ranulf! Havia retornado?
      Tentando em vo dominar  sua excitao, seguiu  s mulheres para a janela para ver  o que tinha causado  essa comoo.
      Um solitrio cavalheiro se aproximava dos portes  do castelo, carregando um estandarte  com as cores do rei Henry.
      - Rainha! - Gleda gritou, mostrando a emoo  que todas sentiam.
      - No h  necessidade de gritar como uma galinha, - Maud  a desafiou.
      -Talvez seja s um mensageiro.
      - Entretanto o cavalheiro  parecia  ser um arauto  que anunciava a chegada do squito da rainha, porque levava   sua prpria trombeta, que fazia soar frequentemente.
      O guarda na torre de entrada o olhou  como um amigo mais  que como um  inimigo, porque fez soar o corno para que a  ponte levadia fosse baixada lentamente
sobre o fosso.
      Chamando uma de suas  criadas,  Ariane se apressou a ir  a sua prpria habitao  e  trocar rapidamente sua  velha tnica de l  por uma  mais fina de cor
vermelha.
      Ela tinha  movido seus pertences  e as do Ranulf a esse quarto, de modo que o  solar pudesse ser liberado para a rainha Eleanor e suas  damas.
      Ela sentiu  seu  estomago atado  enquanto alisava as rugas  de seu vestido uma ltima vez e fez  sua entrada  torre.
      Como   refm  do Ranulf, ultrapassou excessivamente  em sua autoridade para fazer preparaes para a visita da rainha, embora  no   tinha feito outra coisa
mais que o que qualquer lady tivesse feito.
      E Payn lhe tinha  dado carta livre para atuar,  confiando em seu julgamento a respeito de temas  femininos, acreditando  que ela no  faria  nada que  envergonhasse
ao Claredon.
      A  tenso  de Ariane cresceu  enquanto  deixava  a torre para  esperar com Payn no alto  dos  degraus  da  entrada exterior.
      O visitante certamente era um  arauto  da  rainha, e  agora alm dos  muros do castelo, Ariane podia ver um grupo de cavalheiros de avanada aproximando-se
dos portes, suas armaduras brilhando com o  sol da tarde.
      A bandeira escarlate que flutuava  cabea da tropa  parecia  ter o drago do Ranulf.
      -  Ranulf, milady, - Payn murmurou  a seu  lado.
      Um s  cavalheiro  se separou do  grupo e se aproximou.
      Ariane sentiu  uma quebra de onda de antecipao dentro dela.
      Ranulf se havia ido  por volta de  uma semana, e ela tinha  sentido saudades intensamente.
      Ela ansiava  seu contato  e a sensao  de seu feroz abrao.
      Ela se perguntava se ele  a trataria outra vez com a ternura  que lhe tinha  mostrado naquela tarde mgica no  prado.
      No estava surpreendida de encontrar-se  tremendo,  enquanto Payn descia voando  os degraus indo esperar ao  Lorde  que  retornava.
      Uns momentos depois, Ranulf entrou  em ptio  interno, os  cascos de seu  cavalo   golpeando a um ritmo compassado com as pulsaes do Ariane.
      Ranulf saudou seu vassalo com  informalidade que Payn devolveu com o mesmo tenor  enquanto Ariane continha  a respirao.
      O elmo cnico do Ranulf  escondia grande parte  de seu rosto,  mas  podia sentir seu olhar dourado.
      Seus  olhos pareceram escuros e intensos enquanto  ele procurava  seu rosto.
      Ento, tirou o elmo e jogando-o  para trs  para revelar seu cabelo  escuro empapado pelo suor  e uma barba de vrios dias.
      A alegria a alagou ante a imagem  de suas  feies  duras.
      Alegria e uma quebra de onda  feroz de excitao.
      Nem o  suor  nem a  sujeira no  podiam diminuir o  aura de um animal masculino e  poderoso, e de intensa energia  sexual.
      Emulando a  graa  de sua me, Ariane  fez uma reverncia.
      - Milorde ,  bem-vindo.
      A surpresa brilhou nos olhos  do Ranulf ante a  calidez de sua saudao, entretanto  ele  se forou  para responder naturalmente, no  desejando criar uma
cena para a multido   que se reuniu    no ptio.
      Era tudo o que podia fazer para  refrear-se de  saltar  de seu cavalo e tomar a Ariane em seus braos.
      Somente assentiu com a cabea, reconhecendo  suas boas vindas, logo   voltou  sua ateno  a  seu vassalo, tentando   ignorar   dama  que tinha  espreitado
sua mente incessantemente  durante a interminvel semana passada.
      - Como foi a  viagem? - Payn perguntou  enquanto  um pajem  se fazia encarregado  do cavalo do Lorde.
      - Tive melhores, - Ranulf respondeu.
      - Lady Eleanor possui a  teima de uma mula.
      Ariane ficou surpreendida para  ouvi-lo desprezar  a sua rainha.
      Para sua surpresa  adicional,  ele no  disse nada sobre  hav-la encontrado  fazendo o  papel da Lady do castelo , nem lhe tinha  exigido  que se retirasse.
      Em troca Ranulf pareceu  ignor-la completamente  enquanto  interrogava ao Payn sobre os eventos no Claredon durante sua ausncia.
      Momentos  mais tarde, uma tropa de cavalheiros atravessou  os  portes  internas,  liderados  por uma dama  de cabelo claro que montava um cavalo branco como
a neve e  cuja cadeira de montar  tinha adornos  de prata.
      Ariane tinha ouvido  muitos  contos sobre a  duquesa teimosa que agora era a rainha da Inglaterra.
      Diziam que Eleanor  possua beleza  extraordinria, assim como sua inteligncia.
      Diziam  tambm   que era uma excelente amazona.
      Ariane acreditou instantaneamente todos esses rumores enquanto  observava   ao Ranulf ajudar    dama a descer  de seu cavalo.
      -Deus ! Pensei  que nunca chegaramos, - Eleanor disse com uma risada informal.
      - Bem vinda ao Claredon, milady, - Ranulf respondeu  to duramente que Ariane pde detectar a  discrdia  entre eles.
      Payn deu um passo para frente   justo nesse momento   e se inclinou sobre a mo da rainha.
      - A sado, milady.
      - FitzOsbern! Justo o  homem  necessrio para apaziguar meus  nervos.
      - Seu Lorde tem as maneiras de um boi de campo.
      -Talvez, sua  graa, - Payn respondeu  com um sorriso. - mas  um boi em  quem algum  pode  confiar  para servi-la   bem.
      Abruptamente, seus olhos azuis  se moveram  para o Ariane, examinando-a com  curiosidade . -A  sim   esta  a  herdeira de  quem   ouvi falar?
      Ariane se curvou  em um reverencia  profunda.
      -Honra-nos  com sua presena, sua graa.
      - Eu? Uma recepo  estranha da  filha de um homem que est acusado de traio  contra  meu marido o rei.
      Foi a vez  de Ariane ficar rgida.
      - Acusado de  traio, minha  lady.  No sentenciado por traio.
      - Felizmente  para meu pai,  diz-se  que o rei  Henry   um  governante  justo, que julga   culpado  ou   inocente a  um homem apoiando-se  em provas e  no
em meros  rumores.
      Os olhos da Eleanor brilharam  com novo  respeito, enquanto seus lbios curvaram-se.
      - Assim .
      - Fizemos um grande  esforo para que encontre comodidade nesta fortaleza, - Ariane continuou.
      - Espero  que  encontre tudo a seu gosto.
      - Veremos, - rainha  Eleanor respondeu, girando  para o Ranulf,  esta  vez  lhe lanando um sorriso malicioso e  desafiante.
      - Dou-me conta que esteve  muito ocupado  obtendo a rendio de  Claredon.
      Sem  esperar uma resposta ou sua ajuda, a rainha subiu  os degraus de pedra, deixando  a seus  cavalheiros  e a suas  damas.
      Ariane acreditou   ouvir  o  suspiro cansado do Ranulf, e se encontrou    compartilhando  seus sentimentos.
      Levantando a bainha de sua saia, precedeu a subir  a   escada  para o  grande salo, onde os criados ofereciam  taas de prata com  vinho  temperado  com cravo
da ndia.
      - Milorde, - Ariane murmurou  ao Ranulf, - Dava-lhe   rainha  e a suas criadas seu solar, e mudei  seus pertences a minha  antiga  habitao.
      - Espero que o passe?
      Ranulf inclinou sua cabea  para ela, estava to perto  que   podia sentir  o calor de sua respirao  em sua bochecha.
      - Qualquer habitao servir,  enquanto a  compartilhe  comigo,  querida.
      Ariane no  podia conter  a excitao ante a  promessa quente  em seu tom de voz.
      Por  sua conversao  prvia  com o Payn,  ela se tinha  informado que Ranulf s permaneceria   uma noite, e  na manh ele continuaria viagem escoltando 
rainha.
      Mas ao menos ele passaria tempo com ela essa noite, se a convidada o permitisse.
      - Sentar-se- na mesa principal esta noite - Ranulf lhe anunciou.
      Depois disso ela  no  viu Ranulf outra vez at que  ele  voltou  para salo  para o banquete da rainha.
      Eleanor tomou  o  lugar de honra na mesa  elevada ao lado  do Lorde, compartilhando a mesma taa de vinho e a mesma  bandeja  que Ranulf.
      Ariane se tinha  colocado do outro lado do Ranulf,  e ao lado do Payn.
      As tentadoras comidas foram servidas em pratos sucessivos: carne de Veado e de javali,  cisnes e pombas  assados,  uma massa  feita com carne picada,  miolo
de po  e ervas aromticas acompanhadas de todo tipo de molhos temperados com pimenta  e mostarda, queijos e frutas para o final.
      Um comediante com sua harpa  comeou  o  entretenimento  logo quando uma ronda de  vinho adoado com mel foi servido.
      Rainha  Eleanor  se mostrou  alegre durante toda a comida,   de modo que parecia que a festa estava progredindo bem.
      Assim Ariane ficou  assombrada quando durante a terceira  cano, a rainha se levantou  e se dirigiu  a ela.
      - Eu gostaria de ter  uma palavra com voc, lady Ariane.
      Ariane lanou um olhar  preocupado para o Ranulf, que franzia o cenho  em sua taa, mas no se atreveu a recusar a uma ordem  direta.
      Quando Eleanor saiu  do salo  com duas de suas damas, Ariane a  seguiu  reticentemente.
      Observou  silenciosamente enquanto  a rainha era despida  at ficar com sua   camisa  e quando seu cabelo comprido foi solto.
      - Me deixe, -  Eleanor  disse ento  a suas damas. Quando elas se foram, tirou  de  um espelho  de mo e um pente  e se sentou em um banquinho,  e estendeu
os objetos a Ariane.
      - Ajuda-me?
      Dando-se conta do que se esperava dela, Ariane se colocou detrs da rainha.
      Aceitando o  pente, comeou  a pente-la brandamente.
      -Entendo que te acha  em uma posio  difcil, -  Eleanor disse pensativamente, observando Ariane no  espelho.
      - Primeiro a traio  de seu pai,  logo o   repdio do compromisso de Lorde Ranulf.
      Ariane continuava  silenciosa.
      - Confesso  que me senti  perturbada por ouvir sobre o  tratamento que te d Lorde Ranulf.
      - Te forar  a compartilhar  sua cama sem o  benefcio da unio matrimonial... bem, encontro-o repreensvel.
      - Ariane no  tinha necessidade de  perguntar como a rainha  se havia informado de suas dificuldades.
      Os rumores corriam rapidamente e eram brutalmente  explcitos.
      Eleanor  tinha descoberto  tudo o que desejava  saber pouco depois de sua chegada.
      Um rubor  se levantou nas bochechas de Ariane  ante  tal discurso franco, mas  se recusou  a entrar  em uma discusso  dos enguios do Ranulf.
      - Eu no gosto de ver nenhuma mulher ser  maltratada, -  Eleanor  adicionou.
      - Os homens  tm  muito poder neste mundo, e frequentemente  o empregam mal.
      - Eu no  tenho nenhuma queixa  respeito a Lorde Ranulf, minha  lady.
      - Tem afeto por esse  homem, verdade?
      - No  pude evitar  observar  como o olha.
      -  to  evidente? - Ariane perguntou com desnimo.
      - Para  alguns, e para  mim,  sim.
      - Me intrigam muitos  os assuntos do corao, assim que lhe empresto  mais ateno que a maioria.
      - Quando voc o mira, seu rosto  mostra ternura, desejo...
      Ariane sabia  que era verdade;  o que sentia  pelo Ranulf era o suficientemente  forte para mostrar-se em seu rosto.
      - Acredito que  posso  compreender a atrao.
      - Conheci o Ranulf na corte, e vrias de minhas damas estavam enlouquecidas com  ele, embora ele no queria ter nada que ver  com elas.
      - Apesar de suas maneiras atrozes, sempre se desempenhava  habilmente  nos torneios e as batalhas.
      - Um cavalheiro renomado  que serve  bem a meu marido como Lorde...
      - Um Lorde  poderoso e com terras...  uma pena  que no   se case.
      Em um  acordo completo com os pensamentos da rainha, Ariane fez  um murmrio.
      - Mas  penso que  posso  prover uma maneira de eliminar voc dessa dificuldade...
      - Te oferecendo uma posio  a  meu servio como uma de minhas damas.
      - Se unir a minha corte, posso te oferecer meu  amparo, o que  no  pouca coisa.
      - O pente se deteve  na mo de Ariane, enquanto seus olhos aumentavam com  a  oferta generosa de um refgio.
      Como  dama de companhia da rainha, Ariane sabia que estaria segura  em relao s repercusses que as aes de  seu pai  gerassem.
      Eleanor  lhe deu uma esperana.
      - O rei Henry  ainda  est assediando  o Castelo do Mortimer  no Bridgenorth.
      - Quando o assdio terminar com xito, voc e seu pai sero julgados  por traio  por ter apoiado a rebelio.
       Ariane  mordeu os  lbios, pensando  que Eleanor seria uma benfeitora poltica e uma  adversria ardilosa.
      Se aceitava o amparo  da rainha..
      Mas  ento ela   sacudiu a cabea  lentamente.
      Nunca poderia abandonar a seu pai,  ou a sua me, ou s pessoas  do Claredon, somente  para salvar-se.
      E logo estava Ranulf...
      -  muito  amvel, sua  graa. Aceite por favor minha  gratido sincera, mas  devo  declinar a oferta.
      - Claredon  meu   lar, e eu tenho  esperana que...
      Quando ela vacilou, Eleanor atacou:
      - Sim, tem  esperana...
      - Que um dia Ranulf chegar a ver-me como...  algum em  quem possa confiar.
      - Sabe  que  ele no  d sua confiana rapidamente.
      - Apaixonou-te por ele.
      - No  era uma pergunta.
      - Sim, - Ariane admitiu pela primeira  vez.
      Contra sua vontade, contra  toda razo  e  julgamento, apaixonou-se pelo Ranulf.
      Sofria de um  amor desesperado digno  de  uma donzela lnguida.
      Ranulf possua  seu corao.
      Na verdade ele o tinha  conquistado anos atrs com seu sorriso terno, quando  ela no era mais que uma  moa tmida e atemorizada.
      Nesse ento ela  se apaixonou  pelo Ranulf, possivelmente porque tinha vislumbrado o interior vulnervel detrs da mscara do guerreiro poderoso.
      -Tentei no am-lo - Ariane murmurou - mas foi impossvel.
      Era  uma loucura  seu amor  pelo Ranulf.
      Ele no a tinha tratado  melhor  que a  um servente,  ela era  sua posse   pessoal.
      Era improvvel que alguma vez  a reconhecesse como sua esposa,  e muito menos seu amor.
      Entretanto ela tinha a esperana que um dia  superaria sua desconfiana  cega, e a deixasse  penetrar em  seu corao  protegido com uma armadura inexpugnvel.
      - Que assim  seja ento, -  Eleanor  disse bruscamente, seu  tom um tanto seco.
      - Mas no pense  em recorrer para mim se seus problemas se aprofundarem.
      Seus  olhos encontraram  com a superfcie do  espelho de mo, e Ariane soube  que a conversao  tinha terminado.
      - Sim, sua  graa.
      Tinha rechaado  a oferta de apoio da rainha, e agora  devia viver com as consequncias.
      Ariane lamentou profundamente sua confisso   rainha  respeito a seus  sentimentos para com  o Ranulf, porque suspeitava que Eleanor possivelmente  tentaria
usar sua confisso.
      Mas no  tinha sentido lamentar-se pelo que j tinha feito.
      Depois de deixar a habitao  da rainha, Ariane voltou  para grande  salo para encontrar a muitos dos convidados  bbados.
      O  Lorde, enquanto isso,  parecia estar bastante  sbrio embora  sombrio .
      - O que queria  Lady  Eleanor com voc? - Ranulf exigiu  quando ela se  deslizou em seu  assento.
      Ela encontrou   seu olhar severo com um sorriso  forado.
      -Requereu-me para pentear seu cabelo. - Ranulf a olhou  fixamente por um momento comprido, mas  felizmente  no  a pressionou  a expor sua conversao  com
a rainha.
      - Com sua permisso,  milorde eu gostaria de me hospedar.
      - Te hospedar, sim?,-  ele disse com  sua voz era rouca, - mas  no  para  dormir.
       Espero uma boas vindas doce, moa.
      Uma quebra de onda feroz de calor e de excitao  invadiu a Ariane com a  promessa de paixo  em seu olhar.
      - Como desejar  milorde.
      - Te esperarei na cama.
      - Eu vou  logo,  como se fosse incapaz de conter sua impacincia.
      Ariane mal teve tempo para despir-se antes que Ranulf aparecesse.
      Um fogo baixo ardia na  chamin, e  com o fulgor dbil das brasas, ela  podia ver  seus olhos  brilhantes e famintos.
      No a tocou   imediatamente , embora lhe tirasse o pente  da mo  e o deixou  de lado.
      Colocou um  dedo debaixo de seu queixo, inclinou-se para seu rosto, deixando  que seu olhar   acariciasse  suas feies  encantadoras  e sua cabeleira  magnfica
caindo  gloriosamente sobre seus ombros.
      Ansiosamente Ranulf  afundou  seus dedos na suave massa de cabelo enquanto  procurava  sua boca .
      Ele poderia ter escolhido qualquer das mulheres essa noite.
      A metade das moas  do castelo compartilhariam as camas dos  cavalheiros visitantes,  enquanto seus  prprios homens  teriam  outra metade, mas  como Lorde,
ele poderia ter escolhido primeiro.
      E a maioria das mulheres  estavam ansiosas por compartilhar  sua cama. Mas  havia uma  s  mulher que  ele queria,  a quem precisava.
      Desejava a companhia de Ariane.
      No  podia explicar a ansiedade que havia sentido quando tinha estado  longe dela, nem podia compreender  a fascinao que   sentia  quando estava perto dela.
      Capturando sua boca em um beijo, bebeu  sua  doura, introduzindo sua lngua  profundamente em seu  calor lhe mostrando uma imitao atrevida do que seria
o ato carnal.
      Em breves momentos Ariane estava arqueando-se  contra  ele, as pontas de seus seios  duros  sob seu contato.
      Com as mos tremendo, Ariane despiu ao Ranulf, no  detendo-se  at que   ele esteve diante dela   nu e  magnfico, parecendo  um escuro  deus pago.
      Quando  ela ousadamente  fechou  seus dedos ao redor de seu membro,  pde ouvir sua respirao  acelerar-se em seu ouvido.
      Ariane  o levou  para a cama e se deitou sobre os  lenis em  um convite sensual, separando suas pernas   para  lhe mostrar  o que desejava dele.
      Unindo-se  a ela  no  colcho  suave, Ranulf  se colocou entre suas  coxas  e se enterrou   profundamente, capturando seu grito de prazer  com sua boca.
      Sem  falar,  levou  seu corpo a novas alturas de prazer, levando a  ambos ao climax do  xtase.
      Ranulf se recuperou primeiro  do  prazer arrasador.
      Jazia sobre Ariane, os braos dela  abraando-o.
      Sua conscincia lhe seguiu  mais lentamente, gradualmente se fez  consciente  do  calor mido de sua pele, e de que a estava esmagando com seu corpo poderoso.
      Mas no lhe preocupava  seu peso,  ela suspirou e o abraou com mais fora.
      Ranulf se tinha ido ao amanhecer, e escoltava o squito da rainha.
      Se afastaram vrias milhas do Claredon quando a rainha se dignou  a  lhe falar pela primeira vez depois da partida.
      Cavalgando ao lado do Ranulf em seu cavalo, Eleanor abordou o tema  de Ariane de uma maneira que o sacudiu.
      - Devo  confessar que fui agradavelmente  surpreendida por lady Ariane.
      - Falei com ela  ontem  noite.
      - No  pude evitar me sentir afetaao por sua condio.
      - Sua condio, sua Graa? - Ranulf perguntou cautelosamente.
      - Lorde Ranulf, no demos voltas com as  palavras, - a rainha disse.
      - Tomaste posse completamente  da  moa, quando sua fila  requeria que  fosse protegida.
      - Um cavalheiro honorvel faria a  reparao necessria. - Seus  olhos se estreitaram  e se obscureceram.
      -  Acusa-me de desonr-la? - A risada musical da Eleanor  soou como um sino de cristal.
      - No, ela no diria   nada contra voc.
      - Me inteirei disso  atravs minhas damas.
      - Causa-me dor ver uma dama nobre sendo tratada dessa  maneira,  por isso   lhe  ofereci  refgio na  corte como dama de companhia.
       Ranulf sentiu  uma quebra de onda de pnico como uma faca enfiada em seu estomago.
      - Ariane  lhe pediu seu amparo?
      - No,  mas  eu a  ofereci.
      - A dama a  rechaou.
      - Rechaou-a?... - Ranulf olhou  fixamente a Eleanor.
      - Sim,. me assegurou que  no desejava  abandonar  seu  lar, apesar das terrveis dificuldades que enfrenta.
      - Tal devoo   admirvel,  no  o cr?
      Ranulf se sentiu alagado  de alvio. No  Sabia    por que Ariane  tinha decidido permanecer no Claredon mas sabia que ela no o abandonaria.
      - Encontraste um prmio nessa moa, embora no possa v-lo - disse a rainha.
      Ranulf olhou  fixamente a Eleanor.
      - No pode fazer menos que te casar com ela.
      Ranulf se esticou:
      - Parece ter um extremo interesse em meus assuntos - a rainha  sorriu docemente, com o sorriso que tinha posto um reino a seus ps.
      -  um  homem com suas prprias regras,  milorde.
      - Eu nunca me atreveria a te aconselhar.
      - Somente te  direi  algo que muitos de meus  cavalheiros tm descoberto  para sua tristeza:
      - Uma espada fria faz que uma esposa seja fria.
      Com essas palavras,  a rainha  Eleanor  atirou das rdeas e girou seu cavalo    para voltar com  seus prprios cavalheiros, deixando Ranulf a ss  para ponderar
seus pensamentos.
      S queria saber por que Ariane tinha rechaado  a oferta da rainha.
      Com escasso xito, Ranulf tentou  afastar de sua mente a sugesto de  que deveria casar-se com  o Ariane.
      Somente a si mesmo  estava disposto a admitir a verdadeira  causa de sua reticncia  a considerar essa proposio: seu medo.
      Por toda a  coragem que mostrava  nas batalhas , Ranulf tinha medo...  medo da dor  que Ariane poderia lhe causar, medo a  ser ferido outra vez, que essa sedutora
tivesse ainda mais  poder sobre ele do   que j tinha.
      A fora de seus sentimentos para Ariane  perturbava ao Ranulf, assim como sua reticncia  a deix-la.
      Nunca antes tinha lamentado afastar-se de uma moa, nem nunca tinha ansiado a  presena de uma mulher.
      Por Deus, deveria sentir-se  ansioso  por participar do assdio  do rei Henry.
      A guerra  era o sangue  de sua vida, a  razo  de sua existncia.
      Era um guerreiro, um soldado profissional, um cavalheiro de  vida militar.
      A habilidade de Ariane de desvi-lo de seu objetivo  deveria lhe servir como  advertncia .
      Entretanto teria que ter sido  um idiota  se pensasse que podia compartilhar seus  segredos mas ntimos e no  pagar um preo  por isso.
      Convert-la em  sua amante no tinha sido a ao mais sbia  de todas.
      Se tivesse sido s  seu corpo  o que desejava,  poder-se-ia ter satisfeito e ter terminado com o assunto. Mas havia algo mais.
      Ela  havia despertado uma debilidade  em seu  esprito, ele reconheceu  com desnimo.
      E agora  ameaava quebrar  as barreiras que ele tinha  ereto ao longo de uma vida.
      No planejava  negar  o prazer do corpo dela.
      Simplesmente tinha que resguardar-se com mais cuidado.
      Tinha  que  renovar sua resistncia, endurecer  suas defesas, para provar a si mesmo que Ariane   no  se converteu em algum  vital  para ele .



      Captulo 23



      Ranulf examinava o grande salo do Claredon com o  cenho franzido uma semana mais tarde, de sua posio  na mesa  principal.
      Suas bem-vindas  ao  lar essa manh tinham sido  quase to elaboradas como  o  que tinha  honrado  rainha Eleanor em sua  visita,  mas  esta vez no   havia
nenhuma rainha para justificar tantos  preparativos, ou para justificar o banquete que  estava a ponto de desfrutar.
      Obviamente tinham trabalhado muito.
      As paredes  estavam  branqueadas,  a palhas do piso cheiravam a ervas frescas,  e a  prataria estava brilhante.
      Em todas partes a limpeza e a  ordem reinavam.
      Podia ver a mo fina de Ariane no trabalho aqui.
      - Ela ultrapassou  os  limites,- Ranulf murmurou  em um tom de voz baixo mas o suficientemente forte como  para que Payn o ouvisse.
      - Na verdade me tinha esquecido que de como era ter um castelo bem dirigido.
      Ranulf grunhiu.
      - Essa dama  tomou vantagem de minha  ausncia  e de sua debilidade para se impor.
      - Falhou em no lhe proibir o pior  de seus excessos.
      - Sabe bem  que eu preferiria  gastar  dinheiro em armaduras que na  tnica que  ela me deu de presente.
      Essa manh Ariane o tinha  encontrado no ptio  e lhe havia presenteado uma  tnica fina de seda negra feita com suas prprias mos, as mangas  e o  pescoo
lindamente bordados com um fio de ouro para combinar  com  seu cabelo e seus  olhos. 3
      A alegria e o  prazer  que lhe causou seu presente  estalaram no Ranulf antes que pudesse  armar-se contra  ela.
      Tinha gostado  muito  o que no lhe caiu bem eram os motivos pelos que lhe dava o presente.
      Ariane procurava derrubar suas defesas para forar  o matrimnio.
      Era habitual  queuma esposa recebesse ao  Lorde  com um  presente de bem-vinda  depois de uma  viagem, e Ariane se comportou como se ela fora sua esposa, uma
posio que   Ranulf nunca lhe tinha prometido que a ocuparia.
      Contra  seu julgamento melhor, vestia  essa  tnica agora.
      No teria podido   negar-se sem parecer o pior dos canalhas.
      At seu escudeiro  conspirou contra ele  para assegurar-se  que usasse o  presente .
      Burc se recuperou muito da  ferida do  ombro para ajudar a seu Lorde a   vestir-se, e o moo  tolo no tinha  cessado de mencionar  elogios sobre  Ariane como
curadora e no se refreou de defender sua causa.
      - O tecido estava disponvel, - Payn disse agora  em sua defesa.
      - Ela o comprou trs invernos atrs como o  presente de matrimnio  para voc.
      - E o fio    o que voc  mesmo  recentemente lhe deu  permisso para   comprar.
      Ranulf ficou rgido  ante a  lembrana do compromisso  quebrado.
      - Recorda minhas palavras, ela  est  por fazer alguma travessura, se no se tratar de  algo mas sinistro.
      Seu vassalo  riu.
      - No  muito  sinistro  desejar que o Lorde  esteja bem vestido.
      Ranulf sacudiu a cabea, recusando-se a  ser demovido de sua opinio.
      Mas  ainda mais  perturbador   que o que  ela planejava  era a aparente  conspirao que  os outros pareciam   ter contra  ele.
      Burc, Payn, rainha Eleanor, mesmo o rei, todos pareciam   ansiosos  de que   ele se casasse com o Ariane.
      Ranulf tinha  entregue Eleanor no acampamento do Henry como lhe tinha sido ordenado, ficou dois  dias l  para discutir seus planos  futuros.
      O rei  Henry, um homem conhecido por sua  disposio  violenta, estava  raivoso   pelo  progresso lento do  assdio ao castelo do Mortimer, mas a chegada da
rainha acalmou  um tanto o mau humor real.
      Por pedido da Eleanor  e para  satisfaz-la Henry tinha  proposto a  restabelecer o compromisso matrimonial do Ranulf.
      A  tentativa da rainha de forar o casamento  irritou Ranulf, e o fez endurecer  sua resoluo  a resistir.
      Desde sua posio um rei podia forar a  um homem  a casar-se contra  sua  vontade, mas Henry teria escolhido fazer  sua vida  miservel.
      E  seria  um suicdio poltico e talvez  econmico   desafiar os desejos do rei.
      O  aspecto perturbador do  assunto era o profundo alvio  do Ranulf ante a  deciso  do Ariane de permanecer  no Claredon.
      Ela tinha rechaado  a oferta de amparo da Eleanor, e  tinha decidido   permanecer  em suas mos, sob seu controle.
      Em realidade , no deveria lhe importar se  Ariane ficava  ou se ia.
      - Quer dizer, - Payn comentou casualmente, -  Que no  aprecia as comodidades que lady Ariane  prov  como  Lorde?
      O cenho franzido do Ranulf se aprofundou.
      Apreciava muito as comodidades , esse era o  problema.
      Poderia voltar-se   viciado  em seus cuidados   se no  cuidava.
      Pela primeira vez na  vida tinha visto  que o  prazer  da guerra e da luta se obscureceram.
      Depois de viver no  luxo do Claredon por algumas semanas  j no  estava  muito  ansioso por   voltar para a  existncia dura sempre  tinha tido.
      Sua estadia  no acampamento  do Henry tinha sido  um exemplo disso.
      Dormir  nos barracos,  sobre a terra dura, aguentar o  aborrecimento e a chuva  nos dias de rodeio, tinha perdido  seu  atrativo  o que  era a consequncia
direta  de permitir-se a comodidade  e o luxo  em sua vida.
      - Penso que  subestima os benefcios que uma esposa pode te oferecer, - Payn sugeriu  com sorriso  forado.
      - Por Deus,  sonhas como a rainha Eleanor.
      - Ela te pressiona para que te  case com  Ariane?
      - Sugeriu-o  fortemente e incitou o rei a apoiar seu ponto de vista.
      -Talvez  deveria ouvi-la .
      Ranulf lanou a  seu vassalo  um olhar  que o perfurou como uma lana mortal.
      -Talvez deveria lhe dar uma oportunidade  felicidade matrimonial, - Payn o provocou.
      - Se  os  deveres maritais  se  voltarem muito pesados  para voc sempre  pode  envi-la a outros de seus  castelos.
      Ranulf empurrou involuntariamente  sua taa  de vinho  e derrubou o  lquido escuro.
      - No  me casaria, s para logo  apartar a minha esposa!
      - Ento... - As feies  de Payn  de repente  se voltaram sombrias:
      - No deixaria  que Ariane se v?
      - Eu cuido do que  meu, - Ranulf murmurou  defensivamente.
      - Penso que   no  precisa  preocupar-se  por que ela possa te enganar com outro homem, Ranulf.  Ela somente tem os olhos  para voc.
      Ranulf desviou o olhar.
      Eles nunca tinham    falado de suas suspeitas falsas em relao a Ariane com   seu  vassalo.
      - Acredito  que pode  confiar nela, - Payn afirmou.
      - A virtude dela  est por cima qualquer questionamento.
      Forando-se  por controlar seu  mau humor, Ranulf se encolheu de ombros.
      A discusso  foi encerrada.
      No  reconheceria Ariane como sua esposa.
      Estava  satisfeito com o  estado atual  das coisas.
      Ariane no  tinha  escapado do castelo   quando tinha tido a  oportunidade, e enquanto ela permanecesse  ocuparia a posio  de   refm.
      At que  a situao de seu pai no  estivesse estabelecida,  no a deixaria   ir.
      No podia deix-la ir.
      Com toda sua fora Ariane desejava  que Ranulf chegasse a confiar nela.
      Parecia-lhe  improvvel.
      Desde sua chegada   trs dias atrs   casa ele  tinha mostrado  poucos sinais  de baixar suas defesas sempre vigilantes.
      Entretanto, inexplicavelmente, estava cheia de  esperanas.
      Talvez  seu otimismo  se  devia   mudana no  clima.
      A primavera  havia chegado a Inglaterra com toda sua  fora.
      As rvores   floresciam.
      O sol esquentava  a terra durante  o dia,  as chuvas  alimentavam os campos durante  a  noite, criando as condies para uma colheita generosa.
      Era uma estao de renovao, de paz e  de promessas.
      Um momento ideal para que  os  amantes  desfrutassem da beleza  da vida.
      Seu amante, entretanto, parecia  determinado  a manter  nuvens  escuras sobre seu  horizonte.
      A  reao  do Ranulf ante seu presente, por exemplo,  havia  desmotivado-a  profundamente.
      O prazer que ela tinha visto em seus olhos  tinha sido um momento  muito fugaz.
      A surpresa  e alegria  em seu rosto  tinham  desaparecido abruptamente, para serem substitudas por um olhar  de suspeita e desconfiana que ela, estava comeando
a  reconhecer  e a  detestar.
      Na verdade, estava chegando a compreender muito melhor Ranulf.
      Ela j no reagia ante seus olhares escuros  ou seus comentrios speros, mas lhe doa saber que  ele ainda a  considerava  como sua inimiga.
      Fazia  tudo  o que estava em seu poder lhe provar seu valor, tinha lhe  demonstrado  que ela seria uma  lady  capaz e  uma  boa  esposa.
      Esforou-se  para fazer que a  vida do Ranulf  fosse mais agradvel, para fazer-se  indispensvel para o  bem-estar  de seu Lorde.
      Com esforo tinha mantido  sob  controle  sua lngua  afiada, recordando  o  conselho sua me  lhe  tinha  dado.
      Infelizmente Ariane s podia   medir  seu progresso  em olhadas fugazes,  em um sorriso de vez em quando;  as manifestaes  afetivas que Ranulf lhe dedicava
eram escassas.
      Isso no era justo!
      Ranulf  se recusava a  lhe reconhecer seus esforos  ou seus mritos.
      Mas ela recusava a  abandonar a esperana.
      Ranulf necessitava  uma esposa, necessitava-a.
      E ela ficaria ali para  convence-lo disso.
      Uma noite  quando  ela  o desafiava no tabuleiro de xadrez, Ariane tentou falar de sua situao e outra vez  se encontrou discutindo imprudentemente pela
posse das chaves do castelo.
      - No posso  entender  por que objetas  que  retome os deveres que  tive a meu cargo  durante os ltimos  quatro anos, -  ela observou secamente.
      -Talvez   tema que essa responsabilidade esteja acima de minha  inteligncia.
      - Na verdade, - Ranulf replicou  com mau  humor,   - temo que essa tarefa esteja  no  juramento  que me  fez.
      - Se te desse  as chaves, poderia sentir-se   incentivada a  deixar escapar a maioria de meus prisioneiros, como  fez com Simon Crecy.
      Ariane ficou surpreendida por seu tom provocador, e lhe  respondeu  no mesmo  tenor.
      - Pensei  que  minha  ao estava completamente justificada aquela  noite.
      - Atrever-me-ia  a dizer  que voc  faria  o mesmo  se estivesse em minha posio.
      - E eu fora o  invasor.
      - Eu  nunca estaria em sua posio porque  eu  no  trairia  a meu rei.
      - Eu  no  tra ao o rei  Henry.
      - Seu pai, que  a mesma coisa.
      A seriedade da acusao, embora fosse  expressa levianamente, fe-la  endurecer.
      - No  verdade. Meu pai    inocente.
      - Lorde Hugh se uniu ao Walter Mortimer com uma tropa de cavalheiros  e soldados  somente para sentar-se a falar do clima?
      - Era seu dever   prover  cavalheiros ao Lorde ao qual lhe tinha emprestado um juramento de fidelidade.
      - Era seu dever  apoiar a  seu rei,  assim como era seu dever  obedecer as ordens   do rei  e  render Claredon a meu controle.
      - Suas  aes nesse momento  foram   prova suficiente de sua deslealdade.
      Ariane apertou   os dentes.
      - A lealdade deve ser ganha,  milorde .
      - O que  tem  feito  voc para  me ganhar?
      Ranulf moveu  um cavalheiro de madeira atravs  do  tabuleiro  para  tomar um de seus pees, recusando-se a  ser provocado nessa discusso.
      - Eu  no  tenho nenhuma necessidade de ganh-la como seu lorde,  sua lealdade  minha por direito.
      Ariane sacudiu a cabea.
      - Provaste quo  rapidamente   pode te apropriar de qualquer  de minhas  posses:  meu  corpo, meu  juramento de obedincia   mas  minha  lealdade no pode
ser ordenada.
      -  meu direito dar-lhe a quem eu escolha.
      Ranulf ps  sua ateno  nas peas de xadrez mas as palavras dela  o estavam golpeando.
      Se ganhasse  completamente sua lealdade, no precisaria  temer sua traio.
        Com o cenho franzido  ele curvou sua boca.
      Enquanto ele pensava, Ariane o  pressionou.
      - No posso  compreender sua obstinao.
      - Talvez superestimei sua inteligncia.
      - Tive a absurda idia  de que voc  estaria  satisfeito de  ter o  castelo posto em ordem.
      Ranulf fez  um som seco com  sua garganta.
      - Me perdoe  se me mostrei desconfiado  de seus esforos  por me agradar.
      - Por que?  O que tenho feito  eu  para merecer suas suspeitas?
      Seu olhar se levantou para procurar seu rosto.
      -Se esquece do escapamento do prisioneir?
      - Manchou os lenis com  sangue  falso  de  virgem  e tentou   me forar  a me casar  com voc, por exemplo.
      Ariane se ruborizou, desejando  no ter despertado essas lembranas.
      - Foi um  engano,  admito-o.
      - Desejava  te fazer  honrar a promessa  de matrimnio, mas  escolhi  o caminho equivocado.
      Ranulf a estudou.
      - E agora pensa  que assumindo  as  tarefas de uma esposa, pode  me persuadir de te converter   em minha  esposa,  e  melhorar  desse modo  sua  posio.
      Ariane baixou o olhar para esconder sua dor.  Essa tinha sido, na verdade, sua estratgia ao  princpio, mas no  tinha  contado com a possibilidade de apaixonar-se
por esse  canalha  teimoso  e de corao de pedra.
      Ela sacudiu a cabea.
      - No   s  minha posio o que me preocupa, a no ser a  das pessoas  do Claredon  e a tua  tambm.
      Ranulf levantou as sobrancelhas com  descrena  de que Ariane importasse um pouquinho com o seu bem-estar.
      - Um castelo necessita de  uma lady, - ela insistiu.
      - E  um Lorde necessita uma esposa.
      - Eu me dirigi  bastante bem   at agora.
      -Tem-no feito? - Seu tom era de dvida.
      - Ouvi  dizer que Vernay   um lugar frio, hostil que oferece to pouca calidez, que  voc  recusa isso a  viver l.
      Foi o turno  do Ranulf de endurecer-se.
      - Assumo que Payn te encheu  a cabea com contos absurdos.
      - So  absurdos,  milorde?
      - Ou voc simplesmente te recusa ver a realidade?
      - Uma esposa poderia te beneficiar  muito.
      Intencionalmente  Ranulf  voltou  sua ateno  ao tabuleiro de xadrez.
      - Os criados eficientes se ocupam de minha comodidade,  e qualquer das moas satisfar  minhas necessidades  carnais.
      - Que necessidade tenho de uma esposa?
      - Para te prover de filhos, por exemplo.
      - J tenho   filhos na Normandia.
      - Filhos legtimos, que no pertenam a servido.
      - Que sejam membros da nobreza.
      - O que h com isso? Nunca desejaste  ter herdeiros?
      Ranulf se moveu  inquietamente em seu  banco.
      Tinha havido  pocas no  passado em que tinha pensado  em ter  filhos nobres que  pudessem converter-se em cavalheiros como ele.
      Ensinar-lhes-ia as coisas com pacincia  e afeto, no  com a fora do chicote.
      Mas  os filhos nobres s  podiam  provir do ventre de uma mulher nobre, e nunca tinha  encontrado  a uma dama a quem lhe  confiaria a tarefa de  ser  me
de seus filhos... no  at que tinha conhecido Ariane.
      Sua mente quis afastar-se desse pensamento perturbador.
      - Meus desejos  no so de seu interesse, - ele murmurou.
      - E acredito  que   seu turno  de jogar.
      - Um minuto antes,  exigiu  minha  lealdade, - Ariane replicou  com  frustrao, - mas   quando lhe  ofereo isso, diz-me que me ocupe  de meus prprios assuntos!3
      Ranulf podia detectar sua irritao  crescente.
      Em silncio jurou  considerar ao menos as demandas dela a respeito ao manejo domstico do castelo.
      Em voz alta, Ranulf disse:
      - Sei  que   pode  dirigir bem o castelo, mas essa  no   razo suficiente   para  casar-me.
      - Preciso  aliviar minhas noites solitrias... E os  dias.
      - Lanou a Ariane   um sorriso malicioso.
      - Confesso  que me agrada   bem.
      - Encontro-te entretida.
      - Entretida!
      - Sim .  divertido observar seu  carter.
      - Sua  lngua  afiada me excita - Ranulf a percorreu com seu olhar, detendo-se  em seus seios.
      - Assim como  seu corpo encantador. Eu gosto do   desafio de um moa  bonita.
      - Voc... ... - ela  balbuciou.
      Sua ira  estava  a ponto de estalar, Ariane escolheu   uma pea   de madeira e a jogou no peito largo do Ranulf.
      A pea ricocheteou   e caiu ao cho.
      Ranulf estalou em risadas, o som  rico de sua voz encheu  a habitao.
      Muito  canalha   tinha a audcia de rir!
      Os olhos  dela lanavam fascas enquanto  procurava  outra  pea de xadrez, mas Ranulf foi  mais rpido.
      Com um  salto  repentino, ele se moveu indo  ao redor da mesa  e a apanhou    em seu  abrao, travando os   braos dela .
      Em um nico  movimento, levou-a s peles diante da  chamin.
      Ariane  lutou  entre  seus braos, mas Ranulf a conteve  com facilidade.
      Quando finalmente  ela cessou de  mover-se,  lhe sorriu  com seus olhos  brilhante.
      - Desafiou-me   e perdeu, moa.
      - Agora  deve  pagar sua  dvida.
      Antes que ela  pudesse  protestar, ele  cobriu sua boca com a sua.
      Seu beijo foi  faminto e  luxurioso, e  quando ele  levantou finalmente a cabea, seus olhos ardiam  com necessidade.
      -Ah, o que faz, moa...
      Olhou-a  em  silencio por um momento antes de sacudir a  cabea.
      - Mas   seus mtodos de persuaso me causam risada.
      - Por que no tenta usar seus encantos femininos  para despertar minha  paixo, e trocar  meus julgamentos em vez de lutar contra mim?
      - Uma amante sbia dobra a um homem usando  mel, no  vinagre.
      - Eu  no sou como suas  outras amantes, - Ariane disse, recusando-se a  ser provocada.
      Na verdade, ela no  era como nenhuma outra moa  que ele tivesse conhecido,  Ranulf refletiu.
      Seus  lbios se  curvaram com antecipao.
      Tinha desfrutado de  sua luta, mas desfrutaria  mais de sua rendio.
      Inclinou-se  para mordiscar  seus lbios, murmurando com  voz  rouca:
      - E eu no sou como  outros Lordes.
      - De fato, sinto-me inclinado  a te mostrar clemncia e  expor uma penitncia  que   desfrutar.
      Ariane lutou ftilmente  contra  seus ombros largos.
      - Eu no desfrutarei de nada teu, idiota arrogante!
      - No  encontro nenhum prazer  em seu contato.
      - Nenhum?
      Seu sorriso  era  como uma  carcia   sensual.
      - Penso que no   honesta, moa. Provar-lhe-ei isso.
      Ranulf no tinha necessidade de provar suas habilidades amorosas, Ariane pensou com desespero.
      Ranulf sabia  bem  como despertar  cada resposta de seu corpo.
      Ela se retorceu  debaixo dele,  mas com o peso dele  ela no  podia  livrar-se.
      Ranulf no se incomodou em despi-la,  somente lhe baixou a  camisa descobrindo sua beleza  a seu olhar.
      Seus olhos dourados brilharam.
      Por um segundo,  ele  enterrou seu rosto entre seus seios, bebendo a fragrncia doce de sua pele.
      - Pergunto-me se posso te excitar para mim.
      Em  resposta a sua prpria pergunta,   sua boca se afundou  para beijar seus mamilos  eretos... at  faz-la gemer.
      Sorriu  contra  sua pele.
      - Assim  como  te quero, querida... rogando  por mim...
      Estirando sua mo  para baixo,  ele levantou  suas saias   e deslizou   uma mo  entre suas coxas .
      - Me mostre  onde quer que te   acaricie.
      Ela tentou em vo  evitar seus dedos exploradores.
      - Ranulf, por favor...
      - Por favor?
      Seu sorriso tinha uma intimidade que fez que o  corao dela se oprimisse.
      - Verdadeiramente eu gosto dessas palavras em seus lbios.
      - No, Ranulf! No  quero.
      Riu.
      - Seu corpo me  quer, - ele murmurou  roicamente  contra  seu pescoo.
      - No...
      Em  resposta,  ele friccionou  seu polegar ao longo dos  lbios molhados e inchados de seu  sexo, encontrando o centro  do prazer.
      - Este boto inchado   evidncia  de seu desejo, querida.
      - Pode  honestamente  assegurar  que  desagrada que  te acaricie  aqui?
      Seu ofego o fez   sorrir.
      Tentativamente, ele deslizou   dois dedos em sua passagem  lubrificada, fazendo  que Ariane  respirasse   profundamente.
      - Sim,   no  sente  prazer  com  minhas carcias , ser que quer  ter minha  carne enterrada dentro  de voc?
      Emprurrou seus dedos mais profundamente, enquanto seu polegar  a  acariciava.
      Seu gemido  afogado foi a nica resposta que necessitava.
      - Eu o desejo  tanto como  voc, - ele anunciou com satisfao.
      Movendo seu peso, Ranulf correu  sua boca para baixo  por seu corpo, at seu  sexo, suas mos fortes  separarando suas coxas.
      Quando ele baixou  a cabea, Ariane apertou   os dentes, tentando desesperadamente no  responder a cada presso  delicada  e  provocadora de sua lngua, mas
era muita agonia  para suportar.
      Em silncio seus quadris se arquearam  contra  sua boca involuntariamente.
      Quando um gemido  escapou  de sua garganta, Ranulf  elevou seu rosto  para olhar seu  triunfo.
      Seus lbios estavam  molhados com o mel  feminino.
      Sem pressa ele  levantou sua tnica e desceu sua  roupa interior.
      Ento  se colocou   lentamente em cima dela, suspirando  com prazer  enquanto a  penetrava.
      - No te deixarei descansar at o  amanhecer, - ele sussurrou quando comeou  a  mover-se  urgentemente dentro dela.
      Com um gemido suave, Ariane fechou os olhos  rendendo-se.
      E quando o xtase chegou  momentos mais tarde, o  prazer  foi mais intenso    que qualquer outra  coisa  que ela tivesse conhecido  em sua vida, e a dor de
seu corao se fez intolervel.
      Ranulf s desejava seu  corpo, do mesmo modo desesperado em que ela ansiava  seu amor.
      Ela sentiu  as lgrimas  encher  em seus olhos.
      Uma se  derramou , apesar de seu  esforo  por reprimi-la.
      - Ariane? -  Ranulf se incorporou  sobre um cotovelo.
      - Machuquei-te?
      - Sim,  queria gritar,  mas ela secou a lgrima , determinada  a no  lhe dar  nenhuma motivo  para que ele  pensasse que ela  empregava  truques femininos.
      - No, no  nada.
      Com o  cenho franzido ele  roou  sua bochecha mida com seu polegar, seguindo at sua boca tremente.
      - S  me abrace... - Ariane sussurrou, pressionando seu rosto  contra seu peito.
      Incerto Ranulf a  envolveu em seus braos silenciosamente lhe oferecendo o nico tipo de ternura  que conhecia.





      Captulo 24



      Ariane suspirou enquanto  observava a exibio da prtica dos  cavalheiros no jardim.
      Da sua posio  na janela do solar, podia distinguir Ranulf do resto  dos cavaleiros  com  elmos.
      Era o  mas capitalista de todos.
      Apaixonou-se por um canalha insensvel.
      Algo umilhante, enfurecedor e  completamente  injusto.
      Sempre que recordava a  risada provocadora do Ranulf, seu  sangue fervia.
      E ele assegurava que ela era um entretenimento!, s isso.
      Ranulf a usava somente para saciar sua luxria e  aliviar seu aborrecimento.
      No podia  perdo-lo  por sua  insensibilidade , apesar da ternura que tinha mostrado em seu encontro carnal recente.
      Nas  duas semanas  desde   seu retorno do  acampamento  do rei Henry, Ranulf lhe tinha  mostrado uma paixo  que a  deixava estupefata.
      Mas a paixo no alcanava.
      Ariane queria muito mais  dele.
      Ela aspirava transformar-se em   sua esposa.
      De algum modo, de alguma maldita  maneira, ela jurou   fazer que  Ranulf a  amasse.
      Infelizmente no  tinha dado  com nenhuma estratgia apropriada para ajud-la a conseguir esse objetivo.
      Enquanto maio se convertia em junho, ela notava  pouco progresso em suas tentativas de ganhar seu amor.
      Ranulf  continuava invulnervel, invencvel,  e tinha o  poder do seu corao  se secasse.
s vezes, principalmente  quando ela estava em seus braos, ele  parecia  terno com ela, fazendo crescer  suas esperanas.
      Mas frequentemente ele a  tratava  com fria indiferena.
      No  podia contar mais que com as  concesses  menores  que ele tinha feito   respeito ao salo do castelo.
      Ranulf lhe tinha   encarregado  vrias tarefas  domsticas, pondo aos servos da cozinha e da torre  sob seu controle,  mas  no lhe  tinha dado  as chaves
do castelo ou o acesso s contas do castelo.
      No estava nem  perto  de honr-la e convert-la  em  sua esposa, nem   exibido a  menor  inclinao de retornar seu amor.
      - Considera-me com todo o afeto do  que um boi  capaz, - Ariane murmurou  para si mesma, olhando  a  figura distante do Ranulf com  frustrao.
      Ainda  sua ternura  ocasional era suspeita.
      Trs dias atrs  lhe havia agradado com uma jia cara, o  tipo do presente que  um Lorde entregava a  sua esposa.
      O broche de pedras preciosas com o que sujeitava a frente de uma capa, tinha a forma de   um drago arreganhado, com rubis  em seus olhos  e adornado com gemas.
       Quando Ranulf o  tinha  entregue, uma quebra de onda de esperana  tinha invadido  Ariane at que se deu conta  do  significado do presente:  marcava-a  como
sua propriedade.
      - Voc no gosta? - Ranulf perguntou.
      - No... Quer dizer...  encantador.
      - Estou  muito satisfeita, meu  Lorde.
      Mas ela  tinha sido  desonesta.
      Ela preferiria   ter um sinal de  afeto  dele  que todas as jias do  reino.
      Estava preparando-se para  apartar-se  da janela quando o  corno  do guarda anunciou  a chegada  de algum aos portes  do castelo.
      Ariane esperou enquanto  um grupo pequeno cavalgava  atravs  da  ponte levadia  e o  ptio exterior.
      Um mau pressgio  apertou   seu  estomago quando se deu conta  que um dos visitantes  era uma mulher.
      Com um vu  e uma capa, a mulher incitou seu cavalo para  os cavalheiros que estavam  treinando.
      Quando Ranulf a viu, separou-se  de seus homens  e cavalgou para  ela.
      Se deteve  seu  lado, aparentemente  lhe oferecendo saudaes.
      Ariane  teria dado um ano  de sua vida por ouvir o intercmbio entre  eles.
      A mulher se inclinou para beijar sua mo enluvada.
      Uma quebra de onda de dor percorreu o corpo de Ariane,  to   forte  que lhe  cortou a respirao,  mas  ela  se forou  a mover-se  longe da janela.
      No permitir-se-ia tirar concluses apressadas e estpidas.
      Sem dvida  havia uma explicao razovel.
      Muitas pessoas  beijavam  as mos  de um  Lorde, lhe suplicando  um   favor, por exemplo. Tentando em vo  reprimir  o n de  temor  dentro dela, Ariane foi
ao   grande salo, onde as visitas  estavam entrando .
      Um de cavalheiros mais jovens  do Ranulf, Richard do Lorde, se aproximou imediatamente, escoltando a  mulher.
      - Permite-me  lhe apresentar a Layla de Acre, milady, vem do Vernay  por ordem    do Lorde.
      - Lorde Ranulf lhe pede que encontre uma habitao privada  para ela.
      - Acre? Em Terra Santa? Vernay da Normandia? Privada?
      Essas idias sem lgica cruzaram a mente de Ariane, mas  no  podia   focalizar-se  em uma delas.
      Era estranho. S os convidados de alta fila   obtinham habitaes  privadas, porque em um castelo  havia poucas habitaes e centenas de   pessoas  que albergar.
       Justo nesse momento, Layla levantou seu vu  e  Ariane conteve  sua respirao  ante  a  beleza  impressionante da mulher.
      Obviamente vinha do Oriente, Layla tinha densas pestanas  e sobrancelhas negras,  os lbios  vermelhos carnudos  e a  pele cor oliva.
      Possua  uma figura sensual  que seduziria a qualquer homem especialmente  a um homem luxurioso como  Ranulf.
      Essa beleza  era a amante Ranulf? A rabe? A havia trazido  de Vernay ... com que finalidade?
      Tudo o que Ariane pde  fazer  foi  assentir educadamente  ante a ordem dada.
      A idia do Ranulf excitando a outra mulher adoeceu-a de cimes mas o dar-se conta  que  ele tinha  chamado a sua  amante  a fez sentir como se seu corao
fosse arrancado lentamente de seu peito.
      Fez  o que foi pedido  sem  falar, no   confiava em poder dizer uma palavra sem perder sua  dignidade ou  seu controle.
      Conduziu Layla a um quarto  fora do dormitrio das mulheres, uma habitao  pequena com uma cama  construda diretamente na parede, rodeada de cortinas e
com finas tapearias.
      Quando Layla expressou seu agradecimento  em um  francs  com muito acento, Ariane assentiu, ainda se recuperando  do  golpe recebido.
      Desesperada pela dor, ela voltou  para o solar para  cuidar de  seu corao que sangrava.
      Quando, algum tempo  mais tarde Ranulf entrou com seu escudeiro Burc,  vindo diretamente do  campo de treinamento, Ariane estava na janela, e ela  girou para
ele.
      Sentia-se  frgil,  muito frgil, perigosamente  instvel: se ele a tocava , ela se quebraria, se lhe falasse, ela  estalaria.
      - Deu  as  boas vindas a Layla? - Ranulf perguntou   enquanto  desatava a correia de sua  espada, apenas  consciente da tenso  que emanava de Ariane.
      - Fiz  o que me pediu,  milorde, - ela  respondeu  brandamente, com cuidado, esforando-se por evitar  qualquer emoo  em sua voz.
      -  sua  amante, verdade?
      - Foi . Sua histria  muito complicada e penosa. Meu pai  o Lorde a trouxe de  um bordel  em  Acre.
      - Tinha sido  separada de sua  famlia e tinha sido  vendida ali como  escrava.
      - Meu pai a  trouxe    para o Vernay,  e eu  a  herdei  junto com a propriedade.
      Ariane sentiu  que seu  corao se oprimia  um pouco mais  com a  explicao  do Ranulf.
      J no abrigava  mais  dvidas de que ele  tinha mandado   trazer  sua  bela concubina  rabe  aqui para que lhe  prestasse seus servios.
      Se  Ranulf pensava que ela consentiria mansamente seus planos, estava muito equivocado .
      Seus  dedos de repente  se apertaram em  punhos,  ela girou para confront-lo.
      A dor em seu rosto  e o  brilho  em seus olhos  eram inequvocos.
      Observando-a, Ranulf fez uma pausa  no processo de  tirrar a tnica, logo   lanou um olhar  decisivo a  seu  escudeiro.
      - Desejo um momento  sozinho.
      Quando Burc se foi, Ranulf levantou uma sobrancelha interrogativamente.
      -  O que  acontece, querida?
      - Querida? Traz sua puta  para minha  casa,   me  substitui na cama e me diz querida?
      A voz do Ariane tremia  com desprezo  e fria, de dio;  olhou em volta para ver se podia arrojar algo nele outra vez.
      Viu o tabuleiro de xadrez.
      Ranulf deu um passo   cauteloso  para trs.
      - Est confundida.
      - Eu no  tenho nenhuma inteno  de  te substituir  por Layla.
      - -Pretende  te agradar com as duas ao mesmo tempo, ento?
      Sua voz perdeu o  controle cuidadoso.
      - Planeja praticar alguma de suas  perverses com ns duas na cama?
      Lhe oferecendo um sorriso, Ranulf sacudiu a cabea.
      No, no passado  ele tinha desfrutado de tais indulgncias, mas lhe pedir  Ariane  que participe de  um ato to licencioso  com Layla  era a coisa  mais longnqua
de sua mente.
      No desejava deitar-se com Layla ou com nenhuma outra moa mais que com Ariane.
      Esperando acalm-la, levantou suas mos com as palmas para cima , mas ela estava muito zangada e ferida para observ-lo.
      Seus olhos  olhavam para a porta.
      - No  te  compartilharei, ouve-me?
      - E muito menos com essa... Essa criatura... pag!
      O sorriso conciliatrio do Ranulf se desvaneceu,  seus olhos se estreitaram.
      Uma coisa  era  que lhe perdoasse  sua lngua  afiada porque se divertia com  seu sarcasmo.
      Mas era outra coisa  deixar-se   dirigir com  os ultimatos dela.
      Ariane ignorou seu olhar  de advertncia.
      - No  tolerarei esse tratamento desprezvel   de sua parte! - Ariane declarou.
      - No te  compartilharei!
      - O que acontece, querida? - ele  disse lentamente.
      - Por sua irritao,  quase poderia   supor que est  ciumenta.
      - Ciumenta!  No  me importa quantas mulheres  tenha!
      - Pode  levar  sua  luxria a qualquer outro lado.
      - Mas  no  serei  submetida ao  ridculo  diante de todos nesta  fortaleza.
      - Esta fortaleza e tudo  o que h nela so minhas, incluindo voc.
      - Pensa  que pode  me dizer  a quem posso ou no posso  alojar?
      - No me atreveria a te privar de seus prazeres,  milorde, - ela replicou amargamente.
      - Na verdade,  sentir-me-ia encantada de ver-me  aliviada de seus cuidados  lascivos.
      Ranulf a olhou  fixamente  por um momento longo, vendo a dor  em seus olhos, ouvindo as lgrimas  a ponto de cair no tom  histrico  de seu voz.
      Ariane possua   um grande orgulho, ele sempre  o tinha sabido, mas esse estalo era mais que orgulho ferido, ele apostaria sua vida a isso.
      No podia  acreditar em outra coisa que no fosse que ela estava ciumenta.
      Estava com cimes de uma moa que no significava nada para ele.
      Um sorriso   de triunfo masculino se curvou  nos lbios do Ranulf ante o curso  dos eventos.
      Ariane estava em  falta  esta vez.
      Ela estava tendo  um ataque de cimes,  enquanto ele  tinha mantido  a  calma.
      Ela estava ciumenta!
      Seu  sorriso de satisfao  se alargou.
      Gostava da idia  que  Ariane fosse to possessiva.
      Mas seu  bom humor, infelizmente, teve  o  mesmo efeito que o  azeite derramando  sobre um fogo aceso.
      - Atreve-te  a rir?
      Com um  grito, Ariane apertou seus  punhos com  fria impotente, desejando que pudesse golpe-lo.
      - Oooh, ...  um ... !
      Tremendo de Raiva, ela tomou a  nica arma  mo.
      - Deveria  te recordar que a Igreja  considera o  adultrio  um  pecado?
      - Adultrio! - O sorriso se desvaneceu  da cara do Ranulf.
      - Sim, adultrio!
      Quando um homem fornica  com algum que  no   sua  esposa, eles  o consideram um pecado!
      Ranulf cruzou seus braos sobre seu peito.
      - No  minha  esposa.
      - Posso   te recordar  que nenhum voto foi jurado  entre ns?
      - A Igreja  pode ver este  assunto de maneira  diferente! - Ariane replicou.
      - Sua petio de anulao pode  no ser concedida. -Sua boca  se torceu  com ironia.
      - Penso que  sua denncia  de adultrio  soa  muito  falsa, minha  querida.
      - Nunca conheci uma dama  de sua fila pr os  princpios por cima da  ambio  pessoal.
      Sua fria estalou.
      - Eu   no tenho  nada que ver com as mulheres da nobreza  que  conheceu,   cego e estpido!
      - Minha  honra  e o  valor da  lealdade significam tudo para mim!
      - Sempre foi assim!
      - E no  tolerarei seus  valores hipcritas  nem um minuto mais.
      - Se  desejas  te deitar  com sua puta, no te deitar mais comigo!
      Determinado a estabelecer  quem dos dois  era  o lorde  e determinado a extrair uma admisso de seu  cimes Ranulf  lhe lanou  um olhar ameaador.
      - Que direito  tem a me dar ordens? - ele  exigiu.
      - Talvez  tem uma razo para semelhante   posesividade?
      - Desejas  uma razo? Porque sou uma estpida! Porque  te  amo, porque amo a um maldito canalha!
      Por um momento longo,  um  silncio total reinou.
      Ranulf podia ouvir  os batimentos entos  de seu corao  enquanto  olhava  fixamente a Ariane  com assombro  e  incredulidade.
      Ela o amava? Amor no sentido de  afeto? Como  ternura? Como  uma  obsesso  enlouquecedora?
      Ranulf sacudiu a cabea  enjoado, duvidando de  sua  afirmao, recusando-se a  acreditar  nesse  amor.
      Durante toda  sua  vida tinha sido  trado e  manipulado por mulheres nobres  como ela.
      Embora  ele tinha comeado  a esperar que Ariane fosse  diferente, no  podia  evitar  perguntar-se  se o  motivo dela   s era um motivo   mercenrio.
      Ela  tinha tentado engan-lo  para  formalizar  o  matrimnio    uma vez antes.
       Talvez  essa somente  era  outra tentativa de forar a unio.
      Deliberadamente tentando  manter seu rosto em branco, Ranulf apoiou um ombro  contra o poste da cama.
      - J terminou?
      Ariane sentiu  como se ele a  tivesse   golpeado.
      Tinha  descoberto sua  alma ante o Ranulf, declarado seu amor por  ele,  mas  sua expresso   continuava  sendo  fria, seus olhos neutros.
      No,  eram neutros.
      Havia uma dvida ou uma suspeita.
      E ele   parecia  determinado  a ignorar sua  declarao e estava  trocando  de tema.
      - Guarda  suas garras, - Ranulf disse abruptamente.
      - Mandei procurar Layla,  no para  ser minha amante, mas sim por  suas habilidades para curar.
      O desnimo foi  substitudo pela  confuso.
      - Por... curar?
      - Sim,  porque ela  hbil nas artes da curar do oriente; provm de uma famlia de mdicos cujos conhecimentos  so  mais avanados  que todos os dos mdicos
da Europa.
      - Tinha a esperana de  que Layla pudesse  ajudar a sua me  doente.
      Foi o jeito  de  Ariane  olhar fixamente, estava em choque.
      - Trouxe-a ...  aqui.  ... para curar a  minha  me?
      - Para tentar uma chance, sim.
      - Voc  mesma me disse  que um tratamento bem-sucedido para a  lepra   desconhecido  aqui.
      - No se  pode esperar  que Layla   faa  milagres, mas se pudesse aliviar  a enfermidade de sua me, ento  sua vinda ter sentido.
      Como Ariane permanecia   muda, Ranulf continuou.
      - Pedi  a Layla que  trouxesse as  cestas de remdios  que ela tem, da Normandia,  sem  lhe revelar o  porque de sua viagem.
      - Burc ainda est recuperando-se  de suas feridas, assim que todos tero suposto   que a mandei chamar  para atend-lo.
      - Ningum mais saber a verdadeira razo.
      - E espero que a maioria  pense  que Layla   minha amante, como voc.
      - Seria muito  sbio promover esse rumor se   desejamos manter  o segredo  de sua me.
      Atnita, Ariane s podia   olh-lo em silncio .
      - Eu tinha pensado  que estaria  grata, - Ranulf disse secamente, - mas tivesse sido prefervel  que me golpeasse com um sabre.
      - Estou agradecida, - Ariane  balbuciou.
      - E agradecida, imensamente agradecida,  milorde.
      Envergonhada ela se apressou e curvou  sua cabea.
      - Me perdoe milorde... por  meu estalo.
      - Me desculpo...  Humildemente peo perdo.
      Descruzando os braos,  ele caminhou para  ela e colocou  um dedo debaixo  do seu queixo, forando-a  a  encontrar seu olhar.
      Seus olhos ambarinos brilharam  com um  calor que ela  conhecia to bem... e havia algo mais que ela no poderia  nomear.
      - Guarda sua  gratido para a Layla.
      - A mim pode  me pagar com seus  servios.
      - Agora  sugiro que ns falemos com ela para ver o  que  o  melhor para sua  me.
      - Mas... ela atender a uma leprosa?
      - No tenho dvida que  uma moa muito ambiciosa, - Ranulf disse cinicamente.
      -Decidi recompens-la com sua  liberdade e  financiar sua  viagem de volta  a Terra Santa.
      - Ranulf...
      Um  n bloqueou a  garganta de Ariane, fazendo  tremer sua  voz.
      Incapaz de falar,  ela tomou   suas mos e se inclinou  para as beijar, como tinha visto  que Layla fazia.
      Ranulf retirou  suas mos abruptamente.
      - Vem, me ajude  a me lavar e  logo chamaremos a Layla.
      -  Layla no  mostrou nenhuma surpresa ao  ser chamada  pelo  Lorde a seu  solar em presena de outra  mulher bonita, embora fora a antiga  lady   do  castelo
e uma  dama  muito por cima de sua fila.
      A  sensual Layla  sorriu  quando olhou de esguelha  a   cama, mas com  desejosa  antecipao que com desnimo.
      Evidentemente a rabe  tinha  tirado a mesma concluso  que Ariane a  respeito do motivo de sua presena no Claredon: que seriam rivais pelas cuidados  carnais
do Lorde.
      Ranulf entretanto, rapidamente lhe tirou essa  idia, e lhe  explicou sua proposio.
      Sua resposta podia ser lida  nas emoes  que  cruzaram seu rosto extico: decepo,  temor e  finalmente um enorme  prazer.
      Pareceu  lamentar  a  indiferena do Ranulf a seus  encantos, mas estava verdadeiramente ansiosa por ganhar a viagem  de volta  a sua ptria.
      Com apenas um momento de vacilao, ela  prometeu  tentar  com seus melhores esforos ajudar a pobre mulher doente.
      Ariane se sentiu  esperanada  pois Layla  ao menos  faria  um intento  sincero.
       Foi horas mais tarde, depois de viajarem ao setor leste do bosque  de modo que Layla pudesse examinar a Lady Constance, quando Ariane permitiu  que sua  esperana
crescesse incontrolavelmente.
      Layla parecia  confiar em poder dar um tratamento que ao menos  retardasse os efeitos demolidores  da enfermidade.
      Ariane tentou  no  deixar que suas esperanas crescessem  muito.
      Desesperadamente ansiava  acreditar que uma cura para sua amada me era possvel.
      Estava genuinamente agradecida pela presena da rabe, e realmente surpreendida por sentir simpatia  por uma mulher bela que era  uma rival potencial.
      Layla tinha tido  sem dvida   uma vida muito complicada e  dolorosa, deveria ter sido terrvel ser vendida como escrava em uma terra  estrangeira.
      Entretanto, essa noite, estando deitada na cama junto ao Ranulf,  suas preocupaes  a respeito de  Layla voltaram com toda sua fora.
      Ranulf lhe tinha assegurado que no pretendia substitu-la com sua antiga  amante, mas escassamente lhe tinha dirigido a palavra durante a comida da noite.
      E quando se retiraram ao solar, no lhe tinha feito  amor.
      Deu volta na cama, lhe dando as costas.
      Ariane  sentia que a distncia dele no era mera indiferena, de fato, ele parecia   sentir-se incomodado com ela.
      Se ela no o tivesse conhecido  melhor, pensaria que ele estava nervoso.
      Talvez sua declarao  de amor o tivesse  perturbado.
      Agora lamentava  ter vomitado dessa maneira sua  verdade.
      Teria  que  lhe admitir seus sentimentos, mas no  gritando com raiva.
      - Preferiria  ter  a sua  amante rabe  em sua  cama? - Ariane  lhe perguntou  brandamente,  e conteve  a respirao, esperando sua resposta.
      - Disse-te  que  no tenho  nenhum  interesse nela.
      - Ela  muito  bonita,- Ariane murmurou.
      - Os encantos da Layla no  podem comparar-se a seus atrativos, se isso for  o que  perguntas.
      - Ento  por que  te  separa de mim?
      - Fiz algo  que te  desagradou?
      Com um suspiro Ranulf deu volta  e tomou  Ariane entre seus braos.
      Abraada   contra  seu  peito nu,  ela encontrou que ainda assim era   reconfortante e satisfatrio.
      Ranulf acariciava  ausentemente seu cabelo,  mas  continuava  silencioso, sem comunicar-se.
      Parecia distrado, submerso  em seus  pensamentos, apenas consciente de sua presena.
      Na verdade Ranulf estava atnito com sua   confisso  de amor.
      A admisso de Ariane o tinha  aterrorizado.
      Podia ser verdade?
      Podia acreditar  que ela estava apaixonada por  ele?
      Ou isso somente era  outro truque dela para obter uma  vitria?
      Ele queria lhe acreditar.
      Um cacho cor  cobre  de seu cabelo se curvou  ao redor de seus dedos.
      Ranulf o olhou  fixamente por  um momento,  logo  o   levou  para seus lbios. ,
      - Ranulf? - ela murmurou.
      - Disse  srio   o mais  cedo... Eu  te amo.
      - Abruptamente  o sentiu  endurecer-se  contra  ela.
      - Sim? - O cinismo em seu  tom lhe  fez  saber  que ele duvidada.
      Ariane se tornou  para trs, tentando  ver seu rosto.
      - Por que  no pode  acreditar? - ela perguntou.
      - Devido  traio  de sua me  tanto tempo atrs?
      Refletindo sobre  seu  passado amargo, Ranulf levantou seu  olhar, sua boca se apertou  em uma linha rgida .
      - Sim... Suponho... que  em  parte.
      - Eu a odiei... A nobre  que deu a luz.
      - Tomou como amante  a um campons, e destruiu a  honra do varo.
      - Por  ela, minha  vida se transformou   em um inferno em  vida.
      - Talvez ela  permitiu  que seu corao  governasse sua cabea.
      - Acontece, s vezes, quando os sentimentos se tornam  to fortes  que   nada mas importa.
      - O amor nos faz idiotas  s vezes.
      Curvando  seus lbios lhe disse  claramente quanto desprezava a idia do  amor.
      -Amor? -  Ranulf murmurou.
      - Essa palavra no tem nenhum significado para mim.
      -  Nunca conheci o  amor de uma mulher, nunca  o desejei...
      Com tristeza, com  seu  corao  dodo, Ariane procurou  seu rosto.
      Depois dessas experincias, ela  podia compreender por que Ranulf desdenhava   o  amor.
      Por que  tinha  uma pobre opinio  sobre seu poder?
      Por que no  podia acreditar   que uma nobre  poderia ser fiel a seus votos?
      - Milorde, condenaste a  todas ns pelos pecados de algumas?
      Ele permaneceu silencioso.
      - Tem meu  amor e minha  lealdade, - Ariane  jurou brandamente.
      - Com Deus como  minha  testemunha,  entrego a voc  livremente, e com todo meu corao.
      Querendo desesperadamente lhe acreditar, Ranulf procurou  seu  olhar.
 luz da vela, seus olhos  cinzas  pareciam completamente honestos.
      Quase podia lhe acreditar.
      Entretanto  as lies duras de uma vida no  podiam ser esquecidas.
      Ele havia dito  a verdade.
      Ele no  sabia nada do  amor.
      Depois que tantos anos  de dio, duvidada  que fosse capaz de amar.
      Sua boca se torceu  com  uma  amargura  que no  podia esconder.
      - Eu no posso retribuir seu amor.
      - Eu no  tenho  corao.
      Ela colocou sua mo sobre seu peito  nu, sentindo os batimentos do corao constantes, rtmicos debaixo de sua palma.
      - Penso que  tem um,  milorde.
      - S  precisa   ser sacado de seu  escudo de amparo.
      - Seu prprio corao  pareceu romper-se  quando ele  capturou  seu pulso  e lhe fez  tirar a mo.
      - O que  vou fazer com voc? - ele  murmurou  quase  para si mesmo.
      - No pode simplesmente  confiar em mim, Ranulf?
      Ranulf fechou seus olhos.
      Confiar nela seria como despir seu peito para que algum cravasse uma  espada.
      A profundidade de sua desconfiana para as mulheres de sua  classe s  era excedida pelo  dio para seu  pai.
      Sentindo-se de algum modo frgil, ela baixou  sua cabea, pressionando seu rosto em seu peito, como se procurasse refgio.
      No podia  render-se.
      Sabia  que seria difcil ganhar seu corao, Ranulf era algum  que temia profundamente  amar ou confiar.
      Silenciosamente, ela inclinou sua cabea para  depositar um beijo, renovando seu voto de faz-lo am-la.
      Se  s  pudesse  lhe provar sua lealdade, se pudesse faz-lo   superar seu medo   traio.
      De algum modo,  de algum jeito planejava sarar esse homem .
      Se s lhe   pudesse  acreditar, Ranulf pensou    manh seguinte enquanto observava   Ariane  falar  com os serventes  no outro extremo  do salo.
      Algo de seus sentimentos por ela  deve haver-se mostrado  em seu rosto, pois seu  vassalo  comentou.
      - Est apaixonado por ela, admite-o, - Payn murmurou.
      Ranulf tirou seu olhar de Ariane.
      Apaixonado.
      A moa tinha-o  amarrado de ps e mos.
      Ela tinha tomado  o controle dele.
      Surpreso  por seus sentimentos, espreitado  pelas dvidas , Ranulf soube  que era intil tentar esconder sua confuso de seu amigo mais prximo.
      -  a Lady de  Claredon em tudo com exceo  no ttulo,  milorde, -Payn observou.
       -A verdade  que poderia  convert-la em sua esposa de  uma vez.
      Ranulf olhou  fixamente em sua  taa de vinho.
      J finha feito muitas concesses a Ariane  que   virtualmente dirigia  a fortaleza.
      Contra julgamento melhor, rendeu-se a seus pedidos, embora  soubesse   que se arriscava   traio.
      Traio, essa era  a questo .
      - Como posso saber se   posso  confiar nela?
      A frustrao  marcou suas palavras,  enquanto seus punhos apertavam   a taa.
       -No pode, Ranulf, - Payn respondeu  solenemente.
      - Ssimplesmente deve ter  f que  ela ser leal a voc.
      - Eu  penso  que com  lady Ariane  esse risco no  ser muito grande.
      Mas, e  se o fora? Ranulf refletiu.
      Se conhecia  bastante   bem para  poder predizer  qual seria sua reao ante  uma esposa infiel.
       Aoit-la-ia dominado  pelo cimes  e a encarceraria.
      Poderia fazer isso a Ariane?
      Que tipo de marido seria um homem com seu  passado brutal?
      No sabia nada de amor ou de ternura, no tinha nada para entregar a ela.
      Entretanto  com a  luz  do  dia,  suas dvidas retornaram  como  um tortura.
      Poderia  chegar a  esquecer-se   de seu passado amargo?
      Seria possvel  comear novamente... um novo comeo... Com Ariane a seu  lado?
      Ela lutaria com ele  contra o resto do mundo  se fosse necessrio.
      E a respeito de Ariane?
      Ela assegurava am-lo  agora, mas  se ela estava confundida em seu corao?
      Poderia  tolerar que ela sentisse   indiferena ou  desprezo  em algum momento?
      Ranulf a  buscou  com o olhar  e franziu o cenho  com  o que viu.
      O moo,  Gilbert, acompanhava Ariane fora do salo .
      Reprimindo  o impulso de cimes de segui-los e descobrir suas intenes, Ranulf se forou  por  voltar para sua comida.
      No  questionaria sua lealdade.
      Ela tinha  pedido sua confiana,  e a  daria...
      Esta vez.
      Mas era difcil.
      Junto ao salo, em um quarto escuro, Ariane olhou a  seu meio irmo  interrogativamente.
      Embora surpreendida, havia se sentido  aliviada de que Gilbert a tivesse tirado do salo.
      O tinha visto  pouco  nas ltimas  semanas.
      - Minha  lady, tenho uma missiva para voc.
      - Um servo a trouxe para o castelo e me encomendou para que eu lhe entregasse  exclusivamente a voc.
      Gilbert tirou um pedao de pergaminho que tinha dobrado em seu cinto.
      Ariane leu velozmente as linhas da nota.
      - Me de Deus, - ela sussurrou  seu  corao  martelando de repente.
      - O que  , milady? - Gilbert perguntou  ansiosamente.
      - Simon do Crecy voltou.
      Ela olhou  a seu  irmo com desnimo.
      - Deseja que o encontre  no  bosque.




      Captulo 25



      Por grande parte do dia riane agonizou considerando suas lealdades divididas: entre sua fidelidade para  seu  pai e Claredon e o juramento que tinha feito
ao Ranulf.
       Ela queria  desesperadamente provar sua lealdade ao Ranulf.
      Se ela fosse verdadeiramente  leal ao  novo Lorde, entregaria a  missiva do Simon  e   permitiria  que Ranulf tratasse  com  ele.
      Que melhor  prova de lealdade que lhe entregar a  seu inimigo?
      Entretanto ela estaria muito perto de trair ao Simon e  poderia enviar a  um  homem bom   morte.
      Ranulf havia ficado  furioso  com seus  escapamento e com a  emboscada  subsequente.
      Muito pior  seria, se ela  fosse  descoberta  ajudando a um fugitivo, Ranulf veria sua ao como um ato a  mais de traio  de sua parte.
      Mas Simon poderia ter  notcias  de seu pai.
      Ou poderia haver retornado ao Claredon para  procurar ajuda  para a causa do Walter.
      E  Ranulf poria um  fim rpido a qualquer esperana  que  ela tivesse de salvar a seu pai.
      OH Deus!,  Ranulf era um Lorde  justo e piedoso.
      Certamente  no condenaria Simon sem uma audincia.
      Ranulf lhe  daria  a oportunidade de saber do  destino de seu pai e de ajud-lo  se ela podia?
      Me  de Deus, o que  devia fazer?
      A angstia se  mostrou nos olhos  do Ariane quando  finalmente se aproximou do Ranulf enquanto  saa do salo.
      - O que acontece? - ele  exigiu, preocupado  por sua bvia agitao.
      Ela se forou  para encontrar a  coragem para responder.
      - Queria  falar com voc,  milorde... de um  assunto  muito  urgente.
      - Sim?
      - Em particular,  pode ser.
      Assentindo Ranulf a conduziu  ao solar.
      Quando estiveram  sozinhos com a porta fechada, ele  girou para Ariane  e se sentiu  assombrado ao  ver as lgrimas   que brilhavam  em seus olhos.
      - H algo que  quero  te dizer, - ela  murmurou, sua   voz tremendo - tem que ver com   meu pai.
      - Mas  primeiro...
      Uma lagrima rodou  por sua bochecha.
      - Eu  desejo  saber, Ranulf... minha fidelidade  te   pertence  agora...
      - Embora isso  possa significar a morte de meu pai  por traio.
      - Eu  ponho seu destino em suas mos.
      Confundido por essa  declarao, Ranulf a estudou   atentamente, esperando.
      Ariane tragou em seco.
      - O vassalo de meu  pai , Simon Crecy, voltou  para o Claredon e...  pediu  para encontrar-se  comigo.
      Ela pde ver a expresso  do Ranulf obscurecer-se.
      - Ranulf,  lhe rogo isso!
      - Me Oua.
      Por um momento longo  Ranulf  a olhou  fixamente,  no  falou enquanto   tentava  acalmar-se.
      Tomando uma respirao  lenta, procurou  a cara agitada de Ariane, calibrando seu olhar.
      Seus olhos  cinzas   no  guardavam  nenhum segredo, nenhum  engano, s angustia.
      - Muito bem. Tem  toda minha  ateno  moa.
      - O que passa? Me diga,  Simon  planeja um assalto  fortaleza do Claredon?
      Ela Sacudiu a cabea.
      - Eu  no tenho nenhum conhecimento de suas intenes.
      Ante o olhar ctico  do Ranulf, Ariane lhe entregou  o pergaminho que tinha  recebido de seu  irmo.
      - Digo-te  a verdade, Ranulf...
      - No tive  nenhuma comunicao com  o Simon,   exceto   esta mensagem.
      Ranulf leu rapidamente a nota.
      Ariane pensou   que ele parecia  querer  lhe acreditar, ou , ao menos,  lhe dar  u benefcio da dvida.
      Certamente ele entenderia que ela  tinha corrido um  srio risco  recorrendo a Ranulf.
      Ele  podia ordenar que  Simon  fosse capturado e  encarcerado sem justia  ou sem compaixo.
      - Que  desejas  de mim? - Ranulf perguntou  finalmente.
      A esperana cresceu dentro dela  com seu  tom racional.
      - Que me acompanhe para  me encontrar com o Simon...
      - Eu  poderia descobrir que notcias  tem sobre meu pai.
      - Por que devo  fazer  algo assim,  moa?
      - Como posso  saber que voc e esse vassalo  no  me preparam uma emboscada?
       Ariane sacudiu a cabea  outra vez, suas lgrimas rolavam .
      - Simon  um cavalheiro valente  e  leal,  milorde, qualidades  que voc muito  estima.
      - Quando ele escapou do Claredon, planejava  cavalgar para o  norte, ao castelo do Mortimer, com a inteno  de procurar por  meu  pai.
      - No posso  acreditar que ele tenha  participado  do ataque a suas tropas.
      - Tinha  outros homens  com ele?
      - -No sei. Esta   mensagem  tudo o que foi dado.
      - Dado por seu irmo, Gilbert?
      Ela assentiu  reticentemente, no gostava de implicar seu irmo em um conspirao.
      Mas os  olhos agudos do Ranulf  no omitiam nada, sem dvida  porque ele sempre  estava  preparado para  descobrir a traio.
      Ranulf esteve silencioso por um momento longo, e  finalmente  disse:
      -Muito bem,  acompanhar-te-ei.
      Mas levarei uma tropa de cavalheiros equipados para qualquer eventualidade.
      - Agradeo-lhe isso,  milorde, - Ariane disse com gratido fervente.
      - Mas... Simon podia fugir se  te visse.
      - Ento  ser aoitado e capturado, - Ranulf respondeu.
      - Dever te conformar com  isso,  moa.
      Sua voz era firme, mas ela  tinha  aprendido a  reconhecer a nota  de autoridade nesse tom.
      Assentindo, Ariane tragou  suas lgrimas e procurou  uma capa para proteger-se da umidade do dia.
      Ranulf  a seguiu abaixo  inquieto.
      Na verdade, desconfiava  de seus motivos, sabendo que Ariane poderia ter planejado uma armadilha para atra-lo s garras de seu inimigo.
      Mas por outro lado, ela  poderia estar   dizendo a verdade, ele a tinha julgado mal previamente.
      Se era assim, ela o estava pondo em um dilema: lhe tinha posto em suas mos as vistas daqueles a quem ela amava e contava com ele para lhes demonstrar piedade.
      E se visse forado a atuar de modo contrrio?
      No podia permitir que um traidor fugisse.
      E se via obrigado a matar  Simon?
      Podia causar essa dor a Ariane?
      Poderia trair a confiana dela?
      O dia estava caindo para o momento em que ele tinha reunido a seus homens.
      As sombras  que se alargavam  ajudariam a que seu inimigo montasse uma emboscada, Ranulf notou sombriamente.
      Ariane, montada ao lado dele em seu prprio cavalo, estava agudamente consciente do  silncio do Ranulf.
      Com a armadura  e o elmo, ele parecia  a incorporao de um guerreiro invencvel.
       Cavalgaram para o este, ao  bosque onde estava escondida a cabana de sua me.
      - No  muito mais para l,  milorde, - ela  murmurou  enquanto alcanavam  o  prado onde ela e  Ranulf fizeram o  amor  aquele dia da primavera.
      Ranulf levantou sua mo e  ordenou   que as tropas esperassem   ali.
      Sozinho,  ele e  Ariane entraram no  bosque.
      Depois de um momento longo, perto de um grupo denso de lamos, ele deteve  seu cavalo.
      - Simon? - ela falou.
      - Vim como  me pediu.
      O  som inconfundvel do  sussurro do  ao   respondeu  suas  palavras.
      Em um instante, Ranulf extraa sua espada preparado para a  batalha, preparado para lutar.
      - No, Simon! - Ariane gritou.
      - Simon! Detenha! No pretendemos te fazer mal!
      No  silncio resultante, podia ouvir seu corao pulsando pesadamente.
      - Jurando sua inocncia ao novo Lorde  de Claredon, se levantar sua  espada contra  ele,  declara-te como seu inimigo.
      Quando nenhuma resposta  veio, Ranulf adicionou:
      -Te mostre, Simon Crecy.
      - Nenhum  homem de honra  se esconde nas sombras.
      Com a cara sombria, sua mo apoiada no  punho de sua espada desembainhada,  o  cavalheiro alto saiu de trs do tronco grosso de uma rvore.
      Cada um de seus passos falava de sua  irritao  e sua desconfiana, mas ele enfrentou ao poderoso  lorde  normando sem vacilar .
      Tirando seu olhar do Ranulf, Simon  lanou a Ariane um olhar de recriminao.
      - Milady, esperava mais discrio  de voc.
      - Eu no  escondo nenhum segredo de milorde Ranulf,-  ela respondeu.
      - Ele aceitou  te ouvir.
      - Como est, Simon?
      - Bastante bem, milady.
      - Pode  falar livremente, - Ariane lhe assegurou.
      - Tem notcias  de meu pai?
      - Notcias? Sim.
      - Mas nenhum  xito  para reportar.
      - No  ganhei acesso ao castelo do Bridgenorth,   assim s  posso contar rumores.
      - O que soube?
      - No  tenho nenhuma prova,  milady . Somente suspeita.
      - Nos diga, -  ela o incitou.
      - O  assdio do Bridgenorth est desgastando aos defensores, - Simon respondeu, mantendo sua ateno  no Ranulf.
      - O rei Henry estava preparando-se para mover as  mquinas de  guerra perto  dos muros   quando Hugh Mortimer enviou  uma comisso  para acordar os  trminos.
      Quando os representantes do Mortimer se encontraram  com  o rei,  pude interrogar brevemente  a um pajem . O moo disse que   Lorde Walter   prisioneiro
e est no calabouo  da torre porque se recusa  a declarar-se  contra o rei  Henry.
      - Prisioneiro? Recusa-se?
      - Uma quebra de onda  feroz de esperana cresceu dentro de Ariane.
      Se fosse  verdade, isso significava  que seu pai no  era  um traidor!
      Excitada  com essa  possibilidade, comeou a  questionar mais e  mais  a Simon, mas ele a  advertiu.
      - Diz-se que Walter est doente, milady.
      - Se ele se ops ao Mortimer, h muitas probabilidades de  que est sendo castigado por seu  desafio...
      - Que o privem de comida,  ou que o  torturem.
      - Mortimer  conhecido por ser desumano em sua raiva.
      Ela girou para implorar a Ranulf.
      - Ranulf... por favor, deve  permitir que  eu  v l.
      - Sua condio  pode ser muito  grave.
      Os olhos ambarinos do Ranulf no  mostraram  nenhum sinal   de que sua  resoluo  se debilitasse.
      - Seu pai foi  acusado de alta traio.
      - Espera que creia em sua  inocncia sem provas?
      - Juro-o, - Ariane prometeu com  angstia, - quando ele partiu  para Bridgenorth, ele no  planejava nenhuma traio.
      - Voc  ouviu Simon.
      - Meu pai  homem do Henry.
      -  verdade, - Simon adicionou   solenemente.
      - Walter considerou alguma vez declarar sua lealdade ao  filho bastardo do Stephen, Willian.
      - Mas se deu conta de seu engano quando conheceu o jovem.
      - Sabia   que a Inglaterra necessitava  de  um  governante  forte e estava completamente  decidido a apoiar ao novo rei.
      - Sim - Ariane disse seriamente.
      - Meu pai  estava torturado  pelas lutas internas  que tinham  separado a Inglaterra, e dava bem-vinda  a um  governante   que pudesse nos dar   paz.
      - Entretanto  Walter provia  ao Mortimer com seus cavalheiros para ajudar  rebelio, - Ranulf lhe  recordou.
      - Nega a verdade disso?
      Ela sacudiu a cabea.
      -S  levou  esses cavalheiros  porque tem um juramento de lealdade com o Mortimer, porque estava obrigado pela   honra a  cumprir com o pedido.
      - Ante  sua defesa apaixonada, Ranulf franziu o cenho  em  contemplao.
      Ariane sempre havia sustentado a inocncia de seu pai,  e na verdade, tinha pouco   sentido que Walter se unisse    rebelio contra   Henry quando tinha tentado
manter uma neutralidade  no tumultuoso  mar da  poltica  durante  duas dcadas.
      Seria  uma  estupidez declarar-se contra  um novo rei  poderoso que  j  tinha o apoio de grandes Lordes  da Inglaterra e Walter no  parecia ser um idiota.
      Longe disso. O Lorde do Claredon tinha sido muito ardiloso.
      Reticentemente Ranulf se encontrou  sacudido pela  defesa fervente de Ariane a respeito de seu pai.
      O ambicioso  Hugh Mortimer tinha   motivos para  rebelar-se contra Henry, era um poderoso Lorde e  tinha sido   partidrio do Stephen; Mortimer, sem dvida,
abrigava a  iluso de poder sair  vitorioso  nessa batalha de vontades.
      Mas cabia   possibilidade de que seu vassalo Walter fosse  inocente de traio  e que  fosse  retido como  refm  do Mortimer.
      Enquanto Ranulf deliberava, Ariane cravou  as unhas  em suas palmas, esperando ansiosamente   uma deciso.
      - Meu pai  no   culpado, - ela repetiu  finalmente em um tom  baixo e  implorante.
       - E de algum modo eu devo  prov-lo.
      Ranulf levantou seu olhar  para  ela, mas ela  no  podia ler sua  expresso.
      - Poderia ir-me encontrar Henry  e lhe expor  o  caso  de meu pai.
      - No... - Ranulf sacudiu a cabea  lentamente.
      - Conheo bem ao Henry.
      - No  te ouviria.
      - Tem a inteno  de extinguir completamente a rebelio  e estabelecer um exemplo para os  Lordes que desafiem seu reinado.
      Ariane  mordeu os  lbios.
      No  podia permanecer passiva quando existisse uma possibilidade de poder  salvar a  seu pai.
      - Ranulf, por favor,  rogo-lhe isso, me  permite que v.
      - Tomando-se  seu  tempo,  Ranulf embainhou lentamente sua espada, antes de responder.
      - No...- No...! Mas...
      - Levantando sua mo, ele cortou  seu grito de protesto.
      - Eu  irei ao  norte  ao acampamento  do rei e  falarei diretamente com  o Henry.  Ao menos  me  ouvir.
      Ariane o  olhou  fixamente,  apenas se atrevia a  acreditar que Ranulf se incomodaria  tanto por sua causa.
      - Mas  se Walter for culpado... - adicionou   em  advertncia.
      Seus olhos ambarinos a olhavam atentamente.
      - No haver  nada que eu  pudesse  fazer por  ele, mas pedirei ao rei clemncia.
      Sua esperana uivou, seu amor por ele cresceu tanto que ela pensou que seu corao estalaria.
      - Faria isso por mim? - Abruptamente  Ranulf respondeu desonestamente.
      - Fao-o pela justia.
      - Eu no gosto de ver um inocente condenado.
      Ansioso por trocar de tema, Ranulf se  dirigiu ao Simon.
       - Entregue sua espada, e me d seu juramento de lealdade.
      Simon curvou  sua cabea.
      - Entregarei minha  espada,  milorde, e prometo nunca  levantar uma mo contra voc, mas   no posso fazer tal juramento.
      As sobrancelhas  do Ranulf se elevaram.
      - Nega sua  lealdade a seu Lorde?
      - No nego   que   o Lorde  aqui, - Simon respondeu.
      - Tem o  controle do Claredon.
      - Mas  no te  jurarei   lealdade,  milorde.
      - Sou homem de Walter, sou seu  vassalo jurado  e  meu juramento  sagrado.
      Ranulf assentiu, respeitando  a um homem que mantinha  seus princpios  ainda a risco de sua  prpria vida.
      Ele faria o mesmo no  lugar do Simon.
      - Milorde, -  o cavalheiro adicionou, - se  me permitisse manter  minha espada,  poderia us-la para proteger o  interesse de Lorde Walter.
      - Tinha a esperana de  reunir uma fora  para ajudar a sua defesa, mas  se voc  me permitir cavalgar sob  sua bandeira.
      - Sim, - Ranulf concordou.
      - Ser bem-vindo.
      - Seria melhor  retornar  ao Bridgenorth quanto antes.
      - O tempo pode ser essencial.
      - Partiremos  amanh,- Ranulf lhe assegurou.
      - Agora  vem, retorna conosco ao Claredon de modo que possa instruir a  meus homens   do respeito ao  estado de  assdio.
      Ranulf e Ariane esperaram enquanto Simon procurava seu cavalo escondido, e logo  os trs montaram juntos para o Claredon.
      Todos viajaram  em silncio.
      Os pensamentos de Ariane  giravam em torno das esperanas  a respeito de seu pai, enquanto Ranulf avaliava  um curso de ao possvel.
      Tinha prometido  ajudar a seu pai,  mas  havia poucas probabilidades de xito em  sua misso,  possivelmente Walter no  fosse exonerado como Ariane desejadv
to  desesperadamente,  e era possvel que seu prprio  destino  fosse selado pela  sentena  de seu pai.
      Como a filha de um traidor sentenciado, Ariane sofreria  indignidades impensveis, perderia todos os direitos s propriedades,  ficaria em condio de destituda,
sem dote nem o mais pobre dos conventos  a aceitaria.
      A menos que ele  interviesse.
      Havia uma maneira  de proteg-la.
      Ranulf tomou uma respirao  profunda.
      Se  convertesse  Ariane  em sua esposa, poderia protege-la das consequncias da  traio  de seu pai.
      Na verdade, sua prpria  honra exigia  que ele  fizesse alguma espcie de reparao, Ranulf admitiu  com um  ponto   de culpa.
      Havia empreendido uma guerra  impiedosa  contra  ela em sua determinao de livrar se  do  compromisso matrimonial , tratando  Ariane como uma inimiga  que
deveria ser  esmagada.
      Tinha sido  uma luta desigual, e  ela, uma oponente  muito mais dbil, apesar de  sua coragem, de sua teima  e do  apoio de sua gente.
      Nenhum  cavalheiro digno desse titulo  violaria os cdigos do cavalheirismo  como  ele o tinha feito.
      Pior ainda, ele  tinha  usado seu corpo para seu  prprio prazer  e como uma  arma contra  ela.
      Tinha desonrado  Ariane forando-a a  compartilhar  sua cama.
      E ao final, tinha obtido sua rendio, lhe tinha  prometido sua lealdade como seu Lorde,  e  fazendo isso , tinha-o  feito responsvel por seu  bem-estar.
      Estaria partindo pela manh.
      Teria que  atuar agora, essa  mesma noite, se decidia proteg-la.
      Ranulf podia sentir seu corao  pulsando pesadamente  enquanto  tomava uma deciso.
      Tomaria  Ariane como sua esposa.
      Agora , essa noite, antes que pudesse  trocar de idia.
      Se essa ao os unisse irrevogavelmente, era uma considerao  que se recusou a  examinar em profundidade.
      Seu corao ainda pulsava irregularmente quando alcanaram o  salo  onde   muitas  pessoas do castelo  estavam  jantando.
      Ariane partiu para as escadas, dizendo que o  deixava para consultar com seus homens, mas Ranulf a  deteve  com uma mo em seu  brao.
      - Fica, milady.
      Girando para chamar um servente, ordenou ao homem que procurasse um sacerdote.
      Ela deu  ao Ranulf um olhar  interrogativo.
      - Passa algo,  milorde?
      - No... voc finalmente far realidade seu desejo, moa, - ele respondeu  criticamente.
      Sua confuso  aumentou.
      - Meu desejo?
      - Procurava te transformar  em  minha  esposa.
      - Antes de partir,  descidi  me casar formalmente.
      Com a  boca aberta, Ariane olhou  fixamente Ranulf, estava  em choque.
      - Por que? -  ela perguntou  finalmente.
      - Por que?
      - Por que voc  aceitaria  uma unio  formal entre ns  depois de todo este tempo?
      - Depois de te haver oposto to  firmemente ao matrimnio, e a mim.
      Ranulf desviou o olhar, reticente em encontrar  com os olhos dela.
      - Porque o rei  Henry o deseja.
      - Quando  o vi por ltima vez,  incitou-me  a aceitar a idia do matrimnio.
      - Se quero   procurar seu favor,   prefiro  no   faz-lo de  uma posio  de debilidade.
      - Isso  tudo? - ela perguntou.
      - Essa  a nica razo?
      No era a nica razo, nem sequer a mais importante, embora  era verdade  que  ele poderia  fortalecer   sua posio  aceitando  os desejos do Henry a respeito
do matrimnio.
      Mas Ranulf  no estava disposto a  confessar seus sentimentos a respeito de Ariane, ou divulgar  sua  necessidade de proteg-la, ou expor sua debilidade  por
ela, ou  que seu desejo  se transformou em uma obsesso.
      - Essa razo   suficiente, - Ranulf respondeu  secamente.
      - No,   milorde, - Ariane disse finalmente, sacudindo a cabea .
      -  No  suficiente. No  para mim.
      Ela tomou uma respirao  profunda.
      - Voc poder escolher te casar por questes polticas, Ranulf, mas eu no posso.
       No  pronunciarei os votos para ser  sua esposa. No  me   casarei.




      Captulo  26



      Foi o turno do Ranulf de olh-la  fixamente.
      Havia dio?
      - Disse que te nega?
      - Sim ,  milorde, - Ariane respondeu  brandamente.
      - No  me   casarei.
      Nunca tinha  considerado possvel que ela se recusasse.
      Mas  talvez  Ariane estivesse   fingindo acanhamento  por  sua oferta magnnima  para  poder ganhar mais concesses   dele.
      Irritado  por seu plano, lanou-lhe  um olhar fulminante, um olhar  que fazia tremer at os  homens  mais valentes.
      Mas ela no se alterou.
      Ariane lhe devolveu um olhar sombrio, sua expresso  era de uma  tristeza  incrvel.
      - Voc alguma vez pensou que uma razo poltica era adequada para te casar, - Ranulf assinalou razoavelmente.
      - Isso... isso  foi antes que chegasse a te conhecer.
      O cenho franzido  se desvaneceu, para ser substitudo pela incerteza verdadeira.
      - O que quer dizer com antes que chegasse a te conhecer?
      - Conheo-te muito melhor agora, Ranulf.
      - E isso  pesa muito mais que qualquer motivo  poltico.
      Ela desviou o olhar.
      - O motivo  original para uma aliana entre ns j no  existe.
      - Aceitei um matrimnio arrumado  para agradar a meu pai, e para lhe dar ao Claredon um Lorde forte quando  meu pai morresse.
      - Mas como  voc  recorda disso   frequentemente, j   o Lorde do Claredon.
      - E meu pai, na sua situao  atual,  sem dvida, tem  coisas mais  importantes para preocupar-se que  com quem me caso ou no.
      Uma sensao de desespero assaltou ao Ranulf.
      As circunstncias entre eles  tinham   trocado  radicalmente mas ainda  existiam  razes  vitais  para o matrimnio.
      Ele tinha aceito inicialmente o compromisso  para aumentar  suas propriedades, e  essa justificativa ainda  tinha sentido.
      Queria herdeiros  de Ariane.
      E a questo poltica  tambm era importante, especialmente  porque  o rei  o  pressionava ao matrimnio.
      Ambos  tinham boas  razes  para casar-se, assim   Ranulf tentou  convencer-se.
      No queria examinar  a profundidade  de seu desejo   em  casar-se  com Ariane agora.
      Era suficiente com que estivesse  disposto a honr-la  como sua esposa.
      - Os trminos  do  contrato sero  generosos, se isso a preocupa, -  ele disse finalmente.
      - No me preocupa.
      Ariane tomou uma respirao  profunda, reunindo cada grama de coragem que possua, sabendo que estava  fazendo a aposta maior de sua vida.
      - Agradeo-lhe isso milorde, mas  devo  declinar sua proposta.
      Ele ainda no  podia acreditar que ela se recusasse.
      Tinha  esperado que  ela aceitasse imediatamente  a  oferta.
      Sentia-se irracionalmente trado por seu rechao.
      No podia identificar a dor dela.
      Ento se refugiou na irritao.
      No foi consciente da gente que se reunia ao redor deles, esperando suas ordens.
      - Vamos discutir isto em particular.
      - Vamos ao solar.
      - J - ele ordenou.
      Subiram as escadas sem falar.
      Uma vez no solar, Ranulf disparou:
      - O que  todo este absurdo?
      - Por semanas me estiveste perseguindo para que te fizesse minha esposa.
      - No te persegui, - Ariane respondeu  brandamente.
      - Nem  um absurdo minha  posio.
      -  que j no  espero me casar.
      - Por que no? - Ranulf exclamou,  tiroteado entre a  frustrao, a dor e a raiva.
      Seu prprio olhar transmitia  angstia.
      - Porque vais acreditar que eu te forcei ao matrimnio  para  salvar minha  prpria vida e minha herana.
      - Que eu o forcei  a um matrimnio que te  desgosta.
      - Nunca obrigaria a algo que  desagradvel  para  voc, milorde.
      Ranulf a olhou  fixamente  por um momento longo.
      - No seria desagradvel  para  mim, - ele admitiu  finalmente, ressentidamente.
      - No  te  forarei a te casar  contra  seus desejos. - Ranulf sacudiu a cabea.
      - Embora tentasse me forar com cavalos selvagens  no  poderia me forar  a me casar.
      - Mas esse no  o caso.
      - Eu aceito a  unio.
      - E  estarei atuando de acordo com os desejos de   meu rei...
      - Os desejos do rei Henry no  so uma razo  suficiente para mim, - Ariane repetiu  ternamente.
      Murmurando  um insulto, Ranulf sacudiu a cabea  outra vez com incredulidade.
      - Aceito  te honrar   e te fazer  minha  esposa, e voc recusa isso?
      - No,  no posso  acredit-lo, moa.
      - Casa-te comigo  esta noite de acordo com o   planejado, de modo que eu possa  partir amanh com a conscincia  limpa.
      Seu queixo   se levantou.
      - V, Ranulf?  Chama-me "moa" com esse tom de  desprezo, como se eu  fosse sujeira sob  suas botas.
      Surpreso Ranulf respondeu.
      - No  minha inteno.
      - Eu  chamo "moa" a todas as mulheres.
      - Sim. - o n  em sua garganta fez  tremer  sua voz.
      - Mas eu desejo significar  mais  que as  outras mulheres.
      - Quero ser  mais, muito mais,  milorde.
      - Quero  ser aceita como sua companheira  na vida, a  me  de seus filhos,  seu amor verdadeiro, no  sua  amante ou sua  escrava.
      - Pede muito, moa.
      - Nem  tanto,  milorde.
      Seus  lbios se  apertaram.
      - Quer-me ver de joelhos?
      -  isso o que  quer de mim?
      Ariane sacudiu a cabea  com tristeza.
      -Ento, que diabos quer?
      - Quero  um marido que possa confiar em mim, por exemplo.
      - Confiana? - a fronte do Ranulf se enrugou.
      - O que tem que ver com este tema?
      -Tudo,  milorde.
      - Voc acredita que as mulheres da nobreza  no podem ser fiis a seus votos de honra  e at agora te recusava  considerar uma unio  com uma nobre   devido
a  essa idia  irracional.
      Tomando uma respirao  profunda para controlar a tenso que crescia dentro dele,  Ranulf decidiu  enfatizar mais as vantagens da unio.
      - Devo  enumerar  quais sero   seus direitos como esposa, moa?
      - No,  no me importam.
      - No lhe importam?
      Sua boca se curvou  escpticamente.
      - E se eu morresse?
      - Estarei cavalgando para um acampamento  armado, a um castelo de baixo assdio.
      - Poderia ser morto  por uma flecha ou ser atacado por bandoleiros no  caminho.
      Como  minha  viva  teria  direitos determinados a minhas  propriedades.
      Comoveu-se ante a idia  de  que Ranulf morresse, mas se recusou  a ceder.
      - Julga mal   meu carter, - Ariane disse com tranquilidade.
      - Sim,  acreditas  que as consideraes da riqueza e do  poder so o  desejo para ser sua esposa.
      - Bem,  ento... Como minha  esposa teria mais influncia  sobre seu amado  Claredon, - ele indicou.
      - Talvez... Mas Claredon sobreviver sem  mim.
      - Voc a governaria  bem sem mim, no  tenho  dvidas.
      Seus  olhos  se estreitaram.
      - Se consigo  liberar a seu pai,  ento reconsidera a proposta?
      - Minha  deciso no   tem  nada que ver  com meu pai.
      - Estou profundamente agradecida  por tudo o que  faz por mim e por minha  famlia, Ranulf.
      - Mas sua generosidade para com meus pais no determinar minha deciso neste tema.
      Uma estranha sensao  de pnico cresceu  em  Ranulf, mas conseguiu  control-lo com uma nova quebra de onda  de  raiva.
      -Talvez   se esquece de um detalhe importante, milady,- ele  disse firmemente.
      - Ns podemos j estar  casados.
      - Seu truque do sangue  nos lenis poderia ser a causa de nossa unio, queira-o  ou no.
      - Roma  poderia  recusar-se  a  dissolver o matrimnio.
      - Existe a mesma  probabilidade de que a anulao  seja concedida, - Ariane ops.
      - Sim a petio  no  se expediu  ainda, retirarei minha  petio.
      - J no solicitarei  a  anulao.
      Ela no respondeu.
      Sua mandbula se apertou, Ranulf tinha um bom argumento.
      - J considerou as consequncias se  te recusar  a casar?
      - Se seu pai fosse culpado, seria  destituda de sua fila e  de vocs e de suas  posses, te vendo   forada a implorar para conseguir o  po de todos os dias.
      - Provavelmente o rei te foraria   a casar com  um homem que ele  exigiria.
      - Isso   uma alternativa prefervel.
      - O rei  Henry me entregar a um homem que no posso  amar ou nem sequer  respeitar...
      - Mas prefiro isso  a que voc chegue  a me desprezar.
      Ante  sua declarao, Ranulf de repente se sentiu dbil, paralisado, como se lhe tivesse perecido uma espada no estomago e entretanto ele ainda no  podia
sentir a  dor.
      O  golpe que  tinha  recebido  se mostrou em suas feies .
      Desanimado por sua reao, Ariane se moveu  para  ele,  estendendo uma mo implorante.
      Tinha   que  fazer  que Ranulf compreendesse  que no estava rechaando-o.
      Mas sim o  deixava   livre para  escolher, lhe dando  a possibilidade de decidir  o que verdadeiramente  queria.
      - Ainda no  compreende,  Ranulf?
      - Quero  ser sua esposa.
      - Mas se  no  puder admitir seus sentimentos mais profundos, se no me deixa saber o que h em seu  corao, nossos  coraes   nunca podero ser um,  e por
isso devo declinar sua oferta de matrimnio.
      Ranulf desviou o olhar.
      - Quer  que te convena com palavras doces, mas sou um soldado, no  um poeta.
       - No. -  Ela respondeu  seriamente.
      - No me importa as  palavras que usa, embora se me amasse verdadeiramente,  no  vacilaria  em grit-lo o que importa  o que sente por mim.
      - Se  no  pode confiar em mim, se pensa que estou forando  este  casamento,   chegaria a me odiar.
      - Ranulf...  Eu  no  poderia  tolerar  que isso acontecesse.
      - Eu  nunca poderia  te odiar, -  ele disse rigidamente.
      - Mas  no  me ama.
      Houve um silncio comprido, tenso.
      Ariane o olhou  com tristeza.
      - Bom, ao menos deseja  meu corpo.
      - Mas quando te cansar  de mim,  o que acontecer?
      - Me deixar de lado?
      - Recorrer a outra  mulher como  consolo?
      - No poderia tolerar te perder dessa maneira.
      - Meu corao  no  poderia suport-lo.
      -  melhor  no  me casar.
      Ranulf a olhou  fixamente,  ansiando poder  negar sua acusao.
      Ela estava equivocada.
      Ele queria mais  que o  corpo de Ariane.
      Queria estar unido  a ela.
      E a  queria.
      Ansiava  desesperadamente  poder confiar nela,   saber que no  o  trairia.
      Queria que ela descobrisse  seu corao,  que o liberasse do  medo dentro dele.
       Queria am-la. Mas no  podia forar essas palavras  pela  tenso  em sua garganta.
      A dor fez  dura sua voz.
      - Tem a oferta de minha  mo. Quer  minha  alma tambm?
      - No, Ranulf, - Ariane disse com tranquilidade.
      - No  sua alma. Seu corao.
      - Quero seu amor. Nada mais e nada menos.
      - Quando puder dizer livremente que me ama, ento  eu  proclamarei meus votos diante de Deus com todo o  amor de meu  corao.
      Como podia admitir amor quando no tinha  corao?
      Ranulf queria gritar.
      Como podia dar o que no  possua?
      Ele  permaneceu  em silncio, Ariane sorriu  com tristeza.
      -  um homem, Ranulf, um homem  digno  de meu  amor e minha devoo.
      - Mas voc no pode acreditar ser digno disso.
      - No pode  confiar em mim.
      - E at que no   possa  dizer verdadeiramente que me ama,  eu  no posso  ser sua esposa.
      Lendo sua resposta no vazio  de seus olhos.
       - Acredito que no..., - ela murmurou, com dor em seu  corao.
      As pontas de seus dedos  roaram  sua bochecha.
      Ranulf se moveu  como se o tivesse  queimado.
      - Pede-me  muito, -  ele disse quase  amargamente.
      -Talvez. Espero  que no.
      Apertando  os dentes, Ranulf deu volta apartando-se  e  foi para  a porta .
       - Este tema  no  est  fechado  entre ns, - ele disse falando sobre seu ombro, antes de deixar  o  quarto, fechando  a porta  com fora.
      - Rogo que  no, - Ariane sussurrou, perguntando se  no  tinha cometido um engano terrvel.
      Tomaria ao Ranulf sob qualquer condio, se  s pudesse acreditar que casando-se  com ele  no o sentenciava a uma vida de misria.
      O amor no  podia sobreviver sem  confiana.
      Sou uma idiota  por  querer  ter sua confiana, meu  amor
      Suspirou, sabendo que  no  podia  permitir-se  perder  a esperana.
      Algum dia,  se Deus quisesse,  ela penetraria a armadura ao redor  do  corao  do  Drago Negro.
      Enjoado, sentindo como se tivesse recebido um golpe de lana diretamente sobre seu  peito, Ranulf baixou ao salo e tomou seu  lugar na mesa principal.
      - Passa algo? - Payn perguntou.
      - Ela rechaou  minha  oferta de matrimnio, - ele disse.
      Payn estava  assombrado.
      - Rechaou-a?
      - Sim, ela  no  quer   casar-se, pode  acredit-lo?
      - Diz que  eu  no confio nela  o  suficiente.
      Seu  vassalo o observou  em silncio,  finalmente diss:
      - Confia nela, milorde?
      - O suficiente para me casar com ela.
      - O que mais pode pedir de mim?
      Payn  demorou para responder.
      - Suponho  que posso   compreender sua posio.
      - Pode? - Ranulf sacudiu a cabea  amargamente, tentando  negar a emoo  que  lutava  dentro de sua alma.
      Deveria  estar agradado pois Ariane  o tinha  rechaado.
      Por semanas  tinha  tentado evitar  um  matrimnio.
      Por que ento  sentia  essa dor em seu  estomago , e em seu peito?
      Por que sentia  medo?
      No era medo de comprometer-se  com  Ariane, mas sim  de perd-la.
      - Ento  talvez  pode  me explicar sua resposta, - ele replicou sombriamente.
      - Nunca  vou compreender o  funcionamento  da mente de uma mulher.
      - Temo que esse  seu  dilema,  milorde.
      - Lady Ariane no  como as outras mulheres.
      - Ela disse o mesmo, - Ranulf respondeu.
      A expresso  do Payn se fez  grave.
      - No pode lhe dar  a confiana que ela  pede, Ranulf?
      - Ela olhou  a mesa.
      - O que importa se o fao ou no?
      - Penso que  bastante importante para ela.
      - Vrias vezes tinha suspeitado que lady Ariane  fazia algo mau entretanto   cada vez que   duvidou, ela  provou  que suas suspeitas  eram falsas.
      - Mas voc no aperdoa de  sua  traio  e seu engano.
      -  ela quem tem motivos para duvidar de pr sua vida em suas mos.
      Era verdade, Ranulf admitiu.
      - A amas?
      Ranulf se sobressaltou.
       No podia responder a isso com certeza.
      - Honestamente... no sei.
      - Ento te aconselho que revise o que sente por ela, milorde.
      - Procura em seu corao, sua conscincia.
      - Se sentir algo mais que paixo por ela, ento diz.
      - A mulher gosta de ouvir isso.
      O padre John se aproximou apressadamente.
      - Mandou me chamar, milorde?
      - Parece que j no  tenho nenhuma necessidade de seus servios depois de tudo.
      - Nenhum  cerimnia  de casamento se celebraria essa  noite.
      - Absorvido em suas prprias reflexes escuras, Ranulf apenas no lhe disse mais que duas palavras a Ariane durante o jantar, e  logo   permaneceu   no salo
com seus homens  at bem passada a meia-noite, retardando  o  momento em que  teria que   confront-la outra vez.
      Quando finalmente  ele se aproximou dela, perturbando seu corpo morno  pelo sonho,  ele no fez  nenhuma meno da  tempestade que reinava em seu  corao.
       Mas  lhe fez  amor com uma  urgncia feroz, bordeando seu  desespero.
      Mas  no  importava to  mal as coisas estivessem entre eles, seu  desejo por ela no tinha diminudo.
      Sua paixo  era indisputvel.
      Ela o acompanhou  ao ptio  manh seguinte enquanto Ranulf se preparava para partir para o  acampamento  de Henry.
      Seu garanho  chutava a terra impacientemente  enquanto ele  dava as instrues finais  a seus vassalos que permaneceriam no castelo, incluindo Payn.
      Deixou  a despedida de Ariane por  ltimo.
      Quando finalmente Ranulf  girou para ela, no  podia expressar as palavras que  ela  ansiava  ouvir.
      - Farei tudo o que possa por  seu  pai, -  ele disse duramente  enquanto  colocava suas  luvas de couro.
      Ela estudou o rosto  duro e impasivo  do Ranulf, ansiando  estar em seus braos, desejando  poder pr as  coisas em ordem  entre eles.
      Sua distncia lhe doeu.
      -Agradeo-lhe isso, milorde.
      No  a tocou,  no  lhe deu um  abrao nem  a beijou que era o que Ariane ansiava que  ele fizesse.
      Seu corao  sangrou, enquanto ele  montava   seu cavalo  sem  falar.
      Mas enquanto  tomava  as rdeas, Ranulf fez outra  concesso para a ela.
      Em uma voz forte bastante alta  para que todos ouvissem, dirigiu-se claramente a ela.
      - Milady,  encarrego-te de manter  este castelo seguro para mim.
      - Cuida-o bem at meu  retorno.
      Ariane sentiu  um  n em sua garganta.
      Ranulf  lhe tinha feito  saber que  ele deixava  seu castelo em suas mos.
      Confiava nela  muito.
      S podia   esperar que  algum dia chegasse a  confiar nela com seu corao.
      Com um sorriso  trmulo, ela assentiu  solenemente, aceitando o encargo.
      - Como diz,  milorde.
      Ela pensou  que  ele partiria sem outra  palavra, mas estava errada .
      Sem nenhuma advertncia, Ranulf murmurou  um insulto  e se  inclinou para baixo para captur-la pela  cintura.
      Levantando-a, cobriu sua boca ferozmente com a sua.
      To abruptamente como tudo  tinha comeado, Ranulf a soltou.
      Seus olhos ambarinos eram enigmticos, sem outra  palavra girou seu cavalo e encabeou  a coluna de cavalheiros e de soldados.
      Atravs de um borro das lgrimas Ariane observou  como ele cavalgava sem olhar  pra trs, a  bandeira  com  seu drago flutuando  provocativamente  com a
brisa da primavera .




      Captulo 27



      Foi um rodeio perturbador  para Ranulf.
      Seus pensamentos o espreitaram durante toda  a viagem ao norte, enquanto os conselhos de seu  vassalo ecoavam em sua mente a  procura em  seu corao...
      O que sentia  por  Ariane?
      O que, alm da paixo,  jazia  escondido  nas profundidades de seu corao?
      Sua natureza  generosa, sua  defesa incondicional  de sua gente, sua devoo  para quem amava, sua mente apaixonada , toda apontavam  a algum que era confivel.
      As mulheres frequentemente no se destacavam por sua  fidelidade  ou seus  princpios elevados, mas dentro do peito  de Ariane havia  um corao  com  honra,
com   coragem e  honestidade prprias  de um cavalheiro valente.
      Era mulher para um guerreiro, digna de ser a esposa de um Lorde.
      Muito mais  que digna, Ranulf concluiu  sombriamente.
      Tinha estado  to cego por seus prejuzos,  por suas  experincias amargas, que se tinha recusado a   ver e a admitir que estava perdendo  seu corao  para
ela.
      No  podia resguardar e proteger seu corao  do mesmo modo em que podia fazer com  uma armadura, ele tinha  descoberto  dolorosamente.
      E   agora apanhado  por laos de  seda.
      Por Deus!
      Esperava que Roma no  concedesse  a  anulao.
      Se assim o fizesse, no teria  nenhuma forma de reivindicao legal sobre Ariane.
      Poderia renunciar? A pergunta era absurda.
      No  poderia enfrentar o vazio de uma vida sem ela.
      No,  no  poderia perd-la.
      Entretanto o  preo de sua aceitao era seu corao.
      Ranulf tomou uma respirao  profunda, apertando seus olhos contra as imagens  que o  atormentavam: Ariane desafiando-o a olhar a vida  de  sua amargura  e
de seu  dio.
      Ariane rindo,  Ariane fazendo amor com ele... seus seios  suaves  descansando  sobre seu peito, suas mos frescas rodeando-o, acariciando-o.
      Ariane  rechaando  sua oferta. Sim. Podia lhe dar seu corao.
      J o  tinha  dado.
      Queria-a desesperadamente, amava-a. E ela o  amava.
      Seu desejo ia alm do sangue, da  febre da  carne.
      Vinha de um lugar  profundo dentro dele.
      Ele  Havia ficado perdido, algo nele que no  sabia que possua.
      Amor! Abrindo seus olhos ao dia cinza, Ranulf olhou  a campina inglesa diante de si, saboreando  as palavras em sua  lngua. A amo.
      Arrojando sua cabea  para trs riu, assombrando a   seus homens.
      Pela primeira vez em  sua vida se sentia  liberado da  carga de amargura que sempre tinha carregado.
      Sentia-se como um beb recm-nascido, indefeso, inocente, maravilhado com  mundo  a seu redor.
      Amava  Ariane, sua necessidade  dela era to pura e forte como sua necessidade pelo  ar.
      Se finalmente lhe pertencia, no  pediria nada mais da  vida, limitar-se-ia a ficar  entre ela e o  mundo, protegendo-a de qualquer tristeza  ou perigo...
Recordou sua tristeza ao despedir-se.
      Mas no  haveria  mais tristeza.
      Ele tinha quebrado  as cadeias de seu passado,  e a  honraria como ela   merecia.
       Entretanto havia um trabalho que tinha que  ser feito, Ranulf se recordou de repente.
      Tinha jurado ajudar a seu pai.
      Pela felicidade de Ariane, rezava que Walter fosse  inocente.
      No  podia tolerar a  idia dela sofrendo por ver seu pai sendo pendurado por traio.
      Mas no  chegaria  a isso,  Ranulf  prometeu.
      Era  um  homem do rei, mas estava preparado para chegar a qualquer extremo  pela mulher que amava.
      Se fosse necessrio, estava preparado para lutar mesmo contra seu rei pela vida de seu pai.
      O  acampamento  do Henry era uma vista familiar,  organizado com uma  finalidade militar.
      Os barracos e as lojas espalhadas sobre um terreno  vasto, com as bandeiras   indicando cada entrada e os cavalos atados perto das lojas.
      Em toda partes  havia grupos de  cavalheiros  e arqueiros,  escudeiros e pajens,  cozinheiros,  ferreiros e  armeiros, assim como  os mensageiros de  correio.
      Ranulf olhou a  comoo  com pouco entusiasmo.
      Como tinha  trocado nos meses passados o guerreiro ansioso  que tinha ido  alguma vez a batalhas, e mulheres era tudo para ele,  mas  agora  tudo o que desejava
era voltar para seu lar no Claredon, com Ariane.
      A loja real era a maior  de todas, mas ainda Ranulf, um cavalheiro de alta fila  como  era, no  podia  ter  uma entrada imediata a ela.
      Teve que esperar fora mas de dez minutos para poder ver o rei.
      Nesse tempo se inteirou  dos eventos que tinham  acontecido em sua ausncia desde que tinha escoltado  rainha Eleanor at  ali.
      Parecia que os  esforos  de Henry  por submeter aos  bares rebeldes  estavam perto de ter xito.
      - Solicitaram o perdo real, - um companheiro Ranulf lhe  informou jovialmente .
      - Seus  recursos e provises quase esto  esgotados, fariam  um  trato com o  diabo, se fosse necessrio.
      Ranulf assentiu.
      Henry tinha sido  reticente a tomar por assalto o  castelo do Mortimer e  perder valiosos homens  necessrios para derrubar os muros, e por isso   tinha
escolhido  matar de fome os habitantes do castelo  com um  assdio longo.
      Mas  estava claro que a campanha para esmagar aos rebeldes  se aproximava de seu fim.
      Nesse mesmo  momento Henry estava reunido com o  conselho de bares que tinham  conduzido  a negociao e  os trminos  de rendio.
      Quando finalmente pde entrar, Ranulf encontrou  Henry caminhando impacientemente, rodeado por  cavalheiros de  alta fila.
      Pressionando seu passo atravs  d multido, Ranulf  apoiou   um joelho em terra e  beijou a mo do rei.
      - Meu rei e Lorde, felicito-o  por sua  vitria.
      - Ah , Ranulf, o  melhor de meus cavalheiros!
      - Chega  bem a tempo para  saborear o mel da vitria.
      O jovem rei da Inglaterra e da Normandia no era muito alto, mas transmitia   uma energia feroz que seus ombros largos e sua voz poderosa davam-lhe  uma presena
de comandante.
      Henry possua  tambm um carter impetuoso  que era material de muitas lendas, entretanto nesse momento seus famosos ataques de raiva estavam ausentes.
      Em troca, ele  sorria ampliamente.
      Ranulf suspirou com alivio.
      Em um humor to expansivo,  Henry seria mais amigvel  em um assunto que, sem dvida, encontraria desagradvel.
      Ranulf beijou a mo do rei.
      - No preciso compartilhar o mel da vitria - ele disse cautelosamente.
      - De fato tenho um pedido a fazer.
      - Que empreste seu ouvido e atue como um juiz imparcial.
      - Tenho boas razes para acreditar que Walter do Claredon foi acusado falsamente de traio.
      Essa  noite os trminos  da  rendio  foram  aceitos e o  castelo de Mortimer finalmente  caiu  ao assdio.
      - Ranulf  foi  um  dos  primeiros em acessar ao  interior da  fortaleza, mas enquanto  outros foram direto   torre a capturar os  rebeldes  dispersos, ele
e  seus homens  foram diretamente  aos calabouos.
      No recebeu nenhum  protesto quando  exigiu as chaves do  carcereiro.
      Abrindo a pesada porta, indicou   a seu  escudeiro, Burc,  que o seguisse   com uma tocha,  e  Simon Crecy para que o  acompanhasse.
      Ento  se agachou  para entrar em  um poo.
      O fedor era insuportvel.
      Dentro  no havia lugar para  estar de p.
      Ranulf conteve  a respirao   enquanto  procurava com a vista.
      Uma dzia de figuras magras, sujas  e vestidas com farrapos estavam  encadeadas s paredes.
      A  garganta de Ranulf se apertou  com piedade por  essas pobres almas que alguma vez tinham  sido homens.
      No  desejaria esse destino  nem para seu pior inimigo, entretanto  rezava para que o  pai do Ariane estivesse entre eles.
      - Procuro o Walter do Claredon, - Ranulf disse com tranquilidade.
      Uma cabea de homem se levantou  lentamente, suas cadeias soaram  enquanto  levantava  seu brao e tentava  proteger seus olhos da enceguecedora luz da tocha.
      - Sou Walter, - ele sussurrou roucamente.
      Se esticou  orgulhosamente, apesar de seu  sofrimento, um cavalheiro  valente  ainda na tortura.
      Ranulf tragou  em seco.
      - Sou Ranulf do Vernay.
      - Recorda-me, milorde?
      - Eu estou  aqui em  nome  de sua filha.
      -Ariane? - disse com  voz rouca.
      - Sim, Ariane, - Ranulf disse humildemente quandp se movia para liberar a Walter de suas cadeias.
      - Sua filha, que nunca deixou de pensar em voc, que nunca abandonou a f em sua  inocncia.
      Walter do Claredon era um homem livre.
      Tinha sido  encontrado encarcerado no calabouo   do Bridgenorth.
      Sua condio  fsica testemunhava as torturas que tinha sofrido.
      E com uma dzia de  cavalheiros dispostos a jurar que ele  se recusou a  unir-se   rebelio  em aberto desafio  a Mortimer, Walter recebeu o perdo do rei.
      Walter no tinha sofrido nenhuma ferida que o debilitasse mas tinha passado fome, e se Deus  quisesse  com tempo e alimento, recuperaria-se completamente.
      Passaram duas semanas antes que ele  recuperasse suficiente fora para estar diante do rei e  lhe jurar fidelidade.
      J no era considerado  um traidor e foram restabelecidas suas terras e direitos como Lorde.
      - Serviste-me bem, Walter do Claredon, - Henry declarou antes de outorgar a Walter uma  nova  baronia.
      Hugh Mortimer foi pendurado por sua  traio, como um exemplo  para  os futuros insurgentes, e muitos de seus  seguidores foram encarcerados por toda vida.
      Muito fraco para viajar, Walter permaneceu  em  Bridgenorth por outras  duas semanas.
      Ranulf ficou tambm, recusando-se a  voltar para Claredon sem o pai de Ariane. No se atrevia a  enfrent-la de outra maneira.
      Tinha  despachado mensageiros regularmente com relatos do  progresso de seu pai,  e ele tinha  recebido duas respostas, expressando sua gratido.
      Mas  a  gratido no  era substituto do  amor.
      J era  vero  na Inglaterra para o tempo em que  finalmente  as preparaes  foram feitas para voltar para o Claredon.
      Fizeram  a  viagem a cavalo, em etapas curtas.
      Debilitado como estava, o  cavalheiro possua  um esprito que se assemelhava ao carter  decidido de sua  bela  filha.













      Captulo 28



      A  espera  foi  o mias difcil.
s vezes  Ariane queria gritar de impacincia  enquanto  esperava  o  resultado dos eventos no Bridgenorth.
      O destino  dos dois homens  que mais amava no mundo estava em jogo,como  o  seu prprio fracasso da rebelio, ao menos seus medos  por esse lado  diminuam.
      Com a  liberao  de seu pai  e o perdo e exonerao do rei, Ariane  chorou de alvio.
      Podia esperar  o retorno do Walter a  Claredon com alegria e antecipao.
      A  situao  de sua me tambm  era causa de sua crescente esperana.
      Layla tinha comeado  a ministrar os  tratamentos  pele de Lady Constance, embora  fosse muito cedo para poder predizer o resultado.
      Gilbert, que tinha ficado  atnito e  aflito ao inteirar-se  da identidade das pessoas que viviam nos bosques, servia  fielmente como escolta para as viagens
da Layla, ansioso  para ajudar  mulher generosa  que o tinha tirado  de sua posio de  servido.
      Era sua relao  com Ranulf  o que ainda atemorizava Ariane.
      Teria um futuro com ele? Chegaria a am-la? Confiaria nela?
      Quando uma tarde de vero, a corneta  do guarda de entrada  anunciou a chegada de visitas, ela correu para a janela e embora no pudesse distinguir as figuras,
s pde ver a bandeira com o drago negro.
      Alegria e medo.
      Seu pai estava vivo e seguro?
      E Ranulf tinha morrido?
      Ela tinha temido que ele no voltasse nunca, Claredon lhe tinha sido restitudo a seu pai.
      Meu amado, vieste pra  mim finalmente?
      Trocou-se e colocou seu melhor vestido.
      Seu corao pulsava furiosamente quando ela desceu as escadas.
      Logo que pde recuperar sua respirao, quando os cavalos cruzaram os portes do ptio interno com esforo apartou seu olhar de Ranulf,  enquanto Lorde Walter
era ajudado  a descer  de seu cavalo por seu escudeiro   e seu elmo lhe era  tirado.
      - Pai,- ela murmurou, as lgrimas  encheram seus olhos  enquanto estendia suas mos.
      Ele  parecia  ter envelhecido dez anos  nos meses em que havia estado  ausente.
      - Bem vindo a casa.
      Para sua surpresa, seu pai  a abraou   firmemente, quase  esmagando-a contra seu corpo, como se  estivesse desesperado por sujeit-la.
      - Pensei   que  no  te veria  outra vez, - ele sussurrou roucamente.
      Abraou-a por um momento longo e  quando finalmente   deu um passo atrs, Walter  lhe sorriu.
      - Fez tudo  muito bem, filha.  Lorde  Ranulf  me  disse  que  defendeste Claredon corajosamente  e que me defendeu quando todo mundo falava contra mim.
      Esse  elogio  de seu pai a deixou atnita, fazendo que suas  lgrimas de orgulho e de felicidade rodassem livremente  por  suas bochechas.
      Ranulf  esperou por sua ateno e  sentiu  um ponto  de inveja  pelo carinho  entre  pai e filha.
      Desejava poder compartilhar esse carinho.
      Queria ter o  direito de abraar Ariane,  ser esse a quem ela saudasse  com  amor e  devoo.
      Na verdade, no  podia tirar  seus olhos  dela.
      Ela era uma  imagem  preciosa  com seu cabelo cor cobre caindo livremente de um aro de ouro,  parecia  uma rainha.
      Ansiava  tom-la em seus braos, para aliviar os batimentos do corao furioso  e  o enorme   medo dentro dele.
      Sem o Claredon em sua posse,  j no tinha nenhum poder sobre Ariane.
      Tanto  seu pai como  sua  herana estavam seguros, e ela  poderia  recha-lo facilmente.
      Quando finalmente Ariane  o olhou de esguelha, seus olhos se encontraram  e  formularam uma pergunta.
      Sua expresso  transmitia  incerteza  enquanto  procurava ler  seu rosto.
      - Ranulf...  milorde.
      - Como poderei te retribuir  por ajudar a meu pai?
      Seu sorriso transmitia  neutralidade que ele  no  podia esconder.
      - No procuro sua gratido,  moa.
      O que ele  queria, o que precisava  era de seu amor.
      Payn tomou a  oportunidade de romper a tenso aplaudindo as costas do Ranulf  e fazendo uma reverncia  ante  o Walter.
      - Meus  Lordes, entremos na torre   para celebrar este dia feliz com vinho.
      Lady Ariane  esteve preparado tudo  para sua chegada, e planeja uma festa para  esta noite.
      Walter assentiu  e aplaudiu a  cota de malha sobre seu estomago.
      - Uma idia esplndida, filha.
      - Necessito uma boa  comida  para pr um pouco  de carne  nestes  ossos.
      Ariane aceitou a mo  estendida de seu pai e liderou a entrada ao grande salo, onde  muito  dos habitantes do castelo esperavam ansiosamente para saudar o
Lorde.
      A celebrao que seguiu  durou at  bem entrada a  noite.
      Os deveres de uma  lady  ocuparam muito da ateno  de  Ariane,  sem   lhe dar   nenhuma oportunidade de falar em  particular  com Ranulf, que era o que queria
fazer.
       Ranulf, tambm irritado  por todo esse  atraso, observava-a com olhos possessivos enquanto ela estava  sentada  ao lado de  seu pai e longe dele.
      Ranulf comeu frugalmente e  bebeu  muito pouco,  no lhe importava  a comida.
      S queria levar  pra acima  Ariane, para coloc-la sobre a cama  e cobri-la com seu corpo,  capturar sua boca  e  beber   sua  doura.
      Ardentemente olhou  essa boca tentadora,  e recordou sua teimosa negativa a casar-se com ele, sem saber o que sente  em seu  corao...
      Sabia,  e estava preparado para admiti-lo, para lhe revelar  sua  alma se  isso era  o que  ela queria, embora  fosse  uma das coisas mais  difceis  que jamais
tivesse feito.
      Inclusive nesse momento no  podia estar seguro de  que  Ariane o aceitaria.
      Talvez poderia forar o matrimnio, Ranulf sabia que seu  pai daria a mo de sua filha ao homem que o tinha ajudado a demonstrar sua inocncia e o tinha ajudado
a  ganhar o perdo do rei.
      Entretanto ele nunca faria essa demanda, Ranulf  prometeu.
      No  foraria  Ariane  a casar-se.
      Tinha-lhe  tratado muito duramente no  passado para exercer  semelhante  coero.
      Na verdade, no  queria for-la  nunca mais.
      Queria que  Ariane viesse a ele  livremente, de  prpria vontade, porque o amava.
       Teria que  cortej-la desta vez,  Ranulf se deu conta, entretanto  ainda com esse todo esforo podia falhar.
      Ranulf pensou  na  arca  que havia feito pra colocar na  habitao dela pouco depois que obanquete tinha comeado.
      Um cavalheiro que procurava ganhar a mo de uma dama  devia lhe dar  presentes para ganhar seu favor e  para adoar sua considerao.
      Tinha gasto uma pequena fortuna comprando objetos dos mercados de tecidos  e  joalheiros, rezando  para que esses tesouros  pudessem  convencer Ariane.
      Agora  tudo o que ficava  era pr suas esperanas mais ferventes nessa arca.
      A  noite estava muito avanada, um entretenimento realizado  por comediantes tinha comeado, antes que Ranulf  reunisse a coragem de levantar-se da cadeira
e se aproximasse do Ariane.
      Inclinando-se, murmurou algo em seu ouvido:
      - Posso   ter uma palavra em  particular  com voc, moa?
      - Em sua habitao?
      - Sim,  milorde, como deseja, - ela disse quase ofegando.
      Desculpando-se com  seu pai  e  companheiros de mesa, Ariane se dirigiu ao piso superior, a sua habitao.
      Ranulf a seguiu, sua  conduta era extremamente  humilde, seu  corao  martelando  novamente.
      Seu otimismo  momentneo tinha desaparecido  para o momento em que  fechou a porta pesada detrs deles.
      No a tomou  em seus braos como desejava.
      Em troca, ficou de p observando-a silenciosamente  luz das velas.
      - Desejas  me falar? - ela perguntou  incertamente.
      - Trago-te um presente, - ele  finalmente disse, assinalando o arca  que seu escudeiro  tinha  colocado detrs da porta.
      Confundida, Ariane foi ajoelhar-se  diante  do arca e levantou a tampa.
      Sua respirao  saiu  ofegante devido os tesouros que resplandeceram   luz das velas. Com mos trementes  ela retirou  um pendente de ouro com  incrustaes
de rubis.
      Debaixo havia sedas custosas e peles de arminho.
      Levantou seus olhos  questionando  Ranulf.
      - O que  isto, meu  Lorde?
      - No  podia pensar em  nada mais para te dar, - ele respondeu com uma voz  baixa,  apenas  audvel.
      - A riqueza  e propriedade de seu pai foi restaurada.
      - Sua  herana est  intacta.
      - Seu amado  Claredon  j no me pertence.
      Ariane conteve  a respirao,  sem  esperar explicao  adicional.
      - No  necessito riquezas de voc, Ranulf.
      - Sei, - ele disse amargamente.
      - No tem nenhuma necessidade de mim para nada.
      Ela no podia  compreender  o que  ele estava tentando   lhe dizer.
      Mas havia outro  tema  crucial que clamava  por sua  ateno.
      Lentamente  Ariane se levantou   e se dirigiu para  outra arca, de onde   retirou um  pergaminho enrolado com o  selo papal intacto.
      - Isto veio de Roma em sua  ausncia.
      Um  medo  gelado alagou Ranulf enquanto  olhava as letras em Latim diante de seus olhos.
      Mas  no  havia nenhum engano.
      Era a  confirmao de seus  piores medos.
      Seus  ombros caram, sua cabea  se curvou.
      A deciso  j  tinha sido tomada.
      - A anulao  foi concedida, - ele sussurrou .
      - Assim... agora est  livre de mim,  -  ela disse  neutralmente  depois de um momento.
      - No,  est  equivocada, Ariane.
      -Eu  nunca poderia  estar livre de voc.
      Depois de um   silncio longo, Ranulf a olhou de esguelha  sobre seu ombro.
      Seu rosto  era plido, seus olhos, inchados  com angstia .
      Sua boca  se torceu  com amargura.
      - Est  satisfeita, moa?
      - Agora  ter a oportunidade de fazer  outra aliana para seu matrimnio.
      - Com   o Claredon restaurado, sua mo ser desejada por Lordes muito ricos, mais capitalistas que eu, est livre do saqueador que pretende entrar na  nobreza
e  que manchou sua honra.
      Ela sacudiu a cabea.
      - No quero a  nenhum outro Lorde que no seja  voc.
      Ranulf ficou rgido,  muito  temeroso  para mover-se , temeroso de ter  ouvido mal.
      - No est satisfeito,  milorde?
      - No  era uma anulao  o que desejava   to fervorosamente?
      - No...- Ento...
      Ela  Procurou  em seu rosto.
      - O que  quer?
      Ranulf desviou  seu olhar, incapaz de encontrar seus  olhos.
      - Eu te quero, Ariane...
      E quero que  seja minha esposa de verdade.
      - Quero  um futuro com voc a meu lado.
      - Quero  me estabelecer em  uma de  minhas propriedades e criar bem a meus filhos.
      - Quero ver crescer as  minhas filhas para que se convertam em  belezas como a de sua me.
      Sua respirao  se travou.
      Ela no podia acreditar no que ouvia.
      - Quer te estabelecer, acreditei que queria seguir lutando...
      - Alguma vez o quis, mas me cansei disso.
      - Logo que conheo minhas propriedades, vou trocar isso.
      - Voltar para Vernay?
      - No, odeio Vernay.
      - Decidi ficar na Inglaterra.
      - Aqui, em  Claredon?
      - No. No perteno a este lugar.
      - Onde ento?
      - Henry me cedeu uma terra no oeste.
      - Devo construir um castelo l. Vou comear novamente.
      - Quero pr um fim ao dio,  solido, s batalhas...
      - E quero uma vida com voc... se estiver disposta a me aceitar.
      - E a confiana, milorde?
      - No tolerarei que meu matrimnio seja destrudo pela desconfiana e suspeitas.
      -Confio em voc ... tanto como em qualquer outra pessoa.
      - E o amor?
      Girando sua cabea,  ele a olhou de esguelha  sobre seu ombro, forando-se  a encontrar seu olhar.
      - Meu amor  teu,  o que tenho para dar. Se o que  sinto pode  ser chamado amor, ento , amo-te.
      -O que  sente,  milorde ?
      - Sinto-me desamparado, ele disse roucamente.
      - Tenho medo de te haver perdido por minha prpria cegueira.
      A  dor em seus olhos lhe causou  uma quebra de onda  de ternura, doa-lhe ver sofrer seu amado drago.
      Com a garganta apertada, Ariane  moveu-se at ele.
      Por trs abraou-o, pressionado sua bochecha contra suas costas.
      - No me perdeste, Ranulf.
      Lentamente deu volta entre seus braos.
      - No te pressionarei se rechaas minha oferta de matrimnio.
      - No milorde,  essa opo foi tomada faz muito tempo.
      - A minha tambm, - ele disse.
      - Enfeitiou-me no primeiro momento.
      - Eu tambm estou enfeitiada - ela disse brandamente.
      -Eu no sei como amar, Ariane.
      - Me ensina?
      - Sim... Com prazer.
      Uma alegria imensurvel a invadiu.
      - Mas... est seguro, Ranulf?
      - Verdadeiramente seguro?
      - Mais seguro  que  de qualquer outra  coisa em  minha  vida. s minha  vida. Ests  em  meu sangue.
      - Eu no sou a esposa que desejava.
       Sacudiu a cabea.
      - Eu s peo  que minha esposa tenha coragem, honestidade  e  lealdade.
      - Voc provou ampliamente possuir todos esses valores.
      - No  deseja  obedincia e docilidade, milorde?
      Sua boca se torceu num sorriso.
      - O que desejo  uma moa  atrevida que me desafie  e me torture para am-la.
      - Eu  no te torturei! - Ariane exclamou  indignada. 3
      Com uma risada  rouca, Ranulf a atraiu mais para perto.
      - No me importa se o fez.
      - Eu te quero como .
      Ela pressionou sua palma contra  seu peito  largo.
      - No to rapidamente,  milorde.
      - Pea  meu corao.
      - Muito bem.
      Sua expresso ficou sria  de repente.
      -Milady... Meu amor... Ariane... poderia entregar seu corao  a este guerreiro?
      Seu olhar  se suavizou.
      -  teu, Ranulf. Entrego-lhe isso e meu amor, para sempre.
      Um sorriso  iluminou  seu rosto.
      - E sua mo?  Casa-te comigo, milady?
      - Sim, meu  amor.  Desejo me casar  com voc.
      Ela olhou de esguelha  ao  pergaminho que ele  ainda sustentava.
      - Esta concesso de anulao... No  tenho nenhuma necessidade dela,  verdade?
      Para  seu choque,  ele lanou  o pergaminho ao braseiro, observando  como as chamas o devoravam lentamente.
      - E a  palavra de Roma? - Ela perguntou .
      - No me importa o que Roma diz.
      Ranulf arrojou sua cabea  para trs e riu  com prazer.
      Era essa  risada  que soava com tanta   felicidade,  foi o que a convenceu.
      Ranulf  verdadeiramente a queria  como sua esposa.
      Quase tinha esperado a metade de sua vida por esse momento.
      Para que seu  amante ideal viesse a  ela com ternura e amor.
      Impulsivamente Ranulf fez girar Ariane em seus braos, at que ela estava rindo.
      - Ranulf, detenha!  Faz-me  enjoar!
      - To enjoado  como eu me  sinto!
      - Ariane, solicitarei  uma petio de matrimnio  imediatamente, de modo que   no  possa retirar  voc da aceitao.
      Suas sobrancelhas se levantaram   divertidas.
      - No fui eu quem atrasou o matrimnio  durante cinco anos,  milorde.
      - No fui eu quem repudiou nosso compromisso.
      Seu sorriso se desvaneceu.
      - No,  fui eu devido a   minha estupidez, minha  cegueira, minha  compulso a  acreditar o  pior de todos.
      - Poder me perdoar alguma vez ?-
      Ela podia ver a incerteza  em seus olhos, a  vulnerabilidade doce  de  seus sentimentos recentemente reconhecidos.
      Em resposta, Ariane  ficou em pontas  dos  ps e apoiou seus lbios  brandamente   contra os dele.
      Ranulf nunca mais teria  motivos  para duvidar de seu amor.




      Captulo 29



      O  casamento entre  Ariane de Claredon e  Ranulf do Vernay foi motivo  de grande alegria.
      A cerimnia  do matrimnio  foi realizada  na porta de entrada da  Igreja, de modo que todas as pessoas  do Claredon pudessem participar da  celebrao.
      O cu  dessa  manh de vero era profundamente azul.
      Ariane luzia  o colar de ouro que Ranulf lhe  tinha  dado semanas atrs, a manh depois de ter tomado sua virgindade.
      O  trajeto   Igreja  onde ele  a  esperava com os  camponeses e os convidados nobres Ranulf estava  resplandecente usando as cores escarlate,  negro e o
ouro  em  sua vestimenta.
      Mesmo sem  armadura, parecia  um   guerreiro poderoso.
      Observou  com olhos possessivos enquanto  sua  bela  noiva se aproximava.
      Era estranho para que um homem quisesse    mulher que  ia ser  sua esposa,  mas  ele  queria  Ariane com uma paixo  que lhe sacudia a  alma.
      Amava-a   e pretendia passar o resto de  sua vida  honrando  esse matrimnio.
      Ranulf se aproximou de sua noiva para ajud-la a descer  de seu cavalo.
      -Milady, - ele  murmurou s  para os ouvidos do Ariane.
      - Este   meu juramento para  voc:
      - Nunca ter  motivo  para lamentar este dia.
      Ela lhe deu  um sorriso  radiante, cheia  de alegria  por sua  promessa.
      - Sei , milorde Ranulf.
      - Te prometo o  mesmo.
      O  amor e o  orgulho incharam o  peito do Ranulf, antes de girar para  a conduzir   para os degraus  de pedra da porta  da Igreja.
      Ali pararam diante  do  sacerdote, o  padre John.
      Quando Ranulf e  Ariane  expressaram seus votos, o  sacerdote leu os direitos de propriedade de ambas as  partes.
      O Lorde de Vernay cedeu a sua esposa  um tero  de suas terras arrendadas depois de sua morte,  enquanto que o pai do  noiva,  o Lorde do Claredon, entregou-lhe
seu dote, roupa  de linho, utenslios de prata, mveis e terras.
      Ariane logo que ouviu  as palavras sentiu-se  enjoada, envolta  em uma nuvem de alegria,  muito  distrada  para se concentrar em  assuntos  materiais.
      Seguiu-se um  rito em  latim, a entrega da  noiva por parte do  pai e  da  me.
      Ariane sentiu uma dor agridoce  em sua garganta porque  sua  amada  me  no podia estar  presente   nesse momento, entretanto  se sentia confortada   pelo
conhecimento de que  Lady Constance  a esperava dentro da Igreja , escondida na galeria da capela.
      O progresso de sua me  era outro motivo  de sua alegria.
      O remdio estranho de Layla  parecia  ter  ao menos um modesto efeito na pele de Constance  e  a rabe  era otimista a respeito a sua recuperao eventual.
      Ariane orgulhou de seu pai quando este  a apresentou ao Ranulf.
      - A voc confio minha  filha Ariane.
      - Cuida bem dela.
      - Diante de Deus,  prometo proteg-la, - Ranulf respondeu, apertando   as mos dela  e olhando-a  profundamente aos olhos.
      Quando o  padre John benzeu  o anel, Ranulf deslizou  a pequena banda de ouro  em seu dedo, onde permaneceria at sua morte.
       - Com  este   anel  te desposo, - Ranulf lhe  prometeu  solenemente  em  latim.
      S  ento  entraram  na  Igreja, onde o matrimnio  seria  consagrado diante de   Deus.
      Ajoelhada ao lado do Ranulf, Ariane sentiu o  amor de sua me  envolv-la.
      Oculta  detrs de um vu  e de uma cortina, Lady Constance  observava  a cerimnia  da  galeria da capela.  Ela  lhes tinha  dado  sua  bno  antes.
      Uma missa seguiu  cerimnia, e  depois  a  noiva e o noivo se ajoelharam  para receber a beno  solene do sacerdote.
      Finalmente,  Ariane foi conduzida fora da  Igreja  por seu marido, onde um coro  de sinos e de gritos   os saudou.
      Ela pde  ver seu meio irmo, Gilbert, entre a multido,   assim como ao vassalo e  amigo do Ranulf, Payn, seus  sorrisos amplos refletiam  sua alegria.
      Elevada  nos braos de seu marido, Ariane se inclinou para trs   sobre o  peito do Ranulf,  gozando da sensao  de seus braos poderosos  rodeando-a.
      -Ento?... Est  satisfeita, moa? - Ranulf perguntou.
      - Conseguiu   finalmente os seus objetivos.
      -Pode  te dirigir a  mim como "milady"  meu marido.
      - Eu   j no sou  sua moa, nem sequer uma moa.
      - Sou sua esposa.
      - Esposa, - Ranulf murmurou  pensativamente.
      - Eu gosto como fala.
      Quando Ariane girou sua cabea para  olh-lo,  viu em seus olhos o  mesmo amor que  sabia  que brilhava nos seus, e  soube  que tinha sido abenoada.
      As festividades seguiram   pelo resto  do dia  e at  a noite.
      Lorde Walter  havia  provido uma festa de casamento  que  rivalizava com a de  um rei.
      A  cerveja e o  vinho corriam  livremente, e  pela  tarde  todos participaram de  jogos, danas e torneios de habilidades .
      Ranulf fez  seu papel  de Lorde   generoso, dispensando presentes para os convidados do  casamento, mas primeiro observou  a sua bela  noiva gozar das festividades
e  pensou  impacientemente  na  noite em  diante.
      Essa noite  Ariane  viria a ele  de   prpria vontade, com  amor, como sua  amada.
      Na Igreja  essa manh, tinham   intercambiado votos sagrados, mas  s a unio  carnal  na  cama  selaria esses  votos.
      Lhe pertenceria completamente  ento.
      Sentiu  o  calor em sua  virilha combinar-se com o  fogo em seu  corao.
      S queria estar com Ariane, a ss, na cama.
      Era habitual  que  os convidados do  casamento assistissem ao rito  que se realizava na habitao nupcial.
      Ento  a habitao  estava aglomerada e  cheia de risadas e brincadeiras.
      Ariane foi surpreendida  de encontrar-se  tremendo.
      Tinha  ansiado por esse momento sempre e agora lhe   parecia  como um sonho.
      Seu amante ideal  ter vindo  para  ela finalmente.
      - Ariane? - Ranulf murmurou  no  silncio solene.
      - Estou  aqui, - respondeu  nervosa.
      Seus  lbios se  curvaram  em um  sorriso.
      Ranulf fechou  a distncia  at a  cama.
      Seu  corao pulsava ferozmente, abriu  as cortinas   para encontrar  a sua noiva  jazendo em  sua espera, seu  cabelo cor  cobre estendido  como  uma cascata
sobre   os travesseiros, os lenis abertas   convidando-o.
      Ela no  usava  nada mais  que uma grinalda de  rosas do  casamento, e Ranulf inalou  profundamente ao ver seu corpo branco  brilhando  ao  fulgor da  luz
das velas.
      A excitao  cresceu   dentro dele,  insistente e  urgente.
      Controlando sua necessidade feroz com  fora de vontade, ele  girou para servir  uma taa de vinho.
      Retornando   cama, sentou-se  ao lado dela.
      Ariane se  lembrou da  primeira noite em que  Ranulf a  tinha  assustado invadindo seu dormitrio, mas  esta vez, no lhe temia.
      - Quase no  bebi todo o dia, - Ranulf  lhe explicou, - e tenho sede.
      - Talvez  pretende  me seduzir e me dobrar com   vinho, - Ariane sugeriu provocativamente, - para me fazer  render com  mais facilidade.
      - Ah, no,  nunca, minha  lady.
      - Desejo que esteja em  posse   de todos seus  sentidos esta noite.
      - Pretendo que sinta cada coisa de tudo o que te vou fazer.
      Seu tom  era sensual e  provocador.
      Olhou de esguelha  para  seus lbios.
      - Pensei   que poderamos comear  com uma lio  sobre a conduta apropriada de uma esposa.
      - Seguro? - ela sorriu  incerta.
      - Que classe de lio?
      - Uma sobre  como satisfazer a um  marido.
      - Sou seu marido agora, verdade?
      - Sim... - Ariane respondeu  ofegando.
      A mo de Ranulf se levantou  lentamente para tocar sua bochecha, seguiu  a linha delicada de sua mandbula, a coluna  de sua garganta.
      Ariane respondeu  a seu contato como uma flor que se abre ao sol e sentiu que seu sangue corria mais velozmente em suas veias.
      - Te deite e fica aquieta, - ele a  incitou  enquanto  seus dedos acariciavam delicadamente sua garganta.
      Ela  assentiu, preparada para dar gosto a Ranulf, ao  menos  at que o prazer   se tornasse muito intolervel.
      Os dedos dele se arrastaram  indolentemente por seu pescoo, seu seio esquerdo, fazendo que o  mamilo se erguesse.
      Ento, com cuidado delicioso, inclinou-se a lamber a ponta rosada com  sua lngua.
      Ariane  ofegou, seus  dedos se enterraram  em seu cabelo cor bano para atra-lo para mais perto dela e se  arqueou  para trs, oferecendo seus seios.
      Mas  Ranulf no  apressaria o  momento.
      Sua  boca quente  e sua  lngua  dura e molhada se atrasaram prazerosamente em seus mamilos.
      Quase tiritando, Ariane apertou seus dentes e  moveu  sua cabea sobre o travesseiro.
      Suas bochechas  ruborizadas, sua respirao agitada, para o momento em que  Ranulf  finalmente  abandonou seus seios.
      Com um sorriso  que trazia  uma promessa, Ranulf  afundou  seu dedo outra vez e ela veio.
      Ela  soube  que  tipo de prazer viria em seguida, ainda antes que  ele procurasse   a cova escondida  entre suas coxas.
      Com  essa  carcia  deliciosa, seus sentidos se fizeram selvagens.
      Seus quadris  se arquearam  impotentemente.
      Ranulf  estudou a  carne feminina  exposta a seu olhar.
      Friccionando o boto  mido  com  vinho, e logo abrindo as dobras  trementes de seu sexo... deslizando seus dedos profundamente,  to profundamente dentro
dela, lhe causando  gemidos de paixo.
      Finalmente, como se  ele detectasse  to perto ela estava do xtase, Ranulf colocou a taa  sobre  a mesa  e se  inclinou  sobre ela.
      - Ranulf... por favor... - ela  implorou  enquanto seus quadris  procuravam sua posse.
      Abrindo  suas pernas  mais amplamente,  ele a beijou  ali,  inalando  sua fragrncia, deixando que  sua  lngua  a acariciasse  e a explorasse  at a loucura.
      - Amor e  prazer, - Ranulf sussurrou  contra  sua  carne mida.
      - Amo-te, Ariane... - Ela no podia  responder.
      Sua  necessidade era muito feroz para ser tolerada.
      Sentindo que  seu  controle  se atenuava,  Ranulf se incorporou e  estirou  seu  corpo  sobre ela e  se afundou lentamente entre  suas coxas.
      Ariane ofegou de prazer  enquanto  o sentia penetr-la  profundamente  dentro  de sua carne e a enchia, possessivo e  demandante.
      Quando  finalmente Ariane sussurrou:
      - Ranulf... meu amor, - contra  seus lbios, obteve que as arremetidas aumentassem seu ritmo.
      Momentos mais tarde, Ranulf recuperou  a conscincia.
      Movendo-se tentou  aliviar seu peso de Ariane, mas ela   murmurou  um protesto e apertou  seus  braos ao redor dele.
      Por  um outro momento, ele permaneceu onde estava, escutando  seu corao  pulsando at voltar para a normalidade.
      - Ariane, meu  amor, -  ele sussurrou  em seu  cabelo. - estou te esmagando.
      - Mmmmm... - Sua boca se curvou  em um sorriso.
      - Sou verdadeiramente seu amor?
      - Sim, para sempre.
      - Diga-o outra vez.
      - Meu amor... minha amada... meu corao...
      Em  resposta, ela  levantou seus lbios  para beij-lo.
      O olhar do Ranulf  foi para  baixo,  aos ps  entrelaados.
      Essa era sua cama matrimonial.
      Esperava  que Ariane concebesse um filho  ali.  Queria um  filho dela.
      Mas   se ela provasse ser estril, sentir-se-ia decepcionado mas no desesperado.
      Ariane significava  muito mais que uma produtora de filhos.
      Queria-a ,  necessitava-a com um  desespero  que  nunca  havia sentido.
      Em algum lugar de sua alma, sempre  o tinha  sabido.
      Ela tinha sido  feita para ele, sua  companheira da alma.
      Lhe pertencia.
      Ranulf fechou  seus olhos,  assustado   pela  profundidade do  amor que sentia  por essa mulher.
      Perderia sua vida por ela sem pesar  ou duvidar.
      Daria  todas  suas posses  por ela.
      E lhe daria  seu corao.
      Para que lhe ensinasse a amar.


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  O Guerreiro - Nicole Jordan




